Segredos do passado
3 Dia nebuloso
O dia amanheceu completamente cinza e frio. Parecia até que era para combinar com o clima que pairava naquele quarto e principalmente, na cabeça de Yuri e Victor.
Yuri acordou e percebeu que Victor dormia ao seu lado. O que era completamente estranho, visto que ele sempre acordava bem antes dele. Mas deixou por isso mesmo e resolveu levantar-se em silencio, fazer sua higiene matinal enquanto continuava a matutar o que havia acontecido no dia anterior.
Victor acorda e percebe que esta sozinho na cama e encolhe-se chateado, já sentindo que aquele seria um dia complicado. Levanta-se e ao rumar para a cozinha pergunta de Yuri e a mãe avisa que ele havia saído mais cedo para patinar e que Victor havia ficado até tarde pesquisando novas rotinas para o treino e estava cansado por isso havia saído antes.
Como victor estava mesmo com um semblante visivelmente cansado, a mãe de Yuri não questionou e serviu o café da manhã. Mas ele estava sem fome e praticamente não tocou no prato. Aprontou-se e saiu. Sabia que deveria ir o quanto antes atrás de Yuri porém estava receoso de como o encontraria e, principalmente, como lhe explicaria sobre o dia anterior.
Começou andando a passos lentos. Mas viu-se obrigado à correr até o rinque de patinação o quanto antes pois havia começado a chover. Chegou ao Ice Castle e sua única alternativa foi entrar e dar de cara com Yuri patinando sozinho, de olhos fechados em silêncio. E concentrado em alguma coisa que ouvia em seu fone de ouvido.
Limitou-se a observar. Yuri patinava de um lado para o outro sem fazer piruetas, apenas com o corpo solto e braços visivelmente pesados. Pra la...pra cá... Parecia que ele ouvia alguma música conturbada em sem nexo. Pra lá , pra cá.... Para no centro do rinque e abre os olhos.
E demora algum dempo a perceber que um par de olhos azuis inquietos o observava da porta. Yuri sustenta o olhar um tempo depois desvia, mas sabia que não poderia evitar Victor para sempre e resolve ir em direção a ele.
— er....Oi – finalmente diz sem saber exatamente como começar uma conversa.
—Estranhei você sair antes de mim – baixa os olhos e olha para os lados sem encarar Yuri.
— Perdi o sono
—Senti sua falta.
Victor apesar de relutante, acaba por abraçar Yuri ao final da frase e o rapaz retribui sem dizer uma só palavra, deixando o peso de seu corpo cair sobre o de Victor. Permaneceram algum tempo daquele jeto, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. Até que Victor corta o silêncio:
—Desculpe por ontem Yuri.
— Você nem atendeu o telefone — Yuri responde ainda apraçado e sem olhar diretamente para Victor.
— Esqueci de carregar ontem e fiquei sem bateria depois. O carregador estava na sua mochila.
—Tá.
— ... Não vai me perguntar nada?
Yuri queria perguntar. Queria falar um monte e descarregar todas as suas frustrações em Victor, mas simplismente não conseguia formular nenhuma palavra que não fossem monissílabos.
—Te deixei preocupado né?
—Hum... – Victor aperta o abraço.
— Me perdoa Yuri, eu...
—Onde você estava? – Yuri finalmente consegue reunir coragem para perguntar e o encara.
—Fomos à pracinha conversar como ela queria. Mas a Anya passou mal de insolação e desmaiou e eu a acompanhei.
—Você voltou de madrugada.
— Eu sei. Ela esta morando sozinha em um apartamento na cidade ao lado de Hasetsu. Não dava pra a deixar passando mal.
—Quem é?
—Uma conhecida minha lá da Russia. Ela patinava também mas depois largou para seguir carreira de bailarina. Tá fazendo intercâmbio agora.
Yuri estranhou um pouco essa ultima informação vista que Hasetsu era uma cidade pequena e mesmo na região, não era exatamente um polo de danças ou coisas do tipo, mas não questionou.
— E...o que ela queria?
—Conversar e relembrar velhos tempos.
Yuri não engoliu muito essa resposta. Mas victor também não parecia muito disposto a falar mais e resolveu deixar por isso, mesmo sabendo que não deveria.
— Ela vai voltar?
—Acho que não.
Victor respondeu tentando amenizar a situação. Mas no fundo ele sabia que não seria bem assim. Mas não queria preocupar Yuri mais do que já estava e resolveu guardar para si. Ele de fato, conhecia Anya a tempos. E tempo o suficiente para conhecer a personalidade forte e persistente da moça.
—Bom... esquece. – Yuri disse por fim se afastando do abraço e virando as costas andando de volta em direção ao rinque — vamos treinar.
Victor assentiu e foi calçar os seus patins.
O dia pareceu se arrastar. Estava difícil de concentrarem e apesar de terem “se entendido” estavam um tanto distantes e mal conversavam, trocavam palavras solta somente sobre assuntos técnicos. Finalizaram o treino e voltaram para casa em silêncio cada qual ainda perdido em seus pensamentos. Victor ainda tentava quebrar o gelo no caminho falando sobre trivialidades e seu costumeiro sorriso bobo, mas Yuri parecia não estar presente.
Chegaram às termas e Yuri foi direto para o banho sozinho, refletindo sobre o dia. E Victor resolveu sentar na cama e ficar abraçado a Macacchin em silêncio com a sensação eu uma faca havia atravessado seu peito.
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