Segunda Chace
1 Prólogo

Segunda Chance, Prólogo.
Oito anos... Já se passaram oito anos desde que pisei aqui pela última vez. Fico alguns minutos absorvendo os detalhes ao meu redor, as folhas das árvores enfeitam o chão com suas cores marcando o fim do outono. O dia estava nublado, a luz do sol tenta passar pelas nuvens densas, fazendo os raios refletirem no vidro das janelas do hospital, a brisa fria toca meu rosto indicando que a chuva não vai demorar a cair. O som das ambulâncias chegando, pessoas correndo de um lado para o outro, o cheiro característico de hospital, nada parece ter mudado...
Hoje completa oito anos que sai por essa porta e jurei nunca mais voltar, deixando para trás a vida que construí aqui. Fecho meus olhos e um flash de lembranças passam pela minha cabeça, todos os momentos altos e baixos que vivi nas paredes desse lugar, todas as perdas e alegrias que preencheram meus dias. Respiro profundamente para controlar minhas emoções... Hoje estou aqui por outro motivo, levanto meus olhos e encaro as grandes portas de vidro da entrada do hospital, hoje chamado Memorial Grey-Sloan Hospital, um sorriso triste escapa dos meus lábios, quantas mudanças ocorreram enquanto estive longe, todos seguiram seus caminhos.
Uma pessoa vem a minha mente, impossível não me lembrar dele, o homem que tive a honra de conhecer e compartilhar uma parte da minha vida, fecho meus olhos e posso escutar em minha mente a risada de George, companheiro e amigo que foi embora tão cedo. Uma lágrima escapa e escorre pelo meu rosto, como eu queria que ele estivesse aqui, como eu queria ter a oportunidade de ver aquele sorriso outra vez, sentir seu toque e me perder nos seus olhos. Dou alguns passos na direção onde fica a Clínica Memorial Denny Duquette, que criei anos atrás para ajudar aqueles que não tinham condições e pudessem ter um atendimento digno, sei que ele faria o mesmo se estivesse aqui.
Como eu pude deixar isso tudo para trás?
— Mamãe? – A voz fraca do meu filho me trás de volta a realidade, abaixo o olhar e encaro o rosto pálido e febril que descansa nos meus braços.
— Sim, meu amor. – Passo os dedos ao redor do seu rosto contornando-o numa leve carícia.
— Já chegamos? – Ele abre lentamente os olhos e respira com dificuldade.
— Chegamos sim. – Sorrio tentando passar toda tranquilidade que consigo, mesmo que minha voz saia um pouco embargada. – Logo você ficará bem, meu amor, eu prometo.
Vocês devem estar se perguntando... O que aconteceu? Por que eu voltei?
Vou tentar resumir, anos atrás quando fui embora, estava perdida, me sentia traída por tudo e todos que um dia estiveram comigo, tinha perdido meu melhor amigo para um acidente, perdi meu emprego, minha carreira estava por um fio, meu casamento tinha acabado, estava me recuperando do tratamento do câncer que quase me matou... Eu me via sem rumo, precisava recomeçar. Fui para Londres onde vivi alguns meses sendo voluntária em um Hospital para grávidas, me apaixonei pela área, encontrei forças para me levantar, a partir daquele momento, eu sabia que aquela área era a certa para mim.
Especializei-me em fertilização in vitro para ajudar mulheres que não conseguem engravidar, meses depois durante uma conferência na área da Obstetrícia reencontrei a Dra. Addison Montgomery, ela me ofereceu uma vaga em sua clínica em Los Angeles. Trabalhei durante dois anos na clínica e nesse período conheci um médico, Dr. Adam Smith, ortopedista, tivemos um relacionamento maravilhoso e decidimos que era hora de ter um filho, tentei várias vezes engravidar, mas meu corpo não estava preparado para ter um bebê.
Não desisti, meu sonho era poder ter em meus braços um pedacinho de mim, tentei várias técnicas de fertilização e obtive sucesso na terceira tentativa com meus óvulos congelados, aqueles que foram colhidos antes do meu tratamento de câncer, o que muitos podem não lembrar era que eles foram fertilizados para aumentar a chance de sobrevivência e isso trouxe alguns desentendimentos para meu relacionamento, mas não me impediu de ser mãe e em uma tarde de primavera, nasceu meu bebê perfeito, um anjinho loiro que alegrou minha vida e me completou como mulher. Hoje ele está com quatro aninhos e é o verdadeiro motivo de ter voltado.
Respiro profundamente e entro no hospital, chegou o momento que eu evitei durante anos, hoje estou aqui como mãe buscando ajuda para meu filho que há pouco mais de um ano foi diagnosticado com Leucemia Linfóide Aguda e ele não está respondendo ao tratamento, cada dia que passa ele está mais fraco e sem vida em meus braços, eu nunca desisti dele e sei que essa equipe médica também não irá desistir, assim como não desistiu de mim. E para isso terei que encarar aquele que um dia foi meu amigo, companheiro, namorado, noivo, marido, atualmente ex-marido e o que ele ainda não sabe... pai do meu filho, Dr. Alex Karev, não sei como ele irá reagir, não sei como eu irei reagir, evitei esse encontro durante muito tempo, mas agora precisei voltar, preciso encarar a todos que um dia deixei.
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