BELLA

Eu abri os olhos sentindo apenas o cheiro de Edward, por alguns segundos pensei que isso poderia ter sido um sonho, mas as lembranças de tudo vieram com força conforme o sono se ia de mim. Toquei minha barriga emocionada, eu nunca pensei que seria mãe. Isso tinha, de alguma forma, morrido dentro de mim, mas Edward parecia entender e fazer tudo que nem mesmo eu parecia saber sobre mim.

Levantei preocupada com minha aparência pela primeira vez em dias e pegando um pouco do que papai comprou eu fui para o banheiro. Tomar um banho depois de tantas emoções me fez relaxar, me perguntava onde Edward estava e quando papai chegaria em casa, mas assim que saí do banheiro eu senti um cheiro gostoso vindo do andar debaixo.

Desci as escadas ouvindo vozes e fui até elas vendo Edward e meu pai sentados olhando um álbum de fotos da nossa família. Eles estavam de costas para mim, papai sorria mostrando uma e falando alguma história constrangedora. Engraçado como não percebemos certos detalhes que agora nos saltam aos olhos, papai nunca se sentou no sofá com Jacob mais que cinco minutos e nem se interessou em falar nada sobre mim para ele. Na época, é claro, isso parecia ciúmes e uma certa implicância de um pai com o primeiro namorado da filha.

Edward foi o primeiro a me ver, ele se levantou e veio até mim me abraçando sem vergonha de papai que nos olhava. Eu abracei Edward olhando para ele, eu queria saber mais do que nunca o que ele achava de nós. E nos seus olhos eu vi algo que não via há anos, aquele brilho que tinha quando mamãe estava viva, um brilho específico de felicidade e alegria. Eu sorri abraçando Edward com mais força. Eu me sentia uma menina olhando para os dois homens mais importantes da vida dela.

— Você está com fome? – Edward perguntou fazendo carinho em meu rosto, eu apenas assenti e ele saiu em direção a cozinha. Eu não me preocupei mais que dois segundos com o que ele iria fazer quando as suas palavras de cuidar de mim vieram a mente. Fui sentar no sofá com papai e vi os álbuns espalhados.

— Você conhece Edward? – ele me sorriu arteiro.

— Todos conhecem Edward Cullen querida.

Eu sondei seus olhos sentindo o cheiro de comida ficar ainda mais forte.

— Papai você não está surpresa de ter um homem como Edward na sua sala. Por quê?

Ele sorriu.

— Bom, um pai faz o que tem que fazer para proteger sua filha. – e a conversa terminou ali, de alguma forma eu sabia ou sentia que papai não esteve alheio a minha vida como imaginei. Edward chegou com uma sopa e me fez tomar tudo me falando como eu estava magra e abatida. Ele perguntou se eu tive enjoos e papai respondeu que não.

— O senhor sabe de tudo! – acusei ele e Edward pegou o prato de minhas mãos indo para a cozinha.

— Claro que sei. – ele disse firme. – O inferno congelaria no dia que eu deixasse minha filha sem dinheiro e perdida por dentro como você estava a toa nesse mundo Deus!

— Oh Deus Ângela e Ben.... eu não avisei onde estava... ela deve estar surtando....

— Eu liguei para ela. Avisei que estava bem, que Edward estava aqui.

— Pai...

— Bells entenda o seguinte. Eu nunca iria contra suas decisões, você escolheu se afastar e eu respeitei isso. Mas é demais pedir para um pai ignorar a filha, deixar ela sumir no mundo e achar que ele pode dormir tranquilamente. O que me deu forças esses anos todos foram as notícias de Ângela.

Eu entendia. Era torturante ficar longe de papai, não saber como ele estava e se precisava de mim. Conforme o tempo ia passando e eu sabia que seus anos de vida também, a tortura de ficar longe parecia ainda pior. Não era apenas ficar longe, era perder momentos, todos eles. Nessas horas nós damos valor a pequenas coisas durante todos esses anos eu vi pessoas reclamando do pai ou da mãe. Como eles se metiam demais, como falavam demais ou como eles apareciam nas horas erradas. Eu sonhava com uma ligação para ouvir sua voz, eu sonhava com o cheiro de papai e suas falas espertas.

— Eu te amo pai. – então nos abraçamos sentindo a saudade disso fluir em nós.

— Eu te amo pequena.

E era assim mesmo, segredos e mentiras. A vida era feita disso, mas cabia a nós decidir o que fazer com todos eles. Eu decidi agradecer a Deus por ter me dado um pai que apesar de todo sofrimento ainda teve amor para cuidar de mim todos esses anos.

— Eu soube que vou ser avô.

Fiquei vermelha olhando Edward parado em pé na entrada da sala. Me afastei de papai indo até Edward e sorrindo.

— Precisamos confirmar isso.

Edward me deu aquele sorriso mais lindo e aberto, me acolheu em seus braços e olhou para papai com confiança.

— Eu estou certo que há alguém vindo.

Papai levantou e começou a arrumar os álbuns.

— Também tenho certeza disso, Renée ela tinha esse brilho no olhar... – ele me olhou com alguns na mão. De alguma forma, as lembranças não eram mais dolorosas e sim boas demais. Boas para ser compartilhadas. – Você está exatamente como sua mãe querida. E por mais que ame ter você comigo, há uma vida em Chicago esperando por você e Edward.

— Oh... mas...

Ele veio devagar andando até mim com plena confiança.

— Querida, você precisa voltar e ter certeza que vai ouvir muito de Ângela. Edward é um homem público e não podemos privar ele de sua empresa e de seus compromissos. Vocês dois precisam sentar e conversar muito antes de voltarem aqui para me trazer notícias do meu neto ou neta.

Lágrimas vieram ao meu rosto, parecia tão injusto que papai e eu estaríamos nos separando justo agora. Mas as suas palavras eram verdade.

— Papai eu não quero ir....

— Nem eu estou falando que quero que você vá meu amor, mas você saiu de Chicago completamente sem rumo. Deixou tantas pontas soltas como deixou aqui. Eu não pretendo ir a lugar nenhum Bells, aqui foi onde eu e sua mãe tivemos os melhores anos de nossa vida. Eu criei você e agora vou mimar meus netos. – eu sentia a emoção forte que ele estava sentindo em cada palavra. Como se estar ali era estar com mamãe, como se ela nunca tivesse ido embora. – Eu te amo pequena e vou te amar até meu último dia aqui e não estou me despedindo. Estou dizendo que vamos nos ver em breve, assim que você resolver tudo.

O tudo agora parecia realmente importante, eu lembrei de algumas coisas que eu desejaria fazer antes de tudo. Coisas que eu não poderia jamais deixar de lado.

— Bill está nos esperando querida. – Edward falou suave beijando meus cabelos. – Foi um prazer senhor, vamos nos ver em breve.

— Com certeza menino.

Sorri vendo eles se despedirem, Edward me deixou sozinha com papai na sala e eu corri para seus braços.

— Isso não é um adeus Bells. – ele disse sorrindo.

— Eu sei. Eu te amo papai.

— Eu te amo pequena.

Ele me levou até a porta do carro. Edward estava conversando com Bill tranquilamente e mais uma vez papai não parecia surpreso ao ver Bill e nem cumprimentar ele. Papai acenou assim que o carro começou a distanciar e a certeza de que não era uma despedida me fez sorrir nos braços de Edward.

— Bill, papai e você se conhecem há muito tempo? – perguntei e ele sorriu me olhando pelo espelho do carro. Oh sim, a vida era feita de segredos sim. Mas alguns deles eu sabia, nunca seriam revelados.