Segunda Chance
1 Descoberta e Lembranças
Bulma acordou numa manhã de verão, na Corporação Cápsula, inquieta com uma informação que recebera na noite anterior.
— Eles estão maiores hoje... — dissera Vegeta, enquanto se deliciava nos seios dela durante uma noite cheia de amor.
Levantou-se devagar, pois seu amado ainda dormia ao seu lado, e se olhou demoradamente no espelho, observando bem seu corpo.
De fato, seus seios pareciam maiores e um pouco doloridos.
Tomou um banho demorado e desceu para o trabalho. Aproveitou que estava em frente ao computador e acessou as informações referentes ao seu ciclo. Percebeu um leve atraso, mas nada demais. Provavelmente os seios inchados deviam-se a isso — logo, seu ciclo chegaria e tudo voltaria ao normal.
Afinal de contas, eles eram cuidadosos.
Dois, três, quatro dias depois... e nada. Uma pulga atrás da orelha.
Decidiu então comprar um teste, só por desencargo de consciência.
Com o teste já comprado, seguiu para o banheiro. Era hora descobrir.
— Não há de ser nada... — disse para si mesma, olhando o espelho enquanto esperava o resultado.
Sentia um frio na barriga só de imaginar passar por tudo de novo. E agora, com mais idade... será que teria pique para colocar mais um sayajin no mundo?
Sacudiu a cabeça, tentando afastar aquela ideia.
Pegou o teste nas mãos e acompanhou lentamente a umidade revelar o resultado. O primeiro tracinho surgiu rapidamente... e o outro apareceu aos poucos.
Piscou, tentando entender o que aquilo significava. Conferiu com a embalagem, mas já sabia. Positivo.
— Ah, não... — sentia-se como uma jovem adolescente.
Sentou-se no vaso para não cair. As pernas amoleceram de repente, e os olhos pareciam embargar. Jogou o teste no lixo e seguiu para seu quarto, pensativa.
— Grávida?
Inspirou profundamente antes de começar a andar pelo quarto sem rumo.
“Trunks já tem quatorze anos...” — pensou.
Levou as mãos à cabeça, tentando se livrar da tensão.
Estava tudo em paz, sem perigos, a vida levemente estabilizada... Será que queria viver mais essa aventura? E, afinal, o que haveria de errado em uma mulher casada e bem-sucedida como ela ter mais um filho?
Passou o dia inteiro calada. Não sabia ao certo o que fazer... o que havia de errado com ela. Tentou examinar em sua memória o que lhe afligia. E lembrou.
Há quatorze anos, antes da chegada dos androides e de Cell, ela havia passado por isso.
— Vegeta... preciso conversar com você — disse, chamando-o pelo visor da sala de treino.
— Que parte de “estou ocupado” você não entendeu? — respondeu ele, grosseiramente.
— Mas é importante.
Ele desligou o vídeo e continuou a treinar, ignorando-a.
Mais tarde, entrou em seu quarto.
— Sobre o que queria falar? — perguntou.
— Quero te contar uma novidade...
— Diga.
— Estou grávida! — disse ela, alegre. Mas logo murchou ao perceber que não era recíproco.
— Não pense que vai me prender com essa criança.
— Eu não quero te prender — respondeu, sentindo a angústia tomar conta.
Ele apenas bufou, de braços cruzados.
— É a sua linhagem sendo perpetuada...
— Não quero um filho fraco como o de Kakarotto.
— O Gohan não é fraco! Muito pelo contrário, ele tem um potencial enorme — retrucou.
— Pouco me importa.
— Querendo ou não, nós teremos um filho. Espero que tenha ao menos a hombridade de assumi-lo enquanto estiver na Terra — disse ela, cruzando os braços sobre o peito.
— Tanto faz... — respondeu ele, saindo do quarto e a deixando sozinha.
Naquela noite, ela chorou como um bebê. Mas no dia seguinte acordou sabendo que tinha uma responsabilidade com aquele serzinho em seu ventre.
Retomar a vida naquele estado vulnerável não foi nada fácil. Entregou-se a ele algumas vezes — por necessidade, por esperança de que ele a entendesse. Mas ele se manteve distante. Usava as naves de sua família para treinar e viajar. E, perto do nascimento do filho, partiu para mais uma viagem inesperada.
Aquela última ausência doeu demais. Dar à luz sozinha, apenas com sua família, sob olhares de pena, foi o momento mais doloroso que vivera. E a incerteza de sua volta machucava mais ainda.
Mas ele voltou. Permaneceu indiferente ao filho por um tempo. Observava-o de longe, como se tivesse medo. Não deixava que a criança se aproximasse, como se estivesse sempre prestes a partir. Só depois de conhecer o Trunks do futuro foi que realmente se aproximou. Quando o menino já balbuciava as primeiras palavras.
Aquilo ainda doía. Mesmo que o tivesse perdoado, queimava em sua alma.
Revisitar essas memórias trouxe dores adormecidas.
Os soluços dela na cama aquela noite acordaram Vegeta que dormia.
— O que houve, mulher? — ele a ouvira chorar.
— Nada... — tentou despistar.
Ele a abraçou forte por trás, encaixando-se em seu pescoço.
— E agora você chora por nada? Você é uma mulher forte — reconheceu ele.
— Estou relembrando algumas coisas...
— Que eu fiz?
— Deixa pra lá...
Ele sentou-se na cama, chamando a atenção dela.
— Eu não sou mais quem eu era... você sabe disso.
Sua expressão séria tentava entender o que a afligia daquela forma.
— Sei... — respondeu ela, tentando conter o choro.
— Agora me fala... o que está se passando?
Ela levantou-se devagar passando as mão nos olhos para enxugar as lágrimas. Olharam-se por alguns segundos enquanto uma sensação de cumplicidade se formava no ar.
— Eu... eu... estou grávida...
As palavras saíram quase como um sussurro de seus lábios, como se tivessem medo de ser ditas.
Ainda tinha medo da reação dele. Será que aceitaria? O coração acelerado, esperando por uma resposta — boa ou ruim.
O silêncio pairou no quarto. O coração de Bulma batia acelerado enquanto ele a observava. Seu rosto carrancudo transformou-se em um meio sorriso.
— Eu já sabia... Estava esperando você descobrir.
A boca dela se abriu, incrédula.
— Como? — perguntou, surpresa.
— Ontem à noite, depois de notar que seu corpo estava diferente... eu senti um ki. Bem aqui. — Ele esticou a mão e tocou o ventre dela com delicadeza.
— Você... não quer ir embora?
— Ir embora? Por quê? — Ele pareceu confuso..
— Eu lembrei da época do Trunks bebê...
— Eu já disse que não sou mais aquele Vegeta.– Ele interrompeu querendo esquecer.
Bulma sentiu os olhos marejarem.
— Dessa vez, eu não vou a lugar nenhum. Quero estar aqui em todos os momentos.
Ela pulou nos braços de Vegeta, como se quisesse se esconder do próprio medo.
— Promete? — sussurrou, entre soluços e lágrimas.
— Claro que prometo — respondeu, segurando o rosto dela com as duas mãos. — Não vou perder mais nenhum momento.
Vegeta a abraçou forte, mantendo-a contra o peito por um longo tempo.
— Era disso que você estava com medo?
Ela assentiu.
— Não vou mais deixar vocês. – Disse a olhando com firmeza. —Você são...minha família.– Ele completou após hesitar um pouco.
Ao ouvir aquilo, o corpo dela relaxou completamente.
— Te amo — Ela disse baixinho.
Os lábios dele colaram-se ao dela num beijo lento e cheio de carinho. Toda a insegurança que pesava em seu peito, aos poucos, foi se dissolvendo no calor daquele gesto.
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