Notas iniciais
Olá!!!

Essa é minha pequena contribuição para o fandom. Boa leitura, e espero que gostem!!

Tamaki não registrava o caminho que estava fazendo ou o mundo ao seu redor.

Seus passos apressados já conheciam o caminho até seu destino. Sua cabeça o guiando institivamente ao único lugar garantido em toda escola onde ele poderia ficar isolado: o banheiro do quarto andar.

Ele sabia que havia olhares virando em sua direção enquanto ele andava. Mas ao mesmo tempo, Tamaki não os registrava, não os via de verdade, não sabia quantos e/ou quem eram. Seus pensamentos e emoções pareciam maiores do que o universo, não deixando espaço para mais nada que não seja o movimento dos seus pés, um após o outro, e da sua ânsia de sentir que podia respirar novamente.

Quando chegou ao final da escada para o quarto, e último, andar naquele bloco, já era possível ver a porta verde no final do corredor. Esse era um andar que foi praticamente abandonado nos últimos anos. Livros didáticos, cadeiras extras, itens para confecções de roupas teatrais, instrumentos musicais de reserva e outros materiais se espalhavam da forma mais caótica possível nas seis salas, tornando praticamente impossível encontrar o que se queria. Por esse motivo, quase ninguém aparecia ali.

Por estar sozinho, ele correu até a porta e entrou. Em frente aos espelhos e as pias, haviam quatro cabines enfileiradas. Após uma inspecionada geral para garantir que estava sozinho, ele automaticamente entrou na última cabine.

O som da porta se fechando, e então da tranca, parecia tirar vinte quilos de cima do seu peito. De costas, cabeça encostada na porta, ele sentiu que conseguia respirar pelo que parecia a primeira vez em mil anos.

Suas pernas estavam fracas e um pouco trêmulas, então ele se permitiu deslizar pela porta até o chão, escorando suas mãos dormentes nos joelhos. Essa crise estava um pouco pior do que as que ele tinha habitualmente. Tamaki já se conhecia o suficiente para saber quais eram os gatilhos que a causaram: exposição social, check; apresentação de trabalho, check; expectativas, check; sozinho, check. Não sozinho, sozinho. Se fosse o primeiro caso não haveria crise alguma. O último check se referia a sozinho, ou seja, sem Mirio. Que apesar de ser tão carismático e popular que atraia conversas casuais o tempo todo, ele sempre puxava o holofote para a própria cabeça, desviando qualquer atenção que poderia recair sobre Tamaki. Permitindo que ele possa respirar, pensar, existir.

Ele levou um susto quando ouviu a porta do banheiro se abrir e todo seu corpo ficou tenso novamente enquanto ele ouvia os passos.

— Ta-ma-ki – Mirio falou baixo e se demorando entre as sílabas, como se estivesse tentando se aproximar de um cachorro machucado. Tamaki sentiu seu corpo relaxar novamente.

Como uma resposta para o chamado de Mirio, Tamaki bateu na sua porta três vezes, no mesmo ritmo que Mirio tinha chamado seu nome. Eles já sabiam esse script de cor, por ter se repetido tantas vezes e por tantos anos.

Tamaki nunca soube como se sentir nesses momentos. Por um lado, ele queria muito não ser ele mesmo. Se ele não fosse ele, Mirio não precisaria se preocupar dessa forma por conta de algo tão bobo. Se ele não fosse ele, a apresentação de hoje teria ocorrido tranquilamente. Se ele não fosse ele, teria dormido como uma pessoa normal na noite anterior, sem entrar em espiral sobre a apresentação de hoje, se preocupando com suas intenções de ir estudar na UA, e duas horas depois pensando no que compraria de presente de aniversário para sua irmã dali quatro meses.

Mas por outro lado, ele sabia que o que fazia ele não querer viver na própria pele também o levava a momentos como esse agora. Com Mirio ao seu lado, preocupado, mas não desesperado. Atencioso, mas não desagradável, apenas confortável. Nesses momentos ele se sentia cuidado, especial. Se sentia extremamente egoísta por pensar assim, mas somos o que somos.

Ele ouviu a porta da cabine ao lado se abrir e fechar, um braço pela metade atravessou à divisória, e como um milhão de vezes antes, Tamaki pegou a mão de Mirio no meio das suas. Porque ele era egoísta, a colocou em cima dos seus joelhos e escorou sua cabeça em cima dela.

Notas finais
Obrigada por lerem!! Não hesite em me dizer o que achou!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!