Seguindo meu instinto - Perina
5 Naufragos
Notas iniciais
No MAR
O iate já estava longe do pequeno bote, naquela mansidão de águas. Karina estava abraçada a Pedro.
–SIGURA. Gritou Pedro quando viu uma onda enorme se formar. Karina gritou desesperada segurando nas cordas na borda do bote. Quando as ondas sessaram, eles já aviam se afastado muito de onde caíram agora somente a chuva os atrapalhavam. Pedro desdobrou a lona que estava junto a uma pequena caixa de primeiro socorros, (duas garrafas d’água, meia dúzia de barras de cereais, algo para ferimento, uma lanterna e um sinalizador.). Os cobriu da chuva e se abraçaram pra se aquecer. As horas já não importavam mais, era tarde da noite, Pedro e Karina dormiam abraçados pra se aquecer.
No RESTAURANTE
Gael, Marcelo e João esperavam o casal, na marina. O Iate ancorou. Não demorou muito para darem falta da dupla. O piloto deu falta do bote salva vidas.
–COMO É QUE É? Gritou Gael, passando a mão em seus cabelos. Algo apertou em seu peito. –A minha filinha. O que vamos fazer?
–Calma Gael, vamos falar com policia, eles vão saber o que fazer. Marcelo tentou ser o mais calmo possível. O seu peito doía como iria falar para Delma e Tomtom que Pedro estava perdido no mar. Aquilo estava o enlouquecendo, mas já bastava um Gael desesperado. João ficou transtornado com o sumiço do primo.
O trio correu pra a delegacia, no caminho Gael ligou para que Duca os encontrasse lá, não falou o que estava acontecendo só que ele pegasse um taxi e os encontrasse. Chegaram e Duca chegou depois, Gael explicou a confusão e o porquê de tamanho desespero. Duca ficou sem ação. “Será que estão vivos? O que iram fazer? Será que estão bem? será que estão com frio ou fome? será que estavam juntos?” Era as perguntas em suas mente desorientadas. Os policiais chamou Gael e Marcelo em uma salinha para orientá-los.
–Nós sabemos o desespero de vocês. Disse um dos policiais.
–Sabem mesmo? Disse Gael.
–Calma, os deixa terminarem. Marcelo os tranquilizou.
–Hoje não podemos procura-los a chuva ainda é forte. Amanhã iremos com os policiais da marina procura lós, onde o piloto falou com eles pela ultima vez.
–Só amanhã? Por quê? Perguntou Marcelo antes que Gael perdesse a cabeça e ficasse preso.
–Os barcos não podem sair com esse tempo. É muito perigoso.
–Mas e os nossos filhos? Não é perigo também? Falou Gael ríspido.
–Não dissemos isso. Se colocarmos barcos não vamos conseguir encontra-los esta escuro e nem sabemos por onde começar. Vão pro hotel falem com suas famílias e voltem de manhã para as buscas.
Marcelo concordou e tirou Gael antes que ele criasse mais confusão. Não demorou para estarem no hotel, Duca acalmava Bianca pelo fato da noticia. Marcelo amparou Delma e Tomtom. Já era madrugada quando conseguiram adormecer. Bom, Gael não. Ele só conseguia pensar como seria insuportável perder Karina. Aquilo doía o tanto em seu peito.
Era 6 horas quando Gael e Marcelo chegaram na marina para as buscas, não deixou Duca e João vir para cuidarem das meninas.
No Mar
Acordaram aviam boiaram a noite toda, estavam a quilômetros mar a dentro nem bem sabiam onde estavam.
–Acha que estamos muito longe? Perguntou Ka separando dos braços de Pedro e sentando.
–Eu não sei não. Mas fica de olho. Agente não deve estar longe.
–Agente esta aqui há horas. Quando vão nós encontrar?
–Esquentadinha, eu ainda não sei. Disse pausadamente, tentando não ser groso. — Espero que logo. Você que água? Disse passando uma garrafa de água.
–Obrigada!! Meu celular esta encharcado. Disse tirando o celular do bolso.
–Droga nem teremos o que ouvir. Disse sarcástico.
–hahaha.. Droga ainda não acredito que não tem remos ou motor nessa coisa. Quer dizer é pra isso que serve um bote? É pra emergência então pra que ter um bote? Pedro começou a rir. – Qual... Qual é a graça disso? Você sabe que estamos no mar no meio do nada, né? Disse Karina irritada.
–Sei. Eu também sei que pirar não vai adiantar em nada. Então... Disse encostando a cabeça na beirada do bote e relaxando.
–Então? O que a gente vai fazer? Ka perguntou.
–Por enquanto vamos flutuar. Eu acho.. Ah.. Pedro tirou uma embalagem do bolso. –Você que chiclete?
–Por que estou com mau hálito?
–Provavelmente. Karina meio sem graça aceitou.
Na MARINA
Três barcos saíram em busca do casal, Marcelo estava em um e Gael em outro. Só não sabia que os jovens estavam a muitos quilômetros dali.
No MAR
Pedro mergulhou a cabeça na água tentando se refrescar.
–Uuu... Devia fazer isso. Falou chacoalhando os cabelos.
–Não obrigada!!
–Esquentadinha você não me deu nenhum beijinho hoje.
–E nem vou dar. E pela centésima vez meu nome é KARINA.
–Ta legal KARINA.
–Aiii meu Deus. Falou avistando uma ilha.
–O que? Disse sem amemos se levantar.
–Uma ilha. Lá.
–Onde?
–Bem ali.
–Esta muito longe. Disse voltando se encostar. –Vamos ficar aqui até buscarem agente.
–Ta brincando? Ta bom eu remo sozinha.
–Ta bom. Ta bom. Eu remo sozinho. Vai que algum peixe pegue suas lindas mãos.
–Vai logo.
No HOTEL
Todos estavam reunidos no saguão do hotel, espero resposta de Gael e Marcelo. Bianca estava sendo conçolada por Duca.
–Tadinha da minha irmã. Deve estar com fome e frio. O que eu faço Duca?
–Bianca agora só podemos esperar por eles com noticias. Disse a tranquilizando.
–A única coisa boa de tudo isso é que ela não esta sozinho né mamãe. A Karina vai proteger ele. Disse Tomtom, fazendo eles sorrir pela primeira vez em horas.
–Vai mesmo Tomtom, ela gosta de aventuras. Sempre acampávamos com o Gael. Disse Duca. Com certeza eles encontraram alguma ilha e estão bem.
–Você acha isso mesmo? Perguntou Delma.
–Acho sim. Respondeu Duca. Mas essa era sua esperança e não uma certeza.
No MAR
Pedro remou com as mãos de um lado e Karina do outro. Logo chegaram a uma ilha deserta. Trouxe o bote até a areia para que o mar não o levasse.
–Você esta bem? Karina perguntou.
–É. Acho que estou.
–Vamos temos que encontrar alguém.
–A espera ai. Disse pegando o kit de primeiros socorros e a Lona
–Serio? Pra que isso?
–Sei la pra não morrermos de fome, cede ou frio.
A ilha tinha árvores, flores, alguns pés de frutas, muitos e muitos insetos, fazendo Pedro saltar algumas vezes. “Eu detesto insetos”. Disse em sua defesa.
–Ahh.. Você esta em um ótimo lugar. Karina disse sarcástica.
Na MARINA
Os três barcos retornaram depois de horas procurando o pequeno bote. Gael e Marcelo estavam exaustos. Como iriam voltar sem noticia alguma para a família. A dor só aumentava.
Na ILHA
Andaram por horas atrás de alguém.
–Aii.. meus pés estão me matando. Disse Ka. Estava apenas com um par de chinelos, cheio de areia agora.
–Aii.. Eu odeio caminhar. Comentou Pedro.
–Aiii.. Disse Karina ainda incomodada.
–Que usar o meus Tênis.
–Não. Mais Obrigada!!
Pedro observou umas plantinhas.
–Eiii.. Olha só. Pegando algumas frutinha.
–Não, Não... Para. Disse Ka se aproximando dele.
–São só amoras.
–Brancas e amarelas matão. Azuis e roxas Curam. Disse.
–Você é muito estranha, esquentadinha.
–Já ouvi coisa pior viu. Disse sem nenhuma alegria.
Pedro e Karina estava cada vez mais dentro da mata. Não encontraram nenhuma alma viva.
A mata fechada escondia uma preciosidade.
–Nossa... É Linda!! Disse Karina impressionada. Era uma lagoa. As águas azuis fez Pedro se lembrar dos olhos de Karina o fazendo sorrir.
–Vamos. Temos que continuar. Temos que achar alguém. Ka disse virando de costas.
–O que? Nunca mais vamos voltar aqui.
–Ida i? Quero voltar pro hotel.
–Meu Deus Karina, você sabe quanto Isso aqui é único? Pedro tentou convence lá. –Escuta. Qual é seu maior sonho?
–Ser uma lutadora profissional.
–Karina sabe quantos lutadores querem isso? Muitos. Sabe quantas pessoas nadaram nessa cachoeira? Vamos lá.
–Garoto temos que achar alguém. E anda logo. Você não vai me convencer.
–Tão “esquentadinha”. Disse pra si mesmo.
Pedro foi atrás de Karina e continuaram desbravando a “pequena” ilha atrás de alguém pra ajuda-los. Karina ajudou Pedro andar sobre as pedras. “como pode ser frouxo assim” pensava com ela mesma.
–Queria tanto um banheiro de verdade. Falou Karina.
–Eu queria um café.
–Onde estamos? Perguntou Karina, quando chegaram à parte mais alta da ilha.
–Nós estamos andando há horas. Falou Pedro.
–Não encontramos nada e nem ninguém. As ondas quebravam nas pedras abaixo deles.
–É melhor agente voltar para o “barco”. Disse Pedro. –Vamos, vai ser uma longa caminhada. Karina e Pedro voltaram para onde o bote estava.
–E se tivermos que dormirmos nessa ilha? Nem sabemos acender uma fogueira.
–Isso é você quem diz. Por que o meu pai me ensinou. Karina sorriu vitoriosa.
–Perfeito! Disse Pedro.
–Uma caverna? Eu não vou dormir aqui.
–Esse é o lugar mais seguro, se chover tudo bem. Só tem uma entrada. Vamos dormir bem pertinho.
–hahaha.. vai sonhando.
–Como se fosse a primeira vez, né? Karina revirou os olhos. Passou a noite todo em seus braços, mas isso não iria se repetir. – Ka passa a lanterna por favor.
–Ta. Aqui. Pedro acendeu a lanterna para olhar dentro.
–Ahhh... Gritaram e saíram correndo. Os morcegos não gostaram nada da visita dos dois intrusos.
–Ahhh... Vai. Vai. Vai ka. Correram e se jogaram na água.
–Então nem pensar na caverna. Karina falou ainda sem folego.
Pedro riu alto. Andaram mais até onde deixaram o bote.
–Cadê o “barco”? Pedro ficou desesperado.
Só sobrou um colete salva vidas, que deixaram junto areia. A mare subiu levando o barco. Karina passou a mão nós cabelos.
–Eu estou muito cansada. Karina disse.
Ela estava acostumada com horas de treinos pesados, com os cara da academia, mas aquilo ela não estava acostumada. Estava cansada mentalmente e humanamente. Eles andaram o dia todo e não aviam comido nada.
–Vamos parar um pouco.
–Obrigada!!
Acharam um lugar perto da praia para se abrigarem. O sol estava se pondo.
–Esta vendo alguma coisa? Ká perguntou observado o quanto Pedro admirava o por do sol.
–Não.
–Tem que usar o sinalizador, para que possa nós localizar.
–Ka não tem nada, não podemos dispara ló agora.
Pedro ficou observando o sol se por.
O sol se escondeu Pedro voltou se sentar de frente pra Karina encostado em uma arvore.
–Que um travesseiro? Ofereceu Pedro o colete salva vidas.
–Valeu.
–Aqui come. Pedro deu a Karina uma barrinha de cereal. Comeram tranquilamente. Nem perceberam como estavam famintos.
No Hotel
Gael e Marcelo retornaram, contaram para seus familiares como tinha ocorrido a busca, explicaram que haveria mais buscas no outro dia. Conseguiram um mapa com todas as ilhas da região, não demoraria muito pra encontra los.
Na ILHA
Karina acendeu uma fogueira.
–Por que você fica me chamando de esquentadinha?
–Ka por que você é esquentadinha, sempre nervosinha, tudo que eu faço te irrita.
–E você acha pouco. Desde o dia que eu te conheci. Faz o que? Hum... 3 dias. Você me atropelou, quase me afogou, me derrubou suco e ainda por cima se perdemos no mar. Você acha pouco eu ser esquentada. Eu devo estar muito boazinha pra você não esta com um olho roxo.
–Calma. Calma. Já te pedi desculpa pelos acidentes. A-CI-DEN-TES. Mas estarmos aqui nem sei explicar.
–Eu sei. Eu sei.
–Acho melhor dormirmos. Boa noite!
–Boa noite!!
–Se você sentir frio, pode me abraçar.
–Nem sonhando.
–É vai sonhando comigo. Mandou um beijinho e se deitou usando um galho como travesseiro.
.....
"As vezes o amor dura, mas, as vezes fere."
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