Seguindo em Frente

9 O Exame – Callie Torres


Depois da inseminação voltamos para casa dos pais de Arizona onde deixamos Sofia, ficamos por mais dois dias antes de voltarmos para Seatlle, encontramos Sofia radiante Daniel tinha lhe ensinado a pescar e até pegou um peixe.

– Então Sof como foi sua pequena férias com os vovôs?

– Mamãe o vovô me ensinou a pescar veja o peixe que peguei a vovó vai fazer, estávamos só esperando você e Mama chegar para comermos.

– Nossa Sof que peixe lindo?

– Mamãe podemos levar a Shitara pra nossa casa grande.

– Ah baby acho que não podemos a Shitara é do vovô e lá na nossa casa grande ela vai ficar muito sozinha quando mamãe e mama for trabalhar e você para creche, mas agora podemos vir ver o vovô mais vezes e então você pode ficar brincando com a Shitara.

Eu ajudava Barbara a preparar o jantar enquanto ouvíamos toda essa conversa que vinha da varanda e para esclarecer Shitara era uma gata gorda e manhosa que apareceu na casa de meus sogros e eles a adotaram.

– Então Callie como foi em Los Angeles?

– Correu tudo bem agora temos que esperar, mas tenho fé que tudo vai dar certo.

– Eu tenho orado muito por vocês duas, pela sua família e agradeço muito a Deus por você estar na vida da nossa Arizona, você é uma pessoa muito especial Callie, não se esqueça disso e sem você nós teríamos perdido nossa filha.

– Eu agradeço tudo que vocês fazem por mim e Sofia.

– Sofia é nossa alegria, agora que estamos mais perto vamos nos ver mais vezes e com a chegada do novo bebê queremos estar lá para aproveitar cada minuto de nossos netos.

– Obrigado Barbara agradeço muito o carinho de vocês.

– Então, meninas e menino vamos comer o peixe que Sofia pescou.

É bom estar em família eu sei que aquele casal não são meus pais de verdade, no entanto eu me sinto em casa com eles, me sinto amada, nossos outros dois dias foram de muita farra entre passeios, brincadeira e muitas conversas, Daniel e Barbara fez questão de nos apresentar a todos os amigos e vizinhos, foram dias de paz, mas tudo que é bom dura exatamente o necessário voltamos para Seatlle para nosso trabalho e vida.

Já faz mais de um mês desde a viagem a Los Angeles.

– Vamos Arizona, estamos atrasadas, eu tenho uma cirurgia em meia hora.

Gritei para ela que ainda estava no banheiro. Ela gritou de volta.

– Callie por favor tenha paciência, precisamos trocar o aroma desse sabonete ele está me enjoado.

– Você escolheu esse aroma, querida.

– Sim e não o quero mais. Ela gritou de volta.

Estávamos entrando no carro quando um cheiro forte invadiu a rua no mesmo instante vi Arizona correndo para o pé da árvore de frente a nossa casa e depositar todo seu café da manhã, comecei a rir isto era a certeza do que já vinha suspeitando alguns dias, coloquei Sofia na sua cadeirinha ela me perguntou?

– Mama, mamãe está doente?

– Não Sofia, talvez um pouco, mas ela vai ficar bem.

Fui ao encontro de minha esposa a fim de ajuda-la segurei seu cabelo pra trás e notei que ela estava suada e vermelha.

– Não é o cheiro do sabonete que está te enjoando querida é o nosso bebê, você está atrasada a uma semana e esses peitos enormes.

– Uma semana como sabe? Eu não quis me precipitar e meus peitos estão grande?

– Porque somos casadas. Porque fizemos o bebê juntas, vamos fazer o teste quando chegarmos ao hospital, certo e seus peitos estão lindos e gostosos.

– Sim.

Ajudei minha esposa a se recompor e entrar no carro, vinte minutos depois estávamos no estacionamento do hospital e como todos os dias que trocamos um beijo de despedida e seguimos nosso caminho Arizona foi direto para pediatria, enquanto eu fui deixar Sofia na creche e segui para meu departamento.

Minha cirurgia da manhã durou mais do que esperava o paciente teve complicações, precisei chamar a cardiologia e somente depois que Cristina Yang estabilizou o coração é que pude terminar a reposição de quadril, passei pelo posto de enfermagem peguei o material de coleta de sangue e segui para o escritório da minha esposa, Arizona estava lá concentrada olhando alguns prontuários quando entrei e tranquei a porta atrás de mim.

Não temos o hábito nesse hospital de bater nas portas simplesmente entravamos, como não queremos o hospital todo sabendo tranquei a porta.

– Oi, estou aqui podemos coletar o sangue agora?

– Oi, estava te esperando.

Aproximei de minha esposa e beijei-lhe os lábios e notei uma caixa de chocolates contendo apenas um.

– Você comeu tudo isso?

–Não eu guardei um pra você experimente é ótimo, um paciente me deu são caseiro sua mãe quem fez.

Arizona colocou o chocolate em minha boca, quando estava me deliciando ela me beijou profundamente enfiando a língua dentro da minha boca.

– Assim é bem melhor eu deveria ter guardado mais para comer assim, mas eles estavam tão bons que não consegui parar de comê-los.

– Bem vamos tirar esse sangue e vou te levar pra comer algo de verdade, tenho uma hora até outra cirurgia.

Deixamos o sangue no ambulatório e fomos para o refeitório, Arizona já estava sentindo os efeitos da gravidez, da primeira vez ela não sentiu enjôos e nem fome desvairada, mas dessa vez parecia que todo cheiro lhe fazia mal e a fome era constante, no refeitório ela fez um belo prato que assustou até mesmo a mim e tinha doces e salgados tudo misturados, sentamos em uma mesa vazia e logo contamos com a companhia de Cristina Yang e Alex Karev.

Cristina observava tudo com seu olhar interrogativo se Arizona continuasse assim não esconderíamos por muito tempo a sua gravidez e queremos chegar ao terceiro mês antes de contar a todos, Arizona mesmo comendo toda aquela mistura ela ainda comeu algumas batatas do meu prato.

Alex como sempre muito distraído e sempre reclamando de algo não notou que sua mentora estava diferente. O almoço estava no fim quando o meu Page e de Cristina tocou era do PS, nós duas precisamos ir.

– Desculpa querida, preciso ir é do PS te vejo mais tarde.

Eu estava levantando para colocar minha bandeja para lavar quando Arizona segurou em meu braço.

– Você vai comer esse bolinho?

– Na verdade acho que não tenho tempo pode ficar com ele.

– Obrigado Calliope, te vejo mais tarde.

– Que foi aquilo sua esposa não come há quantos dias?

– Do que você está falando Cristina?

– Arizona comeu um monte de coisas misturadas e ainda ficou com suas batatas e bolinho, o que vocês andaram fazendo?

– Ora Cristina nada de mais, sexo, trabalho, Sofia, sexo, trabalho, Sofia e sexo...

– Tá eu já ouvi o bastante.

– Você deveria fazer mais sexo Cristina você anda muito estressada.

– Você sabe que eu e Owen estamos separados e depois do episódio com Shane não faço mais sexo e transformo toda essa energia sexual em talento cirúrgico.

– Aham, seus residentes e internos que o digam, acho que você poderia dar outra solução ao seu relacionamento com Hunt.

– E qual seria gênio?

– Porque não vai jantar em minha casa amanhã e podemos conversar sobre isso e Sofia está sentindo sua falta.

– Eu irei pelo menos na sua casa sei que tem comida de verdade.

Cristina Yang é uma boa amiga, tem suas esquisitices mas quem de nós ali não as tem, ela ficou ao meu lado quando ninguém mais ficou e tenho uma dívida de honra ela salvou minha vida quando sofri o acidente e ficar ali vendo ela e Hunt que também é um homem bom sofrendo pelos cantos do hospital é triste

A cirurgia com o cara do PS demorou mais que o esperado ele estava muito machucado e no fim não conseguimos salvá-lo, quem vai entender as pessoas como alguém sobe em uma moto e tenta pular do teto de um prédio a outro só pra entrar para o livro dos recordes. Isso é suicídio. Enquanto estava em cirurgia Arizona me passou uma mensagem, que tinha pego nosso pacote, Sofia e estava indo pra casa.

Ainda tive que enfrentar a cirurgia de reparação e joelho que tinha agendado antes do motoqueiro suicida chegar.

Eram vinte horas quando meu taxi estacionou na porta de nossa casa, taxi sim porque Arizona tinha voltado no carro. Morar longe tinha essas desvantagens em dias como esses.

– Hey queridas mama em casa, sempre grito assim quando chego e abro a porta, Sofia veio correndo e pulou em meus braços me abraçando e me enchendo de beijos.

– Mama eu estava com saudades, sabe o que mamãe comprou pro jantar? Pizza e Sorvete.

Esse novo interesse de Arizona por doces começou a me preocupar.

– Nossa pizza e sorvete, que legal onde está mamãe?

– Ela tá lá no quarto olhando para um papel de carta assim oh!

Ela arregalou os olhinhos para mostrar como Arizona estava olhando.

– Oh! Então vamos ver o que tem nesse papel de carta né.

O papel de carta que Sofia se referia é o envelope que contém o exame de sangue que confirmará o que nós já sabemos desde manhã pelos novos hábitos de minha esposa.

– Oi! Dei um beijo em seus lábios.

– Oi, estava te esperando pra abrirmos juntas.

– Vou colocar Sofia no banho e venho pra vermos juntas.

Não queria abrir perto de Sofia, combinamos que só contaríamos a ela depois do terceiro mês para termos mais certeza de que iria dar certo apesar que em meu coração eu já sentia que iríamos ser mães novamente.

– Sofia está no banho, vamos ver o que temos aqui, abri o envelope e desdobrei o papel, estava ali, como eu pensava escrito em letras grandes e vermelha “POSITIVO”, imediatamente meus olhos se encheram de lágrimas olhei para os olhos azuis de minha esposa que já choravam, imediatamente a beijei a abracei e em seguida me ajoelhei e beijei sua barriga.

– Oi bebê eu sou sua outra mãe e estamos muito felizes por você estar ai dentro então por favor nós estamos esperando por você aqui fora e no tempo certo ok.

Arizona agarrou meus cabelos e entre choro e risos nos beijamos e abraçamos por um longo tempo.

– Ei eu preciso ver Sofia antes que o Tsunami ataque o banheiro, você deveria ligar pra seus pais eles estão ansiosos.

– Eu vou fazer, obrigado Callie.

– Por que?

– Por me fazer ter esse sonho maravilhoso de ser mãe e carregar esse serzinho.

– Não há de quê.

Sai e fui ver Sofia que como imaginava ela já tinha inundado o banheiro.

– Sofia você se esfregou ou apenas nadou na banheira?

– Eu já me lavei olha meu pé limpinho, falta o cabelo você me ajuda?

– Claro vamos lá.

Acabei de dar banho em Sofia e trocá-la ela não parava de falar sobre o que ela e Zola tinham feito hoje na creche eu amava essa amizade das duas se continuassem assim elas seriam melhores amigas. Sofia escolheu o pijama que Cristina lhe deu de natal, era um mini uniforme de residente com um coração humano desenhado a mão e bordado no bolso Dra. Sofia Torres, um presente um tanto bizarro para uma criança daquela idade e Sofia adorou e sabíamos que Zola tinha um igual.

– Esse pijama de novo Callie?

– Sofia quem escolheu.

– O que Yang tem na cabeça em dar um presente assim para uma criança de dois anos.

– Ela está decidida a fazer de Zola ou Sofia sua sucessora na cardiologia. Ela disse que elas vão se apaixonar pelo coração antes dos meninos ou meninas.

Arizona nessa noite quebrou todas as regras que ela mesma instituiu na casa, comemos pizza e sorvete em dia de semana, sentadas no tapete da nossa sala de TV assistindo pela milésima vez procurando Nemo que passava na TV a Cabo.

Sofia vendo que sempre estava sorrindo se aproximou do meu ouvido e perguntou baixinho pra não atrapalhar a mamãe de ver o filme, tínhamos ensinado a ela que quando alguém está assistindo algo na TV temos que respeitar e falar baixo ela é muito inteligente para sua idade.

– Mama você tá feliz?

– Sim mi hija estou muito, muito feliz.

– Eu posso ficar feliz também.

– Você deve ficar feliz, minha linda, disse olhando pra minha linda filha fazendo cosquinhas em sua barriga que a fez dar gargalhadas.