Notas iniciais
Meninas deixa eu dar uma satisfação. Eu sumi por conta do trabalho, final de ano para mim é algo insuportável, eu chego em casa ainda trabalhando. Por isso, não vou prometer postagens, mas não vou deixar de postar tanto tempo. Desculpa mesmo, mas dia 20 isso acaba em nome de Jesus e fico de férias. Beijos e obrigada pelos comentários e recomendações, vocês são ótimas.

Acordei sentindo meu corpo suado e minha respiração desregular. Olhei para o lado vendo Edward completamente adormecido. Eu fui a mais delicada e silenciosa quando saí da cama não querendo acordar ele mesmo sabendo que talvez fosse necessário se minha respiração não se regularizasse.

Acabou. Fechei meus olhos querendo me sentir um pouco melhor. Abri vendo a varanda e vendo a noite em sua plenitude lá fora. Um pouco de ar me faria bem e eu conseguiria talvez controlar minha respiração melhor.

Abri apenas um pouco a porta que dava para varanda para sair sem que Edward percebesse minha fuga. Vi cadeiras e mesa, mas foi um banco mais afastado que me atraiu. Sentei respirando fundo e controlando as emoções. Acabou. Eu repetia em minha mente. Não sei se foi o fato de que finalmente alguém além de Ângela e Ben tinham visto a cicatriz ou ter que enfrentar o fato que ela estava lá. A cicatriz era uma das lembranças que estavam na minha mente.

Eu tinha Edward e não queria perdê-lo, mas sabia que uma hora teria que enfrentar meu passado e contar a ele tudo para que ele decidisse o que fazer sobre isso. Só que não tinham só segredos, havia no meio dos segredos mentiras que contamos, contamos tantas vezes que ficava fácil acreditar que elas eram verdades. Fácil como minha respiração estava agora. Olhei para linda paisagem a minha frente querendo ter aquela paz e a serenidade que a madrugada possuía.

Olhei melhor a varanda vendo que ela dava para outras partes da casa. Ela era grande e cheia de mesas e cadeiras. Talvez eu pudesse ir até a cozinha beber um copo de água sem que precisasse acordar Edward no processo. Sorri pensando em nós dois. Estávamos vivendo momentos inesquecíveis. Eu não queria ser impressionada e o fato dele saber disso era algo maravilhoso. Tudo que eu queria eram momentos assim e ele parecia entender isso perfeitamente.

Fui andando até que encontrei uma outra porta e ao abrir eu realmente me deparei com algo surpreendente. Eu reconheceria pianos antigos a distancias incalculáveis. Conheceria a marca de alguns pianos só de olhar como eles estavam posicionados em uma sala. Eu conhecia esse piano. Conhecia pelo menos sua versão bem mais barata. Uma lágrima caiu dos meus olhos assim que a imagem minha e de mamãe sentadas uma do lado da outra tocando me veio. Me aproximei do piano respirando fundo e tocando sua parte superir sentindo sua madeira lisa e bem cuidado. Caro. Esse piano exalava o poder de sua marca. Fui até o banco de veludo que estava a frente de suas teclas.

— Um piano e a música certa querida...consolam qualquer coração desolado.

A voz de mamãe soou em minha mente tão forte que parecia alucinação. Eu acho que nunca agradeci a ela por todo conhecimento musical que ela me passou. Nunca falei como a música me salvou nas piores situações. Quando não havia música e o silêncio era insuportável, as lembranças de mamãe e eu tocando eram tudo que me faziam abrir os olhos ou encarar o dia. Alguns se apegam as drogas, álcool ou qualquer outra coisa. Eu me apeguei a isso.

Levantei a tampa e vendo suas teclas pretas e brancas. Passei meus dedos por elas como de costume. Era um ritual a um piano novo, uma apresentação. Mamãe fazia isso sempre. Eu a vi fazer isso tantas vezes em lojas de pianos quando tínhamos oportunidade que virou algo natural em mim. E a música certa estava ali querendo ser tocada, o piano queria ser usado. Ele era lindo e não foi preciso mais que dois toques para que eu visse como ele estava afinado perfeitamente. Edward mandou afinar? Eles tinham mesmo um piano nesta casa? Os Cullen eram surpreendentes mesmo.

Olhei ao redor percebendo a sala agora. Era uma sala tradicional de música. Havia o piano que estava mais ao fundo. A sala era larga e tinha quadros e alguns móveis rústicos apenas mais afastados. A porta estava fechada e eu podia esperar que quando a música soasse o som percorreria um caminho perfeito a qualquer ouvido longe do piano. Ela era uma sala que foi projetada e pensada para distribuir o som dessa forma. A imagem de Esme pensando nisso me deu ainda mais vontade de tocar e então as notas fluíam dos meus dedos.

A música falava por mim. Cada nota derramava minha dor. A porta abriu e eu sabia mesmo sem olhar que era Edward entrando. Não parei de tocar porque tinha aquela necessidade de tocar a música até que ela falasse mais alto que tudo ao meu redor.

Era a música ou o piano? Eu poderia ver como Edward estava surpreso pela escolha. Ele nunca imaginaria como Alanis e eu tínhamos essa conexão estranha. Eu amava as músicas dela.
— King of Pain. — ele disse me olhando ainda tocar. — E os clássicos?
— Alanis é um clássico.
Edward sorriu e se apoiou no piano me vendo tocar o refrão como se cada nota fosse deslizando minha dor para fora ou implorando para ser liberta dela.

E ele me deixou tocar a música quantas vezes eu precisei sem ao menos interromper. Quando a última nota foi tocada e me senti mais leve Edward sentou ao meu lado.

— Antes de conseguir trabalho na sua empresa eu tocava com um grupo em um bar. Foi meu primeiro emprego em anos e eu tinha a vantagem do piano ficar em uma parte meio escondida de todos. Músicos sempre querem aparecer e os cantores ainda mais. – sorri pensando em como o dono do bar ficava irritado com as brigas que saiam disso. – Nós ensaiávamos uma hora antes da apresentação e tocávamos por mais três horas. Eu aprendi muitas músicas com eles. Músicas modernas eu quero dizer.

— Você gostou? – ele perguntou interessado.

— Bom... isso pagava alguma coisa e eu estava precisando. – falei sincera – Mas era muito movimentado. Tinha brigas... e Ben tinha que me tirar de lá algumas vezes...

A lembrança de Ben indo me levar em casa no meio da noite porque tudo ido muito mal me deixava um pouco grata por não precisar mais fazer isso.

— Esse é um Bösendorfer. – apontei para o piano e Edward sorriu.

— Meu avô deu para minha avó quando eles eram mais novos.

— Seu avô de um piano de trezentos a quinhentos mil dólares para sua avó?

Perguntei sorrindo para Edward, ele olhou de mim para o piano e fez o caminho de volta me olhando com mais intensidade.

— Eu lhe daria um ainda mais caro se possível. – meu coração se encheu com suas palavras, palavras verdadeiras e sinceras. Edward era um homem inteiramente entregue, como eu, e se eu pedisse o mundo. Saberia que o ganharia, mas eu queria somente ele e o que tínhamos dentro de nós. Era suficiente e ao mesmo tempo completo.

E então nos beijando. Eu me entreguei ao beijo sentindo que cada palavra de Edward era verdade, sentindo a confiança fluir pelas minhas veias de que eu estava bem, de que tudo acabou. Ele me guiou até a parte de trás do piano e sorri imaginando o que ele queria. Edward me sentou no piano e soltei uma risada que o fez me dar o olhar mais quente que já recebi.

— Já fez isso em um piano?

— Não... – neguei não tirando o contato visual.

E ali sob um piano antigo e caríssimo nos amamos de uma forma apaixonada e quente. As mãos de Edward percorreram todo meu corpo, seus beijos molhados e quentes me incendiaram como nunca aconteceu. Eu gemia a cada novo toque ou parte sensível descoberta, eu explorava seu corpo com paixão querendo dar a ele o mesmo prazer. Querendo fazer ele gemer como eu gemia.

Abri os olhos me vendo na cama, mas a luz que vinha da varanda me fazia ter certeza que já era dia. Edward não estava, sorri lembrando de como a noite terminou. Como eu me tornei uma nova pessoa nas mãos dele ontem. Nunca mais o sexo teria o mesmo sentido. Nunca mais seria um ato sem sentido para mim. A porta abriu e Edward veio de cueca e cabelos lavados com uma bandeja até mim.

— Bom dia.

Sorri ajudando ele ajeitar tudo na cama. A badeja era grande e tinha de tudo um pouco.

— A empregada não levou um susto com o dono da casa de cueca?

Edward sorriu e sorri junto com ele.

— Na verdade ela até mesmo me deu bom dia acredita?

— Oh Deus! – falei imaginando a pobre vendo Edward de cueca.

— Ela não me viu... ela tinha ordens de preparar o café e ir. Vamos almoçar fora.

— Temos que ir..

Lamentei. Edward me serviu uma xícara de chá.

— Vamos voltar. Eu acho que vou na verdade te sequestrar durante a semana...

Sorri achando a sua cara de arteiro muito linda. Depois do café eu e ele tomamos banho juntos, mesmo comigo insistindo que não. Ele já tinha tomado banho. Edward era uma amante devotado e atento, ele repetiu as carícias que me deixavam louca em suas mãos, beijou os lugares certos com a água sendo a nossa companheira e depois me enxugou entre beijos e piadas. Ele não falou mais da cicatriz, mas eu via como ele olhava às vezes com um ar preocupado como se estivesse perguntando a si mesmo se poderia ter evitado aquilo. Ninguém poderia.

O dia foi divertido. Nós vimos mais um filme deitados comendo besteiras, depois arrumamos nossas coisas para irmos. Edward me ajudava e ao mesmo tempo me distraia com seus beijos e carinhos, eu nunca vivi isso. Mas eu entendia melhor algumas cenas de papai e mamãe sentados na mesa tomando café e rindo, a troca de olhares em alguma conversa boba.

Nós almoçamos em um restaurante discreto e muito íntimo que ele gostava, o chefe era um grande conhecido de Edward e disse que pessoalmente iria fazer nosso jantar na casa dele quando ele e eu voltássemos. Ele tinha estudado anos fora e falou por horas de técnicas e ingredientes. Edward e ele tinham histórias de viagens engraçadas, como a vez que quase foram presos na Indonésia por causa de temperos quando mais novos e se não fosse Carlisle os dois estariam lá ainda segundo seu amigo.

Ele voltou dirigindo apenas com uma mão, a outra foi em minha perna ou segurando minha mão. Estávamos no centro de Chicago quando paramos em um sinal.

— Você era assim com... as outras?

Ele sorriu colocando o carro em movimento.

— Não...e eu sei que isso vai parecer falso. – não soava falso. – Eu acho que quando encontramos a pessoa certa não devemos evitar ou nos retrair.

O olhei culpada. Eu tinha tantas coisas que teria que contar.

— Ei... isso não tem nada haver com seu pai ou qualquer outra coisa que posso estar aí dentro ainda. Isso tem haver com a sua pergunta e como eu agia. E não, eu não era assim. Mas você me inspira a ser assim. Não que Esme aceitasse nada menos que um verdadeiro cavalheiro. Sabia que eu fui voluntário em uma Casa de Atendimento a Mulheres?

— Não...

— Sim, eu e Emmett fomos obrigados na verdade. Esme e a mãe dele quando tínhamos treze anos nos fizeram limpar o quintal e cortar plantas daninhas por quase seis meses. E ali nós víamos a expressão de pavor das mulheres, ouvimos histórias e não tem como não sermos diferentes a partir disso.

— Meu pai me fez passar uma semana com ele na delegacia uma vez.

— E como foi?

— Minha mãe quase surtou com medo do que poderia acontecer comigo lá. Mas foi bom...eu acho que não aprendi muito vendo nada acontecer. A cidade era pequena e tinha problemas que não podiam ser resolvidos por papai... Mas os policias amigos dele de outras cidades ligavam contando casos como estupro, morte ou qualquer barbaridade que estava acontecendo em Nova York ou Boston... e eu conseguia entender o medo dele. Eu consegui entender meu pai depois daquilo. Não fiquei mais tão revoltada com suas proibições e horários. Nem eu conseguiria dormir ouvindo tudo aquilo todos os dias.

— Seu pai ainda vive lá?

— Na mesma rua. Na mesma casa. – falei emocionada – Eu sonho que estou voltando para casa e ele abrindo a porta de braços abertos. Esses sonhos geralmente me deixam muito mal por dias, mas é a vida.

Eu não tinha percebido que tínhamos chegado. Edward abriu a porta para mim e me ajudou com as malas. Ângela nos recebeu com um largo sorriso no rosto.

— Edward é meu aniversário na quarta e você poderia vir jantar conosco.

Eu a olhei surpresa. Ângela não comemorava o aniversário dela.

— Ben conseguiu uma folga e teremos o dia para montar o quarto do bebê e a noite para comermos uma chefe conhecida minha vem fazer o jantar.

— Isso seria perfeito. – ele disse simpático. – Aliás, essa chefe de cozinha é realmente boa? Eu conheço uma maravilhosa que posso liberar mais cedo para que ela nos brinde com sua comida.

— Oh isso seria perfeito! – ela disse animada.

— Ângela...

— Sete horas? – ela me cortou.

— Perfeito! Tenho que ir.

Ele me deu um selinho rápido e se foi. Ângela fechou a porta com um ar triunfante.

— Você não comemora seu aniversário. – falei cruzando os braços.

— Vou ter um bebê, não posso viver de datas para sempre.

Ela tinha perdido os pais no seu aniversário de dez anos. Ela percorreu mais lares adotivos do que qualquer criança nesse país e seu aniversário passava em branco todos os anos.

— Usou o biquine?

— Não..

E então comecei a contar como foi a viagem e como era estar com Edward Cullen por um dia inteiro. Ângela e eu ríamos trocando experiências e por alguns segundos nos deixamos levar pelo momento. Éramos apenas duas amigas sentadas trocando experiências. Até a última frase é claro.

— Jéssica ligou, ela quer te ver na segunda depois do trabalho.

A realidade batia a nossa porta.

Notas finais
Desculpa qualquer erro de concordância e de ortografia, não deu para revisar direito e tinham alguns erros mais gritantes quando peguei hoje para postar. Beijos lindas!