Segunda-Feira

1 Coisas boas também acontecem nas segundas-feiras


Notas iniciais
Oii gente :D
Voltei e voltei com fic nova o/
Como esse é o primeiro, não tenho muita coisa para falar kkkk
Então, espero que gostem ^^
Boa leitura :)

Os rostos desconhecidos estavam todos emburrados. Não havia um sorriso ou se quer, um olhar promissor.

Não conseguia entender o porquê de todo mundo odiar as segundas-feiras. Talvez, elas não gostassem de voltar para suas rotinas, de ter que começar tudo de novo... Mas é exatamente aí, que está a graça: Começar tudo de novo.

Recomeçar a dieta, mudar os hábitos, pagar as promessas. Fazer novos planos, fabricar novos sonhos, encarar a vida com as energias renovadas.

Segunda-feira, é dia de recomeço, é dia de aprender com os novos tropeços.

Mas é claro que a maioria das pessoas não viam as, pobres e injustiçadas, segundas-feiras, como eu as via.

Cada um vê o mundo de um jeito e isso, nunca iria mudar.

A brisa fresca com aroma de chuva chegou e já tirou meu cabelo para dançar. Rolei os olhos arrumando os fios com os dedos.

Ventos.... Sempre tão atrevidos!

O movimento na primeira avenida estava uma loucura, gente andando para tudo o que é lado e direção, buzinas altas cobrindo os palavrões que os motoristas soltavam vez ou outra, turistas fascinados com suas máquinas fotográficas penduradas no pescoço e claro, um transito estressante.

Nova York era a minha cidade preferida no mundo todo, mas para viver nela requer boas dozes de paciência e otimismo.

O sinal abriu e os carros aceleraram pela avenida em uma pressa absoluta. Respirei fundo ao ver as horas no relógio em meu pulso, os ponteiros se aproximavam das nove e meia. Um ótimo horário para andar pelo Central Park.

Ter a manhã disponível era tudo que eu precisava, ainda mais quando minha tarde reservava uma longa reunião.

Apesar de todo o estresse que me causava, publicidade era minha maior paixão, amava elaborar propagandas e comerciais, sempre usando o lado mais criativo que o produto ou marca me oferecia.

Quando fui contratada pelo Valanstain Group consegui me apaixonar ainda mais pela minha profissão. Nós formávamos uma das maiores empresas de publicidade da América e como se isso não bastasse, o escritório principal, onde eu trabalhava, ficava no alto do Empire State.

Um corpo alto, forte e desconhecido bateu contra o meu e me deixou momentaneamente desequilibrada. A mão grande rodeou meu braço me ajudando no equilíbrio perdido.

Maneando a cabeça, deixei o espanto de lado com os meus pensamentos, para erguer os olhos e encontrar um lindo olhar azulado.

—Por favor, me desculpe. – sua voz tinha um leve, porém delicioso, sotaque. Seus olhos me encaravam com certa apreensão e desespero.

Respirei fundo tendo de pigarrear para recobrar o controle da minha mente que queria divagar sobre o peitoral largo e forte do desconhecido. Lhe abri um pequeno sorriso tentando garantir que estava tudo bem.

—Não foi nada.

Os orbes claros me estudaram por um longo momento garantindo se não havia mesmo me machucado.

—Estou completamente perdido, não vi você. – explicou arrumando no ombro a alça da pasta preta que carregava.

Ele estava bem vestido, usava uma camisa jeans clara, a calça era vermelho bordo e os sapatos chocolates, o mesmo tom bonito estava presente no casaco que ele mantinha no braço.

—Está tudo bem. – lhe exibi um mero sorriso. —Disse que está perdido, precisa de ajuda?

O desconhecido ergueu a mão e a correu de modo despreocupado por seu cabelo loiro escuro, só então notei como seus fios eram desgrenhados. De um modo bastante charmoso.

—Na verdade, eu preciso sim. – concordou e um leve sorriso se abriu na boca carnuda e avermelhada. —Sou novo na cidade. – sua voz soou aveludada. —Preciso chegar nesse endereço, mas não faço ideia de onde fica. – explicou enquanto abria sua pasta preta, ele retirou uma pequena caderneta e após folheá-la com certo desajeito, me entregou.

Encarei a bela caligrafia no papel branco reconhecendo rapidamente o endereço anotado.

—Cafe Sabarsky.— murmurei lhe entregando o pequeno caderno. —É fácil chegar até lá e para a sua sorte, não é muito longe. – ele sorriu abertamente e eu me encantei com as covinhas que apareceram em suas bochechas. —Olha, você vai seguir na direção nordeste rumo ao leste da septuagésima terceira rua. — expliquei após traçar um mapa mental em meu subconsciente. —Depois vire à esquerda em direção leste na septuagésima nona rua e por fim, a direita na quinta avenida. – soltei um suspiro satisfeito diante o meu raciocínio. —O Cafe vai estar a direita.

Quando voltei a olhá-lo senti toda a satisfação evaporar. Ele não havia entendido nada, aquilo estava bem claro.

—Ok. – soltou abaixando a cabeça e soltando um riso suave. —Será que você pode repetir? – pediu pendendo a cabeça para o lado.

Mordi o lábio inferior diante toda sua beleza. O desconhecido era absurdamente lindo. A pele branca fazia o cabelo e a barba cerrada se destacarem com a linda cor dourada. Os olhos grandes tinham o tom mais límpido de azul que eu já vira na vida e ainda eram emoldurados por longos cílios curvilíneos. A boca era cheia, avermelhada e um tanto quanto apetitosa, assim como seu maxilar quadrado e másculo.

De onde ele havia saído? De uma revista ou de um filme?

—Vamos, eu te acompanho até lá. – as palavras fugiram por minha boca e só me dei conta quando recebi seu olhar surpreso. —Assim você não corre o risco de se perder. – completei rapidamente vendo o sorriso voltar a brilhar em sua face.

Tudo parecia tão estranho para ele que eu fiquei feliz por ter tê-lo encontrado, alguma coisa me dizia que a gente nunca esquece aquilo que nos salva numa segunda-feira chuvosa.

—Você está salvando meu emprego. – sua voz era tão verdadeira quanto seus olhos. E que olhos. Jamais tinha visto um tom de azul tão lindo. —Está salvando uma formiguinha perdida no meio do formigueiro que é essa cidade.

Nós paramos na faixa de pedestres ao lado das outras pessoas que também aguardavam o sinal ficar vermelho para os carros que transitavam. O lindo desconhecido mantinha um sorriso leve no rosto, mas não era qualquer sorriso. Era um sorriso torto. Um sorriso com o canto dos lábios, extremamente charmoso que me deixou encantada.

—Sempre gostei de ajudar as formiguinhas. – dei de ombros, ele riu e eu mal pude ouvir o som visto o barulho de buzinas que seguiu por longos segundos. —Bem-vindo a Nova York! – exclamei ironicamente, ele sorriu e as covinhas voltaram a surgir em seu rosto.

Desde quando simples covinhas me deixavam tão fascinada?

—Mas então, posso saber o nome da minha nova-yorkina favorita? – sua voz soou divertida e foi a minha vez de rir.

—Bella. – cessei os passos por um momento para lhe estender a mão. —E você é?

—Belo? – perguntou um momento antes de aceitar meu cumprimento, seu toque era quente e receptivo. —Bom, dizem que sim. – seu trocadilho arrancou uma nova risada minha. Além de bonito, era engraçado. E marcante, confiante, atraente, sensual. —Sou Edward, é um prazer. – me lançou uma piscadela charmosa acompanhada de um sorriso irresistível.

Nós voltamos a caminhar pela primeira avenida e de repente, já não havia mais transito, mais barulho ou um grande movimento de pessoas. Era como se apenas nós dois estivéssemos ali.

—Você é de onde? – a curiosidade me queimava por dentro, queria saber tudo sobre ele.

—Sou de Collierville no Tennessee. – sua resposta me fez entender seu sotaque.

—E o que te trouxe a Nova York?

Edward ergueu a mão, a correu pelo cabelo e então deu de ombros.

—Já ouviu falar no termo: Proposta irrecusável?

Meu riso suave antecedeu o aceno de cabeça. Edward abriu um pouco mais o sorriso antes de pegar o lábio inferior entre os dentes. Desviei os olhos instantaneamente, ele deveria ser proibido de fazer aquilo.

—Esse termo traz muitas pessoas para cá. – proferi após me recompor. —Faz tempo que está na cidade?

—Três dias apenas. – o observei por um momento, Edward colocara as mãos no bolso da calça de um modo despreocupado. —Mas e você, é daqui mesmo?

Porque ele queria falar de mim? Ainda tinha tanta coisa para perguntar.... Respirei fundo colocando o cabelo atrás da orelha.

—Sou daqui mesmo. – meus olhos se encontraram com os seus por um momento, a cor azulada me fez suspirar. —Sei que eu posso ser suspeita para falar, mas tenho certeza que você vai amar viver aqui.

Nós dobramos a esquina e só então tive consciência de que estávamos chegando até o Cafe Sabarsky. Sua companhia era um tanto quanto agradável e não queria ter que me despedir, afinal, a chance de nós nos encontrarmos de novo era praticamente nula.

—Eu já gostei da atmosfera daqui. Esse clima de cidade grande me agradou bastante. – sua confissão me fez sorrir. —Acho que fiquei muito tempo em uma cidade pequena, onde todos se conhecem.... Estava precisando mudar. – Edward respirou fundo o sorriso ainda brincava em sua boca. —E já fiz até uma amiga. – piscou em minha direção.

Nós paramos no passeio esperando o sinal fechar para que assim pudéssemos atravessar. Olhando o horizonte a minha frente, já consegui visualizar a placa do Cafe.

—Isso mesmo, quando se perder novamente, é só me chamar. – só eu sabia o quão sérias eram aquelas palavras, Edward riu alto.

—Eu vou chamar mesmo. Você foi a única que se solidarizou a me mostrar o caminho. – não havia brincadeira em sua voz, apenas agradecimento. —Pode me passar seu número? Vou salvar como contato de emergência. – Edward pediu assim que paramos em frente ao Cafe, seu tom era brincalhão.

Enquanto dizia os números a ele tentava inventar alguma coisa que me fizesse entrar no Cafe Sabarsky e espera-lo, mas nada coerente chegou até a minha cabeça, até porque aquilo não fazia o menor sentido.

Claro que ele era lindo, charmoso, educado e simpático, contudo, nós havíamos acabado de nos conhecer. E não podia agir feito uma moça descomprometida.

O anel pesou em meu dedo e desviando a atenção da tela do iPhone, encarei o brilhante que Jacob me dera.

Instantaneamente comecei a me recriminar por ser tão estúpida. Eu era noiva e estava me portando como uma mulher solteira.

—Salvou? – ele perguntou atraindo minha atenção. Assentindo com a cabeça, voltei a olhá-lo. Edward guardava sua pequena caderneta na pasta que carregava, fora nela que ele anotara meu número, visto que a bateria do seu celular havia acabado. —Nem sei como agradecer você. – dando um passo em minha direção ele ergueu uma mão e com extremo cuidado, colocou meu cabelo atrás da orelha. —Muito obrigado.

Seus dedos tocaram em meu queixo, Edward se aproximou mais um pouco e foi o suficiente para poder beijar meu rosto. Fechei os olhos sendo tragada para o mundo dos arrepios. Seus lábios macios pressionaram minha bochecha de um modo delicioso.

Eu podia sentir seu perfume, era forte, mas absolutamente agradável. Engoli a seco quando ele se afastou, o sorriso torto desenhado nos lábios finos.

—Não precisa agradecer. – foi difícil proferir aquilo sem gaguejar. —Precisando, é só chamar. – brinquei ainda abalada, a pele que sua boca tocara ferroava pedindo por mais toques, mais beijos.

—Até mais Bella. – acenou e piscou uma última vez antes de entrar no Cafe.

Problemas. Eu teria sérios problemas se voltasse a vê-lo.

Edward parecia ter saltado de uma das revistas de moda intima masculina. Era alto e tinha o corpo perfeito, todo coberto por músculos. Absurdamente lindo e aqueles olhos... Que olhos!

O toque do meu celular me fez despertar em frente ao espelho. Há quanto tempo eu estava ali, parada, sem mover um musculo se quer para me maquiar?

O nome de Jacob piscava na tela e acho que eu esperava a ligação de outra pessoa, porque o desapontamento me fez suspirar.

—Oi Jake. – deixando aqueles pensamentos de lado, coloquei a ligação no viva-vos. Sobre a bancada de mármore da pia do meu banheiro, estava espalhado dezenas e dezenas de cosméticos.

—Oi amor. – sua voz soou animada. —Está podendo falar?

—Sim. – concordei encarando os dois frascos de base liquida. —Aconteceu alguma coisa? – indaguei derramando um pouco do liquido marfim na esponja, com cuidado comecei a espalhá-lo por meu rosto.

Fiz uma careta diante a textura pegajosa cobrindo cada pedacinho do meu rosto com a base.

—Aconteceu. – confirmou e uma pontada de preocupação começou a se instalar dentro de mim. —Estou com saudade. – completou soltando um risinho.

Rolando os olhos, deixei a base sobre a bancada e capturei o pó compacto.

—Me assustou, bobinho. – sua risada ecoou pela ligação. —Já está em casa? – mudando a direção da conversa, pincelei o blush rosado em minhas bochechas.

—Não ainda estou no escritório, tenho duas reuniões ainda hoje. – ele estava cansado, podia notar apenas pelo tom da sua voz.

—Que chato, amor. – lastimei cobrindo meus cílios com a máscara preta. —Tenho uma reunião daqui a pouco também, o novo publicitário vai ser incorporado ao grupo.

Fazia semanas que a chegada do novo publicitário era o único assunto que rondava o escritório. Pelo o que diziam, ele era ótimo no que fazia e rejeitara várias propostas de emprego vindas de grandes multinacionais. Quando a Valanstain entrou na disputa não acreditei que fosse dar certo, mas para toda a minha surpresa, ele aceitara trabalhar conosco.

—Correu muito hoje de manhã? – sua pergunta me fez paralisar em frente ao espelho. Encarei meu reflexo por um longo tempo antes de pigarrear alto.

—Um pouco. – disse apenas, Jacob não precisava saber de Edward, eu não precisava sentir mais uma dose do seu ciúme extremo.

Nós dois estávamos juntos há quase três anos e já tinha alguns meses que ele me pedira em casamento e eu, obviamente, aceitei. Jacob era um bom namorado, era carinhoso, atencioso e romântico, mas era tanto quanto possessivo e ciumento.

Ás vezes ele chegava a me sufocar e até irritar, por isso, era melhor não contar nada.

Jacob levou nossa conversa para outra direção e enquanto eu ouvia suas palavras sobre economia e mercado, terminei a maquiagem e me vesti.

As peças escolhidas só faziam por valorizar meu corpo. A saia rosa pink de cós alto era rodada e ia até a altura dos meus joelhos, unida a blusa branca com listras negras na horizontal, demarcava ainda mais minha cintura.

O scarpin preto fosco era elegante e combinava com minha bolsa grande.

A maquiagem havia ficado perfeita, os cílios alongados valorizavam meu olhar, o blush rosado enaltecia minha face, o tom era um pouco mais claro que o batom rosa purpura.

Desci a escada até o primeiro andar com pressa, o barulho que meus saltos provocaram no vidro era um tanto quanto incômodos.

O cômodo grande englobado no conceito aberto se expandiu a minha frente. Diante as janelas de vidro que iam do chão ao teto e me dava uma linda vista, estava minha sala de estar. O painel cobria toda a parede, era branco e isso fazia os eletrônicos se destacarem ao lado dos objetos de decoração.

Os sofás brancos estavam a frente, quadrados, grandes e imponentes, várias almofadas em distintos tons de rosa o enfeitavam, o tapete de pelos era lindo e recebia toda a glória com a coloração rosa queimado. Do lado esquerdo, poltronas pink quadradas estavam a frente do aparador, e pendurado na parede uma linda pintura abstrata de um artista qualquer.

Seguindo para o lado direito se encontrava minha cozinha. Os armários e as bancadas eram todos brancos, mas os poucos detalhes em rosa traziam toda a cor necessária.

A sala de jantar seguia o mesmo estilo, a mesa não era muito grande, mas era extremamente charmosa. As cadeiras tinham o estofado chesterfield e o lustre de cristal preso no teto era exuberante.

Eu era apaixonada por minha casa, amava cada pedacinho dela, cada móvel e objeto de decoração.

—Ual! – a voz intrusa me sobressaltou. Fechando os olhos, respirei fundo e então me virei a tempo de ver Renée fechar a porta de entrada.

Ela ergueu os óculos escuros deixando-os sobre a cabeça, seus orbes correram todo o meu corpo, um sorriso malicioso surgiu em sua boca.

—Está gata, filha! – elogiou puxando a bolsa do ombro. —Onde vai?

—Trabalhar, mãe. – respondi puxando o cabelo para o lado. Seu sorriso se transformou em uma careta, ela respirou fundo, jogou a bolsa no sofá e se dirigindo até a cozinha.

—Achei que fosse se divertir. – alegou com a cabeça enfiada dentro da geladeira. —Você está precisando disso, sabia? – com poucos passos, ela fora até as gavetas do armário. Cerrei os olhos vendo-a remexer tudo o que estava lá dentro. —Sair, beber, trepar.... – narrou com descaso bebericando despreocupadamente sua cerveja.

—Eu faço isso. — rolei os olhos vendo as horas no celular.

Vladmir estava atrasado. De novo.

—Faz nada. – voltando a sala, Renée caiu sentada no sofá grande. —Vai acabar ficando maluca, vive para esse trabalho e ainda por cima tem a mala do Jacob no seu pé....

—Mãe! – erguendo a cabeça, a interrompi. Ela ergueu a mão livre, sua face se contorceu na melhor versão de “sou inocente”.

Renée nunca gostara de Jacob e Jacob nunca gostara de Renée. Era difícil ficar no meio das duas pessoas mais importantes da minha vida e ter de aguentar as alfinetadas, as provocações, as discussões...

Mamãe não concordava com o jeito de Jacob, dizia que seu ciúme era exagerado e ele era extremamente possessivo. Jacob não concordava com a maneira que Renée levava a vida, seus argumentos incluíam o fato de ela ser um pouco devassa e maluquinha.

E de fato, os dois tinham razão. Jacob era ciumento e possessivo, quanto a Renée, ela sempre fora adepta a aventuras, loucuras e liberdade.

A situação era um tanto quanto complicada, sempre ficava dividida, sem saber para que lado correr e quem apoiar, porque no final, um deles sempre ficava chateado.

Vladmir bufou alto a minha frente e desviando os olhos do celular, eu o encarei. Não precisei perguntar qual era o motivo de seu estresse, bastou virar o rosto e ver: O transito estava horrível e não havia vagas para estacionar o carro.

—Tudo bem, Vlad. – soltei o cinto para bater em seu ombro. —Eu desço aqui e continuo a pé.

Ele se virou no banco, sorriu amarelo incorporando a melhor postura de “a culpa não é minha”.

Vladmir dirigia para mim há mais de um ano e apesar de seus constantes atrasos, eu o adorava. Ele era a pessoa mais feliz e extrovertida que eu conhecia, nunca o vi de mau humor.

Abaixei em frente à janela do passageiro seus olhos se voltaram para mim no mesmo instante.

—Está me devendo uma.

Ainda tive tempo de ver seus olhos girarem antes de arrumar a postura e me preparar para a pequena caminhada que me esperava.

—Estou te devendo várias, Petit. — disse em meio as buzinas que os outros motoristas soltavam repetidamente.

Tudo o que eu fiz foi rir do seu jeito arrumando a bolsa no ombro e caminhando pelo passeio. A quinta avenida estava um horror de cheia. Eram cinco e meio, o horário de pico que atraia praticamente todas as pessoas — lê-se turistas — para as ruas. Era difícil ficar desviando delas e dos flashes que suas câmeras disparavam.

Trabalhar no Empire State era incrível, tinha uma sala particular e uma vista excepcional, mas conseguir atravessar suas portas, entrar em um elevador e chegar até nosso andar, era uma maratona e tanto.

Alguns andares eram abertos para o público e por conta de reformas os visitantes tinham de entrar pelo mesmo local que nós e isso gerava um congestionamento irritante.

Senti o vibrar do iPhone dentro da minha bolsa e um segundo depois, a música Set Fire To The Rain de Adele começou a tocar. As pessoas que estavam no corredor me encararam por um momento, mas logo voltaram a admirar cada detalhe a sua volta.

—Oi Heidi. – atendi já me preparando para ouvir as duras palavras que ela sempre disparava quando alguém se atrasava.

—Está atrasada. – acusou imediatamente. Pelo menos não houve gritos.

Soltei um suspiro de alívio assim que o elevador se abriu a minha frente. Para a minha sorte, apenas duas garotas se colocaram ao meu lado.

—Eu sei, me desculpe. – pedi apertando o botão do nosso andar. —O trânsito estava um horror, mas já estou subindo no elevador, se a ligação cair, é por isso.

Heidi era a minha chefe, não era má pessoa, mas sua bipolaridade a tornava imprevisível. Ao mesmo tempo que ela jurava amor eterno pelo seu trabalho, ela gritava para o mundo como você era um inútil.

—Certo. Estamos lhe esperando.

O elevador chegou ao quadragésimo quinto andar no momento em que guardei o celular na bolsa.

No hall de entrada as meninas da recepção conversavam entre si, cochichos e risinhos me informaram que o assunto não era apropriado para o horário.

—O assunto parece estar bom. – brinquei vendo as três se sobressaltarem. Assim que os semblantes foram esvaídos do susto, eles se preencheram com a malícia.

Bree, Claire e Lucy, formavam o trio mais engraçado de todo o escritório. Elas vim tudo, sabiam de tudo e falavam de tudo. Conversar com elas sempre me rendiam boas risadas.

—Bella, você precisa ver o novo publicitário. – Lucy proferiu inclinada sobre o balcão. Sorrindo pressionei o dedo sobre a máquina de biometria esperando que ela captasse minha presença.

—É gostoso? – não sabia exatamente o porquê eu dava corda para as loucuras das três, mas nunca conseguia cortá-las.

Claire bufou e rolou os olhos, usando os pés impulsionou a cadeira que deslizou para mais perto de nós.

—Gostoso não define. – quase sussurrou. —É do tipo que a gente olha na primeira e goza na segunda! – se abanando com a mão, Claire derreteu na cadeira.

Aquilo me arrancou uma longa e prazerosa risada.

—Você é muito sortuda por poder trabalhar ao lado daquele tesão. – Bree cruzou os braços parecendo chateada por não estar no meu lugar.

—Bobas. – soltei me afastando uns passos. —Preciso ir meninas, já estou atrasada. Até mais. – acenei e as três retribuíram.

Elas eram realmente uma comédia.

Os corredores estavam vazios e aquilo me fez apertar o passo, se eu demorasse mais um pouco, Heidi certamente ia me estrangular.

A porta da sala de conferência estava aberta e antes de entrar no cômodo já consegui perceber que a conversa estava animada. Respirei fundo e soltei o ar com calma antes de adentrar na sala.

—Finalmente! – Embry foi o primeiro a vir em minha direção, encolhi os ombros assumindo minha culpa. Ele beijou cada lado do meu rosto antes de sussurrar em meu ouvido. —Nosso colega de trabalho é uma delícia.

Cerrei os olhos. Aquele homem devia ser mesmo um galã.

—Ah, ela chegou! – a voz conhecida de Heidi soou as minhas costas. Fazendo uma rápida oração mental, eu me virei em sua direção e estanquei. Congelei. Petrifiquei.

Edward estava parado a minha frente, ao lado da minha chefe, tão surpreso quanto eu.

—Bella, esse é o Edward, novo publicitário de criação. – Heidi murmurou sem notar absolutamente nada. —Edward, essa é a Bella, sua colega de trabalho.

Nunca acreditei em coincidência ou destino, mas aquilo ia muito além de um mero acaso.

Edward pigarrou e eu maneei a cabeça, nos livramos do impacto da surpresa juntos e o sorriso nasceu em nossas bocas em uma sincronia perfeita.

—Tudo bem? – indagou me estendendo a mão.

—Tudo ótimo. – seu toque quente me arrepiou. —Bem-vindo a Valanstain. – Edward me lançou uma piscadela e em resposta, aumentei meu sorriso.

Nós nos conhecemos e nos reencontramos em plena segunda-feira. Então quer dizer que sim, coisas boas também acontecem nesses dias.

Notas finais
E aí, o que acharam?
Vamos combinar que a Bella é sortuda pra caramba né?
Esbarra com a coisa linda do Edward e ainda descobre que ele é seu novo colega de trabalho!
Porque uma coisas dessas não acontece comigo??? hahaha
Bom meninas, espero que tenham gostado!
Nos vemos semana que vem ^^
Beijos e boa semana :*