Seguindo em Frente
33 Mensagem Escondida
Notas iniciais
Na grande mesa da cozinha Hermione estava com o livro de contos apoiado, lutando para desvendar um assunto, temendo encontrar ruindades, jogando-se contra seus tabus do medo. Sua bunda já estava dolorida da mesma posição e sua cabeça parecia a ponto de estourar, cheia de pensamentos conflituosos que não faziam sentido – alguns se embolando com seus próprios pensamentos pessoais e irrelevantes para o momento. Podia escutar o vento lá fora soprar como se manipulado com ventilador pelas mãos de alguém experiente já que fazia os galhos de algumas árvores balançarem graciosa e ritmicamente. Pela janela também viu o grama sacudir e o cheiro de terra molhada subir em aspirais sonoros de sopros que batiam em qualquer coisa dura.
Os mesmos rituais continuaram e a bruxa continuou a examiná-los por mais vários minutos até ver o que eles podiam lhe dizer, ou, talvez, fosse ela que os estivesse sempre enxergando, suas tolices encobrindo a mais pura verdade. Seu celular zumbiu ao seu lado, porém ela não se deu o trabalho de olhá-lo, concentrada demais na tímida voz de Gina em seu consciente, revelando o que ela já sabia. Era uma analogia bem incomum: ela era o vento. Inconstante, teimoso, convencido de querer soprar pelo mundo sem pensar nos obstáculos por querer saber o real sabor de liberdade. Porém existiam obstáculos. Inúmeros que a paravam. Um em particular que parecia desestruturar todos os que o antecediam como nada: igual como as máquinas que transformam rocha em pó apenas em prensá-las.
Rony era esse obstáculo.
Não era estúpida para admitir a si mesma que ele fora a razão do término de qualquer coisa que tivesse com Peter. Namoro ou não, aquele cretino tinha sido a razão para o começo e fim. E esclarecer tal coisa sempre fazia sus bochechas esquentarem, mesmo que estivesse sozinha.
— O que foi?
A voz inesperada assustou Hermione. Ela pulou da cadeira e moveu sua cabeça depressa para a origem do som e foi de encontro a algo no segundo seguinte. Atordoada e com o coração acelerado ela escutou outro baque e os gemidos de alguém no chão.
— Rony? – ela arfou, sem enxerga, o procurando e achando sentado na parede que levava a sala. – Por que está sentado no chão? – falou ao se abaixar próximo a sua cabeça.
— Porque talvez você fraturou meu nariz!
— Seu nariz? – Hermione arfou de novo, lançando a mão para frente e apertando o que era o nariz de Rony.
— AÍ!
— Oh, desculpe, desculpe! – moveu-se depressa, atropelando uma cadeira no caminho para alcançar sua varinha que tinha se apagado. A casa estava escura, o relógio do seu celular marcava pouco mais das três da madrugada e estavam na cozinha, aparentemente tentando não acordar o restante do pessoal nos andares de cima.
Voltou para perto dele, hesitante do que poderia ver.
— Nox – sussurrou e o rosto de Rony surgiu a sua frente com os dois buraquinhos do nariz ainda sangrando. – Oh, Deus!
— Tudo bem, Hermione.
— Bem nada – ela murmurou de volta, brava pela aparente calma dele. – Seu nariz está sangrando.
— Isso é meio óbvio agora – tentou brincar para descontrair mas recebeu um forte tapa no braço. – Hermione! Vai continuar a me machucar? Me avise se for usar a varinha!
— Não jogue a responsabilidade pra cima de mim! Você que me assustou!
— Se assustou por que pensava em algo suspeito – ele sussurrou com a voz fina por estar tampando o nariz com a mão. – Posso saber o que era pra ter reagido daquele jeito?
Hermione abriu a boca mas não conseguiu falar. Como deveria estar seu rosto quando ele a viu? Como a de uma covarde.
— Não é da sua conta – sussurrou devagar, limpando com os dedos o sangue que escorria para a boca do ruivo. Ele a olhou por um estante enquanto ela lhe tocava os lábios como se fosse a coisa mais normal do mundo. O choque finalmente passou por sua mente e iluminados pela varinha de Hermione ele pode observar as tímidas sardas que se estendiam do nariz e abaixo dos olhos dela. O ar circulou pesado entre eles.
Rony percebeu que Hermione ainda estava olhando para o local onde tocava e uma onda de coragem borbulhou em seu estômago para fazer o que vinha querendo desde sempre: agarrou o pulso erguido dela e a puxou para mais perto.
Ela não reagiu contra. Não puxou o braço de volta. Não virou o rosto. E o mais importante, não disse não. Eram só os dois ali, dois adultos que podiam fazer o que bem lhe dessem na cabeça; mesmo que isso terminasse a se beijarem na cozinha da casa dos seus pais.
Eram mais que adolescentes birrões que brigavam por tudo na escola.
Eram amor.
Fechou os olhos quando seu lábio superior tocou no dela e...
— O que estão fazendo?
Uma luz forte os separou subitamente.
Hermione se afastou de Rony assustada e ofegante, encarando Harry com o rosto vermelho. O moreno coçava a nuca olhando da amiga para o ruivo de cara azeda no chão, o entendimento mudando sua expressão facial à medida que ligava os pontos junto as posições dos amigos e o sangue no rosto de Rony. Um olhar mortificado foi lançado contra a morena.
— Hermione! – Harry murmurou. – Você bateu no Rony!?
A bruxa piscou depressa, olhando assustada para Rony e de volta a Harry.
— O que? Eu bati nele? – apontou para o bruxo que ainda estava no chão. — Eu não!
— E por que ele está sangrando? – Harry se aproximou do ruivo.
— Porque eu quis sangrar e daí? – houve um momento de tapas entre eles; Harry queria ver seu nariz e Rony não queria deixar.
Hermione rodou do mesmo lugar a procura de qualquer coisa que mandasse Harry embora. Mas não encontrou nada; apenas sua crescente vontade de socá-lo por atrapalhar a ela e Rony. O peso de tal pensamento lhe fez corar de novo e ela se virou para pegar seu livro e agarrá-lo fortemente junto ao peito – e ao fazê-lo, os dois bruxos que ainda discutiam tiveram a súbita sensação de estarem tendo um dejá vú. Ela nem olhou para eles. Murmurou um feitiço que ajudasse no machucado e sangramento de Rony e tentou caminhar devagar e despreocupada até as escadas; para assim poder disparar até o quarto que dividia com Gina em total desespero e vergonha. A ruiva não fez qualquer movimento enquanto Hermione se remoía e trocava o short jeans pelo de moletom para em fim se encolher na cama. Mas ela teve certeza de ter escutado uma risada e isso a fez querer morrer.
***
O dia amanheceu depressa demais e assim que Hermione acordou a primeira pessoa que viu foi a ruiva com quem dividia o quarto. Gina tinha uma xícara de chá na mão direita enquanto organizava algumas roupas dentro de uma bolsa. Ela cantarolava uma música de sua banda favorita.
Ela estava de costas mas podia ver o quanto de diversão ainda tinha e suas convicções se afirmaram quando a morena se espreguiçou, pegou sua toalha e saiu para o banheiro. Algumas pessoas conversaram na cozinha e o burburinho estava animado e mesmo que tentasse se convencer que poderia não ser a pauta mais importante da conversa – ou, uau, do mundo! – ela escondeu o rosto na toalha e cruzou o correr a passos apressados e decididos.
Apesar de alguns infortúnios ela se sentia bem ali. Nervosa pelo momento, mas bem. Era totalmente nostálgico – como se tivesse voltado para A Toca na noite anterior afim de ir com Harry e os outros Weasley para a estação as onze horas. Poderia imaginar a correria que estaria aquela casa em outros tempos com os senhores Weasley tendo que supervisionar oito crianças para que não esquecessem nada e, Merlim, como eles faziam aquilo sem errar nada? Ela estaria arrancando os cabelos e explodindo tudo assim que ficasse muito impaciente. Tinha certeza que os donos da casa também se sentiam daquela forma com ela e Harry ali e ficava agradecida por saber que aquele lugar seria sempre sua segunda casa.
Foi pensando nisso que entrou no banheiro sem bater e foi o som da porta batendo que atraiu a atenção da pessoa que ocupava o box naquele momento.
Rony desligou a água e afastou a cortina escura.
— Está ocupado! – disse, tarde demais quando a figura pequena ao lado da pia tirou a blusa do pijama. Hermione se assustou com ele e agarrou a blusa de volta junto ao corpo, cobrindo os seios, gritando e esbarrando com força as costas na porta. O grito dela se misturou com o grito de susto de Rony e juntos eles gritaram alto. Não demorou muito para que o som de passos atravessasse o corredor do lado de fora e alguém bater na porta.
Hermione não conseguia olha para Rony e dividida em continuar se cobrindo e abrir a porta ela não tinha mais forças para fazer a segunda tarefa – ou era ela que não ajudava muito em seus esforços para se abrir.
Molly conseguiu destrancar a porta e ela, Harry, Gina e o Sr. Waesley observaram Rony e Hermione encolhidos em seus cantos, as faces pegando fogo de vergonha. Os quatro convidados a confusão olharam a cena por mais alguns segundos até alguém começar a gargalhar alto e calorosamente, obrigando Hermione a escorregar pela parede e se encolher sentada no chão.
— Se queria fazer alguma coisa, deveria ser ao menos silenciosos, não? – Gina murmurou para os pais como se fosse óbvio.
— Ginevra! – repreendeu Arthur apesar do sorriso de canto.
Hermione gemeu com sua cabeça escondida entre os braços, escutando as risadas de Harry e os xingamentos de Rony.
Ótima maneira de começar o dia.
***
Agnes não estava confortável ali.
Um professor de confiança havia lhe acompanhado e a falta de mais alguém na sala estava deixando sua ansiedade bem mais elevada de quando foi chamada e informada que iria depor no Ministério. Aparentemente não fora o ministro que tinha pedido sua presença e sentiu uma fagulha de contentamento por Minerva ter dito que fora Hermione, antes do seu antigo sentimento de confiança sobre a bruxa ser esmagado pelas expressões da última conversa que tiveram juntas: suas pupilas dilatas, um vinco mínimo mas existente entre suas sobrancelhas, a voz polida e desconfortável. Eram várias questões que a deixavam assustadora e mesmo que Agnes soubesse que aquele era seu modo operador de uma auror, era ruim a imagem de bruxa inteligente e gentil que sua cabeça tinha formulado.
Mas não tinha importância o que achava ou o que deixava de achar. Sua relação com a senhorita Granger não iria extrapolar a de auror e aluna e isso era a única certeza que a garota concordava com o concelho da mãe escrito na última carta.
A sala onde estava a uma eternidade era grande e bastante iluminada por uma janela enorme de vidro, uma mesa de madeira cor vinho, cadeira de mesma cor e três outras de frente a ela – sendo que Agnes ocupada a da extremidade. Já havia mudado de acento várias vezes e aquietou-se após seu professor pedir que não ficasse nervosa. Como se ele pudesse também não ficar e pela forma de como estava – de pé enfrente a janela, os braços cruzados com tal força que ela podia ver a tensão em suas costas, ela soltou um riso fraco, pedindo internamente que acabasse logo.
Estava quase para pedir para ir embora quando alguém bateu na porta duas pessoas apareceram.
Seu professor cumprimentou os dois aurores enquanto deixava sua cabeça baixa. Uma mão tocou seu braço.
— Oi, Agnes – Hermione disse e seu sorriso encantador chegou aos olhos da garota quando a bruxa de abaixou. – O ministro pediu para que Neville e eu comandasse o seu depoimento de hoje. Tudo bem pra você assim?
Agnes retirou a mão dela do seu braço devagar e não a olhou quando respondeu.
— Se foi o próprio ministro que quis assim eu não posso ir contra a palavra dele.
Hermione estranhou o tom dela. Levantou, franzindo o cenho para a garota que parecia não notar o que acabara de dizer sem exalar qualquer outro sentimento. Sua arrogância escondida na polidez de sua resposta.
Hesitando e sob os olhares de Neville ela assentiu quando ele apontou para a prancheta em sua mão. Ela suspirou. Qualquer outro assunto deveria ser tratado com ela depois. Não tinha tempo para oscilações de humor de adolescentes.
Com a varinha fez a mesa escorregar até a parede e ajustou as cadeiras em uma roda.
— Estou certa que o ministro já repassou algumas informações para a diretora – ela não falava com Agnes que mesmo sob o nervosismo tentava transparecer calma. Escutou seu professor concordar com ela, dizendo mais algumas coisas que ela não sabia. A falta de claridade em seu rosto revelou que Hermione tinha sua atenção para ela agora. – Sei que tantas visitas ao Ministério não é muito comum para qualquer aluno de Hogwarts, Agnes, porém eu espero que saiba a razão de estar aqui.
Ela assentiu com os olhos ainda baixos.
— Nas anotações contam que o ataque que sofreu em seu dormitório pode ter vindo de artes das trevas. Você concorda com isso?
A menina lembrou que a diretora lhe falar algo sobre. Então acenou de novo.
A reação dela pareceu surtir efeito e um suspiro profundo chegou aos seus ouvidos.
— Pode se comunicar verbalmente comigo, Agnes? – Hermione murmurou firme, estendendo a mão para tocá-la no pulso, falando mais baixo as próximas palavras: — Por favor, olhe para mim.
Olhos expressivos dela alcançaram os castanhos da bruxa e seu sorriso, de alguma forma, deixou ela mais confortável.
— Bem melhor, não acha? Agora pode me falar tudo o que sabe?
— Foi na terça-feira e uma das minhas aulas aula da manhã foi cancelada – ela assentiu para si, confirmando os acontecimentos para falar. – Então eu subi para o dormitório... queria ler um pouco. Aquele livro que eu disse – foi a ver de Hermione acenar. – mas quando abri a porta tinha aquela sombra negra e bizarra... e depois tudo ficou preto.
— Foi quando acordou na enfermaria – murmurou Neville, a pena escrevendo velozmente na prancheta ao seu lado.
— Sim. Foi quando acordei lá e quando chamaram a senhorita Granger.
— Depois da nossa conversa, quando voltou para o dormitório, você notou que alguma coisa sumiu?
Agnes não precisou pensar muito.
— É claro – disse. – a segunda cópia do livro que te dei. Tinha sumido. A bibliotecária me pergunta até hoje onde está e não tenho mais desculpas.
Hermione podia sentir a expectativa em Neville.
— Enquanto o lia, você viu alguma coisa suspeita?
— Tipo o quê? – ela olhou para o seu professor.
— Apenas diga se encontrou algo.
Agnes suspirou e após lembrar de quando encontrou um pedaço de papel na capa do livro, apertando as mãos nas pernas, disse hesitante:
— Sim, encontrei. Não sei bem como, mas acho que acabei danificando a capa e encontrei um tipo de mapa escondido ali. Pequeno, mas em ótimas condições – ela apertou a boca em uma linha. – Estou encrencada?
Nesse momento Hermione estava de pé, olhando ansiosa Neville.
— Será que...
— A outra metade... – ele murmurou. – A metade que faltava, Hermione! Se for mesmo isso, encontramos o mapa completo.
A morena se virou para a garota.
— Você tirou esse pedaço de mapa do livro ou...
— Eu tirei. Mas o livro desapareceu.
— Precisamos dele, Agnes. Agora. Pode trazê-lo para mim?
A menina sorriu minimamente, assentindo. Observou os aurores se entreolharem e suspirarem de satisfação. Mesmo sem entender ela percebeu que ajudara em algo. E ficou extremamente feliz com isso.
Não demorou muito para que o mapa chegasse até eles.
Sob novas novidades uma reunião geral com aurores e ministro começou meia hora depois. Hermione tinha Rony ao seu lado e juntos examinavam as duas metades que juntas formavam um mapa de tamanho médio. Foi um choque quando o viu naquela manhã – ficando impossível esconder mais do que pode com os cabelos suas bochechas vermelhas. Mas não demonstrou. Mantendo a expressão neutra e espiritualmente calma ela lutou contra seu coração acelerado, sentindo que se respirasse mais profundamente poderia acabar gritando.
Em comparação o ruivo estava bem e sem quaisquer emoções constrangedoras o que facilitava pela metade seu trabalho. Porém ela pensou em ter visto as orelhas deles ficarem avermelhadas mas não podia afirmar para si mesma. Não ia olhá-lo de novo – muito menos atentamente.
— Olha esses detalhes – ele murmurou, estourando sua bolha. A morena olhou para onde ele tocava com o dedo indicador. Os desenhos das arvores iam e vinham em sentidos, posições e formas diferentes, juntamente com riachos, clareiras e um conjunto de casas de teto marrom.
— É como mágica – ela sussurrou mais para si. Rony deveria ter escutado já que riu e juntos se olharam e riram mais ainda. Atá.
A reunião começou no segundo seguinte e a bruxa deixou Neville falar pelos dois.
Não durou muito. Ralpe entrou na sala de supetão, trazendo junto, dentro de esferas de luz branca e baixa, os livros que Hermione e Agnes o deram.
— Encontrei algo – ele disse, fechando a porta com um aceno da varinha. Girando calmamente o punho moveu os livros de ângulo, deixando-os ao contrário. – Granger, pode me dizer o que tinha escrito no livro que leu?
Hermione juntou as sobrancelhas.
— Nada de mais. Apenas histórias para crianças.
— Que viram feitiços proferidos em latim? – Ralpe falava profissionalmente. Ele apontou para os livros, cujas palavras começaram a trocar de posições nas páginas que estavam abertas.
Ouvi arfadas de cada canto quando as linhas pararam e tomaram um tom vermelho que escorria para o final da página.
— Que diabos... – murmurou ela.
— Como não percebeu isso? – o auror voltou a falar. – Está tudo ligado. As histórias, o caso, os sequestros. Tudo.
— Não fazia ideia... não tem sentido... – Hermione buscou com os olhos uma explicação em Rony. — Pensei que fossem apenas para ensinamentos morais para crianças bruxas.
— Envolvendo feitiços pesados e sacrifícios? – ele rebateu chocado.
— Não é hora de discussões inúteis – o ministro os calou com sua voz forte. – Com o mapa sabemos onde as crianças poderão está.
— E o por que – Ralpe o interrompeu, repousando na mesa escura alguns pergaminhos que – Oba! – ele e Hermione haviam investigado.
— Lua de Sangue – era o que um deles dizia. Rony o pegou e o leu.
Passando os olhos no pergaminho que não havia visto até então o cérebro de Hermione trabalhou rápido. Seu estômago se contraiu ao perceber uma data importante e, com o corpo trêmulo se apoiou na mesa.
— Temos que encontrá-los até hoje.
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