Segunda Chance

16 Sobre não saber o que fazer


Notas iniciais
Olá! Primeiramente, eu sei, eu sei... Tenho demorado muito com minhas fics, mas é porque eu tenho muito trabalho na faculdade gente, desculpa mesmo. Eu queria agradecer a todas que comentaram. Antes que respondia mas agora eu não estou tendo mais tempo.... Vou tentar responder a todo mundo nesse ok? Obrigada também as meninas que me mandaram MP me cobrando um novo capitulo. Vocês me fizeram ver o quanto eu estava demorando. Espero que tenham uma boa leitura!

Lily estava sentada no sofá observando James andar de um lado para o outro na sala. Ela não sabia a quanto tempo estavam ali, e cada parte do seu corpo dizia para ela ir atrás de Harry, porém ela não se movia. O fato é que Lily tinha medo. Medo de olhar novamente para seu filho e ver Voldemort escondido atrás dos olhos verdes.

_ Tem certeza que não foi ilusão? – James indagou pela terceira vez e Lily até reviraria os olhos se não estivesse tão nervosa.

_ Tenho James! – ela exclama em resposta, erguendo os olhos para o marido. – Realmente aconteceu! Os do nosso filho estavam vermelhos como o de Voldemort! Eu reconheço aqueles olhos... foram a última coisa que eu vi antes... antes de morrer.

James finalmente parou de andar e colocou as mãos no rosto, tirando os óculos e esfregando os olhos. Tudo na cabeça dele estava uma bagunça. Ele havia chegado ali e visto seu filho transtornado, ouvido que sua mulher tinha beijado outro cara e agora Lily afirmava que o filho deles estava possuído. Aquilo era um pouco demais para a cabeça do maroto.

_ Temos que falar com Dumbledore. – Lily diz decidida olhando para o tapete da sala. – Ele sabe James, sabe de tudo isso. E vai nos ajudar.

_ Não, não vai. – James responde suspirando e se sentando ao lado da ruiva que o encara. – Dumbledore não esta apenas adiando nossa conversa Lily, ele está nos evitando. Percebi isso no primeiro momento, mas achei que não tinha tanta importância no momento, que podíamos lidar com Harry.

_ Não fale dele assim. – Lily rebate ríspida.

_ Mas é a verdade! Dumbledore não...

_ Não estou falando dele. – Lily corta o marido. – Eu estou assustada James, mas Harry ainda é nosso filho. Ele não é uma “coisa” que temos que lidar.

_ Eu sei disso, só foi um jeito de me expressar, você não é a única preocupada e nervosa aqui! – James esbraveja soltando o ar com força. Lily também suspira e se inclina para a frente, escondendo o rosto entre as mãos, sua cabeça doía de tal forma que parecia querer estourar.

_ Eu vou me deitar um pouco. – Lily murmura. – Quem sabe assim eu consiga pensar em algo para ajudar nosso filho...

_ Espera. – James diz assim que a esposa se levanta. Lily se vira para ele curiosa. – Você realmente beijou Snape?

_ Ora James, tenha senso! – Lily exclama erguendo as mãos para o alto e revirando os olhos. – Nós estamos no meio de uma crise e você quer falar disso?

_ Meu cérebro está entrando em combustão, eu preciso de outra coisa para pensar senão eu enlouqueço. – James responde olhando fixamente para Lily. – E então... Beijou ele?

_ Beijei. – Lily diz diretamente, cruzando os braços para a expressão do marido.

_ Porque? Porque beijar o Ranhoso? – James pergunta se levantando e ficando de frente para ela.

_ James, ele veio falar comigo, me contou um monte de coisas que aconteceram com ele, o que ele sentia por mim na época e... me beijou. Eu sei que não foi certo eu deixar mas, era como se ele necessitasse daquilo sabe? Eu não pude simplesmente afastá-lo...

_ Então deixou Snape te beijar pelos “velhos tempos”? – James pergunta cinicamente. – Isso é ótimo...

_ James, eu realmente não quero falar sobre isso agora...

_ E quando vamos falar? Quando resolvermos o problema com Harry? – James dispara nervoso. – Isso vai demorar um bocado, então vamos adiantar os assuntos... O que estava pensando? Em beijar ele assim, com esse motivo furado!

_ James...

_ E se beijasse uma das minhas ex namoradas, hm? Se eu desse essa mesma desculpa, você aceitaria? – James indaga cruzando os braços.

_ Eu não vou discutir com você. – Lily diz pausadamente, com uma expressão sombria. – Eu vou subir para o quarto e tentar clarear minha mente para ajudar nosso filho. Harry é minha prioridade. E nesse tempo eu sugiro que você tente refletir sobre as suas prioridades.

A ruiva saiu da sala com passos largos e firmes, mostrando uma imagem totalmente do que sentia por dentro. James era sempre assim, sempre se exaltava e enlouquecia diante de uma situação que ele não podia resolver. Seu maldito ego narcisista fazia isso e Lily odiava esse lado do marido.

É certo que James mudou e amadureceu com o tempo, é claro. Ela se apaixonou justamente pelo homem justo, corajoso, carinhoso e leal que ele é... mas aquele lado metido, insensível, irritante, sempre vinha a tona quando ele confrontava um problema que estava além de suas habilidades.

Lily se trancou no quarto e deitou na cama, olhando para o teto manchado do Lagro Grimmauld. A imagem de Harry com os olhos vermelhos, descontrolado, não conseguia sair de sua mente e seu coração ficava apertado causando uma angustia terrível.

Ela se sentia impotente, incapaz de ajudar o filho. Lily se lembrou dos seus últimos minutos, naquela noite terrível. Seu marido tinha acabado de ser morto na sala, Harry chorava nos seus braços e a única coisa que ela pensava era em protegê-lo. Segundo o que lhe contaram, ela realmente transformou sua vontade em algo real, invocando uma magia de proteção da qual ela não fazia ideia... Mas isso foi realmente suficiente para proteger Harry?

Voldemort tinha atacado seu filho, feito uma marca nele, e agora estava... ligado a ele. Harry não estava protegido. E Lily se sentia culpada por isso. Ela tinha que tentar mais, tinha que salvar seu filho.

*

_ O que você está fazendo aqui sozinho? – James levantou cabeça para ver Remo e Sirius entrando na sala. Ele tinha ficado ali desde que Lily saiu, pensando, tentando encontrar um eixo para seus pensamentos.

“ ... sugiro que você tente refletir sobre as suas prioridades.”

Lily estava certa, como sempre. Ele sempre fazia aquilo, sempre enlouquecia quando encontrava um problema aparentemente sem solução imediata. Essa era uma parte dele que James tentava controlar, como um monstrinho que ele tinha que manter preso em uma coleira. Mas toda a situação com Harry lhe descontrolou, e agora Lily estava provavelmente querendo matá-lo novamente.

_ Horas? – James indaga em resposta, esfregando os olhos e encarando os amigos.

_ Noite. – Remo responde cauteloso. – Você ficou aqui desde que Snape foi embora, Lily está trancada no quarto, Harry sumiu...

_ Sumiu!? – James repete engasgado, olhando preocupado para Aluado.

_ Ele está lá em cima com o Bicuço. – Sirius diz em resposta. – Mas isso não é muito... tranquilizante.

_ O que houve Pontas? – Remo indaga cruzando os braços. – Vocês estão assim desde que Snape veio aqui...

_ Nem me fale desse Ranhoso. – James rosna bagunçando os cabelos nervoso. – Ele beijou Lily.

_ Ele o que? – Sirius indaga pensando estar tento uma alucinação.

_ Snape beijou Lily. – James diz rangendo os dentes em cada palavra. – E ela não o impediu.

_ Se Lily fez isso, foi por um motivo. – Remo diz se inclinando para James. – Ela nunca faria isso só por fazer James, ela não te trairia ou coisa do tipo.

_ Eu sei. – James diz sentindo a boca seca. – Mas o fato é... que Harry viu esse beijo. – Remo e Sirius suspiram resignados. – Ele brigou com Lily, gritou com ela.

_ Então por isso vocês estão assim? – Sirius indaga querendo entender.

_ Não exatamente. – James responde. – Depois que Harry foi embora, Lily ficou pálida, aterrorizada, e me disse que viu os olhos de Harry mudarem enquanto ele gritava. Lily disse que viu os olhos de Voldemort em Harry.

James terminou a frase se levantando e indo até a janela, encarando a rua vazia do Largo. Ele sentiu os amigos ofegarem e se encararem.

_ James... nós já sabíamos que Harry e Voldemort tinham uma... conexão. Talvez no calor do momento Lily possa ter visto coisas, interpretado de outra forma. – Remo diz pensativo. – Vocês passaram por um grande trauma, ninguém sabe como voltaram a vida... Talvez a experiencia da morte, e toda a mistura de emoções tenham feito Lily ver isso.

_ Eu queria acreditar na sua explicação lógica Aluado. – James diz sorrindo tristemente e se sentando novamente perto dos amigos. – Mas ela tinha certeza absoluta. Estava em estado de choque, tremendo, pálida... e eu como um ótimo marido ainda briguei com ela.

_ James, seu grande estúpido! – Sirius exclama. – Porque brigou com Lily em uma situação dessas?

_ Você sabe mais do que ninguém como eu sou Sirius. – James murmura se sentindo envergonhado.

_ Você enlouqueceu e foi um imbecil. – Sirius rebate revirando os olhos.

_ Falou com ela sobre o beijo? – Remo pergunta olhando para James com a sobrancelha arqueada em acusação. James confirma com a cabeça. – Por Merlin James!

_ Eu não consegui ficar pensando em Harry, eu... – James sente sua voz falhar. – Eu só penso naquele pequeno pedaço de gente que eu segurava nos meus braços, e que agora é um adolescente cheio de problemas, e eu não consigo pensar em nada para ajudar ele. É meu dever como pai proteger Harry, mas passei anos morto e... agora eu não sei o que fazer.

_ Isso não é culpa sua James... – Remo diz se impressionando com o discurso desesperado do amigo.

_ Mas eu devia saber como ajudá-lo, como pai... – James murmurou. – Mas eu fui pai por um ano. O que eu sei sobre isso?

_ Pontas...

_ Harry pode estar sendo possuído por Voldemort, e o que eu posso fazer? Nada! – James exclama voltando a ficar nervoso. – Ano me gabando de ser um maroto, inteligente, poderoso, e agora isso... estou aqui, parado, vendo meu filho sofrer sem conseguir fazer nada. E ainda briguei com a pessoa que mais amo na minha vida.

_ Ok, vamos parar com isso agora! – Sirius exclama se levantando e puxando James pelos ombros. – M escuta agora. Eu passei anos em Askaban, e mesmo assim, quando fugi, fiz de tudo para ser um bom padrinho para Harry. Fui o melhor do mundo? Não... na verdade longe disso. Mas Harry não queria um ótimo padrinho, ele só queria alguém. E é o mesmo com você. James, você é o pai dele! Mas isso não quer dizer que você vai sempre ser aquele pai incrível que nunca erra... Agora, ficar aqui se lamentando também não vai adiantar em nada!

_ Mas o que eu posso fazer? – James indaga encarando o amigo e Sirius sacode seus ombros impaciente.

_ Aja Potter! Faça algo! – Sirius esbraveja. – Qualquer coisa, mas faça!

*

Harry não podia estar mais confuso.

Depois de sair cuspindo fogo de raiva ele se trancou daquele quarto com Bicuço e se sentou ali no canto. Sua cabeça parecia que iria explodir por conta da dor na sua cicatriz, parecia que tinha alguém forçando a ponta de uma faca direto em sua testa.

Porque sua mão beijaria Snape? Justo Snape, que sempre lhe odiou? Só de pensar sentia seu sangue ferver.

Ela pode estar traindo seu pai. – uma vozinha irritante disse em sua cabeça.

Não, sua mãe nunca faria isso. Ela e seu pai se amavam, disso ele tinha certeza.

Mesmo? Você mal os conhece realmente. – a vozinha insistiu.

Isso era um pouco verdade, ele não se lembrava dos pais quando era um bebe, e agora eram só alguns meses de convivência. Mas as pessoas sempre contaram boas histórias deles.

É claro que contaram. Quem fala mal de gente morta?

_ Harry? – o menino olha para a porta e vê o pai entrando e dando uma pequena conferida no local. – Nossa... Quem diria que um hipogrifo iria morar na Mui Antiga Casa dos Black?

O mais velho caminhou até onde o filho estava – que era um dos poucos lugares que não estava coberto de palha e ossos de ratos – e se sentou ao lado de Harry.

_ Está mais calmo? – James pergunta olhando pro filho que suspira. Harry se sentia culpado por estar pensando sobre os pais daquela forma, mas sua cicatriz doía demais para ele raciocinar.

_ Sim. – Harry responde brevemente, sem olhar para o pai.

_ Sabe Harry, eu entendo porque você ficou nervoso. – James diz. – O que você viu foi um tanto perturbador...

_ Perturbador? – Harry repete com um riso sem humor. – Eu vi minha mãe beijando um dos caras que mais me odeiam na face da Terra. Você não tem noção de como ele é comigo em Hogwarts, parece que vai me matar a qualquer segundo... e então, ele beija minha mãe! É... muito “perturbador”.

_ Snape é um assunto muito complexo Harry. – James comenta franzindo a testa. – Sabe, o motivo por ele não gostar de você tem haver comigo. Eu e Snape estudamos juntos em Hogwarts, e nunca nos demos bem. E agora, depois de anos, ele transferiu a raiva que tinha por mim para você. É certo que isso é uma atitude estúpida da parte dele, já que você não tem culpa das idiotices que eu fiz no passado. E além do mais... você é mais parecido por dentro com sua mãe do que comigo.

_ Isso não justifica o que aconteceu. – Harry responde.

_ Não, não justifica. – James concorda dando de ombros. – Você sabia que sua mãe e Snape eram amigos de infância?

_ Não. – Harry diz.

Mais uma coisa para a lista: Coisas que não sei sobre meus pais. — a vozinha tornou a dizer na mente de Harry. – Daqui a pouco vamos descobrir um irmão gêmeo do mau ou coisa assim...

_ Eles eram amigos. – James continua. – Sua mãe sempre defendia Snape de mim na verdade. Mas um dia eles seguiram caminhos diferentes, e se afastaram. Sua mãe sempre sentiu por isso, porque afinal eles eram amigos e o coração da sua mãe e bom demais. Já Snape, bem, ele sempre quis sua mãe como algo a mais do que amizade. O fato é, que hoje, eles meio que colocaram um ponto final na história.

_ Da maneira mais traumática possível. – Harry resmunga fechando os olhos e encostando a cabeça na parede.

_ É... – James diz imitando o filho. Ele havia explodido com Lily por nada e agora via a lógica em tudo. Lily nunca beijaria Snape por nada, ele sabia disso, ele confiava em sua esposa.

_ Eu devia pedir desculpas para ela. – Harry murmura ainda de olhos fechados, enquanto James o encara. – Eu fui... meio exagerado.

_ Bom, eu tenho que pedir desculpas para sua mãe também. – James diz arqueando as sobrancelhas. – Acho que somos tão parecidos quanto dizem, hm?

*

Lily não conseguiu dormir. Tomou um banho quente e trocou de roupa pondo um vestido que tinha comprado no Beco Diagonal. Em sua mente ela só pensava em se explicar para Harry e então procurar uma forma de ajudá-lo com essa ligação a Voldemort. Quanto a James, ela decidiu não pensar nisso.

Alguém bateu na porta e ela suspirou pensando ser o marido, mas assim que abriu a porta viu diferentes cabelos negros espetados.

_ Nós podemos conversar mãe? – Harry perguntou passando a mão na nuca da mesma maneira que James fazia em situação do tipo. Lily assentiu apressadamente e abriu espaço para Harry entrar no quarto. O menino se sentou na cama e manteve a cabeça baixa.

_ Harry, eu juro que quando te explicar, você vai entender que...

_ Não precisa. – Harry a corta erguendo os olhos. Lily reprimiu um suspiro de alivio ao ver novamente os olhos verde-esmeralda do filho lhe encarando. – Eu acredito em você.

_ Jura? – Lily indaga cautelosa, se sentando ao lado do filho, que assente.

_ Meu pai me explicou a história de vocês e Snape. – Harry diz e Lily fica surpresa. James explicou? Mas não era ele que estava armando um barraco horas atrás? – Me desculpe por ter gritado com você.

_ Você teve seus motivos, portanto não vai ficar de castigo. – Lily diz em um tom divertido. – Mas na próxima vez que erguer a voz para mim mocinho... – ela passou o dedo pela garganta e logo depois sorriu.

_ Eu sei... e acho que estou tendo um certo problema para me controlar. – Harry murmura se mexendo desconfortável. – Você não foi a primeira com quem eu gritei.

_ Bom, você pode tentar adquirir alguma coisa que o faça ficar mais calmo. – Lily diz tentando esconder sua preocupação. – Respirar fundo e pensar antes de gritar, por exemplo. E outra, é sempre importante pedir desculpas depois, se você realmente se arrepender.

_ Esse é meu primeiro conselho materno. – Harry comenta sorrindo e Lily a acompanha, abraçando-o forte. Ali nos seus braços, Harry era apenas seu menino, seu lindo menino de olhos verdes.

_ Agora vá dormir. – Lily diz se separando dele. – Amanhã você tem que acordar cedo para ir a Hogwarts.

Notas finais
Gostaram? Tenham um especial cuidado com aquela parte que Harry tem uma discussão sobre não conhecer realmente os pais. Isso é importante. Sim, James e Lily brigaram. Mas qual é... um romance as mil maravilhas não é interessante! kkkk Eu estou na metade do proximo capitulo então posto ele ainda essa semana para me redimir pela demora deste. Espero comentários. Beijos