Segunda-Feira
20 Muito mais que um príncipe
Notas iniciais
Ali, sentada no deque do jardim dos Cullen’s, eu fitava meu lindo namorado jogar basquete com o cunhado. Ali, sentada e hipnotizada por tanta beleza, eu tentava entender tudo o que eu sentia por ele.
Não era, obviamente, um trabalho fácil, até porque eu sentia muita coisa. Muita coisa bonita, para ser mais exata.
E também tentava entender por que raios eu decidi que era com ele, e só, que eu queria ficar. Eu também não conseguia entender o que ele via em mim. Podendo querer tantas outras mulheres mais bonitas, bem melhores do que eu.
Por que escolher alguém tão pequena, tão confusa, tão complicada quanto eu?
Eu não entendia e, para ser sincera, não sabia se um dia ia entender. Mas após toda aquela conversa sobre “a garota” e “o cara”, descobri que eu não precisava entender e ponto.
A vida é assim mesmo... Eu não entendo... Edward não entende... Ninguém entende nada. A única coisa que a gente faz é se colocar à disposição para aquilo que a vida trouxer.
E ela havia me trago um homem maravilhoso, juntamente de uma família maravilhosa. Dizer que Carlisle, Esme, Emmet e Rosalie estavam me tratando bem não refletia corretamente a situação.
Era tanto carinho, tanto cuidado, tanta gentileza, que foi impossível não me sentir em casa e parte da família também.
A conversa com eles fluía com uma naturalidade fora do comum. Não eram esnobes ou orgulhosos. Eram pessoas simples e humildes, que me faziam entender um pouco mais o homem maravilhoso que eu tinha ao meu lado.
—Então. – a voz de Rosalie soou bem próxima a mim. Ergui a cabeça e a encarei por um segundo, com um suspiro ela sentou ao meu lado. —Meu irmãozinho está apaixonado. – completou antes de abrir um sorriso casto.
—Hm... – soltei recolhendo o corpo, meio sem jeito e sem saber o que responder. —Acho que sim.
—Ele está. – confirmou e me encarou com aqueles olhos brilhosos. —Pode acreditar em mim, Bella. – a sinceridade brilhava em seus orbes. —E eu fico muito feliz com isso.
Foi minha vez de suspirar, dava para perceber que ela estava realmente feliz por Edward.
—É bom saber que tem alguém cuidando dele em Nova York. – pronunciou as palavras erguendo os braços e puxando o cabelo sedoso para cima.
Um riso irônico escapou por minha garganta e infelizmente, Rosalie não o deixou passar.
—Algo errado?
—Não. – neguei prontamente, vendo-a prender seu cabelo em um coque frouxo. —É só que o que você disse... Não reflete muito as coisas. – assumi por fim. —Posso dizer que Edward cuida mais de mim, do que eu dele.
Sua risada divertida emitiu um som gostoso e mais uma vez me espantei com toda sua beleza. Ela não tinha a face coberta por maquiagem, nem parecia ser o tipo de mulher encanada em tratamentos de beleza... Rosalie era natural e talvez fosse aquilo que a deixasse ainda mais bonita.
—Ah, mas isso é normal. – murmurou observando o irmão por um instante. —Ainda mais vindo de Edward que o ser mais protetor e cuidador que eu conheço.
—É, ele é mesmo. – concordei abrindo um sorriso. Meus olhos então vagaram até o protagonista do nosso assunto e ali, parado no meio jardim estava ele. Short preto, descalço e sem camisa, o sorriso no rosto era tão iluminado quanto o de um menino de cinco anos. A felicidade estampada em sua face era algo impagável e não era apenas o “jogo” de basquete que o deixava daquele modo. Ele estava feliz por estar em casa. —Seu irmão é um homem incrível... Sabe, depois de tantos “sapos”, a vida me trouxe ele. Muito mais que um príncipe, um herói. – fiz uma breve pausa, beliscando o lábio inferior com os dentes. —É, ele salvou minha vida. E...
—Você o ama. – ela completou quando o suspiro interrompeu minhas palavras. —Eu sei, dá para ver. – meu coração bateu mais rápido e minhas mãos ficaram geladas.
Ergui o corpo arrumando a postura.
—Amo. – concordei baixinho, como se aquilo fosse um segredo. —Eu o amo muito. – quando voltei a olhá-la, me deparei com um par de estrelas brilhantes, as quais ela chamava de olhos.
—Como eu disse, dá para ver. – sua mão subiu até meu ombro, o qual ela afagou gentilmente. —Eu podia tentar te dizer o quanto isso me deixa feliz, Bella, contudo, é algo impossível. – com a ponta da língua, ela lubrificou os lábios. —Edward e eu não somos irmãos de sangue, mas somos de alma. – o sorriso nasceu em minha boca. —E isso significa muito mais do que essas meras palavras podem expressar, eu o amo de um modo inexplicável e vê-lo tão bem, tão realizado, me deixa imensamente contente. – seus olhos saíram dos meus por um momento. —Tenho certeza que Carlisle e Esme vão te agradecer, mas eu também preciso fazer isso. – cerrei os olhos sem compreender. —Obrigada por ajuda-lo a passar por cima dos fantasmas que o assombravam. – continuei a encará-la ainda sem entender onde ela queria chegar. —Obrigada por trazer de volta aquele sorriso largo e aquele semblante de paz, que Edward está carregando.
Tomei ar pela boca enquanto unia as palavras para responde-la. O que eu podia dizer? Eu não tinha ideia do que ela estava falando ou pior, o porquê que ela estava me agradecendo.
—Vai por mim, Rose... Quem tem de agradecer sou eu. – ela aceitou minha resposta com um sorriso gentil, mas logo compreendi sua falta de palavras, afinal, Edward e Emmet caminhavam em nossa direção.
Era uma dupla e tanto, ambos de estatura alta, peito largo e definido. Era difícil saber quem estava mais suado também, mas não podia negar, meu namorado estava uma delícia.
—Quem venceu? – Rosalie questionou intercalando os olhos entre o irmão e o marido, esse que separou gentilmente as pernas da esposa, para se pôr entre elas e sentar no degrau mais baixo.
—Claro que fui eu, não é, amor? – Emmet proferiu orgulhoso, enquanto um Edward carrancudo caiu sentado ao meu lado. —Edward continua sendo horrível no basquete.
—Rá, rá, rá. – Edward soltou correndo a mão pelo cabelo. —Você deu sorte... Estou cansado da viajem. – deu a desculpa, que me soou um tanto quanto esfarrapada. —E então senhorita Swan, o que acha de ganhar um abraço bem apertado do seu namorado agora? – me lançando um olhar sedutor, ele abriu um sorriso sexy.
Curvei os lábios em um biquinho pensativo e então, neguei com a cabeça.
—Acho que vou recusar, senhor Cullen. – deixei um tapinha em seu ombro, o qual se encontrava húmido de suor e gelado. —Está muito suado...
—Ah, qual é, princesa! – exclamou se virando para me olhar rapidamente. —E isso é sexy!
—Não é, não. – neguei rapidamente. —É nojento! – forcei uma careta, deixando claro a minha brincadeira.
—Concordo com a Bella. – Rosalie proferiu empurrando o marido pelo ombro. —Você está todo melado, Emm... – estreitou os olhos voltando a tentar afastá-lo de suas pernas.
—Até parece que você não gosta. – Emmet abriu um sorriso safado, antes de abaixar a cabeça para beijar o joelho da esposa. —E você não é do tipo de mulher que sente nojo por qualquer coisa, quem dirá por um mero suor. – deu de ombros, voltando a se recostar nas pernas de Rosalie, essa que abriu um sorriso amoroso passando os braços pelo pescoço de Emmet.
—Isso é um fato. – Edward soltou apoiando a mão em minha perna. —Até porque se Rose sentisse nojo por qualquer coisa, ela não teria casado com você. – minha risada se uniu a de Rosalie que dando de ombros, deixou um beijo na cabeça de Emmet.
—Bella, eu vou ficar muito feliz caso você dê um pé na bunda do Edward. – suas palavras rancorosas me fizeram rir com gosto. Edward bufou alto e rolou os olhos. —Só para constar.
—Ela jamais faria isso. – Edward soou confiante.
—Será? – questionei apenas para provoca-lo. Seus olhos se voltaram para mim, tão divertidos quanto meu tom.
—Amei essa garota. – Emmet interrompeu sua risada estrondosa para proferir.
—Ah, é assim, dona Isabella? – indagou com uma falsa chateação. —Então, está bom! – cruzou os braços em frente o corpo e fechou a cara, feito um garotinho mimado.
—Awn, estou brincando, bebê. – ergui as mãos e tomei seu rosto para mim. —Você sabe que eu não me vejo sem você. – seus olhos azulados ficaram ainda mais iluminados quando o sorriso voltou a aparecer em sua boca. Edward tocou meu rosto com carinho e então, deixou um rápido selinho sobre meus lábios.
Sua boca desceu em um trilho de beijos até meu pescoço, o qual ele rapidamente mordiscou, antes de se erguer e me dar mais um selinho.
—Hey, crianças... – a voz de Carlisle furou a bolha em que havíamos entrado. —Venham, vamos pôr o jantar na mesa. – acenou com a mão, nos convidando para entrar.
Emmet e Rosalie se colocaram de pé primeiro, e quando percebi que Edward não movera se quer um musculo para levantar, permaneci bem paradinha ao seu lado.
—Então, o que está achando da minha família? – virou o rosto e beijou a palma da minha mão, antes de me encarar com ansiedade.
—Eu os amei. Todos eles são incríveis. – assumi em plena sinceridade. —Apesar de ter ficado nervosa no começo, não esperava outra coisa, afinal, alguém como você ia não pertencer a pessoas ruins. – um brilho estranho delineou seu olhar, contudo, Edward o disfarçou rapidamente. —O que foi?
—Nada, meu amor. – negou se inclinando e beijando minha testa. —Mas me diga... O que esse “alguém como você” significa.
—Um alguém amoroso, carinhoso, especial... – narrei, aceitando sua recusa, mas ainda intrigada. —Um alguém maravilhoso. – seu sorriso lindo fez meu coração bater mais rápido.
Era difícil não me sentir feliz ao lado daquele homem, perto de Edward eu nem me lembrava das coisas ruins que aconteceram recentemente. Ele havia se tornado tudo para mim, cada risada que eu dava; cada palavra que eu escrevia, cada foto que eu tirava.... Já não tinha certeza se podia ser feliz sem ele, eu assumo. Porque com Edward a felicidade era bem mais que uma palavrinha de dez letras. A felicidade era real. E ele era real. Edward era a minha felicidade.
E eu sentia muito medo de perder essa felicidade. Eu sentia tanto medo de perde-lo que eu sugava cada pedaço dele para um dia, caso ele se perca de mim, eu tivesse com o que ser feliz enquanto procurava reencontrá-lo. Eu tinha tanto medo de perder essa nossa ligação que acabava não falando todas as coisas com medo de deixa-lo assustado. Porque até eu me assustava.
—Você que é maravilhosa, minha princesa. – me lançou uma piscadela rápida, me sugando dos meus pensamentos. —Vem, vamos entrar antes que a dona Esme apareça e nos puxe pela orelha. – suas palavras me fizeram rir. —Estou falando sério, ela faz isso mesmo. – rolei os olhos empurrando-o levemente.
—Não consegui falar com a minha mãe. – murmurei fechando o rosto em uma careta. —Certeza que ela está aprontando alguma.
Edward riu, passou o braço por meu ombro e me puxou para beijar minha cabeça.
—Ela deve estar curtindo Hamptons com Phil. – recostei a cabeça em seu ombro caminhando calmamente ao seu lado. —Podíamos ir acampar na praia também, o que acha?
—Hm, podemos marcar. – respondi meio surpresa com o convite. Aquele tipo de programa era bem incomum para mim, mas a verdade é que eu ia amar fazer aquilo com Edward. Aliás, eu amava tudo o que vinha dele e isso, era mais uma coisa que me assustava.
Como eu podia amar tanto alguém? Como cada parte minha suplicava para ter Edward ao meu lado? isso nunca aconteceu. Às vezes eu temia, outras vezes amava. Amava tanto que chegava a ter pena de como o mundo era menos feliz, antes da gente se encontrar.
Nós entramos na cozinha e o cheiro delicioso de carne assada se fez presente.
—Nossa pai, dessa vez o senhor caprichou! – Edward exclamou com a voz entonada pela fome. —Se o cheiro está bom, imagino o sabor.
Carlisle que picava algumas folhas verdes sorriu orgulhoso para o filho.
—Você sabe que eu sou o rei do churrasco. – se gabou lançando uma piscadela divertida a Edward.
—Menos, papai. – Rose pediu, deixando um tapinha no ombro do pai, que fechou a cara em uma careta. —Mãe, onde coloco os vasos? – ela então se curvou e pegou os dois objetos de cristal que estavam sobre a mesa.
—Pode deixar aqui no balcão. – Esme murmurou fechando a torneira da pia e secando a mão no avental. —Emmet, pare de cutucar! – ralhou com o genro que beliscava descaradamente um dos pedaços de frango frito que havia na enorme tigela branca. —E vá tomar um banho... Você também Edward, estão completamente suados. – ela fez uma careta após encarar os dois. —Bella, minha linda, sente-se. – seu sorriso direcionado a mim foi gentil.
—Já estou subindo. – Edward respondeu demonstrando obediência a mãe. —Senta aqui, amor. – então, ele me guiou até o banco que ficava abaixo da grande janela.
Retirei algumas das almofadas para poder me sentar e foi impossível não reparar na lua que brilhava lindamente no céu, clareando com perfeição o pequeno jardim dos Cullen’s.
—Deixe-me ajudar com alguma coisa. – pedi um pouco sem jeito por não estar colaborando com nada.
—Não há necessidades, já está tudo pronto. – me respondeu e abriu um sorriso carinhoso, deixando a tigela de porcelana branca com os pedaços de frango frito sobre a mesa.
—Vou tomar um banho rápido e já volto, ok? – Edward proferiu afagando meu rosto carinhosamente.
—Ok. – concordei. Ele sorriu com o cato dos lábios, se abaixou e deixou um beijo em minha testa.
—Me esperem para comer. – exigiu antes de desaparecer da cozinha, com Emmet ao seu enlaço.
Um silencio cômodo se instalou na cozinha. Ali, sentada no banco charmoso, apenas observei os três: Carlisle, Esme e Rosalie. Todos trabalhando em sincronia e harmonia. O pai cuidado dos últimos detalhes da salada, a mãe deixando os belos pratos sobre a mesa de jantar e a filha abrindo a garrafa de vinho empoeirada.
Era uma cena bonita de se ver. Era um exemplo claro e único de como uma família funcionava.
—E então, Bella... – a voz de Carlisle chamou minha atenção. —Como é a vida em Nova York? – perguntou demonstrando um verdadeiro interesse.
Respirei fundo e me arrumei no banco enquanto pensava no que responder.
—Agitada, um pouco estressante, não vou mentir.... Mas eu gosto bastante. – proferi soltando um suspiro por fim. Não dava para negar, eu amava aquela cidade.
—Edward disse que o transito é de matar. – Esme comentou, parando por um segundo para desamarrar o avental da cintura.
—Sim, realmente é horrível. – concordei cruzando minhas pernas. —Mas como toda cidade, Nova York tem seus pontos negativos e os positivos também.
—E quais seriam os pontos positivos. – Rosalie questionou deixando a taça larga de cristal sobre a mesa para me olhar.
Novamente tive que parar para pensar antes de responde-la. Eu podia citar mil motivos, como o transporte público, uma variedade enorme de etnias e pessoas de outros países, eventos em geral... No entanto tudo aquilo me pareceu vago demais.
—Possibilidades. – tomei cuidado ao soltar a palavra. —Nova York te abre um leque de possibilidades, em todos os sentidos, todas as questões. – proferi tentando amenizar a curiosidade dos três pares de olhos que me fitavam. —Lá você pode ser o que quiser, chegar onde quiser.... Você tem a possibilidade de, ao menos, tentar. – soltei um risinho baixo arrumando a saia sobre minha perna. —É claro que eu sou suspeita para falar, até porque nasci e fui criada lá, mas Nova York é isso: um lugar que te oferece mil possibilidades.
—Agora eu entendi porque meu irmão se apaixonou por você. – ela brincou deixando o vinho cair em uma das taças. —Vocês são muito parecidos. – me ofereceu educadamente uma das taças.
—Obrigada. – agradeci, mesmo sem concordar. —Mas então, como é a vida aqui em Collierville?
Os três se entreolharam por um longo momento, acho que decidindo quem iria responder a minha pergunta.
—Sossegada. – Carlisle foi o primeiro a dizer.
—Sem estresse. – Rosalie soltou logo após.
—E bom, praticamente todos se conhecem. – Esme foi a última a pronunciar. —É impossível ir até a venda da esquina sem desejar meia dúzia de “bom dia”, ou responder a algumas dúvidas sobre a família.
—É um ótimo lugar para morar, construir uma família, educar os filhos e então, esperar os netos. – Carlisle voltou a falar e senti que as últimas palavras foram destinadas a Rosalie.
—Netos! – Esme exclamou. —Essa palavra me deixa arrepiada... E só de pensar em ser avó....
Bebericando meu vinho, observei Rosalie rolar os olhos.
—Está vendo só, Bella. – sentando ao meu lado, ela bateu a mão em meu joelho. —Seus sogros querem ser avós, o que acha de dar um netinho a eles?
Se não tivesse engolido o liquido doce, provavelmente teria me engasgado com ele.
—Ah, acho meio cedo para mim e para Edward. – murmurei meio sem jeito, sob a risada alta de Carlisle. —Mas Edward comentou comigo que Emmet e você combinaram de ter um filho assim que ele apresentasse uma namorada para a família.
—Touché. – Esme soltou com gosto. —Quero ver se sair dessa, filha!
Rosalie correu a mão pelo cabelo e tomou um grande gole de vinho antes de dar de ombros.
—Vamos mudar de assunto. – suas palavras fizeram Carlisle bufar. —Me conte mais sobre Nova York e o mar de possibilidades. – pediu me fazendo rir.
Rosalie era bem divertida, assim como os pais, aquele tempo que passei apenas com os três me fez conhece-los ainda mais e de repente, eu já estava me sentindo super a vontade.
Edward e Emmet voltaram para a cozinha juntos, ambos rindo de algo que não nos contaram. Quando nos sentamos a mesa, Carlisle puxou uma oração rápida e mesmo não tendo a mesma crença que eles, eu os acompanhei. Não ia deixar minha falta de fá, abalar a fé deles.
—E então, como vão as coisas, pai? – Edward perguntou em um determinado momento. Limpando meus lábios, ergui a cabeça para fitar Carlisle.
—Melhorando. – respondeu tomando um pouco do vinho. —O posto da rua de cima já está com as contas estabilizadas, e o da entrada da cidade está caminhando para isso.
Rapidamente me lembrei da breve conversa que tive com Edward, onde ele me contara sobre os problemas financeiros da família.
—E a hipoteca?
—Em dia. – Carlisle respondeu rápido.
—Por favor, não vamos falar disso a mesa. – Esme pediu se servindo de mais salada. —Sua mãe deveria ter vindo com vocês, Bella. – ela comentou me olhando por um breve momento. —Edward disse que ela é bem animada.
—Renée é louca, isso sim. – os cinco sentados à minha volta, riram de minhas palavras. —E Edward a chamou, mas ela já tinha marcado de ir acampar com o namorado em Hamptons.
—Sua mãe foi acampar? – Emmet indagou meio surpreso.
—Foi sim e depois ia fazer trilha em um parque de Long Island.
—Ual, ela é realmente animada.
—Louca. – o corrigi cortando um pedaço do bife assado. —Ela meio que é adepta a aventuras. – completei antes de levar o corte de carne até a boca.
—Quando conheci a Bella, ela tinha viajado para o México. – Edward contou se divertindo com a lembrança. —Renée é uma mulher maravilhosa. – completou me fazendo sorrir com gosto.
Eu amava aquela amizade que os dois tinham.
—Long Island.... – Rosalie soltou pensativa. —Não foi lá que adotaram Edward?
A pergunta de Rosalie fez uma tensão crescer diante a comida e a dúvida em minha cabeça.
—Foi sim. – Esme concordou antes de pigarrear.
—Espera. – pedi sem entender. —Você era de Long Island? – voltei meus olhos até Edward, esse que estava visivelmente tenso.
—Era. – afirmou correndo a mão pelo cabelo. —Emmet, pode me passar o molho? – e então, ele simplesmente mudou o rumo da conversa.
Os pais, a irmã e o cunhado, o acompanharam rapidamente. Ficou claro que aquele assunto não era desejado por ninguém, mas eu precisava saber, precisava perguntar.
Edward era de Long Island e nunca comentara nada comigo. Porque? Por qual motivo ele ocultara aquele detalhe?
Milhares de questões correram por minha cabeça e nenhuma delas deixou de me perturbar durante o restante da noite. Rosalie e eu, ajudamos Esme a limpar a cozinha, enquanto Carlisle, Edward e Emmet foram conversar sobre a situação financeira da família na sala.
Dispersa, fora assim que eu me encontrara durante todo o tempo, até mesmo no momento em que fui me despedir de Emmet e Rosalie, ou ao desejar boa noite aos meus sogros, quando ambos subiram para seu quarto, deixando Edward e eu sozinhos na sala.
—Então você é de Long Island. – proferi quando ele repousou a cabeça em meu colo.
—Era. – me corrigiu com o rosto fechado em uma careta.
—Porque não me disse isso antes? – perguntei correndo os dedos por seu cabelos. —Porque escondeu isso de mim? – eu não estava acusando-o, só queria entender, sem pressão ou apontamentos.
Ele respirou fundo e me fitou por um longo momento antes de sentar no sofá.
—Eu pensei em te contar várias vezes... – começou meio nervoso. —Mas fiquei com medo da sua reação.
Soltei um riso diante sua afirmação. Minhas mãos seguraram seu rosto e então eu beijei seu queixo.
—Medo da minha reação? Por que?
—É difícil explicar. – murmurou de olhos baixos. —Me responda.... Não conhece ninguém que tenha morado em Long Island? – seus olhos quando se voltaram em minha direção, se mostraram um tanto quanto ansiosos.
Mordisquei o canto dos lábios ponderando diante sua pergunta.
—Bom, conheço algumas pessoas.... Mas o que isso tem a ver?
—Tem a ver que a minha mãe... Quero dizer, a mulher que me gerou, morava lá. – respirou fundo e prendeu o ar por alguns segundos. —E você a conheceu.
Cerrei as sobrancelhas. Eu a conheço? Como eu podia conhece-la? E como Edward sabia que eu a conhecia?
—Não estou entendo... – minha voz deixou claro a minha confusão. —Eu a conheci? – só então o verbo empregado no passado estalou em minha cabeça.
Conheceu.
—Eu a conheci? – repeti a pergunta. —Porque? Ela faleceu? – Edward apenas concordou com a cabeça, meio temeroso. —Nossa... – soltei retirando o cabelo do meu rosto. —Faz quando tempo? E ela ainda morava em Long Island?
—Uns dois meses, eu acho. – lubrificou os lábios antes de continuar. —E não, ela estava morando em Nova York. – assenti com a cabeça diante sua resposta. —Morando com a filha.
Suguei meu lábio inferior prendendo-o entre os dentes. Minha mente fervilhava diante dos dados apresentados por Edward.
Falecera há dois meses, era de Long Island, mas morava em Nova York com a filha....
Foi então que um estalo ecoou dentro da minha cabeça. Minha espinha ficou gelada e tive a sensação de estar pisando em nuvens. Podia ouvir as batidas do meu coração tamanha a rapidez que ele batia em meu peito.
—Oh, meu Deus! – soltei ainda embasbacada. —Você... Você... – gaguejei fracamente. —Você é filho da Mary. – minha voz soou baixinha. —Você é irmão da Alice.
Edward me encarou por um longo momento e então assentiu com a cabeça. Um calafrio correu por meu corpo deixando-me toda gelada.
Aquilo era surreal. Inacreditável.
Edward filho de Mary e irmão de Alice.
Voltei a encará-lo e mesmo ainda surpresa, comecei a entender certas coisas, certas coincidências. De repente, as coisas começaram a fazer mais sentido.
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