Notas iniciais
Bom, esse capítulo não ficou exatamente como eu queria, mas prometo recompensar no próximo. Até lá em baixo.

Trechos da música: Womanizer - Britney Spears

Superstar (Super astro)

Where you from, how's it going? (De onde você vem, como vai indo?)

I know you (Eu conheço você)

Gotta clue, what you're doing? (Me dê uma dica, o que está fazendo?)

You can play brand new (Você pode bancar o bonzinho)

To all the other chicks out here (Para todas as outras garotas aqui)

But I know what you are (Mas eu sei o que você é)

What you are, baby (O que você é, baby) [...]


POV Bruno


Minha manhã se resumiu em estudar pra uma apresentação final, que vou ter na faculdade semana que vem. E ah, não posso esquecer, botar a porra do lençol pra lavar. Como é que pude ser tão idiota? Tá certo que beber me deixa tonto, atrevido, safado, mas é isso que o álcool faz em todos. Agora tirar os meus sentidos? Eu devia ter percebido alguma coisa estranha, sei lá. Mas o desespero por possuir aquela garota foi maior que a minha própria sanidade. Sacudo minha cabeça, disposto a esquecer dessa noite, pelo menos por hora. Deixo os livros de lado, e decido ir tomar banho.


Ouço o barulho da porta bater, e saio do banheiro enrolado apenas com uma toalha na cintura.



Vejo pelo olho-mágico, e do outro lado está uma colega da faculdade. Sorrindo abobalhada, esperando que eu abra. E assim o faço.


– Bruno! – fala alegra e pula em meu pescoço

– Oi Carol – abraço-a contra gosto, fazendo gestos de que ela entre – Aconteceu alguma coisa?

– Não sei né... Se você chama o que a gente começou ontem de alguma coisa, então sim – Ah, aquilo.

– E você veio aqui por que...

– Pra terminar oras – terminou a frase, fazendo parecer a coisa mais obvia do mundo.

– Eu tenho quase certeza que terminamos isso ontem Carol. Eu não sou homem de deixar as coisas por fazer – decretei seco, me aproximando dela. Que há essa hora já estava com a respiração alterada. Fala sério, essa reação explícita chega a ser patético.

Ela morde os lábios, olhando para minha boca.

– Então eu quero de novo – suplica baixo, subindo e descendo o olhar sobre mim.

– Aqui não Carol... – afasto-a com minha mão

– Por quê? Não tem ninguém aqui... Ou tem?

– Agora não tem ninguém, mas a qualquer momento pode chegar. E eu tava estudando...

– Você não tava estudando, você tava tomando banho! – ela me interrompe, me deixando furioso.

– Não posso mais tomar banho na minha própria casa? – aumento o tom de voz, fazendo ela se encolher. Ótimo.

– Hey, calma, eu não vim aqui pra brigar... Eu vim aqui pra... – puxou um fio da camisa, deixando seus belos seios, ainda cobertos pelo sutiã, a mostra.

Fico admirando seu torso por alguns segundos. Carol não é feia, muito pelo contrário. É linda e gostosa que chega a doer. Mas eu não to mesmo a fim de fazer isso aqui. É minha casa, e tirando a Ana que era minha namorada, eu nunca levei ninguém pro meu quarto. Quer dizer... até ontem.

– Carol, você é linda, e não me entenda mal. Se a gente estivesse em outro lugar, eu não pensaria duas vezes. Mas aqui é minha casa. A minha irmã deve ta chegando da escola, e eu tenho respeito por ela. Você entende?

Ela me olha decepcionada por alguns minutos, até que por fim, aceita.

– Hoje à noite? – me olha sugestivamente.

– Talvez.

E com essa promessa pairando no ar. Beijo sua boca, sem carinho algum, fazendo ela sorrir. Abro a porta, dando passagem pra que ela saia.

Uma conversa alta e confusa vai ficando próxima a cada segundo.

“Não acredito que ainda tenho que fazer o almoço” “Tem sim, você prometeu!” “Eu não prometi nada!” “Mas eu fiz o café!” “Vocês parecem duas crianças, aff”

Carol e eu ainda estamos na porta, quando Juliana aparece com Fatinha e Lia, que param no segundo que me veem. Merda.

– Bruno? – Juliana me olha assustada, e olha para Carol, que se despede na mesma hora.

– Tenho que ir, até mais Bruno – concordo, assentindo.

Vejo Carol se afastar, e já me preparo pra bomba (lê-se Juliana) explodir.

– O que foi isso Bruno? – Pensei que ia demorar mais. Rolo os olhos, mesmo sabendo que ela tem todo direito de reclamar.

– Depois a gente conversa sobre isso maninha, preciso ir me vestir.

– Mas... – a deixo falando sozinha, e entro no meu quarto.

POV Fatinha

Enquanto faço o almoço, Ju, eu e Lia, ficamos jogando conversa fora.

Desde que me entendo por gente naquele colégio, foi sempre zoando com todo mundo. Menos com os garotos que são gatos, claro. Perdi as contas de quantas vezes fiz mal a essas meninas, que aqui estão, rindo pra mim, e me contando coisas que eu nunca pude repartir com ninguém. Família. Amigos. Garotos. Eu não sei se elas me perdoaram por tudo que eu aprontei com elas, o que eu espero desesperadamente que sim. Mas isso não vem ao caso agora, eu estou disposta a fazê-las gostarem de mim, do jeito que eu sou, e prometo parar de zoar com elas. Mas é só com elas, afinal eu não sou de ferro. (risos)

Estou preparando minha especialidade: Macarronada. Aprendi há algum tempo atrás, quando eu e minha família estávamos em Carambolas. Suspiro pesadamente. Eu ainda não tinha me dado conta do vazio que ainda estava no meu peito. Nem da saudade que eu tinha de olhar pra minha mãe, e ver a mulher que eu mais admirei por toda vida.

– Quando você vai falar com sua mãe Fatinha? — E como se estivesse lendo minha mente, Lia interrompe meus pensamentos.

– Não sei Lia. Tenho medo de ir lá, e meu pai me colocar pra correr de novo.

– Mas você tem que ir lá – Ju observa

– Sim Ju, eu sei. Eu tenho que buscar minhas roupas... Isso se elas ainda estão lá né? Conhecendo ele, não duvido que ele tenha jogado fora, ou tocado fogo – Rolo os olhos, mesmo sentindo uma vontade louca de chorar

– Não acho que ele faria isso – Lia diz

– Você acha? – pergunto realmente interessada

– Só tem um jeito de saber...

Assinto calada. Só tem um jeito de saber, isso é óbvio. Eu preciso ir lá. Mas meu medo é muito maior que eu.

– Se eu pedir pro Dinho ir pegar, será que ele vai? – pergunto franzindo a testa, já certa da resposta.

– Sim. Ele faz tudo por você – Lia rola os olhos, exalando ciúmes.

– Ciúmes marrentinha? – provoco. Mas me arrependo logo depois.

– Olha Fatinha, a gente tava indo bem até agora. Não complica as coisas pra mim blz? Todo mundo sabe que ele já foi afim de você. Se vocês são “melhores amigos” agora – mencionou usando os dedos para fazer as aspas – Eu até entendo, mas para de me provocar, eu não quero perder a paciência com você.

– Ai, doeu – faço beicinho e ela vira o rosto – Desculpa Lia – falo me aproximando – Sério, desculpa, eu tava brincando, juro pra você...

– Continue – levanta uma sobrancelha, fazendo eu achar graça

– Tomo mundo sabe que ele morre de amores por você. E eu sei disso mais que ninguém. Como você mesma disse, ele é meu melhor amigo, e é assim que a gente se considera. Eu poderia te odiar no passado, mas eu nunca faria isso com você – penso por um segundo – Tá, eu até faria. Mas ele não

Lia fica confusa com toda minha sinceridade, mas acaba levando pro lado da brincadeira.

– Tá Fatinha, eu vou acreditar em você... Só não faz eu me arrepender blz?

Sorrio e a abraço.

– Ok né, vamos com calma com esse negócio de abraço...

– Como você quiser marrentinha – a solto mandando língua pra ela

***

– Nossa, nunca pensei que fosse dizer isso mas... – Ju pega o lenço na mesa, limpando a boca – Essa macarronada tá divina.

– Claro né Jujuba, fui eu que fiz

Lia ri concordando – É mesmo Fatinha, parabéns, ficou ótima mesmo... Alias, e o Bruno, não vem comer? – Não, por favor, não. Imploro em pensamento

– Eu chamei àquela hora, mas ele disse que ia comer depois, então... – Ufa.

– Cara! – Lia exclama olhando para o relógio – Temos que ir buscar o pessoal pra começar o trabalho

– É mesmo, deixa só eu escovar os dentes, que a gente vai.

– Escovar os dentes porque Jujuba? Você vai passar a boca nas fantasias? – perguntei achando graça

– Eu vou é beijar na boca meu amor – debochou, fazendo e eu Lia rimos juntas.

– Alguém tem que ficar aqui pra terminar de limpar, e arrumar a sala – Lia começa

– É verdade, mas quem? – pergunto curiosa, vendo elas se entreolharem e olhar de volta pra mim. Ah não. Não mesmo!

– Fala sério... Eu já fiz o almoço poxa, vocês vão continuar me escravizando? Aliás dona Lia, você SÓ comeu

– Mas é que eu preciso mesmo ir Fatinha, se eu não passar em casa agora, é provável que a Raquel mande o FBI atrás de mim – falou revirando os olhos – E eu prometi pro Dinho, que eu ia buscar ele na casa dele.

– E eu preciso buscar o Gil – Ju falou do banheiro

– Mas o Gil mora AQUI DO LADO!

– Eu sei Fatinha, mas a gente vai lá naquela costureira, conversar com a moça, coisinha rápida... – Argh. Se essas se dizem minhas amigas, eu não preciso de inimigas.

– Que seja, se vocês demorarem, quem vai mandar FBI atrás de vocês, serei EU – falei trincando os dentes

– Meia horinha no máximo gata. Vamo Ju!

– Um segundo... Falta o batom, pra dar aquele toque especial – bufei, revirando os olhos

– Espera ai... Quem vai pegar o Vitor?

– Relaxa que agente pega o seu gato pra você – Ju falou saindo do quarto, toda produzida. Vai na costureira é? E eu sou a Clarice Lispector.

***

Como combinado, ou melhor, forçado. Limpei a mesa, a cozinha, e dei uma organizada na sala. Isso tudo em menos de vinte minutos, . Liguei a TV e fiquei no sofá, esperando por elas.

Meia hora se passaram e nada... Disco o número da Juliana, que atende após alguns toques.

– Vocês vão demorar?

Teve um imprevisto aqui Fatinha, mas já estamos chegando. O Vitor já tá com a gente, não se preocupe.

Coço a cabeça, impaciente – Venham logo! – e desligo.

Me jogo no sofá, e fico mudando de canal até parar no que eu acho ser um filme. Está na parte em que um garoto entra no quarto procurando por uma tal de Alice. Daí ele entra devagar, e vai até o closet, sempre chamando pelo nome da menina. Não encontrando, ele vem em direção ao que eu acho ser uma mesa, e pelo barulho, devia ser uma notbook. Quando ele levanta a webcam, aparece uma mulher do nada, atrás dele. Fixo meu olhar, agora já sentada. O garoto percebe que tem alguém atrás dele, e quando ele vai tentar olhar...

– Vendo filme de terror sozinha?

– AAAAAAAAAAAAH — grito, jogando o controle de lado e dando pulo do sofá – BRUNOO!

O idiota começa a rir freneticamente.

– Dá pra parar ô insensível? – reviro os olhos

– Cadê todo mundo? – pergunta ainda rindo

– Por aí

– Por aí?

– É Bruno, por aí. Se quiser saber mais, liga pra sua irmã – respondi um pouco mais ríspida do que pensei, voltando a sentar no sofá.

– Sem necessidade essa sua ignorância...

– Olha quem fala – ironizei – O rei da ignorância

Ele riu pelo nariz – Eu não sou ignorante

– Não, eu que sou – ironizei de novo

– Se você tá dizendo, quem sou eu pra negar – falou e eu rolei os olhos – Mas e ai, tem alguma coisa pra comer? – levantei os olhos, sentindo um duplo sentido na palavra.

Tem eu. Arregalei os olhos com aquele pensamento. Meu Deus Fatinha, comporte-se. Balancei a cabeça rindo de mim mesma.

– O que é tão engraçado? – me olhou curioso

– Nada. Tem comida na geladeira

– Hm ok, valeu – falou indo em direção à geladeira

– Não por isso – respondi baixo, sabendo que mesmo assim, ele conseguiria ouvir

Ele almoça em silêncio, enquanto olho para a TV, sem nem ao menos prestar atenção no que está passando. É impossível me concentrar em algo, que não seja nessa corrente estática que atravessa entre nós. Não sei se ele pensa o mesmo, mas uma vez ou outra, eu o pego me encarando. Céus. O que está acontecendo comigo? Desde quando eu fico tão tímida perto de algum garoto? Até pouco tempo eu teria levantado a bunda desse sofá, e me jogado pra cima dele ou de qualquer um que fosse. Eu sou assim, eu sempre fui. E ele? De namorado apaixonado em um dia, pra cafajeste insensível no outro... Alguma coisa aconteceu, isso não tem lógica... Uma batida na porte e conversas vindo de fora me livram da confusão interna.

Bruno se levanta rapidamente, olha no visor, e logo abre. Me levanto do sofá quando vejo que são eles. Amém!

– Vitor! – corro para abraçá-lo

– Oi Fatinha... desculpa a demora

– Nada anjo, entra... – falo tentando tirar Bruno da passagem. Ser este que me olhou com a cara maior do mundo.

– Onde você tava Juliana? – Bruno pergunta autoritário

– Hum, oi pra você também Bruno. Fui buscar a Lia e os meninos pra fazermos um trabalho. Problema? — arqueou uma sobrancelha

– N-Não maninha – pigarreou — Problema nenhum — falou enquanto saia da porta, e ia para mesinha onde estava antes. Sorri com aquela cena.

Assim que eles entraram, percebi que alguém estava faltando.

– Cadê o Dinho?

– Ah, eu fui lá, mas parece que ele e os pais estavam em uma reunião de família – Lia franziu a testa.

Iniciamos os preparativos, falando e anotando ideias sobre as fantasias. Sendo que antes, estávamos em dúvida, se seria por época, ou qualquer um ia do jeito que quisesse. Acabamos ficando a última opção.

– Eu vou de anja heim? – falei toda exibida – E no meu ombro, vai ter um capetinha e um anjinho – falei olhando para o meu ombro, arrancando risadas deles.

– E quem vai ser o anjo? – Ju quis saber

– O Vitor, claro – rolei os olhos divertida, sorrindo para ele

– E o capeta...?

– Bem – levantei meus olhos para a mesa. Droga. Ele estava me encarando, e pior. Ele sabe o que eu quis dizer com isso – Não posso contar... – respirei fundo, tentando disfarçar.

– Ah para de doce Fatinha – Lia bateu no meu ombro

– Deixa isso pra lá, vamos terminar? – tentei mudar de assunto, e por sorte consegui, pelo menos por hora. Essas duas vão vir que nem uma bomba pra cima de mim mais tarde. Disso eu tenho certeza.

Anotamos tudo que deveria ser confirmado depois: número de pessoas que iriam, tamanho, largura, enfim, toda informação que precisaríamos para poder comprar os materiais e mandar produzir. Nos despedimos dos meninos, Gil e Vitor. E fiquei de ir à casa da minha mãe, buscar minhas roupas e as outras coisas.


[...] Womanizer, woman-womanizer (Conquistador, conquistador)

You're a womanizer (Você é um conquistador)

Oh, womanizer, oh (Oh, conquistador, oh)

You're a womanizer, baby (Você é um conquistador, baby)

You, You, You are, you, you, you are (Você, você, você é, você, você, você é)

Womanizer,womanizer,womanizer (Conquistador,conquistador, conquistador)


Notas finais
Então, tenho um aviso. Com a chegada do Vitor, muita coisa vai mudar, o que não posso dizer agora. Como você sabem, eu posto um capítulo todos os dias. Mas eu também trabalho e faço faculdade, logo, postado esse aqui, vou parar alguns dias pra pensar no que eu quero desenvolver no decorrer. Conclusão: Só vou postar a continuação, daqui a uns três ou quatro dias. Sim, também fico triste com isso. Mas é o melhor pra todo mundo. Ah, e outra coisa. Pode ser que algumas de vocês estejam chateadas com esse jeito cafajeste do Bruno. Eu até entendo, mas entendam meu lado também. Ele nunca foi só amor, então aqui ele também não vai ser... Se vai ter romance? É claro! Afinal, a história é sobre isso... Espero que vocês tenham gostado do cap, e eu não preciso nem dizer. Se tá gostando ou não, pode mandar review, que eu gosto mesmo de vocês enchendo meu saco hahaha Bjs