Notas iniciais
Cheguei! Olha a autora sumida com a continuação prometida de Segredos do Passado!
Os capitulos ficaram mais longos, muitos detalhes e noções d etempo elaboradas e dialogos elaborados.
Que possam apreciar e aproveitar muito suas leituras desta história onde mais segredos virão a tona e nossos caros shinigamis terão suas habilidades colocadas a prova!
Bjs o/

O sol entrava pela janela do pequeno apartamento, onde uma rotina repetia-se. Hisoka estava discutindo com Tsuzuki para saírem na hora para o trabalho.

— Tsuzuki, vai terminar de se arrumar! – Hisoka arrastava o companheiro, lhe negando repetir o café pela terceira vez já.

— Ah, Hisoka. Sabe que adoro sua comida. – ele fazia manha.

Era verdade que Tsuzuki cozinhava até que bem, mas nada se comparava a habilidade que Hisoka tinha nesse quesito.

— Você come mais a caminho do trabalho. Vai se arrumar que eu vou lavar a louça. – Hisoka suspirou, empurrando o parceiro para dentro do quarto.

Com a cozinha arrumada, duas marmitas prontas e ambos arrumados, Hisoka e Tsuzuki saíram para Enma-cho. No caminho, Hisoka via como Tsuzuki divertia-se animado com o lanche que fizera para comer a caminho do trabalho, perdendo-se em pensamentos sobre o que passaram até chegar ali.

Depois de vencerem o obstáculo que Muraki representava, era hora de pensar no futuro e novos objetivos. Hisoka já morava há um ano com Tsuzuki, um acontecimento muito especial para ambos. Eram parceiros de trabalho, amigos e uma família que permaneceria unida agora.

O apartamento em que estavam era o de Tsuzuki, com uma reforma para um segundo quarto. Era pequeno, porem aconchegante e lá estavam juntos. Tsuzuki vinha ensinando Hisoka alguns feitiços de proteção e mais sobre controle de poderes – a empatia de Hisoka ainda era um problema, mas encontraram uma alternativa para ajudá-lo.

Hisoka tinha conhecimento de artes marciais, autodefesa, kenjutsu e uso de armas de fogo, através dos ensinamentos de sua família e, ao treinar mais e mais estas habilidades, era obrigado a se concentrar de diversas maneiras. Assim, praticava todos os dias um pouco de cada coisa, aprimorando sua concentração.

Tsuzuki parecia distraído comendo, mas estava sempre atento ao parceiro – principalmente enquanto em seus devaneios. Vinham se aproximando cada vez mais e ele gostava disso. Se abraçavam as vezes, se pegavam rindo juntos de coisas aleatórias e sempre estavam lá um pelo outro.

Em seus pensamentos conflitava a busca de Hisoka por mais poder e uma chance de alcançá-lo. Era claro que se focava em seus treinamentos mais que o normal, não conseguia disfarçar as muitas vezes que analisava os poderes e capacidades dos outros – principalmente as suas – e estava determinado a dar um jeito em sua empatia.

Era uma busca perigosa e que precisava de paciência e perseverança, além de um forte e sincero motivo, para ter os resultados adequados – certas características as quais Hisoka precisava aprimorar muito ainda. Certo, era um rapaz de 18 anos agora... Uma fase complicada da vida de um humano, sem esquecer dos agravantes de sua morte, família e trabalho como shinigami.

Tsuzuki preocupava-se pelo futuro que poderia vir desta situação, porem procurava manter-se calmo e focado – já havia ouvido mais de uma vez de Tatsumi que era muito ‘superprotetor’ em relação ao parceiro; embora Tatsumi também visse sentido em seus comportamentos.

Chegaram ao trabalho e começaram a organizar os arquivos dos últimos casos que resolveram juntos e de outros departamentos, que acabaram se acumulando. Já fazia algum tempo que não tinham trabalhos maiores para fazer, uma paz muito bem vinda e perfeita para colocar um plano em prática.

— Tsuzuki, precisamos conversar. – Hisoka e ele almoçavam no jardim dos escritórios, quando ele decidiu quebrar o silencio.

— O que foi, Hisoka? – Tsuzuki percebeu sua seriedade.

— Eu gostaria de tentar ter um shiki. – ele foi bem direto, surpreendendo o parceiro.

— Você quer tentar? Sério!? Estou tão feliz que você perguntou para mim! – ele tinha uma crise rápida de felicidade e descontrole.

— Idiota. – talvez nunca Hisoka fosse deixar de chama-lo assim – Quando se trata de shikis, você é o especialista, certo? – uma verdade clara.

— Vamos nos preparar para a viagem então! – Tsuzuki ria realmente feliz de sua decisão, já na certeza de que seria uma experiência extraordinária para ele e de grande auxílio para sua situação atual.

— Tsuzuki, o que estamos fazendo? – Hisoka achava que precisariam ‘se preparar para viagem’, mas estavam andando pelo escritório. Ele havia pedido a presença de Konoe e Tatsumi e chamado mais dois shinigamis – uma moça de jovem aparência e cabelo cor de mel muito gentil chamada Wakaba e seu parceiro, de severa expressão e alguns traços não humanos, como suas orelhas pontudas e longas, Hajime.

Apenas ao chegarem em um prédio marcado como “Área de Rituais”, foi que Tsuzuki o respondeu.

— Não levamos bens pessoais ao mundo das personificações. – ele foi a frente para explicar – Levamos apenas nossas determinação e vontade de conseguir um shiki. Para irmos é preciso abrir corretamente um caminho pelo véu e, os melhores na organização para isso são: o Conde, Watari, a Wakaba e eu. – ele tinha total atenção do amigo – Como serei seu acompanhante na viagem, a Wakaba vai abrir o caminho para nós e já deixamos o chefe avisado. – ele terminou direcionando atenção a colega e seu superior.

— Você vai sair em busca de um shiki, Kurosaki-kun? – Tatsumi estava surpreso e desejava sucesso ao jovem em pensamentos, apesar de compartilhar a preocupação de Tsuzuki sobre sua busca por poder.

— É uma excelente hora para irem, tem minha permissão. – Konoe estava satisfeito que Tsuzuki o ajudaria neste passo tão grande.

— Tenham uma boa viagem! – Watari já sorria animado.

— Apenas vá logo. – como sempre, Hajime estava de mau humor e não parecia estar nos melhores termos com Tsuzuki. Já havia visto ele e a parceira pelo escritório algumas vezes e cumprimentado, porém nunca soube o real motivo de não gostar de Tsuzuki e o parceiro não tocava no assunto, sempre se limitando a uma expressão fechada e pensativa seguida das palavras “Eu e ele temos princípios diferentes.”.

— Obrigado. – Hisoka se resumiu em agradecer a todos e foi ao lado de Tsuzuki – O que ela está fazendo? – Wakaba deu um passo à frente, fechou seus olhos e ali ficou, inerte a uma distância razoável dos dois.

— As damas da família Wakaba são conhecidas por seus poderes espirituais e recebem o título de ‘miko’ ao terminarem de amadurecer seus poderes. – Tsuzuki surpreendeu o parceiro – Ela está concentrando sua energia em localizar um caminho seguro para nós e, ao conseguir, irá avisar seus shikis para que possamos partir. – o final deixou Hisoka em dúvida – Os shikis dela são conhecidos como Guardiões da Passagem. Existem outros que se encaixam nesse perfil e tem contratos com outros shinigamis, mas apenas a Wakaba está presente no momento. – Hisoka entendeu e ficou no aguardo pelo progresso da situação.

Em pouco tempo, um círculo de energia apareceu em torno deles e rajadas de vento vieram preencher o ambiente.

— Ouçam minha voz. Tragam os ventos ferozes com vocês. Guiem o caminho que vejo. Venham! Kotaro! Kojiro! – ela terminou, fazendo dois imponentes e belos tengus, de longas asas negras e fortes, aparecerem para Tsuzuki e Hisoka.

— Vocês estão indo bem! – Wakaba estava maravilhada em revê-los, além de serem dois homens de uma beleza exuberante.

— É um prazer revê-la, Miko-sama. – ambos imediatamente a cumprimentaram formalmente.

— Kotaro-san, Kojiro-san, faz muito tempo. – Tsuzuki os cumprimentou junto de Hisoka.

— Diga, em que podemos ajudar Miko-sama? – os tengus se dirigiam a Wakaba, deixando os shinigamis em espera.

— O Kurosaki-kun e o Tsuzuki-san vão para o Mundo das Personificações. Vocês podem abrir o caminho para eles, por favor? – ela direcionou suas atenções aos shinigamis, sorrindo carinhosa.

— O que acha, Kojiro? – Kotaro parecia preocupado – Esta criança andando por nosso mundo? – a referência, junto ao olhar crítico do tengu, incomodou Hisoka.

— O Tsuzuki-san estará com ele, então creio estar tudo bem em deixa-lo entrar. – ali os dois consentiram em abrir o caminho, imediatamente transportando os dois.

Hisoka não estava muito satisfeito em ter sido tratado como criança daquela forma ou de novamente depender de Tsuzuki para ter liberdade em realizar certas atividades, mas guardou seus pensamentos para si. Era verdade que ainda não tinha tanta perícia quanto o parceiro, embora planejasse mudar isso muito em breve.

Passando pelo caminho de luz, preenchido por lanternas azuis e vermelhas nas laterais de grandes portões vermelhos, Hisoka deparou-se com uma incrível visão. Contemplando as belas e ornamentadas estruturas das casas, ruas e prédios, o cenário, que lembrava uma capital imperial antiga, era altamente chamativo.

Ao longe estendiam-se florestas, montanhas e vales, a frente comércios movimentados pelas mais inusitadas figuras apareciam e, nas passagens laterais das ruas, becos escuros ocultavam aqueles em busca de privacidade ou que faziam a segurança das ruas.

— Hisoka. – Tsuzuki o tirou de seus devaneios de admiração – Vamos entrar! – e direcionou ao majestoso lugar na frente do qual aterrissaram!

Estendendo-se além do que a vista alcançava, o palácio era estonteante, transmitia soberania, beleza e paz, marcava sua presença como a mais bela obra de arte e, em seu interior, abrigava mansões e menores palácios. Era inacreditável!

— Tsuzuki, vamos entrar aqui? – ele não entendeu por que exatamente em um lugar extraordinário como aquele, sendo que acabaram de chegar.

— Sim. – ele já ia entrando, quando completou – Afinal, os deuses moram aqui.

Estático e ainda processando novamente o que realmente eram os shikis do parceiro, Hisoka nada disse e o seguiu através do portão. Sem que andassem muito, pararam dentro de um templo pequeno, ornamento em prata e dourado, destacando padrões azuis e vermelhos de uma delicada pintura, onde se sentaram em alguns bancos para conversar.

— Hisoka, aqui no Mundo das Personificações, antes de mais nada, preciso esclarecer algumas coisas para você. – ele tinha total atenção do mais jovem – Este mundo é dividido em cinco áreas, cada uma com dez divisões. Cada uma das quatro áreas periféricas tem uma entrada, protegida por seus Guardiões e que pode abrir caminho para área central onde estamos agora. Os shikis se dividem por tipos, hierarquias, poderes e facções de forma equilibrada através de toda extensão desse território. – Hisoka ia confirmando o que ele explicava, então prosseguia – Existe uma personificação que reina sobre todas as outras, a mais antiga e poderosa de todas, aquela que criou este mundo inteiro. Eu não posso te contar sobre essa personificação, mas posso lhe dizer que ele vive em uma zona conhecida como Palácio Central e os 12 Deuses gerenciam as cinco regiões sobre suas ordens. Eles se dividem para manter a ordem nos locais e estão entre os poucos shikis de alta hierarquia que podem se comunicar com o Rei. – ele reparava na surpresa de Hisoka, assim como em toda atenção e seriedade que estava dando a situação – Aqui, neste palácio, na área central, vivem os doze Deuses e concentram-se algumas das principais informações deste mundo; por isso que existem diferentes prédios, armadilhas e seções dentro deste lugar.

— Então temos que tomar muito cuidado por onde andamos e com quem lidamos. – Hisoka queria confirmar seu resumo das informações que recebeu.

— Exatamente. – Tsuzuki prosseguia – Os deuses podem até te conhecer um pouco, mas isso não muda que deve ter cuidado com eles. Lembra do que te ensinei, certo? – ele sorria, fazendo o jovem ficar vermelho um pouco – Personificações não são empatas como você, porém toda personificação pode ler um coração. Ao tentarmos nos conectar com elas, elas irão te testar imediatamente. Seja seu psicológico, sua força física e ou espiritual ou sua vontade e determinação. – ele foi extremamente sério ao explicar e seguiu – Se julgarem você mais fraco ou indigno, elas podem te atacar para matar ou expulsa-lo do lugar em que estiverem. Ao entrar neste caminho, é preciso estar preparado para tudo!

— Por que não disse isso antes!? – Hisoka não entendia como ele podia ser tão relaxado com a prioridade que dava a ordem de suas informações.

— Eu sabia que você não mudaria de ideia sobre vir até aqui em busca de um shiki. – ele sorriu, rapidamente ficando sério outra vez – Você vai precisar de toda sua concentração e força, pois você não pode esquecer de que é um empata! Seu poder pode lhe gerar complicações na hora da busca. – tudo bem, Hisoka admitia, o aviso do amigo era certo e bem-vindo.

— Entendi. – Hisoka não mudava sua seriedade perante a conversa – Mas como devo fazer para buscar meu shiki? – ele realmente estava em dúvida.

— Primeiro vou te apresentar aos deuses, depois vamos passar para esse detalhe. – Tsuzuki se levantava e ia em direção a saída – Temos que encontra-los nesse lugar enorme ainda e não há tempo a perder. – o mais jovem arqueou uma sobrancelha com o comentário – O tempo aqui é diferente do nosso na Enma-chou. Um dia para nós aqui, equivale a apenas seis horas lá. – os dois saíram pela área do palácio em busca de, ao menos, um dos deuses, enquanto os pensamentos de Hisoka faziam um rápido cálculo.

“O Tsuzuki passou um mês aqui para conseguir os shikis dele. Se um dia aqui são seis horas lá, um dia lá seriam quatro dias aqui então... Isso quer dizer que ele passou quatro meses inteiros do tempo daqui procurando seus shikis!? – era muito mais tempo do que esperava – Eu não tenho tanto tempo assim a perder e também não estou procurando por 12 shikis. Se ele conseguiu eu também conseguirei e mais rápido! – era oficial: seu foco total era ficar mais forte para alcançar o parceiro o mais rápido possível, não importasse como.”

Notas finais
E aqui fechamos este primeiro capitulo!
Muito ainda está por vir!
Fiquem ligados nesta trama e vamos para o próximo capitulo sem delongas!