Segundas Intenções
2 Capítulo 1
Notas iniciais
ARIZONA PDV
Era uma manhã de domingo e início do mês de Agosto. A chuva da noite passada deixara o ar da cidade de Seattle mais frio. Mergulhada no inconsciente da minha mente, eu viajava em meio a um sonho conturbado por causa do álcool que estava na minha corrente sanguínea até poucas horas atrás. Não que depois de alguns orgasmos eu tivesse dificuldade em pegar no sono, mas o fato de dormir com uma mão na minha cintura me incomodava ao máximo.
E eu tentei evitar o contato, mas a loira insistia em continuá-lo. Ciente da minha estratégia de deixar a casa antes que qualquer empregado que trabalhasse ali me flagrasse, eu me deixei relaxar pelas horas restantes daquela noite de fato agitada. Porém, o barulho brusco de alguém batendo contra a porta de madeira me puxa para a plena consciência.
– Querida, você está aí? – a voz grave e masculina ecoou no quarto. Rapidamente nós duas sentamos na cama, usando o lençol para esconder nossos corpos nus.
– Droga! – rosno, colocando um pé para fora da cama. – Você não disse que ele estava viajando? – pergunto e procuro por minhas roupas espalhadas pelo quarto. Não é que eu estivesse com medo, mas eu não queria precisar dar satisfações para aquele homem.
– Ele está! – responde a loira mais nova, tão assustada quanto eu. – Quero dizer... estava!
– Você está conversando com alguém? – a voz grave pergunta novamente. Eu balanço a cabeça desesperadamente, sinalizando que não.
– Não, pai, eu não estou conversando! – fala a loira, jogando meu sutiã para mim enquanto procurava por sua blusa no chão. Minha cabeça latejava por causa do álcool que havia ingerido na noite anterior... maldita Tequila. – Eu estou trocando de roupa, espere um minuto!
– Leah Murphy não ouse mentir para mim! – brada o pai da loira. – Tem um homem aí com você?
– Não, pai, eu juro! – responde Leah.
Eu seguro uma risada, pensando no machismo por parte de James Murphy, um grande arquiteto que viajava constantemente. Termino de fechar o zíper do meu short às pressas e começo a calçar meu All Star, cambaleando para o lado na maioria das vezes.
– Pelo jeito não vou sair dessa casa do mesmo jeito que entrei. – digo, deixando para amarrá-los mais tarde quando minha cabeça não estive a prêmio. – Tem alguma ideia de como passaremos por seu pai?
– A janela! – responde Leah, apontando para trás de mim. Eu dou uma risada sem graça e lanço um olhar de “sério?” para a loira.
– Leah, não sei se sua memória falhou, mas sua casa é dois andares.
– Tem uma piscina! – diz a loira, passando as mãos pelos cabelos para mostrar seu desespero. – Olha, se meu pai descobrir que eu estava na cama com uma mulher ele irá me matar!
– Então por que foi pra cama comigo? – pergunto, sorrindo e passando a blusa por minha cabeça. A loira bufa e me empurra até perto da janela.
– Eu vou entrar nesse quarto agora! – grita o homem, mais furioso a cada minuto que esperava. No segundo seguinte ele força a porta e eu estremeço.
Caminho até o parapeito da janela e vejo a altura de quase quatro metros. “Jesus... um dia você ainda morrerá por causa de um rabo de saia!” meu cérebro rosna. Eu coloco um pé para fora e Leah caminha até mim e puxa meu rosto para um beijo apressado. Enquanto isso, pela segunda vez, a madeira da porta range após outra pancada.
– Me ligue, ok? – pede Leah, dando um sorriso que poderia me comover se eu realmente gostasse dela.
– Você sabe que não vou ligar. – respondo, sendo pelo menos sincera.
– Não custa nada pedir, não é? – rosna a loira.
A madeira da porta estrala, sinalizando que estava quase se rompendo. Eu pego uma boa respiração e lanço meu corpo para frente. Em menos de dois segundos meu corpo entrou em contato com a água gelada abaixo de mim. Uma corrente elétrica percorre meu corpo, mostrando quanto estava fria. Sem perder tempo começo a nadar de volta para a superfície.
Ao boiar na água, não perco tempo em nadar até a borda. De dentro do quarto podiam-se ouvir os gritos de James para Leah, sinalizando que o obstáculo, que era a porta, já fora abatido. Sem olhar para trás, eu corro até as árvores que cercavam a enorme mansão.
Já encoberta pelos galhos verdes, eu avisto minha moto, uma T–100 Triumph. Ela era na verdade uma das poucas coisas que havia sobrado do meu irmão. Pego o capacete e vejo que meu celular e carteira ainda estavam sobre o banco do mesmo jeito que os deixara depois eu e Leah Murphy cambaleamos entre as árvores.
Surpreendia-me o fato de não termos caído, pois mal olhávamos para o chão já que nossos cérebros estavam mais ocupados em suprir nossos pulmões em busca de ar durante nossos beijos. Olho entre os galhos e vejo James e Leah discutindo na janela. O homem apontava para as pegadas molhadas de fora da piscina e argumentando que havia alguém com a filha.
– Ainda assim pensará que é um homem... – sussurro, dando uma risada sarcástica.
Coloco o capacete na cabeça e monto na moto. Giro a chave, ligando o motor e aperto o manete da embreagem. Passo a primeira macha com o pé esquerdo e torço o punho direito, acelerando rapidamente. Tiro meu pé do chão e percorro os arbustos antes que o pai da loira ou algum de seus empregados me visse ali. Não fora difícil passar despercebida durante a madrugada, mas agora todos estavam acordados.
Peço mentalmente que a mulher fosse esperta e corresse para apertar o botão da portaria. Quando pego a estrada entre as árvores, as quais formavam o enorme jardim de quase dois quarteirões, eu vejo portão aberto. Sorrio vitoriosa e abaixo o vidro do meu capacete antes que sair da casa de Leah Murphy sem ser pega mais uma vez.
Percorro o caminho perdida em pensamentos. Paro no sinal vermelho em uma encruzilhada no centro da cidade. O termômetro da rua marcava 16ºC. Aproveito para ver a paisagem movimentada e observo as pessoas passando pela faixa de pedestres vestidas em seus casacos e segurando suas pastas de trabalho.
Quase todas estavam com algum aparelho eletrônico que quando não estavam em sua orelha, estavam em suas mãos com os dedos em constante movimento digitando alguma coisa nas telas digitais. Eles nem mesmo olhavam um para os outros. Todos estavam absorvidos pelo muito capitalista que dizia que todos faziam parte de um grande sistema e que era dever deles o fazer funcionar. “Dinheiro... poder... éramos insignificantes perante isso!” meu cérebro zomba.
Quando o sinal abre eu acelero a moto. Faço minha viagem de quase quarenta minutos até a região não tão nobre da cidade. Era um bairro de classe média, cheio de mercearias, bares e apartamentos apertados uns aos outros. Adentro com a minha moto em um corredor que levava a uma pequena garagem que o meu prédio oferecia. Desligo a moto, sabendo que a usaria apenas depois.
Caminho de volta até a portaria e cumprimento Miguel, o porteiro. Miguel era um homem de aproximadamente 50 anos, não tão alto e com um óculos de lentes grossas e quadradas. Ele havia se mudado para os EUA há poucos anos com sua família vinda de algum lugar do México. Sua família também morava no prédio, porém era no último andar. O homem nunca falava sobre seu passado e eu sinceramente, evitava entrar na vida pessoal de pessoas que não estavam interessadas a compartilhá-las.
– O que aconteceu com você, Senhorita Robbins? – pergunta Miguel assustado e arrumando seu óculos na frente dos olhos ao ver minhas roupas e cabelo encharcados.
– Oh... – suspiro, observando meu estado. – Longa história... – falo, fazendo uma careta zombeteira. O homem sorri, sabendo que eu havia feito algo de errado. Ele pega a minha cópia da chave do apartamento e joga para mim.
Despeço-me dele e faço caminho pela escada apertada do prédio. Quando chego ao terceiro andar de longe avisto minha porta. Antes mesmo de colocar a chave na fechadura, eu sabia que algo me esperava dentro daquele quarto. E quando adentro, os cheiros fortes de bebida e vômito bailavam pela pequena sala de estar.
Eu coloco a mão no nariz e vejo a quantidade de copos e garrafas alcóolicas espalhadas pelos moveis e pela cozinha improvisada que continha apenas um fogão, micro-ondas e uma geladeira atrás de um balcão. Não era algo muito grande, mas era suficiente para duas pessoas. O cômodo continha apenas três portas, sendo elas dois quartos e um banheiro. Eu respiro fundo, tentando diminuir minha raiva. Caminho pelo corredor, parando em frente à porta de um dos quartos.
– Eu não acredito que você trouxe mulheres para cá depois do Joe’s ontem! – grito, empurrando a porta. O homem seminu que dormia se senta na cama, assustado.
– Jesus, Arizona! – retruca Alex, deitando-se novamente. – Minha cabeça está me matando e você já chega gritando!
– Minha cabeça também está doendo, mas nem por isso deixei meu apartamento como um completo chiqueiro. – rosno, caminhando até a janela para abrir as persianas para deixar os raios solares das dez horas da manhã entrar.
– Feche isso, pelo amor de Deus! – grita o homem, colocando o travesseiro sobre a cabeça.
Alex Karev e eu dividíamos o apartamento há cerca de três anos, desde que nos conhecemos no primeiro ano da faculdade de medicina. Ficávamos nele apenas nos finais de semana, pois durante a semana dormíamos na universidade em alas diferenciadas pelo gênero.
No início ele insistia em me chamar para sair, mas assim que descobriu que ele não fazia o meu tipo nos tornamos grandes amigos. Ele não era muito alto, mas tinha um corpo atlético e algo que parecia atrair mulheres de um jeito que eu não conseguia explicar.
– Esse lugar precisa de um pouco de luz! – rosno. Viro-me e caminho até uma pequena escrivaninha para começar a recolher o lixo. – Você e Mark Sloan trouxeram mulheres para cá de novo, não foi?
– O que você acha? – rosna Alex, finalmente desistindo de dormir e se levantando. Eu reviro os olhos, ao vê-lo apenas de cueca. – O que foi, Robbins? – provoca o homem, rindo. – Não gosta de ver um homem seminu?
– Eca, não! – murmuro, com um arrepio de nojo percorrendo meu corpo institivamente. – Apenas espero que nem você e nem Mark tenham feito algo na minha cama ou serei obrigada a jogar o colchão e lençóis fora!
– Não se preocupe... – retruca Alex, vestindo sua calça que estava jogada ao lado da cama. – Mark levou a garota para casa dele. E bem... a minha parece ter fugido antes mesmo que eu lhe oferecesse café.
– Homens sempre acham que apenas homens sabem sair de fininho depois de uma noite. – digo, dando uma risada alta. – E, aliás, você não ofereceria café para ela. – retruco e Alex sorri, sabendo também que era verdade.
– Posso perguntar então, Casanova, o porquê da senhorita estar com as roupas e cabelos encharcados?
– Oh... precisei usar uma saída alternativa dessa vez. – respondo, dando uma piscadela maliciosa para homem.
– Não acredito que você usou a piscina. – murmura Alex, boquiaberto. – Você pulou do segundo andar?
– Sim. – respondo, andando até o banheiro para pegar um saco plástico para colocar os copos e garrafas. – O pai dela voltou de viagem.
– Como eu queria ter feito isso alguma vez... – murmura o homem, pegando uma camiseta em seu guarda–roupa. Eu dou uma risada alta, imaginando o quanto Leah já fora “rodada” naquela universidade.
– Você precisa admitir que meus meios de fugir são sempre mais criativos que os seus.
– Isso não vale, porque sempre que dormi com ela o pai estava viajando. – responde Alex, rindo. – Você realmente não se importa em pegar algo que já peguei?
– Quem disse que pego do mesmo jeito que você? – rosno, jogando uma lata de cerveja vazia no homem. Alex faz um movimento rápido e a desvia com a mão. – Por que não vai até ela e pergunta quem é melhor de cama, hein?
– Se acalme, Robbins! Eu sei que as mulheres piram em seus dedos e em sua língua. – provoca Alex, aumentando o volume de sua risada. Eu bufo e largo o saco plástico no chão.
– Quer saber, não sou obrigada limpar sua sujeira! – rosno, caminhando até a porta do seu quarto. – Quando eu sair do banho quero, pelo menos, aquele lixo na cozinha limpo!
– Ah, qual é... – resmunga Alex, parando de rir.
– Não quero ouvir você reclamando! – retruco, prestes a fechar a porta do banheiro que também era no corredor. – Precisamos estar na faculdade em cerca de duas horas e não vou voltar pra lá cheirando a vômito. – digo. Antes de fechar a porta, eu escuto o homem resmungando algo parecido com “Parece que até vivo com a minha mãe”. Eu sorrio, vitoriosa e vou para meu banho.
Cerca de vinte minutos depois eu saía do banheiro sentindo-me realmente acordada. Bastava agora ir à cozinha tomar um remédio para tentar curar a dor de cabeça que me atormentava. Percebo por cima do ombro que todos os copos e garrafas haviam sumido e que o vomitado na sala já havia sido limpo. Chamo pelo homem e a única resposta que tenho é o silêncio. Deduzo então que Alex havia saído para comprar café para nós na mercearia ao lado.
Aproveito o tempo sozinha para arrumar minhas coisas para a universidade. Certifico-me que todas as minhas coisas estavam em minha mochila, especialmente meus cigarros. As férias de meio de ano haviam terminado e hoje seria o primeiro dia de volta às aulas no segundo semestre. “Não poderia estar mais animada!” meu cérebro afronta. Depois que Alex voltou com dois copos cheios de cafeína, eu tratei de arrumar o apartamento enquanto ele tomava um banho para retirar o ar de sexo que o rondava.
Uma hora depois já estávamos dentro de seu carro, um Maverick 302. Não tinha muito espaço no banco de trás e nem no porta-malas, mas não tínhamos muitas bagagens, pois boa parte havia ficado nos alojamentos.
Não éramos obrigados a dormir na universidade, mas éramos proibidos de sair após as 23 horas, por causa de algo que Obama disse sobre segurança juvenil. Mas enquanto isso jovens se alistavam e morriam a todo o momento defendendo a mesma pátria que ele. Eu respiro fundo, livrando-me dos pensamentos monótonos.
Alex insistia em fazer uma dança esquisita ao som de Uptown Funk que tocava no rádio. Eu tentava não rir, mas era impossível com as bobagens vindas do homem. Já sabendo o caminho perfeitamente demoramos apenas quarentas minutos para voltarmos para a área mais rica da cidade. E a pergunta era: Como dois indivíduos que viviam em um bairro de classe média estavam na faculdade de medicina mais cara da cidade? Bem... era complicado.
– Eles te ligaram? – pergunta Alex, enquanto esperava o sinal em um semáforo.
– Quem me ligou? – pergunto, deixando de olhar pela janela e encarando o homem.
– Você do que estou falando, Arizona! – responde Alex, com uma expressão realmente séria. – Amanhã faz...
– Não quero falar sobre isso! – retruco, com meu sangue gelando. Posso sentir o olhar do homem sobre mim, mas eu ignoro voltando a observar as pessoas ao nosso redor.
– Você sabe que seu pai vai querer que você esteja lá amanhã e...
– Alex, pare! – sussurro, evitando uma discussão.
Ele sabia que era um assunto delicado e eu não entendia o fato de continuar mantendo-o. E isso fazia com que minha dor de cabeça recomeçasse. Enquanto Alex pensava se continuava ou não, eu procuro por meus óculos de sol em minha mochila em mãos. Eu precisava de algo que diminuísse os raios solares do meio-dia contra minha retina. Ao achar meu Ray Ban preto, o coloco e me afundo ainda mais contra o banco de couro.
– Sua mãe e o marido dela não vão gostar do fato... – ele fala, mas minha paciência chega ao fim.
– Que parte de que eu não quero falar sobre isso você não entendeu, Alex? – pergunto, com a voz alterada.
– Tudo bem... me desculpe! – murmura o homem, erguendo as mãos em sinal de rendição. – Só estou tentando cuidar de você, loira...
– Em vez de cuidar de mim você deveria prestar atenção no semáforo! – rosno, evitando contato visual. – Está segurando a fila!
Percebo por cima do ombro que meu amigo havia ficado magoado com o jeito que eu o respondera, mas... ele sabia que eu não gostava de falar sobre a data do dia seguinte. Apenas quando passamos pela placa que dizia “Universidade de Seattle” nosso humor mudou.
Alex continuou dirigindo pela rua que levava até o estacionamento de carros dos alunos. Havia poucas vagas e diversas pessoas perambulando o local por causa do enorme pátio com diversos bancos e grama verde macia para se sentar. Diferente do início do ano, não existiam barracas brancas e pessoas enlouquecidas lhe oferecendo vagas em seus clubes ou grupos. Todos ali já sabiam exatamente o que fazer e já tinham seus amigos e seus grupos de estudos.
De longe avisto Teddy Altman e Mark Sloan debaixo de uma árvore conversando com George O’malley. Rapidamente um sorriso nasce em meu rosto, por saber que ali eu estaria longe de qualquer problema... por enquanto.
Alex estava prestes a parar o carro em uma vaga no estacionamento perto das árvores quando o carro faz um movimento brusco, freando. Atônita, eu sigo o olhar furioso do homem para duas mulheres que atravessavam na frente do carro.
– Addison... você tem uma linda bunda e eu adoraria continuar olhando pra ela, mas eu realmente preciso estacionar o meu carro nessa vaga! – grita Alex, colocando a cabeça através da janela.
A mulher que o homem gritava era Addison Montgomery, ruiva, alta e esbelta. Ao seu lado estava uma mulher morena, também alta e esbelta e de cabelos negros. Com a ponta do dedo eu deslizo o óculos para baixo para poder estudar as pernas maravilhosas das mulheres. Mentalmente eu tentava lembrara o nome da morena, mas meu cérebro ainda nublado se recusava a lembrar.
– Vá se danar, Alex! – responde Addison, segurando uma caixa nas mãos. A morena ao seu lado também segurava outra caixa, com alguns utensílios dentro.
– Você tem meu número, linda, por que nunca me ligou depois daquela noite? – pergunta o homem, estacionando o carro quando as duas se moveram para a calçada.
– Me desculpe, mas... eu não gosto de café requentado. – responde Addison, dando uma piscadela para Alex que pulava do carro.
Eu dou uma risada alta, saindo também do veículo. Teddy, Mark e George não resistem e torturam o homem. Addison dá uma risadinha e a morena ao seu lado segura um sorriso. Sentindo-se vitoriosas, elas voltam a conversar e somem de nossas vistas em meio às árvores e pessoas no pátio.
– Não foi dessa vez, cara. – provoca Mark, quando nos aproximamos deles debaixo das árvores com nossas caixas em mãos. Mark era um homem alto, um belo sorriso e um corpo atlético que chamava atenção de mais mulheres que eu conseguia contar.
– Ela já foi pra cama comigo uma vez... e irá de novo. – responde Alex, se gabando.
– A pergunta é... qual mulher nessa universidade, além de mim e de Arizona, nunca foi pra cama com você? – provoca Teddy. Teddy era uma mulher alta, loira e a única pessoa ali, além de Alex, que eu realmente era confidente.
– As que não foram estão louca para ir! – responde o homem, passando a mão pelo cabelo curto. Eu reviro os olhos e bufo.
– Ah, com certeza... – diz George, sendo sarcástico. George não era tão alto, cabelos negros e simpático na hora de nos ajudar a estudar. Na mão do homem estava uma filmadora Full HD e ele insista em nos gravar. Ele mira a filmadora para mim e eu coloco a mão na frente.
– Até hoje com esse hábito horrível? – rosno, empurrando a filmadora para outro lado. – Achei que deixaria isso no semestre passado.
– Eu gosto de registrar os momentos, ok? – retruca George, revirando os olhos.
– Isso aí também tira foto? – pergunta Teddy. – Porque do que vale um vídeo se você não pode guardá-lo no bolso.
– Não, não tira nenhum tipo de foto. – responde George, com desdém. – Mas, voltando ao assunto, eu tenho certeza que Addison Montgomery já partiu para outra. – diz, guardando a filmadora na mochila.
– O que você quer dizer com isso? – pergunta Alex, confuso. Eu ajudo Teddy a se levantar e nós cinco caminhamos pelas calçadas em meio às árvores.
– Acho que ela está em garotas agora. – responde George.
– O que? – gagueja Alex, boquiaberto.
– E porque você acha isso? – pergunta Mark, dando uma risada. – Pessoas não mudam de gosto assim. – provoca o homem.
Todas as calçadas do pátio terminavam em uma enorme fonte que lançava água para cima. Em frente a ela estava a entrada do prédio principal onde ficavam as salas de aula. O prédio de estrutura antiga tinha várias janelas e era de dois andares.
– Parece que ela aproveitou bastante às férias de Julho... em gostos diferentes. – murmura George rindo junto com Alex ao entenderem a ambiguidade na frase. Os dois erguem as sobrancelhas de modo sugestivo para mim.
– Oh, não! – digo, balançando a cabeça. – Ela faz mais o tipo da Teddy.
– Ei... cale a boca! – rosna a loira, me dando um soco no ombro. Teddy ainda estava em toda aquela fase de experimentação... fato que eu evitava ao máximo encontrar em mulheres que queriam ir para a cama comigo. – Nós nunca sequer conversamos!
– Ok... mais uma razão para você tentar algo. – retruco, sorrindo.
– É verdade. – retruca Alex. – Você tem uma Casanova como colega de quarto. Siga os passos dela. – provoca e eu reviro os olhos.
– Oh Deus, e por falar em colega de quarto, espero que você consiga manter suas cuecas limpas, Alex! – provoca Mark. Alex rosna e tenta dar um soco no ombro do colega de quarto que desvia antes.
– Também espero que Jackson não me cause problemas com o seu relacionamento com April Kepner. – rosna George. – Não irei ceder meu quarto para eles transarem no meio da noite.
– April Kepner transar? – retruco, dando uma risada sarcástica. – Aquelas lindas pernas brancas só irão abrir depois do casamento, meu caro amigo. Acredite em mim! Alex já tentou abri-las!
– Argh! – rosna Alex, franzindo o cenho. – Quer mesmo falar sobre todos os seus relacionamentos?
– Me desculpe... – respondo, segurando um sorriso. – Prometo passar meus ensinamentos apenas para Teddy.
– Estou aqui para estudar e vocês sabem disso. – rosna Teddy, com as bochechas corando visivelmente.
– Se está aqui para estudar... o que está fazendo andando conosco? – pergunto, lançando-a uma piscadela maliciosa.
– Eu tento ao máximo lhe manter na linha, Arizona Robbins. – retruca a loira, sorrindo.
Eu sorrio de volta e paramos de andar ao ver o aviso na porta do prédio principal que dizia que tínhamos até as 13h00min para nos acomodarmos em nossos quartos habituais antes de ser necessária a presença de todos no salão de eventos. Local que era no lado norte da universidade, depois de uma longa extensão de alojamentos, do refeitório, biblioteca e outros prédios.
Eu respiro fundo, sabendo que estava ali apenas por causa da minha mãe. “Você consegue sobreviver a isso, Robbins... você consegue!” meu cérebro repete um pouco inseguro.
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