Segredos do Passado 2: O Mundo das Personificações
2 Shinigamis e Personificações
Notas iniciais
Seguindo pelos corredores amplos da área, Hisoka admirava a paisagem enquanto buscando por qualquer morador daquele lugar. O palácio era enorme e Tsuzuki se perdeu, fazendo com que assentissem em se separar para procurar alguém, e, de tanto andar, já não mais se aguentava. Hisoka estava realmente cansado, precisando parar – havia uma simples guarita sombreada próxima e foi diretamente para ela.
— Onde os shikis podem estar? – ele suspirava recobrando seu fôlego – Esse palácio é enorme e o Tsuzuki ainda se perdeu... – um imediato arrependimento lhe passou – Por que vim com ele? Podia ter pedido para qualquer outro shinigami... mas... – ele tentava ver como completaria seus pensamentos, até ser interrompido pelo sinal claro de sua empatia apontando perigo.
Uma espada tentou acerta-lo pelas costas. Mesmo conseguindo desviar, seu susto foi imediato e não conseguia localizar seu atacante, até repousar seus olhos sobre um belo homem, de olhos vermelhos, cabelos azuis claros longos e trajes imperiais... Seiryu! Ele imediatamente lembrou-se do shiki.
— Eu vou te matar, invasor! – sua frieza e energia eram devastadoras – Aqui não é seu lugar! – o coração de Hisoka doeu profundamente, não permitindo que reagisse ao ataque que se aproximava.
— Espere, Seiryu! – Suzaku apareceu em seu caminho – Ele é o parceiro do Tsuzuki-san. – ele tentava conter a raiva do companheiro.
Seiryu nada lhe respondeu, apenas continuando a fazer força com sua lâmina contra a de Suzaku.
— Seiryu! Suzaku! Parem! – a voz masculina deteve imediatamente os shikis.
— Tsuzuki-san! – Suzaku imediatamente queria cumprimenta-lo, enquanto Seiryu permaneceu emburrado.
— O que vocês estavam fazendo com o Hisoka? – os outros shikis se reuniam, enquanto ele tentava erguer o parceiro do chão – Você está bem? – ele via o terror de seus olhos.
— Eu vou ficar bem. – mesmo tentando disfarçar, tremia incontrolável. As palavras do dragão abriram uma de suas antigas feridas, afinal.
— O Seiryu tentou matar ele. – Suzaku avisou na hora, fazendo o companheiro receber um olhar reprovador de Tsuzuki.
— Seiryu! Ele é meu parceiro e veio aqui para buscar pelo seu shiki. – Tsuzuki exigia, com seu olhar sério, satisfações do shiki.
— Ele é perigoso! Como os Guardiões o deixaram entrar? – ele estava indignado.
— Isso não importa. – a referência, acompanhada de uma discreta virada de cabeça, confirmou que Tsuzuki estava ciente dos riscos de trazer um jovem, de forte temperamento e problemas de auto controle, não era o ideal; mas tinha um plano, provavelmente – Ele veio em busca de um shiki, portanto ficaremos por perto por algum tempo. Quero que todos vocês se deem bem. – ele foi claro com todos, recebendo seus consentimentos.
Se cumprimentando e, tendo sido decidido que celebrariam suas chegadas naquela noite, após mostrarem o palácio a Hisoka, o dia transcorreu sem mais nem um imprevisto. Havia uma casa que era usada por visitantes naquele mundo em busca de shikis ali. Era bem espaçosa, tinha diversos livros sobre invocações, domínios, elementos e os diferentes shikis – todos materiais que Hisoka já se programava para ler.
Na manhã seguinte, bem cedo, Tsuzuki já encontrou o parceiro treinando kenjutsu – parecia muito focado em ficar firme em sua base, deixando claro que estava nervoso pelos acontecimentos de ontem e pelos próximos passos a dar.
— Hisoka. – ele parou seu treino – Bom dia.
— Bom dia, Tsuzuki. – e o cumprimentou pegando uma toalha para secar seu suor – Você acordou cedo. – era incomum o parceiro acordar tão cedo sem algum incentivo.
— Claro, afinal hoje vamos começar sua busca por um shiki! – ele sorria muito animado, gerando a costumeira irritação de Hisoka.
— Idiota. – os dois riram e se prepararam para sair, seguindo em direção ao salão central, logo atrás do palácio principal.
No caminho, foram cumprimentados pelos deuses e, chegando na porta do salão, Tsuzuki estava muito sério.
— Hisoka, daqui em diante você precisa ir sozinho. – a frase teve um tom estranho para ele – Apenas você pode estar com os doze conforme descobrem qual tipo de shiki é mais compatível com você, seus elementos e quem vai te acompanhar na busca. – ele tocou o ombro do parceiro – Estarei torcendo por você. Boa sorte, Hisoka. – ele terminou sorrindo sincero.
— Obrigado, Tsuzuki. – mesmo sem ser um sorriso muito grande, Hisoka ainda o fez para o parceiro, ao agradece-lo – algo ainda incomum de ser ouvido, porém que deixava ambos felizes.
No salão, ele viu que não havia muito exceto as colunas de sustentação, uma ampla área com peculiares desenhos ao chão – alguns até lembravam símbolos dos feitiços que Tsuzuki lhe ensinava – e, bem a frente, uma pequena escada dava caminho ao patamar lustrado onde, em uma mesa de mármore, os doze deuses estavam posicionados.
— Como nos foi avisado pelo Tsuzuki-san, você veio aqui em busca de um shiki. – Seiryu era quem lhe dirigia a palavra.
— Sim. – Hisoka respondeu firme, ainda aflito pela violência com a qual foi recebido pelo dragão e vendo como o encarava.
— Para fazê-lo, o primeiro passo é descobrir que tipo de shiki é compatível com você. – Seiryu direcionou um olhar para Touda.
— Feche seus olhos e concentre-se em seu interior. – ele se aproximava de Hisoka – Não abra até que eu permita.
— Certo. – pelo que pode perceber, Touda não era muito falante e, por mais frio que parecesse, tinha um bom relacionamento com Tsuzuki.
Hisoka fechou seus olhos e sentiu algo tocar seu tórax, na altura de seu coração. As garras de Touda! Era uma sensação quente, forte e, ao mesmo tempo, fria... como se as emoções escapassem seu alcance. Procurou ignorar a sensação, tentando ao máximo controlar sua empatia para focar no pedido de Touda.
— Pode abrir. – ele ouviu a voz do deus e assim o fez – Você é compatível com shikis de água e terra. Pode até conseguir conectar-se com shikis do ar, mas apenas se forem um tipo mais receptivo. Quanto aos shikis de fogo, você deveria evita-los ao máximo! – ele terminou, fazendo Hisoka processar rapidamente que ele e Suzaku eram shikis de fogo e Seiryu um shiki de água.
— Agora eu vou explicar o que precisa fazer para descobrir quem será seu shiki. – ele viu Rikugo dar um passo à frente, direcionando sua atenção para um outro círculo a direita da sala.
Hisoka não questionou o shiki e parou ali mesmo, à espera do próximo passo.
— Nós, personificações, podemos ler o coração humano e assim decidimos como testar aqueles que se aproximam de nós, independente da intenção. – ele tinha atenção total do jovem – Existem inúmeros teste pelos quais você terá de passar e que irão variar de personificação para personificação. Para saber qual shiki está disposto a receber seu desafio, terá de analisar sua personalidade – imediatamente Hisoka lembrou-se do processo rápido de contato que teve com o filhote da Takao – É preciso analisar cuidadosamente cada ser, para ter certeza e não desafiar algum que não seja compatível com você ou tenha a intenção de mata-lo.
— Entendo, Rikugo-san. – Hisoka reparou na pausa que ele fizera, aguardando para ver se havia alguma dúvida por esclarecer.
— Já para que desafie aqueles compatíveis com você apenas, é preciso focar-se na essência do ser. – claramente Hisoka ficou em dúvida por suas palavras – Este é o primeiro teste que deverá encarar para qualquer ser deste mundo que encontrar. O ser que você confrontar irá liberar um fragmento de energia para você e, nesta hora, antes de desafia-lo, você precisará saber se ele é fogo, água, terra ou ar. – ele viu que Hisoka não perguntaria nada, até que a explicação terminasse, dando sequência – Fogo é o elemento da força. Água o elemento da mudança. Terra o elemento da substância. Ar o elemento da liberdade. – conforme falava, direcionava a atenção de Hisoka para os símbolos do círculo que se ascendiam conforme apontava para eles – Lembre-se destas sensações, pois elas serão sua única pista para realizar o primeiro teste.
— Sim! – dando uma firme confirmação ao shiki, Hisoka procurou concentrar-se o melhor que pode na sensação que cada uma passava – Rikugo-san, existem outras categorias de domínios além destas, correto? – Hisoka surpreendeu o shiki – O Tsuzuki explicou sobre isso uma vez, falando que são dez; e aqui tem mais símbolos. – ele via os outros desenhos do círculo, facilmente contando dez imagens.
— Sim, existem dez categorias. – Rikugo estava muito sério e analisava o rapaz – Mas não se sobrecarrega alguém, que está logo começando, com todas. As básicas vêm primeiro e apenas depois, se for o caso, todas serão acionadas para introdução. – ele terminou reparando na insatisfação que Hisoka pareceu deixar escapar momentaneamente.
— Agora é minha vez. – Genbu não deu chance para que aquilo se estendesse. Foi andando ao círculo a esquerda do salão e, em uma rápida troca de olhares com Rikugo, pareceram decidir o que fariam – Fique parado bem no centro do círculo, enquanto eu e Rikugo realizamos o próximo passo. – ele não deu nenhuma explicação maior, obrigando Hisoka a seguir suas instruções.
Rikugo preencheu a volta de Hisoka com seu poder, guiando as energias combinadas ao círculo de Genbu, preenchido com sua própria energia. Genbu criava um mapa do mundo deles, onde a energia de Rikugo, combinada com a de Hisoka, deveria apontar o melhor local para começarem a busca.
— Terminamos, Hisoka-kun. – Genbu o chamou para seu círculo – Esta região será a primeira onde você deverá ir em busca de seu shiki. – ele apontava no mapa, surpreendendo o shinigami com as versatilidades que possuíam.
— Suzaku, termine de explicar tudo a ele. – Seiryu novamente gerenciava a situação, tendo a resposta imediata do colega.
— A última coisa que temos que saber é qual tipo físico de shiki é o melhor para você. – ele era objetivo em suas explicações – Dentro destes tipos nós temos: divindades, personificações guardiãs, parasitas e espíritos comuns. Existem inúmeras variações dentro de cada uma destas quatro categorias, porém, você deve escolher se quer reduzir sua área de busca com uma pista minha ou seguir o processo normal. – Suzaku foi bem enfático neste ponto.
— Eu irei buscar pelo processo comum, embora aceitarei sua ajuda para saber qual das quatro vertentes devo evitar. – Hisoka foi decisivo em como queria fazer aquilo. Era tentador ter a ajuda de Suzaku para agilizar sua escolha, mas isso também reduziria suas chances de explorar mais das alternativas disponíveis.
— Muito bem. – Suzaku estendeu sua mão para testa de Hisoka, concentrando-se – Você deve ficar longe de seres parasitas. – o suor que ele ainda secava do rosto não passou desapercebido pelo jovem.
— Certo. – Hisoka confirmou, relevando o motivo da mudança súbita de humor do shiki.
— Byako. – ele viu Seiryu levantar-se de seu posto, contendo um impulso de sacar sua espada, a qual já segurava pelo punho – Você deverá acompanha-lo. – ele deu seu veredicto.
— Eba! – o tigre parecia ignorar o humor hostil do dragão – Vamos começar já! – ele imediatamente guiou Hisoka para fora do salão.
Do lado de fora, Hisoka se despedia de Tsuzuki, enquanto Byako transformava-se no tigre branco gigante, pronto para leva-lo. Ao alçarem voo, Tsuzuki reparou nos shikis sérios e parados na escadaria de entrada do salão.
— Tsuzuki-san, o que você pretende trazendo aquele menino aqui? – Seiryu estava muito nervoso.
— Tenha calma, Seiryu. – Tsuzuki tinha consciência de que o medo do shiki tinha fundamento – É para o bem dele e o meu. – os shikis foram pegos de surpresa por suas palavras – Eu nem sempre estarei ao lado dele para conseguir protege-lo e apoia-lo. Não seria a primeira vez que algo assim aconteceria e, para que ele tenha forças, eu preciso que ele amadureça cada vez mais. Se for assim, eu poderei ficar mais tranquilo sobre a segurança e o futuro dele. – ele ainda admirava os céus na direção em que foi.
— Mas Tsuzuki-san, o Seiryu tem razão. – Suzaku não gostava de admitir isso – O menino é realmente perigoso.
— Eu receio concordar. – Rikugo juntou-se aos dois – O jovem ainda precisa aprimorar muito de seu autocontrole pessoal para passar por um processo desses.
— Ele é uma criança de 18 anos. – a referência foi estranha – Com posto de shinigami da Enma-chou e poderes de empata. – os onze ficaram surpresos – Ele precisa disso mais do que eu mesmo posso imaginar.
— Esperamos que saiba realmente o que está fazendo. – Ten’itsu veio a frente – Ele vai precisar de muito para sobrepujar este obstáculo e nós já temos problemas suficientes para lidar. – ela despertou a dúvida séria de Tsuzuki.
— O que está havendo? – uma resposta era obrigatória – Estou sentindo uma inquietação desde que cheguei e vocês estão muito mais alertas que o normal.
— As brechas entre nosso mundo e os outros tem aparecido mais frequentemente e, mesmo com nossos esforços, muitas personificações vem desaparecendo. – Tsuzuki ficou chocado com a notícia – Pelas nossas médias e buscas, é bem provável que estejam mortas já ou em graves perigos.
Agora sim ele estava preocupado! Sabia que, há mais séculos do que se pode lembrar, houve um problema similar com personificações no mundo humano. Muitas foram exterminadas em um confronto onde seres humanos e shinigamis envolveram-se e pereceram igualmente.
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