Notas iniciais
Depois da cena tensa dentro do quarto Callie e Arizona tentam conversar amigavelmente de novo, mas... por que algo me diz que dessa vez não vai dar certo? Obs1: Recomendo que ouçam duas músicas. Ambas são no PDV da Callie. A primeira é Torn da Natalie Imbruglia e em seguida Breathe Me da Sia. Comece Torn quando Callie abre a porta bruscamente em busca da silhueta de Arizona no corredor. Obs2: Queria agradecer novamente por todas as recomendações que recebi tanto em Meant to Be quanto em Segundas Intenções. Vocês não fazem ideia o quanto é gratificante ver os elogios e comentários. Muito obrigada mesmo! Eles sempre serão bem vindos! ♥ E me perdoem por qualquer erro de português.

ARIZONA PDV

Em menos de um minuto atrás Callie Torres estava contra o meu corpo. Seu gosto ainda estava na minha língua. Seus gemidos ainda ecoavam por meus ouvidos. O calor de sua pele contra minha mão. Foi como se meu cérebro tivesse se desligado e por mais que eu evitasse admitir, eu ansiava por mais.

– O quê? – rosno, fechando a porta do quarto e encarando Teddy. A loira me encara assustada com meu estado. Cabelo bagunçado, lábios inchados e avermelhados e roupa amassada... não era algo difícil de se deduzir.

– Hãm... nada. – gagueja a loira, agora segurando uma risada. – Eu... por acaso interrompi alguma coisa?

– Sim! – resmungo, com raiva.

– Oh, Deus, vocês estavam prestes à...

– Sim! – rosno, com ainda mais raiva da minha amiga. – Obrigada por aparecer no momento certo, Teddy! – digo, sendo sarcástica.

– Me desculpe! Como poderia imaginar? – se martiriza a loira. – Eu apenas queria dizer que eu e Addison não aparecemos porque perdemos o tempo no refeitório e...

– Aham, tenho certeza que você perdeu tempo beijando ela de novo! – provoco, dando uma risadinha sarcástica depois do que a loira me havia contado na hora do café da manhã. Precisava admitir que na hora fiquei surpresa.

– Não estávamos nos beijando agora! – rosna Teddy, com um olhar de soslaio. – Diferente de você e Callie...

– E agora eu tenho certeza que quando eu entrar naquele quarto Callie terá voltado a ser a antiga Callie. – resmungo, balançando a cabeça.

– A chame para jantar, eu já lhe aconselhei!

– Eu não chamo mulheres para jantar, Teddy, eu já falei!

– Se você quer ganhar essa aposta Arizona... – diz Teddy, olhando séria para mim. – Você vai precisar mudar suas regras.

Eu fiquei em silêncio, com as palavras de Teddy pairando. A loira se despediu e novamente pediu desculpas por ter aparecido naquele momento inoportuno. Eu sorri para ela e observo desaparecer no corredor. Caminho até a porta e hesito por alguns segundos antes de passar o cartão.

Adentro no quarto e vejo Callie lendo seu livro O Morro dos Ventos Uivantes deitada em sua cama. Eu sabia que ela já havia me visto ali, mas continuava a fingir que não.

– Callie... – ameaço chamá-la, mas ela para de ler e me encara.

– Não iremos falar sobre o que aconteceu. – diz Callie, séria. – Apenas digo que não irá se repetir.

Eu engulo seco. “Fiz algo errado? Fiz algo que a magoou?” meu cérebro se martirizava. “Foi ruim?”. Claro que não foi ruim! Eu sabia o que estava fazendo. Não sou uma inexperiente no assunto.

Sento na cama e não falo nada. Eu sabia que nenhuma palavra que saísse da minha boca poderia mudar a falta de expressão de Callie enquanto lia seu livro. “O que há de errado com essa mulher?” eu me questionava. Ao mesmo tempo em que ela estava excitada, ela estava séria. Ao mesmo tempo em que ela respondia, ela repreendia. E aquilo mexia comigo, mas eu só não sabia se era de um jeito bom ou ruim.

Não trocamos nenhuma palavra pelo resto da noite e foi estranho, porque eu havia acostumado com o fato de conversamos ou rirmos. E depois daquele filme que assistimos juntas pela primeira vez eu me senti “amiga” dela. Mas, era claro que não éramos amigas e nem algo perto disso. Havia uma tensão maior entre nós e ela não podia evitar.

No outro dia ela levantou em silêncio e sequer jogou o travesseiro em mim. Quando acordei percebi que o quarto estava vazio. Dei um suspiro cansado e me arrumei para tomar café.

Durante todo o momento que Alex, Teddy, Mark e George comiam e riam de alguma coisa eu me mantive em silêncio pensando em como faria para me aproximar de Callie ainda mais. Não conseguiria fazer o que eu precisava fazer com ela daquele jeito.

Na hora da aula, eu e meus amigos chegamos primeiro. Callie, surpreendentemente, não estava na sala ainda. Despedi-me, com eles já cientes de que eu precisava ir para o outro lado e sentei onde Callie costumava também. E quando a morena entrou na sala e me viu, fez questão de sentar-se do outro lado, onde Addison estava sentada com Izzie Stevens e April Kepner.

Revirei os olhos, mas não mudo de lugar. Pelo menos ali era menos barulhento que no fundo e eu conseguiria vagar em pensamentos. E eu fiz isso durante todo o período matutino. Na hora do almoço eu me cansei daquela bobagem e fui procurar Callie em nosso quarto, já disposta a ter que chamá-la para jantar ou sair mesmo contra minhas regras.

Passo o cartão e adentro no quarto. Callie estava deitada em sua cama, mordendo uma maçã um livro de Histologia. Eu caminho até perto dela e puxo a cadeira giratória e a coloco de frente para a cama da morena. Ela para de ler e me encara por alguns segundos, confusa.

– Quer alguma coisa? – pergunta Callie, erguendo uma sobrancelha.

– Eu quero que pare com essa infantilidade. – respondo, cruzando os braços na frente do corpo.

– Desculpe? – diz, sentando-se na cama.

– Infantilidade: Ato de agir como criança. – retruco, provocando. Callie revira os olhos e resmunga algo baixo. – Você quer que eu peça desculpas novamente? Tudo bem, eu peço. Desculpe-me por lhe beijar ontem à noite!

– Tanto faz... – responde a morena, dando de ombros. Ela encosta-se à parede e volta a ler o livro. Eu bufo, perdendo a paciência interiormente.

– Você realmente me perdoa? – pergunto, tentando mudar o meu tom de voz para um mais calmo. Callie de novo me estuda.

– Ok... – suspira, cansada. Um sorriso repentino aparece em meu rosto.

– Ótimo! Espero que você esteja com fome hoje à noite. – ronrono, pegando sua mão que segurava o livro. – Porque eu gostaria de levar você para jantar.

– O que? – pergunta Callie, atônita. Ela dá uma risada sem graça, mas seu sorriso morre. – Sério?

– Sim. – respondo, séria. Callie hesita por alguns segundos e analisa a situação, desconfiada.

– Hãm... não. – responde Callie, levantando-se da cadeira.

– Por que não? – pergunto, quase ofendida. Um “não” não era o que eu esperava quando convidasse uma mulher para jantar pela primeira vez.

– Você disse que seríamos apenas amigas. – retruca a morena, virando-se para mim.

– É um jantar inocente, Callie! – digo, calma.

– Você e inocência não encaixam na mesma frase, Arizona. – diz Callie. Eu seguro um sorriso, realmente gostando da mulher não ser fácil igual às outras.

– Ok... – cantarolo, levantando-me e caminhando em direção à porta.

– Ok? – pergunta Callie, seguindo-me com o olhar. – Essa foi sua melhor artimanha?

– Oh... essa preocupação significa que você espera algo de mim, Callie. – provoco, dando um sorriso malicioso. Callie hesita e pela primeira vez me vem à mente o fato que Callie não era livre. Ela não tomava suas próprias decisões e eu deduzi isso pelo fato de sua irmã ser tão mimada. Eu suspiro, dando um passo em sua direção. – Quer saber uma coisa? – pergunto, amigavelmente. Seus olhos castanhos-chocolate cruzam com os meus. – Às vezes é bom sucumbir ao desejo. Você não é presa, Callie. Você é jovem!

Callie fica em silêncio e eu dou um sorriso amigo. Abro a porta e saio do quarto com um sentimento diferente. Por mais que eu tivesse usado segundas intenções naquelas frases... eu realmente desejava que Callie vivesse e desfrutasse. E querer o bem dela não era algo bom, porque isso significava que eu me importava. E... eu não posso me importar.

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CALLIE PDV

As palavras de Arizona ainda rondavam minha mente nos segundos seguintes que a loira fechou a porta. “Às vezes é bom sucumbir ao desejo. Você não é presa, Callie. Você é jovem!” isso havia feito uma bagunça maior do que eu imaginara. Como ela poderia falar aquilo? Ela sequer me conhecia. Ela não tinha o direito de falar aquelas coisas!

Pelo menos era isso que martelava em minha mente turbulenta antes de abrir a porta bruscamente e procurar pela silhueta da mulher no corredor. Eu me questionava como alguém poderia desaparecer tão rapidamente. Aperto o botão do elevador e espero ele subir. Vou até o térreo e procuro por ela na recepção. Ao ver que Arizona não estava lá, eu caminho para fora do alojamento A.

Caminho pelo campus e por cima do ombro reconheço os cabelos loiros perto do prédio principal. Arizona adentra, às pressas e eu corro para alcançá-la. Ela vai em direção ao segundo andar e até o final do corredor. Antes de entrar em uma porta ela olha para os lados e eu me escondo atrás de uma máquina de refrigerante. Bisbilhoto novamente e vejo que a loira havia entrado. Eu faço o mesmo caminho e me deparo com uma escada sem fim para cima. Subo-a, fechando a porta atrás de mim.

Minha boca se abre, surpresa, com o que me é apresentado no fim da escada. Diversas flores e vasos estavam espalhados pelo terraço-jardim, todas coloridas com suas folhas verdes por estarem bem cuidadas. Procuro por Arizona e vejo-a segurando um regador enquanto regava algumas tulipas. Um cigarro estava no canto de sua boca e eu seguro um sorriso de fato... surpresa.

– Não imaginava que você fazia o tipo jardineira. – provoco, anunciando minha presença. Arizona se assusta e me encara por alguns segundos.

– Você me seguiu? – pergunta a loira, colocando o regador de lado.

– É meio óbvio, não? – respondo, dando de ombros. Eu começo a andar pelo terraço e observo as plantas e sinto o ar fresco. – O interessante é que nunca estive aqui.

– É porque poucas pessoas sabem que isso aqui existe. – responde Arizona, com a voz séria.

– Não gostou que eu tenha achado? – pergunto, estudando-a.

– Não gostei que você tenha me seguido. – retruca a loira, retirando o cigarro da boca para expirar.

– Achei que você tivesse parado com isso. – provoco, apontando para sua mão. Ela cerra os olhos e sorri.

– Isso me acalma. – responde Arizona, sentando-se em um banco. – E é muito mais barato que terapia.

– Assim como correr. – digo, com um sorriso fraco. Eu dou alguns passos em direção à beirada e observo as pessoas caminhando pelo pátio, prontos para começarem suas aulas.

– Cuidado pra não cair daí! – provoca Arizona, dando um sorriso sarcástico.

– E se eu cair? – pergunto, provocando-a de volta. Eu coloco um pé na beirada e subo nela. O sorriso da loira morre automaticamente e ela fica tensa.

– Callie... pare de brincadeira! – adverte Arizona, com o olhar temeroso. Ao ver que eu não saía de perto da beirada ela se levanta do banco. – Anda... saia daí! – diz a loira, caminhando em minha direção.

– Eu acho que não... – provoco-a inclinando meu corpo para frente. Ela dá um pulo para frente, mas para.

– Calliope! Eu não estou brincando! – rosna Arizona, sinalizando com a mão para que eu saísse dali. – Me dê sua mão! – diz, oferecendo a sua mão.

– Por quê? – pergunto, semicerrando os olhos. Arizona suspira e revira os olhos.

– Eu não quero que você morra, ok? – responde a mulher. Seus olhos encontram os meus e pela primeira vez eu vejo a luz do dia batendo contra eles. “Eles eram tão azuis...” meu cérebro sussurra. – E se você pular eu serei obrigada a ir ao seu enterro e chorar ao redor do seu caixão. E acredite... eu não faço o tipo que chora. – completa Arizona, dando um sorriso de lado.

Eu reviro os olhos evitando não sorrir com a Arizona que eu conhecia voltando ao normal. Viro-me pronta para descer, mas meu pé fica preso na calha que levava água para as plantas. Meu corpo estremece e vejo meu corpo voltando para trás, fazendo-me segurar uma respiração com um tiro de adrenalina no meu corpo. A minha imagem caindo do prédio passa em milésimos de segundos na frente dos meus olhos.

De repente, sinto um par de mãos na minha cintura e meu corpo para de inclinar. Olho para baixo e vejo Arizona me segurando firmemente. Ela bufa e me puxa para baixo, descendo-me da beirada. Seu corpo fica perto demais do meu e suas mãos nunca deixavam minha cintura.

– Está vendo o que dá brincar com a sorte, Calliope? – pergunta Arizona, ainda sorrindo. Sua respiração estava contra minha bochecha e eu engulo seco, analisando sua boca. Rapidamente me lembro do gosto de seus lábios contra os meus.

– Você acredita em sorte? – pergunto, provocando-a. – É uma idiota por fazer isso. – completo. Uma risada rouca sai de seus lábios e nosso olhar se cruza novamente.

– Por que tudo o que eu digo você retorce ou retruca? – pergunta Arizona, sorrindo de lado e me encarando. Os poucos centímetros entre nós não me deixava pensar direito.

– Porque você se acha dona da razão. – respondo, livrando-me de suas mãos e caminhando para o lado. Eu arrumo minha roupa e respiro fundo, em busca de ar fresco para meus pulmões.

– Talvez eu seja. – retruca a loira, apenas para me provocar.

– Ha-ha-ha. – rosno, revirando os olhos. Ficamos em silêncio por alguns segundos e eu podia sentir seu olhar sobre mim. Sim, eu me sentia intimidada.

– Por que você me seguiu, Callie? – pergunta Arizona, franzindo o cenho.

– Eu... eu... – balbucio procurando respostas, mas na verdade, eu havia apenas seguido meus instintos estupidamente. – Eu não sei. Aquilo que você me disse... o que você quis dizer?

– O quê eu disse? – pergunta a loira, fingindo-se de boba.

– Não banque a desentendida. – rosno e ela sorri. – Sobre eu ser jovem... e não ser presa. O que você quis dizer? – pergunto, tentando não parecer tão desesperada quanto realmente estava. – Quero dizer... você não me conhece!

– Não é preciso lhe conhecer muito para saber que você não é feliz, Callie. – responde Arizona, com um sorriso triste. Sinto uma espécie de tapa contra o meu rosto ao ouvir aquilo.

– O que você quer dizer com isso? – retruco, já com a voz alterada. Arizona ergue uma sobrancelha com minha resposta e se senta no banco.

– Quer mesmo que eu fale? – pergunta a loira, cerrando os olhos para mim. Eu cruzo os braços na frente do corpo e faço uma expressão de “O que você está esperando?”. Arizona inspira fundo e dá de ombros. – É meio óbvio que seus pais são... muito protetores. – diz, com desdém. Eu respiro fundo ao ver o sarcasmo da mulher. – Mas... deve ter um motivo. Tudo na vida tem um motivo.

– Essa é a sua melhor teoria? – sussurro, fechando o punho contra meu corpo sem que a mulher visse.

– Não, Callie... isso não é uma teoria. Não é um experimento. – responde Arizona, séria. – Nem tudo o que falo é para lhe provocar!

– Ah, sério? – cantarolo, cínica. Arizona revira os olhos e se levanta, caminhando até mim.

– Pode parar de ser cabeça dura por um momento e me escutar? – pergunta a mulher, com um olhar sério. Eu murmuro um “tanto faz...” e ela continua. – Você é linda, Callie e é jovem. – diz Arizona. Franzo o cenho ao ouvir aquelas palavras. – Eu não sei o que você fez ou o que seus pais fizeram, mas... você está sufocada! E eu posso ser sarcástica, eu posso ser uma idiota, como você mesmo me chamou, mas... eu faço o que eu quero quando quero. Eu digo as coisas que quero dizer. Eu vivo a minha vida!

– Como você... – tento retrucar, mas a loira coloca um dedo quente sobre meus lábios.

– Eu não terminei!– adverte Arizona, séria. Eu lanço-a um olhar de soslaio. – Independente de nossas implicâncias, aqui vai um conselho de amiga... você não deveria viver a vida que seus pais dizem para você viver. Você tem 24 anos, Calliope! É o momento perfeito para você errar e aprender com seus erros. É o momento de você experimentar, se apaixonar... e beijar... beijar muito! Quero dizer... assim como você fez ontem à noite comigo. – ela provoca, sorrindo.

– Argh... eu sabia que você remeteria a isso. – rosno e Arizona revira os olhos, decepcionada. – Você prometeu que não iríamos mais falar sobre isso!

– Entre tudo o que eu lhe disse você apenas processou a minha brincadeira? – pergunta a loira, séria. – Qual é, Calliope...

– Por favor, pare de me chamar de Calliope! – peço, firme. Meu cérebro ainda processava suas palavras e elas tinham um peso grande e doloroso porque por mais que eu não quisesse elas eram verdades. – E... você não me conhece!

– Você querendo ou não... nós temos algo parecido. – retruca Arizona, acendendo outro cigarro.

– O que?

– Nossos pais são uma droga! – responde Arizona, olhando para o nada.

– O que você tem a reclamar? – rosno, dando uma risada sarcástica. Arizona me lança um olhar frio e volta a encarar o nada. – Aposto que eles ficaram mais protetores depois que...

– Cale a boca! – sussurra Arizona, levantando-se com um supetão. Eu me assusto, dando um passo para trás. – Não fale sobre meu irmão, Callie!

– Eu... eu não ia... – tento falar que completaria a frase com “depois que saiu de casa.”, mas a loira não deixa.

– Não me julgue por não ter a família perfeita que você tem. – retruca, apontando o dedo para mim. – Quer saber? Você tem o amor deles e ainda fica pagando de riquinha irrealizada.

– Eu não ia falar sobre o seu irmão! E... e ... e você não sabe como minha família é! – brado, tentando evitar minha voz machucada.

– E nem você sabe a minha. – completa Arizona, me lançando um olhar frio.

Eu a olho por alguns segundos e tento ver a mesma mulher que havia me feito suspirar com seu olhar azul e sorriso provocador minutos atrás, mas ela sempre destruía aquela imagem.

– Por que você afasta todas as pessoas que tentam, por um mísero segundo, se importar com você? – pergunto, balançando a cabeça. Arizona não me olha e continua encarando o nada, inalando seu cigarro. – Quer saber? Pelo menos, agora, você foi quem você realmente é e não quem vem interpretando.

– O que você quer dizer com isso? – pergunta Arizona, assustada de repente.

– Do mesmo jeito que você deduziu coisas sobre mim, Arizona, eu tive tempo suficiente para fazer o mesmo sobre você. – respondo, com uma expressão triste. – Você afasta as pessoas com medo delas fazerem algo com você. Mas sabe o que vai acontecer no final? – pergunto. – Você vai acabar sozinha!

– Obrigada, amiga! – responde a loira, dando uma risadinha cínica. – Como se eu não tivesse percebido isso antes...

– Como sua amiga, Arizona... – digo, procurando seu foco de visão. – Eu entendo o seu amor por seu irmão, realmente. – murmuro e ela me estuda com o olhar temeroso. – Mas ele já não é mais uma lembrança... ele agora é uma desculpa!

O maxilar de Arizona trava imediatamente. Aquelas palavras pareciam ter cortado a mulher profundamente, pois ela se levanta novamente do banco e não diz nenhuma palavra a não ser seu olhar frio. Eu fico em silêncio, esperando-a retrucar, mas ela continua quieta. Seu queixo treme e eu vejo o início de lágrimas se formando no canto de seus olhos. A culpa cai sobre meus ombros e uma dor como recompensa nasce em meu peito. Ela joga o cigarro no chão e pisa para acabar com ele.

– Eu... – sussurra Arizona, quase inaudível. – Você está certa, Callie! Eu não irei mais intrometer na sua vida. Pode deixar que mais tarde falarei para Richard me trocar de quarto novamente, porque... – sussurra a loira. Eu fico em silêncio observando seus olhos lacrimejando. – Eu... por um mísero segundo, achei que poderia ter me enganado e que você era outra pessoa.

E antes que eu pudesse desfazer o nó formado na minha garganta, Arizona foge, caminhando em direção à escada. Eu observo seus cachos loiros desaparecerem e ouço seus passos pesados no metal da escada até a porta que ela abre e bate com força. Meu coração doía pela culpa. Eu não estava sendo rude... pelo menos não queria ter sido. Por que eu estava sentindo culpa? Aquela dor? Não é como se eu realmente me importasse com Arizona Robbins.

Mas sem pensar duas vezes, eu caminho até perto da beirada do prédio. Vejo a silhueta de Arizona atravessar todo o campus e entrar no estacionamento. Estávamos em horário de aula e sabia que tanto eu quanto ela já havíamos perdido o primeiro horário, mas Arizona parecia disposta a ignorar isso.

Ela monta na moto colocando o capacete na cabeça. A culpa aumenta de tamanho imaginado o pior ao ver que Arizona sairia daquele jeito. Ela a liga e acelera, com o pneu de trás tendo atrito contra o chão e lançando o cascalho para trás. Ela manobra a moto e sai pela portaria, percorrendo a extensa rua até sair no portão da frente, sumindo entre os carros na avenida. O barulho do trovão é a única coisa que faz meu cérebro voltar dos pensamentos. Olho para cima e vejo a tempestade se formando.

Eu estava com medo. Eu estava com medo de algo acontecer com Arizona. Eu estava com medo de ser minha culpa.

Notas finais
Sentimentos surgindo? Será? Arizona vai fazer alguma besteira novamente? Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história. :)