Seguindo em Frente

24 A Reconciliação – Callie Torres


Já são cinco e meia da tarde, meu turno acaba em meia hora e o dia começou bem, abri o peito de um homem em pleno estacionamento coisa que não faz parte de minha especialidade, mas sou médica e meu dever é salvar vidas, vi minha esposa apenas pelo vidro da OS e meus filhos na meia hora de almoço que tive, Arizona estava na OS ainda ela me passou uma mensagem para que não enfie a mão no peito de ninguém que em meia hora estaremos indo pra casa, eu estava ali sentada na sala dos atendentes esperando essa meia hora passar e pedindo a Deus para não entrar nenhuma emergência em meu final de turno, quando Meredith Grey entrou.

– Hey, final de turno?

– Sim e você, está sumida essa semana?

– Fiquei no laboratório quase a semana toda, acredite que só entrei na OS três vezes essa semana?

– Como vai a pesquisa?

– Minha ovelha está com oito meses mais quatro posso testar em humanos não vejo a hora, aperfeiçoei o material e a impressora está a todo vapor. E sua irmã?

– Vai embora amanhã.

– Derek é ótimo.

– Sim ele é um gênio, vai pra casa agora?

– Sim Zola e Bailey nem se lembram que tem mãe.

– Eles lembram sim.

Sorri pelo medo da minha amiga, ela tinha seus motivos e pelo visto o medo Ellis Grey estava sempre presente, ela dizia que é bom ter esse medo que a faz ser uma mãe melhor apesar de ainda não se entender com a cozinha ela e Derek estavam criando seus filhos da melhor forma possível estando presente em todos os momentos.

– Ah! É aniversário da Zola na semana que vem o seu convite e da Arizona foi entregue a Sofia na creche.

– Estaremos lá.

– Então até mais Callie.

– Até Mer.

Deu seis horas passei meu cartão e saí o mais rápido possível de lá.

Estava fazendo o jantar, Arizona tinha sumido lá para dentro, Sofia via um desenho na TV e Tim no carrinho brincando com seu coelhinho de borracha, quando Sofia empurrou o carrinho sem que eu notasse e Tim agarrou o vaso da mesa de canto e derrubou no chão. Ouvi o barulho e levantei os olhos das panelas.

– Oh não Tim não!

– Desculpa mama eu não vi.

– Tudo bem Sofia foi um acidente. Apenas sente-se no sofá para não se machucar.

Quando me abaixei para catar os cacos, a campainha toca.

– Arizona querida, preciso de ajuda aqui, onde você esta?

– Já vou Callie só um minuto.

Tim se assustou e começou a chorar. Enquanto o desamarrava do carrinho para pegá-lo a campainha tocou novamente.

– Só um momento sim.

Gritei novamente Tim chorou mais ele era sensível a gritos. O peguei no colo tentando acalmá-lo e fui atender a porta, levei um susto quando vi quem estava do outro lado da minha porta, ninguém mais que minha mãe ela ficou parada ali me olhando e eu do outro lado olhando para ela sem saber o que fazer.

– Não vai me convidar para entrar Calliope onde estão os bons modos que te ensinei?

Por um momento fiquei catatônica sem saber o que fazer.

– Então Calliope posso entrar?

– Mama? Claro, entre por favor.

Minha mãe olhou em sua volta e viu o pequeno caos sentindo o cheiro de queimado que vinha da cozinha.

– Parece que você precisa de ajuda sua panela está queimando.

– Ow droga!

– Deixa que seguro Timoty e vá socorrer a panela.

Entreguei Tim a minha mãe meio relutante e fui ver a panela tinha queimado um pouco do arroz. Vi minha mãe caminhando em direção a Sofia. Arizona tinha me contado tudo o que aconteceu mais não esperava ver minha mãe em minha casa.

– Olá Sofia lembra- se de mim de hoje cedo?

– Sim você ajudou mamãe.

– Eu sou sua abuelita Sofia.

Sofia me olhou assustada ela não entendia aquela situação, Arizona entrou na sala e deparou com aquela situação.

– Ow, o que houve?

– Onde você estava?

Estávamos ali olhando aquela cena sem saber o que exatamente deveríamos fazer quando minha mãe quebrou o silêncio.

– Vocês parecem desconfortáveis com minha presença, eu sei que parece estranho, acredite é estranho para mim também e não sei nem por onde começar.

– Que tal começarmos nos apresentando, Arizona tomou a liderança.

– Sof. essa é sua abuelita Lucia que mora em Miami, junto com abuelito Carlos ela é mama da mama, ela veio nos visitar.

– Bem Lúcia seja bem vinda a nossa casa, você já conhece seus netos e tome cuidado com o colar e a gola do casaco, Tim gosta de por coisas na boca, então não podemos responsabilizá-lo pelos estragos. Calliope que tal sair desse transe e pegar uma taça de vinho para você e sua mãe para relaxarem, acho que vocês duas tem muito que conversarem. Eu vou terminar o jantar, enquanto você limpa essa bagunça.

Limpei os cacos enquanto minha mãe segurava Tim e fazia amizade com Sofia o que não era difícil ela é muito falante e se o assunto é do seu interesse ele rendia. O jantar começou um pouco tenso mas Sofia quebrou o gelo e logo estávamos conversando como se nunca tivéssemos rompidos.

– Bem Sof. é hora de ir pra cama, vem vou colocar você e Tim para dormir, diga boa noite a abuelita e mama.

Sofia me beijou e abraçou.

– Boa noite mama.

– Boa noite bebê.

Ela chegou ao lado da minha mãe e pegou em seu rosto como costumava fazer comigo, e falou baixinho em seu ouvido.

– Abuelita você vai voltar pra nos visitar?

– Você quer que eu volte?

– Sempre e deu um beijo em seu rosto.

– Boa noite abuelita.

Via uma lágrima escorrendo no canto dos olhos de minha mãe. Peguei Tim no colo e o beijei, mamãe se levantou e o beijou também e Arizona saiu com os dois.

– Então agora somos só nós duas.

– O que te fez mudar de idéia?

– Sofia.

– Sofia?

– Calliope ha cinco dias quase perdi uma filha, quando vi Sofia no elevador, ela me fez lembrar de quando você é Ária eram pequenas assim como ela, senti uma saudade daquele tempo quando eu sabia onde vocês estavam, o que faziam e com quem faziam, hoje eu nem conheço mais vocês, Ária vive uma vida forçada, infeliz, e precisou ter um tumor para poder me dizer isso. Não vou mais ficar fora da vida de vocês e ser desconhecida pelos meus netos eu quero vê-los crescer e fazer surpresas que deixem seus pais loucos.

– E Arizona?

– Eu não posso dizer que entendo esse relacionamento de vocês, mas vou respeitar e tentar conviver da melhor forma possível com vocês duas como um casal, prometo que não vou mais condená-las.

– Já é um começo.

– Então acho que é hora de ir.

– Eu vou leva-la, só espera um minuto vou avisar Arizona.

A partir desse dia nós voltamos a ser mãe e filha, houveram alguns tropeços, que conseguimos contornar da melhor maneira possível, então seguimos com nossas vidas em seu curso natural, assim como nossos pais cuidaram de nós nos passando seus valores, ensinamentos e crenças, eu e Arizona estamos cuidando de nossos filhos que a cada dia nos desafia em pequenas e grandes coisas e como nossos pais sempre nos diz se vocês acham que o período de dores de barriga e dentição são difíceis de lidar e porque não conhecem a adolescência. Bem essa é uma outra história para ser contada.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!