Seguindo em Frente
4 Lembranças - Primeiro Passo - Arizona Robbins
Acordei essa manhã e olhei o visor do meu celular era cedo ainda teríamos duas horas antes da consulta com Addison, virei para o lado e minha esposa dormia de bruços e nua, parte de suas costas estava descoberta então pude contemplar sua pele morena e quente, “Deus como é linda e como sou sortuda em tê-la comigo” fiquei ali olhando o rosto sereno de Callie dormindo ela parecia feliz, sim ela estava feliz e por um momento veio-me a mente sobre como chegamos até aqui.
Tenho como marco o dia final do julgamento do processo que Callie sofreu, lembro-me perfeitamente daquele dia, assim que o veredito “INOCENTE” foi pronunciado nossos amigos que estiveram no tribunal dando apoio e força durante todo processo sugeriu ir comemorar com uma bebida no Joe’s, lembro-me de Callie dizendo que agradecia a ajuda de todos, mas que precisava de um tempo para se recompor e iria para casa, ser acusado de um erro médico não é fácil mesmo que tenhamos feito tudo certo a fatalidade deixa uma marca em nosso paciente que nós acusará pelo resto da vida e lembraremos sempre o quanto limitados somos em nossa existência.
Estava saindo do tribunal quando recebi uma ligação do meu sogro dizendo que estaria me esperando no bar do seu hotel em algumas horas, eu gelei imaginei que agora eu ouviria tudo o que eu não ouvi de Callie e me lembrei dele jogando George e Mark na parede alguns anos atrás e silenciosa pedi aos céus que ela não faça o mesmo comigo.
Na hora marcada estava eu ali frente do meu sogro que já me aguardava em uma pequena mesa no canto, ele se levantou me deu um beijo no rosto, puxou a cadeira para eu me sentar e me ofereceu uma bebida que aceitei prontamente o clima estava tenso eu estava tensa e com medo, ele fez o pedido ao garçom e ficou ali me olhando eu não tinha coragem de olhar em seus olhos, o garçom trouxe a minha bebida eu tomei um enorme gole de uma só vez, então ele falou.
– Muito bem Arizona olhe pra mim.
Levantei meus olhos para ele e em segundos eles ficaram cheios de lágrimas. E ele me fez a seguinte pergunta.
– Eu gostaria muito de saber onde está o “Bom Homem na Tempestade” o que protege aqueles que amam.
– Ele morreu naquela floresta Senhor.
Ele parou e por uns segundos ficou me olhando, eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, ele pegou um lenço em seu bolso estendeu a mão e a secou.
– Eu não concordo com isso, tenho certeza que ele ainda está ai dentro só que adormecido e você precisa acordá-lo ou vai perder sua família para sempre.
– Senhor eu já perdi, me arrependo muito por ter magoado sua filha, e não acho que mereço sua bondade.
– Sério! Arizona! Ela agora é minha filha e não mais a mulher que você ama e lutou comigo por ela. Vamos começar por outro anglo você ainda ama minha filha Arizona?
– Sim com todo o meu ser, mas Callie não consegue nem ficar na mesma sala que eu, ela não quer me ouvir, ela me expulsou da sua vida. Ela me acha uma vadia traidora.
– Se eu conseguir com que Calliope lhe dê outra chance está disposta a lutar por ela e por Sofia, por vocês, pelo seu casamento e sua família?
– Senhor tudo o que eu mais quero e que Callie me dê uma nova chance, mas já perdi as esperanças.
– Não posso lhe garantir que vá conseguir, Calliope pode ser tão ou mais teimosa que eu quando quer, mas se acontecer, espero que você faça o melhor dessa vez tenho sua palavra?
– Sim Senhor tem minha palavra.
Naquela mesma noite Calliope apareceu em minha porta no hotel e me pediu para voltar pra casa, Leah estava comigo a mandei embora na mesma hora, isso me fez mais uma vez me sentir uma vadia, eu a usei por não suportar ficar sozinha e sentir a dor de perder o amor da minha vida e encontrei nos braços dela um pouco de conforto que me fazia esquecer por alguns momentos o quanto eu era idiota.
Voltei para casa na manhã seguinte sabia que Callie, estava de folga por alguns dias e estava em casa aquela manhã, coloquei todas as minhas coisas no carro e dirigi para minha casa e pedi aos céus que ela não tenha mudado de ideia. Usei minhas chaves para entrar no apartamento estava em silêncio a porta do nosso quarto estava aberta então eu pude ver Callie dormindo e ao seu lado abraçada ao seu pescoço nossa filha, fui até a cozinha e fiz um café e sentei-me no sofá esperaria ela acordar, ouvi o barulho da descarga do banheiro e meu coração pulou em meu peito em minutos Callie entrava na sala.
– Hey, não escutei você chegar, Sofia ainda está dormindo ela disse um pouco relutante.
– Eu voltei pra casa Callie, você me chamou de volta eu voltei.
– Certo eu vou pegar um café.
– Callie minhas coisas estão no carro e antes de descê-las precisamos conversar.
– Certo vou pegar um café.
Ela pegou seu café e sentou-se a minha frente, me olhou e começou.
– Eu sei que eu pedi pra você voltar, na verdade não esperava que você voltasse tão rápido achei que precisava de mais tempo para pensar.
– Eu não preciso de tempo para decidir fazer algo que tenho desejado à meses.
– Certo ainda estou machucada Arizona, mas durante o julgamento e a conversa com meu pai me fez ver coisas que eu não via antes, você não estava feliz e por isso dormiu com outra pessoa, eu como sua esposa que dormia todos os dias ao seu lado deveria ter visto isso, então você não falhou sozinha eu tive minha parcela de culpa e peço desculpa por ignorar seus sentimentos diante de tantas coisas que passamos no ano passado, acidente de avião, amputação, morte de Mark e Nick e a perda do nosso bebê, sei que lidamos com isso de formas diferente e separadas quando deveríamos ter lidado juntas, mas estou disposta a passar por cima de tudo isso e seguir em frente e fazermos diferentes agora, não sei se vai dar certo, mas não saberemos se não tentarmos, você está disposta a fazer isso juntas?
– Callie é tudo o que mais quero e tentar de novo, fazer diferente, fazer dar certo, me perdoe Callie por te magoar tanto.
– Certo então você pode buscar suas coisas, Sofia vai gostar de te ver em casa quando acordar e Arizona por alguns dias até eu me acostumar de novo você poderia dormir no sofá?
Isso foi um choque pra mim, mas lembrei das palavras e da promessa feita a meu sogro tentar com mais força dessa vez então aceitei.
Uma semana depois contei a Callie sobre meu envolvimento com Leah e a forcei a me deixar voltar para cama. A primeira noite na cama, juntas, foi difícil tínhamos perdido a intimidade de antes, Callie deitou na beirada do colchão, pensei que ela cairia no chão não sei que horas fui dormir podia sentir sua respiração alterada por um longo tempo, acordei naquela manhã com suas pernas sobre mim, e seu nariz enfiado em meu pescoço, eu sorri minha esposa estava ali eu só tinha que reconquistá-la, levantei devagar para não acordá-la o que não é muito difícil.
Só que os primeiros dias as coisa foram difíceis tudo que eu falava a irritava ela andava muito nervosa com tudo e todos até termos uma discussão no dia do chá de panelas de April, por um momento estávamos discutindo e em outro ela me puxou para um beijo quente e saudoso, naquela noite fizemos amor pela primeira vez desde que voltamos.
Uma das coisas que me encantava em Callie era a forma que com que ela se entregava na hora do sexo, com ela não era necessário ter pudores, fazer amor com ela era mil vezes incrível, senti seu corpo estremecer sobre minhas mãos quando eu sentada em seu colo enquanto nos penetrávamos mutuamente, chegamos ao orgasmo juntas, ela me abraçou mais forte e deitou sua cabeça em meu ombro senti quando uma lágrima quente escorreu pelas minhas costas, minha esposa estava chorando depois de fazermos amor me senti arrasada ela disfarçou de forma a não deixar eu perceber, ela se deitou e a abracei por trás ela aceitou o abraço, mas meu coração estava doido, nos dias seguintes eu tinha receio de tocá-la e só devolvia a ação se ela começasse. O ápice da situação aconteceu no dia do casamento de April eu não conseguia parar de pensar que Callie queria me consertar agora que eu estava me sentindo bem com a minha perna, sua pesquisa para fazer um membro robótico perfeito, o choro durante o sexo tudo estava martelando em minha cabeça.
Não houve casamento porque a noiva fugiu com o melhor amigo no meio da cerimônia, parecia tudo estar desabando ao meu lado, meu casamento o casamento de minha amiga, naquele dia eu surtei falei coisas pra Callie e única coisa que ela fez foi me abraçar e me deixar chorar em seu ombro. Foi uma noite estranha, mas conseguimos passar por ela, Callie estava sendo ótima, ela sempre é ótima.
Callie no dia seguinte inventou um passeio, eu estava tão cansada que não quis discutir ou fazê-la mudar de ideia talvez isso é o que precisávamos para dar o fim ao nosso relacionamento ou então seguirmos em frente sem olhara pra traz. Estávamos saindo de casa quando meu celular tocou Callie me olhou com aquele olhar de não atende.
– Preciso atender é Kepnner.
Ela não gostou muito, mas não disse nada, enquanto atendia ao telefone Callie já estava no carro me aguardando.
– Callie, podemos desviar um pouco o caminho antes de irmos para o passeio?
– E para onde seria esse desvio?
– Para a prefeitura, April e Jackson estão lá se casando e nos pediu para sermos suas testemunhas.
– Sério esses dois são loucos, mas o que não fazemos por amor, então vamos lá casarmos esses dois logo antes que fazem outra loucura.
Chegamos à prefeitura, eles já nos aguardavam.
– Obrigado por virem, que bom que trouxeram Sofia assim ela pode ser a dama de honra, Arizona você é minha testemunha e Callie você pode ser do Jackson.
Então foi assim que nos tornamos madrinhas de casamento de April e Jackson. O casamento foi rápido e depois a pedido de ambos iríamos guardar segredo por um tempo até que eles tivessem falado com Matthew e Steffany e com seus pais, concordamos sem problema e cada um dos casais seguiu seu caminho April e Jackson para uma curta lua de mel e eu e Callie para ver onde iríamos com nosso casamento.
Durante todo o tempo Callie foi gentil comigo fizemos muitas coisas com Sofia, foi muito divertido e revigorante por algumas horas pude não pensar nos problemas que estávamos vivendo e que eu era a maior culpada de estarmos passando por eles, ás vezes ela parava e ficava me olhando e sempre que acontecia meu coração disparava e me perguntava o que se passava na cabeça da minha esposa eu tinha medo quando ela iria abrir a boca e não demorou de acontecer, a noite depois de colocarmos Sofia na cama ela me chamou para um vinho e uma conversa na varanda do quarto era final de outono e a noite já estava fria ela vestiu sua jaqueta de couro e me ajudou a por meu casaco e fomos para varanda fiquei de pé apesar de ter duas cadeiras e uma mesinha ela me serviu uma taça de vinho e disse que precisávamos de ajuda sozinha não conseguiríamos, pela primeira vez coloquei meus sentimentos pra fora eu estava muito insegura, eu queria tentar e tinha tanto medo de falhar novamente e de não ser mulher suficiente para minha esposa.
Callie foi maravilhosa comigo naquele final de semana e pela primeira vez em muitos meses eu senti que poderíamos tentar seguir em frente, decidimos fazer terapia, sozinhas e em casal, depois da primeira sessão de terapia sozinha fomos procurar um terapeuta de casal.
– Não sei Arizona Bailey, Sheppher e Yang foram para terapia com profissionais comuns e olha eles não conseguiram eu gostaria de tentar um outro tipo de terapia que envolvesse um pouco de fé de Deus, algo alternativo.
Estávamos em seu escritório discutindo com as várias sugestões da Dra. Waytt.
– Eu entendo o seu medo, mas não sei se vamos conseguir alguém com esse perfil para nos atender, somos um casal gay passando por problemas conjugais não sei se algum religioso vai querer nos ajudar.
– Eu vou ligar para o Rev. Michael e ver se ele tem alguém para nos indicar.
– Quem é Rev. Michael?
– O pastor da igreja da Kepnner, o atendi outro dia com dores nas costas e ele me convidou para conhecer sua capela me disse que na sua igreja os gays são bem vindos e inclusive os casais gays de lá desempenham bons papeis na comunidade e me deu seu cartão caso queiramos conhecer sua capela.
– Ow, e você quer conhecer a capela?
– Acho que qualquer dia, podemos passar por lá pra conhecer se você quiser é claro, Sofia precisa de uma fé, acho importante ela ter uma base religiosa. Sim eu gostaria de conhecer a Capela do Rev. Michael.
– Certo então ligue para ele e vamos ver se ele tem alguém para nos ajudar.
O Reverendo Michael nos deu um nome era um dos membros de sua igreja, Callie ligou e ela aceitou nos receber dois dias depois.
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