Notas iniciais
Bom dia meninas... algumas mentiras vão ser complexas de explicar. Alguns segredos terão que ser revelados. Preparadas? Reta final.

Ângela abriu a porta e assim que viu sabia que algo estava errado. Meu estado de nervoso estava mesmo péssimo desde que Alice saiu do apartamento com Edward.

— O que aconteceu? – ela perguntou fechando a porta. Joguei minha bolsa no sofá e fui me sentar sentindo minha cabeça estourar.

— Alice esteve no apartamento de Edward e nos descobriu. – eu ouvi Ângela se movimentar pelo apartamento, fechei meus olhos sentindo a dor intensa e quis morrer ali.

— Tome. – ela me deu um comprimido e um copo de água. Tomei rapidamente querendo que aquela dor passasse. Não conseguia raciocinar direito. – Como chegou aqui?

— Taxi....

Ela sentou do meu lado e ficou em silêncio por alguns minutos. A dor não passava.

— Jenks é muito bom Bells. Para todos os efeitos você é Isabella Swan, seus pais morreram em um acidente de carro há cinco anos e você esteve comigo desde então. Jenks cuidou até mesmo de jornais. Um casal morreu com esse sobrenome, pura sorte e fatalidade. Ele pesquisou tudo e criou uma história em cima disso. – ela alisava a barriga pensativa – Você decorou a história, a recontou mais vezes do que poderia imaginar e nós mesmos já usamos ela diversas vezes. Qual é o seu real medo?

— Alice vai cavar fundo... ela não vai aceitar meu relacionamento. Ela vai prejudicar Edward se for possível. Eu vi nos olhos dela isso.

Ângela ficou em silêncio. Aquele silêncio que vem antes das verdades. Que vem antes do confronto.

— Já está na hora dele saber Bells.

Então as lágrimas caíram. Elas caíram de medo do meu passado, medo das imagens e dos sons. De coisas que nunca mais falei ou do que eu não poderia nunca explicar. Nunca explicar. Não era somente falar, era acreditar. Eu era culpada.

— Bells isso precisa encerrar.... – ela disse como uma súplica.

— Não Ângela, isso nunca vai se encerrar. Porque tanto você quanto eu sabemos que não tem como explicar ou provar nada. Eu sou culpada e ninguém vai acreditar no contrário. Ninguém acreditou na época e não tem por que eles acreditarem nesse exato momento. – eu sabia que tinha me alterado, que estava quase gritando as últimas palavras. – Jéssica estava certa, eu sou um perigo para Edward! Sou um perigo para você e Ben! Sou um perigo para qualquer pessoa que queira algo sério comigo.

— Deus amado você está se ouvindo? – ela disse surpresa. – Você consegue ouvir a lavagem cerebral que Jacob fez em você? Consegue perceber que ele ainda vence toda vez que você repete essas merdas?

— Ele tinha razão Ângela. Jacob sempre teve razão... – falei derrotada – Sempre haverá um dedo para me apontar ou alguém que não irá acreditar em nada do que digo. Ele me marcou naquele dia e você sabe disso.

— Ele é um psicopata sádico! Ele fez aquilo tudo para prejudicar seu pai!

— E ninguém acreditou! – falei mais alto – Ninguém nem ao menos me ouviu! Eu queria ser ouvida! Eu queria que acreditassem em mim! E ninguém me ouviu.

E chorei as mágoas do passado. Chorei tão intensamente que era como se eu ainda estivesse em Forks tentando fazer todos acreditarem em mim. Tentando lembrar de algo que pudesse me ajudar, mas não havia. Não havia. Olhei para minhas mãos como fiz naquele dia, olhei para as mãos sujas e sem qualquer credibilidade. Ele me arruinou e eu tive a ilusão de que com Edward eu teria algo bom.

Eu estava bem. Eu só precisava de um emprego e sobreviver. O peso e a solidão dessas palavras me causaram um alvoroço dentro de mim enorme. Era como se antes de Edward elas fossem aceitáveis e boas. Porém, agora pareciam vazias e sem sentido. Como minha vida antes. Eu sempre tive Ben e Ângela, mas eu sentia o vazio crescer a cada dia junto com o medo. Eu não queria aparecer ou ser percebida. Eu queria a solidão de qualquer trabalho que envolvesse ficar apenas ali num canto sendo paga para fazer isso. Eu só precisava do dinheiro para comer.

— Tome mais um remédio. – eu tomei o remédio sem ao menos perguntar o que era. Com o tempo a sonolência foi vencendo o choro compulsivo. Tudo em mim queria dormir e relaxar.

...

— Ela está dormindo há muito tempo? – a voz de Edward ao fundo me fez querer abrir os olhos, mas eu não conseguia.

— Edward ela não teve um dia fácil. Se quiser deixá-la aqui, eu cuido dela. Ben já deve estar chegando de qualquer jeito...

— Eu vou levar ela comigo Ângela. – ele disse firme – Você precisa se cuidar e comer alguma coisa, Bella tomou algo muito forte?

— Muito. – ela disse firme – Ela não estava mais sob controle de nada. Eu precisei dar algo assim.

— Vou ligar para meu médico. Obrigado.

Eu senti os braços de Edward e relaxei mais ainda. Ele falou com Bill sobre bolsa e sapatos, mas eu sentia o conforto dos seus braços e nada mais importava. Tempos depois eu me senti acomodada em uma cama, tinha o cheiro dele, mas nada que me deixasse mais segura e bem. Meus pensamentos estavam indo e vindo. Tinha uma sopa, eu acho que era uma sopa. Edward pedia que eu tomasse, eu não queria. Meus olhos pesavam demais.

— Ela tomou uma dose muito forte. – uma voz ao fundo falava. – Mas se ela tivesse alguma reação ruim isso já teria acontecido. Precisamos esperar o remédio perder seu efeito senhor Cullen.

— Ela vai passar a noite bem?

— Dormindo. – ele disse firme.

— Ela não comeu muito... – sua voz era tensa e preocupada.

— Nem sei como o senhor a fez comer sinceramente, mas isso deve manter o corpo bem por mais algumas horas. Um café da manhã reforçado e muito líquido. O preocupante nesse momento é a falta de líquido. Fez bem em tentar uma sopa, o organismo aceita melhor.

E a escuridão voltou com força total.

...

Eu abri meus olhos. Edward estava sentado em uma poltrona lendo algo em seu celular. Nossos olhares se encontraram. Tinha tantas coisas que eu não conseguiria explicar. Tantas coisas que eu nem conseguiria começar a dizer.

— Como você está? – ele perguntou gentil. Eu não merecia sua gentileza.

— Bem.

Ele deixou seu celular de lado e então saiu do quarto. Eu quis chorar mais um pouco, me sentindo fraca e sozinha. Sozinha no mundo que eu fugi por tantos anos. Da realidade que estava a porta. Ele voltou trazendo uma bandeja e me surpreendeu com um sorriso tímido.

— Eu que fiz... espero que esteja bom.

Não consegui esconder a surpresa e a emoção boa que aquilo me trouxe. Eu me sentei deixando ele ajeitar a bandeja. Tinha suco de laranja, frutas cortadas e torradas com pão.

— Eu sei que você faria muito melhor, mas eu...

— Isso está ótimo. – uma lágrima caiu de meus olhos e ele enxugou rápido.

— Não chore... pelo amor de Deus não chore... eu não sei o que aconteceu ontem, mas vamos dar um jeito.

— Eu não sei o que pensar...

— Então não pensei. – ele disse com seus olhos fixos em mim.

Tomei café com ele me beijando e me tocando como se quisesse se segurar que eu não iria fugir dele. Fizemos amor depois de forma tão apaixonada e sem reservas, gememos alto de prazer, nossas mãos se cruzavam em um ato de desespero e amor. Mas conforme o tempo passava eu sabia. Sabia que a consequências de tantos segredos e mentiras estavam chegando. Tudo estava ruindo aos poucos, mesmo que aos nossos olhos isso não pudesse ser visto.

Notas finais
Ainda posto essa semana.. prometo. Estou no capítulo 33.