Notas iniciais
Meus amores que saudades de vocês! Mas voltei com força total. Capítulo enorme porque vocês merecem, ESPERO QUE ME PERDOEM. Expliquei no grupo do zap os motivos, se quiserem entrar é só colocar no privado o numero que eu adiciono. Beiijos!

O carro deslizava pela estrada. Eu não conseguia mais ver a paisagem, eu aumentava a velocidade nas estradas que permitiam uma velocidade rápida e seguia em frente. Três dias depois eu ainda estava perdida demais para qualquer outra coisa que não fosse apenas dormir em hotéis baratos quando estava exausta demais para conseguir prosseguir. Nenhuma cidade por menor que fosse parecia certa, parecia longe o suficiente.

Olhei o tanque vendo que precisava abastecer. Onde eu estava? Parei em um posto vendo alguns rapazes jovens rindo e brincando enquanto um homem mais velho abastecia o carro. Eu parei um pouco longe não querendo ser vista por ninguém, os mais curtos assuntos me causavam um pânico como se eu tivesse uma doença. O clima parecia ter mudado desde a última vez que parei, isso foi a quantas hora? Eu não sabia.

— Esse carro é demais! – me assustei com a voz do rapaz magro e animado atrás de mim. O olhei com certeza transparecendo o pânico que tinha dentro de mim.

— Saia de perto da jovem Garret! – o mais velho se aproximou. – Ele adora carros, me desculpa.

Assenti, mas o rapaz continuava olhando meu carro com admiração.

— Ele é um modelo exclusivo. Mercedes Guardian.

Olhei o carro lembrando que Edward tinha dito que ele era apenas um carro popular. Esse menino não deveria saber do que estava falando.

— Ele é rápido, compacto e tem muitas ferramentas adicionais como aquecedor automático e GPS de voz pessoal. Pode ser ligado por uma senha digital ou um código.

— Garret a senhora quer abastecer. Vamos, filho.

Ele puxou o menino e eu comecei a abastecer não querendo mais passar nada que o necessário naquele lugar. Uma placa chamou atenção. Uma placa de bem vindo e meu coração acelerou. Eu estava a poucas horas de Forks. Como não me dei conta disso? Paguei e saí apressada. Acelerei o carro rápido demais me causando um susto. As várias lembranças que eu forcei a esquecer estavam ali, fortes e vivas. Papai e mamãe rindo na loja de pianos, ele prometendo comprar um piano antigo e lindo para ela. Eles dançando de noite pensando que eu estava dormindo. Era lindo quando ele a rodava e ela ria. O sorriso que mamãe dava lembrava muito o meu quanto estava perto de Edward.

“ – Os amores mais difíceis são aqueles nos fazem respirar Bells. Não esqueça disso.”

Mamãe estava penteando meu cabelo quando disse isso, eu não entendia na época que ela tinha largado tudo para ficar com papai, não entendia que ela não sabia nada de bebês ou como ela lutou contra todos para permanecer ali em Forks. Uma cidade pequena, fofoqueira e tão atrasada em muitos sentidos. Mas a cidade que papai amava e lutava muito por ela.

As lágrimas caíam enquanto eu me dava conta que nunca mais poderia chamar aquilo de lar ou qualquer lugar que Edward estivesse, a saudade apertava tanto meu peito que chegava a sufocar. Por isso mamãe lutou por Charlie, porque viver sem aquilo que nos faz respirar é impossível.

“Tenho certeza de que minha habilidade ao piano progrediu ainda mais por causa dele. E eu o adoro. Ele é meu piano. Ele é minha fogueira. E, se ele não estivesse mais aqui, eu me jogaria sobre aquele fogo de bom grado." – A casa das Orquídeas Lucinda Riley.

Então eu sabia para onde estava indo. Sabia o que fazer. Sabia exatamente como isso terminaria. As lembranças e tudo que estavam em mim iam se acalmando aos poucos. Iam se transformando em um pesar conforme as estradas iam ficam mais cinzas e verdes, iam ficam mais frias e eu sabia para onde estava indo. Sabia o que fazer.

Estacionei o carro sentindo o frio assim que saí dele. Não havia movimento na estrada, o que era muito comum. Andei pela floresta lembrando de quanto tempo fazia que eu não vinha aqui

“ – Isso não é perigoso? – perguntei a Jacob sentindo o clima de animação diante do penhasco.

— Nós pulamos aqui desde crianças. – Sam passou por nós gritando e fazendo os outros rirem. Agarrei a mão de Jacob sentindo o medo aumentar conforme chegávamos mais e mais perto. – Só é realmente perigoso em dias de chuva com o mar agitado, as ondas nos fazem perder sentidos que precisamos e se afogar é fácil.

— Você vai pular? – olhei receosa.

— Não, vamos ver eles pular e depois a levo para praia. Vamos fazer uma fogueira e comer besteiras.

Sorri grata por essa informação.”

Olhei o mar vendo as ondas baterem nas pedras, a praia um pouco distante e a paisagem triste e cinzenta.

— Me desculpa mamãe... – fechei meus olhos querendo que ela estivesse comigo. – Me perdoa.

Um choro descontrolado tomou conta de mim. O vento aumentou me fazendo ter certeza que esse era o momento, o mar estava agitado demais e as ondas estavam crescendo. Esse era o momento.

Eu dei um passo para mais perto da ponta e fechei meus olhos.

— Bells. – e meu corpo foi agarrado.

Eu chorava tão descontroladamente. Os braços me envolviam como se quisessem me acalmar, mas eu conhecia o cheiro da loção de barbear muito bem. Eu mesma a comprei várias vezes, foi tudo muito intenso e forte demais para mim.

...

Abri meus olhos sentindo um dor de cabeça intensa, meu rosto inteira doía e quando me virei tinha um copo de água com um comprimido. Eu me sentei tomando ele rapidamente, seria impossível continuar assim, parecia exatamente o que Ângela me dava quando eu tinha crises e eu então olhei ao redor com o copo de água na mão. Meu quarto. Meu quarto estava exatamente como eu o deixei na noite que saí com Jacob.

Uma emoção tomou conta de mim muito forte, era como se papai tivesse deixado tudo exatamente igual porque esperava que eu voltasse. A sonolência veio fraca, o que eu tinha tomado? Deitei me deixando ver o computador muito antigo, os livros abertos, anotações que eu tinha feito em cadernos aleatórios e a última coisa que eu vi antes de adormecer foi o retrato meu e de mamãe sentadas na varanda sorrindo para papai. A foto foi a última que tiramos antes de tudo começar a desmoronar rapidamente e eu a tinha perto de tudo que me fazia lutar pelos meus sonhos.

...

— Bells... você precisa comer alguma coisa... Bells... – era voz de papai e eu estava sonhando. Ele sempre me chamou de Bells. A sua Bells. Eu ouvia o carro dele e corria pela casa para ele me pegar nos degraus da escada. – Meu amor seu corpo precisa de algum alimento.

Isso não era sonho. Eu abri meus olhos assustada. Papai estava com a bandeja na mão. Seu rosto mais velho e cansado do que eu poderia lembrar. Ele não estava de uniforme. A culpa bateu forte em mim.

— Pare com pensamentos demais e coma um pouco. – ele disse se sentando na cama ao meu lado.

Era difícil vê-lo depois de tantos anos. Eu não sabia como começar uma conversa ou ao menos encarar ele. Eu o decepcionei de uma forma muito grande.

— Pai...

— Bells, você dormiu um dia e meio. Você precisa comer. Eu fiz essa sopa de legumes e carne, não sei se está bom.... – sorri lembrando de como ele tentava cozinhar algo para nós depois que mamãe morreu e a única coisa boa era a sopa.

Eu me sentei e me ajeitei com a bandeja, ele ficou ali me olhando tomar cada colher com uma expectativa que eu conhecia muito bem nos seus olhos. Os meus olhos. Tomei toda sopa sentindo apenas no final o tamanho da fome que eu estava.

— Pai... eu não sei por onde começar... me perdoa...me perdoa por tudo...

Então ele afastou a bandeja e me abraçou forte. Era saudade. Era dor. Era remoço e mais todos os sentimentos juntos. Sentindo os braços do meu pai em volta de mim eu na sabia mais porque tinha fugido tanto tempo dele ou de qualquer coisa relacionada a ele. Eu percebi que esses anos todos eu suprimi a vontade terrível de correr para os braços dele e chorar pelo namorado que me traiu, por todos os momentos terríveis que passei na cadeia e depois dela. Era muito nítido como eu continuava sendo a menina de cabelos soltos e vestidos longos que corria pela casa animada porque o pai tinha estava em casa.

— Eu te amo pai. – disse ainda abraçada a ele.

EDWARD

Tânia estava sentada ao meu lado enquanto Bill nos levava para a empresa. Eu tinha evitado ela todos esses dias, mas eu não poderia jamais esquecer que meus negócios envolviam muitas vidas e os empregos dela sustentavam suas casas e moviam uma economia de certa forma.

— Obrigada por vir comigo. – falei e ela sorriu seu sorriso doce.

— Bom... precisamos de ajuda não?

Ela não estava melhor depois do buquê de flores e de mais dois que tinha recebido enquanto eu dormia na casa. Pensar que Bella não estaria mais ali me dava uma dor que cortava a alma e eu me perguntava constantemente o que a fez correr de mim daquela forma e como Tânia convivia com aquela dor.

Quando o carro parou a sensação de vazio me fez querer voltar para casa de Tânia, o lugar que eu tinha me escondido todo esse tempo. Eu me preocupava se ela estava tendo dores de cabeça, comendo, se ela tinha dormido ou se estava ao menos bem. Eu relia a carta todas as vezes que podia e não sabia até onde isso era bom.

— Tem certeza que Alice não vai estar aqui nos rodeando como uma sanguessuga louca?

Sorri sem muita vontade e Tânia me brindou com seu sorriso.

— Ela está em uma conferência no centro.

— Se eu a ver hoje sou capaz de matar ela com algum sapato Chanel que ela esteja usando.

Sorri para Tânia e agradeci a Bill. Nós subimos em silencia e meu coração disparava a cada pensamento de não vê-la ali, não ter sua presença pelos corredores ou não poder vislumbrar seu sorriso. Tânia pegou minha mão como se soubesse o que eu precisava. Quando o elevador abriu eu vi minha mãe ao telefone falando com alguém um pouco mais nervosa do que o comum.

— Bom dia querido. – ela veio até mim com o celular ainda nas mãos. – Seu pai me arrastou para a empresa depois que o Governador ligou, eu deveria estar em chá beneficente que graças aos céus isso me salvou.

Sorri para ela dando um beijo em sua testa um pouco mais demorado. Ela me olhou em seguida, ela sabia. Todos sabiam.

— Vou resolver isso com papai.

— Oi querida!

Deixei Tânia com mamãe e fui até meu escritório sem muita vontade. Passei e olhei para o piano, ele parecia tão sem sentido sem ela.

— Edward não estou encontrando o contrato que fechou com a Prefeitura e o Governador e seus assessores não param de ligar pedindo a cópia do projeto que deveria ser assinado. – ele suspirou um pouco cansado. – Eu sei que deve estar sendo difícil, mas essas coisas não param porque estamos sofrendo.

Não era uma repreensão. Era uma verdade. Um império tinha sido feito a partir do nosso nome, eu expandi ele ainda mais com conexos e influências. Nada disso entendia a dor que era não ter ela perto de mim.

— Deve estar na sala de Alice, ela estava analisando da última vez que falamos sobre isso.

Eu fui até a sala de Alice encontrando tudo um pouco desorganizado. Bella arrumava tudo com tanta perfeição e silêncio. Eu andei pela sala sentindo falta dos toques pessoais que ela dava como um vaso de flor com flores frescas, a cortina aberta para a vista, nos lembrando que o mundo lá fora era maior e melhor que essas quatro paredes.

Eu fiquei procurando pela mesa sem saber muito o que procurar, eu estava imerso nos motivos que levaram Bella a se afastar de nós. Todos nós. O que a fez achar que eu a amaria menos? Talvez eu tivesse me casado com ela sem me importar a mínima com o que ela escondia, porque eu sabia que eu estava com ela e não com seu segredo.

Fechei meus olhos sentindo a dor amarga de não entender e ter medo dela estar em um lugar que eu não poderia ajudar ou algo assim. Tânia tinha falado em tempo, eu tinha pressa, mas sabia que ela precisava se organizar. Se achar. Será que eu já tinha dado tempo demais?

Toquei uma pasta que vi nas mãos de Alice da última vez que a vi. Foi no dia que dei o carro para Bella. Foi no dia que ela se foi. Ela estava embaixo de todas as pastas e eu pensei que talvez fosse essa porque falamos sobre isso nesse dia.

Eu abri e comecei a ler. A leitura me deu uma náusea horrível, era algo tão repugnante que nem conseguiria explicar o que isso estava fazendo ali. Na verdade, não era difícil de entender.

— Edward seu pai perguntou da pasta. – olhei para Tânia e ela se aproximou assim que me viu. – O que aconteceu?

Eu dei a pasta nas mãos dela. Tânia demorou apenas alguns segundos para entender.

— Vadia! – ela gritou. – Ela é uma vadia! Tudo isso é mentira! Deus Edward como isso... foi publicado?

— Não, olhe. Está sem data. É apenas um modelo.

— Conheço esse jornalista... – ela falou, mas eu sabia aonde seus pensamentos iam.

— Conhecemos. – falei sério — Ele é convidado em todas as festas, damos a ele uma foto exclusiva sempre. O jornal dele é sempre o primeiro a saber de todas as nossas conquistas e fazer reportagens da empresa. Seja de moda até empresarial.

— Deus Edward... ele e Alice armaram isso? Bella viu?

— Ela com certeza viu. – falei com raiva já mandando para o espaço todo meu bom senso e digitando freneticamente uma mensagem para Bill. Meu pai entrou junto com mamãe e Tânia mostrou a eles. Eu me virei não querendo mais ver essa pasta.

— Ela não merecia ter lido algo tão sujo.... – mamãe disse as lágrimas. – Por isso a pobre fugiu... Edward...

Bill entrou nesse momento no escritório de Alice no seu modo mais firme.

— Eu quero que me diga onde ela está. Se tem uma pessoa aqui que sabe é você.

Então ele sorriu discretamente. Bill sabia que uma hora eu ia ter Isabella de volta, ele me conhecia tão bem que não eram necessárias palavras.

— Ela está em Forks senhor Cullen. Com o pai.

— E você sabia disso o tempo todo e não nos disse? – mamãe disse indignada para Bill. – Eu estava contratando detetives...

— Mãe!

— Não me olhe assim Edward Cullen. Essa menina saiu e você não foi procurar por ela, a amiga dela me disse para cuidar da minha própria vida que a amiga já tinha sofrido demais. Eu não posso imaginar o que ela passou dentro daquela cadeia e nem o que ela deve estar pensando nesse momento. Eu tinha que saber que ela bem.

— Mãe...

— Edward vá agora buscar ela e mostre a Isabella que nós a protegeremos. Que isso não representa nenhuma ameaça. – papai disse muito firme. – Vou chamar se vice para lidar com esses problemas da empresa e tome o tempo de vocês. Mostre a ela meu filho que isso não representa nossa família e que não tememos o passado porque nós construímos o futuro.

Notas finais
Sinceridade? Amei Carlisle no final. Amei todos os amores envolvidos e meninas.. compreendam que o Edward estava talvez tão sem chão quanto ela, é complicado. Ele a ama, mas nada tem fórmula. Então... espero que tenham gostado.