Notas iniciais
Yo minna-san! ^^
Trazendo a vocês mais um capítulo, que deve ter sido muito esperado pela minha querida Mina-Chan ^^
Mina-Chan, sei que a personalidade da Himawari não é exatamente assim, mas como não sabia como fazê-la agir em um momento de pura tensão, acabei improvisando ^^'''
Boa leitura o/

Andava sozinha pelas ruas escuras de Inazuma, na saída do ensaio tive que resolver assuntos relacionados à nossa nova e última turnê como dupla intitulada “Double Hime ~~Good Bye My Sweets Memorys”. Não entendi muito bem o nome dessa turnê, até parece que nós vamos morrer ou coisa parecida! Bom, o problema é que minha mãe ligou louca atrás de mim por que não cheguei para o jantar – o que foi notificado por um dos empregados, já que meus pais nunca estão em casa para as refeições comigo – e além de quase ameaçar o Staff de morte caso não me liberassem para ir para casa, disse que se eu ficasse doente por conta de stress ou coisa do tipo, ela ia processar geral.

Se eu ficar doente, não tenho muito com o que me preocupar, meus pais são médicos e podem muito bem cuidar de mim, é que eles nunca apoiaram a minha carreira de idol, até reconhecem o meu “talento”, mas querem que eu estude para me tornar uma obstetra. Eu não quero trabalhar no ramo da medicina! Eles surtaram mais ainda quando encontraram o uniforme do time de futebol nas minhas coisas, foi uma gritaria tão grande que... Eu não quero nem lembrar, mas eles são injustos por não apoiarem os sonhos e expectativas da própria primogênita.

Eu sou filha única, então todas as expectativas dos meus pais em se gabar sobre um filho gênio da medicina caíram sobre os meus ombros, quando na verdade eu quero seguir minha carreira musical e me dedicar ao futebol. Outro probleminha que me impede de seguir tal carreira, é que eu sou prematura e a minha imunidade é baixíssima. Ela até de uma boa melhorada depois que eu virei idol e comecei a jogar futebol, mas eu fico doente muito fácil, não posso nem dormir com a janela aberta no verão por que se ventar, no outro dia estou rouca e com a garganta inflamada, é um saco. Isso acabou tornando o hospital dos meus pais uma espécie de “casa” para mim, de tanto que eu o frequento. A equipe de medicina e enfermagem inteira me conhece, desde a pediatria e cardiologia até a ortopedia.

Como se os meus problemas parassem por aí, quando eu nasci – estava para fazer seis meses, então imaginem como eu nasci pequena -, uma veia do meu coração jorrava sangue ao contrário, e o meu braço era fino demais para fazer o cateterismo. Eu não sei a história completa, pois meus pais evitam falar disso comigo, mas eu sobrevivi e não tenho mais a tal veia jorrando sangue para o lado oposto. Claro que até hoje eu faço visitas ao cardiologista e faço eletrocardiogramas, por isso todo mundo do hospital me conhece.

Bom, o importante é que meus pais surtam quando o assunto é a minha saúde, e agora que já sabem do meu histórico devem entender o motivo. Apesar de que eu realmente não sei por que eu tenho que me tornar uma obstetra sendo medrosa do jeito que sou. Eu quase caio dura quando um cachorro desconhecido vem para o meu lado – tenho medo até do Zeus, cachorro da Ko-Chan, e ele é um fofo –, tenho ataques de choro quando algum inseto se aproxima de mim e chego a ter medo de cracas. Quando eu acabo ficando sozinha, desconfio até da minha própria sombra e tenho fobia de locais fechados, principalmente se for escuro, não teria como me tornar uma obstetra sendo que eu quase desmaio quando vejo sangue e tenho trauma de hospitais.

Claro, eu tenho os meus motivos, mas definitivamente não quero falar disso. O que importa é que eu estou andando com os passos apressados até o ponto de táxi já que é meio proibido veículos perto dos locais de ensaio e não quero atrapalhar o descanso de Koichiro-Dono.

As ruas de Inazuma quando desertas são assustadoras e como ainda estamos entrando na primavera, está um pouco frio e ventando, se não correr e ficar em um local quente eu posso acabar ficando gripada ou coisa parecida. O pior de tudo é que o meu celular está sem bateria e agora descarregou de vez, nem está ligando mais.

-Não tem como ficar pior... – Sussurrei para mim mesma e comecei uma quase corrida, já que o ponto de táxi mais próximo fica a uns três quarteirões de onde estou.

Andei mais um pouco com certa velocidade quando a rua toda apagou. Ah não, um blecaute logo agora?

-Eu e minha boca – Choraminguei enquanto abraçava o meu próprio corpo. Já passava das nove da noite e a maioria das famílias já deveria estar em seu devido retiro, e os poucos carros que quase não passavam nas ruas ajudava a tornar tudo mais escuro e muito assustador.

Respirei fundo e voltei a andar tentando prestar atenção onde pisava, já sou uma desastrada, ainda no escuro... O fato de estar ventando não me ajudou muito, então tudo que podia fazer era abraçar mais o meu corpo na esperança da jaqueta que estava usando me esquentasse um pouco mais.

Já não vestia o uniforme escolar, o mesmo estava devidamente guardado dentro de minha mochila que carregava comigo. Trajava uma saia preta um pouco acima dos joelhos, uma meia-calça bege que faziam par com a bota ¾ preto de salto pequeno. Uma camisa branca de mangas comuns e uma frase simples qualquer era escondida pela jaqueta felpuda na tonalidade creme se encarregava de aquecer-me. Os cabelos um pouco suados devido ao ensaio e treino eram enfeitados com uma simples faixa também bege que contrastava com os meus olhos azuis.

Finalmente estava chegando perto do ponto de táxi, e mesmo estando um breu era possível enxergar a instalação. Andei mais um pouco e estava prestes a atravessar a rua para chegar ao meu destino quando senti uma mão puxar-me pelo braço para um beco que havia a poucos passos da faixa de pedestres.

-Olha o que temos aqui... – Uma voz rouca e grave soou, mas pude identificar que vinha de um homem. No segundo seguinte fui empurrada em direção as paredes de concreto do tal beco

Senti os músculos de meu corpo falhar e o desespero invadir cada célula que havia em mim. Tentei respirar fundo e me libertar daquele muro e daquele ser

-Calma gracinha – Sussurrou ao pé de meu ouvido e eu pude sentir o fedor intenso de cachaça – Nós vamos nos divertir e você vai gostar

-Me solta, por favor... – Implorei de olhos fechados e já podia sentir as lágrimas escorrendo por minha face

Ouvi um riso maldoso vindo de sua parte e meu corpo foi prensado com mais brutalidade contra o muro de concreto. Aquele... Homem nojento e asqueroso estava cheirando meus cabelos e pescoço de forma doentia e por mais que me debatesse não conseguia sair dali.

As lágrimas aumentaram quando senti seus lábios secos e brutos na região mais sensível de meu corpo, o meu pescoço. Quanto mais me debatia, mais ele tentava me prender contra a parede, e era em vão, possuía muito mais força que eu. Movi minhas mãos trêmulas ao seus ombros e tentei empurrá-lo, mas não conseguia, e aquelas carícias forçadas em meu pescoço só aumentavam, ameaçando descer para o meu colo.

-Por favor... – Sussurrei em meio ao desespero e de olhos cerrados.

Um estrondo, um rugido, o barulho de algo se quebrando e silêncio. Foi o que houve segundos depois de minha súplica.

Abri os meus olhos de forma temerosa e assustada, o corpo trêmulo fez uma força para mover a cabeça em direção ao barulho e o corpo do homem que antes me assediava estava caído em cima de pedaços de madeira e aos seus pés, uma bola de futebol rolava lentamente para um ponto qualquer.

-Você está bem? – Ouvi uma voz feminina perguntar e após mover a cabeça para o lado oposto, uma jovem aparentemente mais alta estava parada na entrada do beco.

Antes que pudesse raciocinar e responder, o homem ameaçou levantar. A garota correu em minha direção, e segurando-me gentilmente pelo pulso pôs-se a correr para um local qualquer, me arrastando junto.

Estava escuro e eu tinha que fazer mágica para não tropeçar em qualquer coisa ou em mim mesma, já que o meu corpo insistia em reagir de forma indesejada e tremer devido ao susto anterior.

Corremos por um bom tempo, e pela energia que havia no local, julguei termos mudado de bairro pois lá havia luz. Continuamos correndo por mais alguns quarteirões, e se não jogasse futebol estaria ofegante e extremamente cansada, até que paramos em frente a uma casa.

-Você está bem? – A voz fina e melódica soou em tom de preocupação

-E-eu... Obrigada, se você não tivesse aparecido provavelmente eu... – Não consegui completar a frase, senti um arrepio gélido percorrer o meu corpo inteiro e lágrimas ameaçaram sair

Pude finalmente reparar no físico da minha “heroína”. A pele era clara e fazia par com os cabelos castanhos longos e ondulados que lhe batiam a cintura. Os olhos em uma tonalidade mel combinavam com os lábios finos e sutilmente rosados, dando-lhe um ar puro e meigo.

Virou-se para mim, na tentativa de falar algo eu acho, mas arregalou os olhos e levou as mãos á boca.

-Ma... Ma... Ma... Ma... – Tentou falar e eu estremeci – Maisuu Haruna?!

-É... Oi – Sorri tímida e com o rosto já vermelho

-Então o Endou-San disse a verdade quando contou que havia se mudado para a Raimon! – Comentou surpresa e um tanto frustrada por não ter acreditado nas palavras antes lhes ditas. Espera, ela conhece o kantokku?

-Conhece o Endou-Kantokku? – Essa me pegou desprevenida e a surpresa era notável em minha face

-Podemos dizer que ele é meu pai — Sorriu meiga e me estendeu a mão – Vou pedir pra ele ligar para a sua família, ok?

-O-ok... – Segurei a mão da garota e nós entramos na casa, já que estávamos plantadas em frente a ela a um bom tempo

-Tadaima – A garota disse assim que entramos em sua residência e retiramos devidamente os nossos sapatos

-Okaeri – Uma voz feminina até então desconhecida soou e uma moça morena de cabelos ruivos e sutilmente enrolados apareceu em frente à porta com um pano de prato em mãos – H-Himawari-Chan, essa não é...? – Pareceu surpresa a me ver e tudo o que eu fiz foi corar

-Natsume-San, poderia chamar o Endou-San? – A jovem ao meu lado pediu sorrindo e tudo que a moça mais velha fez foi concordar com a cabeça

Segurou minha mão novamente e me guiou á sala, pedindo educadamente para que me sentasse em um dos sofás.

-Desculpe, você me conhece, mas eu não sei quem és... – Comentei envergonhada

-Himawari – Sorriu para mim — Shinomiya Himawari

-Maisuu Haruna – Sorri vermelha comprovando o obvio

-Himawari-Chan, o que a Natsume quis dizer com --- — A voz conhecida de meu treinador soou pelo corredor e ele se auto interrompeu quando me viu sentada no sofá – Maisuu...

-Endou-Kantokku – Levantei-me e fiz uma curta reverência

-Não sabia que se conheciam – Colocou as mãos na cintura de forma um pouco pasma

-Não nos conhecemos – Himawari-San esclareceu – Encontrei-a a pouco em um beco no bairro ao lado onde houve o blecaute, por pouco ela não foi... – Fechou os olhos e suspirou fundo, pesadamente, como se se esforçasse para falar – Molestada. – Completou por fim, com os olhos ainda cerrados

-Coitadinha! – A tal de Natsume-San exclamou surpresa e veio para o meu lado, instigando-me a sentar-me novamente

-Se não fosse pela Himawari-San, eu nem sei o que teria... – Comentei com a franja cobrindo meus olhos e a voz embriagada denunciando o início do choro

-Seus pais sabem disso? – Endou-Kantokku se sentou ao lado da garota de olhos cor de mel, aparentemente preocupado

-Não – Sequei as lágrimas que voltaram a cair com as costas das mãos – A bateria do meu celular acabou pouco depois de sair do estúdio.

-Eu vou te levar para a sua casa – Endou-Kantokku concluiu e se levantou do sofá em busca das chaves do carro

Natsume-San tinha as mãos pousadas em cima das minhas, que ainda tremiam em cima de meu colo.

-Ouvi boatos de que havia se mudado para a Raimon, mas não tinha conseguido lhe ver no intervalo – Himawari-San comentou

-E-estuda na Raimon? – Perguntei olhando-a com os olhos marejados

-Sim – Concordou e veio sentar-se ao meu lado – E não sabia que era permitido mulheres no time

-V-você também tem preconceito? – Perguntei chateada e de cabeça baixa

-Claro que não! – Olhou-me incrédula – Eu jogo futebol, chutei a bola naquele nojento

-Obrigada... – Sussurrei e me encolhi no sofá

-Não precisa agradecer – Sorriu e se encostou-se ao sofá assim que avistou Endou-Kantokku vindo para a sala com um molho de chaves nas mãos

-Vamos, vou te deixar em casa, seus pais devem estar preocupados

-Hai – Concordei e após me levantar do sofá, agradeci mais uma vez a jovem que a pouco me salvara, logo agradecendo Natsume-San também.

“Se calhar eles nem sabem que ainda não cheguei em casa.” Pensei assim que prendi o cinto do carro. Realmente devo agradecer aquela família.

Notas finais
Tenso né? ^^''
Mas foi um encontro necessário ;D
Se eu terminar o nono hoje, ou escrever pelo menos mais da metade dele, podem esperar capítulo duplo o/
Mereço rewiens?
Kissus da Haru-Chan o/