Segundas Intenções
21 Capítulo 20
Notas iniciais
ARIZONA PDV
Quatro dias e meio nunca passaram tão depressa na minha vida e eu há muito tempo não me sentia tão bem. Eu estava ciente que estava quebrando minhas regras, mas... droga... aquilo era tão bom! Callie Torres estava fritando minha mente das mais diversas maneiras possíveis. Não tínhamos hora, não tínhamos lugar, apenas estávamos em um completo feitiço, o qual não conseguíamos largar o corpo uma da outra.
Jesus... aquela mulher era uma coisa de outro mundo. Ao mesmo tempo em que poderíamos estar dentro de uma sala de aula tentando, pelo menos, prestar atenção na aula, Callie não hesitava em deslizar sua mão por baixo da carteira e acariciar minha coxa internamente. Ou ainda quando ela pedia licença da sala para ir ao banheiro... oh, eu sabia que aquilo significava que eu deveria estar atrás delas segundos depois. E o melhor de tudo isso era seu sorriso malicioso, ele simplesmente acabava com a minha sanidade. Eu já havia perdido a conta de quantos orgasmos maravilhosos eu havia tido naqueles dias.
De acordo com Addison parecíamos duas adolescentes que acabaram de conhecer o sexo. E qual é... estávamos na faculdade! Saber que havia inúmeros lugares naquele campus que poderíamos nos esconder era o que dava à nossa “relação” uma sensação excitante.
Aconteceu no banheiro: Eu escovava os dentes em frente ao espelho, enrolada na minha toalha e de repente Callie entrou no banheiro já enrolada na sua. Eu a observei, através do espelho, mordiscar o lábio inferior antes de soltar a ponta da toalha. Meus olhos arregalaram ao vê-la totalmente nua no meio do banheiro com a porta aberta. A me ver boquiaberta, a morena deu uma piscadela e adentrou no box, deixando-o entreaberto. Uma risada alta saiu por meus lábios enquanto eu terminava de escovar meus dentes. Fechei a torneira às pressas e soltei a toalha do meu corpo antes de entrar no box e um grito vitorioso sair dos lábios de Callie.
Também aconteceu no chão de nosso quarto. Eu e Callie estávamos conversando sobre alguns golpes que havíamos visto em um filme policial que tínhamos terminado de assistir. Inocentemente eu duvidei da morena quando ela disse que sabia lutar e oh... eu não me arrependo disso. Callie me prendeu contra a parede e me virou contra ela, com meu braço torcido para trás. Jesus... a voz dela no meu ouvido fazia cada partícula do meu corpo entrar em chamas. Então quando ela me soltou a me ver sem reação e eu tentei tomar o controle, mas caímos no chão com ela me imobilizando novamente. Não demorou muito que em meio à provocação nossas roupas estivessem fora de nossos corpos...
Claro que eu não poderia esquecer-me da noite de ontem. Eu e Callie resolvemos sair para comermos alguma coisa, já que Richard havia proporcionado uma noite saudável no refeitório e Callie odiava salada. Era próximo da meia-noite quando voltávamos já um pouco alteradas por causa do vinho que acompanhou nosso jantar. Ao estacionar a moto em uma vaga na universidade percebi o quão deserto estava o local. Callie estava com um sorriso pervertido e não deixou que eu retirasse a minha perna da moto. Ela sentou na minha frente na moto e me empurrou para trás, já começando a deslizar a mão por minha barriga e adentrando em meu jeans apertado. Jesus... eu jurava que seriamos pegas em cima da minha moto, mas... aquele foi um dos melhores orgasmos da minha vida.
O mais recente havia acontecido hoje, cerca de quatro horas atrás... no elevador. Callie havia dito que estava indo para a biblioteca estudar e que voltaria apenas mais tarde. Eu sorri, sabendo que aquilo era um convite. Fingi que também iria estudar com a mulher e adentramos no cubículo de metal com alguns livros em mãos. Mas, antes mesmo do elevador chegar ao segundo andar eu apertei o botão emergência e ele parou. Não precisou de cinco segundos para que nossos livros caíssem no chão e eu prendesse Callie contra a parede de metal mais próxima, retirando suas roupas o mais rápido que minhas mãos conseguiam. Eu estava completamente viciada.
E quando não estávamos gritando de prazer, estávamos juntas com Addison e Teddy estudando ou até mesmo matando o tempo debaixo de uma sombra no pátio da universidade. De um modo estranhamente rápido havíamos nos tornado amigas. Eu pude ver como Teddy estava mais animada quando Addison estava perto dela. Ríamos de coisas banais comigo deitada nas pernas de Callie e Addison e Teddy jogando pedaços de comida uma na outra. A risada de Callie era... linda. Um sorriso bobo estava em meu rosto durante todo aquele tempo.
Caminhando pelos corredores do prédio principal, eu fazia um grande esforço para equilibrar alguns livros em mãos. Era o começo de uma noite de quinta-feira e eu teria mais duas aulas seguidas de Anatomia Patológica. E pensar que teria que enfrentar o olhar frio de Lauren em cima de mim fazia meu estômago revirar.
– Ei... sumida! – a voz de Alex ressoa ao meu lado. Eu sorrio para meu amigo. – Pelo visto achou novas amigas, huh?
– Oh... Alex Karev com ciúmes? Fico lisonjeada! – provoco o homem. Alex revira os olhos enquanto caminhava comigo pelo corredor e acendia um cigarro.
– Tome... – diz o homem, oferecendo o cigarro para mim. Só então eu percebi como eu não sentia falta de nicotina, porque eu não me lembrava da última vez que havia fumado.
– Ah... eu não quero, mas obrigada! – respondo, sendo simpática.
– Ah, qual é... – cantarola Alex, dando uma risadinha. – Callie não está por perto, pode fumar sem que ela encha seu saco.
– Eu realmente não quero, Alex. – murmuro, ainda tentando ser amistosa. – Não estou com vontade... – completo. A expressão do homem fica séria.
– Desde quando você precisou estar com vontade para fumar? – pergunta Alex. – Tudo bem então... – ele diz, descrente. – Então largue esses livros e venha comigo. Ouvi dizer que a turma do segundo ano de medicina está fazendo um jogo de copos no quarto de algum deles. – oferece Alex, parando de andar na minha frente e me impedindo de passar. Eu suspiro e olho no relógio vendo que já era próximo das 18 horas. – Aposto que eles escondem bebidas lá e podemos virar a noite, o que acha?
– Não, obrigada. Amanhã eu... eu preciso acordar cedo e... – respondo, procurando por uma desculpa para minha falta de interesse. Vejo seu olhar duro sobre mim e me sinto como se eu estivesse em um interrogatório.
– O que está acontecendo com você, huh? – rosna Alex.
– Eu apenas não quero sair e nem fumar agora, Alex, não é uma grande coisa! – retruco, não entendendo o porquê das reações do homem.
– Sim, é uma grande coisa! – responde Alex, franzindo o cenho. – Arizona, por acaso você se esqueceu de que isso tudo é uma aposta? – pergunta, com certa raiva.
– Não comece, Alex... – bufo, recomeçando minha caminhada. Afasto qualquer pensamento relacionado àquilo para o fundo da minha mente assim como eu estava fazendo nos últimos dias.
– Arizona... olha para mim. – diz Alex, procurando o meu olhar. – Eu não quero que você se machuque, ok? Então pare!
– Eu não estou fazendo nada! – tento me defender, mas a descrença do homem continua intacta.
– Sério? – cantarola, sarcástico. – Pare, ok? É só isso que lhe peço. Faça o que tem que fazer... e termine com isso. Você pode ter inúmeras outras mulheres menos essa! Esqueceu o que o pai dela fez para você?
– Alex, pare! – eu rosno, com a raiva começando a nascer. – É você quem tem que parar! Eu sou bem grandinha e sei cuidar da minha vida! Além do mais... eu estou atrasada para a aula.
– Hum... você está preocupando com estudos? – cantarola novamente. Eu reviro os olhos, perdendo a paciência. Alex era um bom amigo, mas às vezes ele agia como um imbecil. – Callie está mesmo fazendo um efeito positivo em você!
– Argh... você apenas apareceu para me azucrinar? – retruco, nervosa.
– Não... me desculpe se fiz isso... talvez George esteja certo... – responde Alex, jogando o cigarro mal tocado na lixeira. – Apenas vim saber como você estava, mas percebo que você não precisa mais da minha opinião.
Ao terminar de falar o homem caminha na minha frente e empurra a porta do laboratório de Anatomia Patológica bruscamente. “Ótimo dia...” meu cérebro resmunga. Respiro fundo e empurro a porta, também adentrando na sala que já estava cheia. Lauren faz um sinal com a mão para que eu me assentasse. Callie estava em nossa mesa, com um sorriso doce no rosto, provavelmente ainda se lembrando de nosso momento do elevador horas atrás. Eu esforço o máximo que conseguia para retribuir outro.
– Tudo bem? – pergunta a morena, ao meu lado.
– Sim. – minto. Eu coloco um sorriso fraco no rosto.
– Boa noite pessoal! – anuncia Lauren, caminhando para o centro do laboratório. – Imagino que ver meu rosto nos dois últimos horários de uma quinta-feira não é o desejo de muitos. Mas, antes de começarmos nossa aula, preciso falar sobre a nossa festa de arrecadação de domingo. – diz a loira mais velha. Um suspiro cansado sai por meus lábios por ter esquecido completamente daquilo. – Tenho certeza que já viram nos panfletos espalhados pela universidade, mas o tema da festa de arrecadação de fundos será um baile de máscaras.
Murmúrios de excitação das mulheres se misturam com os resmungos dos homens. Callie sorri, provavelmente gostando da ideia.
– E como eu sou a professora responsável... – continua Lauren. – Preciso avisá-los que o baile acontecerá aqui na universidade, no salão de festas. Não haverá aulas no domingo, porque toda a universidade estará se preparando para isso. Convites serão vendidos na reitoria, então convidem quem quiserem. – completa Lauren, caminhando de volta para sua mesa. – Então, vamos começar nossa aula...
– Você brigou com o Alex, não foi? – pergunta Callie, ao meu lado. Meu sangue gela por alguns segundos, temendo o fato dela ter ouvido nossa discussão.
– O q-que? – gaguejo, baixo.
– Você não está com uma das melhores expressões e ele também está emburrado no canto da sala. – responde Callie, apontando com a cabeça para trás. Eu viro o rosto e vejo o olhar frio de Alex para cima de nós. Eu engulo seco, um pouco aliviada e me viro para a morena novamente.
– Foi pura bobagem, não se preocupe. – sussurro, com um sorriso falso. Callie sorri e encosta seu ombro no meu para me animar.
– O que você achou? – pergunta. Eu sorrio apenas ao ver a delicadeza da mulher. – Sobre o tema do baile...
– Parece ser interessante... – respondo, tentando me acalmar. – Mas o que mais me interessa é ver você em uma máscara. – provoco-a e ganho um sorriso maior.
– Hum... e você em um vestido... oh meu Deus... – retruca Callie, revirando os olhos para me provocar. Eu não resisto e começo a rir da mulher.
Alguém pigarreia na sala e nós ficamos caladas ao ver Lauren nos encarando. A loira mais velha olhava diretamente para mim e eu via o ciúme em seus olhos.
– Estou interrompendo algo, senhoritas? – pergunta Lauren. A sala inteira olhava em nossa direção. Callie estava prestes a levar a culpa, mas eu tomo a frente.
– Não, é minha culpa! Desculpe-me. – respondo, fazendo Lauren franzir o cenho com a minha ação.
A mulher nos lança mais um olhar de advertência e continua sua aula. Callie sussurra um “me desculpe” por ter sido ela quem começou o assunto e eu faço um movimento banal com as mãos sinalizando que estava tudo bem. Mas o que de fato me preocupava era o olhar de Lauren por cima do ombro para mim. Ela também questionava a mesma coisa que Alex: eu estava levando aquilo longe demais... eu estava me envolvendo demais.
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CALLIE PDV
“Eu estou ferrada”
Em uma escala de 0 a 10, se eu pudesse dizer o quanto a minha voz racional estava irritada comigo eu daria um 11. Mas parecia que a minha massa cinzenta estava disposta a ignorar qualquer aviso de perigo durante aqueles quatro dias e em vez de parar e pensar, eu agia apenas por impulso. Um impulso forte de ter Arizona contra o meu corpo o tempo todo e seus lábios contra os meus.
Sim, assim como Addison havia dito apenas para mim, eu parecia uma criança que havia ganhado um brinquedo novo. Bem... se mais de dois orgasmos por dia era o brinquedo novo... eu já queria toda a coleção do mesmo.
Porém, o que mais me impressionava era o fato que não parecia nada forçado. Eu e Arizona íamos às mesmas aulas, fazíamos as mesmas coisas, estudávamos juntos e ainda assim não tornava enjoativa a companhia da mulher, e, na verdade, eu queria sempre ter aquele par de covinhas e aquela voz que adorava me provocar por perto.
Até minha mãe, que não sabia o contexto e nem um centésimo da história, disse por telefone que eu parecia melhor. É claro que eu omiti noventa por cento dos casos, mas disse que eu ainda me mantinha estudando e era verdade... a boa e velha Anatomia Feminina era um dos assuntos que eu mais dominava.
“Você não pode ter esses tipos de pensamento Callie... você não é sentimental, lembra?” minha voz interior resmungava. “Por favor... vocês estão “juntas” há apenas uma semana... não se torne uma Leah Murphy!” brada. Jesus... a última coisa que eu queria me tornar era uma Leah Murphy e, por causa do histórico de Arizona, eu sempre me mantinha receosa.
Tudo bem... eu confiava nela e eu gostava dela, mas... ainda assim... o que me garantia que ela não perderia o interesse por mim e partisse para outra? Até porque, eu nunca entendia o que ela havia visto em mim além de uma oportunidade para estudar.
“Eu estou ferrada”. Sim, aquela frase resumia meus pensamentos dos últimos quatro dias mais irracionais e prazerosos da minha vida.
– Arizona, o que você está fazendo? – pergunto, franzindo o cenho ao ver a loira espremer algumas coisas dentro de uma mochila. – Você, Addison e Teddy estão de segredinho desde hoje cedo. – digo. Já se passava um pouco mais do meio-dia. Minutos antes estávamos almoçando com a ruiva e a loira, e Arizona não parava de comentar algo com elas, mas nunca me dizia o que era. – Pode me falar por que estou vestindo essa roupa que você pediu? – pergunto novamente, ao ver a loira sorrindo por me deixar esperar. Eu estava em um short, camiseta e um óculos de sol no alto da cabeça.
– Nós vamos sair. – responde Arizona, como se aquilo fosse suficiente.
– Sair? – pergunto, caminhando atrás dela no quarto. – Para onde? Ainda temos aulas hoje e...
– Sério que vai falar de aula? – retruca Arizona, me lançando um olhar de soslaio. Eu reviro os olhos.
– Pode pelo menos me falar aonde nós vamos? – pergunto, cruzando os braços na frente do corpo.
– Acho que você já sabe. – responde Arizona, abrindo a gaveta da escrivaninha e retirando o ingresso do festival de shows. Ela dá um sorriso de covinhas e retira do bolso de trás de seu short outro igual. – Addison e Teddy têm outros também.
– Achei que eles estavam esgotados! – digo, surpresa e pegando eles de sua mão.
– Eu sempre dou um jeito. – retruca Arizona, fingindo um ar de superioridade.
– Sério, idiota, como eu conseguiu? – pergunto, sorrindo.
– Tem uma coisa chamada Internet, Calliope, e é muito boa a propósito. – provoca Arizona, terminando de fechar a mochila. Eu reviro os olhos e ela sorri. – Agora podemos ir? – pergunta, colocando-a nas costas. – Aqui tem coisas para nós duas.
– Claro. – respondo, pegando na mão que a loira oferecia e saímos do quarto.
Meus cabelos bailavam soltos no ar e eu fecho os olhos sentindo o vento bater contra meu rosto. Estávamos nós quatro dentro da BMW conversível de Addison e passávamos por diversos pinheiros verdes e pela mata densa. Tínhamos percorrido apenas vinte minutos de quarenta e cinco até Tacoma, WA.
Durante nossa viagem, Arizona e Teddy insistiram para que parássemos em uma mercearia na beira da estrada para comprarmos algo para beber. Porém, qualquer coisa era razão de risadas das mulheres e acabamos saindo às pressas do estabelecimento quando Arizona fez uma piada sobre o cabelo do balconista, que de fato parecia com o do Rambo, e ele não levou muito na brincadeira. O homem ameaçou chamar a polícia e isso fez com que saíssemos correndo e entrássemos em nosso carro.
Comigo ainda rindo da situação, Arizona e Teddy começaram a cantar com todas as forças de seus pulmões a música Outside do Calvin Harris que tocava no rádio da BMW conversível de Addison. Teddy e Addison, que dirigia, se mexiam ao som da música nos bancos da frente enquanto eu e Arizona estávamos sentadas nos de trás. Arizona sorri para mim e coloca a mão na minha coxa e logo escutamos um coro de risos das duas mulheres.
– Olhos na estrada, Addison! – resmunga Arizona, dando um olhar de soslaio para a ruiva que nos observava pelo retrovisor.
Eu dou uma risada e uno nossos lábios em um beijo calmo. Não havíamos dado um nome para aquilo que tínhamos, mas aparentemente não sentíamos necessidade de estarmos com outras pessoas. Se eu tinha medo de Arizona ainda estar com Leah? Sim, eu tinha, mas eu não tinha direito de questionar isso à loira e nem... coragem.
Addison dirigiu até que adentrássemos na cidade de Tacoma. Percorremos a cidade até seu extremo onde ficava a área que aconteceriam os shows. Tratava-se de um festival de músicas com diversos artistas que derivavam de rock, para hip hop, pop e música eletrônica. Addison estaciona o carro alguns quarteirões do espaço de shows e nós saímos. Havia pessoas caminhando para todos os lados, rindo, cantando e bebendo. Todas aproveitando o auge de suas juventudes.
Seguimos o fluxo de pessoas e entramos no grande parque. A música já tocava antes mesmo de entregarmos nossos ingressos na portaria. O grande gramado já estava repleto de pessoas e o sol, por desejo de muitos, estava forte com o céu sem nenhum sinal de nuvens para estragar a festa.
Addison e Teddy caminham em nossa frente dando alguns pulos de acordo com a música. Um sorriso alegre nasce em meu rosto, pois eu gostava do fato que Addison e Arizona havia finalmente se entendido. A loira explicou para a ruiva que não havia sido ela quem espalhara os comentários maldosos sobre sua sexualidade e que havia apenas ouvido de outros e com isso, a amizade entre as duas começou do zero.
Sinto Arizona deslizar sua mão por meu braço e entrelaçar nossas mãos, já começando a me guiar entre a multidão sem fim. Paramos de andar metros depois, quando ficamos de frente para o grande palco onde uma banda de rock tocava. “Como Arizona sabia que aquela era minha banda favorita?”
As pessoas pulavam ao nosso redor e Arizona se junta a elas. Eu dou uma risada alta ao vê-la balançar seu cabelo e pular ao ritmo. Os óculos escuros e o sorriso malicioso da loira faziam meu coração acelerar. Coloco também meus óculos para diminuir a incidência dos raios solares e me junto às minhas amigas.
O tempo pareceu parar naquela tarde. Eu nunca havia me divertido tanto. Eu nunca havia me sentido livre como eu estava me sentindo. Pessoas que eu sequer conhecia sorriam e cantavam junto comigo refrãos de músicas. O suor, o calor, alegria se misturavam enquanto todos pulavam.
Ao fundo, horas depois, o sol se punha atrás do palco criando tonalidades roxas e vermelhas no céu. Era simplesmente lindo. Addison e Teddy dançavam juntas, pulando e cantando. Por cima do ombro eu observava Arizona. Ela se entregava à música sem medo algum, mexendo seus quadris, pulando, bebendo a garrafa com água que havia comprado de um vendedor ambulante. Ela era linda.
O auge da festa foi quando um DJ entrou para fazer seu show. O público que nunca esvaziava gritou ainda mais alto quando a música eletrônica começa a tocar. Eu abro os braços e fecho os olhos, deixando a música atravessar meu corpo. Eu estava livre. Pulo, ignorando meus pés já cansados. Meu coração batia junto com a música. De repente sinto um par de mãos na minha cintura e elas me puxam firmemente contra seu corpo. Abro os olhos e vejo Arizona sorrindo, apenas alguns centímetros do meu rosto.
Uma explosão acontece e pó colorido é espalhado pelo céu. O público vai à loucura enquanto as cores fluorescentes caíam sobre nós, colorindo todos ali. Arizona ainda sorria para mim e eu retribuo. Mas, havia algo diferente. E essa sensação apenas se intensificou quando Arizona sem avisar afaga meu rosto e une nossos lábios.
As pessoas pulavam, gritavam e cantavam ao nosso lado, mas era como se elas não estivessem ali. Sem hesitar eu respondo ao beijo, segurando-a pela cintura. Sua língua pede acesso à minha boca e eu concedo sem pensar duas vezes. Eu não sabia distinguir se meu coração estava acelerado por causa da música ou por causa do jeito como Arizona me beijava, pois ela nunca havia feito daquele jeito.
E apenas quando nossos pulmões clamam por oxigênio que Arizona desconecta nossos lábios. A loira ainda segurava meu rosto e um sorriso de covinhas me fazia suspirar. Ela pega na minha mão e me força um giro desengonçado. Uma risada sai por nossos lábios e a loira recomeça a pular ao som da música eletrônica.
Observo seu corpo manchado pela cor laranja, roxa e azul, com um pensamento que eu nunca pensei que passaria por minha cabeça fazendo o medo nascer dentro de mim. E minhas pernas bambas, minha boca seca e a dor insuportável no meu peito não me deixaram mentir sobre o que eu sentia por aquela mulher.
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