Notas iniciais
Olá, olá, oláaa, minha gente! voltei, como prometido, em plena segunda-feira :D haha Boom, capítulo passado gerou muito aflição e preocupação, mas o de hoje está mais tranquilo.. Enfim, espero que gostem e façam uma boa leitura :*

—Hey Luz. – segurando a gatinha a minha frente, eu tinha toda a atenção dos seus olhinhos azuis. —Desculpa te incomodar tanto, mas eu precisava desabafar com alguém. – soltei o ar pela boca antes de beijar seu nariz rosado. — Sabe Luz, as coisas não têm andado muito boas para o meu lado, não. Tem muita coisa acontecendo e muita coisa mudando. Meus medos, aumentam a cada dia e fica mais difícil acreditar no que as pessoas me dizem. – quietinha, ela entortou a cabeça aproveitando o carinho que meus dedos faziam em seu coro peludo. — Andam me dizendo umas coisas bonitas, aquele tipo de coisa que eu sempre quis ouvir de alguém, mas aí, Luz, meu medo entra na história e me impede de acreditar. – engoli a seco antes de continuar. — Ás vezes, Luz, eu tenho vontade de sair por aí gritando e pondo para fora tudo o que me sufoca, mas eu tenho medo do que as pessoas possam pensar disso. – soltei um riso amargo. —Esses dias, me disseram que eu sou insegura e talvez essa tenha sido a maior verdade que eu já ouvi. Tem gente que me conhece mais do que eu mesma, Luz, e em certo ponto isso me machuca. – abaixei os olhos por um segundo, antes de prosseguir. — Tiveram coragem até para me dizer que eu tenho medo de me expor, vê se pode, Luz, precisar ouvir de alguém uma coisa dessa para colocar a mão na consciência. – entreabrindo os lábios, enchi meu pulmão de ar. —Eu sempre soube disso, Luz, mas não sabia que as pessoas percebiam tanto assim. Tive vontade de gritar que sim, eu tenho medo de me expor e ser julgada por minhas atitudes, ou pela falta delas, medo de que me apontem o dedo... – parei por um momento, com a voz embargada. — São tantos medos, Luz, tantos que eu nem sei como cabem todos em mim. – apertei os lábios. —Eu que sou tão pequena, guardo em mim tanta coisa que estou a ponto de explodir. – soltei o ar pela boca. — Talvez seja bom que isso aconteça, talvez isso me faça mudar, Luz. – com os olhos azuis bem abertos, ela ainda me fitava atenta. —Já está na hora de viver a minha vida sem dar a mínima para os meus medos e para o que as pessoas possam dizer. – dizer tudo aquilo, havia me aliviado um pouco e o suspiro que escapou por meus lábios refletiu exatamente aquilo. —Um dia, Luz, eu vou conseguir dizer tudo o que já aconteceu, sem restrições, sem travas. – mordiquei meu lábio inferior, antes de beijar a cabecinha coberta de pelos brancos. —Mas, enquanto isso, eu vou continuar aqui, Luz, correndo para você, porque tem vezes que só você e esse seu silêncio conseguem me entender.

Ela soltou um miado baixo quando a acomodei em meu ombro. Sorri abraçando-a com cuidado. Às vezes, eu sentia mesmo que ela me entendia e respondia.

Duas batidas na porta chamaram minha atenção, abaixando Luz e a acomodando em meu colo, limpei meu rosto antes de permitir que quem quer que fosse, entrasse em meu quarto.

—Sou eu. – a figura de Rosalie apareceu um pouco depois que a sua voz. Tomei ar pela boca e lhe exibi um sorriso nervoso, observando-a fechar a porta com cuidado. —Vim ver como você está. – parou a minha frente, as mãos se uniram em um entrelaço de dedos e sua postura era bastante leve.

Mesmo assim, não deixei de me sentir envergonhada e culpada. Não queria que Rosalie tivesse presenciado todo tormento que fora aquela noite e pior ainda, queria muito menos ter praticamente dito a Alice que Edward e ela eram irmãos. Tinha medo de imaginar o que ela estava pensando de mim por ter colocado seu irmão em tantos problemas.

—Estou preocupada. – assumi alisando o corpinho de Luz. —Alice não deveria ter ficado sabendo de tudo daquele jeito.... Edward deve estar me odiando.

Rosalie soltou um riso baixo, antes de sentar ao meu lado.

—Edward te odiando? – perguntou apoiando a mão em minhas costas. —Isso é meio impossível. – completou voltando a rir baixinho. —E quer saber o que eu acho? – indagou e eu tive de olhá-la. —Acho que Edward já estava perdendo a coragem, enrolando muito para contar tudo para Alice, sabe? – sua mão subia e descia por minhas costas. —Tenho certeza que eles vão se acertar.

Inalei o ar com força antes de soltá-lo pela boca. É, aquilo era tudo o que eu queria. Depois de ter falado mais do que devia sem ter reparado que Alice estava por perto, eu vi mais um circo se formar. E para variar, a culpa era minha.

—Eles ainda não voltaram? – perguntei a ela, olhando-a por baixo dos cílios.

—Não. – Rosalie negou com a cabeça. —Mas eles tem muito o que conversar, é normal que demore um pouco. – quieta assenti com a cabeça.

Enquanto nós voltamos para minha casa, Edward convocou Alice para uma conversa séria e franca. Ela, obviamente, ainda estava perdida e confusa, mas não recusou seu pedido.

—Rosalie... Eu sei o que você deve estar pensando de mim. – tomando coragem, pronunciei aquela palavras rapidamente.

—Sabe? – indagou levemente divertida.

—Sim. – confirmei voltando meus olhos para ela. —Que eu sou covarde por não ter denunciado Jacob, que eu deveria ter confiado em Edward e lhe contado o que estava acontecendo, mas...

—Bella, a única coisa que eu acho, é que essa situação é bem difícil para você. – olhando em meus olhos, ela me interrompeu. —Seria muito fácil se eu sentasse aqui e começasse a te julgar. – respirando fundo, ela fez uma pausa. —Claro que, o que aconteceu e está acontecendo é muito grave, e na minha opinião, a polícia deveria estar envolvida, mas se você não se sente confortável e acha melhor não prestar queixa, é a sua decisão. – seus orbes refletiam sinceridade. —Não posso dizer que no seu lugar faria diferente, porque eu realmente não sei. É muito fácil pedir para alguém ter coragem e dizer o que ela deve ou não fazer, mas a gente só sabe a dor que a ferida causa quando ela está marcada na nossa pele. Fora disso, a gente imagina, ou no máximo entende. – soltando o ar pela boca, ela abriu um sorriso leve. —Acho que se alguém estivesse ameaçando Emmet, eu agiria da mesma forma que você. – ouvir aquilo me fez um bem enorme. —Porque eu jamais iria arriscar a vida dele.

Soltei um suspiro aliviado, erguendo a mão e limpando o canto dos meus olhos, antes de puxá-la para um abraço.

—Obrigada por isso. – agradeci com o queixo apoiado em seu ombro.

—Não precisa agradecer. – seus dedos alisavam meu cabelo. —Olha, essa situação tá ficando cada vez mais perigosa, Bella. Você acha que pode lidar com isso sozinha?

—Não. – assumi quando nos afastamos. —Eu sei que fugiu do meu controle.... – parei soltando um riso amargo. —Aliás, nunca esteve dentro do meu controle.

—Então. – Rosalie afagou meu braço. —Aceitar ajuda não te parece viável?

Eu sabia exatamente do que ela estava falando. E a verdade é que ouvindo aquilo dela, de uma maneira tão leve, tão livre de acusações, me deixou mais à vontade.

—Só não quero que as pessoas me julguem.

—Bella, elas vão te julgar de qualquer jeito. – sua mão pegou a minha. —Com motivos, sem motivos... Sempre vai haver julgamento. – apertando os lábios, a olhei receosa. —Mas essa é a questão. Não se importe, porque as pessoas que te julgam, não merecem sua consideração e se você não as consideram, elas passam a ser insignificantes. – ela respirou fundo e carinhosamente, passou o braço por meus ombros. —Eu sei que você está sofrendo, e de certa forma tudo o que desconversa com nosso estado de conforto, nos faz sofrer. Mas é isso que nos faz ser fortes também. – encostei a cabeça em seu ombro, ouvindo seus conselhos. —Então use tudo isso a seu favor. Eu sei que você vai superar e vai sair dessa.

Fechei os olhos por um momento e aproveitei o conforto que estava sentindo. Era estranho, mas ter desabafado com Rosalie, havia me feito muito bem. Talvez, fosse o jeito leve e livre de acusações que ela usara que me deixara assim.

—Você tem razão. – murmurei voltando a sentar direito. —Eu tenho que acabar com isso. – limpei o rosto com as mãos, antes de segurar Luz e a colocar sobre minha cama. —Preciso dar um jeito nisso. – me colocando de pé, alisei o pano escuro da minha calça, removendo assim alguns pelinhos brancos que haviam ficado grudados.

—O que você vai fazer? – ela me fitava meio confusa.

—Vou a delegacia. Quero prestar queixa contra Jacob. – fazia um bom tempo que a minha voz não saia tão decidida e firme, como saiu quando pronunciei aquela frase.

Um sorriso satisfeito e orgulhoso acendeu o rosto de Rosalie que instantaneamente se colocou de pé. Durante todo o tempo que levamos até descermos para o piso principal, Rosalie não poupou palavras para me dizer o quanto estava orgulhosa de mim. Ela sabia que aquilo não era algo simples e entonava bastante minha atitude. Não posso negar, aquilo me fazia muito bem.

—Vai sair? – Renée perguntou assim que me viu com a bolsa no ombro. Erguendo o queixo, olhei para cada um dos quatro que estavam sentados à mesa. As coisas estavam mesmo fora do lugar. Começando por minha mãe, completamente pirada, que agora estava mais séria do que nunca esteve em todos os seus anos de vida. Phil, a presença paterna mais forte que eu já tive na vida, compartilhava com ela o mesmo semblante preocupado e era difícil lembrar daquele cara brincalhão e despreocupado de antes. Mas ao lado, Embry não refletia aquela leveza de sempre e Vladmir, assumira uma postura dura, bem diferente do seu jeito doce e meigo.

Soltei o ar pela boca. Aquilo sim era culpa minha, porque eles se preocupavam comigo e tudo o que eu fiz, foi dar mais corda para aquele tormento.

—Bella decidiu ir à delegacia. – Rosalie respondeu, perante ao meu silêncio. —Ela quer denunciar Jacob a polícia. – seu braço passou por meu ombro e olhando-a rapidamente, lhe ofereci um sorriso amigável.

—Isso é sério? – deixando a xícara de café sobre a mesa, Renée se colocou de pé.

—Sim, mãe. É sério. – confirmei e observei com prazer, sua alegria diante ao fato.

—Mas isso é muito bom! – exclamou vindo até mim e me puxando para um abraço.

Retribuí prontamente, fechei os olhos passando meus braços por suas costas e aproveitando o aconchego que só o abraço de mãe transmite.

—Muito bom nem chega perto... Isso é esplendido, baby. – quando voltei a abrir os olhos, Embry estava parado ao nosso lado. O sorriso em sua face era largo. —Estou orgulhoso de você.

—Todos nós estamos. – Phil completou me lançando uma picadela. Soltei um risinho antes de inalar o ar com força.

—Vlad, você me leva até lá?

—Com todo o prazer, Petit. – se prontificou no mesmo segundo.

Senti o ar quente aquecer meu peito e se expandir por meu corpo em um arrepio gostoso. Eu era uma pessoa muito sortuda e era uma pena ter ficado tão “cega” para isso nos últimos tempos.

Quando você começa a lamentar e lamentar, acaba se esquecendo de agradecer. Coisas ruins acontecem com pessoas boas todos os dias, mas o que as distingue é o modo com que cada uma enfrenta isso. E enxergar só o que você perdeu e não o que você ainda tem, não é um bom jeito.

—Esperem. – Embry pediu quando estávamos prestes a sair do meu apartamento. —Não seria melhor a Bella ir acompanhada por um advogado? – sua pergunta deixou a todos pensativos.

—Onde eu vou encontrar um advogado a essa hora? – indaguei erguendo o braço e fitando meu relógio de pulso. —É quase meia noite.

—Você não tem um advogado? – Rose questionou sua mão ainda repousava na maçaneta da porta.

—Não, nunca precisei de um. – ela riu levemente da minha resposta, que admito, soou até meio infantil.

—Acho que eu posso ajudar. – voltou a falar, após mordicar o lábio inferior. —Renée eu ia ligar para Edward e avisar o que está acontecendo, mas vou ter que ligar para o me advogado, será que você pode ligar para o meu irmão?

—Claro. – Rosalie nem precisou terminar a frase que minha mãe já estava retirando o celular da bolsa e discando o número de Edward.

Rose abriu a porta com certa dificuldade, visto que ela discava constantemente em seu celular. Nós saímos do meu apartamento e daquela vez, aguardamos o elevador com paciência.

Não posso negar, estava ansiosa e meio nervosa, mas nada se comparava a minha vontade de pôr um fim em tudo aquilo.

—Bella? – Embry chamou enquanto esperávamos Vladmir buscar o carro no estacionamento. Ergui os olhos até ele, lhe dando minha atenção. —Você não acha meio estranho a sua cunhada ter um advogado aqui em Nova York? – ele perguntou lançando alguns olhares para Rosalie, que falava no celular, um pouco afastada de nós.

Mordi o canto da minha boca, refletindo diante sua questão.

—É, é meio estranho. – confirmei pondo o cabelo atrás da orelha.

—Será que é um advogado criminalista? – voltou a questionar, dessa vez, me fazendo rir.

—Porque Rose ia ter um advogado criminalista, Embry? – cruzando os braços, eu o encarei. Dando de ombros, ele apenas arrumou a gola do seu paletó.

Nós encerramos o assunto, quando ela desligou o celular e veio em nossa direção.

—Meu advogado vai nos encontrar no One Police Plaza, em vinte minutos. – informou satisfeita. —Ele não é especialista nesse tipo de caso, mas vai procurar um colega para te auxiliar. – contou pondo o celular dentro da bolsa.

Maneando a cabeça eu assenti, buscando palavras que fossem capaz de lhe agradecer. Não somente a ela, mas a todos os outros.

Ali, parada no meio do passeio do meu prédio, pela segunda vez na noite, encarei aquelas pessoas a minha frente. Eram as melhores do mundo... Li certa vez em um livro que certas pessoas são como estrelas. Sim, estrelas. Estrelas que brilham todo dia, a toda hora. Estrelas que te orientam, te iluminam mesmo nas noites mais sombrias. Estrelas que te fazem acreditar que amanhã será um novo dia e o sol estará mais forte que antes. Estrelas que dizem tudo o que precisa ser dito, mesmo sem falarem, e no silêncio delas você compreende que elas estarão sempre ali, mesmo quando as noites forem sombrias e você não puder vê-las, você sabe que em algum lugar elas estarão torcendo por você. As estrelas são como nenhum outro ser. Elas têm a capacidade de te fazer feliz só por estar contemplando-as. Estrelas, para chamar de suas, não são tão fáceis de encontrar, mas uma vez que você as encontra você passa a ter tudo; mesmo quando tudo o que você tem são elas. Estrelas também têm esse poder: elas te fazem companhia quando o resto do mundo parece ter te esquecido. Elas conseguem te completar e suprir a necessidade que você tem de ter alguém por perto.

Soltei o ar pela boca recostando a cabeça no ombro da minha mãe. Seus dedos alisaram meu cabelo e um segundo depois, sua boca deixou um beijo carinhoso em minha testa. Do meu outro lado, Rosalie mexia no celular concentrada, mas hora ou outra, me lançava um sorriso reconfortante.

Mais ao lado, Embry e Vladmir conversavam entrosados em uma intimidade ímpar. Eu já desconfiava que algo estava acontecendo entre eles e se ainda existia alguma dúvida, ela se dissolveu naquela noite.

—Trouxe um café para vocês. – erguendo a cabeça, vi Phil se aproximar segurando de um jeito meio desastrado, alguns copos de café expresso. Ele estendeu um a minha mãe, depois outro em minha direção e o último, foi dado a Rosalie.

—Obrigada. – nossa voz se misturou em meio ao agradecimento.

Estávamos em um corredor longo, largo e bastante claro. Havia janelas grandes cobertas por persianas antigas e antiquadas, todas fechadas. Engoli a seco, me perguntando em qual delas eu ia entrar para dar meu depoimento.

Mordisquei o canto da boca, antes de tomar um gole do café, o líquido quente desceu cauterizando minha garganta. Meus olhos foram até o relógio preso na parede branca. Quase uma da manhã. E nada deles aparecerem.

Por mais que o momento fosse de extrema importância para Alice e Edward, eu os queria do meu lado. Eu precisava deles comigo.

—Isabella? – a voz rouca ecoou pelo ambiente. Erguendo a cabeça, vi Jenks, o advogado de Rosalie, parado logo a frente. —Pode me acompanhar? A delegada vai te ouvir.

Meu coração pulou uma batida e então, disparou batendo loucamente dentro de mim. É, estava na hora.

—Claro. – minha voz falhou um pouco, contudo, saiu firme.

—Quer que eu te acompanhe? – Renée perguntou, assim que eu me coloquei de pé.

—Não precisa, mãe. – sorri lhe entregando o copo com café. —Eu consigo.

O sorriso que apareceu em seu rosto, emitiu vários sentimentos, sobretudo, orgulho. E aquilo me deixou ainda mais decidida. Recebi um abraço apertado de cada um deles o que só me deixou ainda mais forte.

Jenks, abriu a porta da sala e deixou que eu entrasse primeiro no ambiente quieto e frio. O lugar formal não me passou despercebido. Não havia muita cor, na verdade, era tudo branco e cinza. E a luz florescente só entonava os tons neutros.

Sentada atrás da mesa comprida, onde estava o computador branco, a mulher de pele morena e cabelos absurdamente negros sorriu para mim. Ela era jovem, não deveria ter mais de trinta e cinco anos. Parada a sua esquerda, havia outra mulher, mais baixa e mais com curvas arredondadas, ela era mais velha, o cabelo encaracolado e grisalho, deixava isso nítido.

—Isabella Swan? – a mais nova perguntou apoiando os braços sobre a mesa.

—Isso. – confirmei pigarreando levemente.

—Sente-se. – pediu indicando as cadeiras a sua frente. —Sou Claire, é um prazer te conhecer. – ela me ofereceu a mão quando me sentei e prontamente, aceitei seu cumprimento.

—O prazer é meu Claire. – arrumei a postura, vendo de soslaio Jenks sentar na cadeira ao meu lado.

—Essa é Cora, minha escrivã. – indicando para a mulher, ela apresentou. Cora acenou em minha direção antes de se sentar na mesa menor e mais ao lado, onde havia outro computador. —Pode ficar tranquila, que estamos aqui apenas para te ajudar. – proferiu séria, mas com uma calma reconfortante. —E então, pode me dizer o que está acontecendo?

Falar sobre aquilo ainda doía. Doía muito, para falar a verdade. Era como se eu estivesse arrancando a casca de uma ferida e a mesma voltasse a sangrar, por outro lado me trazia uma leveza tão grande.... Era realmente uma faca com dois gomos.

Nervosa, é claro, comecei a relatar todo o ocorrido para a Claire tomando cuidado para não deixar escapar nenhuma informação. Seus olhos ficaram nos meus durante todo o tempo e em nenhum momento, eles pareceram me julgar. Aquilo realmente me surpreendeu, de uma maneira boa, é claro.

Ela fez algumas perguntas, mas nenhum tom acusatório delineou sua voz. Sentia que ela realmente só queria me entender e me ajudar. E eu me abri, mesmo sangrando, mesmo doendo, aceitei aquilo.

—Você não quis procurar a delegacia antes? – indagou tomando um pouco da água que estava dentro do copo de cristal.

—Não, eu fiquei com medo de ser julgada e... Bom, a senhora sabe como é a sociedade...

—Eu sei. – confirmou maneando a cabeça. —E entendo seus medos, não é uma situação fácil. – soou compreensiva. —Mas é muito perigosa, você tem noção, não tem? – soltei o ar pela boca, confirmando em um aceno. —É muito bom que você tenha procurado ajuda. Nós vamos cuidar disso para você. – soltei um suspiro aliviado. —Cora? – virou o rosto chamando a escrivã.

—Sim?

—Pode ir até a sala dos meninos e pedir para que Joe e Vincent venham até aqui? – a mulher sorriu levemente antes de assentir com a cabeça e sair da sala. —Como eu disse, pode ficar tranquila, que iremos cuidar disso para você.

—Obrigada. – lhe agradeci, erguendo os ombros que estavam bem mais leves.

Ela voltou a estender a mão para mim antes de liberar minha saída da sala. Jenks se levantou apenas para abrir a porta e me dizer que ainda precisava resolver algumas coisas com ela, antes de falar comigo.

Aliviada, eu tinha a sensação de estar andando nas nuvens. Como era bom enxergar uma luz no fim do túnel, após tanto tempo.

—Lá está ela! – a voz de Renée se sobressaiu a todas as outras e erguendo a cabeça, encarei as pessoas a minha frente. Minha mãe, Phil, Rosalie, Embry, Vladmir... Mas não me passou despercebido a presença dos dois que estavam faltando.

Alice e Edward.

—Como foi tudo?

—O que resolveu?

—Jacob vai ser preso?

As perguntas foram disparadas em minha direção em uma velocidade que eu mal consegui identificar quem as pronunciou. Maneei a cabeça e esfreguei a mão no rosto, antes de tentar ouvi-los.

—Foi tudo certo, a delegada foi bem paciente e compreensiva... – inalei o ar com força. —Disse que vai cuidar disso e que tudo vai ficar bem. – mordiquei meu lábio inferior antes de continuar. —Jenks está conversando com ela, disse que depois vem falar comigo.

Cada um ali reagiu de um modo diferente, mas é claro que o alívio reinou em todos.

—Bella... – Alice me chamou ao se aproximar, abaixei os olhos por um momento, sem deixar de me sentir envergonhada. Os olhos estavam um pouco avermelhados, sinal de que ela havia chorado, mas não me pareciam tristes. —Estou orgulhosa de você. – esticando os braços, ela me ofereceu seu abraço. O qual eu aceitei prontamente.

Apoiei a cabeça em seu ombro, apertando-a com força e carinho. Ah, como era bom aquilo. Como era bom sentir todo o amor e carinho que a minha melhor amiga, irmã, me oferecia.

—Me desculpe por...

—Shi... – soltou antes de beijar minha bochecha. —Depois conversamos sobre isso. – suas mãos afagara meu rosto. —Está tudo bem.

Seu sorriso grande e sincero me fez suspirar profundamente. Pelo menos ela não estava com raiva de mim, ou algo do tipo.

Um pigarro alto soou bem próximo e me fez desviar os olhos até a direção do som. E então lá estava ele. Edward. Seu rosto lindo exibia o sorriso torto que encantava mais que um arco-íris no fim de tarde, os olhos tão brilhantes, que conseguiam iluminar mais que as estrelas lá do céu, estavam fixos em mim. O sorriso nasceu em minha boca instantaneamente, era uma coisa de doido, mas Edward tinha o dom de me fazer sorrir. Ele correu a mão por seu lindo cabelo dourado que me pareceu extremamente macio, mordeu o lábio inferior deixando-o ainda mais vermelho. Alguém deveria proibi-lo de fazer aquilo.

—Que noite, hein? – indagou soltando um risinho leve e descontraído.

—Bom... – Alice soltou o ar pela boca, dando um passo para trás. —Vou tomar um pouco de água. – e então se afastou, indo para junto do pessoal que se afastaram consideravelmente de nós.

—Edward, eu preciso que você me desculpe...

—Não. – me interrompeu, se aproximando um passo de mim. —Eu não tenho que te desculpar por nada. – tirando as mãos dos bolsos, ele as entendeu em minha direção e logo, seus dedos capturaram os meus.

Um arrepio lento subiu por meu braço eriçando meus pelos.

—Na verdade, eu que preciso me desculpar com você. – cerrei os olhos, sem entender o motivo. —Falei coisas que não devia e acabei agindo no impulso... Mas é que só de pensar que aquele imbecil esteve perto de você de novo eu fico maluco.

—Está tudo bem. – soltei uma das suas mãos para tocar seu rosto. —Isso está acabando. Jacob não vai mais nos importunar, tenho certeza. – seu sorriso se misturou com o meu. —Mas e você e a Alice? – questionei mudando de assunto. —Eu juro que não fiz por mal, juro mesmo...

—Amor, esquece isso. – pediu carinhoso. —Você não teve culpa e além do mais, nós conversamos e acho que nos entendemos.

Mordendo meu lábio inferior eu o fitei por um longo momento.

—Vocês estão bem?

Edward respirou fundo, virou a cabeça e olhou para Alice por cima do ombro. Ela e Rosalie conversavam tranquilamente.

—Vamos ficar. – me lançou uma piscadela divertida. —Certeza que já ouviu isso mil vezes, mas eu preciso dizer que estou orgulhoso de você.

—Está? – perguntei me aproximando mais dele. Assentindo com a cabeça, ele passou os braços por minha cintura.

—Muito. – beijou minha testa. —E isso só me faz te amar mais. – suas palavras foram tão intensas e sinceras que eu precisei respirar fundo várias vezes para poder lhe dar alguma resposta.

—Eu também te amo. Cada dia mais. – meus dedos fizeram o contorno da sua boca. A vontade de beijá-lo já me consumia por dentro.

—Com licença. – o tom grave de Jenks se fez presente e meio sem jeito, me virei para olhá-lo. Seu semblante satisfeito deixava claro que ele tinha boas notícias.

Edward continuou abraçando minha cintura, beijou meu ombro e me manteve protegida dentro do seu abraço. Renée logo se postou ao meu lado, Phil se uniu a ela um segundo mais tarde. Alice e Rosalie também se aproximaram, seguidas por Embry e Vladmir.

—Vai ser expedida uma medida protetiva para você, onde Jacob é proibido de se aproximar da sua casa ou qualquer outro local de convivência, também há uma fixação de limite mínimo de distância em que ele fica proibido de ultrapassar em relação à você e a suspensão da posse do porte de armas.

Tive de repassar suas palavras com calma, para compreender tudo perfeitamente. Aquilo mais parecia um sonho. Era bom demais para ser verdade.

—Jacob vai ser intimado para depor e o colega para quem eu passarei seu caso, vai abrir um processo e pedir pela prisão, ao menos preventiva dele.

Ah, não... Aquilo não era um sonho. Era a mais pura realidade. E uma realidade tão doce, mais tão doce que eu não conseguia parar de saboreá-la. Finalmente sentia que as coisas estavam dando certo.

Edward me abraçou apertado e depois, cada um dos outros. Eu não conseguia parar de sorrir e me sentir vitoriosa.... Aquilo era tão bom! E eu devia muito a elas. As minhas estrelas. Estrelas que me fazem ser a pessoa mais feliz do mundo.

Um céu estrelado é como uma vida de amizade. Não importa se você tem uma, dez ou cem estrelas no seu céu, o que importa de verdade é a intensidade do brilho que elas trazem a sua vida.

Eu, você, nós, o mundo precisa de estrelas. Os dias e, sobretudo, as noites precisam de estrelas. E até mesmo as estrelas precisam de estrelas.

Sozinhas elas não brilham, juntas elas resplandecem.

Notas finais
Finalmente ela foi a delegacia o/ o/ o/ Gente, pra quem entende desse assunto de liminar, justiça e blá, blá, blá, me perdoem se tiver algo errado, porque eu sou completamente leiga perante o assunto. Enfim, é isso gente, nos vemos em breve! Mil beijos, até mais :*