Capítulo 76: O aniversário de Wade

Na terceira semana em Atlanta, Scarlett sentia-se um pouco melhor em relação a sua gravidez. Os enjoos e náuseas constantes tinham praticamente desaparecido e ela finalmente sentia-se completamente curada da doença que abateu-a em Charleston. Já sentia sua barriga crescer um pouco, na verdade ainda era praticamente imperceptível a sua gestação aos olhos dos outros, mas Scarlett já tinha percebido o aumento do volume de seus seios e um leve aumento de seu quadril. Seu rosto tinha assumido um ar corado e bastante saudável deixando-a ainda mais bonita durante aquele período. Rhett foi o primeiro a perceber as mudanças no corpo da esposa e procurava disfarçar os olhares famintos que lançava para ela, quando estavam juntos conversando um pouco. Scarlett conseguiu ficar ainda mais atraente e sedutora, deixando Rhett sofrer com seu desejo contido e oculto. A noite, ele rolava de um lado para o outro na cama sem conseguir dormir, completamente impaciente, querendo dormir no quarto dela, na cama dela e abraçado com ela. Rhett chegou á pensar em ir atrás de Belle ou uma prostituta que pudesse ser parecida com Scarlett fisicamente para satisfazê-lo, mas desistiu. No final das contas, nenhuma outra mulher iria ser como Scarlett para ele. Para tentar suportar todo aquele desejo desenfreado que sentia pela esposa, ele começou á focar em seus negócios. Permanecia a maior parte do tempo fora de casa, deixando Scarlett praticamente abandonada. Ela sofria calada e evitava brigar por causa da gravidez. Scarlett nunca foi uma mulher passiva, mas por causa do bebê e por medo de perder mais uma criança, procurou se preservar. Rhett tinha deixado bem claro para ela que estavam juntos por causa do bebê e somente por isso. Scarlett achava que ele não amava-a e Rhett achava que ela não o queria. Quando conversavam eram sempre sobre coisas que não envolviam seus sentimentos ou o seu casamento de mentira. Procuravam manter uma relação pacifica, mas fria e distante.

Scarlett continuava a trabalhar meio período em sua loja e ás vezes chorava trancada em seu quarto durante a tarde, longe de todos. Ela sentia-se sozinha. Sem Melly, Eleanor, Rosemary e Mammy, ela estava perdida. Ficou ainda mais desesperada quando não recebeu nenhum telegrama de Tara, sobre sua proposta para que Mammy voltasse para Atlanta para cuidar do bebê. Ela enviou outro telegrama. Talvez o primeiro tivesse sido extraviado. Ela sabia que Mammy nunca iria ignorar o seu chamado.

Wade ia fazer 12 anos no final de fevereiro. Scarlett decidiu preparar alguma comemoração para o aniversário do menino. Ela sabia que o momento não era propicio para festas. Bonnie tinha morrido há menos de um ano e a família sentia ainda o vazio deixado pela partida da menina. Scarlett decidiu que mesmo assim não iria passar aquela data em branco. Wade estava crescendo e ela queria comemorar de alguma forma. Então, decidiu fazer uma festa intima, apenas para a família e alguns amigos de seu filho. Rhett não colocou objeções. Ultimamente, ele não colocava objeções em nada do que ela queria fazer. Mas, Scarlett percebia que toda aquela proteção e passividade era apenas para proteger o bebê que ela estava esperando.

Scarlett enviou um telegrama para a senhora Butler e Rosemary, convidando-as para o aniversário de Wade e para passarem alguns dias com ela em Atlanta e Wade convidou Beau e alguns amigos da escola e da vizinhança. Decidiram fazer uma reunião com bolo, sucos de frutas e diversos doces, além de deixar a área do jardim para as crianças brincarem. Scarlett não queria nenhuma bagunça dentro de casa. Rhett alertou-a a não esperar que muitas crianças comparecessem. A velha guarda iria preferir morrer do que deixar seus filhos pisarem naquela casa. Scarlett sabia que ele estava certo, que talvez nenhuma criança da vizinhança iria aparecer, mas Wade tinha amigos na escola e alguns não faziam parte da vizinhança mais próxima. Scarlett encomendou o bolo com o melhor confeiteiro da região e passou á se distrair durante a tarde com o planejamento daquele aniversário, para que tudo saísse perfeito.

No dia do aniversário de Wade, Rhett foi buscar a sua mãe e a sua irmã na estação. Era sábado e a plataforma estava lotada de pessoas que entravam e saíam do trem com as malas. Rosemary ficou maravilhada quando pisou em Atlanta pela primeira vez. Ela praticamente não saía de Charleston, somente algumas vezes para ir até a casa de sua tia Grace que ficava na Pensilvânia. Atlanta era uma cidade bastante diferente daquilo que ela já tinha visto. Era agitada, cheia de vida e bem a cara de Scarlett. Rosemary estava ansiosa para rever a sua cunhada, conhecer sua casa, sua loja, conversar com ela. Eleanor não tinha boas lembranças de sua estadia em Atlanta. Quando apareceu pela primeira vez na casa do filho, sua neta tinha morrido e agora, ela esperava que sua segunda estadia por ali, fosse bem mais feliz.

Scarlett recebeu sua sogra e sua cunhada com alegria. Ela sentia muita falta das duas e não conseguiu se conter quando as viu na porta de sua casa. Correu para abraçá-las com um sorriso estampado no rosto. Rhett ficou admirado com o carinho que Scarlett tinha com sua mãe e sua irmã e percebeu pela primeira vez que ela estava sendo sincera, que não era um jogo ou uma encenação. Ele sentiu-se mal. Queria que ela demonstrasse a mesma alegria e felicidade ao lado dele também. Scarlett ria como uma criança agarrada em Eleanor, que estava muito feliz de ver que ela estava bem.

" Oh, minha querida, quantas saudades! Como está o bebê?" Eleanor murmurou enquanto abraçava Scarlett com força.

" O bebê está bem, senhora Eleanor. Me sinto melhor á cada dia com esse pequeno milagre crescendo em minha barriga." disse Scarlett com doçura, fazendo Rhett erguer a sobrancelha intrigado.

" Mama, deixe eu abraçar Scarlett também!" pediu Rosemary impaciente.

Eleanor soltou Scarlett, que correu para abraçar Rosemary. Ambas riram felizes enquanto se abraçavam com força, enquanto Rhett assistia a tudo, ainda bastante chocado com o carinho, a cumplicidade que existia entre Scarlett e sua família, e a forma carinhosa como ela se referia ao seu bebê.

Scarlett entrou em casa, segurando carinhosamente a mão de Rosemary, que ficou boquiaberta quando viu a sala luxuosa, os tapetes de pelúcia, os lustres de cristal e a decoração tão vulgar e excêntrica. Olhou para a enorme escada que dava para o segundo patamar, para os quadros nas paredes, as cortinas vermelhas nas janelas. Nunca viu uma sala decorada daquele jeito e ficou admirada com o gosto por decoração tão peculiar de sua cunhada. Scarlett percebeu que Rosemary estava admirada ou assustada com a decoração de sua casa e perguntou carinhosamente:

" Você gostou, Rosemary? Fui eu quem tomei a frente de toda a decoração dessa casa."

" È diferente, Scarlett. Estou impressionada." Rosemary respondeu sem jeito. Ela não sabia o que achar de tudo aquilo, pois sempre foi criada em ambientes mais formais e sem vida, apesar de sua mansão em Charleston ser igualmente bonita, a decoração foi escolhida por sua mãe e seu irmão Rhett, que optaram por uma decoração mais rústica e ao mesmo tempo menos chamativa e mais acolhedora.

" Depois eu vou te mostrar o meu quarto. Você vai adorar, tenho certeza!" Scarlett disse com um sorriso convencido que fez Rosemary rir.

" Eu vou ficar mais impressionada do que já estou, Scarlett?" Rosemary perguntou ainda rindo.

" Com certeza. Vou deixar o melhor para o final." riu Scarlett também.

" Eu acredito que você vai ficar muito impressionada com o quarto de Scarlett, Rosemary." Disse Rhett Butler se intrometendo na conversa." È mais conhecido como um santuário do que um quarto. Sinta-se lisonjeada em conhecê-lo porque não é qualquer pessoa que Scarlett deixa entrar em seu palácio particular."

Scarlett fechou a cara quando percebeu que Rhett estava zombando dela e de seu gosto por decoração na frente de sua família. Ele sentiu vontade de rir ao ver os olhos verdes de sua esposa chispando de raiva, mas tossiu e tentou se conter. Ele sentia falta de atiçar o gênio forte de Scarlett. Agora, com sua gravidez, Rhett procurava não provocá-la, mas naquele momento, ele não aguentou e acabou deixando escapar mais uma de suas provocações.

" Onde estão as crianças, Scarlett? " Eleanor perguntou olhando em direção da sala de jantar.

" Elas estão no jardim, senhora Eleanor. Eu decidi armar uma a mesa onde vai ficar o bolo, lá fora mesmo, para que elas pudessem brincar e se divertir sem destruir a casa."

Prissy e Lou passaram por elas carregando as malas e levando-as para o andar de cima para o quarto de hóspedes. Foi quando alguém bateu na porta. Rhett foi atender e era um telegrama para ele. Scarlett, Rosemary e Eleanor ficaram paradas olhando para Rhett, enquanto ele lia rapidamente o telegrama.

" Querido Rhett,

Soube que você está de volta em Atlanta e preciso que venha até o Saloon com urgência. È um caso de vida ou morte. Eu estou te esperando.

Ass : Belle "

Rhett dobrou o telegrama e colocou-o dentro do bolso da calça.

" Aconteceu alguma coisa, Rhett?" perguntou Scarlett preocupada e desconfiada.

" Não, minha querida. Não é nada de muito importante, mas eu terei que sair rapidamente." disse Rhett olhando para ela e procurando demonstrar tranquilidade, mas no fundo ele estava intrigado. Belle não iria enviar um telegrama para ele em sua casa, não iria arriscar tanto, se não tivesse acontecido algo de muito grave. Ele era sócio do Saloon e precisava saber o que estava acontecendo.

" Você vai sair agora? Durante o aniversário de Wade?" perguntou Scarlett chocada e morrendo de raiva ao mesmo tempo.

" Será por pouco tempo, Scarlett. Eu vou voltar logo. Tenho alguns negócios para resolver com urgência."

Scarlett bateu o pé no chão furiosa. Em pleno sábado, ele tinha negócios para resolver? Nunca que ela iria engolir aquela desculpa esfarrapada. Como aquela criatura ousava enviar um telegrama para sua casa e arrancar o seu marido de lá, durante a comemoração do aniversário de seu filho? Ela sentiu-se envergonhada na frente de Eleanor, por continuar vivendo aquele casamento de mentira, onde tinha um marido que não a amava, que não se importava com ela e que preferia qualquer outra mulher do que sua companhia. Queria gritar e quebrar tudo, fazer um escândalo, pois Scarlett sabia para onde Rhett estava indo, ela tinha certeza que ele estava indo atrás daquela criatura. Seus olhos encheram de lágrimas, mas ela segurou-se e empinou o nariz, procurando fazer pouco caso.

" Rhett, meu filho, você não tem como resolver seus negócios depois?" perguntou Eleanor bastante séria.

" Infelizmente não, mamãe. È urgente, mas eu volto logo. Tenho um cliente para visitar." Rhett respondeu colocando o chapéu panamá na cabeça e evitando olhar para Scarlett. Ele não tinha coragem de encará-la nos olhos. Abriu a porta e saiu sem olhar para trás.

Wade estava no jardim brincando com Beau e Charles, um amigo da escola que estudava na mesma classe que ele. Os pais de Charles não sabiam sobre Scarlett e seu péssimo histórico em Atlanta, pois eram novos residentes na região e deixaram o filho comparecer na casa dela. Wade ainda tinha esperanças de que mais algum amigo pudesse aparecer, mas até aquele momento, somente eles estavam ali. Ele ficou desapontado ao perceber que quase ninguém quis vir para o seu aniversário. Nenhum dos seus coleguinhas da vizinhança teve permissão para ir e muito menos os seus colegas da escola. Wade não conseguia entender porque ninguém aceitava ir até sua casa para brincar com ele, jogar xadrez ou somente ir em seu aniversário. Scarlett apareceu acompanhada de Eleanor e Rosemary e Ella correu para recebê-las. Wade foi recebê-las também e logo reparou que sua mãe estava triste.

" Onde está o tio Rhett, mamãe?" Ella perguntou olhando para Scarlett enquanto abraçava Rosemary.

Scarlett recusou-se a responder e permaneceu calada, enquanto Wade olhava para ela atentamente.

" Ele teve que sair rapidamente. Tinha um compromisso, minha querida, mas vai voltar logo." disse Eleanor tentando amenizar aquela situação.

Wade olhou para sua mãe novamente e percebeu que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ele já estava cansado de vê-la sofrer por causa de seu padrasto. E sentiu mais raiva ainda por dentro, procurando fazer de tudo para disfarçar. Mais uma vez ela estava sofrendo e por culpa daquele homem que ele chegou a considerar como um pai.

Rhett Butler entrou no Saloon rapidamente e foi recebido com alegria pelas meninas pagas da casa. Ele já tinha frequentado a cama da maioria daquelas prostitutas e todas elas tinham boas lembranças de seu apetite sexual.

" Capitão Butler, o senhor voltou!" gritou uma ruiva com alegria, praticamente pulando no seu pescoço.

" Eu senti muito a sua falta, querido capitão." disse uma loira de seios grandes, passando a mão no peito de Rhett com um olhar malicioso. " Eu adoraria relembrar os velhos tempos..."

" Nada disso! Hoje o capitão Butler é meu!" disse uma morena que tinha uma certa semelhança física com Scarlett, alisando carinhosamente as suas costas.

" Meninas, meninas...hoje eu vim aqui somente conversar com Belle. Onde ela está?" Rhett perguntou divertido.

As meninas ficaram decepcionadas. Rhett era um amante espetacular além de ser muito generoso quando se tratava de pagar pelos serviços sexuais utilizados. A loira de seios grandes apontou com o dedo em direção da escada e Rhett não perdeu mais tempo e subiu as escadas rapidamente para chegar no quarto de Belle.

Scarlett estava desolada e arrasada. Ela alisou a barriga com carinho, olhando para o pôr do Sol, enquanto as crianças brincavam de pega-pega no gramado. Eleanor e Rosemary estavam sentadas na mesinha de madeira na varanda olhando de longe para ela. Ambas perceberam que ela estava triste e ficaram tristes também.

" Eu não sei porquê meu filho faz essas coisas, Rosemary. Scarlett ama tanto ele..." Eleanor desabafou com tristeza.

" Ah, mama. Rhett não podia ter saído agora. Nenhum negócio é mais importante do que ficar com Scarlett. Ela está tão triste....é de cortar o coração." comentou Rosemary.

" Eu espero que algum dia, Rhett não se arrependa de tudo o que ele está fazendo. Ele está matando o amor que ela sente aos poucos e infelizmente, minha filha, as pessoas só dão o devido valor quando perdem."

" Mas, Rhett não tem como perdê-la, mama. Eles são casados."

" Rosemary, existem várias formas de se perder alguém. Uma hora, Scarlett vai cansar e o amor dela vai acabar, e o pior de tudo, é que Rhett é completamente apaixonado por ela, mas age dessa forma tão displicente."

" Ele me disse que ama Scarlett, mama."

" Eu sei. Mas, ele é orgulhoso demais, inseguro demais e cabeça dura demais. Não é capaz de reconhecer seus próprios erros e de lutar por uma vida melhor para eles. Eu achei que após Scarlett ficar doente e quase morrer, ele ia se emendar, mas continua o mesmo de sempre. Terá que sofrer um duro golpe para aprender, Rosemary, e isso me dói o coração porque ele é meu filho."

Scarlett permaneceu olhando para o pôr do sol com o coração partido. Uma lágrima rolou pelo seu rosto e ela correu para enxugá-la com as costas da mão. Não queria que ninguém a visse chorando. Ela fungou o nariz e então sentiu a mão delicada de Eleanor em seu ombro. Ela não tinha percebido a presença da sogra até aquele momento.

" Confie em Deus, minha querida. Ele sempre têm uma solução para os nossos problemas." sussurrou Eleanor com carinho.

Scarlett olhou pra ela com os olhos vermelhos e sorriu timidamente concordando com a cabeça.

Rhett entrou no quarto de Belle Watling e encontrou-a sentada na poltrona bebendo uma taça de brandy.

" Finalmente, você veio, Rhett ! " disse Belle levantando-se da poltrona para recebê-lo.

" Eu estou muito ocupado, Belle. Voltei para Atlanta, mas tenho muitos negócios atrasados para resolver, por isso não apareci antes." disse Rhett tirando o chapéu panamá da cabeça.

Belle colocou sua taça em cima da pequena mesa e foi até a cristaleira para pegar uma outra taça para servir um pouco de brandy para Rhett beber junto com ela. Rhett sentou-se na poltrona e ela entregou-lhe a taça e sentou-se na outra poltrona de frente para ele.

" Eu vim aqui hoje, porque você disse que precisava me ver com urgência, Belle, mas tenho que voltar logo. Aconteceu alguma coisa?" Rhett perguntou preocupado.

Belle começou a tremer com a taça de brandy na mão. Ela olhou para todos os lados e sussurrou completamente amedrontada, deixando Rhett completamente chocado.

" Rhett, tem alguém querendo me matar."

Já começava a escurecer e nenhum sinal de Rhett. Scarlett decidiu cortar o bolo após Pork ter ido buscá-lo na confeitaria. Beau e Charles não podiam ficar até tão tarde na casa dela e Scarlett queria encerrar aquela comemoração o mais rápido possível para poder se trancar em seu quarto e chorar.

" Como assim, Belle? Quem está querendo te matar?" Rhett perguntou assustado.

" Eu não sei! " ela disse desesperada e levantou-se rapidamente da poltrona indo até a gaveta ao lado da sua cama. Abriu a gaveta e tirou algo de lá de dentro.

Ela voltou a sentar na poltrona e entregou um maço de cartas para Rhett.

" Que cartas são essas, Belle?" Rhett perguntou intrigado, entregando sua taça de brandy para ela. Ele abriu uma carta para ver o que estava escrito.

" São cartas de ameaça. Desde novembro do ano passado que eu estou recebendo-as. No início, eu não me importei muito, cheguei á achar que era um ex-cliente louco ou algumas dessas velhinhas faladeiras querendo me incomodar, mas depois...."

Belle respirou fundo, tremendo bastante. Rhett nunca a viu tão assustada e parou de ler para olhar para ela atentamente.

" Em uma manhã do mês passado, uma de minhas meninas passou muito mal. Nós corremos com ela para o hospital, Rhett, mas ela não resistiu e acabou morrendo. Descobrimos que ela foi envenenada. Ela encontrou uma cesta na porta do Saloon naquela manhã. Dentro da cesta tinha um champanhe caríssimo, uma caixa com bombons e mais algumas guloseimas. Aquela cesta era pra mim. Tinha um bilhete que dizia isso. Ela quis experimentar um dos bombons escondida e acabou acontecendo isso. O doutor Meade disse claramente que foi envenenamento. Se eu tivesse bebido aquele champanhe ou comido aqueles bombons, eu não estaria aqui hoje te contando isso. Alguns dias depois, chegou uma outra carta de ameaça, lamentando não ter conseguido me envenenar, mas que não iria falhar da próxima vez. Rhett, eu estou apavorada."

" E a polícia, Belle? O quê eles disseram?"

" Eles fizeram pouco caso, Rhett. Ela era só uma prostituta, não era ninguém importante. Eu mostrei essas cartas para o xerife, e ele disse que ia investigar , mas até agora nada e na semana passada eu recebi mais uma carta."

" Você consegue se lembrar de alguém que tenha raiva de você, Belle?" Rhett perguntou acendendo um charuto.

" Bom, Atlanta em peso têm raiva de mim, principalmente a velha guarda. Já pensei e pensei bastante, mas não consegui achar nenhum suspeito em potencial. Pela primeira vez, eu estou com medo de morrer ou de que outra das minhas meninas seja assassinada no meu lugar."

" Você não vai aceitar presentes de ninguém, Belle. Não vai sair na rua sozinha e não vai aceitar receber ninguém estranho no seu quarto. Entendeu? Até descobrirmos quem está querendo te matar, você irá tomar todos os cuidados necessários." Rhett ordenou bastante sério. " Eu vou agora mesmo atrás do xerife e ver em que pé está essa investigação. "

Scarlett trancou-se em seu quarto e se jogou na cama, chorando bastante. Aquele aniversário foi desastroso. Rhett não voltou para casa, e provavelmente estava nos braços de Belle, na cama dela naquele exato momento. Logo, que cortou o bolo, alegou uma forte dor de cabeça e se retirou sem ânimo para nada. Eleanor tomou conta das crianças, até o tio Peter aparecer para buscar Beau e os pais de Charles aparecerem para buscá-lo também. Wade estava decepcionado com o descaso de seu padrasto que nem se importou em comparecer no seu aniversário. Logo, que seus amigos foram embora, ele subiu para o seu quarto e trancou-se lá também. Como sua mãe, ele não queria ver o padrasto nem pintado de ouro na frente dele. Wade estava com raiva, chateado e sabia que ia acabar sendo mal educado com Rhett se o visse naquele momento. Ella permaneceu no jardim com Rosemary, olhando para algumas estrelas que já despontavam no céu, enquanto Eleanor foi para o quarto de Rhett esperar por ele. Ela queria ter uma conversa muito séria com seu filho, logo que ele voltasse pra casa.

Rhett entrou em casa, pouco tempo depois que Rosemary e Ella subiram para o segundo patamar e foram cada uma para o seu quarto. Ele chegou cansado e aborrecido. Percebendo que perdeu o aniversário de Wade, ficou desesperado. O menino devia estar com muita raiva dele. E com toda a razão. Era para ele ter voltado mais cedo pra casa, mas o xerife ficou conversando durante bastante tempo com ele. Rhett exigiu que aquela investigação fosse levada á sério. Ele era amigo de longa data de Belle, e exigia que ela estivesse segura.

Rhett subiu calmamente as escadas para não fazer barulho. Parecia que todos tinham sumido daquela casa que estava vazia e silenciosa demais. Ele não sabia como ia encarar Scarlett e Wade , e que tipo de explicação poderia dar para eles. Tinha dado mais uma mancada e dessa vez não foi proposital, mas mesmo assim ele sabia que não tinha desculpas para o seu ato. Chegando no segundo patamar, foi até a porta do quarto de Scarlett. E reparou que pela primeira vez, após tanto tempo, ela trancou a porta de seu quarto novamente como fazia no passado. Ele pensou em chamar por ela, em tentar entrar naquele quarto de qualquer jeito, mas acabou desistindo. Scarlett devia estar furiosa com ele e podia ficar ainda pior se o visse naquele momento. Ele podia prejudicá-la e prejudicar o bebê. Abaixou a cabeça com raiva de si mesmo e foi para o seu quarto praguejando.

Quando entrou no seu quarto, levou um susto ao encontrar sua mãe sentada na poltrona e olhando para ele com a cara fechada e bastante nervosa.