Segundo Mundo

16 Capítulo 16 - União


Marcus estava ali, ensanguentado, sem nenhum sinal de vida. Eu corri para ele, coloquei com cuidado sua cabeça em meu colo, depois de me sentar de joelhos.

Não incomodei de me sujar de sangue, tinha coisas mais importantes para pensar. Com lágrimas nos olhos, tinha de pensar numa maneira de sair dali. Marcus parecia estar morto, o que fez com que eu entrasse em pânico e pensasse numa solução.

A mata ali se mexeu, eu ergui o revólver com uma das mãos, virei a cabeça, estava segura para atirar no que fosse, mas era só o vento, e com isso, vi o que não queria ver: Conan tinha sumido.

Os servos o levaram, e isso podia significar que aquilo não era o fim, e sim uma "trégua".

Deixando o revólver de lado, a única saída dali era o medalhão, que peguei no bolso de Marcus e tinha que dar certo.

Abri rapidamente, sem me importar com a luz. O céu estrelado de Marinix apareceu em pouco tempo, a grama vívida do jardim agora passava por meus joelhos.

As estrelas eram brilhantes como se almas fossem feitas delas, tão lindas por si só, piscavam como se tivessem vivas.

Mas as únicas estrelas que eram mais belas que todo esse céu imenso, sempre olhavam para dentro de minha alma que refletia em si, sempre vinham acompanhadas de uma voz doce, um sorriso. Mas infelizmente, naquele momento, as minhas estrelas foram apagadas pela escuridão. Eu olhava os olhos de Marcus esperando que eles se abrissem, como um fio de vida.

Encarei a mansão de luzes apagadas.

— Socorro! – Gritei na esperança de que alguém escutasse.

Não me importaria de ficar rouca.

Gritei várias vezes, aos prantos.

Até que uma luz se acendeu e, algumas pessoas que saíram para fora, correram para nós. Jason e Liv estavam acompanhados de uma mulher, que não reconheci em primeiro momento, mas depois o rosto familiar me veio a cabeça. A Srta Young, Yasmim Young para ser mais exata. A professora do meu colégio estava ali, com a expressão horrorizada. Provavelmente devia ser Protetora, mas como não a vi aqui antes? Bom, não era hora para interrogatório.

— O que aconteceu?! – Perguntou Liv encolhida em sua camisola preta.

— Explico depois! – Disse. – Marcus precisa de ajuda!

Marcus foi carregado por Jason, que segurou pelo tronco e Yasmim pelas pernas. Liv estava ao meu lado, enquanto os dois o levavam para o quarto.

— Precisamos colocar Marcus na cama, com todo o cuidado do mundo, ou vamos piorar a situação. – Jason encarou Yasmim.

— Deixe comigo. – Liv deu um passo a frente, e esticou a sua mão em direção a Marcus.

— O que vai fazer?! – Segurei o braço dela.

— Confie. – Ela encarou.

Eu confiava.

Soltei seu braço.

Liv fechou os olhos e uma ventania invadiu o quarto, fazendo tudo balançar loucamente.

— Soltem-no. – Liv ordenou ainda de olhos fechados.

Jason e Yasmim trocaram olhares, mas obedeceram. Marcus começou a flutuar inconsciente e pousou suavemente na cama. Eu vi tudo boquiaberta e Liv abriu os olhos parando a ventania, satisfeita com o que fez.

— Poder básico das... ah, vocês sabem. – Comentou.

Ninguém disse nada.

— Liv, chame Kimberly, por favor. – Jason pediu.

— Claro. – Ela disse e saiu com Yasmim.

— Precisamos de um médico! – Falei agoniada.

— Acalme-se, Alice. – Jason sibilou.

Liv voltou com Kimberly, que assustou ao ver Marcus.

— Kimberly, salve-o. – Jason disse num tom sério.

Ela fez um aceno com a cabeça, sentou-se na cama, colocou a mão no peito de Marcus. Faíscas começaram a sair dos dedos dela e depois um círculo cinza de luz explodiu no peito. Quando Kimberly tirou sua mão, não havia nada, nenhum corte, tudo estava certo, estava respirando, curado. Meu Anjo estava vivo.

Mais tarde, contei tudo a todos.

Liv estava orgulhosa de mim.

— Você machucou o Conan! — Me abraçou. – E matou Devil, o bichinho de estimação dele! Sempre o odiei!

Queria ter ficado com Marcus a noite, mas Jason disse que era melhor ele ficar sozinho para se recuperar. Então tive de dormir em meu quarto. Pensei também como iria explicar minha ausência para a minha família, acho que a história de ficar na casa de alguém não ia ser digerida para sempre, e por mais que os amasse, Marinix era meu lugar agora, então inventaria uma viagem de intercambio.

— Alice? – Liv me acordou. – Marcus acordou e quer te ver.

Pulei da cama, corri para o quarto dele e gritei:

— Obrigada, Liv!

Quando cheguei ao quarto eu quase tropecei de felicidade. Marcus usava um pijama de malha branco.

— Oi. – Sorriu.

— Oi.

Abracei Marcus como se fosse o último abraço. Ele me beijou com tamanha leveza que eu parecia estar voando.

— Obrigada por não me deixar. – Olhei em seus olhos.

— Te deixar. – Piscou para mim. – Não existe essa frase no livro da minha vida.

— Também não existe um ponto final no que sinto por você.

Ele ergueu a sobrancelha e afagou meu rosto.

— Você é minha super-heroína, sabia? – Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. – Você salvou minha vida.

— E você sempre terá a missão de proteger meu coração. – Falei. – E ninguém precisa ser super-herói para proteger quem ama, o amor te dá forças.

Eu sabia, existiam várias coisas nós rondando, dúvidas sem respostas, o bem, o mal, mas preferi agir como se o tempo não existisse ali. Só existia aquele momento, em um milhão de momentos.

Um anjo não é aquele que protege 24 horas por dia, mas sim aquela pessoa que muda o seu mundo de uma hora para a outra, no simples ato de te fazer sorrir com um sorriso. Aquela que, quando te abraça e te beija, parece que o seu tempo para. Aquela pela qual você faria o possível e impossível para estar ao seu lado; aquela que faz parecer que uma simples palavra te protegerá de tudo. Essa pessoa é um anjo e, acredite,todos nós temos um.

FIM.

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