Segunda-Feira
24 A luz da minha vida
Notas iniciais
Eu estava me sentindo feito um bicho acuado pelo predador e a cada passo que eu dava em direção aquela sala estranha, mais meu coração batia disparado.
Engoli a seco, meus olhos saíram da porta entreaberta e fitaram o piso laminado do chão claro. Respirei fundo. Uma, duas, três vezes.
Se acalme, vai dar tudo certo.
Tentei me assegurar, sem muito sucesso.
Eu sabia que aquilo não era nada de mais, no entanto, era um passo muito difícil para mim. Me abrir com alguém estranho, não me parecia uma coisa muito boa... Ainda mais, quando o assunto tratado era tão perturbador.
Após aquela aparição assombrosa de Jacob, senti que toda minha progressão em superar o acontecido, regredira um pouco. O estresse começou a me dominar, unido a ansiedade e o medo, que já estava se tornando uma paranoia. E é claro que as pessoas a minha volta repararam nisso.
Alice, Edward, Embry, Renée... Todos estranhando meu comportamento insensato. Mas eu não podia culpa-los, afinal, bastava alguém se aproximar de mim pelas minhas costas, que eu me sobressaltava, sem contar os pesadelos que voltaram a me perturbar e as conferidas exageradas que me garantiam se não havia ninguém me seguindo.
Não queria agir daquela maneira, não queria ser aquela pessoa paranoica que todos encaravam com pena e certo receio, e era exatamente por isso, que eu havia concordado em procurar uma terapeuta.
—Olá, boa tarde. – a voz doce e aparentemente amigável, me obrigou a erguer a cabeça. Então eu quis me socar por estar andando de cabeça baixa, porque isso me impediu de medir a distância que eu colocaria entre a mulher a minha frente e eu. Sem jeito, dei um passo para trás, vendo-a abrir um sorriso divertido.
—Boa tarde. – minha voz vacilou um pouco.
—Entre. – pediu me dando passagem para a porta. —Seja bem vinda e sinta-se à vontade. – murmurou enquanto eu entrava temerosamente na sala.
O ambiente de tom amarelo claro me recebeu com um leve perfume de lavanda. Uma música baixinha, quase imperceptível soava pelo local, arejado e muito limpo. Havia duas poltronas grandes e convidativas, uma de frente para outra, e entre elas, uma mesinha baixa e estreita, onde repousava dois belos vasos de violeta. Um grande tapete de pelos se estendia até o aquário charmoso, uma luz de fundo iluminava os peixinhos coloridos que nadavam de um lado para o outro. Não contive o sorriso ao ver os animaizinhos serelepes.
—Pode sentar. – o tom suave ecoou pela sala e com um suspiro profundo, fiz o que ela me pedira.
Me acomodando na poltrona creme, não deixei de observar a mulher desconhecida a minha frente. Ela deveria beirar os sessenta anos, era alta e ostentava belas curvas, apesar do sobrepeso. O cabelo dourado parava nos ombros, o liso perfeito se quebrava apenas das pontas, onde as mesmas se curvavam para dentro. O óculos grande que não ocultava o brilho dos belos olhos cor de mel, era meramente coberto pela franja curta, a qual combinava bastante com seu rosto redondo.
Ela era uma mulher elegante, e isso começava a ficar evidente em sua maquiagem discreta e ia até suas roupas de cortes finos. Ela usava uma saia longa, em tom pastel, da blusa branca se via pouco, pois um casaco de cor bordo completava sua vestimenta.
—Então, Isabella...
—Só Bella. – pedi e um segundo depois, senti meu rosto corar. —Desculpe, não quis interrompe-la.
—Está tudo bem, Bella. – corrigiu abrindo um sorriso terno. —Meu nome é Gwendolyn, mas pode me chamar de Gwen. – confirmei com um aceno de cabeça, cruzando as pernas e chacoalhando meu pé em um movimento repetido. —Você está nervosa?
—Um pouco. – fui sincera.
—Não precisa ficar assim, vamos apenas conversar. – o dedo longo arrumou os óculos sobre o nariz reto. —Eu estou aqui para te ajudar, você tem consciência disso, não é?
—Tenho sim. – quis me socar por estar dando respostas tão curtas, mas não sabia exatamente como eu poderia responder.
—Você é uma moça muito bonita. – seu elogio me pareceu bastante sincero. —Qual a sua idade?
—Obrigada pelo elogio, tenho vinte e seis anos.
—Por nada. – se endireitou na poltrona, me fitando atentamente. —E você estuda, trabalha?
—Só trabalho, já concluí os estudos.
—Suspeitei. – soltou um risinho leve. —Trabalha com o que? Me conte mais sobre você.
Se tinha algo que em que eu realmente era péssima, é em falar sobre mim. Falar o que? O que eu faço? O que eu sou... Ou como eu acho que sou?
—Eu sou coordenadora de projetos em uma empresa publicitária... A Valanstain, não sei se você conhece...
—Conheço sim... Aliás, quem é que não conhece a tão comentada empresa publicitária que ocupa alguns andares do Empire State? – sua afirmação me fez rir baixo.
—Pois é... – soltei um suspiro, sentindo meus músculos começarem a relaxar.
—E pelo sorriso que abriu ao falar sobre seu emprego, julgo que gosta de trabalhar lá.
—Eu realmente amo. – proferi rápido. —O local, as pessoas, a empresa... É tudo incrível, sabe? – com um aceno de cabeça, ela concordou.
Gwen então, abriu um leque de perguntas sobre minha vida profissional, o que fez com que eu fosse relaxando cada vez mais. O tema tratado, me deixava bem à vontade, porque eu não conseguia listar um ponto negativo quando se tratava do meu emprego. Aos poucos, ela foi adentrando em minha vida particular, perguntou sobre minha família e deixou que eu explicasse calmamente sobre Renée e sua vida aventureira, seu namoro com Phil, a forma que ela me criara e o abandono paterno que sofri. Alice não ficou de fora, porque ela era parte da minha família também, assim como meus outros amigos, como Embry e Vladmir. Mas foi quando mencionei meu namoro com Edward, que o sorriso ficara ainda mais largo em meu rosto.
—Estão juntos a quanto tempo?
—Quase dois meses... Eu sei que não é muito tempo, mas ele é muito importante para mim.
—Sim, eu posso ver. – Gwen sorriu. —Dá para ver que está apaixonada, você expressa amor em cada gesto, quando fala dele.
Aquilo me deixou meio sem jeito, abaixei o olhar rapidamente, pondo meu cabelo atrás da orelha e sorrindo de canto.
—Ele me faz muito bem, eu o amo muito.
—E ele certamente a retribui. – aquilo não foi uma pergunta, mas senti que deveria confirmar.
—Retribui de uma forma que eu jamais sonhei em receber, entende? – seu aceno de cabeça se uniu ao sorriso em sua face. —Edward faz com que eu me sinta a mulher mais amada e especial do mundo... Única. Ele faz com que eu me sinta única.
Gwendolyn pareceu se sentir bastante contente com minha afirmação, era estranho, eu a conhecia a menos de uma hora, mas já estava me sentindo à vontade com sua presença.
—É realmente muito bom amar assim. – concordei com a cabeça. —Diante de tudo que você me contou, sobre sua família, eu relacionamento, seu trabalho, encontrei poucas pontas soltas... – avaliou mais séria, contudo, ainda doce. —Eu poderia dizer que sua vinda até aqui se trata por conta de todo o estresse que seu trabalho lhe causa, porque você ocupa uma posição importante dentro da empresa. – parou por um segundo, voltando a arrumar os óculos no rosto. —Mas pelo visto, você se ajusta muito bem a isso e até parece gostar. – soltei um riso leve, sem discordar.
Sim, eu realmente gostava de toda a pressão e estresse que a Valanstain me causava.
—Outro fato que me chamou a atenção, foi o abandono paterno, no entanto, tudo o que disse sobre sua mãe, deixou bem claro que ela supriu toda a necessidade e carência que você poderia sentir... – Gwen narrou com certeza, aqueles fatos. —Desde o momento em que te vi caminhando até minha sala, eu a achei muito nervosa, aflita e até temerosa... Pensei que me contando sobre sua vida profissional e pessoal, fosse descobrir algum trauma, ou algum acontecimento que te marcou, porém isso não aconteceu. – ela respirou fundo, os olhos presos nos meus. —Então, porque não me diz o motivo que te trouxe até aqui?
Ah, o motivo... Porque a gente tinha que ir para aquele caminho tão danoso e escuro? Porque não ficávamos falando sobre minha família ou meu emprego?
—Bella, não precisa ter medo de se abrir comigo. – sua voz saiu mais suave. —Não estou aqui para te julgar, independente do que tenha para me dizer.... Só quero entender você e te ajudar a sair dessa fase ruim.
Minha respiração saiu profunda, abri a boca e a voz não saiu. Puxei o cabelo para o lado, enquanto buscava as palavras certas para serem ditas. Eu sabia que precisava me abrir, até porque se eu não o fizesse, não ia ter a melhora que buscava.
—Pode confiar em mim, nada do que me disser nessa sala, vai sair daqui.
—Eu sei, confio em você... É só que.... É meio difícil falar sobre isso. – confessei abaixando os olhos. —Mas vamos lá.... – tomei fôlego pela boca, como se fosse uma grande dose de coragem. —Fiquei presa em um relacionamento por dois anos, eu não o amava, mas também não o odiava... Entende? – a olhei por meros segundos, apenas para receber seu aceno de cabeça. —Ele não se dava bem com a minha mãe e eu vivia em um conflito horrível, porque de um lado estava a minha mãe e do outro, o homem que eu pretendia me casar. – parei por um segundo, pigarreando. —As pessoas próximas a mim, me diziam que tinha algo errado... Que ele me controlava, gritava comigo, era possessivo demais.... Só que eu não conseguia ver. É como alguém que passa muito tempo no escuro e se acostuma com a escuridão.
Quando parei de falar, o silencio reinou entre nós. Sabia que ela não ia se pronunciar enquanto eu não concluísse meu raciocínio. Não sabia se aquilo era bom ou ruim, no fundo eu queria que ela dissesse algo, para me encorajar, contudo, não sabia se ia conseguir prosseguir com aquilo.
—Foi então que Edward apareceu... – um mero sorriso estampou minha boca. —Ele me mostrou um lado masculino que eu não conhecia. Era educado, carinhoso, atencioso... Conheceu minha mãe e a adorou. – suspirei fitando minhas mãos nervosas sobre minhas pernas. —Ele era a luz que eu precisava. – completei. —E é claro que isso abalou meu relacionamento com Jacob. – somente em proferir o nome, senti um calafrio ruim. —Ele ficou ainda mais possessivo e... Agressivo. – engoli a seco, sentindo meu peito pesar. —O que eu fiz não foi certo, eu deixei outra pessoa entrar na minha vida, eu deveria ter posto um fim no meu noivado antes de me relacionar com outro homem, mas...
—Mas? – Gwen perguntou quando fiquei calada.
—Mas acabei me relacionando com Edward antes de terminar com Jacob. – soltei sem deixar de me sentir envergonhada. —Ele... O Jacob, havia ido viajar a trabalho e aproveitei aquele espaço para ficar com Edward. – respirei fundo buscando palavras para prosseguir. —Quando o fim de semana acabou e eu voltei para minha casa, encontrei com Jacob. Ele estava furioso porque eu não o atendi... Ele estava irreconhecível... Foi então que... Que ele me estuprou.
Aquela última palavra ecoou pela sala e horror que as sílabas transmitiam pareceu ainda maior.
—Fiquei dias com sonolência, dores no corpo, inchaço... Muitas dores no abdômen, além de náuseas, vômito frequente, queda dos cabelos, sangramento... Mas nada se compara ao tormento psicológico que se instalou em mim após o ocorrido. – apertei os olhos, tentando diminuir o ardor em meus olhos. —Apesar de todo o apoio e amor que as pessoas que eu amo me dão, me sinto perdida, meio sem rumo... É como se aquela Isabella de antes tivesse perdido a essência e restasse apenas a casca. – engoli o nó que havia fechado minha garganta. —Uma casca frágil, que vive atormentada por pesadelos e um medo fora do comum.
—Jacob está preso?
—Não, eu não dei parte. – seu suspiro saiu longo, após minha resposta.
—Ele voltou a procurar você? – estava pronta para negar, quando parei.
—Só uma vez, quando terminei de vez com ele. – suspirei erguendo a mão e limpando a lágrima que correu por minha bochecha. —Mas há uma semana eu o peguei me observando... De longe, mas estava.
Ainda de olhos baixos, eu a vi se levantar, contundo, me mantive calada.
—Você não quis prestar queixa na delegacia ou ele te ameaçou? – ela perguntou parando a minha frente e me estendendo um copo cheio de água. —Tome, vai te fazer bem. – disse quando eu a olhei.
Respirando fundo, peguei o copo de sua mão, bebericando um pouco da água gelada.
—Eu não quis ir à delegacia. – Gwen voltou a se sentar à minha frente. —Afinal, o que eu ia dizer aos policiais? Que eu traí meu noivo e ele abusou de mim? – questionei envergonhada. —Eles só iam ter certeza de que o que Jacob fez comigo, foi merecido.
Gwen respirou fundo, retirou os óculos do rosto e massageou a têmpora com as pontas dos dedos.
—Me sinto muito infeliz por dizer isso, mas já tive várias pacientes que passaram pelo mesmo que você está passando, Bella. – contou fechando o óculos e o deixando sobre a mesa. —Posso dizer que em oitenta e nove dos casos, elas se sentiam exatamente como você: culpadas. – com um suspiro profundo, ela fez uma pausa breve. —Pela roupa, pelo local em que estavam, pelo modo com que agiram, etecetera... Posso dizer que, dentre essas mulheres, noventa por cento não procurou a delegacia, por medo de serem julgadas ou interpretadas de maneira incorreta, assim como você.
Tomei ar pela boca, contorcendo meus dedos, tamanho o nervosismo que sentia.
—E dentro dessa porcentagem tão grande, muitas foram assassinadas, mesmo após passarem por mim e terem uma melhora tão grande. – aquele fato me fez estancar no lugar. —E sabe o porquê? – ainda petrificada, permaneci parada, sem responder. —Porque o problema não estava nelas, assim como não está em você. – continuou com seriedade. —O problema está nesses homens doentes, que agem com covardia e abusam das mulheres. – Gwen me observou por um momento antes de continuar. —Você pode ter cometido um erro, mas nada justifica o que Jacob fez, e você precisa compreender isso. Você precisa assumir, não para mim, não para sua mãe ou para o seu namorado, mas para você mesma, que você não teve culpa nenhuma. – suas palavras ecoaram dentro da minha cabeça. —Você é a vítima. Ele é o culpado.
Você é a vítima. Ele é o culpado.
Repassei aquelas palavras inúmeras vezes pela minha cabeça, no fundo, eu sabia que Gwen estava certa... Mas porque eu não conseguia compreender aquilo?
Soltei um suspiro maneando a cabeça.
—Existem vários pontos que vamos tratar daqui para frente. – Gwen disse, assim que o horário da sessão chegou ao fim. —O principal é sim, o que houve no seu antigo relacionamento, quero muito te ajudar a passar por isso.... Você é uma mulher forte, sei que vai conseguir.
Já de pé, lhe abri um sorriso com suas palavras. Era bom ouvir aquilo.
—Posso sentir como está nervosa e amedrontada, vamos cuidar disso, para que não se transforme em uma síndrome do pânico. – sua mão afagou minhas costas com ternura. —Agora um último conselho. – parou a minha frente. —Você foi criada por uma mulher que enfrentou uma sociedade inteira, por você. Não deixe essa mesma sociedade misógina te fazer acreditar que Jacob teve motivos para fazer o que fez. – pediu afagando meu ombro. —Foque nas pessoas que te amam. Você não disse que Edward foi sua luz? – quieta, assenti com a cabeça. —Então, se agarre nessa luz, não volte para a escuridão novamente.
Tomei ar pela boca, o sorriso se abriu em meu rosto e tudo que consegui fazer, foi abraça-la. Realmente procurar ajuda, fora a melhor opção.
Quando Gwen abriu a porta e deixou que eu saísse, meus olhos varreram com ansiedade a sala de espera e não demorou para que eu o visse. Ali, sentado pacientemente num dos sofás, estava ele: Edward.
Não demorou para que seus olhos azulados viessem até mim e logo, ele se colocara de pé. O sorriso torto em seu rosto, fora rapidamente retribuído por mim.
—Oi. – murmurei baixinho, deixando que minhas mãos caíssem em sua cintura e o puxasse para mais perto.
—Oi, princesa. – respondeu beijando minha testa. —Você está bem? Como foi tudo?
—Estou bem, amor. – suspirei me acomodando em seus braços que me rodearam. —E foi tudo ótimo. – me estiquei um pouco para poder beijar seu queixo. —Ah, Gwen, esse é o Edward, meu namorado. – apresentei com satisfação. —Ed, essa é a Gwen, minha terapeuta.
Gwen, abriu um pouco mais o sorriso ao cumprimentar Edward, que foi, como sempre, um encanto.
Quando nós saímos do prédio localizado próximo à casa de Edward, já me sentia um pouco melhor, menos tensa e mais relaxada.
—Você está melhor? – Edward indagou abrindo a porta do seu carro para eu entrar.
—Um pouco. – respondi com um suspiro. —Acho que vai ser bom fazer essa terapia, Gwen me pareceu muito centrada.
—Claro que vai ser bom, amor. – ele concordou enquanto eu passava o cinto por meu corpo. —Mas agora, aproveitando que nós dois estamos de folga, eu tenho uma surpresa para a senhorita.
Estreitei os olhos, observando-o mordiscar o lábio inferior, seu semblante deixava claro que ele estava aprontando alguma.
—Surpresa, é? – indaguei cruzando os braços. —O que seria essa surpresa?
—Se seu te contar, vai deixar de ser surpresa, bebê. – se inclinando ele beijou minha boca rapidamente. —Já, já você vai descobrir. – e com uma piscadela, ele encerrou o assunto.
Mordiscando meus lábios, preferi não fazer mais perguntas, afinal, ele parecia tão animado e eu não queria estragar minha surpresa. Recostando a cabeça no banco, passei a observar as ruas molhadas pela chuva de fim de tarde.
O clima estava bem como eu gostava. Nublado, cinzento... Perfeito.
Soltei um suspiro apreciando a música animada que tocava dentro do carro. Se não me engano, era Justin Timberlake que embalava a melodia viciante.
—Chegamos? – perguntei quando ele encostou o carro no meio fio.
—Quase. – proferiu abrindo o porta-luvas e retirando um tapa olhos preto. —Preciso que você coloque isso.
—Porque? – indaguei com curiosidade.
—Porque se não vai estragar a surpresa, amor... – explicou segurando minha mãe e a beijando. —Vamos amor, coloque.
—Edward, Edward... – soltei aceitando cobrir meus olhos. —O que é que o senhor está aprontando?
Sua rizada sapeca foi a única resposta que recebi. Com a curiosidade gritando dentro de mim, me mantive calada durante o restante do percurso que fizemos.
—Não tire. – ele pediu antes de sair do carro. —Vem, eu ajudo você. – com calma, ele soltou o cinto e então me guiou para fora do carro. Eu sabia que estava chovendo, contudo, os pingos não caíram em mim, o que deixou claro que estávamos em um lugar fechado. —Vem, com cuidado... – murmurou ainda me guiando pelo local.
Não podia mentir, estar vendada e ouvir aquela voz rouca no pé do meu ouvido me deixou arrepiada.
—Agora fica aqui, paradinha. – pediu beijando minha bochecha. —Só mais um pouquinho... Só mais um pouquinho... – sua voz soou mais distante.
Mordendo meu lábio, bati o pé no chão, estava tão curiosa que já começava a ficar impaciente.
—Edward... – comecei a reclamar, contudo ele logo me interrompeu.
—Pronto, pode tirar.
Animada, puxei a venda e ainda tive tempo de arrumar meu cabelo, antes de ver a imagem adorável a minha frente. Parado a mais ou menos um metro de distância de mim, Edward segurava uma bolota de pelos brancos em suas mãos. Duas coisas se destacavam ali, os olhos extremamente azulados do animal e a fita vermelha que estava em seu pescoço, ostentando um lindo laço vermelho.
—Edward... O que... – comecei a perguntar enquanto varria o ambiente claro do pet shop com os olhos.
—Você me disse uma vez que era apaixonada por gatos.... Não sei bem o porquê nunca teve um, mas agora, você tem! – esticando os braços, ele me estendeu o felino. —Ou melhor, uma, porque é uma fêmea. – completou soltando um riso divertido.
Pegando a pequena felina nos braços, não sabia exatamente o que fazer. Queria ficar admirando aquela bola de pelos e ao mesmo tempo, morrer de beijar meu namorado.
—Você não existe. – soltei, optando pela segunda opção primeiro. Passei o braço livre por seu pescoço e deixei um trilha de beijos por seu rosto, até alcançar sua boca. —Eu te amo. – proferi beijando sua boca mais uma vez.
—Eu também amo você. – seus olhos azuis me deixaram meramente sem ar. —Mas e então, você gostou?
Me afastando um pouco dele, ergui a gatinha para poder fita-la melhor. Ela era linda, tinha o focinho amassado, o nariz rosadinho e os olhos tão lindos quanto os de Edward.
—Eu amei... Ela é linda! – soltei um suspiro encantado. —Hey, bebê. – murmurei para a gatinha que soltou um miado baixinho. —Awn, que amor! – a arrumei em meus braços para poder abraça-la, tomando um enorme cuidado, claro.
—Qual vai ser o nome dela? – Edward indagou ao se aproximar, os dedos longos acariciando a cabecinha da gata.
Erguendo os olhos até ele o fitei por um longo momento. Um sorriso se abriu em meu rosto e assim que o nome surgiu em minha mente, tive certeza que jamais ia encontrar outro melhor.
—Vai ser Luz.
—Luz. – ele murmurou. —Eu gosto de Luz. – abriu um lindo sorriso torto.
Suspirando, me coloquei na ponta do pés para beijá-lo novamente. Edward nem sonhava com o significado daquele nome, ele nem sonhava, que ele era luz da minha vida.
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