Isabella

Olhei a chuva através do vidro do ônibus e bufei. Seria uma merda ir para faculdade no dia seguinte.

Olhei para os lados e peguei Edward me observando. Estávamos sentados lado a lado no ônibus a caminho da casa de Alice e acho que nunca estivemos tão próximos.

— Aproveitando a paisagem? — Perguntou com um sorriso de lado.

Fiquei surpresa com a sua investida de conversa, afinal, há um segundo eu o tinha confrontado.

— Ah sim, realmente, poças e lama. Uma beleza sem igual! — Eu ri e ele me acompanhou.

— Depende do ponto de vista. — Deu de ombros. — Eu gosto de observar como todos reagem a chuva.

— Como assim? — Arquei uma sobrancelha.

— Quando se vive em um parque...Digamos, que você tem tempo de sobra para apenas observar algumas coisas... As pessoas normais sem guarda-chuvas correm... As malucas ficam e aproveitam a sensação da água escorrendo pelo rosto — Rimos juntos — Os animais se escondem e assim que a chuva passa, vão atrás de alimentos. As folhas caem, o vento canta e o cheiro que fica, pode ser bem gostoso...Não é apenas poça e lama...Bem, para mim não. Talvez eu seja apenas estranho. — Ele riu.

Fiquei alguns minutos apenas fitando seu rosto e pensando em suas palavras. Ele conseguiu ver beleza em algo que muitos abominam, como uma simples chuva.

— Você não é estranho, é apenas... Diferente.

— Talvez, eu seja apenas um morador de rua ficando meio louco. — Concluiu.

— É, talvez seja apenas isso. -Ri.

***

— Bella é você? — Alice gritou contra a porta, depois de termos tocado sua campainha três vezes.

— Sim, Alice! Eu esqueci minhas chaves! — Gritei de volta.

— Já vou abrir! — Escutei um pequeno barulho e logo depois a porta foi aberta.

Alice sorriu e me abraçou, logo se afastando para olhar Edward.

— Alice, esse é o Edward.- Apresentei.

— Oi Edward, é um prazer conhecê-lo.- Alice deu dois beijinhos nas bochechas de Edward e ele sorriu amigável — Seja bem-vindo!

Ela se afastou para dar espaço para entrarmos.

— Obrigado...É um prazer também, hum... Alice. — Passou a mão pelo cabelo em um claro sinal de nervosismo.

— É amiga, você tinha razão, ele é um gato- Alice fechou a porta e riu.

Senti minhas bochechas corarem. Deus, ela gostava de me envergonhar!

— Alice! — ralhei e Edward riu.

— Tudo bem, já parei. — Levantou as mãos para o alto em sinal de rendição. — Edward, eu arrumei um quarto para você, tem toalhas limpas no banheiro e uma escova de dentes novinha em folha, vá se aquecer enquanto penso no que fazer para o almoço com a Bella.

Edward me olhou interrogativamente.

Eu não havia comentado com ele que minha amiga possuía um belo apartamento...E muito menos que ele teria um quarto suíte só pra ele.

— Eu... Alice, vou ajudar Edward a achar tudo e já volto.

— Fiquem à vontade. — Deu de ombros e saiu em direção a cozinha. — Sinta-se em casa Edward! — gritou.

Eu ri e neguei com a cabeça. A cada dia que passava, Alice ficava mais maluquinha.

Edward tinha um sorriso leve aos lábios, mas logo sumiu ao avaliar o apartamento.

Suspirei e me preparei para o que viria.

Ele tinha questionamentos a fazer e eu já estava pronta para rebater qualquer possibilidade que ele criasse para ir embora.

Edward

A amiga de Bella era divertida e logo gostei dela. Mesmo com um ex- assaltante em sua casa, ela me mandava sentir-me confortável.

Bella suspirou e saiu em direção, do que achei ser o "meu" quarto. Acompanhei-a e não puder deixar de observar o seu belo corpo... Eu não podia fazer isso. Não era certo desejar alguém que estava me ajudando com a mais pura das intenções.

Entramos no quarto e assim como pensei era tudo muito bonito e bem arrumado.

Lembrava-me do tempo que morei com meus tios. Annabeth tinha um talento enorme para decoração.

— Tudo bem, pode começar a resmungar. — Bella disse cruzando os braços e virando para me olhar.

Arqueei uma sobrancelha e segurei a vontade de sorrir.

— Ah, eu resmungo? — perguntei divertido.

Bella cruzou os braços, mas me olhou surpresa.

— Oh sim. Você resmunga. — disse desafiadoramente.

— Bom saber disso.

Ela tossiu falsamente e entendi que era minha deixa para falar.

— Olha Isabella...E-eu, bem eu queria te agradecer por fazer isso. Você... É a última esperança que algo dê certo na minha vida e eu não vou reclamar, vou aceitar sua ajuda — falei olhando em seus olhos. — Não tenho outra escolha.

Eu queria que ela visse o quanto eu estava grato só por ela se dar ao trabalho de se preocupar comigo. Seus braços se descruzaram e seus olhos piscaram repetidamente.

— Er...De nada?

Eu ri e dei de ombros.

— Vou usar a sua ajuda para tentar me reerguer novamente e assim, talvez, um dia eu também consiga lhe ajudar.

Bella corou e me peguei sorrindo por isso.

— Eu, hãm...Preciso ir falar com a Alice, descanse, você precisa disso.

Isabella

O resto do dia tinha sido bastante agradável, Alice com o seu jeitinho único, dispersou qualquer tensão que pudesse existir e seu marido Jasper também pareceu gostar de Edward. Ele foi dormir antes de mim e vi agradecimento em seus olhos.

Para alguém que dormia em um banco de um parque todos dos dias, uma cama macia com travesseiros e cobertores, com certeza pareceria o céu.

E realmente era. Eu me sentia cansada e a cama era meu santuário, onde eu podia ter paz, deixando-me levar pelo cansaço.

Jasper e Alice me deixaram sozinha e não muito tempo depois e eu me peguei, com uma taça de vinho tinto nas mãos e com o olhar perdido, Chicago à noite era uma visão muito bonita, era uma pena que a minha realidade não fosse igual.

***

Não sabia como, mas havia conseguido chegar à faculdade com tempo sobrando. Graças ao bom Deus, tudo que eu não precisava era ver o professor com cara fechada pra mim porque me atrasei para sua aula.

Incrivelmente, eu estava de bom humor.

As aulas se passaram e meus pensamentos não saiam de Edward, de como ele estaria, o que estaria fazendo e uma curiosidade idiota... Se ele estava sentindo minha falta.

Ao sair das aulas me dei conta que teria que passar em minha casa... Algumas contas tinham que ser pagas e venciam hoje.

Eu só esperava que estivesse tudo bem por lá.

***

Já deveria saber, nada poderia estar bem em minha casa, como sempre.

Ouvi os gritos de minha mãe antes mesmo de chegar aos degraus da nossa pequena casa.

Abri a porta de uma vez e subi as escadas correndo, o choro e os gritos vinham do quarto dos meus pais. Por um momento eu tive medo do que poderia estar acontecendo ali, mas logo a raiva me tomou, jogando todo o medo para escanteio.

Coitado do meu pai se encostasse um dedo em minha mãe. Eu mesma acabaria com ele.

— Charlie, me solta!- Renée berrou.

Empurrei a porta que estava entreaberta com um chute. Vi tudo vermelho com a cena a minha frente. Minha mãe chorava e gritava tentando empurrar Charlie, que estava em cima dela com as calças abaixadas até as coxas e as mãos segurando os pulsos de minha mãe pra cima.

Charlie estava estuprando minha mãe.

— Saia de cima dela! — gritei já o empurrando para o lado pelos ombros. Minha mãe aproveitou a distração dele e o empurrou junto comigo, fazendo-o cair no chão, do outro lado da cama.

— Garota idiota! Não se meta com o que não é da sua conta! — Meu pai gritou levantando e fazendo menção de vir para cima de mim.

— O que você tem Charlie? Nunca foi disso! O que é agora? — Berrei indignada.

Charlie não respondeu, apenas se levantou e veio para cima de mim. Recebi um soco no lábio e senti o gosto de ferrugem em minha língua. Meu lábio inferior estava cortado.

— Charlie! -Minha mãe gritou horrorizada.

— Se vista mãe — ralhei para ela.

Em um impulso eu me virei para Charlie, tão séria quanto jamais estive.

— Me bata de novo seu bêbado de merda e eu mato você! Pela minha mãe e por mim! — gritei e senti lágrimas de raiva em meus olhos.

— Renée não ouse sair de onde está! -Charlie disse olhando para minha mãe que se vestia do outro lado do quarto, chorando.

— Mãe, você vai comigo e isso não é um pedido. — Olhei nos olhos sofridos de minha mãe enquanto ela acenava em concordância. Virei-me para Charlie — Você morreu para mim, entendeu? Tenho vergonha de você e meu irmão também teria. — Cuspi.

Antes que Charlie me batesse de novo — o que ele estava se preparando para fazer — me afastei e ajudei minha mãe a terminar de fazer o que quer que ela estivesse fazendo.

— Vai ficar tudo bem, só venha comigo. — sussurrei pra ela, abraçando-a.

— Você acha que vai levar a minha mulher, vadiazinha? — Antes mesmo que ele terminasse de gritar, eu já havia soltado minha mãe e a empurrado porta afora, recebendo outro soco de Charlie. Dessa vez do lado direito do meu rosto. Parecia que luzes explodiam dentro de minha cabeça e tive que piscar várias vezes. Eu tinha caído no chão.

Charlie não estava mais no quarto e logo entendi o porquê. Minha mãe tinha que ter corrido, não teríamos outra chance.

Levantei meio cambaleante e ouvi os gritos de meu pai do lado de fora da casa. Não podia arriscar dele me bater novamente. Segui então, para a porta dos fundos, encontrando minha mãe encostada do lado de fora, na parede com duas bolsas nos ombros e muitas lágrimas no rosto.

— Mãe, olha vai ficar tudo bem, apenas não deixe que ele nos veja, ok? — Perdi começando a chorar novamente, dessa vez por ver minha mãe daquele jeito.

— Ele está drogado Isabella, seu pai está no fim do poço, outra vez.

Por um momento me permiti ficar congelada, não eu não imaginava que Charlie começaria a se drogar de novo.

— Isso não importa agora, vamos sair daqui. — disse decidida.

Não importava o porquê de Charlie estar daquele jeito, meu foco agora era levar minha mãe para um lugar seguro, bem longe dele, onde ela pudesse se acalmar e descansar. E claro que esse lugar, era a casa de Alice.

Ouvimos o barulho da porta da frente batendo e entendemos que essa era a hora. Com passos rápidos e seguros, andamos até o ponto de ônibus mais próximo.

Minha mãe sentou em dos bancos do ônibus e sentei ao seu lado. Ela chorava descontroladamente e eu a acompanhava.

***

Renée estava dormindo havia algumas horas. Depois de tomar dois comprimidos de algum medicamento que Alice tinha, ela finalmente conseguiu descansar. Porém, eu não conseguia pregar os olhos. Tristeza e raiva tomavam conta de mim como nunca antes. Sabe-se lá o que poderia ter acontecido se eu não tivesse chegado a tempo.

Funguei mais uma vez.

— Bella... — Alice sussurrou ainda acariciando meu cabelo, depois de horas.

— Oi... — sussurrei de volta.

— Jasper e eu vamos viajar, durante três meses... Eu pretendia te contar isso de outra forma, mas não temos tempo, embarcamos amanhã. — Ela pausou para que eu pudesse processar bem suas palavras, mas antes que eu a interrompesse, ela continuou — Você vai ficar aqui, com sua mãe e o Edward e isso não é um pedido.

Virei minha cabeça ainda em seu colo e olhei em seus olhos. Eu não tinha escolha, era a melhor coisa, assim eu manteria minha mãe segura e poderia ajudar Edward.

— Eu aceito...Vou sentir muito a falta de vocês... — Abracei sua cintura e funguei novamente.

— Eu também... E Bella? Você tem que denunciar seu pai.

— Sei disso, vou conversar com a minha mãe amanhã. — suspirei.

— Faz muito bem.

Alice beijou meus cabelos e eu levantei a cabeça de seu colo.

— Já são três horas da madrugada Bella, você devia descansar.

— Não consigo Alice, vou fazer algo para comer, você que deveria ir dormir, amanhã trabalha não é?

— É verdade. Você vai ficar bem? — perguntou levantando e me abraçando.

— Na medida do possível eu vou sim Ali, dorme bem e obrigada por tudo que você sempre fez e continua fazendo por mim.

— Não precisa agradecer, você é como uma irmã pra mim — sussurrou.

Sorri e algumas lágrimas caíram de meus olhos. Eu havia chorado quase o dia todo.

Era tão bom saber que eu podia contar com alguém. Alice era muito mais que uma amiga, ela era uma das poucas pessoas que se importavam verdadeiramente comigo e eu a agradecia todos os dias por isso.

— Boa noite — disse acenando e sumindo no corredor.

— Boa noite, Ali.

Edward

Eu não havia conseguido dormir bem, porque estava preocupado com Bella e muito irritado com Charlie.

Olhei o relógio digital que havia no criado-mudo e bufei. Sete horas da manhã, não havia dormido nada mesmo.

Levantei e tomei um banho rapidamente, não tinha chances de eu voltar para cama. Botei uma calça verde — emprestada do marido de Alice — de cordões e saí do quarto.

Alice e Jasper estavam saindo e acenei rapidamente para os dois, pois pareciam que estavam atrasados.

Ouvi uma melodia vinda da cozinha e sorri.

Silenciosamente andei até lá.

Jack Johnson — Times Like These

A visão de Bella cantando baixinho e cozinhando alguma coisa na bancada da pia era maravilhosa. Ela balançava os quadris levemente e percebi que fungava repetidamente. Estava chorando.

Parei atrás dela, nossos corpos a centímetros... Eu não conseguiria resistir.

Não a ela, o jeito insistente em ajudar as pessoas, o modo doce como mordia os lábios quando estava nervosa, o ato de passar a mão nos cabelos em claro gesto de ansiedade, as bochechas coradas tão lindas...E ao mesmo tempo, uma pessoa que sofria tanto. Bella não merecia passar por tanta coisa, não importava sua idade...Ninguém merecia viver assim. Alice me contara sobre o que havia acontecido e tudo que eu mais queria era que ela estivesse bem. Eu queria protegê-la.

Os braços de Bella congelaram e seu corpo ficou tenso.

— Edward? — perguntou baixinho.

— Sim. — respondi no mesmo tom.

Bella virou seu corpo, não se afastando de mim e botei meus dois braços ao seu redor, abraçando-a.

Ela nada disse, apenas envolveu seus braços em minha cintura e olhou em meus olhos, sorrindo em meio as lágrimas que caiam de seus olhos. Sorri também em resposta e fechei os meus olhos quando seus dedos começaram a acariciar meu rosto. A mão dela era tão macia.

— Eu vou ficar bem, Ed? — perguntou baixinho.

Abri os olhos calmamente e tomei seu rosto em uma de minhas mãos, ela se inclinou, aceitando a carícia.

— Se depender de mim, vai. — sussurrei fazendo um biquinho.

Ela sorriu largamente e se aproximou mais, o sorriso sumindo...O corpo relaxando em meus braços. Minhas mãos deslizaram por suas costas, apertando-a levemente. Bella suspirou e fiquei hipnotizado. Olhando seus olhos.

— Me beije, Edward — sussurrou.

Meu olhar caiu para seus lábios e vi o pequeno corte no lábio inferior. Cheguei tão perto que sua respiração fazia cócegas em minha pele. Rocei meus lábios em seu corte, bem suavemente. Bella suspirou e sua mão apertou minha pele sobre a blusa.

Finalmente tomei seus lábios por completo e soltei um gemido. Bella colou mais seu corpo no meu e gemeu de satisfação. Nossos lábios se moviam calmamente no ritmo da música sensual. Seu gosto doce viciando-me aos poucos, sua língua massageando-se com a minha, suas mãos me apertando e seu corpo emanando calor. Nossas respirações ficaram ofegantes e Bella nos separou por segundos, antes de suas mãos deslizarem para meu cabelo e seus lábios tomarem os meus novamente, dessa vez mais selvagem, mais cheio de paixão. Suas mãos pequenas deslizaram para dentro de minha blusa e soltei um gemido, ela estava tão quente!

O som alto da campainha nos fez pular e gemer com a falta de contato.

— Você está esperando alguém? — sussurrei, ainda não me desgrudando dela.

— Não...- respondeu.

Ela me abraçou em seguida e ficou ali deitada com a cabeça em meu peito, acariciei seus cabelos e sorri.

A campainha soou novamente, Bella pulou em meus braços.

— Minha mãe vai acordar — resmungou.

Larguei-a calmamente e a acompanhei até a porta. Bella a abriu e dois caras estavam parados ali.

— Boa tarde...- Bella começou.

— Boa tarde senhorita, polícia de Chicago, Edward Cullen está?

Bella me olhou de olhos arregalados e por um momento eu congelei.

— Sou eu. — disse finalmente.

Se eles estavam atrás de mim por algum roubo que cometi, nada mais certo de que eu pagar por eles...Por mais que fosse uma coisa desagradável, não tinha como fugir, eu jamais criaria problemas para Bella e Alice.

— Edward Cullen, peço que venha conosco.

Notas finais
Bom,primeiramente agradeço quem comentou o capítulo passado. Obrigada mesmo. Porém,está difícil. Quase ninguém dá as caras por aqui e me sinto desestimulada sem saber a opinião de vocês, acho que se todo autor não quisesse saber o que os leitores estão achando de seu projeto, não postavam. Enfim, agora que o relacionamento de Beward começa de verdade. E ai? O que será que a polícia quer com o Edward? Só comentando pra saber,kkkkkkk Beijos. Alexia. P.s: Grupo pras leitoras https://www.facebook.com/groups/576459962445468/