Notas iniciais
Mais pegação... quero dizer... provocação? Obs: Recomendo que ouçam a música Crazy In Love (Remix 2014) da Beyoncé quando Arizona falar que está prestes a ensinar algo para Callie; (uiii...) E me perdoem por qualquer erro de português.

CALLIE PDV

Não é novidade o fato que eu sempre fui uma pessoa reservada e consciente dos meus sentimentos, calculista e racional nas minhas decisões na maioria das vezes. Porém, desde a noite que eu beijei Arizona Robbins parecia que isso estava destinado a mudar.

No início, eu consegui camuflar qualquer tipo de reação àquele beijo. Eu evitava pensar nele ou na imagem da loira nua, ou no sonho que tive, ou qualquer mínimo detalhe que relacionasse a ela. E acredite em mim, eu estava conseguindo até que ela veio conversar comigo.

Mas, minha desconfiança estava sempre atenta e ela apenas aumentou quando Arizona começou a perguntar sobre meus relacionamentos amorosos envolvendo o sexo oposto. Era meio óbvio que ela estava em busca de uma boba fofoca para espalhar e então eu reagi àquilo.

Entretanto, quando ela negou qualquer envolvimento com a fofoca eu hesitei por alguns segundos. Estudei sua expressão calma e que parecia realmente verdadeira. Droga, ela era difícil de ler, tornando-a uma mulher imprevisível. E ainda pior, eu gostava disso. Eu gostava estupidamente do jeito que ela me provocava. Então eu me senti culpada por sentir aquela raiva desde o início, pois a mulher parecia dizer a verdade sobre não ser ela quem espalhara os comentários maliciosos sobre Addison.

Três dias se passaram desde nossa hora de estudos antes das aulas do período vespertino. E eu precisei admitir que a companhia da mulher não fosse lá uma das piores. Arizona não trouxe ou comentou sobre Leah Murphy ou outra qualquer mulher. Ela tentava, por mais que um pouco, não retrucar tudo o que eu dizia e isso acarretou mais horas de estudo entre nós, fazendo que passássemos as tardes juntas.

Na noite da quarta-feira Arizona comprou o nosso jantar e trouxe até nosso quarto para que não precisássemos parar de estudar. Começamos a rir sobre do fato da universidade ser uma das mais cotadas de Seattle e o molho do hambúrguer ser tão ruim. Depois de termos revisado boa parte da matéria da semana, o silêncio apoderou de nós e então eu dei uma ideia para que assistíssemos a um filme no meu notebook. A pior ideia que tive.

Arizona aceitou tranquilamente e pulou para a minha cama. Escolhemos um filme de suspense, pois a última coisa que eu queria era ter um momento cheio de tensão quando os dois personagens começassem uma série de beijos e gemidos em um filme de romance. Então o filme escolhido foi Roubando Vidas, um suspense psicológico dirigido em 2004.

Conta a história de uma agente do FBI muito boa em traçar perfis de criminosos que é acionada a cooperar com a polícia de Montreal na caçada de um Serial Killer, ou melhor, um psicopata que assume a vida das pessoas que mata. O filme ganha ação quando aparece uma testemunha que assegura ter escapado das mãos do assassino. Eu, inocentemente, pensei que estava livre das cenas tensas até que os dois personagens começam a se pegar em cima de uma mesa, com direito a gemidos altos e nudez.

Vi Arizona engolir seco e eu tenho certeza que ela havia escutado minha respiração irregular. E não foi uma cena rápida de poucos segundos. Ela parecia durar uma eternidade. Arizona deu uma risada baixa não resistindo. Eu revirei os olhos, como resposta quase instintiva e eu sabia que ela estava acostumada, pois isso não a intimidava mais.

Já era manhã da quinta-feira. Na noite anterior, depois que assistirmos ao filme, fomos direto dormir, pois as aulas seriam cedo como sempre. E como um costume que estava começando a nascer, eu acordava Arizona jogando o meu travesseiro na sua cabeça. A loira rosna, com a voz ainda rouca de sono.

– Bom dia! – provoco, rindo, enquanto terminava de escovar meu cabelo na frente do espelho na porta do guarda-roupa.

– Como quer que eu responda um “bom dia” quando pela segunda vez sou acordada com um travesseiro na cara? – resmunga Arizona, com os olhos ainda fechados por causa do forte sono.

– Se eu não fizer isso provavelmente você não irá acordar. – respondo, dando de ombros. – E iremos nos atrasar para o café, porque já são 9 horas da manhã, Arizona! Seattle lhe dá bom dia!

– Você sempre acorda nesse bom humor? – rosna a loira, criando coragem de levantar da cama.

– Geralmente não. – respondo, sorrindo. – Mas tenho que aproveitar ao máximo quando isso acontece.

– Oh, então aproveite! – resmunga Arizona. Eu bufo e pego o travesseiro para jogar novamente em sua nuca enquanto escolhia uma roupa para vestir. – Ai, Callie! – choraminga, fazendo uma careta de raiva. Ela pega o travesseiro no chão e ameaça a jogar de volta em mim, mas desiste na última hora quando eu protejo meu rosto com as mãos. Arizona me estuda por alguns segundos. – Não é justo atingir alguém que acordou há menos de três minutos. – rosna a loira, jogando o travesseiro na minha cama.

– Ok... você tem razão... – falo, concordando com desdém. – Ainda vai demorar em ficar pronta?

– Pode ir na frente. – responde Arizona, com um sorriso fraco. – Nos encontramos lá no refeitório.

– Tudo bem. – digo.

Eu pego o meu cartão do quarto e saio, caminhando pelo corredor. De fato era raro o dia que eu acordava animada. E eu dizia para mim mesma que isso não tinha nada haver com os últimos acontecimentos, ou melhor, eu tentava acreditar fielmente nisso.

Com um pouco de tempo sobrando, decido passar no segundo piso e bater na porta de Addison. Ninguém responde e eu bato novamente. Com o mesmo silêncio ecoando, eu concluo que ela e Teddy já haviam descido para tomarem café. Então eu faço o mesmo trajeto. Pego o elevador, saio pela recepção do alojamento e caminho pelo campus até o refeitório.

Empurro a porta de vidro e o barulho dos jovens conversando me é apresentado. Procuro entre os corpos e sobre as cabeças por minha amiga. Reconheço Addison, Erica e April sentadas a uma mesa no lado leste do salão. Caminho até as bandejas e me sirvo de algumas frutas e um copo de suco.

– É tão estranho não ver sua cara amassada todas as manhãs. – provoca Addison a me ver, enquanto eu sentava ao seu lado.

– Eu já digo o contrário, amiga! – retruco, com um sorriso sarcástico. – É ótimo não precisar ver você sem maquiagem.

– É bom te ver, Callie. – diz Addison, dando uma risada alta. Eu abraço a mulher e mordo uma maçã.

– Digo o mesmo, Addison. – respondo, sorrindo. – Como vão vocês, garotas? – pergunto para Erica e April que estavam alheias no início.

– Eu estou ótima, Callie. – responde April com a educação cristã de sempre. – Você parece mesmo animada hoje! – comemora com uma espécie de “Yay!” e eu começo a me questionar se eu era tão deprimente nos outros dias.

– Obrigada, April. – digo, com um sorriso.

– Eu estou bem, Callie, obrigada. – responde Erica, com um tom mais amigável que antes. E eu fico feliz ao ver que as mágoas estavam começando a passar entre nós.

– Como está o namoro? – pergunto, querendo dar um início amistoso à conversa.

– Está ótimo! – diz Erica. – Sasha é ótima.

– Gosto de saber que você está feliz! – murmuro, sincera. Um sorriso de lado nasce nos lábios da mulher e meu coração acelera um pouco, sabendo que aquilo já foi um dia uma das coisas que eu mais gostava nela.

– Espero que você também esteja. – responde Erica.

O silêncio depois disso reina na mesa. Addison pigarreia, tentando diminuir a tensão. Vejo Jackson se aproximar por trás de April e cobrir seus olhos com as mãos.

– Jackson! Pare! – resmunga a ruiva, dando uma risada doce.

– Não é justo você me reconhecer tão rápido. – retruca o moreno, dando um beijo rápido nos lábios de sua namorada. – Me acompanha para pegarmos algo para comermos?

– Claro. – responde April.

– Eu também vou. – acrescenta Erica, levantando-se e seguindo os dois em direção à fila.

“Gosto de saber que você está feliz”? – cantarola Addison, no meu ombro. Eu reviro os olhos. – Sério, Callie, não tinha nada melhor?

– O que você queria que eu dissesse? – rosno. – Eu estou feliz mesmo!

– Feliz porque Erica Hahn está feliz? Sério? – pergunta Addison, sarcástica. – Tenho certeza que toda essa animação tem haver com uma nova colega de quarto...

– Não! – advirto, com um olhar mortal para minha amiga. Addison dá uma risadinha e bebe meu suco pelo canudinho.

– Então me diga, como está sendo a nova inquilina? – provoca a ruiva.

– A cada dez frases que saem de sua boca... ou onze são irônicas ou onze são cantadas. – resmungo, mordendo na maça.

– Oh, Deus, ela é um Mark Sloan na versão feminina? – pergunta Addison, rindo baixo sobre nosso amigo que estava na outra mesa do lado oeste do salão com Alex, Teddy e George.

– Pior! – retruco, também rindo. – Ela é a junção do Mark Sloan com Alex Karev.

– Oh... – murmura.

– Acredita que a peguei transando com Leah Murphy domingo no meu quarto?

– O quê? – grita Addison, assustada. As mesas próximas nos encaram e eu dou um tapa no ombro da minha amiga. – Me desculpe! – sussurra a ruiva, arrependida. – Mas... eu... o que? Como assim? Por que você não me contou isso antes?

– Você sumiu durante todos esses dias! – respondo. – E eu também achei que você estivesse magoada comigo ou algo do tipo por causa da mudança.

– No dia eu preciso admitir que fiquei um pouco, mas minha raiva está apenas focada em Arizona agora. – retruca a ruiva, dando de ombros. – E eu estive resolvendo as coisas da reforma na minha casa. Não quero que aquilo pareça um circo! Mas, isso não é assunto para agora. O babado é Arizona e Leah nuas em uma cama... vai me conta!

– Deus me livre, como você pode imaginar uma coisa dessas?! – choramingo, contraindo-me para fingir que passava mal. – Mas... não foi muito diferente do que eu encontrei quando acendi a luz.

– E...

– E o que? Não vou descrever aquela cena!

– O que você fez? – pergunta Addison, curiosa.

– Eu expulsei Leah, obviamente! – respondo, tomando um gole de suco. – Mas... depois... – suspiro, lembrando-me da cena.

– Depois o quê? – pergunta Addison, me olhando com grande desconfiança. Eu ergo uma sobrancelha sugestivamente e Addison coloca uma mão sobre a boca para segurar outro gritinho.

– Nós nos beijamos... – respondo, com minhas bochechas corando. – E ela me empurrou para cima da mesa e...

– Pare! – pede Addison, fazendo um sinal banal com as mãos.

– Eu achei que você gostasse de detalhes. – provoco, rindo baixo.

– Eu gosto, acredite! – sussurra Addison, olhando para a mesa do lado oeste do salão. A ruiva engole seco e eu vejo suas bochechas corarem. – É que algo bem parecido aconteceu ontem no meu quarto...

– O quê? – dessa vez sendo eu a que grito. O povo novamente olha para nossa mesa e nos encolhemos ainda mais. – Teddy fala monólogos da vagina também?

– Pelo visto estamos no mesmo barco. – responde Addison, mordendo seu sanduíche natural. – O Barco das Recém-Lésbicas.

– Como isso aconteceu? – pergunto, com um sorriso malicioso. – Quero dizer... o que levou vocês...

– Mais cedo estávamos na biblioteca estudando e então resolvemos ir para o quarto. – sussurra Addison. – Nós começamos a conversar, sabe... coisas de relacionamentos passados e o clima ficou meio estranho. Estávamos uma ao lado da outra na grande mesa. E eu podia sentir o olhar dela em cima de mim e uma coisa levou a outra e... resumindo, em menos de um minuto depois já estávamos em cima da mesa e nossos materiais no chão.

– E... – murmuro.

– Está querendo saber se fomos adiante? – pergunta Addison, rindo. – Não, ainda não fomos. Na verdade, não conversamos muito bem sobre o que aconteceu.

– Eu e Arizona evitamos esse assunto, mas aparentemente ela também o ignorou. – respondo, dando de ombros.

– E você foi inocente o suficiente em acreditar nisso? – pergunta a ruiva, cerrando os olhos. – Teddy e Arizona são da laia de Mark e Alex, Callie, nós duas sabemos que eles não fazem nada sem segundas intenções.

– Eu sei disso, mas...

– Não acredito que logo você está caindo no papo de Arizona. – critica Addison.

– Eu não estou caindo no papo dela! – retruco, totalmente na defensiva. – Ela não me conhece!

– Eu concordo com você... – murmura a ruiva. Porém, aos poucos uma expressão maliciosa nasce em seu rosto. – Então vamos tirar delas aquilo que elas têm a oferecer.

– Do que você está falando? – pergunto, confusa e mordo o restante da maçã. Addison revira os olhos, impaciente.

– Sexo. – responde, como se fosse óbvio. Eu engasgo com a fruta e preciso de alguns segundos para recuperar o fôlego. – Acredite, elas apenas tem sexo a oferecer e estamos na universidade! Estamos no auge de nossas vidas! Precisamos de sexo... sexo quente!

Eu estava prestes a falar como o comentário da ruiva era sem escrúpulos quando um vulto loiro adentrando no refeitório me chama atenção. Arizona estava em uma calça jeans justa e uma camiseta que marcava seus seios perfeitamente. Um arrepio cruza minha espinha quando as palavras de Addison e tudo o que eu já havia visto da loira, incluindo sua pele nua, passavam por minha mente. Arizona olha em minha direção e dá um sorriso amigo, mas, segundos depois, faz caminho para o outro lado salão em direção a seus amigos e senta à mesa.

Você realmente achou que ela viria sentar conosco? – a voz de Addison estava ao meu lado. – Não importa, Callie, no final do dia... Arizona Robbins sempre será a mesma.

Com meus livros em mãos, eu caminho entre os alojamentos em direção ao prédio principal para a sétima aula do dia. Eu escutava uma boa música no meu MP4 e cantarolava o refrão da mesma. Foi a única coisa que achei para desocupar minha mente das palavras de Addison no café. Procurando ficar sozinha, eu evitei Arizona nas aulas do período matutino.

Querendo ou não, Addison tinha razão. Eu havia começado a cogitar o fato de confiar em Arizona e aquilo era algo estúpido. Eu tinha aprendido sozinha: Não fale nada e não será julgada. E isso aplicava ao fato de me manter invisível aos olhos alheios. Pessoas não são confiáveis por mais inocentes e verdadeiras que pareçam.

Olá sumida... – a voz de Arizona ecoa em meu ouvido esquerdo, enquanto a mesma retirava o fone dali. Eu assusto e dou um passo para o lado.

– Jesus... por que você adora aparecer assim? – resmungo, recomeçando a andar.

– Era você a distraída! – responde Arizona, dando um sorriso genuíno. – Eu estava te chamando desde o pátio. – completa. Ela analisa minha expressão séria e franze o cenho. – O que aconteceu com a animação toda de hoje de manhã?

– Morreu! – rosno. – Junto com o meu humor!

– Uau... – provoca Arizona, erguendo as sobrancelhas. – Você é realmente bipolar ou algo assim...

– Se você não entendeu, eu não estou com humor para suas brincadeirinhas infantis, Arizona. – digo, parando de andar e encarando a loira. Seus olhos arregalam, surpresos com a resposta. Rapidamente o sorriso que também bailava por seu rosto morreu.

– Tudo bem... – diz a loira, dando de ombros. Ela sequer se despede e começa a andar pelo corredor do prédio principal.

Eu ignoro sua reação e caminho atrás, também indo para a mesma sala. O restante da tarde passou como todas as tardes passavam... comigo totalmente focada nos estudos. Mesmo na aula de Anatomia Patológica, cujo eu e Arizona éramos colegas de laboratório, trocamos apenas frases e palavras necessárias para uma comunicação obrigatória.

Próximo das 18 horas saímos da última aula, sendo o único dia cujas aulas terminavam antes das 20 horas. Arizona segurava seus livros contra o corpo enquanto caminhava ao meu lado para o alojamento. O barulho de mensagem ressurge e Arizona equilibra os livros em apenas uma mão para conseguir retirar o celular do bolso. Ela lê e dá uma risadinha.

– Teddy está perguntando se topamos estudar junto com Addison hoje à noite. – pergunta Arizona, falando a primeira longa frase que não era obrigatória. – Preciso ir. Vai começar uma série de testes e eu... eu preciso estar preparada. – sussurra a última parte. “Ela está receosa com estudos?”

– Onde? – pergunto.

– No nosso quarto.

– Acha mesmo que estudar com essa quantidade de pessoas vai dar certo? – pergunto, fazendo uma careta de leve. Eu, particularmente preferia quanto menos pessoas melhor.

– Podemos fazer uma forcinha, não acha? – pergunta Arizona, com um sorriso amistoso. Eu cerro os olhos, desconfiada daquilo.

– Tudo bem. Apenas espero que isso não dure até tarde. – murmuro. Arizona faz um “Yay!” e eu ergo uma sobrancelha em busca de não rir. – Falem para elas irem ás 19 horas!

Já eram 19 horas e vinte minutos. Eu suspiro, sentando-me na minha cama enquanto folheava meu livro de Anatomia Patológica. Tanto eu quanto Arizona aproveitamos aquela uma hora para tomarmos nossos banhos e comermos alguma coisa da máquina de salgadinhos do corredor. A loira ainda jogava algumas batatas na boca enquanto mexia em seu notebook.

– Eu achei que você tivesse falado que seria às 19 horas. – resmungo, olhando para Arizona.

– E eu disse! – retruca a loira, dando pouca importância para mim e continuando a jogar batatas na boca. – Alguma coisa deve ter acontecido...

– É óbvio que alguma coisa aconteceu! – rosno, sarcástica. Eu me levanto e começo a andar de um lado para o outro.

– Você deveria parar de ser tão paranoica. – comenta Arizona, com um olhar de desdém. Eu fecho os olhos para controlar minha raiva. – Ou elas virão, ou elas não virão. Simples!

– Eu não sou paranoica! – resmungo, lançando um olhar de soslaio para ela. Arizona revira os olhos e pula da cama.

– Quer começar a estudar? – pergunta a loira, limpando a camiseta do pó do produto industrializado. – Podemos começar e eu faço esse bem para a humanidade!

– Cala a boca... – rosno, pegando o livro em cima da cama.

Arizona puxa a cadeira giratória e eu empurro a poltrona até perto da grande mesa. Abrimos o livro no início da matéria para que pudéssemos relembrar o básico.

– Me fale sobre o Neuroblastoma. – pergunta Arizona, acomodando-se na cadeira.

– Não estudamos desse jeito! – retruco. – Nós lemos e se caso tivermos dúvidas...

– Vamos fazer de um jeito diferente! – diz Arizona, dando de ombros. – Me fale sobre o Neuroblastoma.

– É um tumor sólido que pode se desenvolver no tecido nervoso do pescoço, tórax, abdômen ou pélvis. Esses tipos de tumores correspondem a... – digo, forçando minha memória. – A 7,8% de todos os tipos de câncer entre crianças com menos de 15 anos de idade.

– Ele usualmente se origina aonde? – pergunta Arizona, cerrando os olhos.

– Eu já disse... no pescoço, tórax, abdômen ou pélvis...

– Tem outro lugar com mais incidência. – murmura Arizona, erguendo uma sobrancelha para me provocar. Minhas bochechas coram ao ver que havia esquecido algo.

– Não, não tem! – digo, firme. – Isso é algum tipo de pegadinha?

– Não, Callie... – responde a loira, séria. – Em qual outro tecido ela se origina?

– Eu... eu...

– Eu vou ajudar... deixe-me te mostrar. – ronrona Arizona, ficando de pé e estendendo a mão para mim. Eu franzo o cenho, confusa.

– O que você está fazendo? – sussurro. Arizona me encara com seus olhos azuis mais brilhantes do que nunca.

– Confie em mim, Calliope. – responde a loira, com um sorriso de lado sobressaindo sua covinha do lado direito. Eu suspiro e hesito por alguns segundos antes de ceder à tentação.

E no momento que Arizona tem controle sobre minha mão, ela me gira em 180º e choca minhas costas contra seu corpo. Sua mão esquerda segurava a minha firmemente, certificando que eu não fugiria daquela posição. Eu sentia sua respiração quente contra o meu pescoço e seus seios contra minhas costas. Lentamente ela moldava seu corpo ao meu.

– Arizona... – eu a advirto.

Shhhh... eu estou prestes a te ensinar algo, Calliope. – sussurra Arizona na minha nuca.

Meu coração estava prestes a sair por minha boca. Eu mantinha minha boca fechada em busca de não deixar óbvia a minha respiração irregular. Arizona levanta minha blusa e mergulha sua mão na pele quente. Sinto todo o meu corpo arrepiar ao sentir seu toque. As pontas dos dedos da mão direita de Arizona iniciam na metade da minha coluna e de um jeito dolorosamente lento ela as deslizam para o sul.

O Neuroblastoma pode pressionar a coluna e até causar paralisia no paciente. – sua voz estava no meu lóbulo esquerdo. Seu hálito quente batia contra meu pescoço, fazendo-me arrepiar. Sua mão continua até a base da minha coluna mais para o lado direito. – Ele também pode originar-se nos tecidos da glândula suprarrenal. – diz, respondendo a maldita pergunta. Arizona faz pressão contra minha cintura, sob o local que ficavam meus rins e eu seguro um gemido. – Os sintomas mais comuns do Neuroblastoma são resultantes da pressão do tumor. Está entendendo, Calliope?

– Sim... – sussurro, fechando os olhos ao sentir o calor do corpo da mulher nas minhas costas.

Se ele estiver localizado no abdômen, os principais sintomas são: dor abdominal... – ronrona Arizona.

Sua voz parecia estar dentro do meu cérebro. Sua mão desliza pela lateral do meu corpo e faz caminho até na parte superior da minha barriga perto de meus seios. Eu reviro os olhos quando sinto suas unhas arranhando a pele sensível.

Alterações nos hábitos intestinais... – continua. Sua mão desliza em direção ao sul até a base do meu útero. Eu não consigo evitar e gemo baixo ao senti-la tão perto da minha virilha. – Inchaço nas pernas... – completa Arizona. Sua mão faz o caminho reverso e escorrega até minha coxa. Ela pega uma boa extensão e aperta.

– Oh, Deus... – gemo. “O que ela estava fazendo?!” meu cérebro brada.

Se o Neuroblastoma estiver no tórax, você terá chiado no peito. – ronrona a loira, mordiscando meu lóbulo esquerdo.

Sua mão vaga até meu abdômen e sobe lentamente até estar entre meus seios. Tudo o que eu ansiava é que ela os dominasse, mas ela continua ali, entre ambos. Arizona nem precisava mais aplicar força contra meu braço esquerdo para me manter presa, porque... eu não sairia dali tão cedo.

Outros sintomas são apresentados, mas o pior é a febre. – conclui. Então eu sinto seus lábios na lateral do meu pescoço e sua língua contra minha pele. Ela dá um beijo molhado na região e em seguida assopra, criando uma sensação maravilhosa de frescor. – E por último... dores nas costas. – ronrona.

No segundo seguinte sua mão esquerda força a minha a fazer um giro e eu fico de frente para ela. Suas mãos param na base da minha coluna e ela une nossos corpos. Seu rosto estava centímetros do meu. Seus olhos azuis estavam um tom mais escuro e hipnotizavam os meus. Arizona aperta a carne das minhas costas e eu suspiro, analisando seus lábios entreabertos e convidativos.

E então eu faço aquilo que estava louca para fazer. Eu afago seu rosto mesmo que bruscamente e o puxo para um beijo. Arizona geme contra meus lábios e isso faz a dor entre minhas pernas aumentar ainda mais. Ela emaranha suas mãos em meus cabelos e eu a empurro em direção do guarda-roupa. Sua língua penetrava na minha boca, dando início a um beijo apressado e cheio de desejo.

Arizona me gira e naquele instante era eu contra o guarda-roupa. Eu realmente não me importava em quem estava dominando quem, pois tudo o que conseguia processar eram suas mãos nas minhas coxas e na minha bunda ou minhas mãos entre seus cachos loiros, puxando seu rosto para mais perto. Meus pulmões queimavam em busca de ar, mas o desejo que corria em meu corpo era maior.

Arizona desconecta nossos lábios, também procurando por ar puro. Eu não perco tempo e faço uma trilha de beijos apressada por seu rosto até a pele quente e convidativa de seu pescoço. A mulher fecha os olhos e um gemido sai por seus lábios inchados e avermelhados. Arizona pressiona meu centro sua perna esquerda enquanto sua mão direita, sem nenhuma sutileza, massageava meu seio esquerdo sobre a blusa.

Era carnal, instintivo e com pura luxúria. Minha língua trançava padrões invisíveis em seu pescoço, mas quando sua mão aperta meu seio um gemido atravessa meus dentes. Imagens decorrentes de meu sonho se misturavam com a realidade e eu podia até imaginar o que eu faria com ela se caso acabássemos naquela cama.

Arizona rosna, pegando meus braços e os colocando sobre minha cabeça me prendendo totalmente no guarda-roupa. A loira sorri, como se pudesse ler meus pensamentos e respondesse: não... não vai ser você quem vai controlar.

Com a outra mão ela agarra meu cabelo, puxando para baixo para me levantar o rosto. Arizona me imobiliza com os quadris e mordisca meu lábio inferior, o puxando e o soltando um “pop” audível. A loira já estava a caminho de pegar a bainha da minha blusa quando barulho alto e ríspido de alguém batendo na porta ecoa pelo ar.

Arizona, você está aí? – a voz de Teddy estava atrás da porta. Ficamos em silêncio, com o único som vindo de nossas bocas por causa de nossas respirações irregulares. A loira bate novamente, sem paciência.

E como um estalo, meu cérebro finalmente volta a funcionar. Uma parte de mim reclama por termos parado logo ali, mas outra, a racional, estava a todo vapor me torturando por ser tão fácil.

Arizona! – chama Teddy de novo.

Arizona vê minha briga interna e um sorriso pervertido aparece em seu rosto. Ela dá um passo para trás e me oferece o privilégio da escolha. Era tudo um maldito jogo para ela. Arizona era uma jogadora e eu já devia ter percebido aquilo. Eu fui um alvo fácil.

Arrumo meu cabelo e tento me recompor o máximo que consigo. Minhas mãos e pernas estavam tão trêmulas que eu precisava pensar em o quê fazer com elas. Ao ver que eu havia feito a minha escolha, Arizona suspira e caminha em direção à porta. O silêncio reina quando ela se fecha e eu continuo em pé, no mesmo lugar que em menos de um minuto atrás eu quase cedi.

“Eu não vou pra cama com Arizona Robbins!” meu cérebro repete... mais desesperado do que sábio.

Notas finais
~suspiro~ E a súplica continua: "Para de interromper esses momentos, Talita!" hahahahaha Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história. :D