Segunda-Feira
17 Porto seguro
Notas iniciais
Era estranho olhar para Edward. Era estranho olhar para ele e ver tudo o que eu queria. Era estranho estar diante de uma promessa de um futuro perfeito.
Seus olhos azuis me fitavam atentos, seguindo cada um dos meus gestos, analisando minhas expressões e me estudando como se eu fosse a coisa mais interessante do mundo.
—Você está bem? – ele perguntou, com todo aquele interesse de sempre.
Sentada no sofá, cruzei as pernas, emiti um suspiro longo que pareceu ecoar pela sala. Edward continuou a me encarar, à espera da resposta.
Bem.
Eu não estava bem, mas ter sua presença, me deixava mais relaxada... Edward me trazia paz e em um momento tão crítico, aquilo era tudo o que eu precisava.
—Estou melhor.
Aquilo não era mentira. Realmente estava melhor, ele me deixava melhor, ele aliviava a tensão do meu corpo.
—O que aconteceu com você? – sua pergunta veio carregada de interesse e preocupação. Abaixei os olhos até minhas pernas, onde minhas mãos estavam pousadas. —Alice disse que teve uma crise de virose, mas não parece ser só isso.
Ah, ele e sua mania de me ler tão bem, de desvendar meus mistérios e segredos somente com o olhar.
—Minha mãe te disse alguma coisa? – indaguei mais baixo, com certo medo da resposta.
—Não. – sua negativa me fez suspirar de alívio. —Porque? Ela deveria ter dito alguma coisa?
Engoli a seco, reprimindo o choro que se acumulou em minha garganta. Não tive coragem de olhá-lo, e para ser sincera, nem queria.
Bella, me prometa que só vai falar com Jacob se tiver alguém por perto.
Eu havia prometido, mas não havia cumprido. Aquilo só serviu para me deixar ainda pior. Edward pedira com tanta aflição e preocupação, era como se ele soubesse que algo ruim fosse acontecer.
—Não. – neguei por fim, me coloquei de pé e soltei o ar pela boca, na espera vaga de que toda aquela angustia saísse de mim também.
Ergui as mãos para esfrega-las em meu rosto. Sentia uma dor terrível sem saber onde, um medo gigante e, o pior de tudo, não tinha a mínima vontade de conversar sobre o assunto.
As lágrimas pesaram em meus olhos. Fui obrigada a fechá-los e com um pigarro forte, tentei mandar embora o choro que queria me dominar.
—Bella. – Edward murmurou, pude sentir sua presença a minhas costas. —O que você tem? O que aconteceu com você?
Quando suas mãos tocaram meus braços, não suportei. Não consegui segurar mais aquela dor que pulsava dentro de mim, ou as lágrimas que brigavam para rolar por meus olhos e se libertarem.
Girei o corpo, meu rosto encontrou seu peito e então, me permiti liberar toda aquela onda de sentimentos ruins que existia em meu peito.
Meus soluços ecoaram pela sala, eram altos e emitiam tudo o que eu estava sentindo. Eu me sentia arrasada, sobrecarregada com sentimentos de desespero, como se uma densa nuvem de tristeza tivesse coberto a minha vida.
—Meu amor. – a voz de Edward soou carinhosa, terna e preocupada. —Está tudo bem, estou aqui com você. – seus braços me rodearam e me puxaram ainda mais.
Ali, envolta em seus braços, no meio do seu abraço, continuei a chorar, soluçando contra seu peito, molhando sua camisa com minhas lágrimas....
Edward permaneceu ali, me amparando, afagando meu cabelo e me deixando colocar para fora tudo o que estava me fazendo tão mal.
Não sabia o que ele tinha, ou que fazia comigo, só conseguia entender uma coisa: Ali, dentro do seu abraço, nada, nenhum problema, nenhuma pessoa, tinha o poder de me afetar.
—Está mais calma? – o timbre doce saiu baixo. Ergui a cabeça ao tomar ar pela boca, afastei um pouco o corpo para poder limpar os olhos com as costas das mãos.
Edward esperou paciente, as mãos pousadas nas laterais da minha face emitiam carinhos gostosos por minhas bochechas.
Inalei o ar com força, enchendo meu pulmão de ar. Todo aquele peso que estava sobre as minhas costas havia diminuído, assim como o mal-estar que residia dentro de mim.
—Estou. – confirmei, Edward afagou meu rosto mais uma vez, se inclinou e beijou minha testa antes de segurar minhas mãos.
Com cuidado, Edward me puxou até o sofá. Ele deixou que eu sentasse primeiro e depois, quando se postou ao meu lado, colocou minhas penas no seu colo.
—O que aconteceu? – indagou entrelaçando os dedos nos meus. Permaneci parada por um longo momento, meus olhos fitando nossos dedos unidos, o que só me convencia mais e mais de como aquilo era certo.
Respirei fundo e tomando uma dose de coragem, ergui os olhos até os seus. Azulados, mágicos, perfeitos, me receberam com o mesmo carinho de sempre.
—Ontem, quando você me deixou aqui em casa, Jacob já estava me esperando. – tive de respirar fundo, tragando ar e coragem de uma vez só. —Ele estava muito bravo porque eu o ignorei durante todo o fim de semana.... Fez um monte de perguntas.... – o corpo de Edward foi tencionando aos poucos, seus dedos entrelaçados aos meus ficaram mais rijos e a expressão em seu rosto assumiu uma sombra estranha. —Eu te prometi que não iria falar ás sós com ele, mas eu não cumpri...
—O que aconteceu? – perguntou quando minha voz falhou, seu timbre era uma mescla de preocupação e aflição.
Abaixei os olhos por um momento, as lágrimas já queriam estourar as barreiras que eu havia construído com a promessa de “não chorar mais”. Um nó sufocante contraiu minha garganta, engolir estava quase impossível.
—Eu não queria, juro que eu não queria. – proferi encarando-o nos olhos. Estava sendo o mais sincera possível, tudo o que eu mais queria era que ele acreditasse em mim.
Tomei fôlego pela boca, abaixando a cabeça e mordendo meus lábios com força. Queria causar alguma dor física, talvez assim, a psicológica cessasse um pouco.
—Bella. – Edward chamou desvencilhando uma de suas mãos das minhas para poder segurar em meu queixo e ergue-lo. Seus olhos buscaram os meus e transmitiram novamente, aquela onda de sentimentos bons que somente ele era capaz de emitir. —O que aconteceu?
—Jacob me forçou a transar com ele. – as palavras saíram sussurradas e deram a bandeirada de partida para as lágrimas silenciosas que caíram por minha bochecha.
O silencio se instalou naquela sala. Edward permaneceu quieto, segurando meu queixo e olhando em meus olhos.
Parecia em choque.
O medo voltou a inflar dentro de mim. E se ele sentisse nojo de mim? E se não acreditasse em mim?
Não iria suportar sua acusatória ou sua repulsa. Precisava dele, precisava de seus olhos carinhosos, seu abraço, precisava do porto seguro que eu sempre encontrava quando estava ao seu lado.
—Eu juro que eu não queria. – o desespero delineou cada sílaba pronunciada. —Juro que tentei me soltar dele. Me afastar. – um soluço baixo e seco me obrigou a fazer uma pausa.
Uma pausa muito indesejada. Sentia necessidade de preencher cada segundo de silencio, com explicações e juras... Talvez assim, ele não desconfiasse de mim.
—Mas ele é mais forte que eu, Edward. – engoli seco, usando minha mão livre para limpar meu rosto. —Por favor, acredita em mim! – meu corpo demonstrava todo o desespero que vivia em mim. Me movimentei no sofá, soltando minha mão da sua para segurar seu rosto. —Edward, por favor... Eu juro que eu não queria, juro... Ele me pegou a força, rendeu meu corpo com o seu... Eu tentei afastá-lo, tentei me soltar, mas ele tem o dobro do meu peso, da minha altura...
Tive de parar novamente com as palavras para poder respirar fundo, o acumulo de sentimentos ruins já estava insuportável. Queria gritar, socar alguém... Queria uma forma de acabar com aquela dor.
Edward respirou fundo, sua mão saiu do meu queixo e fechando os olhos ele se afastou.
Eu quis segurá-lo, quis me agarrar a ele, mas o medo absurdo me deixou paralisada.
Ele não acreditou em mim. Ele estava com nojo de mim.
—Não acredito que ele fez isso com você. – já de pé, ele pronunciou, sua voz transmitia tanta raiva e perplexidade que, ambos eram quase palpáveis. —Esse cara é um monstro. – erguendo a mão, ele a esfregou no rosto. —Eu vou matar esse desgraçado....
Ele se virou, a postura tão ameaçadora quanto a de um leão, os punhos cerrados e os olhos embargados de ira. Mas daquela vez, eu fui mais rápida. Estiquei o braço a tempo de segurar sua mão.
Edward parou instantaneamente e se virou para mim.
—Não faz isso, por favor. – praticamente supliquei.
—Bella, ele violentou você. – ouvir aquilo dele doeu mais que tudo.
Sabia que aquela era a minha realidade, mas quando pronunciada por Edward, parecia que só piorava.
—Ele te machucou.... – sua voz saiu crispada, fez uma pausa esfregando a mão no rosto. —Ele é um covarde, abusou da sua fragilidade.... Droga, eu vou matar aquele desgraçado.
—Edward, por favor. – tive de ajoelhar no sofá para agarrar ainda mais sua mão e impedir que ele saísse. —Não faz isso. – voltei a pedir com o timbre mais baixo. —Tenho medo do que ele possa fazer com você...
—Ele não vai fazer nada comigo, sabe porquê? – se virando para mim, ele se aproximou um pouco. —Porque ele é um covarde, um cretino que precisou usar da força e da violência com você para se sentir homem. – podia sentir toda a raiva que Edward sentia, seu corpo estava todo tenso, todo contraído e disposto a quebrar o que fosse. —Quero ver ele ser tão “machão” com outro homem. – seus dedos desenharam aspas no ar.
Soltei o ar pela boca, a culpa pesou sobre meus ombros. Mais lágrimas caíram por meu rosto, as quais enxuguei prontamente com as costas da mão.
—Me perdoa, por favor. – minha voz estava tão embargada que duvidei que Edward tivesse entendido. —Me perdoa. – repeti após pigarrear. —Eu não iria falar com ele a sós, juro para você.... Mas eu não esperava encontra-lo aqui, sabe? – abaixei a cabeça, minha mão soltou a sua e então caí sentada no sofá. —A culpa disso tudo é minha... Se eu tivesse escutado Alice, Renée.... Se eu tivesse cumprido a promessa que fiz a você.... – dobrei o joelho à frente do meu corpo, meus cotovelos se apoiaram ali para que minhas mãos pudessem cobrir meu rosto. —É tudo culpa minha...
Meu estômago voltou a protestar dentro de mim. Estava enjoada demais. Perdida demais. Cansada demais.
Estava esgotada, fisicamente e psicologicamente.
Me sentia o ser mais inútil do mundo. Tudo o que eu estava fazendo era causar preocupação e raiva nas pessoas que eu amava... Porque eu continuava viva? Se Jacob tivesse me matado, ou tentado pelo menos, a humilhação seria bem menor.
Mãos quentes pousaram em minhas panturrilhas, e com cuidado, desdobraram minhas pernas colocando meus pés no chão.
Dedos longos seguraram os meus e com um carinho imenso, retiraram minhas mãos do meu rosto.
—Olha para mim. – o pedido foi tão doce e sincero, que não consegui negar. Abri os olhos e tive de piscar demoradamente para limpar a vista.
Assim que minha visão ficara focalizada, encontrei tudo o que eu precisava. Olhos amorosos e a voz mais terna do mundo.
—Jamais, em hipótese alguma, repita isso. – pediu com firmeza sem deixar de ser cuidadoso. —Você não tem culpa de nada. Você não fez nada, não provocou nada.... Não tem que pedir desculpas e muito menos se sentir culpada. – seus dedos vieram para o meu rosto e limparam os traços húmidos. —Você não tem culpa por ele ser um covarde, um filho de uma puta... Não faz isso com você, não coloque esse fardo em suas costas. – suas palavras ecoavam dentro da minha cabeça. —Entendeu?
Respirei fundo caindo em silêncio.
Você não tem culpa de nada. Você não fez nada, não provocou nada. Não tem que pedir desculpas e muito menos se sentir culpada. Você não tem culpa por ele ser um covarde, um filho de uma puta. Não faz isso com você, não coloque esse fardo em suas costas.
Repassei cada uma de suas palavras, fazendo questão de me apegar a cada uma delas.
Engoli a saliva usando de uma força absurda. Porque eu não conseguia acreditar naquilo? Porque era tão difícil entender e aceita que a culpa não era minha?
—Então porque eu me sinto tão culpada? – minha voz saiu baixinha, quase um sussurro.
Edward apertou os lábios ao respirar fundo, seus dedos capturaram as lágrimas que desciam por minha bochecha.
—Porque aquele desgraçado te fez crer nisso. – o ódio era manifesto, mas o timbre era carinhoso. —Você não tem culpa por ter caído na rede dele, ter acreditado nas mentiras, ter sido manipulada... Você não tem culpa nenhuma. – mordisquei meu lábio inferior, fechei os olhos por um breve momento, mais lágrimas rolaram por meus olhos. —Não, não chora... Te ver assim só me dá mais vontade de arrebentar a cara daquele cara.
Esperei pelo nojo, pela repulsa, pela raiva.... E nada daquilo fora emitido por Edward quando ele me abraçou.
Seus braços me envolveram e me acolheram, recostei a cabeça em seu peito assim que ele se sentou e me acomodou em seu colo.
Ali, em meio aquele abraço protetor, carinho e amoroso, senti a paz retornar para dentro do meu corpo. As feridas feitas na noite passada ainda existiam, mas com Edward, elas paravam de sangrar.
—Está tudo bem, meu amor. – ele sussurrou contra o meu ouvido, acariciando meu cabelo e beijando meu rosto. —Ele não vai mais te machucar, não vou deixar que ele faça isso com você de novo.
Suas palavras iam além de uma promessa vaga. Eram reais, verdadeiras, eu sentia toda a força e sinceridade que ele transmitia.
Tudo o que eu fiz foi suspirar e me acomodar ainda mais contra ele. Queria ficar ali para sempre, presa naquele abraço, resguardada naquele mundo protetor que eu só encontrava ao lado de Edward.
—Você já foi à delegacia? – perguntou após um longo momento de silencio. Apertei os olhos e soube que o tencionar dos meus músculos respondera sua pergunta. —Por favor, me diz que você vai denunciá-lo. – pediu com o timbre dividido entra o temor e a raiva.
Respirei fundo, apoiei as mãos em seus ombros e ergui o corpo para olhá-lo.
Fitei cada um de seus traços, seu semblante... Mesmo preocupado, ele continuava lindo, lindo demais. Os olhos azulados mais mágicos que eu já vira na vida, a boca cheia e a avermelhada, o maxilar quadrado coberto por uma sexy barba por fazer.... Sem contar as covinhas, a fixa que residia em seu queixo e as duas que surgiam em suas bochechas emoldurando seus sorrisos.
Estava com falta delas. Queria que ele sorrisse para mim. Precisava que ele sorrisse para mim.
—Não quero envolver a polícia nisso. – pronunciei baixo, fungando ao fim.
Edward soltou o ar pela boca e prendeu no último instante as palavras que ia soltar. Mordeu o lábio inferior e adquiriu uma expressão pensativa por um tempo.
—Bella, ele não pode ficar impune.... Jacob tem que pagar pelo o que fez.
—Eu sei. – engoli seco maneando a cabeça em concordância. —Mas isso me parece humilhante demais.... Edward, você não ideia do quanto isso dói. – uma fisgada doía ferrou em meu peito. —Se fosse um cara desconhecido... Um estranho.... Até um amigo.... Acho que seria mais fácil. – assumi abaixando a cabeça. —Mas foi o meu noivo quem fez isso. O homem que eu dormi durante dois anos, que eu achei que conhecia.... Tem noção disso? Do quanto é humilhante?
Quando eu o olhei, notei que toda sua determinação se transformara em compreensão. Soltei um suspiro de alívio voltando a recostar minha cabeça em seu peito.
—Eu sei que deve doer, baixinha. – sua voz saiu baixa. —Mas você não pode se entregar a isso. – Edward suspirou diante o meu silêncio. —Não vou te pressionar a fazer isso. Falamos disso mais tarde.
Voltei a suspirar, dessa vez ainda mais satisfeita. Não queria mesmo falar sobre aquilo. Não naquele momento.
—É... Só me deixa ficar aqui, quietinha... – pedi beijando seu pescoço. —Você me faz muito bem.
Os dedos de Edward passaram a deslizar por meu coro cabeludo, fechei os olhos aproveitando as carícias, um segundo depois, sua boca pressionou minha testa.
—Isso é tudo o que eu quero, te fazer bem e feliz. – respondeu ternamente. —E você também me faz muito bem. – completou e meus lábios se curvaram em um mero sorriso instantaneamente. —Espera, isso aí foi um sorriso? – perguntou em tom brincalhão.
Abri os olhos encontrando os seus, estavam mais suaves contudo a raiva e indignação permaneciam ali.
—Não foi. – cobri o rosto com a palma da mão, sua risada fez com que seu peito ecoasse.
—Foi sim, foi sim. – caçoou me apertando ainda mais em seus braços. —Sorri de novo para mim, sorri? – seu pedido soara tão manhoso quanto o de uma criança mimada.
Não recusei, ergui um pouco o corpo e assim que o olhei, nem precisei forçar o sorriso, pois meus olhos voltaram a encontrar aquelas deliciosas covinhas nas bochechas de Edward, essas que emolduravam seu lindo sorriso torto.
—Você é linda. – elogiou afagando meu rosto. —É uma mulher incrível, uma pessoa maravilhosa... Não deixe ninguém te dizer o contrário disso. – mordisquei o lábios inferior sentindo meu coração bater com força, pela primeira vez em horas, de felicidade. —Ok?
—Ok. – concordei recostando minha testa na sua. —Ainda bem que eu tenho você. – sussurrei de olhos fechados. —Não sei o que eu ia fazer se você se afastasse de mim. – a possibilidade me deixou de boca amarga. —Só de pensar, me dá vontade de morrer....
—Não fale ou se quer pense nisso. – Edward pediu com firmeza sem deixar de ser carinhoso. —Jamais vou me afastar de você, jamais. – seus olhos refletiam toda a certeza que eu precisava enxergar. —Eu gosto muito de você. – seus dedos tiraram o cabelo do meu rosto, colocando-o atrás da orelha. —Minha nova-yorkina favorita. – ele se inclinou e beijou a pontinha do meu nariz.
Suspirei em contentamento. Não podia existir um homem mais lindo e encantador que Edward, podia?
—Eu também gosto muito de você, formiguinha. – sua risada saiu rouca e baixa, mas deliciosa de ouvir. —Muito mesmo. – minhas mãos tocaram seu rosto, a barba por fazer pinicou minha palma e então aproximei o rosto do seu.
Edward não recusou o meu beijo, como acreditei várias vezes que ele faria. Pelo contrário, me beijou do mesmo jeito, com o mesmo carinho de sempre.
Era bom beijar alguém por vontade própria. Sentir as mãos de um homem de verdade em meu corpo. Era bom saber que, mesmo após tudo o que tinha acontecido, eu ainda o tinha comigo. Um homem tão maravilhoso e gentil.
—Tem certeza de que não vai te atrapalhar? – já havia perdido as contas de quantas havia feito aquela pergunta a ele, mas eu precisava ter certeza de que a escolha de Edward, não o prejudicaria. Ele decidira passar a noite em meu apartamento, cuidando e zelando pela minha segurança, como o mesmo dissera. Obviamente eu não me opus, mas não queria ser um incomodo.
—Absoluta. – respondeu após girar os olhos. —Phil e Renée não querem pizza? – questionou após olhar para a caixa aberta sobre a mesa de centro, dentro dela, haviam alguns pedaços ainda.
Edward fizera questão de saber qual a minha favorita, e assim que eu lhe disse ser a de marguerita, ele ligara para a pizzaria e encomendara duas.
—Acho que não. – dei de ombros. —Minha mãe disse que se der fome, eles descem para comer. – foi difícil concluir meu raciocínio quando eu tinha uma visão tão linda a minha frente quanto a de um Edward sem camisa, esticando o cheese do sofá.
—Hm, ok. – esticando um dos braços, ele pegou o lençol que Renée trouxera, o esticou sobre o estofado e logo depois, acomodou os travesseiros ali. —Pode se deitar, senhorita. – jogou charme com uma piscadinha sexy.
—Não vai deitar comigo?
—Vou te cobrir primeiro. – abriu um sorriso fofo diante a minha manha infantil. Aceitei sua resposta e assim que me acomodei no sofá, Edward estendera o edredom sobre mim. Segundos depois, eu já repousava minha cabeça em seu peito. —Pronto baixinha, pode dormir. – seus lábios pressionaram em minha testa.
Soltei um suspiro satisfeito. Queria dizer que eu não estava cansada, mas meu corpo se recusada. Mesmo tendo dormido por uma boa parte da tarde, ainda estava exausta.
—Já vou dormir. – proferi baixinho, traçando linhas imaginárias por seu peito. —Como foi lá na Valanstain hoje?
—Estranho.... Aquele prédio fica muito vazios sem você. – sua resposta me fez sorrir. —Já demos início ao comercial da Avon.
Apoiei o cotovelo no sofá para olhá-lo.
—Sério?
—Sim. – assentiu antes de beijar meu queixo. —Heidi já fez uma lista de atores e modelos...
—Hm. – mordiquei meu lábio inferior por um momento. —Ela disse algo sobre minha falta?
—Não que eu tenha visto. – foi sincero. —Fui registrado na máquina de biometria, agora sou oficialmente um funcionário da Valanstain.
Sua notícia me fez rir, aquilo era tão bom... A gente só dá valor na risada quando perde a felicidade.
Me abaixei rapidamente para beijá-lo, e quando o olhei novamente, senti a curiosidade vibrar em meu peito.
—Edward? – o chamei.
—Oi, amor.
—Porque a Valanstain? Porque Nova York? – minha pergunta pareceu repercutir em sua cabeça, ele respirou fundo e correu a mão pelo cabelo antes de me responder.
—Possibilidades, já te falei. – sua resposta vaga me fez cerrar os olhos. —OK, vou te contar, mas depois disso, você vai dormir.
—Ok. – concordei animada, queria muito saber mais sobre sua vida e vinda a Nova York.
—Te contei que minha mãe esteve doente, se lembra? – maneei a cabeça em concordância. —Então, meu pai entrou em muitas dividas para pagar os melhores tratamentos a ela. Eles tem dois postos de gasolina em Collierville, mas ambos estão no vermelho.... Ainda hipotecaram a casa.... – ele parou por um momento, respirando fundo antes de continuar. —Quando surgiu essa proposta de emprego, eu a aceitei sem pensar, quero ajuda-los a sair dessa situação.
Sorri com sua explicação. Ele era incrível demais. Abaixei a cabeça e o beijei rapidamente nos lábios e no queixo.
—Que lindo. – meu polegar fez o contorno de seus lábios. —Mas você recebeu várias outras propostas, de empresas ainda maiores que a Valanstain, então porque Nova York? Porque a Valanstain?
Seus olhos se iluminaram com alguma informação que eu desconhecia. Ele maneou a cabeça e abriu um sorriso maroto.
—Isso eu te contou outro dia. – desconversou. —Agora você vai dormir. – mandou decidido. Bufei frustrada, mas voltei a me acomodar em seu peito sem discutir. —Dorme bem, baixinha. – desejou antes de beijar minha testa.
—Você também, Ed.
Fechei os olhos aproveitando as carícias que ele deixava em minha cabeça, o silencio confortável e ainda mais, o porto seguro que eu encontrava em seus braços. Era ali que eu queria estar. Para sempre.
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