Segunda Chance
1 Capítulo único
Notas iniciais
Via-se uma figura seguindo morro acima cambaleando, era Sanji. Sentia dificuldade pra andar pois suas pernas pareciam não responder; seu corpo pedia inconscientemente pra retornar o caminho, fazer o trajeto inverso para não encarar a realidade que estava ali, na sua frente:
Zoro morreu.
Sua mente estava enublada e ele não compreendia muito bem os fatos. Até onde se lembrava, foram separados em Dress Rosa e no seu caminho recebeu um jornal com a manchete dizendo que Roronoa Zoro, o "Caçador de Piratas" havia morrido. Agora, com a tripulação reunida sentia o quão fria e dolorosa a verdade pode ser: manteve-se forte durante o "funeral", não derramou uma lágrima se quer. Via seus nakamas chorando, em especial Luffy, quase em desespero.. Teve que aguentar os olhares de reprovação pela sua "frieza".. Mas isso foi mais cedo.
Agora ele ia sozinho, seguia em direção daquele amontoado de terra, maldito amontoado que colocava fim aos sonhos de Zoro.. E aos seus também. Acima dele um arranjo simples de flores e as katanas do marimo idiota. Estavam sós, só ele o espadachim; Então se perguntava: por que o destino é tão cruel? Nesse momento eles deveriam tomar a garrafa de saquê que o cozinheiro trouxe e conversariam sobre inúmeras asneiras..
Mas não, Zoro se foi. Agora, o orgulho de Sanji que sempre fora uma represa sólida, desmoronou com a primeira rachadura. Não tinha ninguém por perto, nenhuma testemunha viva da desgraça que apossava o cozinheiro. Caiu de joelhos em frente ao túmulo, chorava, berrava, gritava como se sua vida dependesse daquilo. Tudo o que segurou mais cedo agora saia por seus olhos, era uma cena realmente digna de pena; colocava os dedos entre os cabelos tentando negar a verdade, como se aquilo magicamente fosse desaparecer..
Fazia grunhidos, se jogou ao chão.. Barulhos semelhantes ao de uma pessoa possessa, o que não era uma realidade distante, afinal, sua sanidade andava em corda bamba; olhava as katanas, olhava aquele dia monocromático onde tudo era cinza.. Desviava o olhar o máximo que podia, mas seus olhos sempre corriam praquele amontoado de terra, relembrando, o que tinha acontecido.
Sanji serve o saquê pra dois, senta ao lado do túmulo improvisado e começa a dizer:
– É marimo idiota, você me deixou aqui.. Sozinho. Tá difícil de acreditar que isso aconteceu.. -
Entre lágrimas e sorrisos continua:
–Agora estamos aqui, compartilhando o saquê de novo.. Lembra da primeira vez que tomamos saquê juntos, de verdade? Foi naquela noite que você me beijou no corvo.. Desde aquele dia eu gosto de você. Pois é, um único beijo me deixou apaixonado por outro homem.. Mas tudo bem, isso não é um problema.. O problema é que ele foi o primeiro e ultimo!... -
Agora gritava; sentia raiva, muita raiva. Não sabia o que estava fazendo exatamente, mas continuou:
– E isso é culpa sua! Você foi covarde, você mentiu pra mim! Você disse que nunca morreria, você disse que seria o espadachim número um! E por que agora você está aí, saindo desse mundo e me deixando.. Sozinho? -
As oscilações de humor continuaram enquanto sentia o dia ficando mais cinzento ainda, queria saber se estava imaginando.. Ainda sentado de frente ao túmulo começou a relembrar dos dias com Zoro. Maldito, animal, sem educação.. Mas ao mesmo tempo, tão querido, tão único, tão.. Zoro. Lembrava-se de como ficava feliz ao discutir com ele, ao vê-lo nervoso. Lembrava-se de como gostava de ouvi-lo chamando de "cozinheiro retardado", pois sabia que era o único que o chamava assim. Lembrou-se de quando Zoro o beijou. Depois daquele momento pode entender, e muito muito mais do que entender, passou a aceitar intimamente, somente pra si próprio, que gostava dele, do marimo imbecil, do seu marimo imbecil..
Agora, se amaldiçoava por ter sido tão orgulhoso e não ter confessado seus sentimentos.. Aquelas três palavras, elas poderiam ter mudado tudo; elas poderiam ter dado a Zoro um motivo a mais pra lutar; elas poderiam ter garantido o cabeça de alga aqui, do seu lado.. Mas não, ele nunca disse elas. Se odiava ainda mais por perceber que mesmo ali, naquela situação, seu caco de orgulho queria evitar o possível pronunciamento delas. Mas agora era tarde demais. Pra que orgulho quando não se sente mais nada?
– Oe zoro — disse enxugando as lágrimas que teimavam a sair — sabe, preciso te dizer algo. Pode parecer meio tarde, mas não importa onde você está agora.. A verdade é que.. Eu te amo, muito, muito mesmo. Pensar que amanhã, quando eu acordar não vou ter você para brigar, me faz querer morrer. Queria que você estivesse aqui, do meu lado.. Mesmo que você achasse nojento e nunca mais quisesse falar comigo, tudo estaria bem porque você simplesmente estaria aqui. Mas agora você me deixou.. Sozinho. Como vou conseguir seguir em frente? Da onde vou tirar forças pra continuar?..
Não conseguiu dizer mais nada pois logo foi engolido pelo mar de lágrimas. Deitou no chão mesmo, não se preocupava com as perguntas que os outros fariam sobre suas roupas; pegou as três katanas, tão características daquele marimo e as abraçou, colocando-as em seu peito. Olhava praquele céu cinza, apertava com força as espadas enquanto pensava nas suas velhas memórias;
Aos poucos foi sentindo uma sensação.. Quente? Isso, uma sensação quente em seu rosto. Essa sensação quente veio acompanhada de uma claridade, que gradativamente foi se tornando tão forte que chegava a ser insuportável.. Começou a sentir suas pernas, seu corpo.. Até que recobrou os sentidos!
Acordou e percebeu que estava no quarto de pijama; sua cama estava totalmente bagunçada devido ao sono pesado que tivera. Notou que aquela claridade vinha do sol que já tinha nascido naquele belo céu azul.. Quando percebeu isso, seu coração acelerou: poderia tudo aquilo ter sido um sonho?
Sai disparado pra fora do quarto, com pijama e tudo; mais pra frente pode ver uma figura deitada na grama, dormindo de forma tão característica. É possível sentir tanto ódio e alegria ao mesmo tempo? Tivera uma noite terrível e a culpa é toda daquele marimo idiota! Sua barriga formigava e seu coração ainda estava descompassado. Nunca tivera um Deus, mas agradeceria pra qualquer divindade por essa segunda chance.
Seguiu em direção a ele, preparou a perna e meteu um pontapé, tão forte que quebraria uma pessoa normal em duas.. Mas tudo bem, estamos falando de Zoro!
– Mas que porra é essa ero-cook?-
– Vou dizer só uma vez, então preste atenção -
– .. -
– Eu te amo! É isso mesmo seu marimo idiota. Aliás, vá se foder! -
– Ah, até que enfim! Tudo bem então, achei que você nunca iria dizer haha —
Sorriu, deu uma piscadela e tornou a dormir. O cozinheiro voltou ao quarto para trocar de roupa, se quer pensou na possibilidade de alguém ter ouvido; mas não isso não é problema!
"Eu te amo", uma frase simples, pequena e ao mesmo tempo tão libertadora! E você, já disse "eu te amo" pra alguém hoje?! ;)
x
FIM
Notas finais
Se gostaram mandem review, se não gostaram ou acham que algo pode ser melhorado mande uma MP. Beijo grande e até a próxima :-]
ps: A Akemihime linda sabia da tirinha em questão sobre a fic.. Ela fez a gentileza de me mandar o link, então quem quiser conferir:
https://pbs.twimg.com/media/BBVVaPYCAAE2kWH.jpg
Fale com o autor