Seguindo em Frente
7 Boa Recepção
Notas iniciais
Não poderia negar, era fantástico aquele país.
Ainda com Hermione em sua cabeça, ele fez um esforço sobre humano para continuar andando até a sala de Kingsley. O ministro estava orgulhoso dele, Rony notou. Após pegar na chave de portal que o levaria para o Brasil — depois de vários concelhos por parte de Kingsley -, ele sentiu o habitual puxão em seu umbigo e logo seus pés tocaram um chão um pouco fofo. Olhou para baixo e viu uma terra avermelhada. Franziu a testa.
Ergueu a cabeça e ficou maravilhado. Kingsley o havia falado que, primeiramente, assim que chegasse ao Brasil, falaria com o ministro brasileiro sobre como seria o seu trabalho como auror — depois de um longo treinamento, ele pensou -, mas não tinha ninguém para orientá-lo ali.
Ao seu redor, vários outros bruxos andavam apresados, alguns conversando sobre o trabalho que o estava matando; ou o outro que reclamava sobre a longa lista de animais que tinha que avaliar. Não achou muito de diferente ao ministério de Londres. As pessoas, quando passavam perto dele, o olhavam com indiferença, o olhando de cenho contraído. Rony se perguntou se era porque tinha os cabelos ruivos já que, mesmo em Londres, não se vissem muitos ruivos. Balançou a cabeça. Que besteira, pensou. Olhou para o grande salão a sua frente e caminhou alguns passos, tentando ler o que tinha escrito acima de cada porta avista.
O salão era oval, e, erguendo a cabeça para cima, vários outros andares faziam parte do local. Ao redor, vários tipos de plantas completavam o lugar que, por si só, já era uma mistura da cor verde. Um guincho alto o fez parar de examinar o local. De onde estava, viu, de um elevador marrom e estreito ao leste do salão, uma garota sair. Ela caminhava com sensualidade, a pequena capa preta amarrada por uma fina liga em seu pescoço a deixava com um ar sombrio. Rony viu que ela parou um estante. Ficou nas pontas dos pés e olhou em sua volta, acima dos outros bruxos, parecia procurar algo ou alguém.
A garota o fitou e sorriu. Pego no ato, o ruivo desviou o olhar. Infelizmente, quando tomou outro caminho, sentiu um cutucão nas costas.
— Ei, você deve ser Ronald Weasley — escutou ainda de costas. Com uma careta, virou-se derrotado.
— Prazer, sou Lorena Silva — ela sorriu, estendendo a mão. Rony a encarou. A pele bastante bronzeada, os cabelos em um tom estranho de castanho. Os olhos pretos e um sorriso fácil. — Vai me deixar no vácuo mesmo?
Rony piscou e aceitou a mão dela.
— Rony — sua voz saiu rouca. Tossiu discretamente.
— Tudo bem... Rony — ela assumiu uma postura mais ereta. Aquele jeito o lembrou de uma pessoa... — Peço desculpas por ter chegado atrasada. Eu deveria está aqui quando chegasse para recebê-lo. Vem, vou te mostrar tudo enquanto o levo para conhecer Albuquerque.
Lorena acenou com a mão. Começou a caminhar de volta ao elevador e o garoto a seguiu.
— Albuquerque? — Rony perguntou quando estavam sozinhos, assim que a porta do elevador fechou.
Lorena o olhou.
— Ele é o ministro daqui. Um homem bem legal se quer saber — ela sorriu. — Então... Sr. Trio de Ouro, o que veio fazer aqui?
Rony riu pela primeira vez desde que tinha chegado. O elevador fez uma parada e entrou duas velhas bruxas, os fazendo ficarem mais atrás.
— O que...
Lorena riu.
— Ah, não se faça de desentendido — estreitou os olhos para ele. — Todo mundo bruxo sabe quem são os três adolescentes que derrotaram Voldemort. Vocês são conhecidos por serem o Trio Problema desde o primeiro ano em Hogwarts, certo? — Rony assentiu, nostálgico. — Bom, até aqui no Brasil muitos conhecem o feito de vocês. Pelo o que eu li no Profeta Brasil, parece que foi bem emocionante!
— Quase morrer numa guerra não é emocionante — contradisse Rony. O elevador parou e ele saíram. A morena ao seu lado o guiando.
— Não, você não entendeu — Lorena apressou-se. — Claro que uma guerra não tem nada de emocionante. Eu quis falar no reconhecimento depois.
— É, nem me fale...
Naquele momento, assim como os outros, o ruivo viu que não era o único que queria reconhecimento. Sempre fora Harry que, mesmo um bebê sem utilidade em magia, derrotara o bruxo das trevas; O Eleito. Ou, lembrou do sorriso dela, Hermione. A garota mais inteligente para a sua idade. Sempre tinha ficado no meio dos dois. Era apenas mais um Weasley, a família de cabeleira ruiva. Estava certo em ter aceitado aquela oportunidade de emprego. Não se arrependia.
Preso aos seus pensamentos, não tinha sua atenção voltada para o que Lorena falava. Perdera toda a sua explicação sobre o ministério brasileiro.
— Bom, é isso — a morena se virou para ele; um sorriso triunfante no rosto. — Vou levá-lo para conhecer Albuquerque agora...
Parou de falar quando foram abordados por um senhor de meia idade, gorducho e, tal como ela, bronzeado. O homem puxou sua gravata para baixo e seus olhos brilharam quando notou o ruivo a sua frente.
— Ora, ora... vejam só! — ele riu, sua papa debaixo do pescoço balançando. — Sr. Weasley!
— Ministro.
Deram-se as mãos.
— Espero que já esteja a par de tudo — ele olhou para Lorena, que assentiu. — Esplêndido!
Albuquerque o pediu que o acompanha-se até sua sala. Era grande, com poltronas de madeira e uma enorme janela atrás da mesa dele. Via-se arvores magníficas e altas. Alguns pássaros que Rony não conhecia cantavam, preenchendo a sala em uma harmonia boa.
Acordou de seus devaneios quando sentiu uma coisa se chocar em sua cabeça.
— Ai! — guinchou. Olhou para o lado e viu Lorena, rindo com a mão na barriga. — Qual é seu problema? — ele apanhou a latinha de refrigerante que ela o atingira.
— O meu? Você que está ai, a cara de bobo.
Estavam na praia. O mar estava deliciosamente cheio de banhista e até Rony já se arriscara a nadar ali. Lorena se aproximou dele e o beijou.
— Está pensando em quê?
— Nada. Besteira minha — ele sorriu. Lorena podia ser bonita e ainda com aquele biquíni preto, era impossível manter os pensamentos em ordem.
— Soube de mais alguma coisa? — ela sentou em seu colo.
— Nada. Sempre as mesmas coisas.
Mandava cartas para a família a cada duas semanas. Escrevia seu dia-a-dia, a rotina de trabalho. Mas quando recebia as respostas, não havia nada de novo.
Fazia dois meses que estava no Brasil.
Apenas uma pessoa não lhe respondia.
— Não pensa mais nisso — Lorena jogou areia nele. — Vamos nadar!
E assim, foram.
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