Seguindo em Frente
11 A descoberta - Callie Torres
A gravidez de Arizona não ficou em segredo por muito tempo, Cristina Yang e Miranda Bailey que não perdeu um lance das mudanças e sintomas que Arizona não conseguiu esconder poe muito tempo e ainda após o incidente dela vomitando em pleno PS depois de um de pacientes vomitar em cima dela não foi segredo para mais ninguém.
Estava eu ali no posto de enfermagem atualizando alguns prontuários quando Cristina Yang, Alex Karev, April Kapner, Jackson Avery, Richard Webber e Miranda Bailey chegaram por trás e ficaram me olhando eu me virei e perguntei.
– O que foi?
Vi Webber cutucar Miranda a empurrando pra frente.
– O que foi Miranda, Webber?
– Torres, precisamos que você nos esclareça algo.
– Que foi Miranda algum paciente precisando de consulta?
– Na verdade Torres, precisamos que nos esclareça uma coisa pra nós.
– Ok, o que pode ser?
– Sua esposa ela está grávida de quantos meses?
– De dois!
E logo fiz uma careta dizendo que fiz besteira e Arizona iria ficar zangada. Eu ainda estava trabalhando no não ficar dizendo a todos sobre nossa vida e todos sabiam que eu era presa fácil se me pegassem distraída.
Nesse momento vi Yang e Bailey comemorando, Karev, Kepnner e Avery se maldizendo por ter apostado em menos e Webber por ter apostado em mais.
– Esperem vocês estavam apostando? Como? Como sabiam?
– Ora Torres não seja inocente, você ainda trabalha nessa fábrica de fofocas, esse hospital pode trocar de nomes quantas vezes quiser mas os fofoqueiros ainda são os mesmos, você acha mesmo que as fofocas já não está rolando? E somos médicos sabemos muito bem reconhecer os sintomas de gravidez.
– Todo hospital já sabe?
– Estávamos desconfiados, os peitos grandes, a fome e os mal estar e depois que sua esposa vomitou em pleno PS, tivemos certeza só estávamos apostamos quantos meses.
– E quem ganhou?
– Dessa vez Bailey teve que dividir o prêmio com Yang.
– Quanto foi?
– Cinco mil, mas para o sexo do bebê as apostas já estão em dez.
– Então coloca mil pra mim, vai ser um menino um lindo menino de olhos azuis. Ah! Minha esposa não deve saber disso, ok.
– Ok. E Torres parabéns, estamos felizes que vocês estão dando certo e seguindo em frente.
– Obrigado Karev.
Arizona ficou sabendo das apostas dias depois e não ficou muito feliz, os enjoos matinais continuavam persistentes e às vezes no trabalho, Karev se tornou um grande protetor, sempre o seu lado quando os mal estar aconteciam, junto com os enjoos a sede por sexo, os choros em momentos mais inoportunos e os desejos por doce e salgado misturado de alguma forma os hormônios estavam lá mexendo com ela. Em um final de manhã estava lá me lavando depois de cinco horas de cirurgia quando meu page tocou com um 311, que era nosso código caso algo estava acontecendo com ela ou Sofia seguida da palavra socorro, estou na sala de plantão numero dois sai correndo pelos corredores do hospital para encontrar uma Arizona sentada toda sorridente em uma das camas.
– Arizona o que aconteceu, você está bem?
– Calliope eu preciso de você agora.
E pulou em meu pescoço me beijando e tentando tirar minha blusa a muito custo consegui desvencilhar dos beijos e segurei a sua mão.
– Espera Arizona, você me chamou aqui pra fazer sexo? Sabe que não podemos fazer isso aqui mais, eu sai correndo pelo hospital pensando que algo grave estava acontecendo!
– Calliope é grave eu estou excitada demais e tenho uma cirurgia em quarenta minutos, preciso que me salve agora Dra. Torres pois estou queimando, então vamos pra algum lugar que possamos fazer e rápido.
Bem não se podia mais praticar esse tipo de confraternização nas salas de descanso, mas isso não estava incluído outros lugares escusos do hospital, morei no porão do hospital por quase três anos durante minha residência então conhecia outros lugares e nunca fui de recusar sexo então tivemos meia hora muito boa até me esqueci que não tinha almoçado ainda, meu page como sempre tocou me avisando que meu próximo paciente me aguardava para uma consulta, ajudei minha esposa a se vestir e quando saímos algumas pessoas que passavam pelo corredor nos encaram, Arizona se virou com o sorriso mais lindo e safado com aquelas covinha e os olhos azuis mais brilhante e me disse.
– Obrigado pela consulta Dra. Torres nos vemos em breve e piscou me deixando com a cara mais boba ainda, só pude sorrir.
O restante do dia foi calmo tive algumas consultas e no fim da tarde peguei Sofia na creche e me encontrei com minha esposa no saguão do hospital e fomos pra casa. Haviam muitos comentários pelo hospital principalmente agora que estávamos bem, muitos ainda perguntavam como eu realmente a perdoei e outros diziam que vivíamos uma ilusão. Mas não era verdade eu segui o conselho de meu pai em dar a chance não só pra Arizona mas a mim também e a nossa família e todos os dias eu repetia esse mantra.
O perdão não veio tão fácil foram muitas horas de terapia individual e em casal, aprendemos nesses meses que podemos recomeçar e colocar uma pedra no meio do caminho pra guardar algumas coisas que nos machucavam, foram tempos tenebrosos palavras que não queríamos dizer e que foram ditas em momentos de dor, mas estávamos caminhando, aprendemos a nos comunicar, a intimidade foi restaurada devagar, estávamos conseguindo.
Arizona me traiu era um fato que nunca iria se apagar a grande pergunta era se nós conseguiríamos seguir a partir dai, entender não era algo que sempre se conseguia pois pra mim os votos que trocamos no dia do casamento eram inquebráveis, mas Arizona os quebrou e como eu lidaria com isso seria a minha pergunta e resposta. Na noite em que meu pai confessou que traiu minha mãe eu fiquei pensando como ela lidou com isso e o que ela sentiu ou sente até hoje coisa que nunca pude lhe perguntar.
Estava ali sentada no saguão no hospital perdida em meus pensamentos com Sofia na cadeira ao lado brincando com seu laptop de brinquedo esperando minha esposa terminar sua cirurgia quando sinto alguém sentar ao meu lado.
– Ei Torres você parece pensativa, esperando Robbins.
– Ei Bailey é o interno disse que ela já está se lavando.
– Como anda as coisas?
– O que Miranda Bailey querendo saber da vida pessoal de alguém?
– Aproveite Torres esse meu lapso.
– Bem estava pensando em minha mãe.
– Ela ainda não fala contigo?
– Não e tem momentos que tudo o que eu precisava era de ouvir algumas de suas palavras.
– Eu sinto muito Callie por sua mãe ainda ser tão dura ela deveria vir ver como sua vida está dar uma chance de conhecer a sua neta linda e o outro neto ou neta que está a caminho.
– Eu gostaria muito Miranda.
– As coisas estão melhores entre você e Robbins vão ter outro bebê, vocês parecem felizes.
– Sim estamos ainda em processo, mas estamos chegando lá.
– Casamento Torres é um aprendizado todos os dias, tem dias bons para nos lembrar o quanto é precioso estar junto com alguém que amamos e ruins para aprendermos a dar valor aos bons. Veja eu estou no segundo e ainda não posso dizer que sei tudo.
– Ben te faz feliz Miranda?
– Sim ele me faz feliz na maioria das vezes e Arizona te faz feliz Callie?
– Na maioria das vezes.
Estávamos sorrindo e conversando algo sobre as fofocas do hospital quando Ben e Arizona chegaram.
O terceiro mês de Arizona chegou o grande dia do ultrassom, decidimos não saber o sexo queremos a emoção da surpresa como foi de Sofia e se tudo corresse bem e tínhamos fé de estar, vamos contar para Sofia hoje sobre o bebê.
– Dra. Robbins, Dra. Torres bom vê-las, vamos dar uma olhada nesse feijãozinho.
– Estamos ansiosas para ouvir o coração.
– Vocês vão querer ver o sexo?
– Não gostaríamos da surpresa do momento.
– Certo.
Dra. Lisa Napolitano é a obstetra chefe do hospital ela passou o gel frio na barriga de minha esposa que já está um pouco saliente em seguida passou a sonda e logo podemos ouvir o som mais lindo do coração do nosso bebê, me lembrei de Sofia da primeira vez que eu, Arizona e Mark ouvimos o seu coração, tenho certeza que Mark estava ali ouvindo também mais um coração Sloan.
– Bem como vocês viram o bebê está ótimo, o coração é forte e saudável, parabéns, querem uma foto?
– Sim vamos levar para Sofia ver, vamos contar a ela hoje.
Eu respondi porque Arizona estava em lágrimas era assim desde o início da gravidez qualquer emoção e surgiam as lágrimas mas hoje era justa, era o coração do nosso bebê.
Dra. Napolitano nos deu alguns folhetos para grupos de ginásticas de gestante com acompanhamento para deficientes ela nos recomendou que deveríamos participar, Arizona não se sentia mais desconfortável em falar sobre sua deficiência e disse que iria pelo menos para conhecer e que já estávamos fazendo as aulas de parto com uma professora de Yoga e terapeuta de gestante amiga dela.
Logo que saímos ela ligou para o número do folheto e se informou das datas garantindo nossa presença na próxima sessão.
À noite depois do banho de Sofia, sentamos e contamos a ela sobre o irmãozinho.
– Sof mamãe e mama precisa contar uma coisa pra você.
– Ah! Legal é sobre minha festa de aniversário, vou ter uma festa na piscina?
– Não Sofia não é sobre a sua festa é algo importante também.
– Sof você lembra quando você pediu um irmãozinho para o Papai Noel e a mama disse que ele precisava crescer dentro da barriga de uma das mães.
– Sim, sim lembro mama, Sofia disse isso já batendo palmas com aquele sorriso lindo cheio de dentes que lembrava muito Mark.
– Então seu irmãozinho está crescendo aqui dentro da barriga da mamãe e um pouco antes do natal ela vai nascer.
Sofia pulou no pescoço da Arizona que foi pega desprevenida a derrubada no sofá.
– Ei calma, o bebê está crescendo na barriga da mamãe temos que ter cuidado com eles.
– Desculpa mamãe e deu um beijo no rosto de Arizona ainda agarrada ao seu pescoço, eu vou ganhar uma festa de aniversário na piscina também igual a Jeny?
– Sobre a festa falamos depois, mas temos um presente pra você, menina grande.
Arizona entregou o pacote que foi rapidamente rasgado sem dó por Sofia, dentro tinha uma camiseta lilás escrita “eu sou a melhor irmã mais velha do mundo”. E mostramos a foto do ultrassom e explicamos que ele ainda era um feijãozinho e que cresceria logo.
– Então Sof gostou do presente? Sabe o que está escrito aqui? “Eu sou a melhor irmã mais velha do mundo”
– Eu amei mamãe, mas eu ainda quero uma festa de aniversário.
Depois que pus Sofia para dormir Arizona me convenceu a dar uma festa de aniversário.
Sofia vinha falando dessa festa desde que nos mudamos para a casa nova ela faria três anos dentro de pouco mais de um mês, por mim seria apenas bolo, doces, sucos e algumas crianças na piscina, mas como era dois contra um em uma semana tínhamos uma lista de cinquenta convidados e os pais de Arizona e o meu pai estavam vindo para festa.
As noites após o jantar sempre tínhamos um momento nosso de família com filmes na TV ou apenas conversando Sofia adorava falar sobre seu dia na creche e suas amizades, nessa noite estava sentada em uma ponta do sofá com meu notbook nas pernas fazendo uma pesquisa e Arizona sentada na outra ponta lendo uma revista de decoração de festas infantil e Sofia deitada no meio cantando para o bebê crescendo na barriga da minha esposa.
Parei de olhar a tela do computar e contemplei aquela cena minha família ali reunida na sala minha esposa tão bela e grávida, nossa doce filha, meu sorriso saiu fácil. Por um minuto Arizona desviou os olhos da revista que lia e me encarou.
– O que foi?
– Nada.
– Você está pensando Calliope posso ouvir seu cérebro trabalhando daqui.
– Você é linda! E eu te amo, e amo nossa família. Ela apenas sorriu.
Eu apenas sorri de volta e voltei a meus olhos para tela do computador, meus olhos estavam ali, mas meus pensamentos voaram para o dia em que meu pai me convenceu a perdoar Arizona, a pelo menos tentar lembrei-me de suas palavras “Você e Arizona podem não dar certo mas nunca saberá se não tentar” “Se a coisa não deu certo a gente tenta de novo e com mais força” ”Você tem que lutar por sua família Calliope, vocês podem ser mais forte que um erro”. Agradeci mentalmente a Deus e a meu pai por aquelas sábias palavras que me fez dar um passo atrás e resgatar minha família ele tinha razão isso era mais forte que um erro.
Sei que Arizona e eu estávamos apenas começando a nossa jornada mas já podia colher nossos primeiros e pequenos frutos de felicidade e que Deus nos desse muitos mais, sei teríamos muitas pedras para tirar do caminho, mas sei que vamos conseguir se estivermos juntas.
Meus pensamentos foram quebrados pela voz de Arizona.
– Sof hora de dormir, vamos pra cama.
– Mamãe você vai ler uma história pra mim?
– Vou sim querida, qual você quer hoje.
– Eu quero do Touro Ferdinando.
– Então vamos escovar os dentes e cama, dê um beijo de boa noite na mama.
Sofia pulou no meio pescoço e me encheu de beijos de boa noite, ela é assim espontânea, doce, carinhosa ela se parece muito fisicamente comigo, muitos dizem que é minha cópia perfeita, uma mini-Callie, mas eu vejo muito do Mark nela o sorriso fácil e o jeito de entortar a boca quando está em apuros, um pouco do seu jeito malandro que conquistava os corações alheios sem dizer o nariz Sloan, com Arizona ela compartilha os gostos, a persistência, a cumplicidade nas artes e a busca pela perfeição eu amo vê-las juntas, no fundo ela herdou o lado bom de nós três e lamentei por Mark não estar aqui pra ver seus filhos crescerem, lembrei-me que a muito não o visitava e coloquei em minha agenda mental que nessa semana ainda iria lá visitá-lo em seu descanso eterno.
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