Seguindo em Frente
14 Chegada - parte 3 (Não é Da Sua Conta)
Notas iniciais
Rony ainda não acreditava no seu próprio auto-controle. Na simples troca de olhares que teve com Hermione, o seu único querer era prendê-la a uma parede e beijá-la. Beijá-la sem se importar com quem estivesse ao seu redor. Mas se conteve em simplesmente observá-la.
Nos muitos anos de amizade que tiveram, ele sabia quando a morena estava com raiva. Com as bochechas de Hermione vermelhas, ele se arriscou levar Lorena para perto dela e de Gina, o que lhe resultou em um olhar frio por parte dela.
Sabia que tinha a magoado três anos atrás, mas não era possível uma pessoa guardar mágoa por tanto tempo. Hermione não era assim... era nisso que o ruivo queria acreditar.
Quando a morena foi para o andar de cima, sentiu Lorena o encarar um pouco assustada. Com um olhar suplicante, Rony entendeu o pedido de desculpas silencioso por ter falado demais. Ele apenas deu de ombros e a puxou para o sofá, mas quando iria pedir para Gina os acompanhar, não viu mais a ruiva ao seu lado.
Mas foi questão de segundos que começou a escutar vozes alteradas. Eram gritos de uma conversa desconexa, mal se entendia, apenas pequenos fragmentos de " Não me interessa... " ou " Chance de quê?". Franziu a testa sem entender e dando alguns passos para a escada — lugar onde Hermione e, provavelmente, Gina tinham ido -, Rony estava disposto a descobrir o que era.
— Não — Lorena o segurou pelo braço e o forçou a ficar. — E não me olhe assim, você sabe que é a provável razão da discussão das duas.
— Eu? - Rony pontuou. — Nem sei se são mesmo elas e que estão brigando!
— As vezes me pergunto se você é mesmo um idiota ou se apenas se faz de um — Rony estreitou os olhos para ela. — Você, por acaso, viu mais alguém subir lá para cima? O restante de sua família está toda no jardim!
Com um olhar rápido ao local falado pela amiga, o ruivo constatou a verdade.
— Ok, pode até ser — ele murmurou. — Mas isso não me impede de ir saber o por que da briga.
Com um movimento rápido, Lorena se pôs na frente de Rony, apontando sua varinha para o peito dele ameaçadoramente.
— Saia da minha frente, Lorena — Rony sorria e sustentava o olhar dela. — Abaixe essa varinha, eu sei que você não tem coragem de me machucar.
Ele deu um passo a diante e a varinha da morena ficou colada ao peito do ruivo.
— Verdade — concordou, com um leve arquear das sobrancelhas. — Mas não esqueça que também sou um auror e não vou recuar diante de um desafio. Então, sente essa bunda no sofá ou vou ter que azará-lo e não vai querer que isso aconteça logo na casa dos seus pais... ou vai?
Lorena estava com o olhar frio, este, que Rony nunca vira em nenhum momento. Levantando as mãos em modo de rendição, ele sentou no sofá e a morena guardou a varinha no bolço, o acompanhando.
Os minutos seguintes foram seguidos de mais alguns gritos — igualmente sem muito nexo -, e silêncio depois. Do lado de fora, as conversas misturadas do outros Weasley só serviam para aumentar mais o nervoso de Rony que queria falar com Hermione.
— Oh, Merlim! — escutaram a voz de Molly vindo da porta da cozinha. Ela tinha um sorriso no rosto um pouco corado e enquanto caminhava de encontro a ele, enxugava as mãos no avental preso a cintura. — Onde está a Gina? Está na hora de cantar o parabéns!
— Ela está lá em cima com Hermione. — disse Rony entediado.
— Vou chamá-las, então. — Molly caminhou para escadas mas parou com o grito de Lorena.
— Não! — sorriu envergonhada. — Permita-me ir chamá-las... sabe, para que eu possamos ficar amigas.
— Isso seria ótimo! — apelar para o lado mais emocional da matriarca era uma parte que Lorena sabia bem: Rony a falara muito do lado bondoso da mãe. A Sra. Weasley saiu e Lorena suspirou, olhando para Rony.
— Me aguarde.
Não esperou ele responder e subiu as escadas, presenciando um ambiente sem som algum quando achou Hermione e Gina no banheiro. Depois de Gina sair e ao fugir do aperto de Hermione, ela não encontrou mais o amigo na sala. Momentaneamente parada a porta da cozinha, sentiu-se sobrando ali.
***
Lorena e Gina já haviam descido e nada de Hermione. Rony estava sentado do lado de fora da Toca, enquanto Gui falava alguma coisa que no caso não estava interesso.
Mas o cheiro do perfume que tanto gostava o fez acordar e viu Hermione parada a soleira da porta. Deixou Gui falando sozinho e caminhou em direção a ela, seu coração parecia socar sua caixa torácica. Quando o viu, Hermione tentou assumir uma postura mais fria.
— O que aconteceu lá em cima? — perguntou Rony.
— Não é da sua conta. — Hermione respondeu e caminhou para mais perto de Gina, que estava se posicionando atrás da mesa do bolo. Rony estranhou o tom da amiga mas não abandonou o assunto. A seguiu.
— Eu só quero saber o por que da gritaria.
— Tenho certeza que não é algo que vai lhe interessar — a morena falava cada vez mais friamente e com menos paciência. Não queria Rony perto dela.
— O que quer que tenha a ver com você é do meu interesse — sussurrou de volta e o coração de Hermione pulou... mas de raiva.
— Minha vida não é do seu interesse, já sou bem grandinha quanto a isso, então, por favor, me deixe em paz! — ela o empurrou pelo peito e o ruivo cambaleou, indiferente com o gesto dela. Parecia que os outros presentes não tinham se dado conta da pequena discussão dos dois e o "parabéns pra você" foi cantado bem alto para uma Gina sorridente.
Hermione — que estava do lado da ruiva — permaneceu olhando para a amiga, evitando contato visual com o ruivo que estava fazendo seu sangue ferver. Ele pensava que era quem para exigir tais coisas a ela? Achava que voltar depois de três anos e ser recebido de braços abertos pela família mudava o que ela ainda sentia?
Que mudava as tantas lágrimas já derramadas? Não, Hermione não cederia assim tão fácil e não deixaria Rony se reaproximar pela segunda vez. Não o deixaria quebrar seu coração mais do que já estava quebrado. E para isso, ela teria que pedir ajuda ao seu então amigo, Peter Jones.
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