Segredos e Mentiras
27 Família
Notas iniciais
Eu odiava precisar me inscrever com o nome falso. Tânia me deu todo espaço que eu poderia ter, ela ficou sentada em um café enquanto eu ia na área administrativa com os papéis da empresa de Edward e com meus documentos. O meu curso não começaria antes de dois meses e fiquei feliz por ainda ter tempo de treinar alguém e preparar a pessoa para Alice e suas exigências. Enquanto voltava com todas as informações necessárias eu pensei em papai, ele adoraria ver minha vida voltando a um estado de normalidade.
— Então querida, correu tudo bem? – Tânia estava elegantemente sentada tomando um café. Me sentei mostrando a ela todos os papéis que ganhei, mais a lista de livros e aulas on line que eu teria que fazer.
— Preciso comprar um computador...- falei olhando a senha e o site que eles me deram para entrar e verificar a biblioteca on line, junto com as aulas que teria que assistir.
— Vamos resolver isso hoje!
Tânia tirou uma nota de sua carteira e colocou na mesa.
— Vamos querida. O carro está estacionado logo ali.
Bill estava esperando por nós na porta do carro. Tânia revirou os olhos.
— Bill, eu tenho carro. – agora que lembrei que viemos no carro vermelho sangue chamativo de Tânia.
— O senhor Cullen acha que vocês teriam um conforto melhor e eu posso arrumar melhor as compras no carro.
Me derreti com o cuidado de Edward.
— Isso é completamente desnecessário, eu sei dirigir.
Tânia disse isso, mas entrou assim que Bill abriu a porta.
— Obrigada. – agradeci a Bill sentando do lado de Tânia que digitava algo freneticamente no celular. Sorri pensando em como ela e Edward deveriam estar trocando mensagens desaforadas um para o outro.
— Para onde senhora?
Dei o nome da loja e algumas instruções, Bill começou a nos levar para lá. Não era longe na verdade e com o carro conversível de Tânia iria mesmo ficar um pouco difícil levar tudo que eu queria.
— Edward só queria ajudar... – Tânia sorriu para mim parando de digitar.
— Eu sei querida, ele é realmente muito atencioso. Como sua mãe.
— Eu estou com saudades de Esme... – confessei para Tânia.
— Oh que maravilha! – ela disse animada – Ela estava tentando não ser grudenta ou algo assim...
Olhei para Tânia sem entender suas palavras. Como Esme poderia ser grudenta? Ela era uma pessoa muito agradável e tê-la por perto era muito bom.
— Ela nunca poderia ser isso...
Bill parou em frente a loja que vendia produtos de todos os tipos para cozinhas e alimentos importados.
— Vamos então as compras! – Tânia disse animada.
Nós entramos na loja e Tânia logo pegou um carrinho, eu percebi que ela pegou o maior que ela encontrou e sorri vendo como ela parecia estar fora de um contexto, seus cabelos loiros e por mais simples, muito bem vestida, em contraste com a loja grande e casual.
— Olhe Bella eu acho que ele pode precisar de panelas... – ela disse olhando uma série de panelas que estavam na sua frente.
Sorri me aproximando e fiquei minutos explicando tudo que pegava, porque pegava e como aquilo seria útil não só naquela ocasião. Tânia parecia realmente interessada e selecionou um conjunto de facas profissionais para uma amiga que estava estudando em um curso de culinária na França.
— Achei vocês! – a voz animada de Esme me surpreendeu atrás de nós e Tânia sorriu conspiradora ao meu lado quando a olhei sem entender. – Espero não atrapalhar...
— Não... estamos comprando itens para a cozinha de Edward.- falei indo até ela e recebendo o abraço materno. Esme exalava maternidade e me lembrava tanto mamãe.
— Obrigada pelo convite querida... – seus olhos tinham uma emoção verdadeira. Eu agradeci a Tânia internamente por trazer Esme, ela era o que faltava.
— Ainda precisamos de talheres, pratos, passar na sessão de “ coisas que Edward nunca pensaria em comprar” – nós rimos – E Bella precisa de um computador para aulas on line.
Esme ficou horas comigo e Tânia pegando tudo, selecionando algumas coisas para ela mesma e fazendo muitas perguntas sobre meu curso, como eu me interessei ou falando de como estava feliz por eu ter decidido aceitar a bolsa. Ela falou diversas vezes para Tânia que eu seria uma ótima nutricionista e de como suas amigas ficariam encantadas em me conhecer.
Bill pegou as bolsas assim que nos viu indo para o caixa e foi colocando tudo dentro do carro enquanto ainda embalávamos as coisas.
— Um primo de Edward se não me engano tem os melhores computadores do mercado. – Esme falou e por alguns segundos eu sentia Tânia nervosa, mas ela logo disfarçou isso com um sorriso calmo. Eu me perguntei o que seria isso, mas Esme já estava no telefone e chamando alguém. – Ele pode nos receber. – ela disse animada.
— James é muito ocupado... – Tânia disse, mas ela não olhava para nós.
— Ele é um amor querida, falei que iria levar a namorada de Edward comigo e você, e ele é claro vai nos receber.
Esme deu o endereço a Bill e Tânia começou a ficar quieta. Esme não percebeu, ela apenas contava que James era um primo de Edward por parte de Carlisle. Um amigo dele muito próximo teve um filho e morreu meses depois, ele e Esme ajudaram a mãe na criação de James não deixando que ele não tivesse a presença masculina que iria faltar. Carlisle foi com James a todos os eventos desde a primeira festa na escola a uma feira de ciências.
— James é um menino de ouro... muito especial mesmo.
A porta abriu e Esme saiu não vendo como Tânia estava.
— Está tudo bem? – perguntei para ela, Esme já estava na porta entrando e falando com alguém que achava ser James.
— Sim...- ela falou não muito certa. – Você já uma experiência muito boa e ela era tão boa que você teve medo?
Respirei fundo olhando para Esme e James.
— Eu sinto isso o tempo todo com Edward. – confessei e seus olhos brilharam.
— É bom apenas ter alguém que entenda... – ela disse e saímos do carro.
— Queridas! James estava me contando de um novo sistema operacional... é esse o nome não é mesmo?
— Sim tia... – ele disse divertido sorrindo carinhosamente para Esme. James era um homem alto e bonito, seus cabelos castanhos claros e sua pose descontraída eram um combinação perfeita. – Essa é Isabella Swan, a namorada de Edward.
— Prazer. – ele disse e seus olhos foram de forma quase instantânea para Tânia.
— E Tânia querido, ela está na cidade por alguns dias.
— Uns dias. – ele disse como se aquilo queimasse nele. Ele e ela trocaram olhares como se a frase fosse deles. E os machucasse de alguma forma.
— Eu preciso de um computador. – falei cortando o momento que estava se tornando ruim.
— Podemos olhar modelos, ver sistemas que você goste e instalar programas... vamos...
A loja de James era uma loja para computadores personalizados, o cliente dizia o que queria e eles montavam a partir dessa necessidade. Eles não atendiam a pessoas e sim a empresas, o que explicava aquilo não parecer exatamente uma loja e sim um escritório quando entramos. Mas ele foi muito gentil me explicando e fazendo perguntas, Esme tinha saído para falar no telefone com o marido e eu via como James olhava uma Tânia silenciosa do meu lado. Estranhamente silenciosa.
— Sua empresa tem muitos anos?
— Apenas dois. – ele respondeu com uma pontada de dor.
— Vou entregar seu computador em dois dias. Terei tudo que você falou incluindo uma biblioteca virtual com vários livros disponíveis e uma internet boa para você navegar.
— Isso seria ótimo.
— Foi um prazer te conhecer Isabella. E rever você Tânia.
Nós saímos da sala dele e Esme estava falando com o marido. Ela desligou assim que nos viu.
— Vou me despedir de James... quanta falta de educação, mas Carlisle queria saber onde eu estava e o que eu estava fazendo.. – ela sorriu para mim – Homens Cullen são dominadores. Não os deixe pensar que venceram querida.
Sorri para ela e a vi desaparecer.
— Ele gosta de você. – falei baixo e sem olhar para ela.
— Ele não me entende...- ela disse decepcionada. – Não daria certo.
— Eu acho que vocês ficariam bonitos juntos...
Ela sorriu triste.
— Ele quer família Bells. E eu quero o mundo.
Olhei para Tânia sentindo cada palavra que me veio a mente.
— A nossa família é nosso mundo. E quando estamos com ela, não precisamos de mais nada. – respirei fundo lembrando de papai e mamãe. – Minha mãe abriu mão de uma carreira no piano por meu pai, todos achavam que ela era louca. Ela tinha muito talento. – sorri confiante para Tânia – Ela nunca olhou para trás.
Tânia me olhou surpresa, como se a ideia de abrir mão de algo que ela achasse imprescindível se confirmasse ali.
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