Segredos do Passado 2: O Mundo das Personificações
7 Parasita Ancestral
Notas iniciais
Começando mais um dia nas famílias, repetiam cada um à sua rotina matinal.
Hisoka realizava o treino matinal com os guardas da família e, de tarde, foi requisitado para ficar com Shirona e seu guarda-costas responsável, Abeno – Hisoka lembrava-se dele, pois sua personalidade centrada e perspicácia eram muito faladas entre os membros. Abeno não tinha apreço pela presença de Hisoka, mas tinha ordens de Shirona para deixa-lo em paz.
Já para Hisoka isso pouco importava. Apenas conseguiu seguir aquela semana graças ao apoio de Tsuzuki e por seu treio, pois continuar brincando aquela farsa com Shirona estava incomodando demais – além de ela tê-lo feito jantar com sua família uma noite. Sua mãe não se fazia presente e, pelo que pode reunir de informações, ela estava sobre observação médica e mental, com visitas proibidas.
Ele julgou a informação como relevante, já que, mesmo que sua saúde fosse frágil, ela não gostava de ser tratada como se fosse feita de vidro e o assunto estava girando em torno de mistérios e segredos que um ‘novato’ não podia saber.
Teruzuma e Wakaba estavam indo bem em juntar pequenos pedaços de informação aqui e ali. A Fujiwara requeria toda ajuda possível e, eles tendo sido introduzidos ao time principal de informações, estavam perto o suficiente da verdade.
Perto demais, na opinião de Wakaba.
Ajudando a organizar documentos e despachar informações, constataram que os nomes nos documentos eram compatíveis com os das almas desaparecidas e aqueles que despachavam tinham o mesmo resultado. Eles eram definitivamente os culpados! Mas como estavam fazendo aquilo acontecer?
Teruzuma estava conseguindo se aproximar mais de Huges, um dos homens da rede principal de informações e que era muito astuto. Tratar com ele era até divertido em um certo sentido, mas extremamente sério, quando o trabalho estava envolvido! Porém, Huges havia gostado do nível de trabalho dele e, mesmo que lentamente, estava dando espaço para que tivesse mais informações.
Tatsumi estava surpreso com a maneira como a Toyotome lidava com suas situações e, que a descrição dada por Hisoka sobre Kiyotsugo, era leve demais para descreve-lo! Enquanto os líderes estavam ocupados com os detalhes principais de um evento importante, que estava chegando em breve, o rapaz negociava com pessoas e dava ordens precisas, organizando seus funcionários.
O problema era que algumas das pessoas com as quais ele negociava eram ligadas as que Wakaba constatou estarem nos documentos da Fujiwara e estarem relacionadas as almas desaparecidas. Como se ter de controlar seu nervoso não bastasse, tinha que lidar com a ‘perseguição’ da guarda de Kiyotsugo, Asuna. Ela era persistente em acompanha-lo e fazer qualquer coisa com ela a sua sombra era trabalhoso – tanto quanto conter-se em simplesmente usar seu poder e coloca-la fora da situação.
Watari estava gostando de parte de seu trabalho com a Michinaga. Todos os dias podia juntar-se aos times de pesquisa e aprofundar-se em avanços e novas tendências, mesmo que algumas coletas de dados fossem em hospitais e de pacientes cujas almas sumiam depois.
Para que raios precisavam fazer aquilo!? Eles ao menos tinham noção da gravidade de suas ações!? Embora já tivesse uma teoria nesta questão, era desafiador manter-se concentrado. O shinigami realmente estava atormentado com o que acontecia e procurava ficar o mais focado possível no objetivo final: desvendar aquele mistério e resolve-lo totalmente!
Tsuzuki, ao contrário dos colegas, perdeu sua descrição no terceiro dia de trabalho.
Percebeu que, nas profundezas do território da família Shishiou, havia um templo selado, purificado, protegido e sendo preparado para algum ritual. Havia uma sensação opressora ali e, por maior que tenha sido cauteloso, encontrou Vatler atrás de si.
— Membros novos não deveriam abusar de suas sortes. – o loiro e elegante homem o encarava sorridente.
— Eu posso ser novo, mas meus sentidos são bem treinados. – ele deveria conter sua vontade de responder ao poder hostil que vinha do membro da Taishyoku – Sei claramente que este lugar há muito foi selado, definitivamente palco de um confronto inimaginável e, acima de tudo, é protegido para que o que está preso, permaneça preso. – ele conseguiu surpreender Vatler.
— Venha comigo. – compondo uma postura séria e estrita, convidou Tsuzuki a segui-lo. Ele viu que não era uma situação para objeções ou questionamentos, cedendo ao ‘convite’ de Vatler.
Os dois chegaram à sala de Meiga e Mimori, onde Tsuzuki ficou esperando do lado de fora, sendo observado por seus guardas Mikihiko e Nanase, enquanto Vatler falava com os dois. Ele recebeu permissão para entrar apenas quando os membros da Taishyoku, os guardas de todos, Koyomi e Yaze estivessem presentes.
— Foi trazido ao nosso conhecimento de que você se aventurou ao templo nos fundos do território, Hidemoto. – o clima pesado na sala e a seriedade de Meiga deixavam claro a gravidade da situação.
— Recorda-se de que está é uma ação apenas para aqueles poucos permitidos na família? – Mimori estava igualmente insatisfeita.
— Sim. – ele não perdia sua postura – Mas devo apontar a seriedade desta situação. Há uma opressão perigosa no ar em torno do templo. – os presentes se surpreenderam.
— Então o que Vatler disse é verdade. – Koyomi se dirigia a ele – Você tem instintos perceptivos muito aguçados. – ela o analisava, através de sua energia.
— Existem apenas duas saídas para você aqui. – Yaze dirigia-se a ele – Ou inserimos você no projeto principal, o colocando sobre as mesmas condições de todos os envolvidos; ou eliminamos, caso não saiba manter-se em silêncio sobre o templo. – a frieza do rapaz surpreendeu Tsuzuki.
— Eu seria muito mais útil a vocês vivo. – ele tentava controlar seu impulso de sorrir pela oportunidade a frente e das expressões incrédulas de seus expectadores com sua ousadia – Afinal meu conhecimento sobre rituais de purificação, selamentos milenares antigos fixos em barreiras esféricas e manutenção periódica de energias externas é bem extenso. – tendo descrito as características do entorno do templo daquela maneira, convenceu sem dificuldades os presentes de que era mais valioso vivo.
Depois ele foi destacado para ficar auxiliando Koyomi e, com o tempo, pode lentamente juntar informações sobre o que faziam. Estava sendo difícil de suportar e ouvir as insatisfações do irmão de Shirona sobre o compromisso passado da irmã com Hisoka – ele falava bastante sobre seu relacionamento com Rikuo e Tsuzuki tinha cada vez mais certeza de que jamais alguém nestas famílias deu a menor chance de conhecer Hisoka de verdade. Aquelas famílias eram problemáticas em diversos sentidos e extraordinárias em outros.
Naquela manhã, ele finalmente encontrou a pista que faltava. A peça final do quebra-cabeças insano que tentavam desvendar. O prelúdio de um desastre absoluto.
Durante outra de suas reuniões ocultas na noite, hora em que Tsuzuki conseguiu liberdade dizendo que treinava em sua meditação, ele foi rápido em informar os colegas.
{Dentro da conexão de pensamentos de todos}
— Temos problemas! – Tsuzuki não esperou nem que se cumprimentassem – Chefe, precisamos avisar a Enma-cho disso rápido! Coloque o Conde na conexão, pois não há um segundo a perder.
Vendo a seriedade com a qual Tsuzuki estava tratando a urgência, todos aguardaram que Konoe colocasse o Conde em conexão com todos.
— Tsuzuki-san, o que está acontecendo? – o Conde não parecia satisfeito com, no meio de toda aquela confusão, mais alguma coisa acontecer.
— Eles estão tentando soltar o Parasita Ancestral! – ninguém, além do Conde, pareceu entender o que ele queria dizer – Ele é o irmão do rei das personificações e seu oposto. Assim como o rei é a luz, ele é o escuro. – os shinigamis se assustaram.
— Não pode estar falando sério! – Teruzuma estava pasmo com o que ouviu – Como eles podem ter acesso a um ser destes?
— Nós estamos no mundo humano! Estamos do lado deles no véu! Não pode ser que algo assim esteja aqui. – Wakaba concordava com o parceiro.
— Preciso que me deixem explicar tudo! Não tenho muito tempo. – ele tinha que ser rápido e recebeu abertura dos colegas – Assim como a história conta, os irmãos da luz e da escuridão se equilibravam como as personificações mais fortes; mas, com o tempo, apenas um seria o Rei.
“Quando o Rei deu à luz ao mundo das personificações, entregou a proteção do lado humano do véu a seu irmão e do lado interno a doze guerreiros escolhidos pessoalmente por ele.
Seu irmão, cujo nome se perde na história, tinha sua existência ligada ao selamento da energia obscura que antes existia em seu mundo e foi selada durante sua criação. Tendo uma fria referência, além de sua ligação as personificações parasitas que existiam, havia uma tensão complicada e difícil entre os irmãos e os doze guerreiros escolhidos.
Selecionando um grupo de guerreiros humanos, dotados de habilidades extraordinárias, o irmão garantiu que o lado humano permanecesse puro e estável. Entre seus escolhidos estava aquele de maior potencial, a quem entregou o segredo de como criar uma personificação artificial. A primeira de todas: o leão dourado, batizado de Shishi.
Unidos como uma família, estes humanos progrediram no campo sobrenatural da verdade e, com o tempo, surgiram aqueles que cobiçavam mais poder.
Estes infiltraram-se no caminho pelo véu, indo em busca do selamento de poder, sem saber sua real natureza. Confrontados pelo irmão da escuridão, temeram por suas vidas apenas até o momento da decisão. Um momento em que o irmão, cedendo a seus obscuros sentimentos de inveja e repulsa, liberou a energia e absorveu tudo que pode.
Alertando o perigo a todos os protetores de seu mundo, pela pressão negativa e enlouquecedora que a energia causou nas personificações parasitas – incluindo o mais recente filhote de Takao – o mundo e todos os planos do véu foram colocados em risco.
O rei destacou seus guerreiros para lutar a guerra por vir e ergueu seus poderes para proteger o véu e seus mundos. O dragão azul, dentre os doze, batizado como Seiryu, enfrentou seu irmão parasita, enquanto seus companheiros lutavam no lado humano, e triunfou; vindo a ser condecorado como o mais forte dos dragões vigentes de suas hierarquias depois.
Ele tendo terminado, seguiu ao mundo humano em busca de seus companheiros, onde uma batalha cruel já havia tirado a vida de inúmeros humanos, shinigamis e personificações. Unidos os doze, a Shishi, o primeiro líder da família e luzes de poder enviadas pelo véu, o irmão foi vencido.
O preço de seu selamento foi pago com a vida de Shishi e do líder. A família, por seu envolvimento, teve decidido que guardariam eternamente o selo. Uma missão a ser lembrada por sua seriedade e consequências pela eternidade.
Pela paz por vir e pelas vidas a serem protegidas no futuro salvo, independente em qual lado do véu, os doze guerreiros receberam o título de deuses e ascenderam como os protetores de ambos os lados e, no mundo humano, foi escondida a verdade da história, na esperança que jamais o mesmo erro se repetisse, ficando os fatos apenas à aqueles envolvidos e a promessa na alma.”
— Como isso pode ser verdade, se parece que eles estão querendo soltar esse parasita!? – Watari estava atordoado com os fatos que se juntavam – Com tudo que temos visto, eles estão se preparando para invocar essa coisa!
— Eu já ouvi sobre esta batalha. – o Conde ponderava o que sabia, contrastando com a verdade que Tsuzuki sabia – Se ela se repetir, não haverá meio de oculta-la novamente e muitas vidas irão se perder.
— Mas se eles querem soltar esse ser, o selo deve estar enfraquecido, certo? – Hisoka tentava concluir algo com base nos ensinamentos do parceiro – O correto não seria refazerem o selo?
— Bem, ao menos eles não podem solta-lo sem um recipiente. – Tsuzuki explicava – Eles precisariam de um corpo físico para sacrificar ao parasita e dar-lhe sustentação neste plano. Enquanto eles não tiverem isto, nada será feito.
— Alguém que daria seu corpo por este poder e sua vida pela chance de fazer algo que julga certo!? – Hisoka repentinamente juntou os pontos – Minha mãe!
— O que? – Tatsumi e todos ficaram sem entender.
— Existem efeitos colaterais sérios, até mesmo para um shinigami, quando em contato com um parasita, certo? – a pergunta foi confirmada por Tsuzuki – Então alguém de saúde frágil, brechas obscuras em seus sentimentos mais profundos, repentinamente melhorando e tendo acompanhamento médico e psicológico, como minha mãe Kikyo, seria o corpo físico perfeito, correto? – os presentes estavam estáticos pela possibilidade exposta.
— Isso explica o comportamento estranho da vela dela. – o Conde já havia notado uma dificuldade em interpretar sua chama da vida.
— Mas eles acreditam muito que estão fazendo algo ‘certo’. – Konoe ainda ponderava os fatos, pois já tinha muitas teorias enquanto ligava e repassava as informações que todos conseguiam – Eles deveriam ter uma base de informação sobre os riscos de seus atos.
— Eles podem muito bem estar sendo enganados. – Watari tinha um ponto – A maioria das personificações parasitas são boas nisso e qualquer ser destes tem acesso ao coração e o psicológico de alguém. – ele tinha razão em suas palavras – Manipular emoções e pensamentos, não é difícil para uma personificação como essa sem dúvida alguma.
— Watari tem razão. – Tsuzuki e todos concordavam – Precisamos saber quando será esse evento e impedi-lo.
— Não devemos nos apressar. – Tatsumi impedia os pensamentos dos colegas – Se nos descobrirem, tomarão medidas antecipadas contra nós e nada poderá ser feito sobre isso. Precisamos pensar com cuidado em nossos planos.
— Eu tenho que correr! – Tsuzuki reparou já estar sem tempo – Tentarei descobrir a data da cerimônia e deixarei os deuses avisados.
Ele saiu da conexão, já sendo aguardado por Koyomi.
— Eu também devo ir. – Hisoka suspirava pesado – Shirona quer que eu jante com ela novamente. – ele nem mais conseguia se irritar com a farsa, de tão infeliz que estava sendo a seus olhos.
— Hisoka, tem certeza que se aproximar dela assim é uma boa ideia? – Tatsumi estava preocupado com o rapaz.
— Eu apenas estou cumprindo alguns pequenos desejos dela. O guarda dela não aprecia minha presença, mas eu posso lidar com ele. Desde que eu siga certos padrões, não terei problemas em conseguir informações para acabar logo esse caso. – ele já saia da conexão.
— Ele vai ficar bem? – Wakaba estava preocupada por ele.
— Existem muitas lembranças torturantes para ele naquela casa. Eles está se focando em fazer seu trabalho o melhor possível, enquanto encara seus traumas do passado. – Tatsumi concluía e todos sabiam que muito mais estava escondido ali. Desde que chegaram estavam ouvindo fofocas sobre um filho da Kurosaki e suas peculiaridades, tendo certeza que se referiam a Hisoka.
Terminaram a conexão dentro do consentimento de que, assim que tivessem as especificações da cerimônia, iriam pôr um fim a ela; não importasse como!
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