Notas iniciais
Por que algo me diz que todo aquele romance ainda não foi o suficiente para mudar a visão de Arizona? Ou... será que sim? Obs1: Recomendo que ouçam a música Super Psycho Love do Simon Curtis no PDV da Arizona, quando ela bebe o quarto copo de vodca e caminha até Callie. (aleluia, irmãos? ...). Obs2: Novamente eu quero agradecer pela recomendação que recebi e também pelos comentários. Fico super feliz com todos eles! Saibam que eles sempre serão bem vindos! ♥ Me perdoem por qualquer erro de português.

CALLIE PDV

Um gemido preguiçoso sai por meus lábios quando aos poucos eu vou ganhando consciência do bom sono que tinha. Eu me alongo ao máximo e inconscientemente um sorriso nasce em meu rosto, por causa da imagem de Arizona me beijando voltando à minha mente.

Depois daquele momento no corredor, nós duas fomos para o restante das aulas do período vespertino e noturno. Após, fomos ao refeitório para jantarmos e Arizona e eu dividimos uma mesa... apenas nós duas. Eu podia sentir o olhar de todos àquela cena, mas, Arizona parecia não se importar e consequentemente, nem eu.

Eu já vi você sorrir dormindo... – a voz de Arizona ressurge e eu abro os olhos, assustada. Vejo a loira em pé ao lado da minha cama com um sorriso malicioso. – Mas sorrir quando acorda? Apenas vi agora.

– Hãm... – gaguejo, envergonhada pela razão do sorriso. – O que você quer?

– Eu tenho uma dúvida. – começa Arizona, sentando-se na ponta da grande mesa. – Como durante os dias úteis você consegue acordar tão cedo e em finais de semana parece querer hibernar? Porque... já são quase 11 horas de um Sábado!

– Você não deveria estar em aula? – rosno, sentando-me na cama e com o lençol sobre meu corpo para tentar esconder algo que eu nem sabia o que era.

– Não estou mais tão atrasada das disciplinas, então não preciso de aulas extras, Callie. – responde Arizona, dando uma piscadela para mim. – Graças a você.

– Mesmo assim... não deveria perder aula. – digo, querendo apenas que a mulher saísse. A presença dela me deixava confusa, principalmente quando ela sorria do jeito que estava naquele momento... como... se pudesse me comer com o olhar.

– Você está bonita nesse pijama. – sussurra Arizona, semicerrando os olhos. – Eu devia ter dito isso antes.

– Argh... – suspiro, revirando os olhos sem graça.

– Mas vai ser uma pena, porque você vai precisar tirá-lo. – completa Arizona, com um sorriso de covinhas. Eu engulo seco.

– O quê? – sussurro, com uma descarga de endorfina em meu corpo. Eu cruzo minhas pernas e Arizona percebe, o que a faz dar uma risadinha baixa.

– Vamos sair, Callie. – responde a loira, segurando uma risada.

– Vamos sair para onde? – pergunto, confusa.

– Vamos apenas sair. – retruca Arizona, dando de ombros. – Eu lhe contei que nos finais de semana eu trabalho no Joe’s? – pergunta a loira e eu continuo com a expressão confusa. – Joe’s é um bar perto do meu apartamento de classe média. Eu comentei isso? Acho que não, mas... não importa! Eu trabalho lá para conseguir algum dinheiro e como mês passado nas férias eu trabalhei mais dias, Joe, o dono, me deu um pagamento extra. Então, levante, troque de roupa e vamos sair!

– O quê? – gaguejo, ainda atordoada. Arizona revira os olhos, sem paciência.

– Qual é, Calliope... não pense, apenas aja! – ordena Arizona, abrindo o guarda-roupa para mim. – Vou te esperar no estacionamento em dez minutos. Não me faça voltar para te buscar! – ameaça, apontando um dedo para mim. A loira sorri e sai pela porta, fechando-a atrás de si.

Eu balanço a cabeça ainda tentando racionar tudo. Arizona vivia em um bairro de classe média? Até faria sentido depois de tudo o que ela me contou. Levanto-me e vou até o banheiro para me arrumar. Volto e contrariada, começo a procurar alguma roupa no guarda-roupa. Uma calça jeans escura, blusa e minha jaqueta favorita estavam mais que ótimas para o frio da manhã de Seattle.

Cerca de quinze minutos depois eu estava dentro do elevador indo para o térreo. A porta de metal se abre e eu passo pela recepção do alojamento A. Caminho pelo pátio e vejo alguns jovens transitando pelo campus em direção às aulas ou simplesmente matando-as. Ando até o estacionamento e olho para os lados, procurando por Arizona.

Você me fez esperar cinco minutos... – a voz de Arizona ecoa nas minhas costas. Viro-me rapidamente e minha boca fica seca. A loira estava sentada na moto e retirava o capacete da cabeça, com os cachos loiros caindo sobre seus ombros e abrindo um sorriso de covinhas. Oh, Deus... “Agora você entende o porquê de todas as mulheres serem atraídas por ela...” meu cérebro provoca. – Você vem ou não? – pergunta a loira, erguendo a sobrancelha sugestivamente.

– Primeiro me fala aonde vamos. – digo, cruzando os braços na frente do corpo.

– Eu já disse... nós vamos sair. – responde Arizona, girando a chave na ignição. Eu continuo estática e ela rosna. – Eu prometo te contar se você subir na moto. Vamos lá, Calliope... dê uma pausa! Deixe se levar! Você não disse que queria conhecer outros lugares? Novas pessoas e novas sensações? Então vamos lá! Os problemas ainda estarão aqui quando voltarmos. Afaste-se disso por uns cinco minutos... – diz a loira, dando um sorriso amistoso e mostrando o segundo capacete na outra mão. – Cinco minutos!

– Argh... – suspiro, com a luta interna em aceitar ou não. “Seus pais ainda estão em Londres...” meu cérebro incentiva. Viro-me e encaro a mulher que sorria. – Estarei segura com você?

– Sim. – responde Arizona, calmamente.

– Promete não fazer nenhuma bobagem?

– Sim.

– Posso confiar em você? – pergunto, semicerrando os olhos. Arizona hesita e depois dá outro sorriso.

– Suba na moto, Callie! – ordena a loira, colocando o seu capacete na cabeça. Eu suspiro, sabendo que aquela era uma péssima ideia. Pego o capacete de sua mão e passo uma perna subindo na moto. – Você vai precisar passar as mãos na minha cintura. – comenta Arizona. Eu reviro os olhos e abraço-a por trás. A mulher dá uma risadinha vitoriosa e acelera a moto.

O vento frio batia contra o meu corpo. Eu observava as pessoas nas calçadas, algumas dentro das lojas, outras dentro de seus carros, mas todas entretidas com algo que parecia muito importante. O cheiro de Arizona entrava por minhas narinas e eu tentava ignorar isso. Passamos por perto da praia e eu pude ver as pessoas aproveitando uma das raras manhãs de sol de Seattle. E depois de vinte minutos de viagem quase no extremo da cidade, Arizona para em um dos obrigatórios semáforos.

– Tudo bem... agora me diga aonde estamos indo. – digo, com a minha voz abafada pelo capacete.

Estamos indo para Portland. – responde Arizona, com a voz também abafada. Eu franzo o cenho, confusa sem poder ver seu rosto.

– Sem brincadeiras, Arizona. – falo, séria. – Para aonde estamos indo?

Eu estou falando sério... estamos indo para Portland.

– Não. Isso não... quero dizer, não podemos ir para outro estado! – retruco, retirando capacete.

Callie, coloque o capacete, por favor! – rosna Arizona, olhando-me por cima do ombro. – Não quero ser multada por isso.

– Não podemos ir para outro estado! Isso fica há duas horas e meia daqui!

Claro que podemos! – replica Arizona, retirando o seu capacete. Ela vira o rosto para mim. – E estamos indo. Agora dá para colocar esse maldito capacete de volta?

Eu reviro os olhos com raiva, mas mesmo assim obedeço a mulher, pois o sinal havia mudado para o verde. Os carros rapidamente começaram a buzinar atrás de nós. Arizona coloca seu capacete e acelera a moto.

A viagem continua. Passamos pelo extremo do estado e eu pude observar a paisagem montanhosa. As árvores estavam ainda mais verdes e o ar ainda mais puro à medida que nos distanciávamos de Washington e atravessávamos a fronteira de Óregon.

Passamos por Vancouver e nem quinze minutos depois já se podiam avistar os arranha-céus de Portland, mas quando adentramos na cidade, Arizona evitou a via principal para o centro e virou à esquerda. Já era próximo das duas horas da tarde quando a loira estacionou a moto perto de um estabelecimento que dizia “Nancy’s Bar”. Eu desço da moto, retirando o capacete e estudo a estética rústica e as cadeiras e mesas de madeira do lado de fora.

– Sério? – cantarolo, com desdém. – Viajamos até Portland para virmos a um bar? – pergunto, virando-me para Arizona que retirava o capacete.

– Eu gosto desse bar. – responde Arizona, dando de ombros. Eu reviro os olhos e sigo a mulher em direção à entrada.

Empurramos a porta e o sino em cima sinaliza a chegada de novos clientes. Algumas pessoas comiam e conversavam nas mesas perto das janelas de vidro, outras jogavam sinuca no lado direito do bar. Do lado esquerdo estava o grande balcão, com mais pessoas bebendo e cantarolando com a música que vinha de um Jukebox no fundo.

– Isso aqui parece não ter visto as belezas do século XXI. – zombo, dando uma risadinha.

– Não fale assim de Nancy. – adverte Arizona, com uma expressão séria para mim.

– Nancy? – pergunto, confusa. Mas antes que a loira pudesse me responder um grito corta o ar.

Oh meu Deus! – o grito feminino corta o ar. Eu sigo a voz e vejo uma mulher morena e alta atrás do balcão. Um pano estava em sua mão, mas ela o joga longe. Ela tinha um corpo esbelto, cachos negros e um sorriso largo. – Meus olhos estão me pregando uma peça ou Arizona Robbins acabou de entrar no meu bar novamente? – pergunta a mulher, surpresa.

– Quem é viva sempre aparece, Nancy. – responde Arizona, abrindo os braços sugestivamente. A mulher senta no balcão e passa as pernas por cima e com um pulo estava do outro lado.

– Minha doçura... – ronrona a morena, analisando Arizona dos pés à cabeça.

E mais rápido que pude processar Nancy pega o rosto de Arizona e puxa contra o seu, unindo os lábios das duas. Minha boca abre, assustada. Eu fico congelada ao lado de Arizona, observando e escutando o gemido das duas. Eu pigarreio alto sinalizando que eu ainda estava ali.

– Oh... – suspira Nancy, dando um passo para trás. Ela limpa os lábios avermelhados, enquanto Arizona fazia o mesmo. – Espero que essa não seja sua namorada ou caso contrário estarei encrencada.

– Essa é Callie Torres. – responde Arizona, me apresentando. – Callie, está é Nancy Rose... a minha primeira namorada.

– Oh, bons tempos aqueles, doçura. – cantarola Nancy, com um sorriso pervertido para a loira. – Me desculpe a recepção, é que eu prometi beijar essa mulher no segundo que eu a visse de novo.

Eu dou um sorriso amarelo apenas para simpatizar. Por mais que eu quisesse evitar, uma raiva enorme circulava em meu corpo em relação àquela mulher. Arizona percebe a tensão e decide terminar com isso.

– Por que você não arruma algumas doses para nós, huh? – pede Arizona, dando uma piscadela para a mulher. Nancy sorri maliciosamente e obedece, pulando de volta o balcão e caminhando até o fim do mesmo para escolher uma garrafa. – Você não vai achar ruim se bebermos agora, vai? – pergunta Arizona, olhando para mim.

– Às duas horas da tarde? – rosno, evitando fazer contato visual com a mulher. – Fique a vontade sozinha.

Arizona cerra os olhos fingindo estar magoada com a minha resposta. Ela caminha até o balcão e senta em um dos bancos e eu para não ficar estática e sozinha no meio do bar faço o mesmo. Nancy volta e coloca uma fileira de copos de tequila em cima do balcão e começa a derramar o líquido dentro deles.

– Prestem atenção todos! – grita a mulher. Homens e mulheres que bebiam no balcão nos olham. – Aqui está a mulher que abriu meus olhos para as belezas da vida, mas que esmagou meu coração em milhões pedacinhos... – diz Nancy rindo e pegando um copo e virando-o na boca.

Arizona faz o mesmo e em seguida pega o meu e vira também antes que Nancy percebesse minha falta de interesse. Eu dou um sorriso amigo como resposta para Arizona que retribui outro. A morena suspira, com a ardência do álcool e se inclina no balcão.

– Então... como vocês começaram a namorar? – pergunta Nancy para mim, de fato interessada.

– Oh, não. – respondo, com um sorriso falso. – Não estamos...

– Querida, se não estão namorado com certeza estão se pegando. – responde a morena, como se aquilo fosse óbvio. De repente eu sinto minhas bochechas queimarem. – De qualquer maneira apenas aproveite a viagem! – completa, dando uma piscadela amistosa.

– Tudo bem... – sussurro, sem graça. Eu olho para Arizona e vejo a mulher rindo baixo. Eu rosno e dou um chute em sua canela. Ela resmunga e me lança um olhar duro. – Como você se conheceram? – pergunto.

– Nancy era filha da minha professora de Biologia no ensino médio. – responde Arizona, dando um sorriso malicioso. – E também era da minha sala, então uma coisa levou a outra e...

– Conte a história direito, Arizona! – adverte Nancy, com um olhar de soslaio para a loira que dá de ombros. – Tudo teve início em um dia que ela foi estudar comigo na minha casa.

– Oh, a mesma desculpa, huh? – rosno, semicerrando os olhos para Arizona que engasga com outro tiro de tequila.

– Apenas momentos diferentes, Callie. – responde Arizona, limpando o queixo.

– Uhum... – cantarolo.

– Aquele estudo mudou o meu mundo. – ronrona Nancy, sorrindo para Arizona.

– Eu agitei o seu mundo. – responde Arizona, com uma piscadela. Eu reviro os olhos, enojada daquilo. As duas compartilham uma risada e Nancy vira-se para mim.

– Ela é boa de cama, não é? – pergunta a mulher, inocentemente. Meus olhos arregalam com a pergunta. – Mas, não se preocupe, querida. Na maioria das vezes ela é apenas uma conquistadora de quinta categoria. – completa Nancy, virando outro tiro de tequila. Eu sinto Arizona ficar tensa ao meu lado e o sorriso que reinava em seu rosto vai morrendo aos poucos, enquanto Nancy a encarava com um olhar frio. – Então, seu nome é Callie, certo?

– Sim. – respondo, sem graça.

– Eu vou trazer um hambúrguer da casa para vocês. – diz Nancy, amigavelmente. – Você parece estar com fome se veio de Seattle até aqui.

– Oh, claro. – murmuro, educadamente.

Eu analiso a situação e vejo que Arizona ainda continuava em silêncio. Um sorriso vitorioso ameaça nascer em meu rosto ao ver que Nancy não era tão ruim quanto eu pensava.

– Algo me diz que as coisas entre vocês não terminaram bem. – murmuro, encostando meu ombro no de Arizona para balançá-la.

– Namoramos até o terceiro ano e você sabe esse negócio de ir para universidade termina com todos os relacionamentos de escola. – responde Arizona, fazendo um movimento banal com as mãos. – Ela foi fazer Publicidade em Ohio, mas não deu muito bem com o ambiente e veio para Óregon tentar a sorte. Dois anos atrás nos encontramos aqui enquanto eu... bem... aproveitava um final de semana com Alex e Teddy. Então eu descobri que ela trabalhava aqui.

– Parece que universidade não deu muito certo para ela. – digo.

– Parece que não. – concorda Arizona, com um sorriso triste.

Pouco depois Nancy volta com duas bandejas em mãos. Ela coloca os hambúrgueres em nossa frente junto com os molhos e uma porção de batatas fritas na lateral.

– Aqui estão. – diz Nancy, cordialmente.

– Poderia me dar uma cerveja? – pede Arizona, tentando ser educada.

– Claro, doçura. – responde Nancy, sorrindo. A voz azucrinava na minha cabeça para não fazer aquilo, mas eu a ignoro.

– Eu também vou querer uma. – digo, sinalizando para Nancy. Arizona vira-se para mim, surpresa.

– O quê? – cantarola a loira, com um sorriso sarcástico. – Não foi você quem disse que não beberia comigo às duas horas da tarde?

– Dar uma pausa, lembra? – pergunto, dando de ombros. – Por cinco minutos? Bem... esses cinco minutos precisarão de uma cerveja... ou muitas.

– Aqui, garotas. – diz Nancy, entregando as garrafas geladas para nós. Arizona inclina a sua para mim e nós brindamos, com o tinir ecoando. Nancy sorri e diz que iria atender outros clientes e caminha até a outra extremidade do balcão.

Ao fundo uma música ressurge do Jukebox lembrando as dos anos 90. Uma mulher, já aparentemente bêbada, comemora e começa a dançar ao redor da máquina. Eu seguro uma risada e começo então a comer meu hambúrguer. Mordo um pedaço e sinto o azedo em minha boca.

– Picles. – murmura Arizona, mastigando o seu para me provocar. – Eu amo os Picles daqui.

– Eu odeio Picles. – retruco, engolindo com certa dificuldade. – Na verdade, eu odeio salada.

– Você tem esse corpo e odeia salada? – pergunta Arizona, franzindo o cenho. Levanto uma sobrancelha sugestivamente e a loira dá de ombros. – Apenas disse a verdade. Você tem um ótimo corpo!

– Isso é uma de suas artimanhas? – pergunto.

– Artimanhas? – pergunta Arizona, rindo. – O que você quer dizer com isso?

– Seus truques de sedução. – murmuro e a risada da mulher aumenta. – É assim que você faz lésbicas e bissexuais caírem em seus truques?

– Acredite ou não, Calliope, nem todas as garotas que eu já fiquei são lésbicas ou bissexuais – responde Arizona, me lançando seu olhar azul. – O grande ponto de tudo é a persuasão. Algumas garotas apenas não conseguem resistir a uma boa aparência, uma boa conversa e a um bom charme.

– E você se acha isso tudo? – pergunto, com desdém.

– Por que não pergunta para as mulheres com que eu já dormi? – retruca Arizona, jogando uma batata na boca. Minha expressão fecha e meu corpo reage de um jeito estranho àquilo.

– Não vai ser fácil achar uma. – rosno, bebendo um gole de cerveja. O álcool desce por minha garganta e queima por onde passa.

– Eu senti ciúmes na sua fala, Callie? – pergunta Arizona, sorrindo.

– Eu? Com ciúmes de você? Me poupe, Arizona. – rosno, quase ofendida.

– Tudo bem então... – sussurra, bebendo um gole de sua cerveja.

– Você realmente precisa melhorar nas suas cantadas! – digo, revirando os olhos.

– Quem disse que elas não estão funcionando? – pergunta Arizona, franzindo o cenho.

– Não fui pra cama com você ainda. – respondo rápido demais e mordo a língua. Arizona ergue uma sobrancelha, surpresa com minha resposta. Eu gaguejo, tentando consertar aquilo. – Eu quero dizer... eu não... eu não vou pra cama com você!

– Eu não disse nada, disse? – retruca a loira, com uma piscadela.

– Você disse que não teria segundas intenções. – advirto a mulher.

– Segundas intenções são inevitáveis. – responde Arizona, dando de ombros. – Mas, podemos ficar aqui discutindo sobre minhas artimanhas ou você pode aproveitar sua pausa e ser a jovem livre que sempre quis ser.

Eu semicerro os olhos, analisando a situação. Arizona parecia inofensiva ali, sorrindo para mim enquanto comia seu hambúrguer. Decido então seguir o conselho da mulher... deixar rolar por algumas horas não vai dar em nada, vai?

“Oh, como eu estava enganada sobre isso”.

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ARIZONA PDV

Bebendo um gole da minha cerveja e sentada em um banco contra o balcão, eu observava Callie dançar U Can’t Touch This do Mc Hammer junto com uma mulher de quase quarenta anos na pista de dança. Um grupo e homens e mulheres aplaudiam e assistiam a tudo, rindo e se divertindo. Um sorriso megawatt estava em seu rosto e eu sabia que ela apenas fazia aqueles movimentos por causa do álcool que percorria seu sistema.

Já era próximo das 20 horas e aquela tarde pareceu voar. Eu e a morena conversamos sobre mais diversos assuntos, de fatos sobre nossa família até os mais banais como o preso da gasolina. Era fácil conversar com Callie Torres. Tudo era normal entre nós, exceto ao fato que às vezes a mulher completava minhas falas como se soubesse o que eu estava pensando.

E quando isso acontecia, eu entrava em uma pequena briga interna. Sim, eu havia levado Callie para o bar em busca de cumprir minha aposta naquela noite. Sim, eu havia embebedado Callie para isso. E sim, eu era essa filha da mãe egoísta. Mas ao ver a morena se divertindo como nunca a culpa começou a me corroer, de novo.

– Por favor, não me diga que você está brincando com essa garota, Arizona. – sussurra Nancy, limpando o balcão na minha frente.

– O que faz você pensar isso, Nancy? – pergunto, virando apenas o rosto para a mulher morena alta, bonita e que um dia já me fez gritar até ficar rouca em seu quarto.

– O jeito que ela olha para você. – responde.

Eu olho para Callie e vejo-a sorrindo para mim. A morena me convida para dançar, mas eu balanço a cabeça negando amistosamente e sinalizo que precisaria estar mais bêbada para fazer aquilo.

– O que tem o jeito que ela olha para mim?

– Ela está se apaixonando por você, idiota. – retruca Nancy.

– Não, ela não está. – replico, confiante.

– Até hoje você não entende nada sobre sentimentos, não é? – rosna a morena, com um suspiro cansado.

– Você foi a única que eu me apaixonei. – digo, com um sorriso de covinhas.

– Uhum... e isso passou bem rápido, não foi?. – bufa a morena, me conhecendo de fato. Eu dou de ombros e tomo outro gole da minha cerveja. – Ela parece ser uma boa garota. O que ela fez para virar o seu alvo?

– Não fale assim, Nancy... – digo, fingindo estar magoada. – Não faço tudo por interesse.

– Eu sei que você apenas se interessou por mim pelo fato que eu era filha da professora de Biologia e você queria algo para comentar com suas amigas e amigos. Anda logo e me diga, por que você está fazendo o que está fazendo com Callie? – pergunta Nancy, cruzando os braços na frente do corpo.

– Foi uma aposta. – respondo, com um suspiro. – Era isso ou perder a minha moto para um idiota.

– Você vai fazer ela se apaixonar por você por causa de uma moto? – sussurra Nancy, assustada.

– É a única coisa que eu tenho do meu irmão, Nancy, você sabe disso! – retruco, me defendendo.

– Jesus... você é sádica. – rosna Nancy. Eu engulo seco ao ver o olhar de nojo da mulher em cima de mim.

– Não ouse contar isso para ela! – rosno, apontando um dedo.

– Eu devia contar! – replica a morena, balançando a cabeça. – Eu realmente devia, mas aprendi que apenas sou feliz quando estou fora da sua vida, Arizona Robbins. – diz Nancy, limpando o balcão na minha frente e caminhando para a outra extremidade.

Eu observo-a caminhar e bebo um gole da minha cerveja, calma. Nancy não contaria, pois ela não teria coragem. A música termina e Callie se aproxima de mim, com a respiração irregular e um sorriso largo.

– Oh, eu preciso disso! – diz Callie, pegando a garrafa de cerveja das minhas mãos e tomando o restante do líquido. Ela cambaleia para trás e eu pulo do banco para segurá-la.

– É melhor essa ser a sua última. – digo, pegando a garrafa e colocando em cima do balcão.

– Qual é... não são nem seis horas da tarde ainda... – retruca Callie, dando uma risada bêbada.

– Callie, já são quase oito horas. – respondo, apontando para a janela. Lá fora a escuridão começava a engolir tudo ao redor.

– Ainda dá tempo para mais uma cerveja...

– Não. – digo, entrando no caminho da mulher que já caminhava em direção ao balcão. – Eu não posso beber mais porque irei dirigir e você... você já está bêbada!

– Eu não estou bêbada. – replica Callie, com a típica teimosia de uma pessoa bêbada.

– Vamos embora. – murmuro, pegando minha carteira para pagar a conta.

– Pode deixar. – adverte Nancy, com os braços cruzados na frente do corpo do outro lado do balcão. – Fica tudo por conta da casa... porque acredite, Callie, você vai querer esquecer esse dia. – completa, com uma expressão séria. Pego os dois capacetes no balcão, com um suspiro cansado. Eu lanço um olhar frio para Nancy e começo a guiar Callie para a saída.

– Ela é tão gente boa, não é? – diz Callie, dando um tchauzinho para Nancy antes que eu fechasse a porta. – Eu amo sua ex, Arizona. Acho que estou apaixonada por ela.

– Aham... tenho certeza que sim. – sussurro, revirando os olhos para aquilo.

Subo na moto e coloco a chave na ignição. Callie monta na moto também e eu a entrego o segundo capacete. Callie o coloca e eu faço o mesmo. A morena abraça minha barriga e coloca a cabeça contra minhas costas prestes a dormir. Inconscientemente aquilo faz um sorriso nascer no meu rosto e dou partida na moto, acelerando.

Eu dirijo com cuidado, pois sabia que havia álcool no meu sistema. Já era próximo da meia noite quando adentramos na área universitária novamente depois de precisar parar diversas vezes em postos de gasolina para que Callie fosse ao banheiro. Mentalmente eu agradecia por não estar passando mal.

Estaciono a moto em uma vaga e retiro a chave da ignição. Callie pula da moto e eu faço o mesmo. A morena estava com um sorriso genuíno enquanto me entregava seu capacete. Eu franzo o cenho, ao ver aquilo. Caminhamos até o alojamento A e adentramos na recepção, cumprimentando Olivia. A mulher nos lança um olhar desconfiado e Callie tenta ao máximo parecer sóbria.

Entramos no elevador e apertamos o terceiro piso. Quando a porta de metal se abre, caminhamos até o nosso quarto. Passo meu cartão e adentramos, fechando a porta atrás de mim. Acendo a luz, jogando o meu capacete e o outro que havia pegado emprestado de Teddy em cima da cama.

Eu esperava que Callie estivesse cansada o suficiente para desmaiar na cama e entrar em sono profundo, mas em vez disso, a mulher vai até o guarda-roupa e retira um vidro de Gatorade do meio de suas roupas íntimas.

– Addison sempre guardava aqui. – murmura, balançando a garrafa de líquido branco que deduzi ser vodca.

– Você já bebeu muito por hoje, não acha? – pergunto, franzindo o cenho.

– A noite é uma criança, Arizona, não acha? – ronrona Callie, lançando-me uma piscadela maliciosa. “Ela deu em cima de você?” meu cérebro brada. Callie abre a gaveta da mesa de estudos e retira dois copos plásticos e derrama o líquido dentro deles. – Aqui, tome. – diz a morena, me entregando um. – Você precisa de mais álcool para dançar, certo?

– O que você quer dizer... não tem música aqui, Callie. – digo, dando uma risada sem graça. Callie retira o celular do bolso e o balança, mostrando que agora teria. Ela seleciona uma faixa sensual e o coloca em cima da mesa.

– Amanhã é domingo, de qualquer jeito. – completa a morena, dando de ombros. Ela pega minha mão e obriga-me a brindar os plásticos. Ela começa a se mexer de acordo com a música e a beber. Eu pego um gole do líquido e suspiro com a ardência do álcool. – Música é feita para se dançar, Arizona... – cantarola Callie.

Eu sorrio e bebo outro gole da vodca. Os movimentos de Callie ficavam cada vez mais sensuais e persuasivos com o passar das músicas. “Há quanto tempo estávamos ali?” meu cérebro pergunta, mas eu sequer me importava. Eu poderia ficar horas olhando as curvas daquela mulher. Respiro fundo, tentando escolher qual lado seguir: levar Callie para cama, aproveitando sua embriaguez ou obrigá-la a parar de beber antes que ela se arrependesse daquilo.

Meu sistema começara rapidamente a responder à mistura de cerveja, tequila e vodca. O quarto parecia estar a 40 ºC. Callie fixa seu olhar no meu e me convida, com um dedo em sua direção. Eu bebo o meu quarto copo e caminho até ela, com o meu juízo um pouco alterado. A morena puxa minha cintura até que nossos corpos estivessem unidos. Sua respiração quente estava centímetros do meu rosto.

Lentamente Callie começa a requebrar, obrigando-me a seguir seus movimentos. Sua perna direita segue caminho entre as minhas pernas e eu suspiro quando a morena faz pressão contra o meu centro. Meu cérebro já não processava nada bem e depois daquilo ele entrou em completo colapso. Eu tento diminuir o espaço entre nós e unir nossos lábios, mas a mulher dá um passo para trás e vira-se de costas.

Callie começa então da dançar contra o meu corpo. Meu centro estava em chamas e eu mal conseguia respirar. Eu estudo suas curvas maravilhosas e minha boca imediatamente fica seca. Aquela mulher era de outro mundo. Jogo meu copo para o lado e coloco minhas mãos em sua cintura, começando de fato a me movimentar com ela. Eu inspiro cheiro do xampu de seus cabelos, inibindo meus sentidos. Callie vira novamente e coloca os braços sobre os meus ombros, fazendo nossos rostos centímetros um do outro.

Agora me diz... quem quer beijar quem? – ronrona no meu lóbulo esquerdo e eu sinto seu hálito quente contra meu pescoço.

Eu sorrio sugestivamente e Callie tem sua resposta. Ela puxa meu rosto para um beijo forte e áspero. Sua língua não perde tempo e penetra na minha boca. A morena me empurra até o guarda-roupa e minhas costas batem contra a madeira dura e fria. Minhas mãos vão até sua cintura e puxam seu corpo contra o meu, mas... eu não estava completamente ali. “Você não quer fazer isso! Não assim... não agora!” a voz azucrinante gritava. Eu desconecto nossos lábios e Callie me olha confusa.

– Callie... você está bêbada... – tento falar, mas a morena molda seu corpo de novo no meu.

– E você também... – cantarola, começando a beijar meu pescoço. Eu suspiro alto.

– Não... você não está pensando direito.. – tento novamente. – Você não quer fazer isso...

– O que eu mais quero agora, Arizona, é jogar você naquela cama e foder você a noite inteira. – responde Callie, prendendo minhas mãos no guarda-roupa. Eu gemo e sinto minhas pernas bambearem de desejo. – Você quer ou não que eu lhe foda?

Eu olho no fundo dos olhos castanho-escuros de Callie Torres. Meu corpo ardia como se estivesse em uma febre de 40ºC. Vê-la falando sacanagem daquele jeito fazia com que meus ossos se derretessem por completo e então, eu me entreguei à tentação.

Uno nossos lábios em um beijo duro, cheio de línguas, dentes e mordidas. Callie escorrega uma mão até a minha coxa e aperta a carne quente. Sua língua penetrava em minha boca reconhecendo cada centímetro da região. Emaranho minhas mãos em seus cabelos negros e os puxo para mim, querendo mais contato. Ela escorrega minha coxa para cima ao redor de sua cintura e faz pressão contra meu centro. Eu gemo entre seus lábios e aperto meus olhos com a onda de prazer maravilhosa em meu corpo.

A outra mão de Callie vai até minha outra coxa e faz o mesmo processo. Perco o chão debaixo dos meus pés e Callie fecha minhas pernas ao redor de sua cintura e me sustenta contra o guarda-roupa. A mulher começa pressionar sua cintura contra meu centro e eu seguro um gemido. Meu pulmão queimava em busca de ar. Callie desconecta nossos lábios e faz uma trilha de beijos molhados até meu pescoço.

A morena abraça meu corpo e me retira de contra o guarda-roupa. Ela nos guia até a mesa de estudos e me senta contra ela. Ouço ao fundo o barulho de nossos materiais de estudo caindo no chão, mas aquilo era insignificante. Callie retira minhas pernas de ao redor de sua cintura e olhando em meus olhos, ela as coloca aberta sobre a mesa.

Sua mão faz caminho até os botões da minha calça jeans. Ela os desabotoa e desce o zíper em um movimento rápido. Ela puxa o jeans e eu levanto meu corpo para que ele passasse por minhas curvas e por minhas pernas. Ela o puxa bruscamente e o joga em cima da minha cama.

Seu olhar estava pura luxúria e desejo, mostrando uma Callie Torres que eu nunca havia visto. “Oh, essa Callie é muito melhor que a outra...” meu cérebro comemorar. Meu coração estava acelerado e meu centro queimava. Ela puxa a cadeira giratória e se senta nela com certa dificuldade por causa do álcool. Callie me estuda com as pernas abertas e um sorriso pervertido de lado. Ela aproxima a cadeira de mim e passa a palma de sua mão sobre meu centro, estudando-o.

Eu mordo o lábio inferior para segurar um gemido. Callie brinca com o elástico lateral da minha calcinha e rosno. Ela dá uma risada com a minha fala de paciência e lentamente com um dedo leva o tecido para o lado e introduz a língua em meu feixe de nervos. Ela chupa meu clitóris e eu tranco os dentes, evitando um grito gutural. Callie lambe toda a minha extensão e circula meu clitóris, refazendo o processo. Eu inclino a cabeça para trás perdida na sensação maravilhosa. “O que ela está fazendo comigo?” meu cérebro grita, completamente desesperado.

Callie me olhava intensamente e então penetra sua língua na minha entrada. Um grito rouco e alto sai por meus lábios, abafado pela metade pela música.

“Oh meu Deus!”

Notas finais
Pelo visto não foi a Callie quem gritou "Oh meu Deus", não é Arizona? *risos maléficos* Deixem seus comentários, declarações de amor pela fodinha, xingamentos por ter parado a fodinha bem ali, ideias e opiniões sobre a história. :D