Sei Que Você Tá Afim
6 Acidente
Notas iniciais
Trechos da música: Pais e Filhos - Legião Urbana
Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender [...]
Narrado em terceira pessoa
Dona Vilma e Seu Adolfo estavam desesperados vendo a filha desacordada no jardim.
– Adolfo, chama a ambulância, pelo amor de Deus! – a mulher estava em prantos, tocando no rosto da filha – Por favor, fica bem, por favor... – ela suplicava.
Adolfo correu para o interior da casa e ligou para a ambulância.
A festa de Juliana havia acabado logo depois de Fatinha deixar o recinto, e a galera estava toda no portão principal, se despedindo.
– Amiga, mais uma vez, parabéns, você merece toda felicidade do mundo! – falou Lia toda orgulhosa da amiga.
– Ah Lia, muito obrigada por vir – disse Ju a abraçando – E obrigada a todos também, essa festa não seria nada sem vocês – falou fazendo cara de nojinho, arracando risada de todos.
– E a Fatinha, você não vai agradecer também? – Pilha perguntou, um pouco chateado.
– Tá Pilha, amanhã eu agradeço a Fathêeenha – Ju debochou, mas estava sendo sincera.
Todos se assustam quando veem a ambulância passar por ali.
– Que será que houve? – pergunta Dinho.
– Não sei... – Lia falou surpresa
Bruno aparece na portaria – Ju? Já está ficando tarde, você não vai entrar?
– Perai Bruno, uma ambulância acabou de passar por aqui e estamos querendo saber o que é – Ju se explicou.
– OW espera ai, não é nessa direção que a minha musa mora? – Pilha perguntou preocupado, fazendo todos se preocuparem também
– É pra lá mesmo – Dinho afirmou, também muito assustado – Ai amor, fica ai, eu vou lá ver o que tá acontecendo – tentou se despedir de Lia, que o puxou. – Não, eu vou também! – decretou
“Eu também” “Eu também vou” “Ah, eu também”
– Calma gente, vamos todo mundo então, Bruno eu volto já já – Juliana falou e foi se afastando do irmão.
– Eu também vou, até parece que vou te deixar andando na rua há essa hora – Bruno saiu atrás da irmã, que revirou os olhos pela preocupação machista e desnecessária do irmão.
A ambulância chegou ao local, e Dona Vilma não parava de chorar. Eles a colocaram em uma maca, envolvendo seu pescoço com gesso.
– Ah Meu Deus, minha filha – Dona Vilma chorava e suplicava.
– Calma querida, vai dar tudo certo – Adolfo tentou parecer forte pela esposa, mas estava cada vez mais aflito.
Todos chegaram ao local, e avistaram Fatinha sendo colocada dentro da van. Ao olhar para aqueles jovens, Dona Vilma chorava ainda mais. – Por favor, que não aconteça nada com minha menina – dizia aos prantos.
Como Dinho era o mais chegado da família, pois era o melhor amigo de Fatinha, decidiu ir falar com Adolfo, para saber da situação.
– Oi seu Adolfo, o que aconteceu? – perguntou tentando não parecer desesperado, pela Dona Vilma e pelos demais colegas.
– Ela caiu da janela, e tá desacordada, eles vão levar ela pro hospital... – levou uma mão aos cabelos, parecendo mais preocupado.
– Senhora, senhor, vocês irão conosco para o hospital? – um enfermeiro perguntou
Adolfo fez que sim com a cabeça – Eu e minha mulher iremos – falou por mim.
– Posso ir com vocês? – Dinho perguntou aos pais.
– Você é da família? Apenas famílias são permitidas na sala de cirurgia – o outro enfermeiro respondeu
– Cirurgia? Como assim? – Dona Vilma se desesperou mais, e logo todos ali já estavam também.
– Nós não sabemos ao certo Senhora, mas é pra lá que a levaremos, pelo que pudemos ver, ela fraturou a perna e o pescoço – o enfermeiro tentou se explicar. Fazendo Vilma abrir mais os olhos em estado de choque.
– Ele é da família sim – falou Adolfo de referindo à Dinho – Vamos logo, por favor.
Dinho se despediu de Lia e de todos, e entrou na van, junto com Vilma e Adolfo.
Chegando lá, levaram Fatinha para sala de emergência, enquanto os três esperaram na recepção. Vilma ainda chorava sem parar, enquanto Adolfo afagava os cabelos da esposa. Dinho permanecia em pé, encostado na parede, tentando não parecer preocupado, mas estava se remoendo por dentro. Ele amava Fatinha, era sua única melhor amiga. Ela era destrambelhada, louca, facinha, como todos a chamavam, mas ela tinha o coração mais puro que ele já vira.
Passaram-se duas horas, e um Dr. apareceu na recepção. Os três se entreolharam, e ficaram de pé, aguardando o ultimato do médico.
– Então Dr... – Adolfo começou
– Bom Sr., sua filha não corre mais perigo de vida – mais? Pensou Dinho, seu coração acelerou – Ocorreu tudo bem, ela fraturou a perna, e levou um baque no pescoço, nada demais, já foi medicada, e agora está descansando – o médico tentava passar um ar de tranquilidade, e com sorte, conseguiu.
Vilma suspirou aliviada, ou melhor, todos ali estavam.
– E quando poderei ver ela Dr.? – Adolfo perguntou
– Você pode ir com sua esposa e seu filho agora, mas ela está descansando – disse por fim.
Dinho e Adolfo se olharam, como se estivessem em uma piada interna, os dois sorriram e concordaram em silêncio. Logo seguiram para sala onde se encontrava Fatinha.
[...] Quero colo, vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Notas finais
Até o próximo!
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