Notas iniciais
Depois de tanta provação finalmente Callie e Arizona vão sentar para conversar... isso vai mudar alguma coisa? Obs: Queria agradecer por todas as recomendações, tanto em MTB quanto em SI. Vocês não sabem o quanto eu fico feliz com isso e por isso comentários, favoritos e recomendações sempre serão bem vindas! ♥ Vocês são demais! Me perdoem por qualquer erro de português.

ARIZONA PDV

– Vocês ficaram sabendo da novidade? – a voz de George ecoava ao fundo. Eu estava de olhos fechados, sentindo a brisa fria da manhã de Seattle. – Percy e Adamson não aparecem há mais de uma semana na universidade.

Charles e Reed? – pergunta Teddy, confusa. – Não é comum da personalidade deles sumir assim...

– Talvez foram assassinados... – digo, dando uma risadinha com um pouco de humor negro. Ouço Teddy bufar. – Aposto que fugiram juntos. Eles não estavam namorando?

Por que um casal fugiria sem razão? – retruca Teddy. Eu abro os olhos e encaro minha amiga. Deitada em suas pernas, eu tentava livrar minha mente das imagens da última noite. Suspiro, frustrada e me sento.

– Eu não sei... – digo, revirando os olhos. – Pessoas quando estão apaixonadas fazem coisas estúpidas.

– É por isso que digo... – anuncia Alex.

Nunca se apaixone... – eu e meu amigo dizemos ao mesmo tempo, rindo.

– Falando em se apaixonar... como vai indo... a aposta? – pergunta George, semicerrando os olhos.

– Hãm... – gaguejo. – Eu... hãm...

– Então vocês se beijaram? – pergunta Teddy, ao meu lado.

Estávamos nós duas, Alex e George debaixo de uma grande árvore. A loira e George realmente estudavam, porém eu e Alex apenas matávamos o tempo na tarde chata de segunda-feira esperando que as aulas no período vespertino começassem.

– Sim, nos beijamos. – respondo, pegando uma batata do saquinho de George e jogando na boca.

– Espera aí... – provoca Alex. – Quer dizer que Callie pegou baba da Leah?

– Cala a boca! – rosno, dando um murro no ombro do homem que resmunga. – Não... tecnicamente. Não deu tempo de muita coisa rolar... Tínhamos acabado de tirar nossas roupas quando Callie chegou.

– Ela teve coragem de lhe beijar? – continua o homem.

– Diz isso apenas por que já quis me beijar um dia. – respondo, dando uma risadinha. Alex revira os olhos e morde em outra batata.

– Há décadas... antes de saber que você jogava no mesmo time que eu. – retruca.

– E como foi? – pergunta George, mexendo em sua filmadora. – Droga... a memória está cheia.

– Isso que dá ficar filmando tudo o que vê. – retruca Alex, dando um tapa na nuca do homem. Eles engatam em uma discussão sobre o fato de George não gostar desse tipo de brincadeira e Alex continua rindo do homem.

– Responda a pergunta, Arizona. – ordena Teddy, cerrando os olhos para mim.

– Hãm... foi bom. – balbucio, dando de ombros.

Na verdade, havia sido muito mais que bom. Eu ainda conseguia lembrar seu gosto contra meus lábios e isso me deixava com raiva. Sua essência ainda vagava por meu cérebro como uma droga.

“Foi bom”? – repete Teddy, sendo a única que me conhecia naquele aspecto. – Sério, Arizona?

– O que você quer que eu fale? – rosno, jogando outra batata na boca.

– Mais...?

– Não vou ficar dando detalhes sobre isso. – retruco, batendo as mãos no short e me colocando de pé.

– Você nunca negou detalhes para nós! – murmura Alex, cerrando os olhos. – Por que logo agora?

– O que você está insinuando com isso? – rosno, dando um olhar de soslaio para o homem.

– Espero que o feitiço não esteja se virando contra o feiticeiro. – diz o homem, erguendo uma sobrancelha sugestivamente. Eu dou uma risada alta, sendo sarcástica.

– Acho que você está vendo muitos filmes de romance. – respondo, ainda rindo. – É isso que faz para conquistar as mulheres? Cita essas merdas?

– Alguém está tentando mudar o assunto da conversa... – cantarola George, pegando um livro para ler e encostando-se à árvore.

– Ah, cale a boca... – resmungo, sem paciência. – Eu não vou me apaixonar por ela. Na verdade, eu sequer lembro a última vez que isso aconteceu.

– Oh, eu lembro... – provoca Alex e eu balanço a cabeça, sinalizando para ele parar com aquilo. – Eu lembro como isso acabou com o seu coraçãozinho. Grande Nancy!

– Quer saber? Não vim aqui para escutar asneiras... – rosno, ameaçando ir embora.

– Se você for embora não vai saber o que eu descobri ontem. – diz Alex, com um sorriso vitorioso. Faço um movimento com as mãos sinalizando que ele desenvolvesse o assunto. – Eu conversei com Aria ontem... e ela estava em uma festa em família.

– É... Callie me disse algo parecido. – digo – E qual a novidade?

– Bem... ela me falou que Callie é um tipo de garotas que curte “romances”. – responde o homem, fazendo um sinal de aspas com as mãos.

– O quê isso quer dizer? – murmuro, dando de ombros.

– Que você vai precisar chamá-la para jantar, idiota. – rosna George, como se fosse óbvio.

– Chamá-la para jantar? – repito, rindo. Nenhum dos três me acompanham na piada e eu franzo o cenho, confusa. – Não estão falando sério, estão?

– Sim, nós estamos. – responde Teddy, com uma expressão de “infelizmente”.

– Eu nunca chamei uma garota para jantar. – sussurro, séria.

– Tem a primeira vez para tudo, não é? – provoca Alex, rindo.

– Não vou fazer isso. – bufo.

– Burke me procurou ontem. – completa o homem, fazendo todos ali ficarem tensos.

– Que hora? – pergunta Teddy, também confusa. – Eu estivesse com você o dia todo.

– Antes de irmos para o clube. – responde Alex. – Eu não contei para vocês por que não queria preocupá-las, mas... Arizona... ele quer que você se agilize.

– Ele quer que eu me agilize? – repito, com desdém. – Olha... não é fácil mexer com o sentimento dos outros!

– Não foram minhas palavras, foram dele! – diz Alex, se defendendo. – Antes do almoço eu fui ao centro da cidade comprar um maço de cigarros e... nos encontramos.

– Eu ainda me questiono como ele consegue saber o que acontece aqui dentro. – suspira Teddy.

– Tudo bem então... – suspiro, cansada e começando a caminhar pela calçada.

– Onde está indo? – pergunta a loira.

– Agilizar as coisas. – respondo, com um sorriso malicioso. – Mas eu não irei chamá-la para sair! – advirto, apontando para o homem.

O mesmo sorriso se desfaz quando viro o rosto. A culpa às vezes batia à porta e eu me questionava o que estava fazendo. Era claro que Callie não era a única sendo afetada com aquilo. Adentro no alojamento A e pego o elevador. Já no terceiro piso, caminho até nosso quarto e passo o cartão na porta. Ela estava sentada na cadeira em frente à mesa de estudos e eu seguro um sorriso ao lembrar-me do modo que ela serviu na última noite. Callie continua escrevendo algo em seu caderno alheia ao fato que eu estava no quarto. Eu fecho a porta tentando fazer o mínimo de barulho e me aproximo dela.

– Callie? – a chamo. Ela se assusta e vira rapidamente, na cadeira giratória. Eu sorrio para ser amigável. Seu olhar ainda estava tímido e temeroso por causa da última noite e eu poderia usar aquilo facilmente ao meu favor. – Tudo bem? – pergunto, caminhando até a mesa e estudando seus livros e cadernos.

– Sim. – responde a mulher, desconfiada. Não havíamos conversado naquela manhã e nem ao menos uma palavra havia sido trocada desde nosso beijo.

– Eu não a vi no refeitório para almoçar. – digo, sentando-me na beirada da mesa. Vejo-a engolir seco e empurrar a cadeira um pouco para trás. “Ela está com medo...” meu cérebro comemora. “Isso significa que ela gostou!”.

– Estava sem fome. – responde Callie.

– Eu... hãm... acho que devíamos falar sobre o que aconteceu ontem. – falo, indo direta ao ponto.

– Arizona, eu não quero falar sobre aquilo. – retruca a morena, voltando a escrever em seu caderno.

– Nós precisamos falar...

– Não, não precisamos.

– Sim, nós precisamos. – advirto, tentando lançar um olhar sério para a mulher. Ela suspira e gira de novo na cadeira para me encarar. – Eu queria me desculpar por trazer Leah Murphy para nosso quarto ontem.

– Desculpas? – provoca Callie, erguendo uma sobrancelha apenas para me provocar. – Não é do seu feitio.

– Estou falando sério, Callie. – digo, tentando ser amigável. – Foi uma falta de respeito da minha parte.

– É bom que você reconheça... – completa a morena, com um sorriso vitorioso. – Eu não quero você transando com outras mulheres neste quarto.

– Ok. – respondo, erguendo as mãos em sinal de rendição. – Prometo não transar com outras mulheres neste quarto.

– Não prometa algo que não irá cumprir, Arizona. – sussurra Callie, me olhando nos olhos. Um arrepio estranho atravessa meu corpo e eu franzo o cenho.

– Ok. – sussurro de volta, sem graça. Eu pigarreio e arrumo minha postura. – Podemos conversar sobre o que aconteceu...

– Não. – corta a morena, voltando novamente sua atenção para os cadernos. Eu reviro os olhos e conto até dez mentalmente para não fazer ou dizer alguma bobagem. Abro a boca para retrucar, mas ela me interrompe. – Você vai querer estudar? – pergunta Callie, apontando para o relógio. – Ainda falta cerca de uma hora para o início das aulas.

Eu suspiro e afirmo com a cabeça. Puxo a poltrona que ficava em frente à minha cama e pego minha mochila. Eu precisava admitir que meu ânimo para estudar estava em saldo negativo, mas, eu realmente precisava fazer aquilo para ganhar alguns pontos com a morena.

– O que vamos estudar? – pergunto.

– Que tal um pouco de Epidemiologia II? – murmura Callie, abrindo seu respectivo caderno da matéria. Mas algo entre a capa e a contracapa me chama atenção e eu puxo o caderno para mim. – O que você está fazendo? – rosna a morena, tentando pegar de mim, mas eu esquivo de seus braços.

– O que é isso? – pergunto, retirando o papel especial para fora. Eu franzo o cenho, confusa. – Por que você tem um ingresso para um festival de shows para daqui três semanas...?

– Me dê isso! – rosna a morena, puxando as duas coisas das minhas mãos.

– Está pensando em ir? – pergunto, adorando provocá-la. – Oh, vai encontrar seu namorado lá?

– Ah, qual é... – resmunga Callie, dando uma risada sarcástica. – Acha mesmo que eu tenho um namorado?

– Uma namorada, então? – continuo.

– Se eu tivesse uma namorada ou um namorado acha mesmo que eu lhe beijaria ontem? – retruca a morena, antes de processar o que havia saído por sua boca. Ela morde a língua e rosna quando eu dou uma risadinha vitoriosa. – Por que tudo o que você diz ou faz tem segundas intenções, huh?

– A vida é feita de segundas intenções, Calliope. – respondo, mordiscando o lábio inferior de propósito. Ela segue meus lábios, mas rapidamente corrige a si mesma e volta o foco para meus olhos. – Achei que você já sabia disso...

– Eu não sou tão inocente quanto pensa. – retruca Callie, com um olhar frio.

– Eu sei disso... – sussurro, imaginando o jeito que a mulher me agarrou na última noite. – A última coisa que você é, Callie, é inocente... e eu preciso admitir que gosto disso.

– Obrigada? – responde, tentando parecer desinteressada, mas eu sabia que ela estava sem graça.

– Mas... me diz... por que ter um ingresso de um festival de shows para ir sozinha?

– Eu não sei se vou. – rosna Callie. – E isso realmente não importa agora... podemos começar a est...

– Por que você não tem um namorado, Callie? – pergunto, acomodando-me contra a mesa. – Ou... namorada? – completo, rindo. A mulher resmunga algo baixo e passa a mão pelas pálpebras.

– Eu estava ficando com um cara nas férias, está bom para você? – fala a morena, séria.

– Oh? E eu conheço? – insisto.

– Provavelmente não. Isso aconteceu na França. – sussurra Callie, meio receosa. “Ela estava com vergonha de ser rica?” meu cérebro indaga.

– Você passou suas férias na França? – suspiro, erguendo as sobrancelhas para fingir uma surpresa. Mas, na verdade, aquilo não me surpreendia. Callie era o tipo de garota que tinha tudo o que queria. – Uau...

– Eu fui obrigada a ficar lá. – sussurra, cabisbaixa. Eu a encaro, confusa.

– Como assim?

– Tudo o que eu queria era ficar aqui. – responde Callie, virando-se para mim.

– Não gosta de viajar?

– Não com a minha família.

– Por quê? – pergunto, ainda confusa.

– Ah... – suspira Callie, dando de ombros para que eu deixasse aquilo passar. – Eles são complicados.

– É... eu sei bem o que é isso. – sussurro, sem pensar. Callie me estuda por alguns segundos e nossos olhares se cruzam.

O silêncio apodera do ambiente e nós duas pigarreamos ao mesmo tempo, abrindo nossos livros na mesma página. Compartilhamos a quietude enquanto líamos. Às vezes meu olhar fugia para a morena ao meu lado e eu estudo sua expressão... estudo sua pele morena naquela camiseta... metade de suas coxas à mostra pelo short jeans. “Jesus... ela é realmente bonita...” meu cérebro sussurra.

Eu balanço a cabeça para me livrar daqueles pensamentos, mas era quase impossível. Tudo o que eu queria era deslizar a minha mão na carne quente de sua coxa. Sentir seu corpo contra o meu. Seus lábios moldando aos meus de novo. Aquele rouco gemido no meu ouvido novamente.

Arizona? – a voz da mulher ressurge e eu saio de meus pensamentos.

– S-sim... – gaguejo, atônita.

– Tem alguma dúvida? – pergunta Callie, me lançando um olhar desconfiado. – Porque você parece distante.

– Não, eu não tenho nenhuma dúvida. – respondo, com um sorriso fraco. A morena dá de ombros e continua sua leitura. Eu respiro fundo e engulo seco, em busca de diminuir o nó na minha garganta. – Então... – começo. – Me desculpe perguntar, mas a curiosidade está me matando... você já teve outra experiência antes de ontem? – pergunto, jogando verde. Callie cerra os olhos e se vira lentamente para mim. Nossos ombros estavam encostados, pois compartilhávamos a mesa.

– E por que a curiosidade? – pergunta a morena, desconfiada.

– À toa. – digo, sorrindo. Um sorriso de lado aparece no rosto da mulher.

– Não, não foi minha primeira experiência. – diz Callie. – O que me surpreende é o fato de você não se lembrar disso. Eu e Erica Hahn já...

– Saíram? – completo, fingindo um espanto como se eu estivesse descobrindo aquilo naquele momento.

– Sim. No primeiro ano da faculdade. – fala a morena, enquanto escrevia algo em uma letra formal no caderno.

– E isso soa que não terminou bem, não é?

– Não. – responde Callie. Porém, de repente ela para de escrever e me encara com um olhar cheio de raiva. – Você quer saber dessas coisas para sair espalhando por aí, não é? – brada, se distanciando de mim na cadeira giratória. Eu me assusto e entro na defensiva.

– Do que você está falando? – retruco, confusa.

– Você e a ironia de volta ao jogo! – responde Callie, dando uma risadinha sarcástica.

– Eu não estou sendo irônica! – digo, séria.

– Eu sei que você espalhou boatos da minha amiga Addison por aí, Arizona! – brada Callie, de fato com raiva. Ela aponta o dedo para mim. – Não tente dizer o contrário!

– O que? – gaguejo, sem entender. – Eu não espalhei nada sobre a Addison! Do que você está falando? – pergunto. Callie bufa e levanta da cadeira. Ela caminha pelo quarto para tentar diminuir o nervoso.

– Comentários sobre a sexualidade da minha amiga Addison foram espalhados pela universidade por causa das coisas que ela fez nas férias de Julho. – explica Callie, parando de andar no centro do quarto e me encarando com um olhar mortal. – Ela conheceu uma mulher em um clube em Los Angeles e os comentários partiram daí.

– E o que eu tenho haver com isso? – pergunto, franzindo o cenho.

– Você estava naquele clube, Arizona! – replica Callie, perdendo a paciência. – Você não perdeu tempo para espalhar para a universidade inteira sobre a vida pessoal da minha amiga!

– Ei... pode ir parando por aí! – rosno, levantando para me defender. – Em primeiro lugar, você não tem direito de falar assim comigo! Em segundo, eu estive em milhares de clubes em Los Angeles nas férias! E terceiro, eu não vi Addison em nenhum deles!

– Você está mentindo! – brada Callie, sentindo-se ofendida.

– Não posso obrigá-la a confiar em mim, Callie! – respondo, dando de ombros. – Mas eu juro que digo a verdade quando falo que não vi Addison nas férias de Julho.

– Ah, é mesmo? – retruca a morena, irônica. – Addison disse que viu você no clube, Arizona! Como pode falar que não a viu?

– Você por acaso já viu o tamanho dos clubes de Los Angeles? – replico, fazendo uma expressão de “É meio que óbvio...”. – É bem provável que ela tenha me visto e eu não a vi.

– E você acha que eu acredito nisso?

– É escolha sua acreditar ou não. – digo, dando de ombros. Callie fica em silêncio por alguns segundos, processando tudo.

– Mas... se você diz que não foi você, quem foi então? – pergunta a morena, cerrando os olhos.

– Eu não faço a mínima ideia! – respondo, sentando-me novamente na poltrona. Eu inspiro fundo e dou um sorriso amigo. – Como disse... clubes de Los Angeles são grandes e completamente cheios. Qualquer pessoa pode ter visto sua amiga e espalhado isso. – digo. Callie me lança um olhar desconfiado. – Callie, eu posso ser sarcástica às vezes, mas, quando eu estou falando sério... eu estou falando realmente sério. Eu não espalhei nada sobre isso!

– E como você ficou sabendo? – pergunta Callie, ainda com os olhos cerrados.

– George me contou.

– George? – repete a morena, pensando. – Isso até faz sentido, porque... quem me disse que havia comentários foi April e...

– E April é namorada de Jackson que é colega de quarto de George. Faz sentido! – completo sua fala, rapidamente. Callie me olha, envergonhada e eu engulo seco. Era estranho o jeito que tínhamos o mesmo pensamento às vezes.

A morena suspira e devagar caminha até sentar-se novamente na cadeira giratória para que voltássemos ao aparente estudo. Mas eu pude perceber uma mudança em sua expressão. “Ela está se sentindo culpada?” meu cérebro questiona. Rapidamente eu me nego em acreditar naquilo.

O silêncio reina e por cima do ombro observo-a tentar ler o que estava na página do livro. Eu gostava do jeito que ela estava defendendo Addison. Eu apreciava pessoas que defendiam as outras e que sempre estavam lá para elas, porque poucas vezes eu tive alguém para contar nos momentos difíceis. E Callie parecia ser aquela rocha, a rocha que poderia sustentar mesmo sofrendo as consequências.

– Você está bem? – murmuro, observando seu rosto dois palmos do meu.

– Sim... não... eu... – suspira Callie, balançando a cabeça. – Eu... eu apenas... não estou me sentindo bem... – responde a morena. Ela levanta seu rosto e me encara.

– Eu toquei no assunto de Erica. – digo, amigavelmente. – Me desculpe...

– Não é como se eu tivesse amado ela, Arizona. – murmura Callie, com desdém.

– Amor... – caçoo, segurando uma risada.

– O que? – pergunta Callie, franzindo o cenho. A mulher dá uma risada. – Vai me dizer que você não acredita em amor?

– Não é que eu não acredite em amor, Callie... – retruco, dando uma risada sem graça. – Apenas acredito que quando se ama alguém e é recíproco... você se torna um pouco vulnerável. Essa pessoa tem o poder de te machucar de um jeito que ninguém consegue. E por causa disso acho que ele não foi feito para mim.

– Você apenas diz isso porque nunca experimentou. – diz a morena, com o ar superior.

– E você já? – pergunto, com um olhar de soslaio.

– Não. – responde Callie, sorrindo docemente. – Mas você quer o que todos querem.

– Oh, sério? – cantarolo. – O que eu quero então?

– Você quer um amor que tire seus pés do chão. – sussurra Callie, com seus olhos castanho-escuros me encarando. – Você quer paixão, aventura e companheirismo. – completa, com um sorriso de lado. Eu cerro os olhos, com suas palavras fazendo uma dúvida nascer na minha mente.

– E como você sabe disso? – pergunto.

– É o que eu quero. – responde a mulher, dando de ombros. – E também quero me desculpar... não devia ter lhe julgado por algo que aparentemente não fez. Admito que criei uma antipatia por você por causa disso.

– Então quer dizer que você confiou em mim? – pergunto, dando um sorriso de lado. Ela não resiste e revira os olhos, fato que eu sabia que faria.

– Foi uma ação estúpida? – volta a pergunta. Eu engulo seco e Callie percebe. Eu hesito e ela fica em silêncio, esperando. – Devo confiar em você, Arizona? – sussurra Callie, séria. Meu coração aperta. “Que merda era aquela que eu estava sentindo?”

– Eu estou dizendo a verdade agora, Calliope. – sussurro de volta. Callie franze o cenho e eu estudo sua expressão pensativa. Um sorriso de lado nasce em seus lábios e ela volta a ler seu livro.

Aquele sentimento... não poderia se repetir nunca mais.”

Notas finais
"Talita, isso significa que a provocação acabou?" hahahaha não! Acha mesmo que Arizona pensa desse jeito? ~risada maléfica~ Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história. :D