Segunda-Feira
25 Sobre canções, caminhos e semelhança
Notas iniciais
O aleatório tocava a canção antiga, que eu esqueci há muito tempo que gostava, e de repente tudo voltou. As lembranças de dias mais fáceis, de uma juventude alegre, de uma moça sonhadora...
As memórias marcantes foram retornando aos poucos, uma a uma, enquanto a boy bands que marcara minha adolescência cantava o refrão da música mais lenta.
—Backstreet Boys, bebê? – a voz suave de Edward soou próxima a minha nuca, seguida de sua respiração quente que eriçou cada pelinho do meu pescoço. —Não sabia que gostava. – completou antes de selar os lábios na pele exposta do meu ombro.
Um arrepio subiu por meu corpo enquanto o teor amoroso delineava meu sorriso. Foi impossível não suspirar quando os braços fortes passaram pela minha cintura e colaram nossos corpos. Eu amava sentir aquilo, amava sentir como nossos corpos se encontrava de todas as formas.
—Eu gosto de algumas. – murmurei precisando pigarrear para limpar a voz. —Você não? – virei o rosto para poder olhá-lo e não deixei de me fascinar com sua beleza. Aqueles olhos, aquela boca... Sorri torto antes de deixar que ele roubasse um selinho rápido de mim.
—Não faz muito o meu estilo. – narrou com um careta fofa. —Mas sei cantar praticamente todas as músicas...
Estreitando os olhos girei dentro do seu abraço para poder olhá-lo de frente.
—Sabe é? – indaguei curiosa.
—Sei sim. – confirmou com um aceno de cabeça. —Rosalie era a maior fã deles. – contou com certo desagrado. —Passei boa parte da minha adolescência ouvindo essas músicas grudentas...
O riso escapou por minha garganta e não deixei de me encantar quando ele curvou os lábios em um biquinho fofo. Edward as vezes parecia um menino.
—Ouvi meu nome. — a voz elegante, adentrou a sala de estar de Edward e instantaneamente, girei a cabeça na direção dos acordes suaves. Rosalie estava parada no último degrau da escada, os olhos verdes e atentos, intercalavam-se entre Edward e eu. —Nossa! – soltou de repente e então, os lábios se curvaram em um sorriso. —As Long As You Love Me... — proferiu antes de saltar o último degrau. —Não vai me dizer que também gostava dos Backstreet Boys.
Edward bufou alto e girou os olhos, soltei um riso baixo e me afastando um pouco dele, consenti com a cabeça à resposta de Rose.
—Eu amava quando era mais nova...
—Eu também. – ela disse ainda mais animada. —As paredes do meu quarto eram cobertas pelos pôsteres deles, eu tinha todos os CD’s e algumas camisetas. – as palavras saíram rápido de sua boca, o suspiro nostálgico foi o ponto final.
Foi impossível não sorrir com seu jeito, e claro, ficar ainda mais feliz por descobrir mais uma coisa que minha cunhada e eu, tínhamos em comum. Rosalie chegara em Nova York não havia nem dois dias, desacompanhada do marido, ela não deixara de frisar o quanto estava feliz por me rever. E eu não conseguia parar de pensar no quanto a sorte resolveu me presentear.
—Rosalie era praticamente obcecada por eles. – Edward disse com um rolar de olhos. —Uma vez, ela até fugiu de casa para ir no show deles em Memphis. – desviando meus olhos de Edward, fitei a loira a minha frente, que, de braços cruzados encarava o irmão fixamente. —É claro que eu tive que acobertá-la. – ele bufou com a recordação. —E nós dois acabamos de castigo por quase um mês.
O riso leve escapou por minha garganta. Eu amava ouvir as recordações que os dois dividiam, era uma cumplicidade tão bonita, que várias vezes me fez querer ter um irmão para poder vivenciar um pouco daquilo.
—Você esqueceu de dizer o que ia ganhar com isso, bonitinho. – Rosalie pronunciou com um sorriso diabólico. —Do jeito que ele fala, Bella, você vai pensar que eu era uma péssima irmã mais velha. – gesticulando com as mãos, ela se aproximou um pouco. —Mas Edward sempre ganhou muitas coisas por me ajudar, sabe. – ela então, encarou o irmão por alguns segundos. —Dessa vez, inclusive, eu ia chegar na menina que ele era afim.
Estreitando os olhos, girei a cabeça para encará-lo. Edward abaixou o olhar, ergueu a mão livre e coçou a nuca. Nem precisei ver suas bochechas corarem para saber que ele estava envergonhado. Contive a vontade de beijá-lo e apertá-lo bem forte, mas o suspiro escapou de mim ousadamente.
Mas, como eu não ia suspirar, diante de um homem tão fofo como aquele?
—Ah, essas coisas ele não me diz, Rose. – murmurei fingindo estar chateada.
—Muito esperto da parte dele.
—É sim...
—Claro que não. – Edward negou, firmando ainda mais o braço em minha cintura. —É que nenhuma das mulheres que eu conheci antes de você tem a menor importância para mim. – suas palavras, sinceras e intensas, me deixaram de pernas bambas.
Sem conter o sorriso, estiquei um pouco o pé para poder beijá-lo rapidamente na boca. Ah, como eu amava aquele homem, meu Deus!
—Que gracinha! – Rosalie cantarolou de olhos brilhantes. —Meu irmãozinho está finalmente apaixonado... – unindo as palmas das mãos, Rosalie as colocou do lado do rosto, obtendo uma postura quase infantil.
—Quem não ficaria apaixonado por essa mulher? Me diz. – respondeu a irmã, beijando o alto da minha testa. O sorriso cresceu em minha boca e minhas bochechas queimaram levemente quando Rosalie me lançou uma piscadela. —Agora eu quero o meu sobrinho. Ou sobrinha.
Por um momento, fiquei sem entender aquela colocação de Edward, até que a lembrança ressurgiu em meu pensamento.
—Eles tem filhos?
Edward abaixou os olhos para capturar minhas mãos, seus dedos corriam por minha pele emanando leves arrepios por todo o meu braço.
—Ainda não. – negou erguendo uma das minhas mãos e a beijando carinhosamente. —Eles dizem que só vão ter um bebê quando eu apresentar uma namorada para a família. – aquele fato me deixou pensativa.
—Edward, porque não vai checar se o assado está pronto? – Rosalie rapidamente mudou de assunto. —Alice, sua outra irmã, que também pode lhe dar um sobrinho, está quase chegando. – suas palavras arrancaram reações diferentes de Edward e eu. Enquanto o riso alto saiu de mim, tudo o que meu namorado fez, foi bufar. —Aproveita e traz uma taça de vinho para mim e para sua namorada. – pediu, deixando tapinhas no ombro do irmão, quando o mesmo se afastou de mim.
—Você sabe que eu vou ligar para a mamãe e dizer que agora, ela pode finalmente ter um neto, não é? – a diversão estava estampada na voz aveludada e o riso gostoso de ser ouvido, foi a última coisa que Edward deixou na sala antes de se retirar.
Rosalie rolou os olhos, mas logo deixou a provocação de lado.
—Awn! – exclamou um segundo antes de se abaixar. —Mas essa gatinha é tão linda! — quando ela voltou a ficar de pé, Luz já se encontrava entre os braços da loira.
—Ela é. – concordei, vendo minha gatinha ronronar.
Era incrível como eu aprendi a amar tão rápido aquela bolinha de pelos e agora, eu a levava para todo lugar. Ela era a minha companheirinha.
Rosalie acomodou Luz em seu colo, quando nos sentamos no sofá quadrado. As janelas estavam abertas, o que permitia que as luzes da rua calma adentrassem e unidas a lareira, clareavam boa parte do cômodo, em uma meia luz aconchegante.
A noite estava muito agradável e uma coisa muito importante estava para acontecer. Alice e Rosalie finalmente iam se conhecer. É claro que, na cabecinha da minha melhor amiga, aquilo era só um jantar simples que Edward resolvera dar. Mas vendo pelo ponto de vista de Rose, aquele momento era mais do que especial, afinal, como ela mesmo dissera inúmera vezes, Alice era também sua irmã.
—Edward está bastante ansioso. – comentou enquanto passava os dedos longos na cabecinha de Luz. —Acho que até mais do que eu.
—É um momento muito importante para ele. – proferi, cruzando as pernas abaixo de mim. —Só acho que Alice também deveria estar ciente disso. – aquele era um ponto em que eu não concordava muito.
Edward ainda não havia dito a Alice toda a verdade e na minha opinião, já estava mais do que na hora de ela saber que os dois eram irmãos.
—Concordo com você. – Rose suspirou antes de erguer a mão livre e colocar uma pequena mecha do cabelo loiro atrás da orelha. —Mas sabe, sinto que ele tem um pouco de medo de ser rejeitado.
—Também sinto isso. – concordei com pesar. —Só não entendo o porquê.
E realmente não entendia. Alice jamais ia fazer aquilo. Pelo menos eu achava que não.
Rosalie abaixou os olhos, soltou um riso meio amargo e então pigarreou antes de voltar a me olhar.
—Raciocina comigo. – pediu. —Se a mulher que te deu a vida, te rejeitou, porque as outras pessoas não vão?
Sua pergunta me deixou pensativa. Eu até podia tentar defender alguma tese, dizer que Alice jamais faria aquilo, mas a gente só entende o trauma quando ele é nosso, então preferi ficar calada.
—É difícil isso, sabe, Bella. – Rosalie quebrou o silencio. —Lidar com o abandono.... – soltou o ar pela boca. —É algo que marca a gente. Por mais maravilhosos que sejam os nossos pais, e eles são. – fez questão de frisar. —Você ter consciência que, a pessoa que mais deveria te amar, não te quis, é muito ruim.
—Eu imagino. – aquilo era tudo o que eu poderia dizer. —Você... Nunca quis conhecer sua família biológica?
—Não. – Rosalie respondeu com firmeza. —Se eu te falar que nunca tive curiosidade, é mentira, porque até hoje eu ainda tenho um pouco. Mas nunca quis ir atrás. – respirou fundo antes de abrir um sorriso. —Deus colocou dois anjos na minha vida e eu seria boba se não soubesse aproveitar a graça de tê-los em minha vida.
Suas palavras me fizeram sorrir. Mais uma coisa que eu admirava neles: o modo com que falavam dos pais. Era tanta admiração, tanto respeito, tanto amor envolvido, que me faziam até repensar minha postura como filha.
O toque do meu celular quebrou aquela caixa mágica que eu havia entrado. Levei um certo tempo para identificar que era Adele quem cantava Set Fire To The Rain e que vinha do meu celular.
Tateei a mão pelo sofá, até encontrar o iPhone sobre o couro branco.
—Se importa? – perguntei e Rosalie, identificando o nome de Gwen na tela.
—Claro que não, fique à vontade.
—Alô. – murmurei, pressionando o celular na orelha.
—Olá, querida, como vai? – a voz doce de Gwen soou pela linha.
—Estou bem, Gwen. E você?
—Estou bem também. – respondeu delicada. —Não estou interrompendo nada, não é?
—Não, não. Pode falar.
—Estou organizando uma terapia em grupo, com poucas mulheres, todas com histórias bem parecidas com a sua. – engoli a seco diante o assunto. —E eu queria lhe convidar para participar.
Prendi a respiração analisando sua proposta. Terapia em grupo. Com outras mulheres. Aquilo não me pareceu nem um pouco agradável.
—Olha meu bem, só estou te convidando porque senti que você melhorou muito durante nossos encontro, e eu sinto que você está pronta para avançar um pouco. – proferiu com calma. —Se abrir com outras mulheres, compartilhar o que aconteceu com quem viveu algo parecido, vai te ajudar muito.
Tamborilei os dedos sobre minha perna. Ainda não achava uma boa ideia passar por aquilo.
—Olha, Gwen... Eu não me sinto muito à vontade com essa ideia...
—Entendo você. – soou realmente compreensiva. —Mas pense um pouco. O encontro só vai ocorrer no sábado. Tudo o que for dito lá, ficará lá. – deixou claro. —Acho que a terapia vai ser interessante para você, mas só aceite ir se realmente estiver se sentindo à vontade.
Mordendo meu lábio inferior, me mantive em silencio por um tempo.
—Bom, eu vou pensar um pouco... Tenho que te dar a resposta até quando?
—Não tenha pressa querida, pode me avisar quando quiser. – ela fez uma breve pausa. —Mas pense com carinho, ok?
—Ok, pode deixar.
—Tenha uma ótima noite. Te espero amanhã.
—Tenha uma ótima noite também, Gwen. Até amanhã.
Quando a ligação fora encerrada, me senti meio envergonhada. No fundo, tinha medo de que Rosalie tivesse ouvido algo.
—Tudo bem? – ela questionou meio cismada.
—Tudo. – concordei, forçando um sorriso. —Edward está demorando com esse vinho, não é? – indaguei me colocando de pé. —Vou ir ver o que aconteceu... Já volto.
É claro que Rosalie não deixou de reparar no meu jeito nervoso, contudo, não fez nenhuma pergunta.
Era ridículo eu me sentir daquele modo com apenas uma ligação da minha terapeuta, mas qualquer coisa que estivesse ligada aquela assunto ruim, ainda me perturbava completamente. E eu também tinha um medo enorme de que Rosalie soubesse do ocorrido. E se ela me julgasse por ter traído Jacob? E se por causa disso ela passasse a crer que eu não era boa o suficiente para ficar com seu irmão?
A verdade é que, além de todo o transtorno, vergonha e aflição que eu sentia por conta do que Jacob fizera comigo, eu ainda morria de medo de que aquilo fizesse Edward sair da minha vida.
Com o ar preso nos pulmões, cheguei a cozinha. Meus olhos varreram todo o local a procura de Edward, até encontra-lo, parado atrás da ilha de pedra branca, servindo o vinho em uma, das três taças postas. Soltei o ar pela boca. Eu precisava tanto dele. Precisava falar com ele, ou simplesmente me abrigar em seu abraça-lo e sentir toda a proteção que só ele me passava.
—Já ia levar o vinho de vocês. – disse assim que me avistou ali parada. Com um sorriso torto, ele voltou a servir o liquido escuro.
Meus passos até ele foram rápidos e aflitos, e sem esperar que ele entendesse o que estava acontecendo, apenas dei um jeito de me enfiar entre ele e a bancada, para poder abraça-lo.
—Hey... Amor! – soou surpreso. —O que aconteceu? – perguntou, deixando a garrafa de lado, para apoiar as mãos em mim.
Sem responder nada, apenas passei os braços por sua cintura e acomodei a cabeça em seu peito. Edward não fez nenhuma pergunta. Apenas me abraçou de volta, beijando o alto da minha cabeça.
—Não sei o que aconteceu... Mas está tudo bem. Eu estou aqui com você. – sussurrou em meu ouvido, após um momento de silencio.
Erguendo a cabeça, deixei o ar sair pela minha boca. Meu coração já batia mais devagar, minhas pernas não tremiam tanto e eu já conseguia respirar mais normalmente.
—Gwen me ligou. – disse encarando aqueles brilhosos olhos azuis. —E me convidou para ir a uma terapia em grupo. Disse que vai ser bom para mim.
—Hm. – Edward soltou, erguendo uma das mãos e tocando meu rosto com carinho. —E você ficou nervosa assim por isso? – perguntou com carinho e paciência.
—Não... Quero dizer, também. – respirei fundo, buscando as palavras para dizer o que eu queria. —Não é que eu não confie na sua irmã, mas... Me deu um medo de que... De que...
—De que ela desconfiasse do que aconteceu? – completou minha pergunta. Quieta assenti com a cabeça. —Você disse algo suspeito? Algo que a levasse a entender ou ao menos suspeitar?
Mordiscando meu lábio inferior, repassei rapidamente minha conversa com Gwen.
—Não.
Edward sorriu torto antes de beijar a pontinha do meu nariz.
—Então, meu amor, não tem porque ter medo. – garantiu olhando em meus olhos. —Rose só vai saber se você contar, caso o contrário, fique tranquila. – aquilo foi mais que uma garantia de que a irmão não tinha desconfiado de nada, aquilo deixou claro que ele também não iria dizer nada a ela.
Soltei o ar pela boca, cobrindo o rosto com as mãos e começando a me achar ridícula.
—Me desculpe. – pedi baixinho, olhando-o com certa vergonha. —Odeio bancar a paranoica, mas isso mexe tanto comigo...
Edward sorriu torto e feito um arco-íris que surge em meio a tempestade, ele conseguiu me iluminar completamente.
—Não tem que se desculpar por nada. – se inclinou e beijou minha testa. —Mas me fale, o que você acha sobre a terapia em grupo?
—A ideia não me agradou muito. – confessei com um careta.
—Porque? Gwen não disse que vai ser bom para você?
—Disse. – confirmei tirando o cabelo do rosto. —Só que você sabe como essas terapias funcionam... Você conta o que houve para todo mundo. – mordisquei meu lábio inferior. —E isso não me parece uma coisa legal.
—Porque? – franzindo o cenho, ele me fitava atento.
—Ah, Edward... Digamos que o que aconteceu não seja o meu assunto preferido. – soltei um risinho amargo. —Falar sobre isso, ainda mais com estranhos, me deixa muito desconfortável.
Edward respirou fundo, a mão em meu rosto proporcionou um carinho gostoso em minha pele, fechei os olhos por meros segundos aproveitando a carícia gostosa.
—Já parou para pensar que talvez seja por isso que a Gwen quer que você vá? – seu tom foi ainda mais terno. —Não entendo muito dessas coisas, mas acho que isso vai te ajudar a superar a desconfiança, a vergonha e a dificuldade de expor o que aconteceu para outras pessoas. – ele tomou folego pela boca antes de continuar. —E eu acho que estar em contato com pessoas que estão passando por situações parecidas com as suas, vai te fazer enxergar certas coisas de um jeito diferente.
Quieta eu absorvi cada uma de suas palavras. Era estranho, mas quando Edward me dizia as coisas, eu as entendia com mais clareza.
—Porque você não pensa um pouco? Que dia é a sessão mesmo?
—Sexta. – respondi soltando o ar pela boca. —É, vou pensar sim. – minha mão subiu por seu peito e meus dedos deslizaram pelo pano jeans da sua camisa até alcançarem seu pescoço. —É sério, não sei o que seria de mim sem você.
Edward voltou a passar os dois braços por minha cintura e com um puxão forte, nos deixou ainda mais unidos.
—Eu amo você baixinha. – murmurou com os olhos fixos nos meus.
Sorrindo, me inclinei para frente e deixei que sua boca se encaixasse na minha do modo perfeito de sempre. Edward tinha a capacidade de me acalmar, de me tirar da realidade e de fazer com que eu me surpreendesse todos os dias com aquele amor que só crescia.
O som da campainha ecoou pela cozinha e com aquilo, nós tivemos que nos afastar um pouco.
—Acho que é ela. – proferiu sem esconder o nervosismo. —É melhor eu ir abrir a porta...
—Amor, acho que Rosalie vai fazer isso. – durante todo o tempo em que passei com Edward, eu nunca tinha visto-o tão aflito e não posso negar, ele ficava ainda mais lindo com o semblante mais sério. —Fique calmo, vai dar tudo certo.
—Eu sei que vai. – ele abriu um sorriso rápido. —É que isso é muito importante para mim. – confessou abaixando os olhos por um segundo.
—Sei disso. – erguendo a mão, toquei seu rosto com carinho. —Mas se não manter a calma, Alice vai acabar desconfiando e você não quer isso, certo?
—Certo. – afirmou coçando a nuca. —Acho melhor já servir mais uma taça de vinho, não é? – perguntou antes de beijar minha testa e se afastar.
Não contive o riso, ele ficava tão fofo quando estava ansioso.
—Sim, é melhor. – confirmei me virando e pegando uma das taças que estava no suporte. —Aqui.
—Obrigado, linda. – sorriu me lançando uma piscadela rápida.
Recostando no balcão de pedra, fiquei parada, vendo como os músculos do seu braço torneavam e relaxavam, conforme ele se mexia.
Ah, mas eu tinha o namorado mais gostoso do mundo!
—Edward adora me difamar. – a voz de Rosalie se fez presente dentro do cômodo, e aquilo, fez com que eu me recompusesse. —Mas a verdade é que ele sempre aprontou muito mais do que eu. – me virei a tempo de ver a silhueta alta e bem feita de Rosalie, adentrar pela cozinha. —E em todos os sentidos.
Alice, que a seguia de perto, riu do que ela falara. Pelo visto, Edward e eu perdemos uma parte da conversa.
—Boa noite. – Alice disse intercalando seus olhos entre Edward e eu, o sorriso não abandonou o rosto nem um segundo se quer. Ainda recostada no balcão, a vi se aproximar, as covinhas que enfeitavam seu rosto a deixava ainda mais delicada e eram exatamente iguais às que Edward exibia em sua face.
Eles não eram idênticos, ou absurdamente parecidos, mas haviam traços nos dois, que os deixavam semelhantes. Como as covinhas, por exemplo. O tom mágico do olhar. O sorriso de canto. O jeito calmo e meigo.
—Hey, Bella! – Alice murmurou quando parou a minha frete. —Tudo bem? – indagou enquanto beijava minha bochecha.
—Tudo bem, Alie. – respondi lhe devolvendo o beijo. —E com você?
—Estou bem. – inclinou um pouco a cabeça, alargando um pouco o sorriso e me lançando uma piscadela divertida.
—Então. – Edward pigarreou, chamando a atenção e deixando meio evidente o quanto estava ansioso. —Acho que Rose já se apresentou, mas não custa reforçar. – apertando os lábios, contive o riso. Edward ficava uma graça assim. —Alice, essa é a minha irmã, Rosalie. – ele disse gesticulando entre as duas.
Rosalie que parecia a tranquilidade em pessoa e já bebericava seu vinho, quando acenou em direção a Alice, que não deixou de rir.
—E Rose, essa é a Alice. – ele fez um esforço enorme para parar ali. Sabia que ele o quanto ele queria continuar a frase e dizer que, Alice, também era sua irmã.
—É um prazer conhecer você. – Alie mirou seus olhos em Rose. —Onde está o restante do pessoal? – erguendo a mão, ela coçou a nuca, exatamente como Edward fazia, e então, ela se virou para mim.
—Eles desmarcaram. – respondi rápido. —Cada um com sua desculpa.... Você os conhece.
Alice curvou os lábios em um biquinho pensativo. Quando Edward a convidara para jantar em sua casa, ela ficara totalmente sem jeito, alegando que não fazia muito sentido ela estar presente em um encontro que aparentemente era só para “família”. Foi então que ele teve a brilhante ideia de dizer que ia chamar nossos outros colegas de trabalho, e por sorte, nenhum deles pode comparecer.
Nós voltamos para sala e o clima agradável permaneceu. Alice não demorou muito para se enturmar com Rosalie, o que deixara Edward radiante e bem menos nervoso.
Sentada à mesa, comendo o delicioso jantar árabe que Edward encomendara, me reservei apenas a observar os três, falando uma vez ou outra, só para não ser indelicada. Mas a verdade é que tudo o que eu queria era ficar admirando o laço que estava surgindo ali.
Dava para sentir todo o amor que Edward e Rosalie nutriam um pelo outro, e não tinha a menor dúvida que Alice ia receber o mesmo. Aquilo me deixava imensamente feliz, porque eu sabia o quanto faltara em sua vida, e todo aquele carinho, cuidado, proteção ia fazer muito bem a ela.
—Então Edward cortou todos os cabelos das minhas bonecas... Deixou todas elas carecas. – Rosalie falou e eu pude sentir o falso ressentimento em sua voz.
—E você para se vingar me deu um belo pedaço de torta de cereja. – correndo a mão por minha perna, ele proferiu antes de tomar mais um pouco do vinho.
Sorri diante os fatos contados, enquanto me inclinava para pegar minha taça de vinho posta sobre a mesa de centro. Voltei a me acomodar no sofá, Edward beijou meu ombro rapidamente, antes de subir a boca até minha orelha.
—Amo você.
Não sei exatamente o que me deixou arrepiada, a declaração inesperada ou a voz arrastada no pé do meu ouvido.
—Também amo você. – respondi afetada, Edward riu baixinho antes de me beijar rapidamente.
—Se eu soubesse que aquilo te causaria tanto problema, jamais teria lhe dado. – Rosalie comentou, cruzando as pernas abaixo de si, a mão vaga corria entre os pelos lisos e brancos de Luz. —Ou teria lhe dado um pedaço menor, então. – o complemento me fez rir, junto de Alice.
Edward rolou os olhos, seus dedos se entrelaçaram aos meus e ele beijou cada um deles antes de voltar a falar.
—O que havia na torta que causou tanto problema? – Alice questionou obviamente sem entender.
—Edward é alérgico. – falei recebendo a atenção de seus olhos claros.
—Sério? Minha mãe também era. – contou e eu senti o copo de Edward ficar tenso ao meu lado. —Já eu não me dou muito bem com amora... Não sou exatamente alérgica, mas digamos que ela me deixa meio arfante. – seu riso fora o único espontâneo.
Tomei um gole grande do vinho branco deixando que Rosalie mudasse de assunto. Sabia que Edward não gostara de saber que tinha algo em comum com Mary, aquilo ficou nítido em sua feição.
—Aceita mais vinho, Alice? – Rosalie ofereceu um tempo depois.
Alice fitou a taça, que já estava praticamente vazia, antes de manear a cabeça em consentimento.
—Por favor.
Rosalie sorriu, antes de se inclinar para frente e pegar a taça de cima da mesa de centro.
—Acabou o vinho. – disse antes de fazer um biquinho, o liquido claro apenas pingava dentro da taça cristalina. —Onde eu encontro mais?
Edward que acariciava a cabecinha peluda de Luz, ergueu os olhos até a irmã.
—Ah, não precisa abrir outra garrafa por minha causa.... Já está ficando tarde, acho melhor eu ir...
—Não seja boba, ainda é cedo. – Rose a interrompeu, se colocando de pé. —E eu também quero mais um pouco... Essa safra do Hermitage está uma delícia. – respirando fundo, ela voltou a encarar o irmão. —Então, onde fica seus vinhos?
—Na adega. – Edward respondeu como se a irmã conhecesse muito bem sua enorme casa.
—Ajudou muito. – rolou os olhos verdes.
—Vem Rose, eu ajudo você. – com um impulso rápido, me coloquei de pé. —Já voltamos. – avisei aos dois, antes de seguir com Rosalie até a adega de Edward.
Nós seguimos um bom tempo em silencio e então, quando pareceu seguro de falar sobre, Rosalie se virou para mim.
—Eles são bem parecidos, não fisicamente.... Entende? – ela pareceu meio confusa. —Se bem que os olhos, são praticamente idênticos.
Rindo, concordei com a cabeça. Nós passamos pela cozinha e dobramos a esquerda, a porta de madeira clara rangeu um pouco quando eu a empurrei.
—São sim. – concordei acendo a luz da adega. —E as covinhas?
—Todas no mesmo lugar. – ela recostou na prateleira. —Ela me pareceu uma ótima pessoa. – um sorriso surgiu em seus lábios e eu logo retribuí.
—Alice é incrível. – tive de me abaixar para pegar a garrafa de vinho. —Você vai ver.. É impossível não amá-la.
Rosalie soltou um riso leve maneando a cabeça, estava prestes a abrir a boca e dizer algo, mas o toque do meu celular a interrompeu.
Meio desastrada, retirei o aparelho do bolso.
—Pode atender. – ela disse enquanto eu apenas encarava a tela do celular, que não indicava nenhum número ou contato conhecido. —Eu levo o vinho para eles.
Sem jeito, lhe entreguei a garrafa e deixei que ela saísse. Sabia que aquilo se devia ao que acontecera mais cedo e não deixei de me sentir envergonhada. Eu precisava lhe pedir desculpas.
—Alô. – atendi apoiando o copo na parede.
O silencio se fez presente na linha. Cerrei os olhos.
—Alôôô. – voltei a murmurar e daquela vez, a minha única resposta, fora uma respiração funda e forte, que não me pareceu tão estranha assim.
Um calafrio correu minha espinha e por segundos senti meu coração parar.
—Quem é? – minha voz tremeu um pouco quando tomei a coragem necessária para perguntar.
—Sou eu, Bella. – a voz soou ainda mais asquerosa pela ligação. —Jacob.
Fale com o autor