Segundas Intenções
24 Capítulo 23
Notas iniciais
CALLIE PDV
“Eu e Arizona vamos almoçar e sair dali o mais rápido possível”.
Era isso que passava por minha mente enquanto eu procurava algumas peças para Arizona dentro do meu guarda-roupa. Eu não suportava a antipatia da minha mãe, ainda mais quando isso refletia em sua falta de educação com minha... hãm... amiga.
Apenas um toque que eu não estava acostumada me resgata dos pensamentos. Eu me viro, procurando pelo celular que vinha o toque de Who Let The Dogs Out do Baha Men. Eu dou uma risada ao ver que se tratava do celular de Arizona e o procuro dentro dos bolsos de seu jeans que havíamos recolhido no gramado.
Ao achá-lo, vejo o nome “Sofia Robbins” na tela. Deixo a primeira ligação cair, esperando Arizona sair do banho, mas ela demora. Novamente o celular começa a vibrar em minha mão e eu hesito antes de atender.
– Tia Arizona? – uma voz infantil e alegre nasce na linha.
– Não, aqui é uma amiga dela. – respondo, com um sorriso cruzando meu rosto ao ouvir a voz da pequenina. – Sua tia está no banho.
– Quem é você? – pergunta, curiosa.
– Eu sou Callie Torres. – respondo. – E você?
– Sofia, sou a sobrinha da Arizona. – responde a garotinha, com um tom animado. – Prazer em te conhecer.
– Prazer em te conhecer também. – digo. – Quer que eu passe o celular para ela?
– Não. Ela é vaidosa! Só vai sair do banheiro daqui anos. – retruca Sofia e eu sorrio. – Diga pra ela que estamos esperando ela aqui hoje. É aniversário dela.
– Hoje é aniversário dela? – pergunto, surpresa.
– Sim. – responde Sofia, com uma risadinha. – Você é a namorada dela e não sabia?
– O que? – balbucio, assustada. – Eu não sou namorada da sua tia! – respondo rapidamente, me defendendo.
– Se você diz... – cantarola Sofia. Eu travo, tentando gaguejar alguma coisa. O barulho da maçaneta ecoa e Arizona entra no quarto, assustando-se a me ver com seu celular.
– O que você está fazendo? – pergunta Arizona, dando passos rápidos em minha direção.
– Sofia está na linha... – digo, entregando o celular para a mulher.
A expressão tensa de Arizona aos poucos se dissipa e um sorriso genuíno nasce em seu rosto. A loira pega o celular e o coloca na orelha.
– Ei, querida... – murmura Arizona. – Muito obrigada, Picasso! É claro que estou feliz! Ah, não... eu tenho certeza que a mãe vai arrumar choradeira e... – uma risada doce sai por seus lábios. – Tudo bem, eu sei que disse que pensaria na possibilidade. – diz a loira. De repente seus olhos arregalam e ela me olha sem graça. – O quê? Hãm... ela não é!
Minhas bochechas coragem novamente, sabendo que Sofia havia falado que eu e Arizona éramos namoradas. Eu me viro, fingindo procurar minhas roupas no guarda-roupa.
– Ok... nós vamos sim. – murmura Arizona. “Nós?” penso. – Ok... eu também, Picasso. Nos vemos mais tarde. – finaliza. Viro-me e vejo Arizona sorrindo. – Ela é... bastante amigável.
– Por que você não me contou que hoje é o seu aniversário? – pergunto, franzindo o cenho.
– Não gosto de compartilhar essa data... – responde Arizona.
– Por quê?
– Eu e Tim costumávamos conversar através do Skype em datas importantes e ele sempre fazia isso no meu aniversário. Ele faria no meu de vinte anos, mas... ele morreu. – sussurra, caminhando até mim e pegando a blusa que eu segurava. Eu fico em silêncio, observando sua expressão.
– Me desculpe por isso. – digo, com o coração apertando.
– Você não tem nada haver com isso... apenas obra do mero Destino. – responde Arizona, com um sorriso triste. – Agora é sua vez, porque parece temos uma festa para irmos hoje.
– Festa? – cantarolo.
– Posso conseguir uma ou duas cervejas, mas apenas teremos docinhos para comer. – provoca a loira e eu dou uma risada.
– Preciso checar na minha agenda. – continuo o jogo.
– Tudo bem então, Senhorita Torres. – diz a loira, fingindo não se importar. – Agora vá, porque ainda precisamos enfrentar a sua mãe lá fora.
Resmungo alguma coisa, concordando. Pego minha toalha e caminho em direção do banheiro. Vinte minutos depois, eu e Arizona descíamos as longas escadas. A loira já estava com suas coisas organizadas em sua mochila, porque apenas almoçaríamos e sairíamos dali. Eu estava um tanto receosa, porque odiava o jeito como minha mãe costumava tratar outras pessoas.
– Boa tarde, Call... – suspira Herman, ao virar-se e ver duas mulheres entrando na cozinha. – Garotas...
– Boa Tarde. – cumprimenta Arizona. Eu caminho até a mulher mais velha e a abraço.
– Perdão por minha mãe lhe incomodar em sua folga. – digo, dando uma olhada superficial no que a mulher preparava.
– É o meu trabalho, querida. – responde Herman, sorrindo para mim. Ela levanta uma sobrancelha e aponta disfarçadamente para Arizona que se sentava no banco.
– Oh... essa é Arizona Robbins. – apresento a loira. – Arizona, essa é Herman, a governanta. – digo. “E minha única confidente.” esboço no final.
– Espero que você goste de Enchiladas. – diz Herman, sorrindo para a loira.
– É um dos meus pratos favoritos, na verdade. – responde Arizona, sendo cordial.
Eu pego os ingredientes para ajudar Herman e a mulher me lança um olhar de soslaio.
– Não é necessário...
– Eu quero ajudar. – retruco. Herman sorri, sabendo que não iria me contrariar.
– Querem ajuda? – pergunta Arizona, pulando do banco.
– Achei que você não cozinhasse. – provoco, observando-a pegar uma cebola e uma faca.
– Eu sei picar, ok? Não sou tão ruim assim... Agora preste atenção nos seus afazeres! – rosna Arizona, segurando um sorriso. Ela me dá um empurrão com a cintura e eu reviro os olhos para disfarçar minha felicidade.
Um silêncio desconfortável reinava sobre a mesa de refeições. Minha mãe estava sentada em uma das pontas enquanto eu e Arizona estávamos ao seu lado esquerdo. Herman estava na cozinha, terminando de arrumá-la. Arizona comia em silêncio, mas sabia que a loira estava tão apreensiva quanto eu.
– Você já tem uma especialização em mente, Arizona? – pergunta Lucia.
– Eu... hãm... ainda não tenho certeza, mas devo procurar algo relacionado com Pediatria. – responde Arizona. Ergo uma sobrancelha, surpresa.
– Sério? – pergunta minha mãe. – Por quê?
– Eu adoro crianças. – responde Arizona, com um sorriso educado. – Principalmente minha sobrinha.
– Então você tem irmãos? – continua Lucia.
– Mãe... – suspiro, por causa do assunto delicado.
– Tudo bem... – sussurra Arizona para mim. – Sim, eu tive um irmão, mas ele morreu servindo no exército.
– Oh... que coisa triste. – murmura minha mãe. – Sinto muito. Deus deve estar confortando ele em um lugar melhor.
– Obrigada. – murmura Arizona, levando o garfo à boca.
– No que seus pais trabalham, Arizona? – pergunta Lucia. A loira engasga no mesmo segundo.
– Mãe! – peço novamente, parando de comer.
– Eu perguntei para nossa convidada, Callie. Não seja sem educação! – adverte minha mãe, com a voz calma. Eu tranco o maxilar para não respondê-la.
– Hãm... minha mãe não trabalha, mas costumava dar aulas em uma escola pública perto de onde ela morava com meu pai antes deles se separarem. – responde Arizona, bebendo um gole de água para diminuir o desconforto que eu percebia que ela estava sentindo. – Meu pai é um empresário.
– Empresário? Interessante... – murmura minha mãe, usando os talheres. – Em qual ramo?
– Acho que devemos mudar de assunto... – sussurro, olhando para meu prato.
– O que, Callie? Falei algo que lhe ofendeu? – pergunta Lucia.
– Apenas acho que esse tipo de assunto não deve ser discutido em mesa! – retruco, séria.
– Tudo bem... – sussurra minha mãe, com desdém.
Volto a comer, não querendo outro início de conversa. Quanto mais rápido terminássemos aquilo, mais rápido sairíamos daquela casa. Minha mãe percebe meu desconforto e decide investir naquilo. Eu suspiro em raiva e de repente sinto uma mão quente em minha coxa esquerda. Viro-me e vejo Arizona com um sorriso amigo.
– Então... me diga. – começa Lucia e eu dou um suspiro não acreditando que ela iria recomeçar. – Como houve a troca de colegas de quarto? – pergunta minha mãe, nos encarando. Arizona abre a boca para responder, mas eu tomo a frente.
– Arizona estava precisando de alguém adiantada nas disciplinas e que dominasse os conteúdos. – respondo. – Richard me recomendou.
– Aquela sua amiga aceitou facilmente? – pergunta minha mãe, bebendo um gole de sua água.
– Aquela minha amiga tem nome e é Addison! – digo, envergonhada por causa das ações da minha mãe. – E ela aceitou sim, porque isso não mudaria nossa amizade.
– Pelo menos assim você estará longe de más influências. – murmura minha mãe, cortando um pedaço do alimento.
– O que você quer dizer com isso? – pergunta Arizona, com um tom diferente na voz. “Oh... não”.
– Callie não deve andar com pessoas daquele tipo. – responde Lucia.
– “Daquele tipo”? – repete Arizona, descrente do que ouvia. Vejo Arizona respirar fundo, hesitando. A loira engole seu comentário e continua a comer. Ficamos em silêncio por alguns segundos, mas eu sabia que aquilo estava longe do fim.
– Jesus é misericordioso. – continua minha mãe e eu fecho o punho debaixo da mesa. – Tenho certeza que ele irá redimi-la, pois é apenas uma jovem que não sabe o faz.
– Redimi-la pelo o quê? – pergunta Arizona.
– Por ser uma pecadora. – responde minha mãe, encarando a loira.
Arizona não resiste e dá uma risadinha baixa ao meu lado. Rapidamente vejo a expressão calma da minha mãe mudar para uma cheia de raiva. Eu fecho os meus olhos, me arrependendo de ter aceitado aquele almoço.
– Eu disse algo engraçado, Arizona? – pergunta minha mãe, parando de comer.
– Não, me desculpe, Sra. Torres. – sussurra Arizona em um tom irônico e ainda tentando desmanchar o sorriso do rosto. – Apenas... não concordo.
– Você não é católica? – retruca Lucia.
– Sim, eu sou. – responde a loira.
– Não parece ser se duvida do Senhor. – rosna minha mãe, semicerrando os olhos.
– Eu não duvido do Senhor. Apenas acho que o Ele tem coisas mais importantes para se preocupar do que com quem andamos. – responde Arizona, não se intimidando.
– Não tem idade o suficiente para entender disso. – replica minha mãe, querendo ser superior.
– Posso não ter idade, mas já vivi diversas experiências. – murmura Arizona, parando de comer também. – Você acha que companhia define quem você é, mas tudo depende do caráter pessoal e eu tenho certeza que Callie tem um forte e não se influenciaria por pouca coisa.
– Então vocês já estão tão próximas assim? – questiona minha mãe. Eu franzo o cenho, entendendo de fato onde ela queria chegar. “Ela está desconfiando”. Eu abro a boca para falar, mas Arizona se responsabiliza.
– Callie já é adulta o suficiente para saber com quem anda, não acha? – pergunta Arizona. Eu balanço a cabeça para a loira, pedindo que parasse antes que fosse tarde demais.
– Acho que não pedi sua opinião sobre como educo minha filha. – replica Lucia, começando a franzir o cenho de raiva.
– Educando? – rosna Arizona, sorrindo descadaramente. – Você está prendendo ela! Callie é jovem e cheia de vida, porém não usufrui da sua própria beleza.
– Arizona... – sussurro, atordoada com o jeito que a loira me defendia.
– Não, Callie! Eu não suporto ver pessoas boas serem prejudicadas! O meu Senhor é o mesmo que o seu! – diz Arizona, apontando para minha mãe que estava espantada com a atitude da loira. – O seu Senhor é o mesmo que de todo o resto do mundo, apenas com nomes diferentes, mas nem por isso vivemos em uma paz mundial! Você acha que Jesus quer que soframos por vivermos uma vida que não é nossa? Ele quer que sejamos felizes e isso é independe de quem estiver ao nosso lado, independe de sexo, religião ou raça!
– Você não tem direito de entrar na minha casa e me ofender desse jeito! – grita minha mãe, batendo com a mão na mesa e os pratos e copos tremendo. Eu me assusto com o nível que aquilo estava tomando. Herman também observava tudo da cozinha.
– Desculpe se minha simples opinião lhe ofende. – murmura Arizona, limpando a boca com o guardanapo e levantando-se. – Apenas achei que sua crença fosse mais forte do que argumentos alheios.
– Vamos sair daqui... – digo, levantando-me também.
– Você não vai a lugar nenhum! – grita minha mãe, empurrando a cadeira para trás. Seu rosto começando a demonstrar tons de vermelho por causa da tamanha raiva que sentia.
– Callie é maior de idade e pode responder por si mesma. – retruca Arizona, virando-se para mim.
Minha mãe faz o mesmo e espera minha resposta. Eu continuo atônita, sem saber o que fazer. Olho para as duas mulheres, sabendo que se escolhesse uma, magoaria a outra. Tento seguir minha intuição, mas eu ainda não tinha certeza do que queria. Eu respiro fundo e pego na mão de uma das mulheres.
Arizona dá um sorriso de covinhas e eu a puxo, guiando-nos em direção da sala de estar. Eu jurava poder sentir o peso do olhar de Lucia e Herman nas minhas costas, assustadas com a minha decisão. Arizona pega sua mochila, quase se desequilibrando nos passos rápidos.
– Callie! – a voz de Herman estava atrás de mim. Viro-me e a mulher joga para mim a chave do meu carro.
– Obrigada! – digo, enquanto Arizona passava pela porta principal.
– Viva sua vida, querida. – fala Herman, sorrindo.
Faço um afirmativo com a cabeça e passo pela porta atrás da loira. Caminho até a lateral da casa e adentramos na garagem. Meu Thunderbird azul estava ali desde o domingo que passei com Addison. Arizona geme baixo ao ver o carro potente.
– É uma belezura... – comenta a loira, alisando a lataria.
– Espere até ver o motor. – murmuro, com uma piscadela maliciosa.
Arizona ergue uma sobrancelha sugestiva e adentra no lado do carona. Sento no banco do motorista, fecho a porta e coloco a chave na ignição. Ligo o carro e engato a ré, tentando sair o mais rápido possível antes que minha mãe decidisse fazer alguma coisa.
– Respire, Calliope... – pede Arizona, sorrindo. Olho no retrovisor para ter certeza que ninguém estava nos seguindo. Respiro fundo algumas vezes para acalmar meu coração acelerado. – Você está bem?
– Estou mais do que bem. – respondo, sentindo-me aliviada. A loira dá uma risada doce. – Para onde vamos agora?
– Vire à esquerda e continue. – ordena a mulher.
Acelero o carro, fazendo o que me foi mandado. Depois de percorremos o bairro nobre, Arizona pede para que eu diminuísse a velocidade.
– É aqui... – diz Arizona, apontando para uma casa de dois andares.
Estaciono o carro e saímos do veículo. Arizona espera que eu dê a volta no carro e estende a mão para mim. Eu sorrio e entrelaço nossas mãos enquanto caminhávamos em direção à porta principal. A loira aperta a campainha e uma voz feminina nos pede um segundo de espera. A maçaneta gira e uma mulher de aproximadamente 45 anos, loira e de olhos azuis nos atende.
– Arizona! – cumprimenta a mulher. – Feliz aniversário, minha filha! – diz, puxando Arizona para um abraço apertado. A loira solta minha mão e responde o afeto.
– Hãm... obrigada, mãe. – responde Arizona, um pouco tímida. – Mãe, esta é Callie... Callie esta é Barbara.
– Olá Barbara. É bom finalmente lhe conhecer. – digo, abraçando a mulher.
– Oh, então falaram de mim? Espero que tenha sido coisas boas! – murmura Barbara, com uma risada parecida com a da filha.
– Não existem coisas ruins para falar sobre você. – responde Arizona, dando um beijo na bochecha de sua mãe. Eu sigo a loira que me guia para dentro da casa. – Agora onde está a minha sobrinha preferida? – grita Arizona e uma risada alegre ecoa na sala de estar.
Uma garotinha linda de pouco mais de cinco anos aparece da cozinha e corre em direção de Arizona, pulando em seus braços. Arizona segura contra o corpo enquanto Sofia ria.
– Feliz aniversário de novo, tia Arizona! – comemora Sofia, abraçando o pescoço da loira.
– Obrigada, Picasso! – responde Arizona, com um sorriso que eu nunca havia visto. Sofia percebe a minha presença e olha para sua tia. – Essa é Callie.
– Olá, Callie! – cumprimenta Sofia, pulando dos braços da loira e vindo em minha direção. Ela abraça minhas pernas com força e Arizona esboça para mim com os lábios “Eu disse que ela era bastante amigável”.
– Ei, Sofia. – respondo, abraçando-a de volta.
– Você é muito mais bonita pessoalmente. – murmura a garotinha.
– Oh... Arizona andou falando de mim? – provoco, olhando para Arizona que corava.
– Arizona não calava a boc...
– Engraçadinha... – murmura Arizona, chegando por trás de Sofia e fazendo cócegas em sua barriga. A menininha se contorce e começa a rir.
– Venha... – chama Barbara, ao meu lado. – Porque essas duas ficarão aí por um bom tempo.
Eu acompanho Barbara até cozinha e vejo o bolo de aniversário sobre mesa, com 25 velinhas em cima do creme.
– Eu tentei ensinar para Arizona uma vez essa receita... – murmura Barbara, terminando de arrumar o creme ao redor do bolo. – Mas tenho a impressão que ela não aprendeu. – completa, sorrindo.
– Oh... ela disse que sabe fazer apenas Pound Cakes. – respondo, tentando levar aquilo para o lado inocente da coisa.
– E panquecas.
– Ela sabe fazer panquecas? – pergunto, sem acreditar.
– Sim e muito bem! Por quê? – pergunta Barbara, semicerrando os olhos. – Aposto que ela fez você fazer, não foi?
– Sim. – bufo.
– Ela tem uma estranha mania de observar as pessoas cozinhando. – murmura Barbara. – Quando era pequena, ela costumava acordar cedo apenas para me ver fazendo café!
– Sério?
– Sim... – responde Barbara.
Eu viro meu rosto e vejo Arizona brincando com Sofia no sofá. Um sorriso bobo cruza meu rosto ao ver a loira mais nova dando uma gargalhada doce quando Sofia pula em seu colo. O olhar de Arizona cruza com o meu e eu sou pega em flagrante. A loira se levanta e ao lado de sua sobrinha, caminha em minha direção na cozinha.
– Onde está todo mundo? – pergunta Arizona.
– Robert e seu pai saíram. – responde Barbara.
– Espera... o quê? – pergunta a loira, assustada.
– Sim. Daniel chamou Robert para jogar golfe hoje e prometeram estarem aqui mais tarde depois de um campeonato de Poker no clube. – murmura a mãe da loira.
– Por que meu pai fez isso? – pergunta Arizona, confusa.
– Talvez ele esteja apenas tentando ser amigo de Robert. – digo.
– Eu também acho o mesmo. – completa Barbara. – Já é hora das implicâncias entre os dois terminarem.
– Ainda assim... – suspira Arizona, pensativa. – Não é do feitio do meu pai fazer isso.
– Ele já foi assim um dia, Arizona. – adverte Barbara e Arizona suspira. – Bem... – ela diz, mudando de assunto. – Quando Teddy e Alex vão chegar?
– Daqui a pouco. – responde Arizona. – Alex acabou de me mandar uma mensagem e Teddy disse que está vindo com Addison.
– Quem é Addison? – pergunta a loira mais velha.
– É nossa amiga. – eu e Arizona respondemos em coro. Barbara ergue uma sobrancelha com a estranha sincronia.
– Hãm... – gagueja Arizona, sem graça. – Eles... eles devem estar chegando. – pigarreia.
– Tudo bem... – murmura Barbara.
A loira mais velha se distancia em direção da cozinha. Ela pega o bolo e o coloca em cima da mesa de jantar. Arizona olha para mim com um sorriso preguiçoso.
– Feliz aniversário... – esboço com os lábios. Arizona dá uma risada baixa e caminha até perto de mim, fazendo-me sentir sua respiração quente contra meu rosto.
– Obrigada... – sussurra de volta. A loira se inclina para beijar meus lábios, mas o barulho de alguém batendo na porta nos faz virar o rosto. Arizona rosna baixo e caminha para abri-la.
– Parabéns para você... nessa data querida, muitas felicidades, muitos goles na vida! – a voz de Teddy ressurge do lado de fora da casa. Uma risada doce sai pelos lábios de Arizona e a loira a abraça. Addison e Alex entram na casa também e Sofia corre para cumprimentá-los.
– Teddy, Alex! – grita Sofia, pulando nos braços do homem.
– Ei, garotinha... Jesus... você cresceu muito desde que lhe vi pela última vez. – murmura Alex, bagunçando superficialmente o cabelo da menina. Eu caminho até a sala de estar e observo tudo encostada contra a dobradiça da porta. Teddy abraça Barbara enquanto Addison cumprimentava Arizona.
– Parabéns! – diz Addison, abraçando Arizona.
– Obrigada, Addison! – responde a loira, sorrindo. – Fico muito feliz por ter vindo.
– E deixar Teddy dirigir na ressaca que está? – provoca Addison e Teddy bufa. – Seria mais seguro vendar os olhos dela.
– Parabéns, Casanova! – diz Alex, cumprimentando-a.
– Obrigada, cara. É bom tê-lo aqui. – murmura Arizona, abraçando seu amigo. Alex sorri, respondendo ao afeto. “Amizades...” meu cérebro murmura ao ver que os dois já estavam bem novamente.
– Sempre. – termina Alex, dando um tapinha nas costas da amiga. Addison me vê distante da cena e caminha até mim.
– Como você está? – pergunta Addison. – Eu passei na sua casa achando que vocês talvez quisessem uma carona e... Herman me falou que vocês tinham saído poucos minutos antes.
– Eu estou bem... – suspiro. – Minha mãe ainda estava em casa?
– Não parecia que estava. – responde Addison, com um sorriso triste. – Como que isso aconteceu?
– Minha mãe chegou sem avisar. – digo, passando a mão por minhas têmporas um pouco doloridas. – Eu e Arizona... hãm... estávamos na piscina, mas por sorte nada além que isso. Minha mãe não é boba, Addison, tenho certeza que ela começou a desconfiar.
– Desconfiar que...?
– Que eu e Arizona não somos apenas amigas.
– E vocês são o quê? – pergunta Addison, franzindo o cenho.
– Ah... – gaguejo, sem resposta alguma para aquilo. – Eu... eu não sei. Só sei que somos algo a mais que isso.
– É... eu sei o que você quer dizer... – sussurra Addison, olhando em direção de Teddy que ria com Arizona na sala.
– A mesma coisa? – pergunto.
– Sim.
– Estamos encrencadas, não estamos? – provoco-a e a ruiva sorri.
– Muito. – responde Addison e me dá um empurrão de leve. – Agora vamos... nossas garotas estão nos esperando.
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ARIZONA PDV
– Faça um pedido! – gritam todos na sala de jantar. Fecho os meus olhos e me concentro no que queria.
Eu inspiro fundo e assopro uma boa quantidade de velas acesas. Meu ar termina e metade ainda continuava intacta. Uma risada vem dos lábios de Sofia e eu inspiro fundo novamente, assoprando o resto. Uma salva de palmas nasce e eu sorrio, analisando cada pessoa que sorria para mim. Minha mãe, Sofia, meus amigos e Callie...
– Eu quero um pedaço! – pede Sofia, olhando para o bolo tentador.
– Não se eu pegar primeiro! – provoca Teddy, fazendo uma careta para a menininha.
– Parabéns, querida. – diz minha mãe, caminhando até mim para me abraçar. – Eu sou muito feliz por ter você na minha vida. – fala, afagando meu rosto. – Eu estou muito feliz que você finalmente tenha mudado!
– Você acha que eu mudei? – sussurro.
– Sim. – responde Barbara, sorrindo. – Mas eu sei que no seu coração você sempre foi e sempre será a minha garotinha Arizona. Não mude essa sua qualidade, nem por mim e nem por ninguém. Não importa o quão difícil pareça a situação, você vai conseguir sair dela!
– Obrigada, mãe. – digo, com meus olhos lagrimejando.
Eu abraço a mulher ainda mais forte, querendo transmitir pelo menos uma parcela do grande amor que eu sentia por ela. Eu respiro fundo depois de longos segundos e ela sorri para mim.
– O que acham do bolo agora, huh? – pergunto e Sofia comemora.
Com uma garrafa de cerveja gelada em mãos e sentada no sofá, eu observava Addison e Teddy brincarem com Sofia no karaokê ligado à televisão. Mudo meu foco para a cozinha e vejo Callie e minha mãe rindo sobre algo. Eu precisava admitir, eu tinha uma queda por mulheres que sabiam cozinhar. “Talvez Callie lhe ensine um dia...” meu cérebro grunhe. Um arrepio corta meu corpo, ao ver que eu acabara de fazer planos para o futuro com Callie. Não teríamos um futuro.
– Desse jeito a cerveja vai esquentar. – diz Alex, sentando-se ao meu lado no sofá. Eu dou uma risadinha sem graça, ainda perdida em pensamentos. O homem segue o meu foco e percebe o que eu observava. – O tempo está acabando, não é?
– Uma semana, Alex. – sussurro, olhando para meu melhor amigo. – E eu não sei como vou fazer isso.
– Arizona, eu te conheço melhor que ninguém. – murmura Alex, franzindo o cenho. – O problema não está em como você vai fazer isso... e sim se você quer fazer isso.
– Droga... – suspiro, passando minha mão livre por meu rosto. – Isso é a única coisa que ronda minha cabeça ultimamente.
– Você está gostando dela, não está? – pergunta o homem. A música do karaokê abafava nossa conversa e eu agradecia por isso.
– Eu não posso. – digo.
– Não pode?
– Não posso gostar dela! – repito, com um olhar de súplica Alex.
Levanto-me, inquieta. Caminho até a porta dos fundos que dava para um pequeno jardim. Eu precisava de ar fresco. Bebo um gole da minha cerveja, mesmo que meu organismo negasse o líquido e fico ali por longos minutos.
– Você está bem? – a voz de Teddy ressurge ao meu lado. Alex também aparece, preocupado. Olho para os lados procurando por outras pessoas. – Addison e Sofia foram ajudar Barbara na cozinha, não se preocupe.
– Burke deu algum outro sinal de vida? Ligou para algum de vocês? – pergunto, não querendo disfarçar meu tom de desespero.
– Não... – respondem os dois.
– Droga! – rosno, fechando meu punho esquerdo. Como eu queria socar alguma coisa. – Esperar é a pior coisa.
– Todo psicótico gosta de jogar com a presa. – diz Teddy. Alex ergue uma sobrancelha para a loira.
– Não está vendo muito CSI: Miami? – provoca o homem e Teddy revira os olhos.
– Essa não é a questão agora, Alex. – adverte Teddy e meu amigo sinaliza que sim, sem graça.
– Ela não merece isso. – digo mais para mim do que para meus amigos. Eu caminho pela grama verde e tento utilizar o cheiro da relva para me acalmar assim como na primeira vez que corri com Callie. – Ela não é quem eu achava que ela era.
– Do que você está falando? – pergunta Alex, confuso.
– Ela não é como Carlos Torres. – respondo, virando-me para eles. – Ela é boa! Ela é carinhosa e verdadeira... Callie é a única coisa boa daquela família. Eu... eu não posso mais fazer isso com ela!
Meus amigos ficam em silêncio absoluto, ainda atônitos com o que eu acabara de dizer. Vejo por cima do ombro de Alex o vulto de alguém caminhando pelo corredor em nossa direção e Callie aparece.
– Está tudo bem? – pergunta a morena, preocupada ao ver nossas expressões.
– Sim. – minto, tentando colocar um sorriso no rosto.
– Sofia disse que quer jogar mímica com vocês. – diz Callie, sendo prestativa.
– Tudo bem, já vou. – digo, bebendo o último gole da cerveja e caminhando em direção da mulher. Alex e Teddy nos seguem, ainda em silêncio.
Adentramos na casa e eu me sento no sofá, deixando que Teddy e Alex cuidassem da brincadeira depois das inúmeras vezes que já brincaram com minha sobrinha. Sofia puxa minha mãe para a brincadeira e eu dou uma risada, que ajuda o fardo que pesava minhas costas se dissipar um pouco.
Callie se senta ao meu lado e sorri para mim. Observo a expressão calma da mulher e eu retribuo outro. Passo seu braço ao redor de mim e deito-me em seu ombro. Eu não sabia o que estava fazendo, mas apenas estava obedecendo à voz azucrinante na minha cabeça. Callie beija o alto da minha cabeça e eu fecho os olhos, ouvindo a risada dos meus amigos e família.
“Eu não posso mais fazer isso com ela...”.
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CALLIE PDV
Com uma faca na mão direita e alguns legumes na esquerda, eu ajudava Barbara a cortar alguns ingredientes para um prato. O telefone da loira mais velha toca e ela pede licença por alguns minutos da cozinha. Olho por cima do ombro e vejo Alex e Arizona conversando na sala.
– Aqui, Callie... – a voz de Sofia ressurge ao meu lado. Vejo a menininha equilibrando alguns pratos e copos nas mãozinhas.
– Oh, obrigada, querida. – digo, ajudando-a.
– Você quer ver meus desenhos? – pergunta Sofia, com um sorriso de covinhas.
– Claro. – respondo, limpando minhas mãos em um pano perto.
Subimos as escadas e paramos em frente a uma porta de madeira branca. Sofia a abre e eu fico boquiaberta ao ver a quantidade de desenhos espalhados pelas paredes. Alguns pintados e outros apenas preto e branco. Era óbvio que eles foram feitos por uma criança, mas eu nunca acreditaria que seria por uma de cinco anos.
– Meu Deus... – suspiro, analisando os desenhos.
– Você gostou? – pergunta Sofia, receosa.
– Você desenha muito bem. – digo, ainda admirada. Olho para a menininha e vejo que ela estava feliz com o meu elogio.
– Eu tive uma gincana semana passada na minha escola e meu time ganhou. – diz Sofia. – Minha tia Arizona me deu um kit de desenhos como presente. – anuncia a garota, mostrando um suporte cheio de pincéis, lápis e tintas.
– Você e Arizona são bem próximas, não é? – pergunto, observando a garotinha.
– Ela é como minha segunda mãe. – responde Sofia, me fitando com seus olhos castanhos-chocolate. – Quando o papai morreu... eu ainda não tinha conhecido ele porque eu ainda era um bebezinho. Mas a tia Arizona vive me contando coisas sobre ele. – diz. Ela passa sua mão por um dos desenhos e eu estudo o papel.
– Posso ver? – pergunto, chegando mais perto de um ainda incompleto.
– Eu não terminei ainda, mas... sim. – responde Sofia.
Eu me agacho e analiso o esboço do corpo de uma mulher com óculos escuros e um cigarro no canto da boca. Ela estava encostada em uma moto. Um sorriso cruza meu rosto ao ver que se tratava de Arizona.
– Foi em um dia que ela me buscou na escola, nas férias da sua universidade.
– Eu não acredito que ela fuma na sua frente. – murmuro e Sofia dá uma risadinha doce.
– Não se preocupe, não sou tão influenciável. – responde a menina. – Além que tem muito tempo que não vejo minha tia fumar.
– Eu também não. – sussurro, só agora percebendo o fato.
– Eu... eu posso perguntar uma coisa? – pede Sofia, mexendo o pé esquerdo como se estivesse com vergonha.
– Claro que sim.
– Por que vocês duas quase se beijaram? – pergunta Sofia, com seu olhar de criança curiosa. Eu hesito, sem saber como explicar aquilo. – Você e minha tia.
– Hãm... – gaguejo.
– O que as garotas estão fazendo? – pergunta Barbara aparecendo na porta. – A Sofia apenas some de visão quando está aprontando alguma coisa.
– Estamos falando sobre o fato de Arizona e Callie namorarem. – responde Sofia, com um sorriso sapeca.
– Sofia! Eu já disse que não se fala desse tipo de coisa. – adverte a avó da criança. – Me desculpe, Callie. – pede Barbara, passando as mãos pelos cabelos da menina. – Sofia às vezes é curiosa demais!
– Tudo bem, Barbara! Crianças são assim. – murmuro, sorrindo verdadeiramente.
– É bonitinho... – diz Sofia, rindo.
– Concordo que vocês fazem um belo casal. – completa Barbara, sorrindo.
– Não somos um casal. – retruco, sem graça. Barbara arqueia uma sobrancelha, confusa. – Quero dizer... nenhuma de nós duas falamos a palavra “namorada” então...
– Oh... entendi. – cantarola Barbara, balançando levemente a cabeça. – Ainda estou por fora desses relacionamentos modernos.
– Vó, posso ir jogar karaokê com a Teddy? – pede Sofia, olhando para cima.
– Claro, querida. – responde Barbara. Sofia comemora e sai correndo pela porta. – Não corra! – pede a loira mais velha, mas a menina já não escutava mais. – Teddy e Alex praticamente já fazem parte da família. – diz Barbara, juntando os pincéis e lápis espalhados pelo quarto.
– Eles e Arizona são melhores amigos. – comento, ajudando a mulher.
– Você é sempre prestativa. – murmura Barbara e eu sorrio amistosamente. – E sim, eles já ajudaram muito Arizona quando ela precisou.
– Arizona já me contou toda a história... – digo, querendo passar qualquer tipo de apoio. – Eu sinto muito.
– Todos nós temos cicatrizes que se fecharam com o tempo. – murmura a loira mais velha, colocando os pincéis dentro do suporte.
– Mas elas sempre continuaram ali... sendo nossos pontos fracos. – completo.
– Exatamente. Nenhuma família é perfeita, Callie. – murmura Barbara, com um sorriso triste. – Mas às vezes o laço de sangue é mais forte que você imagina e são impossíveis de explicar. Eles nos conectam até mesmo depois de parecer que foram rompidos. Porém, existem outros laços que não são sanguíneos e são mais fortes ainda... esses... desafiam a distância, o tempo e a lógica, porque simplesmente devem existir.
– E quais seriam?
– Amor, por exemplo. – responde Barbara, calmamente. – É um laço que existe tanto em família quanto entre desconhecidos.
– Você acha que amor existe? – pergunto.
– Oh Deus, Arizona te transformou em uma cética? – provoca Barbara e eu dou uma risada. – Cuidado, Arizona tem o poder de mudar as pessoas!
– Sim, ela tem. – sussurro, com um sorriso bobo. Barbara me estuda por alguns segundos.
– Desde quando vocês... você sabe... – murmura a loira, erguendo uma sobrancelha sugestivamente.
– Hãm... três semanas, eu acho. – respondo.
– Acredite ou não, mas em poucos dias fará um mês que não tenho problemas com Arizona. – diz Barbara, erguendo uma sobrancelha sugestiva. – Isso é um tempo recorde há... quatro anos.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto, franzindo o cenho.
– Ela está melhor. – responde Barbara, dando um sorriso aliviado. – Ela está sorrindo, ela me liga com mais frequência. Eu não vi um cigarro até agora na mão dela, ela parou de se meter em confusão e graças a Deus, está estudando! Eu liguei para ela semana passada e ela disse que estava em uma biblioteca. Eu não acreditei quando ouvi aquelas palavras.
– E você acha que...
– Sim, eu acho que é por causa de você. – completa Barbara. – Arizona me disse que havia mudado de quarto e conhecido uma garota. Eu primeiro momento achei que seria apenas mais problemas, mas eu estava enganada. Minha filha já passou por diversas coisas e eu não duvido que ela seja forte, mas essa força a tornou em uma pessoa fechada a sentimentos alheios.
– É... eu sei que toda aquela mania de ser forte era apenas uma camuflagem. – murmuro, um pouco envergonhada.
– Arizona faz isso. Quando a situação fica difícil ela foge e para de usar o bom senso. – murmura Barbara, caminhando e colocando a mão em meu ombro. – Eu sei que estou muito atrasada para os relacionamentos atuais. – brinca e eu sorrio. – E nem quero apressar as coisas entre vocês duas, já que você mesma diz que não tem algo concreto entre vocês... Mas, você trouxe minha filha de volta e eu preciso lhe agradecer.
– Eu... eu não fiz nada... – sussurro, não sabendo o que falar.
– Sim, você fez. – retruca Barbara, concordando com a cabeça.
Eu engulo seco. Não sabia explicar o que apertava minhas entranhas naquele momento, mas sabia que era por causa do amor que Barbara parecia transmitir. Meus pais, por mais que estivessem presentes, não transmitiam uma parcela do carinho verdadeiro que a “família” de Arizona transmitia. Ao ver meu silêncio, Barbara decide terminar com a conversa delicada.
– O que acha de me ajudar na cozinha, huh? – pergunta a loira mais velha.
– Claro. – digo.
Saímos do quarto e seguimos o corredor até a cozinha. Teddy e Sofia cantavam o que parecia ser I Kissed A Girl da Katy Perry e eu e Barbara começamos a rir da dança da loira. Arizona estava sentada no sofá, com uma garrafa de cerveja em mãos, observando as duas. Viro-me para a cozinha, ainda rindo com Barbara.
Pouco depois, Addison e Sofia se juntaram a nós na cozinha e a menina falava sobre jogar mímica com a tia. Olho para trás e não vejo nem Teddy, Alex ou Arizona. Decido procurá-los e encontro-os com uma expressão séria no quintal.
Eu queria perguntar o que havia acontecido, mas sabia que Arizona queria espaço apenas pelo olhar de súplica que ela me enviava. E quando, sentadas no sofá, Arizona colocou meu braço ao redor de seu corpo e deitou-se em meu ombro se aconchegando, eu sabia que Barbara estava certa. Eu beijei o alto de sua cabeça, sorrindo, por só agora perceber o que já era óbvio.
“Eu estava apaixonada por Arizona Robbins.”
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