Segunda Chace
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Segunda Chance, Capítulo 10.
POV ALEX
Aja como homem. Aja como pai.
Não sei quanto tempo eu fiquei aqui, só sei que preciso voltar lá. Como médico e como pai eu não posso fraquejar agora. Tenho que me recompor e ajudar Izzie nessa caminhada. Subo até o quarto e vejo que está vazio. Onde será que eles estão? Mais cedo não tive a chance de observar o quarto, passo os olhos e vejo que tem um toque de Izzie em tudo. Nas paredes tem alguns desenhos de pirata e na cômoda tem alguns porta-retratos.
Pego um porta-retrato em especifico e fico fascinado com a foto que está nele, Izzie parece tão tranquila, está tão linda grávida, não sei explicar... Nunca pensei que pudesse sentir isso, mas meu corpo reage de forma diferente. Pego outra foto¹e vejo que é uma montagem de George ainda bebê, me perco olhando cada detalhe, vários pensamentos passam em minha mente e vários sentimentos percorrem meu corpo.
— George fez para mim no dia das mães. – Olho para trás e vejo Izzie encostada no batente da porta, não sei quanto tempo ela tá parada ali.
— Desculpa. – Coloco o porta-retrato no lugar e me afasto. – Eu não...
— Ele chegou da escola e me deu essa foto de presente. – Ela fala sorrindo e fecha os olhos relembrando.
Não consigo desviar o olhar dela, ela está vestindo uma blusa justa florida com a manga dobrada até o cotovelo e uma calça tipo montaria preta, seu cabelo está preso em um rabo de cavalo. Conforme ela se aproxima, seu perfume adocicado preenche todo o ambiente. Ela para ao meu lado e me encara sem falar nada, ficamos nos observando por alguns minutos.
— Você está linda. – Só percebo que falei em voz alta, quando vejo as maçãs de seu rosto ficarem avermelhadas e ela passa a mão nos cabelos, sem graça.
Não estraga tudo, Alex.
— Digo está linda a montagem, ele tem seu dom.
— Ah sim. – Ela desvia o olhar. – Ele gosta de fotos, tento deixar aqui o mais confortável para ele.
Não falamos mais nada e fica um silencio agradável entre nós. Sorrio conforme vou olhando os outros porta-retrato, têm fotos deles na praia, na neve, no parque de diversão, no primeiro dia de aula... Para o olhar em uma foto² que desfaz meu sorriso e me deixa incomodado, esse cara já está ocupando muito espaço.
— Ele é? – Não consigo olhar para Izzie agora.
— Adam Smith. – Ela responde baixo e se afasta. – Meu noivo.
Agora ele tem um nome.
— Foi a primeira vez que fomos ao zoológico. – Ela explica tentando mudar o assunto. – George adorou as girafas, ficou pedindo uma de estimação durante um mês.
Você não está ajudando, Izzie.
Respiro fortemente, tentando não falar nada. Sei que não tenho o direito de me envolver na vida amorosa dela, afinal estamos separados, mas isso não significa que eu não sinta nada. Saber que esse cara está vivendo momentos que deveriam ser meus me deixa com muita raiva. Ela percebe que eu não respondo, para de falar e me observa.
Caminho pelo quarto e paro ao lado da cabeceira, tem alguns desenhos que George estava pintando mais cedo e atrás deles tem outro porta-retrato. Izzie tenta pegar o porta-retrato antes que eu veja, mas eu sou mais rápido e essa última foto³ me faz perder o chão, acho que nem quando eu fui baleado eu senti uma dor tão intensa, sinto a raiva começar a tomar conta de mim e de todo o meu corpo. Aquele momento eu que deveria estar ali e não ele. Não vou permitir que ele tomasse mais nada de mim. Não consigo disfarçar o incomodo e ela percebe.
Droga Izzie!
— Alex...
— É claro. – Respiro profundamente me afastando. – Tenho que ir.
— Espera. – Ela segura minha mão, me fazendo parar no meio do caminho.
Não seja covarde, Alex.
— Vamos conversar. – Ela fala e eu levanto o olhar, esperando que ela fale mais alguma coisa.
— Tenho que ver alguns pacientes. – Não era mentira, mas eu estava arrumando uma desculpa para sair dali.
— Fica.
Odeio esse efeito que ela ainda causa em mim, seu olhar parece me hipnotizar. Tento negar seu pedido, mas não consigo. Mesmo com o coração pesado e minha garganta ardendo para gritar, um sorriso amargo surge em minha boca. Um passo de cada vez, Alex.
Espero que eu não me arrependa por isso.
— Não vamos fazer isso de novo, Ok? – Com um suspiro, ela se aproxima de mim.
— Fazer o que? – Pergunto com a testa franzida.
— Fingir que não nos importamos. – Ela maneia a cabeça. – Eu estou com uma pessoa, você está com uma pessoa e isso nos incomoda.
— Eu não...
— Não precisamos gostar, só vamos aceitar. – Eu a encaro, penso em rebater, mas ela continua. – Por George.
— Não vamos comparar a situação. – Falo rudemente. – A diferença aqui é que tem um cara tomando meu lugar na vida do meu filho.
— Alex... – Ela tenta falar, mas continuo.
— Você nem pensou no que eu iria achar, não é? – Dou uma risada amarga, tentei segurar, mas preciso falar às coisas que estão entaladas. – Você sempre chega e faz as coisas do seu jeito.
— Alex... – Ela começa a falar outra vez, mas a interrompo.
— Eu me importo, caramba! – Falo alto. – Eu deveria estar ali quando ele nasceu... Eu deveria estar nessas fotos, não esse cara.
— Eu sei, mas...
Se sabe, por que fez isso?
— Você não imagina o que eu estou sentindo. – Meu coração bate rápido. – Eu deveria estar lá, Izzie.
Droga!
— Eu queria estar lá e você não me deu essa chance. – Aponto o dedo para ela e vejo que seus olhos estão marejados.
— Eu sei. – Ela fala baixo disfarçando a voz de choro.
— Você tirou isso de mim. – Falo num tom baixo, minha voz sai carregada de dor.
— Me desculpa. – Ela desvia o olhar e respira fundo.
Nem posso brigar com ela assim.
— Quero que as coisas sejam diferentes dessa vez, Alex. – Ela levanta o olhar e me encara.
— Eu também. – Respiro fundo e resolvo não falar mais nada.
Ela se vira para mim e nos olhamos intensamente, sempre fomos assim, um minuto estamos discutindo, no outro as coisas parecem estarem normais. Dou alguns passos em sua direção, ainda estou com raiva, mas tenho que agir diferente, se não nunca poderei conviver com meus filhos. Lembranças da minha infância veem em minha mente e me deixar perturbado... Não quero ser igual meu pai.
— Não quero errar com eles como meu pai errou comigo. – Penso alto e ela me olha.
Droga!
— Você não é igual seu pai, Alex. – Ela se aproxima e segura minha mão.
— Então me da essa chance de ser o pai deles. – Peço olhando no fundo de seus olhos.
— Você já está sendo o pai dele. – Ela fala e toca meu rosto. – Só não percebeu ainda.
— Não vai embora outra vez. – Suplico baixo. – Não leva eles para longe de mim.
— Não vou prometer ficar. – Suas palavras me machucam. – Mas você quiser fazer parte da vida deles, não vou te impedir.
Obrigado.
— Posso te pedir uma coisa? – Ela fala cansada e suspira.
— O que?
— Não vamos mais brigar, Ok? – Ela me olha esperando uma resposta. – Realmente estou cansada de discutir com você.
Eu também.
— Trégua? – Estendo a mão.
— Trégua. – Ela aperta minha mão e sorri. – Por George.
— Por nós.
O silêncio dominou a quarto, por um lado foi bom, não quero mais brigar e discutir com Izzie. Sei que não posso fazer nada com o tempo que passou, mas ainda posso ser um bom pai. Não vou criar expectativas quanto a nós dois... Já me machuquei muito nessa relação, não vou permitir que ela entre novamente em minha vida, bagunce tudo e vá embora como da última vez. Agora as coisas estão dando certo com Jo e espero que permaneçam assim, serei apenas pai dos meus filhos com ela, nada mais. Falando em filho, já estou algum tempo aqui e não notei a presença do meu, onde ele está?
— Cadê o George? – Pergunto olhando para o relógio.
— Foi fazer um exame, já deve estar quase voltando. – Ela passa as mãos na blusa e alonga a coluna. – Arizona não me deixou acompanha-lo no raio-X por causa do bebê.
— Está sentindo alguma coisa? – Observo que ela está inquieta.
— Não. – Ela responde baixo e disfarça. – Está tudo bem.
— Izzie, eu sei que não está tudo bem.
— Quando discutimos, ela fica agitada. – Ela coloca a mão na lateral da barriga e faz uma careta. – Às vezes essa agitação é bem dolorida.
Ela deve estar chutando.
— Posso sentir? – Tento frear meus pensamentos, mas já saíram em voz alta, outra vez.
— Eu... – Ela me olha pensativa e se afasta.
Droga! É obvio que ela não vai deixar.
— Foi só uma ideia idiota. – Eu falo disfarçando o incomodo que estou sentindo, ela me olha por cima dos ombros.
— Ela gosta do som da sua voz.
Por essa eu não esperava.
— Sua voz a deixa mais calma. – Ela me encara profundamente, eu não sei o que responder.
Parece surreal.
— Até agora, nós passamos a maior parte do tempo brigando... – Toca novamente a barriga e suspira. – Mas mesmo assim parece que ela gosta de você.
— Quem não gosta, não é? – Eu disfarço meu coração disparado, ela revira os olhos e ri.
— Meio estranho, mas acho que ela já te reconhece. – Ela sorri carinhosamente. – Me dá sua mão.
Izzie se aproxima de mim e pega minha mão que está meio trêmula, um arrepio de ansiedade percorre meu corpo. Todo o sentimento de insegurança passa no instante em que eu toco a barriga dela. Sua mão está sob a minha e me direciona para onde está o movimento. Ela levanta o olhar e sorri quando sente o chute do bebê, eu sorrio em resposta. Já toquei na barriga de várias pacientes grávidas, mas isso nunca pareceu tão mágico e tão especial.
Minha filha.
Meu coração bate acelerado, fecho os olhos tentando absorver ao máximo esse momento. Sem perceber, aos poucos, me aproximo de seu corpo, noto que ela respira profundamente e isso faz com que eu abra os olhos. Nossas respirações se misturam pela proximidade, vejo um brilho diferente em seu olhar. Todas as recordações de nossos beijos invadem minha mente, desço o olhar para sua boca que está entreaberta... Quero sentir seu gosto outra vez. Vou aproximando meu rosto do seu e ela fecha os olhos esperando pelo beijo.
— Mamãe. – Somos interrompidos por George que entra no quarto correndo.
Afastamos-nos rapidamente, eu olho para porta e vejo um interno, Dr. Levi Schmitt, parado na porta, ele mexe nos óculos, olha de mim para ela, mas não fala nada. Olho para Izzie e ela está super vermelha e sem graça, ela disfarçar uma tosse e se abaixa para receber George em seus braços.
— Oi meu amor, como foi o exame? – Ela olha para George.
— Chato, como sempre. – Ele revira os olhos e me olha com os olhos arregalados antes de seus lábios se curvarem num sorriso.
— Oi. – Falo tentando parecer normal. – Sou o Dr. Alex Karev.
Seu pai. Completo mentalmente.
— Oi. – Ele sorri para mim e olha para barriga de Izzie. – Você sabia que eu vou ter uma irmã?
— Fiquei sabendo. – Coloco as mãos nos bolsos e sinto meu coração se aquecer.
— Agora eu sou o irmão mais velho. – Ele fala orgulhoso colocando as duas mãos nas laterais da barriga de Izzie. – Você tem irmãos mais velhos?
— Eu sou o irmão mais velho. – Um dor aperta meu peito ao lembrar-se dos meus irmãos.
— Uau. – Ele olha para mim admirado. – Eu vou ser igual a você.
— Você vai protegê-la? – Pergunto e vejo que Izzie olha para mim sorrindo.
— Depois que você me der à poção mágica eu vou ficar forte outra vez e vou poder cuidar dela. – Ele fala com entusiasmo e enche meu peito de alegria.
Perai, poção mágica?
Eu não entendo o que ele quer dizer, mas confirmo e olho para Izzie. Ela desvia o olhar e está com os olhos marejados. George vai até a cama e ela o ajuda a subir.
— Mamãe, será que eu posso ver ela na televisão? – Ele pergunta para Izzie tocando a barriga dela e eu fico confuso.
Televisão?
— Não tem como a mamãe fazer o exame agora. – Izzie fala calmamente e vejo que ele fica triste.
Ah claro, Ultrassom.
— Eu quero que ela o conheça, mamãe. – Ele fala baixo como se fosse algum segredo.
— George, agora não dá...
— Schmitt, busca um aparelho de ultrassom portátil. – Eu me viro para o interno parado na porta, ele me olha confuso.
— Onde eu...
— Agora. – Mando e ele sai rapidamente atrás de um, vejo que Izzie maneia a cabeça e olha para mim rindo.
Algumas coisas não mudam.
Não demora e o interno aparece todo atrapalhado com o aparelho de ultrassom, na área da obstetrícia, sempre tem algum disponível. Izzie o agradece e eu o mando sair, quero privacidade. Ela se deita e George sobe na cama ficando ao lado dela. Quando ela levanta a blusa, suas bochechas ficam coradas, acabo rindo, já a vi assim tantas vezes, não sei por que ainda fica com vergonha de mim.
— Eu posso passar o geladinho? – George me pede e eu entrego para ele que aperta o frasco com força e esparrama bastante gel na barriga da mãe.
— George. – Izzie o repreende.
— Desculpa. – Ele ri divertido e tenta pegar um pouco com as mãos.
— Toma aqui. – Limpo as mãos dele com alguns lenços de papel e inicio o exame.
— Ela está ai? – Ele me olha desconfiado depois de alguns minutos concentrado na tela.
— Aqui é a cabeça dela e aqui é o corpo. – Izzie vai passando o dedo na tela explicando para George.
— Eu não consigo ver nada. – Ele fala emburrado.
— Perai, então. – Eu mudo a visualização do aparelho e melhora um pouco a imagem. – Está conseguindo ver agora?
— Não. – Ele cruza os braços, irritado. – Prefiro a outra tela.
Eu e Izzie acabamos rindo e ele revira os olhos emburrado. Lembro quando eu também não conseguia identificar nada nesses exames. Esse aparelho não é tão potente e não mostra o bebê em 3D, como o da sala de exames. Decido colocar o som do coração dela batendo, assim que George escuta ele começa a rir animado, Izzie fecha os olhos e eu observo a cena, tentando guardar na memória esse momento.
— Você também será o herói dela como você é o meu? – Ele me tira dos meus pensamentos e eu sou pego de surpresa.
Olho para Izzie, ela sorri emocionada e passa discretamente os dedos limpando as finas lágrimas que escorreram pelo seu rosto. Emociono-me também, não sei o que ela contou para ele, mas agradeço mentalmente. Ser chamado de herói pelo seu filho é a coisa mais gratificante que eu já senti até hoje. Parece que toda nossa tensão e raiva evaporaram dando um lugar a um sentimento novo. Querendo ou não, somos uma família e eu vou fazer de tudo para não perder eles.
— Sim, George, eu sou o herói de vocês.
Nunca vou deixar vocês irem outra vez.
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