Segundo Mundo
4 Capítulo 4 - Festa
Duas semanas se passaram.
Acordei para ir ao colégio, coloquei meu vestido favorito, meu tênis, fiz um rabo de cavalo no cabelo, escovei os dentes, peguei a mochila e desci a escada, meus pais estavam na cozinha.
— Olá. — Falei.
— Oi. – Falaram eles.
Sentei na cadeira.
— Filha, eu e seu pai estávamos pesando em fazer uma festa amanhã à noite aqui, e vamos convidar os novos vizinhos. Porque não convida seus novos amigos do colégio? — Perguntou minha mãe.
— Claro. — Respondi.
Dei um beijo em meus pais e fui para colégio.
O céu estava um pouco nublado e andei sem pressa.
Entrei na sala de aula, vi Cloe sentada ao lado de minha mesa.
Sentei na cadeira e abracei Cloe.
— Oi, amiga. — Disse ela.
— Oi. – Respondi.
— Cloe, vai ter uma festa amanhã à noite, em minha casa e você está convidada. Meus pais decidiram fazer uma festa para os vizinhos. – Falei.
— Uma festa?
— Sim. – Eu sorri.
— Espero que lá tenha pessoas interessantes, se é que você me entende. – Ela riu maliciosamente e de modo presunçoso.
Eu dei de ombros, sem graça.
— Obrigada, irei sim. — Confirmou ela.
Mais uma aula se passou. Estava indo para o refeitório, quando vi Conan vindo em minha direção.
— Oi, Alice. — Disse ele.
— Oi, Conan.
Ele sorriu.
— Conan, meus pais farão uma festa amanhã à noite em minha casa, e você está convidado. – Comecei.
Antes que eu pudesse dizer o motivo pela festa, ele me interrompeu:
— Vou a qualquer lugar no qual você esteja. — Ele piscou para mim.
Eu sorri envergonhada.
O sinal tocou.
—Bom... Te espero lá. – Falei.
Voltei para minha sala e depois de três aulas fui para casa.
Entrei, tranquei a porta, minha mãe e meu pai estavam assistindo TV.
— Oi, filha. — Disseram eles.
— Oi. – Falei.
Sentei no sofá.
— Filha, boa notícia: sua prima Isabella e seu primo Bruno virão do Brasil para a nossa festa, não é ótimo? — Perguntou minha mãe.
— Claro, mãe!
Eles eram brasileiros, moravam no Rio de Janeiro. Eu não os via há alguns anos e também sentia falta dos meus tios Rose e Júnior.
Fui para o meu quarto e sentei na cama e pensei:
Vai ser ótimo mesmo que meus primos venham para cá, assim nós podemos colocar o papo em dia, e também ensaiar algumas músicas.
Bom... Se eu me lembro bem, meu primo Bruno é um ótimo baterista e minha prima Isabella é uma ótima tecladista.
No fim da tarde, a campainha tocou e fui correndo atender a porta. Eram meus primos, eles pularam em cima de mim e me abraçaram.
Isabella tinha a pele muito branca, usava um casaco verde-limão com seus cabelos e olhos castanhos. Já Bruno era um pouco bronzeado, tinha cabelos ondulados e olhos pretos.
— Garota, como você cresceu! Da última vez que lhe vi, você era tão baixinha.- Falou Bruno.
— É. Cresci. – Falei.
— E você está mais bonita, Alice!- Disse minha prima.
Isabella
— Obrigada, vocês também cresceram... só um pouquinho. -
Falei.
Nós começamos a rir.
— Mãe, pai! Isabella e Bruno chegaram!- Gritei.
Meus pais vieram correndo e abraçam meus primos.
— Tia Emily! Tio Thomas! Quanto tempo! — Disseram os meus primos.
— Meus queridos, nós estávamos morrendo de saudades de vocês! — Falaram os meus pais.
Então todos nós, nos abraçamos, num abraço coletivo.
Eu, Bruno e Isabella pegamos as malas, subimos as escadas, fomos para o quarto de hóspedes, deitamos para descansar, e ficamos num longo silêncio.
Bruno estava distraído, quando ouviu meu pai gritar lá de baixo:
— Bruno, quer jogar Videogame comigo?
— Claro, tio! — Respondeu ele.
Bruno foi para sala, eu e Isabella ficamos sozinhas no quarto.
— Prima, estou ansiosa para conhecer seu quarto! – Disse ela.
— Vamos lá! — Disse eu.
Isabella pegou sua mochila e nós duas fomos para o meu quarto.
— Seu quarto é perfeito! — Elogiou ela, olhando as prateleiras cheias de CDS e pôsteres na parede.
— Obrigada. – Disse.
Nós sentamos na cama, minha prima abriu a mochila e esparramou algumas coisas em cima da cama. Então pegou três CDS, colocou na minha mão, eu olhei e falei surpresa.
— Poxa! Os CDS do The Runaways, Evanescence e Paramore são para mim?!- Perguntei.
Isabella sorriu.
— Obrigada! – Falei.
Eu a abracei.
— Qual roupa vai usar na festa? — Perguntou minha prima.
— O meu vestido predileto. – Falei.
— Ah, nada disso! Vamos ao shopping agora, comprar um vestido novo! –Protestou ela.
Isabella pegou minha mão e desceu correndo a escada e foi para cozinha falar com minha mãe.
—Tia Emily, eu e Alice vamos fazer compras, será que o
Tio Thomas poderia nos levar até o shopping? — Perguntou Isabella.
— Eu mesma levarei vocês, querida, já que seu tio está tão ligado no Videogame com seu irmão .- Zombou ela.
Nós rimos.
Aproximei-me de minha mãe.
— Mãe, posso fazer uma coisa que eu sempre quis fazer? -
Perguntei no ouvido dela.
— Claro, se você tiver dinheiro para pagar isso, por mim, tudo bem. — Respondeu ela em meu ouvido.
Eu sorri e falei:
— Só um minuto prima, vou pegar minha bolsa e podemos ir.
Fui até meu quarto, peguei minha mesada, coloquei o dinheiro na carteira, dentro da bolsa. Desci a escada, fui para a garagem, pois a minha mãe, e minha prima estavam me esperando no carro.
— Vamos?- Perguntou minha prima.
Eu sorri.
Nós entramos no carro, e depois de uns doze minutos, já estávamos na porta.
Eu e minha prima descemos do carro, e minha mãe avisou:
— Quando quiserem ir embora me liguem!
— Não precisa, mãe, voltaremos de táxi.
— Mas, se precisarem, liguem!
— Ok. — Falamos eu e minha prima.
Vimos minha mãe indo embora.
Entramos no shopping de mãos dadas.
— Então por onde vamos começar? — Perguntou Isabella.
— Pelo salão de beleza!- Falei e sai correndo.
— O que viemos fazer aqui? — Perguntou Isabella curiosa.
— Algo bem diferente! – Respondi.
Uma atendente se aproximou de nós.
— Bem-vindas! Posso ajudá-las? — Perguntou ela.
— Claro, eu queria fazer uma mecha nos cabelos, quanto é? – Perguntei.
— São oito dólares. — Respondeu ela.
Tirei o dinheiro da carteira e dei para ela.
— E você prima, o que quer fazer?
— Eu quero fazer uma mecha também, azul clara!- Alarmou
Isabella tirou o dinheiro da carteira e deu para a atendente.
— Ok , fiquem à vontade!- Disse a atendente.
— Obrigada. – Falei.
Eu e Isabella sentamos nas cadeiras e duas cabeleireiras vieram nos atender.
— O que quer fazer nos seus cabelos, querida? – Perguntou para mim.
— Quero fazer uma mecha aqui. E mostrei onde eu queria que pintasse.
— Que cor?
— Roxo.
— Primeiro vamos ter que descolorir uma mecha, para depois pintar, tudo bem?
— Claro!
Ela lavou meus cabelos, passou vários produtos e então a vi pintando no lugar que mostrei.
Vi Isabella também começar a sua transformação.
Depois de uma hora secando o cabelo, ele ficou pronto.
— Gostou?- Perguntou a cabeleireira.
— Amei! Muito obrigada! — Falei olhando para o espelho.
Ela sorriu.
Fui ver o cabelo de Isabella que já estava pronto também. Ela estava olhando no espelho. Tive que admitir, ficou lindo.
—Então... agora sim, vamos nas lojas ver alguns vestidos? – Perguntei.
— Lógico! – Respondeu minha prima.
Saímos do salão, ficamos 15 minutos perambulando pelo shopping, e depois de tanto andar, avistamos uma loja perfeita, cheia de vestidos na vitrine.
Entramos, e escolhi um vestido preto, longo, com babados no busto, do tipo tomara que caia. Fui correndo mostrar para Isabella.
— Lindo! Amei! Sua cara! – Disse ela.
Eu sorri e fui voando para o provador experimentar. Ficou lindo mesmo, como minha prima disse. Olhei a etiqueta e vi que custava 90 dólares. Era o valor de dinheiro que tinha na carteira. Paguei, e nós fomos para casa, de táxi.
Chegando em casa, fomos direto falar com Bruno.
— Bruno, vamos tocar alguma música? — Perguntou minha prima.
— Boa ideia, mas qual música?
— Que tal " Misery Business" do Paramore? – Sugeri.
Eles sorriram pra mim, concordando com a escolha. Fomos para garagem e começamos a tocar.
Eu amo tocar e cantar essa música, ela me dá uma adrenalina boa. Percebi que minha mãe e meu pai estavam nos espiando tocar, então, paramos e podemos ouvir os risos deles.
Minha mãe aproximou e disse:
— Boa notícia! A prima de vocês, Wendy, vem para a festa também; não é ótimo?
Eu fiz sim com a cabeça, mas, na verdade, pensei:
Wendy sempre me odiou e também odiava a Isabella mas não sabíamos bem o motivo.
Escutei uma batida na porta, então acordei e dei conta que o fato de Wendy vir pra festa foi só um sonho, ou devo dizer pesadelo. Me lembrei que quando acabamos de tocar, Isabella quis dormir e eu acabei dormindo também. Lembrei-me também que quando fui mostrar a novidade em meu cabelo, para minha mãe, ela disse:
— Por que isso não me surpreende? – comentou ela, revirando os olhos.
— Alice, acorda menina! — Berrou Bruno atrapalhando meus pensamentos.
Bruno entrou no meu quarto igual a um louco, e começou a pular em cima da cama.
— Isabella, vem tirar esse seu irmão daqui! -Falei rindo.
Isabella veio e puxou seu braço, derrubando-o no chão.
— Ah! Muito obrigada! — Eu ri.
Abaixei-me para olhar de baixo da cama, para ver se meus fones de ouvidos estavam lá. Avistei uma coisa brilhante no canto. Entrei debaixo para pegar, estiquei o braço, e com a mão o examinei, era um medalhão de prata com vários detalhes em relevo, que se pareciam com raízes. Eu os toquei e tive uma vaga lembrança que conhecia esse medalhão de algum lugar, mas não me lembrava de onde. Percebi que o medalhão podia ser aberto, mas não o consegui abrir.
— Prima, está tudo bem? — Perguntou Isabella.
— Sim, está tudo bem. – Respondi num sussurro.
Fechei os olhos e apertei o medalhão contra o peito, e saí debaixo da cama.
Bruno franziu a testa, e disse:
— Alice, você tá pálida, o que foi?
Não respondi.
Descemos a escada depressa e fomos para a cozinha, tomar o café da manhã e sentei ao lado de meu pai. Ele me beijou na testa, eu sorri. Minha mãe me encarava, eu me encolhi na cadeira, tentando parecer normal.
— Mãe, bom dia. – Falei.
Ela respondeu com um sorriso.
Depois de tomar café da manhã, eu e Isabella ficamos o dia inteiro, no quarto na Internet.
Olhei a hora na tela do computador, já era sete e meia da noite, faltava 30 minutos para a festa começar. Isabella estava sentada bem ao meu lado concentrada no computador.
Eu a olhei e disse:
— Isabella, estamos atrasadas! Temos que nos arrumar!
Nós fomos para o quarto de hóspedes, e nos arrumamos. Isabella vestiu um vestido curto, na cor laranja, de malha, era simples, mas bonito, e fez uma trança. Eu coloquei meu novo vestido e calcei meus All Star.
Mas ainda estava meio confusa, porque tinha achado um medalhão que reconheci, mas de onde? Pensei comigo mesma: Ora, Alice, esqueça!
Mas eu não me dei ouvidos, peguei o medalhão que havia guardado no criado-mudo, e coloquei no pescoço.
— Alice, seus amigos estão aqui. – Disse minha mãe.
— Já vou descer! – Gritei.
Desci a escada correndo quase tropeçando entre os degraus. Ao chegar na sala, vi Cloe com um vestido azul-turquesa e seus cabelos loiros dançavam sobre seu rosto. Conan usava uma camisa preta, um jeans e estava com um sorriso largo no rosto.
— Oi.- Eu disse
— Olá. – Disse Conan.
Eu sorri.
— Ai amiga, adorei o vestido! Vou pegar algo para beber. – Disse Cloe .
Vi Cloe indo para mesa de bebidas, Isabella chegou e se aproximou.
Fui para a varanda, vi Conan vir logo atrás de mim.
— Está linda! – Ele disse.
— Obrigada.
Silêncio.
— Quer que eu pegue alguma coisa para você beber? – Eu perguntei.
Ele examinou-me e fechou a cara. Eu o estranhei, seu olhar era frio e sério.
— O que foi? – Perguntei.
Ele não respondeu, ele pegou meu braço com muita força e brutalidade.
Um medo súbito me tomou conta, tentei gritar, mas a minha voz não saia de minha garganta.
Até que consegui reunir forças para sair um pouco de voz.
— Me solte! – Gritei.
Ele apertava ainda mais meu braço.
Eu pisei no pé de Conan e ele me soltou, sai correndo em meio as pessoas. Fui para o meu quarto, e tranquei a porta.
Me joguei na cama me perguntando por quê Conan teria agido assim? Por quê eu senti uma sensação de que devia me afastar?
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