Notas iniciais
Preparados? Eu espero que sim! Obs: Se caso estiver sem travessão, é apenas temporariamente! Obs1: Queria agradecer pela recomendação! Muito obrigada! ♥ Obs2: Recomendo que ouçam 4 músicas. Animals do Maroon 5 já está incluída ao recorrer da história (seria bom se também assistissem ao clipe... ao decorrer do capítulo vocês saberão o porquê!). A segunda música é Everybody Wants to Rule the World (Extended) que é um cover feito pela Lorde, comecem ela quando o vídeo começar a reproduzir. Depois são no PDV da Arizona, que é Every Breath You Take cover do Denmark + Winter, quando a loira entra no prédio principal. E por último Happy Together cover do Spin, quando ela bate na porta de Teddy. E me perdoem por qualquer erro de português.

CALLIE PDV

A música já ecoava pela universidade. Eu olhava pela janela do meu quarto e observava as pessoas no campus. Mulheres em vestidos caros e homens com ternos impecáveis e máscaras, que cobriam apenas os olhos e outras que cobriam as faces completamente, aproveitavam o cessar da chuva do lado de fora. Eu me sentia tão bem que tinha medo daquela felicidade terminar. Viro-me e vejo Addison terminando de soltar seus cabelos.

Eu estava em um vestido azul e preto longo, que marcava meu busto do jeito que eu queria. Meus cabelos estavam soltos sobre meus ombros e um salto-alto completava minha aparência. Addison estava em um vestido roxo, que também marcava suas ótimas curvas. Ela termina de se maquiar e dá um suspiro alegre, a se ver pronta em frente ao espelho.

– Já quer ir? – pergunto, sorrindo. A ruiva se vira para mim e me analisa, vendo sua obra de arte. Sim, Addison sabia maquiar como ninguém.

– Sim. – responde a mulher, pegando sua máscara também roxa em cima da cama e sua bolsa. Eu também pego a minha máscara que era de renda azul com as bordas pretas. Passo o elástico por minha cabeça e posiciono-a em meu rosto.

Saímos do quarto e eu decido guardar meu cartão na bolsa de minha amiga. Caminhamos até o elevador e apertamos o botão. Meredith e Cristina também saíam de seus quartos, vestidas e com suas máscaras. A asiática tinha uma máscara que cobriam também suas bochechas.

– Oh... essa noite será a melhor de todas! – comemora Meredith caminhando até nós, com uma dança animada.

– Acho que devíamos fazer mais bailes assim... pobres precisam. – critica Cristina, dando uma risadinha má. Eu não resisto e começo a rir do humor negro da asiática. – Vocês já viram como os homens estão gostosos lá fora? Benditos Smokings!

– Estou louca para ver Derek em um. – geme Meredith, entre dentes. Ela e Addison se entreolham e eu percebo a tensão entre as duas. “Ops...” meu cérebro caçoa ao lembrar que elas já haviam ficado com o mesmo homem.

– Hãm... também acho que a noite vai ser ótima! – digo algo para diminuir a tensão enquanto a porta do elevador se abria. Nós quatro adentramos e eu aperto o botão do térreo.

– Por falar nisso... eu vi que você e a Casanova não se desgrudam. – diz Cristina, sem medo de expressar sua opinião.

– Casanova? – pergunto, confusa.

– Sim, aquele italiano mulherengo que se apaix...

– Eu sei quem foi o Casanova. – digo, com um olhar duro. – Só não sabia ainda a que chamavam assim.

– Vocês estão namorando ou algo do tipo?

– Sim. – respondo e a asiática dá uma risada alta e vitoriosa.

– Você me deve 10 pratas! – comemora Cristina, estendendo a mão para Meredith. – Eu sabia que vocês duas iam acabar se pegando!

– Fizeram uma aposta? – pergunta Addison, erguendo uma sobrancelha.

– Sim! – responde Cristina, pegando a nota da mão de Meredith que resmungava alguma coisa baixo. – Callie e Arizona se comiam apenas com o olhar!

– Ei... pare com isso! – rosno, com minhas bochechas se corando. – Além do mais... eu odeio apostas. Odeio qualquer coisa parecida com isso!

– Arizona é quente, Callie! – murmura Meredith, dando uma risadinha. – Não falo monólogos da vagina, mas preciso admitir que ela é.

– Eu sei... – respondo, com um sorriso malicioso.

A porta de metal se abre e nos é apresentada uma intensa movimentação na recepção. Podia-se ouvir do salão a música Animals do Maroon 5. Mulheres em seus vestidos e máscaras caminhavam em todas as direções, eufóricas. Cumprimentamos Olivia que também estava caracterizada e saímos do Alojamento A. Já era próximo das 22 horas e eu e Arizona havíamos combinado de nos encontrar no salão de festas. Oh... eu estava tão empolgada.

Eu e minha amiga passamos pelas portas do salão e observamos a decoração impecável. Havia um enorme lustre no teto que iluminava parcialmente o salão, criando uma série de penumbras. Um grande telão estava montado na frente e ele reproduzia padrões das luzes neon que seguiam o ritmo da música.

Alguns casais já dançavam na pista ao som de um DJ, um homem de cabelos loiros longos e um fone na cabeça, que tocava em cima do palco que antes servia para palestras. Do lado direito uma mesa estava cheia de aperitivos e bebidas para serem consumidas.

Vocês estão maravilhosas, garotas. – a voz de Mark ressurge ao meu lado. Eu me viro e vejo meu amigo em um ótimo terno e uma máscara preta.

– Você também está ótimo, Mark! – respondo, abraçando meu amigo. Ele também abraça Addison, que agradece.

– Isso aqui está lindo! – ele diz, olhando a decoração.

– Sim, está... – diz Addison, sorrindo. – Está sozinho? Não vai me dizer que Lexie Grey furou com você...

– Não, não... – responde o homem. – Ela está bem ali! – diz Mark, apontando em direção à multidão.

Um sorriso nasce no rosto dele ao ver Lexie em um vestido longo preto e uma máscara da mesma cor. Addison ergue uma sobrancelha para mim e eu também respondo. O fato de Lexie ainda ser uma “caloura” não parecia incomodar Mark.

– Preciso ir garotas... a minha está me esperando. – ele diz, se distanciando.

– Aproveite a festa! – digo, antes de Mark desaparecer no meio das pessoas dançando.

– Vou pegar algo para bebermos. – murmura Addison.

– Ok. – respondo.

A ruiva passa entre os casais em direção a mesa de bebidas e eu continuo olhando por entre os corpos para tentar avistar uma determinada loira. Uma mão quente no meu ombro me faz virar, esperando vê-la, mas eu fico confusa ao ver que se tratava de George.

– Oi... – ele diz, envergonhado.

– Olá, George. – respondo, com um sorriso amigo. – Não lhe vi esses dias...

– Hãm... a gente pode conversar? – gagueja o homem. – Sobre... hãm... a festa de Jackson?

– George... – eu tento.

– Eu sei que estávamos bêbados, Callie, mas... – diz George, tímido. – Mas eu realmente gosto de você e...

– Eu não posso. – murmuro, com uma expressão triste. – Não podemos. Eu e... eu e Arizona estamos namorando. – acrescento. Rapidamente sua expressão muda e percebo George travar o maxilar com força.

– Você está namorando ela? – pergunta ele, como se estivesse com nojo. – Eu não tenho nada contra duas mulheres, Callie, mas... ela não é quem você pensa. Eu gosto da Arizona. Eu sou... eu costumava ser amigo dela, mas...

– Para com isso, ok? – rosno, cansada das pessoas falarem aquilo dela. – Ela está melhorando! Ela está tentando! – digo, firme. O homem faz uma expressão de “Você quem sabe...”.

– Eu queria poder te contar, mas eu não posso. Boa sorte, então. – retruca George, sumindo no meio das pessoas na pista de dança.

Eu franzo o cenho, não entendendo nada que havia acontecido. Continuo a procurar entre os corpos e quando estava prestes a desistir, um vulto me chama atenção passando pela porta do salão e todas as minhas preocupações somem.

Arizona olhava para a festa, com Teddy ao seu lado. Minha namorada estava em um vestido branco que batia em seus joelhos. Aquelas pernas... sua máscara era de renda também branca e com bordas douradas.

Seu cabelo estava preso em um coque no alto de sua cabeça com alguns cachos caindo ao redor de seu rosto. Ela era completamente linda. Arizona olha para frente e me vê.

A loira fala algo para Teddy e começa a caminhar em minha direção. Eu continuo estudando-a, atônita. Arizona apenas para de andar quando está um passo de distância de mim. Seus olhos azuis brilhavam atrás da máscara e isso fazia um arrepio cruzar meu corpo.

– Você está linda... – suspiro, sem saber o que falar.

– Obrigada, Calliope. – responde a loira, com um sorriso de covinhas. – Você está maravilhosa!

Eu sorrio e afago seu rosto antes de puxar para um beijo. Eu estava louca para beijá-la desde o momento que precisamos nos separar no elevador depois de uma tarde inesquecível. Havíamos nos divertido no shopping... eu havia sentado na janela de um veículo em alta velocidade... havíamos feito amor dentro do meu carro.

Sua língua entrava em contato com a minha e elas se reconhecem prontamente. Seu gosto era algo viciante. Arizona me puxa contra seu corpo querendo mais contato e apenas quando nossos pulmões clamam por oxigênio que nos separamos.

– Eu amei sua máscara... – sussurra Arizona, contra meu rosto. – Azul fica bom em você!

– Azul me lembra de seus olhos. – murmuro e ela sorri. – Foi por isso que escolhi esse vestido.

– Na verdade... tudo fica bom em você. – diz a loira, mordiscando o lábio inferior coberto pelo batom vermelho. – Mas nada se compara com você nua! Por isso escolhi esse vestido... para você tirá-lo!

– Espero que consiga esperar a noite terminar, querida... – provoco-a, rindo.

– É difícil não querer empurrar você para qualquer canto dessa universidade e tê-la para mim.

– Parecemos mesmo duas adolescentes sedentas por sexo, huh? – pergunto e ouço a risada doce da mulher.

– Somos piores. – responde Arizona, com uma piscadela.

– Ok... Srta. Sex, vamos dançar... – provoco-a e faço sua risada aumentar ainda mais.

Eu pego sua mão e forço um giro desengonçado para que pudéssemos dar início a nossa dança. Arizona dá sua mão para mim e eu a conduzo. Sua outra mão fica no meu ombro enquanto nossos corpos se moldavam. Seu vestido deixava parte de suas costas nuas e eu coloco minha mão direita sobre sua pele.

Meu coração acelerava sempre que a aquela mulher estava perto de mim. Não importava se toda a universidade estava ao nosso redor, não importavam os olhares das pessoas que ainda não estavam acostumadas com duas mulheres juntas ou até daquelas que achavam que éramos apenas colegas de quarto, porque tudo sumia no segundo que nossos olhares se cruzavam.

Continuamos a dançar durante um bom tempo. As músicas variaram de lentas até eletrônicas. Teddy e Addison haviam se juntado a nós pouco depois e começamos a nos movimentar pela pista com as luzes neon brilhando o tempo inteiro. Nossos amigos também estavam por perto, todos com um sorriso largo no rosto.

Meredith dançava com Derek, Mark com Lexie, Erica estava com uma morena, a qual eu deduzi ser Sasha. Ao fundo estavam Richard e Ellis observando tudo, orgulhosos. Os professores também dançavam e isso incluía Owen e Cristina que tentavam passar despercebidos por todos em direção à saída do salão. Eu e Arizona seguramos uma risada, percebendo aquilo. Não é que eu aprovasse a relação aluno e professor, mas... se eles estavam felizes...

– Oh... eu preciso de uma bebida. – murmura Addison, caminhando em direção ao balcão.

– Eu também... – digo. Nós quatro nos sentamos nos bancos enquanto um barman preparava alguma coisa. – Deus... meus pés estão me matando nesse salto. – rosno, reposicionando-os em meus pés.

Ei garotas... – a voz de Alex surge sobre a música alta.

Viro-me e vejo o homem em um terno impecável e uma máscara preta que cobria partes de suas bochechas. O homem estava com um cavanhaque, deixando-o ainda mais másculo. Se não fosse a voz do homem provavelmente eu demoraria algum tempo para reconhecê-lo. – Vocês estão maravilhosas! – ele elogia, dando um beijo no rosto de cada uma.

– Obrigada. – respondemos em um coro.

– Essa noite vai ser grande! – comemora Alex, levantando a mão para o barman. – Por favor, uma rodada de Tequila para todos nós aqui.

– Olhe só... um cavalheiro vivia dentro de você. – provoca Addison e Alex bufa.

– Não sou um canalha 24 horas por dia, ruiva. – resmunga o homem, pegando um dos cinco copos que foi colocando em cima do balcão e virando na boca. As mulheres fazem o mesmo e eu viro o álcool na minha garganta, gemendo com a ardência. – Eu poderia chamar vocês para dançar, mas parece que já estão mortas. – comenta Alex, dando uma risadinha.

– Vamos descansar um pouco. – responde Arizona, sorrindo para seu amigo. Independente se Alex continuasse um canalha ou não, eu gostava de como os dois eram próximos. – Daqui a pouco volto e lhe ensino como é dançar.

– Ha-ha-ha... – caçoa Alex. Ele se despede de nós e dançando, caminha em direção à pista de dança. Olho para minhas amigas e vejo Addison mexendo em seu celular.

– Vamos tirar um selfie! – ela ordena, posicionando a câmera frontal para nossa direção.

Todas nós nos posicionamos e o celular captura a imagem, com as quatro mulheres sorrindo e as luzes ressaltando ao fundo. E fato de ver a ruiva mexendo no dela me faz procurar pelo meu. Percebo então que havia o esquecido dentro do quarto.

– Droga... – rosno.

– O que foi? – pergunta Arizona, ao meu lado.

– Eu esqueci meu celular dentro do nosso quarto. – respondo, com uma expressão cansada.

– Quer que eu vá buscá-lo para você? – oferece a loira. – Aproveito e pego outro sapato para você, já que estes saltos estão lhe matando.

– Você faria isso? – murmuro, com um sorriso bobo.

– Claro que sim. – responde Arizona, dando um beijo rápido em meus lábios e pulando do banco. A loira pede Addison meu cartão e a ruiva abre sua bolsa e a entrega. – Estou de volta em alguns minutos...

– Ande rápido, Srta. Sex, não quero sentir falta da minha namorada. – provoco-a.

Uma risada doce sai por seus lábios e Arizona desaparece em meio às pessoas dançando. Um sorriso bobo ainda estava em meu rosto e eu me perguntava como eu poderia estar tão radiante com a presença dela. Perguntava-me como um simples sentimento podia mudar tanta coisa.

Porém eu não sabia o quê viria pela frente...

Os minutos passaram e a festa continuou. Addison e Teddy continuavam a beber e eu as acompanhava sem nada com o que me preocupar, pois as aulas no dia seguinte começariam no período vespertino. Viro um tiro de Tequila e suspiro com a ardência.

Boa noite, pessoal! – a voz do DJ ecoa quando a música é interrompida. O público dá um grito animado como resposta. – Um pedido chegou a mim que eu reproduzisse um vídeo para vocês. – diz o jovem loiro, balançando um DVD em uma capa transparente para que todos pudessem ver. – Aqui está dizendo que é especialmente para uma mulher que está aqui entre nós!

– Vamos lá ver! – chama Addison, puxando tanto meu braço quanto o de Teddy.

Mal tenho tempo de descer do banco antes de ser empurrada para dentro da multidão e pararmos apenas quando estamos em um dos primeiros lugares perto do grande telão. O DJ coloca DVD no computador e a imagem é projetada, começando o vídeo. Sorrio para minhas amigas na expectativa da imagem.

“Na noite da terça-feira, há um mês, aconteceu uma festa na casa de Derek Shepherd. Um racha, disputado por Arizona Robbins e Preston Burke resultou na apreensão da mulher e de ambos os carros. A prisão foi efetuada pelo Chefe de Polícia Carlos Torres.”

Meu sangue congela, fazendo meu sorriso diminuir aos poucos. Mal tenho tempo de me questionar o que estava acontecendo quando a tela preta é substituída por alguém segurando uma câmera portátil, equilibrando-a em um local escondido na roupa.

A câmera capturava a imagem de Arizona, Teddy, Mark, George e Alex no que aparentava ser o estacionamento da universidade. Eles não pareciam saber que estavam sendo filmados. Todos estavam com as expressões tensas, principalmente minha namorada. Olho para Teddy ao lado de Addison e vejo a loira pálida e trêmula.

– Oh meu Deus, não... – sussurra Teddy, colocando a mão na boca para disfarçar seu espanto.

Estamos em um impasse Arizona Robbins. – uma voz grave surge no vídeo, vindo da pessoa que gravava. – Eu sabia que você não daria sua moto tão facilmente, então digamos que eu tenha algo contra você que não gostará muito. Eu posso não estudar aqui, mas... eu sei as regras dessa universidade. E afirmo que você tem um caso com uma professora.

O público murmura atentos ao vídeo. Um peso enorme parecia ter caído sobre minhas costas. Retiro minha máscara, com raiva. Arizona fica pálida no vídeo, como se não acreditasse no que estava acontecendo. E nem eu...

O que? – pergunta a loira. – Como...

Não importa. – retruca a voz grave. – Olhe...

Um braço moreno entrega um pedaço de papel para Arizona e ela pega a foto e a analisa, sem expressão. Suas bochechas coram e o homem moreno a puxa de volta.

Não pense que essa é a única cópia... – diz a voz. – Espero que você esteja ciente que isso acarretará a sua expulsão e a demissão da professora Boswell.

“Arizona tinha um caso com Lauren?” meu cérebro grita. Todos olhavam em direção a Lauren que estava ao lado de Richard, no canto do salão. O reitor da universidade encarava sua funcionária, perplexo.

O que você quer de mim, Preston? – pergunta Arizona, com raiva.

“Quem gravava era o Burke...” meu cérebro sussurra.

– Eu quero que você se vingue de uma pessoa para mim. – responde o homem. – Eu quero que você se vingue de Callie Torres.

Sinto uma espécie de murro contra meu rosto com aquelas palavras. “O que...?” meu cérebro brada.

Quem? – pergunta Arizona, franzindo o cenho.

Callie Torres? – a voz de Mark aparece no vídeo. – O que ela te fez?

Quem é Callie Torres? – pergunta Arizona, novamente.

Uma lágrima escorre em meu rosto enquanto eu continuava estática assistindo o vídeo ao lado do grande público.

Ela é amiga de Addison Montgomery. – responde Teddy, no vídeo.

Vejo, por cima do ombro, Addison encarar Teddy como se não reconhecesse a loira. Eu não acreditava no que estava acontecendo.

Por que ela? – pergunta Arizona.

E então a imagem é cortada.

Ela é filha do policial Carlos Torres. – responde Burke. – Ou mais conhecido por nós dois como Oficial Torres.

O policial de ontem? – pergunta Arizona, com raiva.

Sim. – responde o homem. O vídeo novamente é cortado. – Eu quero que use seus poderes em cima dela. Eu quero que você a seduza, eu quero que a faça confiar em você e depois eu quero que a humilhe do mesmo jeito que o pai dela fez com você. Ela é o tesouro dele e se quer atingi-lo será através dela que conseguirá fazer isso.

De repente o vídeo é cortado novamente. Eu suspiro, em completa dor, a me ver sentada debaixo de uma árvore e Arizona se aproximando de mim. Somos filmadas brigando, porém o áudio não saiu porque a pessoa que filmava estava longe. “Aquilo só podia ser mentira...” eu implorava para mim mesma. Eu mal percebia que as lágrimas desciam por meu rosto.

Olho para o lado e então meu coração aperta tão forte que eu achei que não poderia aguentar. Arizona me observava do outro lado do salão. Eu podia sentir o peso do olhar das outras pessoas em mim e nela. A loira me encarava sem expressão, mas eu podia perceber o início de lágrimas no canto dos seus olhos. Eu sequer tinha forças para falar alguma coisa. O vídeo sendo cortado novamente me faz voltar à atenção para o telão.

Arizona? – a voz de Teddy estava atrás da mulher no vídeo. Arizona se aproximava novamente de Burke no estacionamento. – O que aconteceu? – pergunta Teddy, se aproximando também.

E aí... já tem uma resposta? – pergunta Burke. Alex, Mark e George observavam tudo ao longe.

O vídeo é cortado novamente.

Sim, eu aceito. – responde Arizona. Ela retira seus olhos escuros e sorri. – Isso agora se tornou algo pessoal.

O tempo parecia ter parado enquanto mais imagens eram reproduzidas no telão. Momento nenhum a loira parecia saber que estava sendo filmada. Em uma delas eram os cinco sentados a uma mesa na biblioteca.

“Aquela mulher não sai do próprio quarto. Parece que ela está presa dentro de um mundo monótono, eu não sei... Jesus, ela é estranha!”

A voz da Arizona dizendo isso ecoava por meus ouvidos e me cortava profundamente. Porém, as últimas cenas conseguiram quebrar ainda mais meu coração, as quais a mulher estava em clube e depois dentro de um banheiro feminino, no dia seguinte que já havíamos ido para a cama.

“Então acha que vai demorar mais quanto tempo? Para levar Callie pra cama?”

A voz de Alex surgiu no vídeo. Eu não sabia dizer quem filmava porque a câmera estava focada apenas em Arizona. Poderia ser alguém próximo, alguém que estivesse na piscina... eu não sabia de nada. Arizona bebeu seu suco tranquilamente.

“Acho que não mais que uma semana” ela responde, dando de ombros. E no banheiro depois, com ela encarando o espelho enquanto falava no telefone: “Me dê duas semanas e eu terei Callie Torres na palma da minha mão.”.

O vídeo termina. O silêncio que reinava no salão. Todos estavam espantados com o que haviam acabado de ver. Olho para Arizona e não reconheço a mulher que eu encarava. Seus olhos lagrimejando não deixavam dúvida que aquilo era um sinal claro de culpa. Tento falar pela primeira vez, mas minhas palavras queimavam minha garganta para saírem.

– Isso é verdade? – sussurro quase inaudível, mas por causa do silêncio no salão minha voz pôde ser ouvida.

Arizona engole seco, hesitando. Seus olhos azuis olhavam intensamente nos meus, os mesmos que eu havia dito eu te amo há 24 horas. Arizona abre a boca para responder, mas então Preston Burke sai de entre o público.

– É claro que é. – responde o moreno, caminhando até o lado da loira. Ele passa o braço nos ombros dela e eu posso ver a cara de nojo que ela faz. E então eu perco o chão sobre meus pés. Foi tudo uma farsa. Eu fui uma aposta.

– Como pôde fazer isso? – gaguejo, entre soluços.

– Ou era você... ou era a moto dela. – responde Burke, dando de ombros. – Ela escolheu a moto.

– Oh... Deus... – suspiro, não sentindo ar em meus pulmões. Meu peito queimava em dor. Eu podia ouvir os murmúrios nas minhas costas. Eu estava humilhada.

– E sabe o que é o mais interessante? – pergunta Burke, com um sorriso de lado. – Todos os amigos delas a ajudaram... sua irmã a ajudou... até Teddy ajudou cuidando de Addison. – diz o moreno, rindo. Olho para Teddy e vejo a loira chorando intensamente. “Culpa”, penso.

– Por que você está o deixando fazer isso, Arizona? – gagueja Teddy, espantada.

– Me desculpe... – sussurra Arizona, enxugando a lágrima que escorria por seu rosto.

– Isso é verdade? – pergunto novamente para a loira, querendo ouvir aquilo de sua boca. Arizona me encarava, tomando coragem.

– Sim, é tudo verdade. – responde.

Eu queria poder ter alguma reação racional naquele segundo. Um turbilhão de emoções rasgava meu corpo e as imagens reproduzidas em minha mente faziam com que eu ficasse ainda mais zonza. Nós duas fazendo amor... ela me abraçando... ela me beijando... foram tudo uma mentira.

Arizona continua em pé me encarando ao lado de todas as pessoas naquele salão. Eu olho em seus olhos e não a reconheço. Ela sussurra um “por favor, Calliope, me perdoe...” e eu viro o rosto, a ignorando.

Olho ao redor e vejo os olhares curiosos e murmúrios. Addison também chorava, sem acreditar. E, não aguentando mais aquilo, eu começo a andar em direção à saída do salão. As pessoas me davam licença, mas continuavam a me fitar. Eu não conseguia controlar minhas lágrimas e tudo o que eu sentia era dor.

Dor... dor por ser humilhada e dor por ter amado Arizona Robbins.

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ARIZONA PDV

Eu caminhava pelas calçadas da universidade pensando em como minha namorada estava linda naquele vestido azul. Seus olhos castanhos-chocolate estavam ainda mais brilhantes por trás daquela máscara. Meu coração batia mais rápido simplesmente com a presença dela. Oh Deus... eu realmente estava apaixonada por aquela mulher.

Adentro no alojamento A, porém não vejo Olivia na recepção. Ignorando isso, aperto o botão do elevador, ainda cantarolando a música que ecoava do salão. A porta de metal se abre e eu adentro, apertando o botão do terceiro piso. Saio do cubículo de metal e caminho pelo corredor, parando em frente ao meu quarto e passo o cartão.

Abro a porta e acendo a luz, procurando pelo celular de Callie. Acho-o facilmente por estar em cima da grande mesa e sorrio, imaginando como a morena poderia ser cabeça dura às vezes. Pego o celular e saio do quarto fechando a porta novamente.

– Ei... Robbins. – a voz grave ecoa pelo corredor. Eu congelo, ainda com a mão na maçaneta. Viro meu rosto e vejo Preston Burke sorrindo para mim no meio do corredor.

– Como você conseguiu entrar aqui? – pergunto, assustada.

– Você e essa sua curiosidade... – murmura o moreno, dando passos lentos na minha direção. Ele vestia um terno, não tão bom quanto os dos alunos ricos, mas isso fazia com que ele se disfarçasse perfeitamente entre nós. – Já disse que isso não lhe importa!

– O que você quer então? – gaguejo. – Aposto que não foi convidado para o baile. – digo, não perdendo a chance de provocá-lo.

– Você tem uma língua grande, sabia? – rosna Burke, com um olhar sério para mim. – Não vai continuar viva por muito tempo com ela.

– Me diga... o que você quer? – ordeno, encarando-o. – Quer minha moto? Tudo bem... eu pegarei a chave. – digo, ameaçando a passar o cartão na porta.

– Não, não... – responde Burke, calmamente. – Eu não quero mais a sua moto. Está na hora de você cumprir a aposta!

– Eu ainda tenho mais uma semana. – retruco, com aquilo saindo como quase uma súplica. – E... eu não quero fazer mais isso Burke.

– Oh... você se apaixonou por ela, huh?! – caçoa Burke, dando uma risada alta. Minhas bochechas coram. – Mulheres... sempre envolvem sentimentos com sexo! E eu achando que Callie seria apenas mais uma em sua lista.

– Não ouse falar dela! – rosno, apontando para ele. – Eu não irei cumprir aposta nenhuma! Se quiser mandar a foto para Richard... que mande! Eu não dou à mínima! Preciso aprender a arcar com as consequências dos meus atos. Eu e Lauren iremos sofrer o que precisamos sofrer!

– Uau... – suspira o homem, sendo sarcástico. – Como um amor pode mudar uma pessoa, huh? Por acaso já rolou aquele momento de filme de romance em que uma diz eu te amo para a outra? – caçoa, dando outra risada. – Jesus... lésbicas são estranhas! Mas adoraria vê-las em uma cama.

– Vai pro Inferno! – retruco, com a raiva circulando por meu corpo.

– Com certeza eu irei. – responde Burke, sorrindo. – E você vai comigo. Você irá cumprir sua aposta agora!

– Eu não irei cumprir porcaria nenhuma! – grito com todas as forças e retiro a máscara de meu rosto.

Burke me encara, sério. Ele levanta o seu blazer e a luz reflete no metal no cós da sua calça. Meu coração para de bater por alguns segundos ao ver o homem pegar a pistola 38 e puxar o cão, preparando-a.

– Burke... – eu sussurro, dando passos para trás. – Não faça isso!

– Agora está com medo, huh? – provoca o homem, caminhando em minha direção.

– Por quê? O que você está ganhando com isso? – gaguejo, confusa e com medo. – Pare!

– Você ainda não entendeu o que está acontecendo? – caçoa Burke, dando uma risada em seu humor negro. – É tão óbvio!

O que está acontecendo aqui? – a voz de Alex ressurge atrás de Burke.

– Alex, não! – grito. Burke aponta a arma para meu melhor amigo. Alex arregala os olhos, completamente assustado. Ele ergue as mãos para cima e se mantem estático.

– Parece que temos companhia... – sussurra Burke caminhando em direção de Alex.

O moreno agarra Alex pelo pescoço e coloca a pistola na cabeça do meu amigo. Meu coração batia descontroladamente. As lágrimas ardiam no canto dos meus olhos por causa da adrenalina. Eu poderia gritar, mas de nada adiantaria por causa da música alta.

– Burke, não faça isso! – implora Alex, sendo sufocado pelo homem que apertava seu pescoço com o antebraço. – Por que está fazendo isso, cara? Sabe que não vai sair ileso disso...

– Cala a boca! – grita Burke, apertando ainda mais a arma na cabeça do meu amigo. – A conversa aqui é entre eu e minha amiga Arizona. – diz o homem, dando um sorriso psicótico pra mim. – E agora... vamos voltar ao assunto. Que tal cumprir aquela aposta, huh? Se você cumprir, lhe dou minha palavra que ninguém sairá ferido.

– Burke... – tento negociar.

– Você não tem outra opção! – grita o moreno. – E a próxima vítima será sua namorada... depois sua sobrinha... depois sua família por completo.

– Tudo bem, tudo bem! – grito de volta, fazendo um sinal com as mãos para ele se acalmar. Eu não podia deixar que as pessoas que eu mais amava se machucarem. – Eu faço o que você quiser!

Estava feito. Eu me perguntava em quantas partes meu coração poderia se despedaçar, porque o que sobrava dele naquele instante não era mais que poucos cacos. O jeito como Callie me olhava me fazia sentir a pior pessoa do mundo. E ainda pior, eu precisava concordar com aquelas atrocidades ditas por Burke. Ou era aquilo... ou eu veria pessoas que eu amava morrer... incluindo ela.

Ainda paralisada mesmo lugar, vejo Addison olhar para mim e em seguida encarar Teddy. A troca de olhares entre as mulheres era cheia de dor, porque a ruiva sentia o mesmo que Callie. Ela se sentia traída. A ruiva enxuga as lágrimas e sai em meio à multidão. Teddy me encara, com um olhar frio. Ela balança a cabeça ainda incrédula e some em meio ao público.

Tudo o que eu queria era correr atrás delas e dizer a verdade. Eu queria dizer a verdade para que Callie, dizer que eu havia me apaixonado por ela, mas eu não podia fazer isso, porque Preston Burke ainda tinha o braço em meus ombros. Eu o retiro com nojo. Alex estava na lateral do salão, suando frio, com Christian o vigiando.

Arizona Robbins! – a voz grave e cheia de raiva de Richard me retira do transe. Olho para sua direção e vejo Ellis também decepcionada. – Arrume suas coisas! Você está expulsa dessa universidade! – brada. Lauren também chorava ao lado do homem.

Um suspiro de dor sai por meus lábios, por tudo ter saído do jeito errado. O volume dos murmúrios aumenta e eu sentia todos olhando para mim e comentando... de novo. Richard continuava estático apontando para a porta do salão. Eu abaixo a cabeça, sem saber o que fazer e caminho entre as pessoas.

Eu não sabia o que aconteceria com Teddy, não sabia o que seria de Alex, Mark ou George. “Será que eles serão expulsos também?” meu cérebro choraminga. “Quem estava me gravando?” “Teddy, Mark, Alex, George? Eles eram os únicos comigo... ou não?

Fecho as portas do salão nas minhas costas, deixando a festa para trás. Minha visão estava embaçada por causa das minhas lágrimas. Passo minhas mãos por meu rosto para tentar me despertar daquele terrível pesadelo. Mas, eu mal sabia que ele estava apenas começando.

Eu precisava falar com Callie. Começo então a percorrer aqueles corredores desesperadamente, porque a morena não poderia estar tão longe de mim. Saio pelas calçadas, procurando entre as penumbras. Já não chovia e o céu começava a se limpar. Uma lua cheia aparecia por detrás das nuvens, mas ainda trovões ressurgiam ao longe.

Eu não sabia dizer se a tempestade estava mesmo indo embora ou voltando. Passo em frente aos prédios fechados e deduzo que ela havia fugido para o alojamento. Entretanto, vejo a porta do prédio principal aberta. “Não deveria estar aberta.” meu cérebro brada. Callie estava ali.

Adentro no prédio principal e procuro pela porta aberta ou por uma luz acesa. Ao ver a luz do laboratório um suspiro de alívio sai por meus lábios. Ela estava avermelhada, mas ainda assim era algo. Corro pelo corredor e abro a porta com um supetão, já chamando por Callie.

Minha boca abre, surpresa ao ver o que estava ali. Havia diversas fotos espalhadas pelas paredes, formando um grande mural. Mas, o pior de tudo... eram fotos minhas e de Callie. Tinham fotos onde nós duas estávamos sozinhas. Eu fumando. Callie conversando com Addison dentro de um carro. Eu e Leah nos beijando. Callie e George se beijando. Eu e Callie correndo de manhã. Eu e Callie estudando na biblioteca. Eu e Callie no festival de shows... Havia fotos de cada lugar que estivemos juntas.

Presas em um fio que cruzava o laboratório havia fotografias nossas em momentos... íntimos. O medo percorria minha corrente sanguínea.

– Meu Deus... – sussurro, assustada.

A mesa principal estava repleta de materiais de fotografias. Filtros, lentes e rolos estavam espalhados. Uma mochila própria estava ao lado da mesa e um tripé estava encostado no canto da sala. Caminho até a mesa e vejo uma fotografia solta. Meus olhos arregalam ao que era eu e a morena dentro do banheiro feminino. Nossas partes íntimas não apareciam porque estávamos abraçadas, mas ainda assim estávamos nuas.

Aquilo parecia um filme de terror. O dono daquilo era um louco psicótico. Porém, por mais que eu tentasse raciocinar o que aquilo significava mais confusa minha mente ficava. Coloco as mãos na cabeça, desesperada ao lembrar-me do rolo de fotografia achado no quarto de George. Era ele o responsável por tudo aquilo?

Continuo analisando o local macabro. Pregadas também na parede havia algumas reportagens de jornais. Chego perto e leio o título principal delas.

“Filho mais velho do empresário Daniel Robbins morre em ação”.

Fecho os olhos ao ver a fotografia do meu irmão na manchete. Eu me lembrava perfeitamente de quando aquela reportagem havia saído, eu me lembrava de todos comentando, todos chorando sem ao menos saberem quem meu irmão era e bajulando meu pai. Suspiro e vejo a próxima.

“Chefe da Polícia de Seattle prende mais uma quadrilha no lado oeste da cidade”.

A imagem de Carlos ilustrava a notícia. Leio uma parte que estava destacada com um marcador fosforescente que dizia que Carlos Torres era um dos melhores policiais de sua delegacia, principalmente depois de seu passado turbulento por causa da morte em um de seus casos. Franzo o cenho, confusa com aquilo tudo. Não havia uma conexão. E quando vejo a próxima reportagem meu queixo cai completamente.

“Atentado de 2001: Seattle une forças para ajudar os EUA a se reerguer”.

A imagem que ilustrava a reportagem era a de Carlos e Daniel apertando as mãos em frente à Casa Branca. Procuro pela data e vejo 24 de Setembro de 2001. “Eles já se conheciam?” meu cérebro brada. Aquilo não fazia sentido! Eu me lembraria se meu pai fosse amigo de Carlos! Na reportagem dizia que tanto o dono da Robbins Company quanto um policial, que representava a polícia de Seattle, estavam empenhados em representar a cidade em uma das reuniões para discutir sobre os atentados sofridos nos EUA.

– Isso não faz sentido... – sussurro.

Eu balanço a cabeça, na tentativa de colocar meus pensamentos em ordem. Minha cabeça martelava intensamente. Olho ao redor e vejo as fotografias, fazendo-me ficar ainda mais assustada. “Quem estava fazendo aquilo?” meu cérebro brada. Aquilo deveria ser uma piada muito sádica. E então algo em cima de uma das primeiras mesas compartilhadas, onde os alunos se sentavam, me chama atenção.

Meu sangue congela. Eu mal consigo reunir coragem suficiente para chegar mais perto e analisar aquela fotografia direito. Eu deveria estar delirando. Dou passos temerosos e pego o porta-retratos em mãos. Aquilo não poderia estar acontecendo... Não! Não! Não!

Eu solto o porta-retratos em cima da mesa como se fosse um objeto tóxico. Aquilo era um pesadelo. Os sorrisos estampado nos rostos das cinco pessoas faziam minhas entranhas apertarem por causa do medo e da adrenalina. “Como? Por que eles?” minha voz interior gritava em desespero. E então um estalo corta meu cérebro, ao me lembrar de que ela havia saído junto com Callie do salão.

– Oh meu Deus! – grito, começando a correr para fora do laboratório. Eu precisava tirar Callie dali.

Saio às pressas do prédio principal e corro pelo campus novamente. A música ainda tocava no salão mostrando que o baile havia continuado e isso justificava o porquê da universidade estar tão vazia no pátio. Adentro no alojamento A e não vejo que Olivia ainda não havia voltado para a recepção.

Corro até o elevador e aperto o botão. A porta de metal se abre e eu, no último instante decido apertar o botão do segundo piso. Eu precisava da ajuda de Teddy. Quando a porta do elevador abre eu recomeço minha corrida, tentando não escorregar naqueles malditos saltos.

Bato na porta desesperadamente. Nada. Bato novamente e coloco o ouvido contra a madeira na tentativa de ouvir algo. Nada novamente. Passo a mão por meus cabelos e corro de volta para o elevador, apertando o botão. Mas quando a porta de metal se abre meu sangue para de circular nas minhas veias.

Um tiro de adrenalina percorre meu corpo e um grito de horror sai por meus lábios ao ver o corpo sem vida no chão, banhado no sangue. A parte de metal de um machado estava dentro de suas entranhas. Seus olhos estavam abertos e um líquido vermelho escorria por seus lábios. Olho para o homem agachado ao lado da vítima, analisando o rosto dela. A mulher morta era Lexie Grey.

– É isso que acontece quando as pessoas são curiosas demais! Uma pena que ela estava no corredor logo no momento que eu quebrei o vidro do box. – murmura o homem. Ele se levanta e as lágrimas se formam no canto dos meus olhos. – Por que você está prestes a chorar, Casanova? – pergunta Alex, franzindo o cenho ao me estudar. – Você sequer a conhecia!

– Alex... por que você? Logo você? – pergunto, quase perdendo a força nas pernas.

– Do mesmo jeito que você não conhecia Lexie Grey, Arizona, você não me conhece e nem conhece a minha família. – responde Alex, com um sorriso doentio. Seus olhos estavam brilhando de excitação. Ele se inclina e puxa o machado de dentro do abdômen de Lexie e me olha. – Surpresa? – pergunta, dando uma risada alta.

Eu dou passos para trás e Alex continua me encarando, com a mão na porta do elevador para ele não se fechar. Não penso duas vezes e começo a correr.

A mistura da música eletrônica entrando por meus ouvidos e a adrenalina correndo por minha corrente sanguínea estava gerando em mim uma ânsia de vômito. Eu corria sem olhar para trás, pois sabia que Alex e os outros ainda estavam me seguindo. Mentalmente eu dizia para mim mesma que eu acharia uma saída ou alguém para me socorrer, mas outra voz azucrinava que todos estavam na festa e que eu acabaria morrendo naquele alojamento assim como Lexie Grey.

Com minha audição mais aguçada eu consigo ouvir o barulho de passos no corredor. Eu viro uma esquina, levantando meu vestido o máximo que conseguia para ajudar meus pés cansados a se movimentarem. Eu mal conseguia correr por causa daqueles malditos saltos. E quando eu estava no meio do corredor a luz é cortada. “Outra pessoa fez isso...” choramingo.

Meu cérebro entra em completo desespero e minhas mãos começam a tremer. Pisco várias vezes para que minha pupila se adaptasse a pouca luz que entrava através da janela no fim do corredor. Era lua cheia e ela iluminava tudo ao redor mesmo com as nuvens densas. Chego ao final do corredor e seguro as lágrimas ao ver que não achara nenhuma saída. O barulho dos passos estava cada vez mais próximo. Eu podia sentir o cheiro de sangue.

Casanova? – Alex cantarola, atrás de mim.

Viro-me lentamente e vejo a sua silhueta no escuro. O metal brilha na porta do cabo de madeira. Eu podia escutar o pingar de sangue na ponta do metal. Com minhas pernas trêmulas, eu dou passos para trás na tentativa de aumentar a distância entre nós. E apenas paro de andar quando sinto a parede fria contra as minhas costas nuas do vestido. Tudo o que se passava na minha mente era que aquele era o meu fim.

– Não precisava ser assim, sinceramente. – a voz de Alex ecoa em meio à escuridão. Ele dá uma risada doentia enquanto caminhava em minha direção. Eu olho em seus olhos por alguns segundos. Aqueles mesmos olhos que já me transmitiram tanta coisa e agora estavam mortos. Alex coça o cavanhaque, mal percebendo que seus dedos estavam cheios de sangue. Ele era psicótico. – Agora... você vai morrer, Arizona.

Alex sorri, levantando o machado. A música eletrônica abafa o grito de socorro que sai por meus lábios e a última coisa que vejo é o brilho da lâmina fria vindo em minha direção.

“Por que você? Logo você?”

Notas finais
"E que os jogos comecem..." ~risada da Shonda~ muahahahahaha Deixem seus comentários, suas ideias, seus xingamentos, suas sentenças de morte, suas macumbas para acabar comigo e opiniões para a história. :D