Segunda chance para o nosso amor
41 Capítulo 41
Vinte e três anos se passaram depois que Kate e Rick se mudaram para a casa nova e a vida deles foi maravilhosa como eles imaginaram
A amizade, o respeito, a paixão, o amor e a admiração que um dia sentiram, modificou.
O tempo amadureceu a mente e os corações de ambos. A experiência de vida juntos aperfeiçoou todas estas sensações e lapidou cada um destes sentimentos, fazendo com que o casal aprendesse a enfrentar os dias não tão bons e todos os momentos felizes que usufruíam que, aliás, eram muitos. Aprenderam também a superar os dias ruins e valorizar todos os acertos, pequenos ou grandes. Pois é, todos os sentimentos que um dia sentiram, modificou e modificou para melhor.
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Em uma linda tarde de sexta-feira....
Era feriado nacional e toda a família estava na mansão dos Hamptons para um final de semana prolongado.
Kate tinha acabado de se sentar em uma das confortáveis poltronas da ampla sala de tv quando reparou que ainda passava uma reprise de um antigo programa de culinária.
— Ah, meu Deus! – ela resmungou ao consultou o relógio de pulso – Esse programa de culinária nunca termina, é? Ainda falta meia hora para começar o documentário! – Kate estava tensa e reclamava pela demora do início do Especial do Feriado, ao vivo, onde Richard Castle seria a atração principal.
Ela questionava enquanto passava o informe publicitário.
Além das várias poltronas, uma das quais Kate estava sentada, também havia um imenso sofá, feito sob encomenda, duas vezes o tamanho de uma cama Super King Size, só que muito mais confortável. Era próprio para home theater, onde os familiares se esparramavam, já que era cercado de encostos e muitas almofadas macias, dando o aconchego esperado para as pessoas passarem longo tempo assistindo filmes e séries, que, aliás, era comum entre a família Beckett Castle.
— Quem sabe quando é que vai acabar este programa de culinária, eihm? – Kate estava aflita e olhou para todos da sua família que estavam reunidos ali para assistir, juntos ao próximo programa, onde Castle seria o único homenageado.
Com exceção do Richard Castle, toda a família Castle estava ali no home teather.

Lily e os gêmeos, Jake e Reece estavam no sofá.
Além deles, também estavam Nicholas Javier, que era o marido de Lily, juntamente com os dois filhos do casal, Matheus de quatro anos e Talita de três, que também queria ver o avô na televisão.
Nicholas Javier era filho de Ryan e da Jenny e, por conta da amizade entre os pais, as crianças se viam com frequência desde que eram bebês. A amizade entre eles era intensa, até que o amor aconteceu.
Desde crianças, os filhos dos amigos tratavam os adultos por “tio” e “tia” e essa forma de tratamento continuou mesmo depois que as jovens se casaram.
Do mesmo modo que o Nicholas Javier, Luciana também frequentava a família Castle desde que nascera, pois era filha da Lanie e do Esposito. A amizade com o Jake se transformou em amor e eles se casaram.
Naquele exato momento Luciana estava no maior sufoco, pois tentava controlar as duas filhas sapecas, as gêmeas, Soraia e Flávia, de quatro anos.
— Meu Deus, essas meninas tinham mesmo que puxar à minha mãe e ao tio Rick? – ela indagou dando risada, referindo-se ao jeito travesso do sogro e da própria mãe.
— Minhas netas são uns amores, Luciana! – Kate comentou, amorosa, na tentativa de amenizar a situação – Elas são espontâneas, como a sua mãe e o seu sogro, querida. Até porque sua mãe é a minha melhor amiga até hoje. Adoro a Lanie! E seu sogro... Ele é espirituoso... Nossa Senhora! Não existe marido melhor...... – Kate sorriu ao tentar tranquilizar sua nora.
— Ah, tá, tia Kate. Beleza!!... – Luciana, risonha, contestou a sogra – A mamãe é “espontânea” e o tio Rick é “espirituoso”... Puro eufemismo. Vou deixar as gêmeas com a senhora por uma semana, sogrinha.
— Saiba que eu e Rick vamos adorar! – Kate afirmou – Eu e o Rick amamos todos os nossos netos e adoramos quando ficamos com eles.
Todos sorriam, pois além de estarem muito felizes, todos adoravam quando Kate defendiam marido. Ela se derretia toda.
— A minha sorte é que o Rick Neto está dormindo lá no quarto. – Jake deu uma rápida conferida no monitor da pequena babá eletrônica e sorriu – Meu caçulinha é calminho... Será que ele vai continuar calminho ou fará jus ao nome do papai? – Jake pareceu aflito e todos acharam graça. Ele era idêntico ao pai.
— Só Deus para saber, viu... – Kate sorriu – Quem te ouve falar assim, Jake, até pensa que você era um santinho...
Reunião dos Beckett Castle, a diversão era garantida.
— Mamãe, ante da senhora e papai começarem a namorar, vocês viviam às turras... – Reece provocou a mãe.
— Muito normal, filho. Antes de começarmos a namorar, a gente se amava, mas não tínhamos coragem de fazer a revelação. Resultado, o único jeito para nos expressáramos era fazer birra um com o outro. Mas essa história vocês todos já conhecem demais. Aliás, bem demais, para o meu gosto.
— A minha mãe conta esta história sob a ótica dela, viu, tia Kate. Adoro! – Luciana comentou, sorrindo.
— A Lanie tem uma imaginação muito fértil! – Kate argumentou.
— Aliás, todo mundo adora a história de vocês, sogrinha! – Luciana se referia ao que Lanie contava para todos da família sobre as terríveis birras da detetive Beckett e sobre as provocações do Castle, além das cenas de ciúmes entre os dois que deixava todos no distrito de cabelo em pé.
— Sua mãe conta estas histórias sobre o meu romance com o Rick, mas o que ela não conta é o trabalho que ela deu para seu pai... – Kate brincou – O Esposito sofreu para conseguir namorar firme com sua mãe. Eles eram apaixonados, mas... Foi difícil, viu... Eles ficavam juntos, mas logo se separavam... E isso se repetiu por anos.
— Huuummm!!! Verdade! Foi isso mesmo, tia Kate. O papai me contou que penou para conseguir, finalmente, casar com a mamãe.
A cada comentário, o pessoal se divertia muito.
— Já o meu pai sempre confessou que era o fã de carteirinha do meu sogrão! – Nicholas Javier afirmou.
— Quem não sabe disso, eihm? – Luciana provocou – O papai sempre fala que, às vezes provocava o seu pai, o chamando de “Filhote do Castle”, porque o tio Ryan, de vez em quando, queria imitar as teorias do tio Rick!
— Verdade, viu, Nicholas Javier... – Kate riu – O Ryan idolatrava o meu marido, acho que até hoje, viu. E não nego que eu achava engraçado o modo como o Ryan tentava imitar o Rick.
Alexis contou um caso divertido em que ela presenciou no Distrito.
A conversa divertida foi bacana porque distraiu a Kate, pois ela estava ansiosa para o início do programa onde o Castle seria a celebridade central.
Ninguém conseguia ficar sem rir diante de tantos comentários saudosos e divertidos acerca do Castle, Beckett, Ryan, Esposito e Lanie, ou seja, os cinco amigos da 12ª delegacia, que, posteriormente, passaram a fazer parte do grupo familiar Beckett Castle, por conta do casamento de seus filhos.
Mônica assistia a tudo e sorria meio tímida, e era a única calada ali na sala. Ela era a nova namorada do Reece. Era a primeira vez que a garota ia aos Hamptons. Somente naquele dia conhecera toda a família do namorado e ainda não conhecia quase nada sobre os pais dele, muito menos a relação de amizade que existia entre a família dele, muito menos da interação e harmonia com os sogros de seus cunhados. Mônica logo percebeu que todos os jovens se conheciam desde crianças e agora formavam uma grande família.
— Jcke, segura a Flavinha, porque está difícil conter as duas, amor. – Luciana entregou uma das filhas gêmeas ao marido e ficou com a Soraia.
— Venha com o papai, Flavinha, venha. – Jake chamou a filha, que já era grande, foi para o colo do pai e Soraia ficou sozinha com a mãe.
— Luciana, elas já têm quatro anos. Deixa as meninas soltas.
— Se elas saírem de perto de mim, vão começar a aprontar, sogrinha.
As crianças estavam inquietas, pois, como qualquer criança saudável, não suporta ficar parada num mesmo local por muito tempo.
Alexis estava sentada na poltrona idêntica a de Kate e observava os irmãos e cunhados conversando animadamente e também fazia comentários alegres e divertidos.
Já o Carlos, seu marido estava no sofá ao lado dos dois filhos adolescentes do casal, João, de dezessete anos e Cristina, de quinze. Os dois adolescentes estavam com os olhos grudados nos seus smartphones ultra modernos, quase hipnotizados, nem percebendo o que os adultos conversavam. Era como se estivessem em um universo paralelo.
— Alexis, estou tão ansiosa! – Kate confidenciou para a Alexis que estava sentada na poltrona ao lado da dela.
— Se a senhora não me contasse, mamãe, juro que eu não ia saber. – Alexis brincou com Kate.
— Dá um desconto, filha. – Kate devolveu a brincadeira e sorriu – Você sabe que eu fico tensa quando seu pai vai aparecer em algum programa de TV.
— Pois é, mãe. Até parece que a senhora nunca viu o papai na TV. – Alexis provocava a mãe.
— Ah, Lexis, mas hoje é diferente... Nas outras vezes ele era entrevistado em talk show, mas o programa de hoje é um documentário especialmente feito para o seu pai e é ao vivo.
— Mas não é o primeiro que o papai é o único convidado, mãe. Já houve outros.
— Mas este é diferente, filha.
Acompanhando a conversa da mãe com sua irmã, Jake complementou o comentário da mãe – Isso mesmo que a mamãe falou, Lexis, este programa é especifico para homenagear a carreira de sucesso do nosso pai. Cinquenta anos de carreira como escritor.
— Isso, Jake, por isso estou tão emocionada. – Kate finalizou
— Realmente, a senhora tem razão, mãe! – Alexis concordou.
Naquele momento, Talita, a filha caçula de Lily, com apenas três aninhos, escapou do controle do pai e correu para a avó.
Ao ver Talita chegar correndo, Kate, cheia de amor, a colocou no colo e deu um monte de beijo nos cachinhos cheirosos presos por um lindo laço de fita azul, a mesma cor dos olhos da garota.
— Vovó Kate, por que o vovô Rick vai aparecer na televisão, eihm? – Talita perguntou, curiosa.
— É porque seu avô vai falar sobre os livros que ele escreveu, Talita.
— Ah, tá... Mas ele vai contar as histórias do livro, é, vovó? Contar historinhas é para dormir, vó... Eu não quero dormir... Agora não, vovó Kate...
— Não, meu anjo. Seu avô não vai contar histórias para dormir. – Kate adorava conversar com os netos, do mesmo jeito que sempre amou conversar com seus filhos, desde que aprenderam as primeiras palavras.
Do sofá, Flávia ouviu a explicação da avó e também estava curiosa – Já que o vovô Rick não vai contar historinhas do livro, ele vai falar o que, então, eihm, vovó Kate?
As crianças eram muito pequenas e não tinham noção acerca da carreira literária do avô.
— Seu vô Rick vai falar sobre a vida dele como escritor, Flavinha. – Kate respondeu, sem entrar em detalhes.
Soraia também se soltou das mãos da mãe e, igual a prima, correu para ficar com a avó – Eu também quero ficar no colo da vovó Kate.
Kate pegou Soraia, sua outra netinha, e também a colocou no colo – Mas fiquem quietinhas, viu, porque a vovó quer ouvir tudo o que o vovô Rick vai falar.
O ambiente não estava nada atraente para crianças daquela idade e, obviamente, elas começaram a ficar inquietas, como qualquer criança saudável. Elas queriam conversar ou andar pela sala de tv. Queriam mesmo é movimento e fazer traquinagem.
A tv anunciou que o documentário iria começar em dez minutos.
Só que as crianças estavam conversando entre si, cantarolando e brincando. O burburinho era grande.
Neste momento Reece ficou irritado e se levantou – Eu sabia que deixar essas crianças aqui não ia prestar. – Reece comentou, mal humorado com o barulho dos sobrinhos.
— Reece Castle! – Kate o repreendeu discretamente.
— Desculpa, mamãe! – ele falou de forma mansa com a mãe. Ele respeitava muito os pais e, mesmo adulto, tinha consciência dos seus limites, mas tentou se justificar – É que eu avisei que isso não ia dar certo, mamãe. – ele já falou mais calmo. As crianças podiam ficar muito bem na brinquedoteca se divertindo... Não sei porque elas estão aqui já que não fazem a mínima ideia do que o papai vai falar.
— Quando você tiver seus filhos você vai ficar mais paciente, Reece. – Jake comentou, ralhando com o irmão pela falta de tolerância com os sobrinhos. – Peça a Deus que seus filhos sejam maravilhosos como os meus e os das minhas irmãs.
— Rá, rá, rá – Reece ironizou imitando o som de risadas – Vá rogar praga para outro, Jake, porque seu irmãozinho aqui, tão cedo vai ser pai. – ele zoou o irmão – Pode esperar sentado, cara, porque isso vai demorar.
— Vocês estão fazendo mais estardalhaço do que as crianças. – Alexis repreendeu seus irmãos gêmeos – E até parecem duas criancinhas bobas, brigando... Que feio! A Mônica ainda é muito novinha, com certeza está muito empolgada porque você é um gato, igual ao papai, mas... Maninho... Pode acreditar que neste momento ela não deve estar te achando tão fofo, Reece! – Alexis provocou o irmão e viu que a Mônica sorriu sem graça.
— Que nada, maninha, a Mônica nem liga, né, minha linda? – muito extrovertido e sedutor, Reece tentou se livrar da bronca – Toda família é assim mesmo... alegria, diversão, zoeira... A Mônica cursa psicologia e tá acostumada a ver dessas coisas.
— Para ser bem franca, Reece, como estou no primeiro semestre do meu curso na faculdade, eu só vejo a teoria... – a moça escolhia as palavras.
— Nossa Senhora! Essa doeu, viu, irmão... – Jake fez uma careta diante da resposta de Mônica, como se houvesse explodido uma bomba atômica naquela sala e os outros irmão e cunhados riram muito – Até eu estou com vergonha por você, Reece.
— Palhaços! – Reece rebateu, mas ele mesmo caiu na risada, pois era muito de bem com a vida e se dava muito bem com os irmãos e cunhados.
— Tudo bem, pessoal! – a voz de Mônica foi ouvida – Eu adoro reuniões de família e adorei conhecer vocês! – era a primeira vez que a namorada do Jake visitava a casa da família do rapaz e era visível que ela estava sem graça, talvez porque fosse muito novinha.
— Oh, Oh, querida, releve essas brincadeiras, por favor, ok? – Kate desculpou-se em tom muito divertido e exibiu um lindo sorriso para a moça, o que deu uma leveza ao ambiente – Meus filhos são maravilhosos, todos os quatro, e eu os amo, mas são muito traquinas, iguaizinhos ao pai. Eu e meu marido somos muito intensos e nossos quatro filhos são assim também e muito autênticos. E o Carlos, o Nicholas Javier e a Luciana são assim também. Logo você vai ver que essas zoações e provocações dão um colorido especial na nossa vida. Confesso que, no início, eu relutei em aceitar isso no meu marido assim que o conheci, mas depois percebi que essas provocações foram e ainda são temperos formidáveis para a nossa vida.
— Tudo bem, Sra. Castle! Eu acho lindo uma família assim, unida, amorosa, brincalhona e alegre.
Passados alguns segundos a moça se dirigiu às mães dos sobrinhos do namorado – Lily e Luciana, vocês querem que eu fique com as crianças na brinquedoteca?
— Nada disso. – Reece rapidamente recusou a oferta generosa da namorada – Eu te trouxe aqui para assistirmos juntos ao documentário do meu pai.
— Oh, obrigada, Mônica, mas não precisa! – Luciana também recusou, com educação.
— Eu gosto de crianças e posso brincar com elas, sem problemas... depois eu assisto ao programa pelo site da TV. – a moça se justificou para o namorado e depois se dirigiu para Luciana e Lily – O Reece me levou mais cedo lá na brinquedoteca e eu vi que tem um monte de coisas para entreter as crianças...
A moça tentava ser simpática e teve êxito com quem mais importava, ou seja, a garotada, tanto que as quatro crianças, que nunca a tinham visto, se animaram com aquela proposta tentadora.
— Mamãe, eu quero ir com a tia Mônica! – Soraia saiu do colo da avó e foi para junto da moça.
Talita e Flavinha também se levantaram e correram para ficar junto com Soraia e, em poucos segundos, Matheus também se juntou às primas, ao lado da Mônica.
Sentindo-se útil e benquista, Mônica exibia um belo sorriso para a família do namorado e se dirigiu para as quatro crianças, chamando-as para a brincadeira – Então, vamos, né?
— Matheus e Talita, obedeçam a tia Mônica, entenderem? – Lily alertou aos filhos.
— E vocês também, Soraia e Flavinha. Nada de traquinagem e obedeçam a tia Mônica. – Luciana advertiu as filhas gêmeas.
Mônica seguiu para a brinquedoteca acompanhada das quatro crianças.
Assim que a Mônica se retirou, Kate se ergueu e se dirigiu ao filho – Reece, o que foi aquilo, filho! – Kate chamou a atenção do filho – Até parece que você era um anjinho! Você e o Jake me deram muito trabalho! Só Deus sabe o que passei... Ainda bem que a Alexis me ajudava, né, Lexis?
— Isso mesmo, mamãe. E eu era somente uma adolescente e tive que aturar vocês dois. – Alexis desabafou – Hoje o Jake tem três filhos e sabe o que é cuidar de crianças, mas você, Reece, não faz ideia, então, deveria ter mais cuidado e não ficar se irritando e nos irritando.
— Ainda mais na frente de sua namorada, meu filho. – Kate o advertiu, com carinho – É a primeira vez que ela vem aqui e você faz uma besteira dessa.
— Que vergonha! – Alexis lamentou.
Nicholas Javier, Luciana e Carlos não deram opinião e, percebendo o silencio dos cunhados, Reece ficou constrangido.
— Desculpa, mamãe. E... Nicholas, Luciana e Carlos, vocês já estão na família há bastante tempo, mas desculpa aí também, viu. – Reece reconheceu seu erro e pediu desculpas à mãe e aos cunhados que, fizeram gestos de “tudo bem”.
Nicholas ainda o tranquilizou — Tudo bem cara, a gente cresceu junto. Somos ratos da casa, tá esquecido? – Nicholas Javier comentou, divertido. – Eu sou alguns anos mais velho que você , mas aprontamos muito juntos... Relaxa, brother!
No instante seguinte, o programa de culinária chegou ao fim.
— Finalmente vai começar! – Kate avisou.
— Parece que a tv aguardou a gente parar de conversar. – Reece brincou.
O documentário começou e o silêncio se fez na sala de tv.
Por mais acostumada que estivesse em assistir programas de TV sobre o marido ou palestras que ele realizava, para Kate era como se fosse a primeira vez. Talvez até desse para ouvir as batidas do seu coração, tanta era sua emoção.
Kate sabia que toda sua ansiedade e dos seus filhos era porque aquele documentário era especial, diferentemente do que ocorria no passado, pois seria um programa comemorativo dos cinquenta anos de carreira do seu marido.
Na homenagem ao Richard Castle teve de tudo um pouco.
Durante todos os relatos, o Castle foi ele mesmo e, assim, brincou, fez as suas famosas piadinhas, falou da época em que começou a acompanhar a esposa na delegacia, quando ainda nem pensavam em namorar. Narrou, por alto, todos os casos em que ele e Kate correram risco de morte, narrando o dia em que o carro em que estavam, foi arremessado no Rio Hudson e eles quase se afogaram e que ele conseguiu salvar Kate. Relatou sobre os perigos que correu em ser colaborador civil no meio de uma investigação policial, citando o dia em que ficaram presos no porão abandonado com um tigre e, claro, divertiu a todos com os detalhes que passaram a ser engraçados, embora tivessem sido trágicos. Ele também comentou sobre a paixão e o amor que começou a sentir pela esposa e de como foi difícil conquista-la. Discorreu acerca do acidente de barco quando foi considerado morto. Enalteceu o empenho da esposa em encontra-lo e que ambos agarraram com unhas e dentes a segunda chance para se amarem. Revelou ainda que a partir daquele dia nunca mais se desgrudaram. Disse que o amor deles devia ser de vidas passadas porque era muito forte, tanto que deu força e coragem para driblarem os desafios que vida ofereceu, mas que nada nem ninguém os derrubou e, assim, com amor, força, determinação e muita harmonia, criarem quatro filhos e que nestes trinta anos de casados, foram abençoados com sete netos.
Quando perguntado sobre seus livros, Castle explicava sobre o que levou a escrever alguns deles. Quando chegou na série Nikky Heat, sua série mais longa e apaixonante, ele se desdobrou em elogios à esposa.
Também falou sobre todos os prêmios que ganhou durante sua carreira e, enquanto ele falava, a emissora mostrava fotografias de todas as premiações.
Teve um momento em que foi perguntado a ele sobre o segredo de um casamento longo e feliz.
— Não tem um segredo em especial. Acho que cada casal tem a sua fórmula. Eu e a Kate valorizamos muito o nosso amor, além disso, também valorizamos muito o respeito e a confiança que talvez sejam sinônimos do amor... Isso é fundamental! Confiar no parceiro. Respeitar a nós mesmos, o outro e a família. Nós passamos isso aos nossos filhos para que apliquem isso, com naturalidade... As meninas, Alexis e a Lily, com seus maridos e os meninos com suas esposas... Todos são muito bem casados e souberam formar uma família. Ops! O Reece ainda não casou... ele está procurando o amor. Um dia ele o encontra. Eu era igual a ele, até que me deparei com a linda e extraordinária detetive Beckett e aí, aconteceu. – ele fez um gesto amplo com as mãos e bateu no peito – Fiquei apaixonado. Ah! Outro fator muito importante que faz o meu casamento feliz é a admiração genuína. Mas não pode ser da boca pra fora. Nada disso! Tem que ser do coração mesmo. Isso acontece comigo e com a Kate, espontaneamente. Eu tenho uma admiração imensa pela minha mulher. Sempre tive. Desde o primeiro dia, eu vi quem ela era, e ainda é – Castle frisou –, uma mulher incrível e eu sei que ela também sempre me admirou muito. Não tenho dúvidas disso. Pois é, são ingredientes simples, mas que fazem uma diferença enorme no casamento.
O programa foi recheado de fotografias e pequenos videos dele e de Kate desde antes do namoro. Mostrou fotos do curto namoro, dos seis meses de noivado e dos trinta anos de casamento. As fotos do casamento deles foram maravilhosas e exibiu, por completo, o trecho do casamento onde os noivos disseram seus votos. Mostrou também fotos e pequenas partes de vídeo dos lançamentos de alguns dos seus livros ao longo de sua carreira. Foram mostradas também fotografias de todos os filhos em várias fases de crescimento até a atualidade e também dos netos. A foto onde toda a família estava reunida até parecia foto de uma família de filme, mas que, de fato, era uma família verdadeira.
Desde o início do documentário, Kate já chorava. Ela amava demais o marido. Ela já suspeitava que iria se emocionar, tanto que levou um pacotinho de lencinhos descartáveis.
No entanto, no momento dos votos de casamento, só quem não chorou foram os rapazes.
Ao final, como se estivessem em um teatro, todos aplaudiram e, em seguida Kate foi abraçada pelos filhos.
— Que homem é esse, meu Deus! – Kate comemorou, emocionada.
— Ah, mamãe, só quem presenciou desde o início o amor de vocês, para saber como tudo foi muito difícil... Mas tudo tão lindo! – Alexis comentou ao abraçar Kate – A senhora é meu exemplo de superação e amor!
— A gente não estava lá no início como a Alexis, mas desde que eu me entendo por gente, vejo o papai e a mamãe sempre juntos, felizes, apaixonados. – Jake comentou – E isso me inspirou a querer ser assim também. – ele olhou para Luciana e deu um selinho na esposa.
— Verdade, mano! Muito amor!!! Mas também já vi umas briguinhas, viu... A mamãe é birrenta que dá medo. A sua sorte e a do papai, mãe, é que ele te ama muito, é muito paciente e sempre dá um jeito de te dobrar. – Reece relatou – Mas o que eu também sei é que a senhora também consegue dobrar direitinho o papai. É o amor, né...
A opinião do Reece fez todos darem risadas.
— Ainda não conheço um casal que não tenha tido suas briguinhas. – Lily comentou.
— Pois é. Vocês já são adultos e sabem que depois de uma boa briguinha sempre tem uma excelente reconciliação, estou certa? – Kate pilheriou e todos deram risadas.
— A senhor está certa, mãe. Posso afirmar que conhecemos o que é uma boa reconciliação, né, Luciana? – Jake riu e abraçou a esposa.
— Com certeza! – Luciana confirmou – O Rick Junior, por exemplo, foi fruto de uma reconciliação inesquecível. – ela afirmou e todos sorriram – Eu estava sem poder tomar anticoncepcional. Eu e o Jake discutimos por uma coisa boba... Por que foi mesmo, amor, que a gente brigou? – ela consultou o Jake.
Com o mesmo bom humor do pai, Jake deu de ombros – Não faço a mínima ideia, amor, o que eu sei é que briga prá lá, briga prá cá, conversa vai, conversa vem, o clima foi esquentando, mas a gente foi se perdoando, pedindo desculpas, a coisa foi ficando boa, os beijos foram acontecendo e quando demos conta, não usamos preservativo e a Luciana estava no período fértil.
— Bingo! – Alexis pilheriou.
— E o Rick Neto está aí, lindo, forte e saudável, cheio de energia. – Luciana confirmou.
— Ah, como eu amo vocês, meus filhos. – Kate anunciou, cheia de felicidade – Deus me presentou com quatro filhos maravilhosos!
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Kate e Alexis se aproximaram muito uma da outra durante o período em que o Castle estivera desaparecido e o amor entre elas foi instantâneo.
Depois do casamento de Kate a proximidade das duas melhorou mais ainda e com o nascimento da Lily, ficou ainda melhor. Até que Alexis, de forma espontânea, passou a chama-la de mamãe. No início, apesar da emoção de ser chamada de mãe por uma criança que aprendera a amar, Kate ficou surpresa, mas logo percebeu que era um caminho sem volta e maravilhoso. Com treze anos, e muito desembaraçada, Alexis falou para Kate que ela era a mãe que ela sempre quisera ter e pediu para ser adotada pela Kate. Kate amou a ideia e o Castle não se opôs, muito pelo contrário. Ele amou e tudo foi providenciado de forma legal.
A Meredith se opôs.
No entanto, o vídeo que a Kate fizera, onde a jovem atriz descrevia sua total falta de amor à filha, serviu de prova contra Meredith.
Ao assistir ao tal vídeo e depois de ouvir muitos depoimentos acerca da integridade de Kate e da forma como ela tratava a Alexis e a Lily, o Juiz não teve dúvidas de que Kate seria a mãe ideal para Alexis, que passou a se chamar Alexis Beckett Castle.
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Após o documentário, a emoção tomou conta de todos e um novo abraço de família aconteceu.
— Hey, eu também quero esse abraço de família – a voz do Castle ocupou todo a sala de tv, mas Kate foi mais rápida e correu para se atirar nos braços do marido e distribuiu selinhos pelos lábios e pelo rosto do homem que amava.
— Oh, amor! Que bom você voltou. – Kate abraçava forte o marido.
— Nem ouvimos o som do helicóptero, papai! – Reece comentou.
— Além da casa estar toda fechada, imagino que vocês deveriam estar fazendo muita zoação aqui... – ele pilheriou e voltou sua atenção para a esposa – Você gostou, amor?
— Ah, Rick, eu adorei o documentário! Foi a coisa mais linda que já vi.
— Vai chorar novamente, é mamãe? – Jack provocou a mãe.
— Deixa de exagero, Jack! – Kate o repreendeu, mas seus olhos estavam vermelhos.
— Vamos ter que assistir novamente, porque a mamãe não sabia se assistia ao documentário ou se enxugava as lágrimas. – Reece reforçou a provocação, igual como o pai sempre fizera.
Aliás, os gêmeos eram a cópia fiel do pai, não somente no lado físico. Ambos eram espirituosos e muito agradáveis e queridos por todos.
— Sorte a minha de ter uma mulher tão apaixonada, que, mesmo depois de trinta anos de casada, ainda me ama. – Castle envolveu a esposa num abraço apertado, mas depois se afastou um pouco – Agora, ABRAÇO DE FAMÍLIA!
Todos se quatro filhos, a nora e os dois genros envolveram o casal num abraço apertado.
Castle procurou os netos e ao saber que as crianças estavam na Brinquedoteca, foi até lá e se misturou com eles. Ele adorava os netos e os netos adoravam o avô. Se davam bem, de igual para igual, do mesmo modo que ele se divertia com os filhos.
Algum momento depois, Jake foi participar da brincadeira com as crianças e incentivou o Reece a também interagir com os sobrinhos e deu certo.
O jantar daquela noite foi maravilhoso.
Mais tarde, quando todas as cinco crianças estavam dormindo, Castle chamou todos os filhos, abraçou Kate e os levou para um canto da sala, juntamente com os netos adolescentes, João e Cristina.
— Quero a atenção de vocês! Filhos e filhas! Genros e nora e vocês dois, João e Cristina, que misteriosamente, estão sem os celulares nas mãos. – ele provocou os dois netos adolescentes.
— A mamãe falou que a gente precisa participar mais das conversas da família, vovô. – Cristina comentou.
— Isso mesmo! Mas estou gostando, viu, vovô. – João confirmou o que a irmã dissera.
Todos ficaram atentos, inclusive Mônica, que era apenas a nova namorada do Jake.
— Eu a Kate queremos lembrar que amanhã vamos comemorar nossas Bodas de Pérola. Então tratem de ter uma excelente noite de sono, pois amanhã, próximo ao horário do pôr do sol, será a nossa festa e quero as crianças acordadas, ok?
— Quero meus sete netos acordados, ouviram bem? – Kate avisou e deu um lindo sorriso.
Todos os filhos, os genros e os dois netos adolescentes fizeram gestos afirmativos com a cabeça, até porque, estavam ali naquele final de semana prolongado, também com aquela finalidade e, aos poucos, entre bocejos e cumprimentos de boa noite, foram se retirando para seus respectivos quartos.
... Continua...
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