Segundas Intenções
20 Capítulo 19
Notas iniciais
CALLIE PDV
Minha cabeça já não latejava como antes e diferente das outras vezes a dor estava concentrada em apenas uma região. Ainda de olhos fechados, eu passo a mão no alto da minha cabeça e solto um suspiro de dor ao tocar na área sensível. Meu corpo estava dolorido. Eu abro um olho devagar, por medo de alguma luz da janela bater contra minha retina, mas as persianas do quarto não deixavam os raios entrarem.
– Eu já disse que não quero nada demais... – a voz que eu reconhecia perfeitamente ecoa pelo quarto. Eu procuro por Arizona e a vejo deitada em sua cama, olhando para o teto e alheia ao fato que eu estava acordada. – Eu sei, Picasso, mas... – a loira fica em silêncio, esperando a outra pessoa responder. “Quem é Picasso?” meu cérebro indagava. – Eu algum dia conseguirei ganhar uma discussão? – pergunta Arizona, dando uma risada doce que faz um sorriso bobo aparecer no meu rosto. – Tudo bem... um bolo, alguns confetes e o típico parabéns, ok? – adverte Arizona, apontando para o ar acima dela como se estivesse em uma real discussão. – Não quero a mãe chorando ou Robert precisando sair no meio da festa para comprar algo, pois a última coisa que quero fazer é incomodar. – ela murmura, com um sorriso fraco. – É eu sei que vai ser meio impossível não fazer a mãe chorar. Tudo bem, eu vou chamar alguns amigos... tudo bem... eu também te amo, Picasso. Até mais!
Ela termina a ligação e continua encarando o teto por alguns segundos ainda não desconfiando que eu a estudava na outra cama.
– É seu aniversário? – pergunto. Arizona estremece, se assustando.
– Jesus... hãm... não. – ela suspira, colocando a mão no peito. Uma risada sem graça sai de seus lábios enquanto a loira me estudava ainda deitada. – Há quanto tempo você me observava?
– Alguns minutos. – respondo.
– Sua cabeça está melhor? – pergunta Arizona franzindo o cenho, preocupada.
– Por favor, não me diga que eu dancei em cima de uma mesa. – resmungo, passando a mão no meu couro cabeludo.
De fato eu me lembrava de ter dançado em cima de uma mesa, mas eram apenas borrões. Lembrava-me de ingerir uma grande quantidade de bebida e pessoas gritando ao redor de mim, me incentivando. Lembrava também que estava beijando... George O’malley. “Oh meu Deus...” meu cérebro choraminga.
– Dessa vez você se lembra, huh? – provoca a mulher, erguendo uma sobrancelha.
– Sim. – sussurro, envergonhada. Arizona me lança um olhar diferente, como se estivesse hesitando em falar algo.
– Não aconteceram muitas coisas... – diz Arizona, sentando-se na cama. – Mas preciso admitir que você estava bem sexy dançando naquela mesa.
– Eu me lembro de você beijar Leah. – falo antes mesmo de raciocinar o que saíra por minha boca. Um sorriso malicioso nasce no rosto de Arizona e ela me lança seu olhar típico.
– Eu me lembro de você beijar George. – retruca, no mesmo jogo.
– Você acha que eu estava sexy? – pergunto, segurando um sorriso.
– Você é sexy! – responde Arizona, me encarando. Eu visivelmente engulo seco. – E é ainda mais sexy quando demonstra ciúmes.
– Eu não estava com ciúmes! – rosno, na defensiva. A imagem de Leah e Arizona se beijando volta à minha mente e meu estômago aperta em desgosto. – Era você quem estava, pois saiu correndo da cozinha.
– Então você mentiu, pois disse que apenas se lembrava de borrões. – acusa Arizona, cerrando os olhos.
– E você não está negando, então é verdade. – retruco, com um sorriso vitorioso. Arizona fica em silêncio e eu de fato me surpreendo com isso. Ela me estuda e eu me sinto intimidada com seu olhar azul sobre mim. Inspiro fundo e tento não transparecer aquilo. – Então...
– Então... – repete Arizona, dando uma risada baixa. Eu olho no relógio na tela do meu celular e vejo que já eram duas horas da tarde.
– Oh meu Deus! Eu tenho aula! – sussurro, boquiaberta. Eu ameaço a levantar da cama, mas minha cabeça dá outra fincada.
– Ei... se acalme! Não consegui impedir que você apagasse ontem, então concussão ainda é uma possibilidade. – adverte Arizona, levantando-se para me impedir de ficar em pé. – Você vai sobreviver se faltar um dia.
– Tenho faltado às aulas com muita frequência, Arizona... – tento retrucá-la, mas ela me ignora por completo.
– Posso olhar? – pergunta Arizona, sinalizando pra minha cabeça. Eu sinalizo que sim e a mulher senta ao meu lado e analisa meu couro cabeludo. Eu solto um suspiro de dor quando ela toca na região. – Tem um pequeno corte, mas eu cuidei dele mais cedo. – murmura.
Eu olho para o meu corpo e vejo que eu estava dentro do meu pijama. Eu me lembrava de chegar ao quarto e apagar contra meu travesseiro quente, mas não me lembrava de trocar de roupa.
– Você quem me colocou pra dormir? – pergunto, com um olhar desconfiado.
– Uhum... – cantarola Arizona, levantando e caminhando até a mesa onde tinha uma garrafa com água gelada. Ela a pega e leva até seus lábios.
– Trocou as minhas roupas? – pergunto, erguendo uma sobrancelha.
– Não tive outra escolha... – murmura Arizona, com um sorriso de lado.
– Nós... hãm... não fizemos se... – gaguejo, sem graça.
– Não. – responde Arizona, segurando uma risada. – Dessa vez não.
– Graças a Deus... – suspiro, aliviada. Arizona ergue uma sobrancelha fingindo estar magoada com o que acabara de ouvir. – Eu quero dizer... – gaguejo, tentando me esquivar daquilo. – Não que não tenha sido bom... porque foi maravilhoso e... – digo e a mulher segura ainda mais sua risada. Eu rosno, sentindo minhas bochechas corarem. – Eu não quis dizer maravilhoso... eu quis dizer bom e...
– Está tudo bem, Calliope... – murmura Arizona, sorrindo. – Apenas lembre-se de respirar, ok? Não vou julgar você por isso!
– Droga... – resmungo, a me ver na situação embaraçosa. – Obrigada!
– Então quer dizer que você gostou do que aconteceu na sala de Anatomia Patológica? – ela pergunta, não resistindo.
– Arizona! – a advirto, com um olhar duro.
– O que foi, Calliope? – pergunta Arizona. Eu suspiro, sempre sentindo meu corpo arrepiar quando meu nome saía por seus lábios. – Vai negar que não ficou com seu corpo ansiando por mais depois?
– E você? – devolvo a pergunta, tentando intimidar Arizona. A mulher brincava com uma gota que escorria na lateral da garrafa com água.
– Tudo o que passa por minha mente é repetir aquilo. – responde, ainda sem olhar para mim.
Minhas entranhas apertam e eu inconscientemente mordo o lábio inferior em desejo. Arizona me olha, com um sorriso de lado ao ver que havia conseguido me deixar sem graça... de novo. Minha mente estava em uma constante briga com o restante do meu corpo. A voz azucrinante dizia que eu deveria ser racional, mas meu corpo ansiava por mais e mais. Eu deveria arriscar? E se sim, o que eu teria a perder?
– Você quer repetir? – pergunto. De repente o clima do quarto mudou para uma tensão sexual incontrolável.
– Não apenas repetir. – responde Arizona, com os olhos fixos nos meus. – Como fazer outras coisas...
Eu engulo seco. “Por que eu era tão frágil perante suas palavras?” meu cérebro brada. “Apenas aproveite o que Arizona tem a oferecer...” a voz de Addison atravessa minha mente. Eu mordo o lábio novamente, indecisa.
– Pare de morder seu lábio! – ordena Arizona, cerrando os olhos. – Fica difícil me concentrar assim.
– Você precisa se concentrar perto de mim? – pergunto, erguendo uma sobrancelha.
– Muito... – cantarola Arizona, sincera. Eu suspiro e lanço um “foda-se” para minha mente.
– Então me ensine! – murmuro, analisando os seios de Arizona atrás da camiseta cinza que usava.
– O que? – pergunta Arizona, confusa com minha frase aleatória.
– Me ensine o que quer fazer... – ronrono, pegando a mulher pela cintura e a puxando para perto de mim na cama. Eu ainda estava sentada e com isso a barriga lisa de Arizona ficava contra meu rosto, fazendo a mulher olhar para baixo, ainda atônita.
– Callie... – ela tenta falar, mas eu a interrompo.
– Não é você quem diz que não devemos pensar muito? – questiono-a. – Me ensine!
Arizona franze o cenho e eu vejo a intensa briga interna em que ela estava. Ela dá um passo para trás, livrando-se de minhas mãos e vira-se de costas para mim. Meu coração se aperta, achando que eu havia sido rejeitada. E por Deus, aquilo doía. Fico em silêncio por alguns segundos hesitando em dizer algo naquela situação embaraçosa em que eu me encontrava. Eu suspiro e ameaço me levantar da cama, mas Arizona vira-se novamente e me encara séria.
– Qual é... eu sou tão ruim assim? – pergunto, não querendo parecer machucada, mas de fato eu estava.
– Não, Calliope... não... – responde Arizona, com um olhar triste. – Eu sou a única pessoa aqui que não é boa...
E antes mesmo que eu pudesse questionar suas palavras Arizona dá um passo em minha direção e puxa meu rosto contra o seu. Meus lábios chocam com os seus e suas mãos seguram meu pescoço. Era um beijo diferente dos outros. Uma mistura de desejo e necessidade bagunçava meus sentidos. Meu corpo rapidamente respondia sabendo que aquele aroma se tratava de Arizona.
Ela me empurra para trás e me imobiliza debaixo dela contra a cama. Arizona estende minhas mãos por cima da minha cabeça com uma mão e a outra livre agarra meu rosto e prende completamente.
Sua língua penetrava na minha boca e eu me deleitava completamente daquilo. Sua perna direita sobe alisando a parte interna da minha esquerda e para seu movimento apenas quando faz pressão contra meu centro. Eu engulo um gemido por causa de seus lábios ainda dominando os meus.
– Não estamos bêbadas, não estamos de ressaca... não há desculpas. Você realmente quer fazer isso? – pergunta Arizona, erguendo seu rosto para me fitar. Seus olhos azuis olhavam para o interior dos meus. “Ela estava hesitando? O que isso significa?”
– Eu confio em você. – respondo, com minha respiração começando a ficar irregular.
– Não diga isso, Calliope. – sussurra Arizona, com seu olhar lhe traindo.
– Eu confio em você. – repito, apenas reproduzindo o que uma voz azucrinante gritava dentro da minha cabeça.
Arizona me encara por alguns segundos e eu vejo algo diferente passando por trás de sua imensidão azul. Ela lentamente sai de cima do meu corpo e pega meus pés, endireitando-me na cama em posição vertical. Coloco minha cabeça contra o travesseiro macio e anseio para que Arizona voltasse a me tocar. Ela sorri maliciosamente ao ver que eu estava necessitada.
– Ponha suas mãos na cabeceira, Calliope. – ordena Arizona. Eu lanço um olhar de soslaio para ela, não querendo obedecê-la daquele jeito. Ela cerra os olhos. – Agora!
– Ou o quê? – rosno.
– Ou eu vou torturar você até que não aguente mais e goze. – responde Arizona, com a voz séria. Um arrepio maravilhoso percorre todo o meu corpo e meu coração acelera. Decido então obedecê-la e seguro a madeira fria atrás da minha cabeça. – Melhor assim... – murmura a loira, com um sorriso vitorioso.
Ela sobe na cama e fica de joelhos. Arizona pega no elástico da minha calça de moletom e começa a puxá-la por minhas pernas até que ela já estivesse fora do meu corpo. Ela a joga do outro lado do quarto e estuda minhas pernas morenas à mostra. Vejo-a lamber os lábios visivelmente. Ela se inclina em direção ao meu centro e eu suspiro ansiosa. Com seu rosto perto do meu ventre, Arizona inspira fundo sobre o tecido vermelho de seda e geme entre dentes.
– Você cheira tão bem... – ela ronrona, com os olhos fechados. Eu gemo, com minhas entranhas queimando de desejo. “O que aquela mulher fazia comigo?” meu cérebro gritava em desespero. Inconscientemente eu solto a cabeceira e procuro tocar os cabelos loiros de Arizona. – Callie! Não! – adverte a mulher, lançando-me um olhar frio. – Você não vai querer que eu as coloque de volta...
– Argh... – resmungo e seguro com força a cabeceira outra vez.
Arizona sobe por meu corpo escorrendo sua mão quente por minhas coxas. Eu fecho os olhos, memorizando aquela sensação maravilhosa. Sinto-a pegar a bainha da minha blusa e subir por meu torço. Eu já estava pronta para soltar a cabeceira para ela passar a blusa por meus braços, mas ela não faz isso. Em vez, ela enrola a altura do pescoço e sobe de maneira que deixa descobertos minha boca e o nariz, mas cobre apenas os olhos.
– Arizona... o que você está fazendo? – pergunto, ao ver apenas preto. Sinto suas mãos sobre as minhas na cabeceira da cama, segurando-as no lugar que deveriam ficar.
– Mantenha suas mãos aqui... – sua voz estava contra meu lóbulo esquerdo e eu estremeço. – Não importe o que acontecer... mantenha elas aqui!
– Sim, senhora. – respondo, com um sorriso sarcástico. Escuto a risada rouca de Arizona ecoar e eu consigo imaginar seu sorriso malicioso.
Com a falta da visão todos os outros sentidos do meu corpo se aguçam. Eu suspiro alto ao sentir sua mão quente no meu abdômen. Ela as desliza até ficar em cima do tecido do meu sutiã. Arizona adentra no tecido e eu gemo ao sentir meus mamilos contra a palma de suas mãos. Ela os massageia lentamente e às vezes faz círculos com a mão aberta sobre eles. Arizona estava sentada em cima da minha cintura e eu ainda sentia que ela estava vestida.
Porém de repente eu sinto a perda de peso contra meu corpo e o barulho de alguém se levantando da cama. Eu não a via, mas podia sentir sua presença no quarto. Ouço seus passos até a mesa longa de estudos e então ouço o barulho de algo plástico. “A garrafa de água gelada!” meu cérebro diz, atordoado. Ela coloca a garrafa mais perto da cama, pois o barulho do plástico parecia mais próximo. Meu corpo zunia querendo mais contato, mas eu não me atrevia a retirar as mãos da cabeceira. Droga, eu estava apenas de calcinha e sutiã, presa a uma cama e totalmente à mercê de Arizona Robbins.
Com meu ouvido mais apurado ouço o barulho de roupas caindo no chão. De repente sinto as molas da cama rangeram novamente e sinto Arizona moldar seu corpo em cima do meu. Eu gemo ao sentir sua pele nua contra a minha. Ela estava completamente nua e eu sentia seus seios contra os meus. Reviro os olhos, mesmo com minhas pálpebras fechadas. Novamente escuto o barulho do plástico duro e Arizona se move em cima de mim. Sinto então sua mão imobilizar meu rosto e abrir meus lábios devagar. Seus lábios tocam os meus e eu os sinto frios por causa do líquido.
Arizona suga meu lábio inferior com vontade e o mantem preso contra seus dentes por algum tempo até os soltar com um “pop” audível. Ela continua sua trilha de beijos gelados por meu pescoço e eu suspiro. Sinto suas mãos também geladas deslizando até a base do meu sutiã em minhas costas. Minha pele estava queimando com a mistura de temperaturas. Sinto o ferro do fecho se desprender e segundos depois meus seios estavam livres do sutiã que os apertava.
– Você tem seios maravilhosos, Calliope... – ronrona Arizona, com sua voz rouca. – Eu sempre fui uma mulher de seios...
Novamente ouço o barulho do plástico e deduzo o que a loira fazia. Ela bebe o líquido gelado e segundos depois sinto seus lábios gelados entre meus seios. Eu arqueio meu quadril com a trilha molhada e gelada atravessando meu corpo até perto do meu umbigo. Arizona faz o caminho reverso, assoprando por cima e fazendo um arrepio elétrico cortar meu corpo por inteiro.
De repente sinto Arizona levar um seio à boca gentilmente. Eu gemo alto ao sentir sua língua gelada contra meu mamilo endurecido e sensível. Enquanto isso a outra mão vaga até meu seio esquerdo e toma meu outro mamilo entre o dedo indicador e o polegar.
– Oh Arizona... – eu suspiro alto, com meu corpo ruborizando por completo.
Arizona leva aquilo como um estímulo e continua. Sinto sua língua fazer círculos invisíveis ao redor de meus mamilos enquanto a outra massageava meu seio esquerdo sem cessar. Era maravilhoso o fato de não enxergar nada e apenas sentir, pois cada parte do meu corpo recebia os estímulos nos lugares certos.
Arizona resolve inverter os trabalhos e leva à boca meu seio esquerdo e começa a massagem no direito. Seus dedos brincavam com eles e sons guturais arranhavam minha garganta prontos para saírem. Uso minhas pernas, as únicas livres, e as entrelaço nas costas de Arizona, puxando-a para mais perto de mim. O peso da mulher cai sobre meu corpo e eu escuto sua risada rouca contra a pele do meu seio.
– Tenha calma, Calliope... – murmura Arizona. – Você pediu que eu lhe ensinasse e eu estou fazendo isso. – diz, perto do meu ouvido esquerdo.
Suas mãos descem por meu corpo juntas a seus lábios e sua língua. Ela beijava cada parte do meu corpo e eu estava totalmente viciada à sua pele na minha. Suas trilhas de beijos vão até perto do elástico da minha calcinha e ela me provoca, puxando-o lentamente por minhas pernas. Ergo minha cabeça, mesmo vendada e com as mãos na cabeceira e peço por mais agilidade, mas tudo o que eu tenho como resposta é uma risada rouca vinda da garganta da mulher. Ela amava me ver daquele jeito... submissa.
Lanço minha cabeça contra o travesseiro com força quando sinto seus lábios no meu ápice. Uma série de arrepios cortavam meu corpo, apenas esperando os próximos movimentos de Arizona. Com um movimento firme, Arizona dobra meus joelhos e abre mais minhas pernas para um completo acesso. Jesus... eu estava completamente indefesa. Ela massageia minhas panturrilhas e eu sabia que ela ainda continuava de joelhos na minha frente, como se estivesse... me estudando.
– Como você é linda... – ela ronrona. Sinto minhas bochechas corarem por meu corpo responder daquele jeito a ela. – Oh, Calliope... não tire suas mãos daí! – ordena Arizona.
E antes mesmo que eu pudesse retrucar sua fala eu escuto o barulho da garrafa novamente. Minha boca estava entreaberta e meu peito arfando. Sinto então sua boca gelada contra meus lábios externos e um suspiro alto sai entre meus dentes. Arizona executa sua língua por toda sua extensão de meu centro, reconhecendo e tomando nota da região. A loira imobiliza meu quadril, segurando-o dos dois lados.
Ela chupa os lábios delicadamente e ergo meu quadril, como resposta. Arizona me coloca no lugar novamente e continua seu trabalho em meus pequenos lábios. Minhas mãos suavam e coçavam para largar aquela maldita madeira da cabeceira. O fato dela nunca tocar em meu clitóris estava me deixando louca. Sua língua passa por minha entrada e ameaça ir para o norte, mas sempre regressava.
– Arizona... – eu imploro, com a voz ofegante. – Por favor... Eu preciso...
– Por favor? – repete a loira. Eu sentia sua voz rouca contra meu centro. – Por favor, o quê, Callie? Me diga o que você precisa e eu darei para você...
– Eu preciso que você me faça vir... – gemo, sentindo-a lamber minha entrada.
Uma risada rouca vem do fundo da garganta da mulher e então eu sinto sua língua tocar meu clitóris pela primeira vez. Uma descarga de prazer é liberada em meu corpo e eu arqueio meu busto, mas nunca soltando a cabeceira. Arizona começa a fazer movimentos circulares contra meu feixe de nervos e um gemido alto sai por meus lábios, mas eu me repreendo na medida do possível, pois ainda estávamos no alojamento e eu não queria que uma infeliz, ou sortuda, escutasse aquilo no corredor.
Arizona chupa meu clitóris endurecido delicadamente e executa sua língua por sua extensão. Eu estava em outro mundo. Eu não conseguia pensar mais nada, eu não sentia mais nada além das magias que ela estava fazendo em mim. Minhas entranhas e pele queimavam. Eu nunca havia me sentido daquele jeito e... oh meu Deus.... era maravilhoso!
Arizona continua seus movimentos, fazendo uma espécie de “oito” contra meu clitóris sensível. Sons guturais saíam por meus lábios. Sua mão direita solta a lateral do meu quadril e segundos depois eu sinto um dedo em minha entrada. Eu gemo e Arizona lentamente o penetra em minhas profundezas. Meus sulcos deixaram o caminho mais fácil e não demorou muito para que ela aumentasse a velocidade do único dedo.
Porém, Arizona sabia que ele não traria o prazer que eu necessitava e então sinto um segundo dedo me penetrando. Eu gemo, com uma falta súbita de ar. Arizona não para seus movimentos contra meu clitóris e continua me penetrando com uma velocidade estável.
– Oh meu Deus! – eu gemo, apertando a madeira contra minhas mãos. Minhas entranhas começaram a queimar de um jeito deliciosamente lento. – Arizona! Isso! Sim! – eu suspiro, enquanto ela massageava minhas paredes internas.
Começo a mover meus quadris de acordo com suas estocadas, com os minutos passando e meu corpo começando a responder. Meus músculos iniciavam seus espasmos e meus gemidos ficavam cada vez mais altos e roucos.
– Eu estou chegando... – gaguejo, ofegante. E como resposta Arizona retira seus dedos do meu interior e para a fricção de sua língua contra meu clitóris. – O quê? Não! Por quê? – eu grito, completamente desesperada por meu clímax, mas antes mesmo que eu retirasse minhas mãos da madeira ou reclamasse algo, Arizona gira meu quadril com força, colocando-me de barriga para baixo na cama.
– Coloque suas mãos de volta! – ela ordena, com a voz firme. Eu obedeço, mesmo estando totalmente atônita com a situação.
Arizona levanta meu quadril e me coloca de quatro no colchão. Sinto então sua língua lamber-me por trás. Eu estremeço quase caindo na cama. Arizona segura minhas pernas e continua chupando meu clitóris por trás, retardando meu orgasmo. Eu pressiono meu centro contra seu rosto, com a sensação forte do prazer percorrendo o meu corpo.
Meu coração estava prestes a sair por meu peito. E de repente quando sinto a perda de contato dos lábios de Arizona, ela introduz novamente dois dedos em minhas profundezas. Um grito sai por meus lábios ao sentir suas estocadas já constantes.
– Ari-Arizona! – eu suspiro, tentando respirar.
A mulher não para de penetrar-me com seus dedos e minhas entranhas rapidamente começam a ter espasmos mais fortes que os anteriores. Eu não conseguiria segurar muito tempo. Arizona dá um tapa em minha nádega esquerda com sua mão livre e um grito de surpresa sai por meus lábios.
O ar naquele quarto era de puro sexo e isso me deixava ainda mais excitada. Minha cabeça é puxada para trás quando ela pega uma boa quantidade de cabelo em sua mão esquerda. Ela continuava o trabalho com seus dedos enquanto me imobilizava à sua vontade.
– Venha, Calliope! – pede Arizona, com a voz rouca. – Venha na minha mão!
Eu aperto meus olhos quando a onda elétrica percorre meu corpo por completo. Meus músculos ficam rígidos e um gemido rouco e alto sai por meus lábios. Minha mente para de funcionar por aqueles longos segundos de puro prazer carnal. Minhas pernas bambeiam e eu caio sem forças na cama, buscando ar fresco para meus pulmões.
Perco contato com Arizona quando seus dedos saem das minhas profundezas e ela solta meus cabelos. Eu sequer tinha forças para abrir minhas mãos em volta da madeira da cabeceira. Meus ossos pareciam ser feitos de gelatina e era uma ótima e estranha sensação.
Sinto a presença de Arizona sobre meu corpo novamente e ela desenrola a blusa de minha cabeça e a sobe por meus braços, retirando-a. Eu abro os olhos devagar para me acostumar com a claridade depois do tempo em plena escuridão. Quando meus olhos finalmente focam a primeira imagem que vejo é a imensidão azul dos olhos de Arizona, deitada ao meu lado na cama de solteiro. Ao ver meu silêncio, a loira franze o cenho.
– Você está bem? – pergunta Arizona, apoiando a cabeça com o braço.
– Você me deu um dos melhores orgasmos da minha vida... – murmuro, dando uma risada sem graça. – Ainda pergunta se estou bem?
– Hum... – cantarola, com uma risada doce saindo por seus lábios. – Eu meio que sabia que seria assim...
– Não seja tão exibida! – provoco-a e um sorriso de covinhas aparece em seu rosto.
– Ok... me desculpe, mas... eu apenas lhe ensinei uma lição básica. – responde Arizona, erguendo uma sobrancelha sugestivamente.
– Isso é certo vindo de uma mulher que fala monólogos da vagina tão bem. – retruco, rindo.
– Então quer dizer que você aprovou? – pergunta Arizona, sorrindo. Eu mordo o lábio inferior e passo uma perna por sua cintura, sentando-me na mulher. Suas mãos vão até a base de minhas costas e ela estuda a visão dos meus seios. – Achei que você estava com dor de cabeça e não queria perder as aulas de hoje... – provoca a loira.
– Oh, eu conheço um remédio ótimo para dor de cabeça... – ronrono, inclinando-me sobre seu copo. Nossos seios se tocam e um gemido vem dos lábios da loira abaixo de mim. – E eu estou tendo aulas... sobre Anatomia Feminina. – sussurro e outra risada sai por seus lábios, provavelmente se lembrando de nossas conversas anteriores.
– Acredite em mim, Calliope... – sussurra Arizona, em meu lóbulo esquerdo. – Nessa disciplina minhas notas são muito altas!
– Hum... – ronrono, mordiscando seu lóbulo esquerdo. – Então me deixe mostrar se eu aprendi bem... – sussurro, lambendo seu pescoço.
Eu pego seus braços e coloco acima de sua cabeça assim como ela adorava fazer comigo. Um sorriso pervertido nasce eu seu rosto e ela coloca os braços por baixo do travesseiro. Eu continuo beijando, lambendo e arranhando entre seus seios brancos e firmes até seu umbigo. E sem que a loira esperasse eu executo minha mão em seu centro já úmido, fazendo um gemido de surpresa vir dos lábios de Arizona.
– Você apenas se engana em uma coisa... eu também entendo dessa disciplina, Arizona. – ronrono, sorrindo antes de foder durante a tarde inteira a mente daquela mulher.
Aos poucos minha mente vai se arrastando para a consciência. Meu corpo já estava acostumado com a dormência prazerosa que despertava nos últimos dias. Alongo-me na cama e abro os olhos devagar por medo dos raios solares baterem diretamente na minha retina, mas isso não acontece, pois já era noite. Eu me sento na cama e olho no relógio que marcava 20 horas. “Você provavelmente deve ter dormido depois do terceiro orgasmo...” meu cérebro caçoa.
Ao ver o quarto vazio, as imagens daquela tarde rondam a minha mente e isso trazia perguntas perturbadoras: o que tínhamos? Tínhamos uma amizade colorida como os outros “casais” tinham? Eu seria a próxima Leah Murphy?
Eu preciso admitir que ao pensar a última coisa uma risada sarcástica saiu por meus lábios. Meu estômago ronca, precisando de alimento depois da tarde agitada. Levanto-me da cama e procuro por algumas roupas apenas para que pudesse ir ao banheiro tomar um banho. Eu cheirava a sexo. Saio do quarto e caminho pelo corredor até o banheiro e mesmo que inconscientemente eu procurava entre as esquinas por Arizona. “Ela deve estar jantando...” meu cérebro tenta suprir minha curiosidade.
Depois de sentir meu corpo novo em folha por causa da ducha de água morna, eu saio do box do banheiro enrolada em minha toalha. Volto para o quarto, passo o cartão na porta e adentro para vestir roupas limpas. Depois de vestida, eu saio do quarto novamente e pego o elevador em direção ao térreo. Ao sair do cubículo de metal, sou cumprimentada por algumas garotas na recepção e eu retribuo com um sorriso alegre.
Atravesso o campus e chego até o refeitório. Empurro a porta de vidro e logo procuro por cima das cabeças cachos loiros específicos. Franzo o cenho ao ver que ela não estava ali. Aonde mais ela poderia estar? Saio do refeitório e olho para os lados. O prédio principal estava fechado então não havia como ela estar no terraço-jardim. A lavanderia e todos os outros prédios, com exceção da enfermaria, estavam fechados. Vou até a enfermaria, mas ela ainda não estava lá.
Confusa, eu caminho pelo pátio até que um estabelecimento me chama atenção. Uma risada sarcástica sai por meus lábios, sabendo que aquele seria o último lugar que eu encontraria Arizona Robbins. Mas, ainda assim eu precisava verificar. Adentro na biblioteca e cumprimento Rose. Havia poucas pessoas ali e isso ajudava meu trajeto entre as estantes. E quando eu chego à área de leitura minha boca abre surpresa. Arizona estava sentada à mesa, escrevendo como nunca em um caderno enquanto lia um livro que parecia ser Histologia Avançada II. Ela estava estudando...
– Essa com certeza essa era a última imagem que eu esperaria ver. – murmuro, caminhando até perto da mesa. Arizona levanta o olhar um pouco assustada, mas ao ver que se tratava de mim um sorriso nasce em seu rosto.
– O que? Não posso estudar? – pergunta a loira, largando a caneta em cima do caderno e alongando seus braços.
– Sim, você pode... – digo, sentando na cadeira à sua frente. – Eu apenas não esperava que tivesse mais forças depois de hoje à tarde... – sussurro, com um sorriso pervertido.
– Oh... Calliope... – cantarola Arizona, com uma piscadela. – Já disse para não esperar muitas coisas de mim.
– Não se preocupe, não farei isso. – respondo, entrando em sua provocação. Seu sorriso insiste por mais alguns segundos, mas aos poucos vai diminuindo. Ela me estuda por alguns segundos antes de suspirar e voltar a escrever em seu caderno.
– Já comeu? – pergunta Arizona, depois de alguns minutos com o silêncio reinando entre nós duas.
– Não. – respondo.
– Vamos... eu tenho certeza que tem pizza hoje. – murmura a loira, dando um sorriso amistoso. Ela se levanta e pega os livros em mãos. – Já provou pizza com chocolate?
– O que? – pergunto, estranhando e Arizona dá uma risadinha. Caminhamos pelos corredores, nos aproximando da recepção.
– Não julgue antes de provar, Calliope! – adverte Arizona, com uma piscadela maliciosa. Eu reviro os olhos. – O quê? Eu posso te mostrar coisas que nunca provou antes! – completa a loira, com um ar superior.
– E o que te faz pensar que eu não posso também? – pergunto, me aproximando de seu ouvido para que as outras pessoas ali não escutassem.
– Eu não duvido. Porém, me deixe lhe mostrar o que a vida tem de melhor. – responde Arizona, olhando para mim enquanto passávamos pela porta da biblioteca. Eu estudo seu olhar que de fato parecia sério. – Você confia em mim? – pergunta Arizona, parando de andar e me encarando.
– Eu tenho outra escolha? – respondo do mesmo jeito que já fiz outras vezes. Um sorriso alegre nasce no rosto da loira, sabendo que aquele era o meu “sim” e ela oferece a mão para mim. Eu inspiro fundo e aceito. Além do mais... o que eu tinha a perder?
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