Sei Que Você Tá Afim
8 Atração Fatal
Notas iniciais
Trechos da música: (You drive me) Crazy - Britney Spears
Tell me, you're so into me (Me diga, você está afim de mim)
That I'm the only one you will see (Que eu sou a única que você vai ver)
Tell me I'm not in the blue, oh (Me diga que eu não estou no céu)
That I'm not wasting (Que eu não estou desperdiçando)
My feelins on you (Meu sentimentos em você) [...]
Depois de uma semana intocada naquela prisão que alguns chamam de hospital, eu finalmente consegui alta. Eu estava tão feliz! Aquele doutorzinho metido ficava colocando lorotas na cabeça da minha mãe, pra que eu continuasse ali. Cara, eu tô ótima faz dias! Ando pelos corredores, converso com todos os funcionários, que modéstia a parte, me amam (risos). Gente, conheci até um estagiário gato que ficou me dando mó mole, ou foi o contrário? Quem liga né? Ele é gato e ponto. Sorri maliciosamente, lembrando das escapadinhas que a gente conseguiu dar. Foram quantas? Uma, duas... — contei usando os dedos, pensativa — Teve aquela no almoxarifado, e ah, quando ele entrou aqui escondido — sorri relembrando. Aquele estagiário é fogo. Mas foram só umas ficadinhas, nada demais. Ele até tentou aprofundar nossos beijos, mas eu sempre inventava uma desculpinha.
Minha mala já estava pronta e eu iria voltar pra casa! Suspirei triunfante.
Fui para recepção aguardar meus pais, que logo chegaram e me levaram para casa.
– Casa sweet casa — me joguei no sofá, apoiando a cabeça com as duas mãos e olhando para cima.
– Vá tomar seu banho, que o diretor Mathias deixou você entrar durante a aula — mamãe falou
Nunca pensei que fosse dizer isso, mas eu estava morrendo de saudades daquela garotada do colégio, saudades até das aulas da Isabela... — parei pensativa – É... Só da galera mesmo — ri de mim mesma.
Depois de tomar banho, me enrolei na toalha e fui para o meu quarto. Fiquei triste ao olhar pra cama e ver aquela farda passada, mas não àquelas que eu uso sabe? Apesar de tudo, ainda levo uma visa dupla, porque meu pai é muito duro, e mesmo que ele tenha sido super carinhoso essa semana, ele ainda era o ditador. Duvido se não me levava para um colégio interno, assim que visse os tipos de roupa que visto.
Encarei o meu reflexo por alguns segundos. Eu não aguentava mais levar roupas escondidas na mochila e trocar, trocar, trocar – bufei – Algum dia eu teria que enfrentar meu pai. Porque a pior coisa do mundo é você não poder ser quem você é. Suspirei por alguns segundos. Ai, quer saber? Chega dessa palhaçada. Ou ele me aceita do jeito que eu sou, ou ele não é meu pai. Bufei com raiva e decepção.
Vesti uma sainha jeans, e a minha farda azul. Botei meus acessórios e passei aquele batom vermelho que eu adoro. Já estava até imaginando a minha volta triunfante ao Quadrante. Ergui uma sobrancelha, fazendo pose de metida.
Desci as escadas devagar, para não esbarrar com ninguém pelo caminho. Eu sei que decidi ser eu mesma, mas se eu pudesse adiar o choque e o sermão, eu com certeza o faria.
Eles estavam no balcão da cozinha, tomando café.
– Filha, desça! Você está atrasada! — minha mãe gritou, imaginando que eu ainda estivesse no quarto.
Não respondi, claro. Fiquei encarando a porta de saída, preparei o fôlego. E um... dois... Três! Corri para a porta e a abri o mais rápido que eu consegui.
– MARIAAA DE FAT — foi só o que eu consegui escutar. Não parei de correr até ficar a uma distancia razoável. Olhei pra trás me sentindo em um filme de ação, achando graça da situação. Pais...
Passei em frente ao prédio da Ju e me lembrei daquele moreno grosso, mas muito gato. Decidi dar uma passadinha pra ver se ele estava.
– E aí Sevê? Tudo beleza? – cumprimentei
– Fatinha – sorriu para mim – Não sabia que tinha saído do hospital...
– Já era pra eu ter saído há dias Severa, mas tinha um Dr. muito chaaato – manguei, fazendo gestos de que iria vomitar. Severa riu.
– Então Sevê, a conversa tá boa, mas eu tenho que ir visitar uma pessoa – fui me despedindo e entrando no hotel.
Chegando no apartamento, respirei fundo e bati na porta. Não demorou e lá estava ele. E sem camisa. MEU DEUS! Tentei desviar meu olhar daquela perdição, mas não dá né? Convenhamos...
– Fatinha? — ele perguntou franzindo a testa. Ele lembra meu nome, isso quer dizer que eu tenho chances? Hum, é o que irei descobrir.
– Oi Bruno, ahn a Ju está? — tá isso foi uma pergunta ridícula, já eram nove da manhã.
– Hm — ele me olhou confuso — Ela tá na aula... Você não estuda lá também?
– Estudo sim, mas é que hoje me deram folga — menti — Posso entrar? – falei sorrindo.
– Não sei se é uma boa ideia Fatinha... — nem esperei ele terminar e fui logo entrando. Ele não falou nada, apenas fechou a porta.
Fiquei por alguns segundos admirando as suas costas largas, mas não demora e ele vira em minha direção — Seja breve Fatinha, eu tenho que ir me encontrar com alguns amigos.
– Pode deixar que eu serei — mordi os lábios, me aproximando e ficando a poucos centímetros dele.
Ficamos nos encarando, e eu pude sentir seu hálito quente no meu rosto. Tive que fechar os olhos por alguns segundos até olhar de volta para ele.
Só então que percebi que os olhos dele estavam diferentes... provocativos.
– É isso mesmo que você quer? — ele me olhava duro, eu já estava ficando sem fôlego, e ele ainda nem tinha me tocado.
– Depende... — falei olhando para sua boca — O que é "isso" pra você?
Ele não respondeu, apenas deu um passo à frente selando nossos lábios. Agarrou minha cintura, me virando e me deixando de costas para porta.
Aquilo não era um beijo romântico, ou o mais delicado de todos. Minhas mãos subiram automaticamente para o seu cabelo, enquanto ele devorava a minha boca.
Nossas línguas batalhavam necessitadas, e ele apertou meu quadril, pressionou-me contra porta. Gemi involuntariamente.
Ignorando os protestos que meus pulmões estavam fazendo em busca de ar, desci minhas mãos para sua costa. Sem nem ao menos perceber, minhas unhas estavam o arranhando, o fazendo tremer sobre mim.
Eu estava perdida naquele sabor inebriante que era a boca dele, eu queria mais, meu corpo todo parecia implorar por aquele homem.
Ambos já estávamos sem fôlego, e ele aproveitou para beijar e mordiscar o meu pescoço. Logo ele já estava pedindo passagem pela minha boca novamente, mais forte e necessitado. Senti uma mão fria em minhas costas e tremi. Ele estava tentando levantar minha blusa.
– Bruno, calma — peço quase sem forças, mas acaba saindo como uma súplica, o fazendo ignorar meu apelo e tentar arrancar minha camisa — Bruno, para! — eu já estava gritando.
Olhou-me assustado — O que você tá fazendo? Vem cá, bora pro meu quarto... — ele tentou me puxar pela cintura, mas eu o empurrei.
– Ow garota, qual é a sua? — ele estava irritado
– Eu não vou para o quarto com você — não agora, pensei, mas achei melhor manter aquilo apenas na minha cabeça.
– Ah não? E o que você veio fazer aqui então? — perguntou cerrando-me com os olhos — Você não veio aqui pra transar comigo? Então vamos logo terminar com isso! — deu um passo a frente fazendo com que eu recuasse. Ele estava descontrolado.
– Tenho que ir — falei apressadamente me afastando dele
– Ah, mas você não vai mesmo! — falou se colocando entre a porta e eu — Você veio até aqui com um papinho sobre a Juliana, quando o que você queria era outra coisa. Entra na minha casa, sem ser convidada, me seduz, faz esse teatro todo, e na hora H quer ir embora? Qualé Fatinha, pra cima de mim? Eu sou só mais um cara que você vai pegar e vice versa — ele praticamente cuspiu aquelas palavras, fazendo uma lágrima involuntária sair dos meus olhos. Enxuguei antes que ele se desse conta.
– Você é um canalha, sai da minha frente ou então... — Ou então o que? — provocou
– Ou então eu vou gritar, é isso que você quer? — falei, agora mais alto
– Gritar? – ele riu alto — Você é mais maluca do que eu pensava... Pois bem, pode ir — falou abrindo espaço.
O olhei surpresa. Ele ia mesmo me deixar sair? Franzi a testa, engolindo em seco. Fui andando para a saída, com medo de que ele fizesse algo maluco. Senti-me culpada por vir atrás dele. Assim que passei pela porta, ele a bateu com força. E então eu desabei. Todo o choro que eu segurei lá dentro, vieram à tona. Eu estava me sentindo um lixo, e precisava ficar sozinha. Lembrei-me da cópia da chave que Dinho havia me dado há algumas semanas, e corri para casa dele.
[...] You drive me crazy (Você me deixa louca)
I just can't sleep (Eu não consigo dormir)
I'm so excited (Estou tão excitada)
I'm in too deep (Estou tão profunda)
Crazy, but it feels alright (Louca, mas tudo bem)
Notas finais
Próximo tem POV Bruno, buuut sem comentários, sem fic ok?
Beijos
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