Notas iniciais
Um capítulo apenas para mostrar o quanto Arizona ainda é uma pessoa sem escrúpulos. E me perdoem por qualquer erro de português.

ARIZONA PDV

Minha mente ainda girava depois que eu saíra daquele estacionamento. Eu sequer dava ouvidos para a voz na minha cabeça que dizia que não devia confiar na minha raiva e que deveria ser mais racional. Eu precisava de um plano e só conseguiria fazer isso com ajuda de uma pessoa. Antes da aula de Anatomia Patológica, eu entrei na sala de Lauren para conversarmos.

– Oh meu Deus! – choraminga Lauren, colocando as mãos na cabeça desesperadamente. – Eu sabia que iria dar algo errado, eu sabia!

– Acalme-se, por favor! – peço, tentando colocar a mão em seu ombro, mas a loira me empurra para trás. Eu suspiro, tentando me acalmar. – Que droga, Lauren, não é apenas você que está nesse barco furado!

– Eu queria parar, eu devia... – sussurra a loira, andando de um lado para o outro em seu escritório.

– Espera... – digo, encarando-a. – Não venha colocar a culpa apenas em mim! Eu nunca te obriguei a fazer nada!

– Eu tenho que pensar na minha filha, Arizona! – grita Lauren, com as lágrimas formando no canto de seus olhos.

– Não ponha sua filha no meio dessa situação! – rosno, passando os dedos por cima de minhas têmporas doloridas.

– Se eu for expulsa dessa universidade eu não terei outro lugar para lecionar! E eu preciso cuidar da minha filha, porque o pai dela é um vagabundo que nos largou para fugir com outra!

– Você só está me fazendo sentir pior, Lauren! – retruco, dando uma risadinha sem graça.

– Oh meu Deus, o que vamos fazer? – pergunta a mulher, atônita.

– Eu já dei um jeito nisso. – respondo, com a mão na cintura.

– Como? – pergunta Lauren, franzindo o cenho.

– Burke me fez uma proposta. – digo, sentando-me em uma das mesas. – Na verdade, uma aposta.

– Aposta?

– Se eu seduzir Callie Torres de algum jeito que não sei como, ele irá destruir todas as cópias da foto.

– Callie Torres? – pergunta a loira, confusa. – Da sua sala?

– Sim.

– Ela... é...

– Pelo que soube... ela já teve experiências... – digo, dando de ombros. – Ela é filha de Carlos Torres e ele humilhou tanto eu quanto Burke na noite passada.

– E você revidou, não foi? – pergunta a loira, com um suspiro cansado. – Deixe-me ver esse corte no lábio. – diz Lauren, pegando um kit de primeiro-socorros na gaveta da sua mesa. – Ele te agrediu?

– Não diretamente. – respondo. Lauren caminha até perto de mim e analisa meu lábio com cuidado. – Mas ele falou... coisas sobre minha família e sobre meu... passado. – completo. A loira ergue uma sobrancelha, sabendo do que eu falava. – Então eu aceitei a proposta de Burke.

– E o que você vai fazer com essa mulher?

– Vou fazer o que me foi mandado. – digo. Eu seguro um suspiro de dor quando ela passa uma pomada em cima do ferimento. – Callie Torres também é do mesmo jeito que o pai.

– Não posso deixar você fazer isso com uma pessoa inocente...

– Ela não é inocente. – corrijo, com uma expressão séria. – E é como Alex disse... ela é apenas outra.

– Assim como eu sou? – pergunta Lauren, dando um passo para trás.

– Eu coloquei você nessa enrascada, Lauren, é minha responsabilidade lhe tirar dela. – retruco, pulando da mesa. – Eu não vou deixar você perder seu emprego e prejudicar Nadia. E pra fazer o que tenho que fazer, eu vou precisar da sua ajuda.

– Minha ajuda?

– Sim. Eu preciso que me torne colega de laboratório de Callie.

– Qual desculpa eu vou usar para trocar as turmas no meio do ano? – pergunta a loira, franzindo o cenho.

– Eu não sei! – digo, abrindo os braços. – Use... integração social... conflitos... eu não sei! Apenas sei que preciso me aproximar dela a qualquer custo.

– Eu... eu vou pensar em alguma coisa. – diz Lauren, com um suspiro de tristeza. Eu dou um sorriso triste e me aproximo dela, pegando em sua mão.

– Vai ficar tudo bem, ok? – digo, dando um beijo em sua testa. Ela sorri e eu ando em direção à porta de sua sala.

E agora Callie Torres me lançava um olhar de soslaio por cima do ombro. Depois que Lauren anunciou que eu seria sua nova colega de laboratório eu podia sentir a raiva saindo pelos poros da morena e eu precisava admitir que gostei daquilo.

– Então... parceira... – sussurro, querendo começar um assunto.

– Shhhh! – rosna Callie, sem olhar para mim. A morena mantinha-se concentrada no que Lauren dizia sobre células cancerígenas. Eu rosno baixo, sabendo que seria mais difícil do que eu imaginara.

– Eu queria saber se você...

– Você poderia fazer silêncio, por favor? – pede Callie, virando-me bruscamente para mim. – Pelo menos eu tenho interesse nessa aula.

Eu engulo minha antipatia e sorrio para concordar. Eu não sabia o que ela tinha contra mim, mas isso não importava mais. Quando a aula terminou a morena ao menos se despediu antes de pegar seus livros e sumir no corredor em meio aos alunos. Fecho meu livro com um supetão e me levanto da cadeira.

– Tendo problemas, Casanova? – pergunta Alex, perto de mim.

– Argh... – rosno, caminhando em direção ao corredor. Lauren dá um sorriso fraco para mim e eu retribuo outro antes de perdê-la de vista.

– Ela não parece ser alvo fácil. – continua o homem. Teddy aparece ao seu lado enquanto caminhávamos em direção à aula de Histologia Avançada II.

– Não é à toa que não a percebi desde o início do ano. – retruco, revirando os olhos.

– Quem desdenha quer comprar. – diz Teddy, dando uma risadinha.

– Ah, me poupe... – rosno.

Entramos na sala e fomos diretamente para as carteiras no fundo. Procuro por cima das cabeças até achar o rosto de Callie Torres. Ao seu lado estava Addison Montgomery e uma ideia atravessa minha cabeça.

– Teddy... eu acho que preciso da sua ajuda. – digo.

– Oh, sempre! – resmunga a loira, sentando-se ao meu lado. – Diga-me... o que você não entendeu na última aula?

– Não estou falando de matéria. – retruco. Teddy franze o cenho, confusa. Com a cabeça, eu aponto para direção onde a ruiva e a morena estavam sentadas.

– O quê?

– Addison é sua!

– O quê? – pergunta a loira, agora de fato assustada. – Não! Não! Eu não faço esse tipo de coisa e eu sequer... eu sequer sei se sou...

– Você precisa me ajudar! Eu não sei nada sobre ela e pelo visto ela nutre um ódio por mim e eu nem menos sei o porquê. Na verdade, eu preciso da ajuda de vocês dois.

– Pode contar comigo. – responde Alex, dando-me uma piscadela. Teddy revira os olhos, ainda lutando internamente.

– O que você quer que eu faça? – pergunta a loira.

– Nada demais. – digo. – Apenas preciso que ambos descubram mais coisas sobre ela pra mim. Eu poderia pedir para que Mark e George também ajudassem, mas... o fato de Mark ser amigo dela e George ser... George... não ajudam muito. Preciso fazer isso o mais rápido possível para que esse pesadelo acabe.

– Como você pode falar assim? – pergunta Teddy, surpresa.

– Assim como? – pergunto, confusa.

– Como se fosse algo simples seduzir alguém.

– Existem regras básicas no jogo da sedução, Teddy... – digo, dando um sorriso malicioso. – E esse jogo, acredite... eu jogo muito bem.

Já haviam se passado dois dias depois da proposta de Burke. Eu sabia que o homem estava sempre por perto e uma “pulga” ainda continuava atrás da minha orelha, questionando como ele tinha acesso à faculdade se ele não era um estudante de medicina. Eu via Callie em todas as aulas no dia, mas apenas conseguia chegar perto dela no laboratório. Mas isso não significava que a morena conversava comigo. Sempre que eu tentava dar início a uma conversa, Callie me cortava e isso já estava me dando nos nervos. Seu ego era tão grande que ela se achava superior que todos ali apenas pelo fato de ser mais “inteligente”.

Lauren me ajudou no que conseguiu e eu não tinha mais coragem de pedir algo. Eu a colocara naquela situação e não poderia comprometê-la mais.

E a única coisa que me acalmou de tudo aquilo foi ouvir a voz de Sofia pelo telefone quando a menininha me ligou na noite de Quinta-feira. Sofia me contou sobre seus novos desenhos e como estavam os preparativos para a grande gincana em sua escola que aconteceria daqui um mês. A risada da criança era música para meus ouvidos e eu me perdi no tempo, enquanto observava as estrelas no terraço-jardim do prédio principal.

Você vai se lembrar da minha gincana, não é tia? – a voz da menina ecoa na linha. Eu trago o cigarro em minhas mãos.

– Eu preciso checar na minha agenda... – provoco, sorrindo e liberando a fumaça. – Mas é claro que sim! – digo e uma risadinha surge.

Sério?

– Seríssimo. – respondo. O silêncio domina a linha e ao fundo eu escuto o barulho de uma televisão ligada no que parecia ser desenho animado. – Minha mãe ainda está com raiva de mim? – pergunto.

Vovó nunca ficaria com raiva de você. – responde Sofia. – Na verdade, foi ela quem pediu para que eu ligasse para saber como você estava.

– É... eu estou bem. – suspiro e volto a tragar o cigarro.

Estar na prisão é legal? – pergunta a menininha. Eu dou uma risada singela.

– Oh... não é, acredite em mim. – respondo, sorrindo. – E nem ouse tentar! Não quero ir à cadeia lhe soltar.

Eu apenas tenho 5 anos! – retruca Sofia, rindo. – Não tenho idade para ir para a cadeia!

– Verdade. – digo, com meu sorriso diminuindo aos poucos.

Por falar nisso, seu aniversário é daqui um mês...

– Por favor, não me lembre disso! – resmungo, sentando-me no banco de madeira. Termino o cigarro e o coloco debaixo de um dos vasos de plantas.

Ao longe eu podia ver as luzes dos postes no pátio universitário. As pessoas caminhavam e conversavam através das árvores. Um grupo maior estava indo em direção ao refeitório para se servirem do jantar.

Vamos fazer alguma coisa, certo? – pergunta Sofia, inocente.

– Não!

Por favor! – implora a menina. – Uma festa pequena aqui em casa. Apenas você, Alex e Teddy. Prometo fazer a mamãe não chorar!

– Isso é quase impossível... – respondo, rindo. – Mas... posso pensar na possibilidade.

Obrigada! – diz Sofia.

– Agora, querida, eu preciso ir. – suspiro, levantando-me. – Mande um beijo para minha mãe e um abraço para Robert, ok?

Tudo bem! – responde Sofia.

Depois de me despedir da menina eu finalmente desligo o celular. Percebo o sinal de mensagem no canto superior da tela que havia passado despercebida durante a ligação. Abro-a e leio o nome: Teddy Altman. Ela me mandava ir para a biblioteca da universidade imediatamente.

Preocupada, eu não perco mais tempo e desço as escadas e saio do terraço-jardim. Caminho pelos corredores escuros e chego até o primeiro andar do prédio principal. Saio no meio das sombras da porta da frente, em busca de não descobrirem meu esconderijo. Atravesso os alojamentos masculinos e paro em frente à biblioteca.

Adentro no estabelecimento, com o silêncio reinando. Apenas o barulho dos passos dos alunos ecoava pelo enorme salão com mesas compridas enfileiradas para serem locais de leitura. Eu tomava cuidado para não me perder em meio àquelas estantes, pois raramente eu vinha ali. Viro uma esquina e vejo Teddy, Alex, Mark e George sentados à uma mesa conversando baixo para que a bibliotecária, Rose, não os advertisse.

– O que aconteceu? – sussurro, sentando-me ao lado de Teddy. Alex sorri e joga uma folha de papel em cima da mesa.

– Eu consegui as informações que você queria. – responde o homem, no mesmo tom. – Mark me ajudou em algumas.

– Mark? – pergunto, erguendo uma sobrancelha para ele.

– Eu disse que escolheria um lado e escolhi o seu. – responde Mark, com um sorriso amigo. Eu faço um afirmativo com a cabeça e puxo o papel para mim.

– Calliope Iphegenia Torres é filha de Carlos e Lucia Torres... – começa a falar Alex, forçando um sotaque latino, mas George o interrompe.

– Cara, quem tem um nome desse? – pergunta o homem, rindo.

– Eu acho bonito... – sussurro. Os quatro me encaram na mesa e eu engulo seco. – O quê? Eu tenho um nome de um navio, pelo amor de Deus! Eu gosto de nomes exóticos!

– Tudo bem... – cantarola Alex, continuando. – Sua mãe é uma estilista famosa e seu pai é chefe de polícia da cidade de Seattle. Ela tem uma irmã, Aria Torres. Ela é cinco anos mais nova que Callie. Ambas nasceram na Flórida. – diz Alex, enquanto eu lia as mesmas informações no papel. – Ela estudou em escolas privadas até vir para a faculdade.

– Nada que me choca... – digo, revirando os olhos.

– Na verdade, tem sim. – corrige Mark. – Sua família é estritamente religiosa, principalmente sua mãe. E bem... sabe como dizem... o proibido é melhor! Quando seus pais descobriram que Callie tinha um romance com sua colega de quarto, Erica Hahn, eles providenciaram o fim de tudo.

– Ela tinha um romance com Erica Hahn? – pergunto, boquiaberta. Rose, a bibliotecária faz um “Shhhh” atrás de uma das estantes. – Me desculpe! – eu sussurro.

– Sim! E isso não terminou bem. – responde Mark. – Até hoje a loira ainda sente raiva de Callie por ter lhe dado uma bofetada no meio da universidade inteira.

– Como eu não vi ou fiquei sabendo disso? – pergunto.

– Porque foi no primeiro ano da faculdade e... você não estava nos seus melhores dias. – responde Teddy, com um sorriso triste. Eu suspiro e concordo com a cabeça.

– Então Callie Torres é bissexual? – pergunto, com um sorriso de lado.

– Sim... – responde George, integrando na conversa. – Digo isso por que quase a beijei na festa de Derek.

– O quê? – perguntamos nós quatro em coro.

– Alex atrapalhou tudo anunciando que Burke havia chegado. – resmunga George, lançando um olhar frio para o amigo.

– Me desculpe, cara, mas era importante! – diz Alex, tentando se defender.

– Saber que ela também gosta de mulher facilita as coisas. – diz Teddy, acomodando-se na cadeira.

– Na verdade, tudo isso não ajuda em nada! – rosno, passando as mãos pelos cabelos. – Aquela mulher não sai do próprio quarto. Parece que ela está presa dentro de um mundo monótono, eu não sei... Jesus, ela é estranha! Qualquer coisa que eu falo ela me corta como se eu tivesse feito algo horrível.

– Pelo menos ela não é virgem! – sussurra Alex e todos nós damos uma risadinha. – Porque se ela fosse... oh, isso sim seria algo difícil de se fazer.

– E ela teve outro relacionamento depois de Erica? – pergunto.

– Sim e foi com homens. – responde Mark. – Seus pais nem ousam tocar na palavra “lésbica”.

– Isso parece ser uma missão e tanto para você, Casanova... – provoca Alex, dando uma risadinha. – Mexer com as crenças de uma mulher e fazê-la gritar “Oh meu Deus”!

– Pare! – rosno, enquanto todos ali riam da piada do homem. – Cara, você deveria ser preso só por senso comum!

– Se eu for preso você não vai ter o que realmente precisa, querida. – retruca Alex, dando de ombros.

– Do que você está falando? – pergunto, desconfiada.

O homem sorri e retira um papel amassado e dobrado da calça jeans e joga para mim. Eu o pego no ar e abro. Era um número de telefone escrito às pressas. Eu faço uma cara de “O que isso significa?”.

– Esse é o número de Aria Torres. – anuncia Alex, acomodando-se na cadeira para comemorar.

– E o que a irmã dela tem haver com isso? – pergunta George.

– Ouvi rumores que as duas não são irmãs que se amam. – responde Alex. – E existe pessoa que conhece mais Callie Torres do que outra Torres que vive debaixo do mesmo teto?

– Como você conseguiu isso? – pergunto.

– Tenho meus métodos.

– Jesus... me diga que você não tirou a virgindade dela.

– Oh, não! Aria Torres é a cópia perfeita de April Kepner... – responde Alex, revirando os olhos. – Apenas precisei dar uma corrida no quarteirão nobre dois dias atrás que a encontrei jorrando água nas plantas. Eu me apresentei como filho de um empresário que havia acabado de se mudar para o bairro. Nós conversamos por longos minutos e pouco depois ela já estava caidinha por mim.

– Pobre garota. – sussurra Teddy e Alex bufa.

– Ela não sabia que eu tinha segundas intenções. – completa Alex, dando de ombros. – E... ontem a noite eu tive um encontro com ela.

– E... – digo, querendo saber onde aquilo ia chegar.

– Ela disse que odiava sua irmã porque seus pais a protegiam de tudo... e esse tudo com certeza estava relacionado com mulheres. – responde Alex. – Um grande exemplo de conflito entre irmãs. Uma mais amada que a outra e gerando desavenças. E ela me contou que apenas poderia namorar se Callie namorasse.

– Cheque mate! – digo, sorrindo.

– Isso mesmo. E eu menti dizendo que estava muito... muito... interessado nela. – diz Alex, com desdém. – E que arranjaria um “amigo” que poderia sair com Callie para que ela começasse a namorar. Aria não pensou duas vezes antes de aceitar a me ajudar e me deu isso... – completa, jogando outro papel em cima da mesa. – Uma lista de coisas que Callie mais gosta.

Eu analiso o papel superficialmente. Palavras chaves como correr pela manhã, músicas e trechos que ela mais gostava se ressaltavam. Eram longas linhas escritas com uma caneta rosa. Um sorriso aos poucos vai nascendo no meu rosto e eu levanto meu olhar para meu amigo.

– Alex... você é um gênio! – digo, dando uma risada baixa.

Notas finais
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