Segundas Intenções
8 Capítulo 7
Notas iniciais
ARIZONA PDV
Caminho cabisbaixa até sentar em um pequeno banco de madeira. Observo as flores nos vasos perto da beirada que era o limite caso eu não quisesse cair de uma altura de aproximadamente cinquenta metros. Eu estava no terraço-jardim do prédio principal da universidade.
Respiro fundo e pego meu maço no bolso de trás da minha calça jeans. Escolho um cigarro e o acendo, liberando a fumaça rapidamente. Era proibido fumar e ir ao terraço, então se eu fosse pega... bem... não seria uma boa coisa.
Porém, eu nunca havia contado para alguém sobre aquele lugar. Era apenas meu. Onde eu podia pensar em silêncio. Era um lugar alegre, com várias flores colorindo, como por exemplo, tulipas, dálias, rosas e etc. Além de vidraças no chão, onde eu às vezes observava os alunos caminhando pelos corredores abaixo de mim. Mas, nada disso me chamava à atenção naquele momento.
Meu cérebro rapidamente se acalma com a nicotina no meu sistema. A voz da minha mãe em minha mente insistia em me dizer que eu deveria parar de fumar. Mas, se eu parasse, com certeza ficaria louca.
Aquela aposta que Burke havia sugerido ainda martelava na minha cabeça. Olho as horas em meu celular e percebo que só tinha mais vinte minutos para decidir antes que a minha foto com Lauren Boswell parasse em cima da mesa de Richard Webber. Burke combinou estar ao meio-dia no mesmo local do estacionamento. Várias suposições já passaram por minha mente. 1) Largar de vez a faculdade e ver a expulsão como algo positivo. 2) Tentar dizer que a foto era uma montagem, mas... eu não faria isso com Lauren. 3) Aceitar de vez aquela loucura.
Callie Torres era o nome daquela mulher. E ela era filha de Carlos Torres. “Quantos Torres existem nessa maldita universidade?” meu cérebro grita. As palavras do homem ainda rondavam em minha mente, junto com seu jeito sarcástico e frio. E isso me fazia questionar se sua filha também era assim. Mas, ao mesmo tempo em que eu começava a cogitar o fato de aceitar aquela aposta, meu cérebro gritava que era algo errado.
“Mas é você ou ela!” meu cérebro se contradiz rapidamente. Não seria difícil fazer uma hétero seguir o caminho da tentação... Leah Murphy era a prova viva disso. Sou resgatada de meus pensamentos apenas quando vejo que o cigarro havia acabado. “Talvez você devesse conversar com ela...” aconselha. Inspiro fundo e decido fazer aquilo. Jogo o filtro do cigarro debaixo de um dos vasos e caminho em direção à pequena escada que dava acesso ao lado direito do segundo andar do prédio.
Saio em silêncio, de modo que ninguém soubesse que estive ali. A próxima aula seria apenas daqui uma hora, após o almoço. Eu havia perdido todos os horários daquela manhã e sabia que isso apenas faria com que eu me atrasasse ainda mais nas disciplinas.
Olho para os lados, em busca do corpo moreno que insistia em trombar comigo nos momentos inoportunos. Saio do prédio principal e caminho em direção ao pátio. Ergo uma sobrancelha ao vê-la sentada debaixo de uma árvore lendo um livro que parecia ser sobre Histologia Avançada. Vários grupos também faziam o mesmo nas árvores próximas, mas Callie era a única sozinha. “Mais fácil...”. Coloco meu óculos preto, na busca de tentar disfarçar minhas olheiras por não ter dormido naquela noite.
– Oi... – sussurro, parando de andar quando estou ao seu lado. A mulher levanta a cabeça, em busca da dona da voz. Callie não responde e volta a ler seu livro novamente. Eu fico sem resposta por alguns segundos. – Histologia Avançada, huh? – pergunto, agachando-me perto.
– Uhum... – cantarola a mulher, ainda lendo. “O que há de errado com ela?”
– Você é Callie Torres, certo? Eu sou Arizona Robbins. – digo, estendendo a mão cordialmente.
– Eu sei quem você é... – diz, sem responder ao cumprimento. Eu rosno baixo, percebendo que ela era de fato parecida com o pai.
– É a sua próxima aula? – pergunto, insistindo em puxar assunto.
– Sim. E a sua também. – responde a morena.
– Você é da minha sala?
– Você já deveria saber disso... – retruca a mulher, finalmente levantando o olhar para mim. Seus olhos castanhos estavam cheios de raiva. – Sou da sua sala desde o início desse ano. E nós já fizemos parte de dois grupos de estudos. E de um trabalho no laboratório e uma aula prática na enfermaria. Mas... pelo visto você não se lembra.
– Oh... – gaguejo, sem graça. “Como eu não me lembrava dela?” meu cérebro se desespera ao ver que estava em uma situação delicada. – Sério?
A mulher bufa e fecha o seu livro. Callie com um simples movimento se coloca de pé e eu finalmente posso estudar sua pele morena e suas curvas. Quando levanto o olhar, vejo que a mulher me encarava com uma expressão séria por eu estar “olhando-a” daquele jeito.
– O que você quer? – pergunta Callie, pegando sua mochila no chão.
– Me desculpe... – sussurro, tentando não ser rude. – Mas eu fiz algo pra você me tratar assim?
– Assim como? – pergunta Callie. Eu respiro fundo, sem paciência.
– Não é a primeira vez que você me trata estranho. – digo, cruzando os braços na frente do corpo. – Isso foi por causa daquilo que escutou no banheiro feminino ou...
– Ah, pelo amor de Deus, me poupe! – retruca Callie, um pouco alto. O grupo da árvore à esquerda nos olha por cima do ombro. – Não quero saber de sua vida! – rosna, antes de começar a andar em direção dos alojamentos. “Isso não é uma boa impressão!” meu cérebro grita.
– Callie, espera! – digo, puxando seu braço. Ela para de andar no meio do pátio e se vira com um olhar de soslaio. – O que eu fiz pra você então? Foi por que Alex fez aquela brincadeira com Addison...
– Como você pode ser tão cara de pau? – rosna Callie, com seu tom de voz ainda mais alto e abrindo os braços.
– Ei, acalme-se! – retruco, olhando as pessoas virando-se para ver a cena.
– Você espalha por aí asneiras e vem tentar conversar comigo normalmente? – pergunta Callie e uma risada sarcástica sai por seus lábios.
– Do que você está falando? – pergunto, confusa.
– Eu disse que não quero saber da sua vida perfeita, dos seus pais perfeitos e nem muito menos da sua namorada. – diz Callie, apontando um dedo para mim. – Eu apenas quero que me deixe em paz! E deixe Addison em paz! Porque eu juro que não vou responder por mim da próxima vez que ouvir você falando merda por aí!
As palavras pareciam ter parado no meio da minha garganta. Callie aproveita meu silêncio e vira-se, caminhando em direção ao alojamento às pressas. Ainda atordoada, eu olho para os lados e vejo as pessoas comentando sobre mim... de novo. Meu punho fecha automaticamente, com a raiva percorrendo meu corpo. Eu fazia de tudo para que meu queixo não tremesse e que as lágrimas não ganhassem a luta logo ali na frente da universidade inteira.
– Arizona? – a voz de Teddy ecoa ao longe, mas tudo o que minha mente processava era a antipatia por Callie Torres.
Eu não penso duas vezes em me virar em direção do estacionamento. Dou passos firmes e rápidos, e pouco depois já podia avistar as figuras dos meus amigos também ali. Todos esperavam a minha resposta. Burke estava conversando com Christian, mas a me ver rapidamente volta sua atenção para mim.
– Arizona?! – chama novamente Teddy. – O que aconteceu?
– E aí... já tem uma resposta? – pergunta Burke caminhando até perto de mim. Alex, Mark e George observavam tudo ao longe.
– Não quero que você fale nada para ela! – rosno, apontando para Mark. – Eu sei que você é amiga dela! Então você vai precisar escolher um lado.
– Tudo bem... – sussurra Mark, afirmando com a cabeça. – Eu escolho o seu.
– Então... – diz Burke, precisando que as palavras saíssem da minha boca. – Você aceita a aposta?
– Sim, eu aceito. – respondo. Minha respiração estava irregular e a adrenalina da vingança percorria o meu corpo. Eu dou um sorriso e retiro meu óculos escuros. – Isso agora se tornou algo pessoal.
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CALLIE PDV
Uma voz azucrinante na minha mente insistia em dizer que eu havia sido rude demais com Arizona Robbins no meio daquele pátio. Mas minhas emoções estavam descontroladas desde que recebi uma ligação poucos minutos antes daquilo. Meu pai havia me ligado, basicamente, para me dar uma bronca sobre eu ter saído na última noite.
Eu fiquei em silêncio durante toda a conversa, principalmente pelo fato de estar no meio do campus. Ele disse as mesmas coisas sobre religião que minha mãe dissera, além de acrescentar coisas como justiça e como o mundo está perigoso para as mulheres. Entretanto, eu sabia que no fundo, ele apenas tinha medo de tocar no assunto proibido.
Portanto, meu humor era o pior possível. E quando Arizona veio conversar comigo e tocou no nome de Addison, eu explodi de vez. Mas agora eu me sentia culpada por isso. A cena de fazer o mesmo com Erica anos atrás voltava à minha mente e fazia tudo parecer ainda pior.
– Você sabe o assunto que já está correndo na universidade, certo? – pergunta Addison, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si. Eu continuo em silêncio.
Eu estava sentada na minha cama, abraçando minhas pernas como se fossem um urso de pelúcia. O escuro englobava o quarto por causa das persianas fechadas, mas sequer eram 13 horas. Addison respira fundo e caminha até a janela, abrindo-a para deixar a claridade entrar.
– Você está bem? – pergunta a ruiva, caminhando até perto da minha cama e sentando-se ao meu lado.
– Não. – sussurro.
– Eu gosto do fato de você me defender e eu agradeço por isso.
– De nada.
– Mas eu acho que você pegou um pouco pesado com Arizona. – diz Addison, olhando em meus olhos.
– Por que acha isso? Foi ela quem espalhou sobre você no clube, Addison! – retruco, levantando meu rosto.
– E como você sabe que foi ela? – pergunta a ruiva, erguendo uma sobrancelha em dúvida. – Eu sei... eu sei! Apenas ela em toda a universidade estava lá, mas não significa que foi ela. E... ela sequer fala comigo. Não teria razão de ela espalhar uma coisa dessas.
– Por que está defendendo ela?
– Não estou defendendo ninguém! Só digo que não se pode odiar uma pessoa sem uma razão concreta. – diz Addison.
– Eu... eu... – sussurro, dando um suspiro cansado no final. – Você acha que eu deveria me desculpar?
– Eu acho que o quê está feito, está feito. – responde Addison, passando a mão por minhas costas e dando um sorriso amigo. – Só tente pegar mais leve com as pessoas, ok? Nem todas tem a mesma paciência que eu. – provoca, dando uma risada alta. Bufo, pegando meu travesseiro e jogando na ruiva que desvia com um tapa.
– Cale-se! – retruco, revirando os olhos para evitar sorrir. – Temos aula daqui dez minutos! Vamos logo!
– Não vou às aulas de hoje. – responde Addison, caminhando até a sua pequena escrivaninha.
– Por quê? – pergunto.
– Meus pais estão redecorando a casa e eu preciso dar minha opinião antes que seja tarde demais.
– E você vai faltar à aula por causa disso? – pergunto, lançando-a um olhar soslaio enquanto arrumava meus livros.
– Claro que sim! – responde Addison, pegando sua bolsa e seu óculos de sol. – Não quero um quarto com a cor brega! Não duvido muito de o meu pai mandar pintar de laranja e eu odeio laranja! – rosna a mulher, enquanto eu ria baixo. – Posso não ser inteligente como você, mas estou muito bem com os meus créditos, então eu tenho o luxo de faltar em algumas aulas!
– Certificando que a sua melhor amiga fique nas aulas para lhe passar as anotações depois, não é? – retruco e Addison dá uma risadinha.
– Ainda bem que você já sabe. – diz Addison, se aproximando e me dando um beijo na bochecha.
Minutos depois a ruiva já estava fora do quarto em rumo a uma das maiores mansões do bairro nobre em que morávamos. Sem nenhuma fome, ignoro algumas barrinhas de cereais que estava em cima da minha mesa e pego meus livros. Fecho a porta do quarto, guardando o cartão no bolso de trás do meu jeans.
Caminho até o prédio principal e vou para sexta sala que era o laboratório, onde seria Anatomia Patológica. Lauren Boswell era nossa professora e tinha aquele local apenas para sua disciplina. Diferente das outras salas, no laboratório tínhamos colegas com os quais compartilhávamos as mesas. O meu parceiro era Mark e eu me sento à mesa ainda sozinha. Eu tentava ao máximo ignorar os olhares das pessoas me seguindo, provavelmente ainda comentando sobre a cena entre eu e Arizona no pátio.
E o simples fato de pensar na loira fez com que ela passasse pela porta principal, com alguns livros em mãos. Tento não segui-la com o olhar, mas era quase impossível não vê-la sentar-se à três mesas da minha. Ela sequer olhou para mim, diferente do que sempre fazia para dar aquele sorriso sarcástico que me atormentava desde que eu vi ela e Leah no banheiro.
Não tinha muitas pessoas esperando, exceto eu, a loira e mais três homens conversando na lateral da sala. Olho para baixo, em busca de achar a página no livro que havíamos parado na última aula. E quando levanto o olhar vejo a carteira de Arizona Robbins vazia.
– Olá... – um hálito quente bate contra minha orelha direita. Eu me assusto e levanto o olhar para ver a imensidão azul de Arizona Robbins me estudando com um sorriso simpático de lado. – Me perdoe, não quis lhe assustar!
– Está tudo bem... – sussurro, ainda analisando a situação com certa desconfiança. Eu dou um sorriso sem graça e volto a olhar para o livro. – Eu achei que você estaria me odiando agora depois daquilo que aconteceu no pátio mais cedo.
– Não levei aquilo como um insulto. – responde Arizona, sorrindo maliciosamente.
A loira se senta na beirada da minha mesa de um jeito confortável para ela. Eu reviro os olhos quase institivamente ao ver as intenções da mulher. Talvez a voz irritante na minha mente tivesse razão em relação a não perdoá-la.
– Eu já devia imaginar... – sussurro, esperando que ela não ouvisse.
– O que? – pergunta Arizona, tentando entender, mas eu dou um sorriso falso.
– Nada. – respondo mais alto. Analiso a mulher passar a língua por cima do lábio que estava inchado e com uma tonalidade vermelho-escuro. – O que aconteceu com o seu lábio? – pergunto. Arizona fica séria novamente e passa o dedo indicador em cima do corte. Eu não me lembrava de vê-la machucada nos poucos segundos que nos encontramos na festa de Derek.
– Nada demais. – sussurra a loira, fria. – Apenas entrei em uma discussão com um idiota.
– E as palavras cortaram seu lábio? – provoco, dando uma risadinha. Mas Arizona continua séria e meu sorriso morre totalmente. Eu precisava admitir que o frio que aqueles olhos azuis transmitiam chegava a me intimidar. – O que você quer, Arizona? – pergunto, séria. Arizona dá uma risada cínica e exibe suas covinhas. Por alguns segundos eu realmente precisei respirar fundo para não mostrar nenhuma reação àquilo.
– Eu não quero nada, Callie. – responde Arizona, levantando-se da minha mesa. Ao fundo os alunos entravam junto com Lauren Boswell. – Só estava dizendo um “Olá...” para uma amiga. – diz, lançando-me uma piscadela rápida.
– Uma amiga? – repito enquanto a loira andava de costas em direção à sua carteira que dividia com Cristina.
– Quem sabe... – responde Arizona, dando de ombros sugestivamente. – Muitas coisas podem acontecer.
Arizona sorri e senta novamente em sua cadeira. Mark aparece ao meu lado, sentando-se para abrir seus livros. Eu ainda pensava naquela situação, achando aquela atitude da loira um pouco estranha.
– Viajando em um mundo paralelo? – pergunta o homem, passando a mão na frente do meu campo de visão para me retirar dos pensamentos. – Não é do seu feitio, Callie.
– Arizona veio conversar comigo. – sussurro, enquanto Lauren começava sua aula. A expressão da professora não era uma das melhores e eu deduzi que algo havia acontecido com a loira.
– Uau... já? – suspira Mark, assustado. Porém, imediatamente o homem morde a própria língua.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto, franzindo o cenho.
– Eu... hãm... quero dizer... depois do que aconteceu no pátio... ela parece realmente ter lhe perdoado. – gagueja Mark, sem graça. Eu ignoro o jeito do homem, pois estava cansada demais daquela situação.
– Eu estou cansada de mim... odeio quando estouro nas pessoas. – suspiro. Mark sorri e choca nossos ombros de leve apenas para que meu corpo balançasse.
– As coisas irão... mudar. Você vai ver. – diz, dando um sorriso de fato triste.
Antes mesmo que eu pudesse questionar o porquê da tristeza do homem, Lauren Boswell começou a aula.
– Boa tarde para todos. – cumprimenta a loira, com um sorriso forçado. – É apenas o terceiro dia de volta e o segundo oficial com aulas e eu consigo ver rostos cansados. Estou quase conversando com Richard para abolir festas universitárias. – diz Lauren e alguns alunos dão uma risadinha baixa, principalmente Derek e Meredith do outro lado da sala. – Preciso dizer que estou lisonjeada por vocês terem me escolhido como professora responsável pelo baile de arrecadação de fundos. Será algo maravilhoso doar esse dinheiro para instituições necessitadas. Mas, não é porque daqui aproximadamente um mês teremos uma grande festa que deixarei minha turma do terceiro ano da faculdade de medicina desandar. Vocês são 40 dentro dessa sala e se decidirem fazer um complô contra mim tenho certeza que sairei perdendo! – completa e mais um grupo de alunos ri.
– Eu te ajudo, professora! Basta me chamar! – grita Alex do fundo da sala.
Os homens, principalmente, compartilham uma risada enquanto Alex se gabava, dividindo uma mesa com George O’malley, que nunca mais conversara comigo depois da festa.
– Obrigada, Karev! Mas quando precisar de ajuda eu recorrerei a alguém da minha idade. – responde Lauren. Um coro de risadas nasce e o homem cora institivamente. – Agora voltando ao assunto, neste semestre falaremos mais sobre Citologia. E então, como método de interação social ordenado por Richard, eu decidi modificar os parceiros.
Alguns murmúrios ecoam, vindos de principalmente mulheres que tinham como parceiras suas melhores amigas. Mark fica em silêncio e eu estranho o fato do homem não reclamar. Eu também me mantinha imparcial, esperando a professora concluir. Lauren ignora os resmungos e pega uma lista de nomes. Ela cita as novas duplas e as pessoas trocavam de mesas automaticamente.
– Alex Karev sente-se com Izzie Stevens. – diz Lauren, em voz alta. O homem se levanta da carteira com um sorriso vitorioso e senta ao lado da loira. – Derek Shepherd sente-se com George O’malley. – diz. Derek resmunga algo ao precisar sair do lado de sua namorada e sentar com outro homem no fundo da sala. – Cristina Yang sente-se com Meredith Grey. – continua.
– Isso aí! – comemora a asiática, sentando-se ao lado de sua amiga. Lauren ignora e continua.
– Mark Sloan, sente-se com April Kepner. – diz a loira. Mark se despede de mim e caminha até onde Izzie Stevens sentava-se antes. – E por último, Arizona Robbins sente-se com Callie Torres.
Meu sangue congela. Arizona Robbins pega seus livros e se levanta. Ela sorri para mim enquanto caminhava em minha direção e coloca seu material em cima da mesa, sentando-se ao meu lado. A loira se inclina, evitando que as outras pessoas escutassem o que ela estava prestes a dizer.
– Você não é mais apenas uma amiga... agora é minha parceira de laboratório. – completa Arizona, com seu rosto perto do meu por causa do pouco espaço na mesa. Um sorriso de covinhas nasce em seu rosto e eu suspiro.
“Oh, Deus... isso não vai funcionar”.
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