Notas iniciais
Boa Leitura!

Tudo se trata de distração.

Seus golpes eram rápidos e fortes, ela usava seu atributo mais poderoso. A beleza.

— Sabe que não vou bater em uma garota, não é? — falei.

— Então vai continuar apanhando. — ela socou meu nariz fazendo espirrar sangue em meu rosto. — Um dos competidores de sangue alfa é uma garota e ela vai tentar matar você. Vai ficar lá parado enquanto ela corta a sua garganta?

— Eu não disse isso. — resmunguei enquanto evitava outro soco, desta vez no meu pescoço.

— Então ataque, faça com que eu me renda ou pelo menos me faça suar um pouco. — Ela sorriu presunçosa. Ah, ela estava me irritando.

Evitei os socos enquanto ela se afastava e tentava uma nova abordagem, chutes vieram numa sequencia de luta tailandesa perfeita. Eu já estava ficando cansado disso, tentei dar golpes com metade da força mas ela evitava eles com uma facilidade assustadora. Um soco atingiu seu estômago deixando-a sem ar, ela se abaixou e caiu quando lhe dei uma rasteira.

— Agora, realmente não está desperdiçando meu tempo.- não sorria, mas eu podia sentir que estava satisfeita.

O baile cerimonial era esta noite e Alexandria não parecia nem um pouco animada com isso, mas levando em consideração que ela não parecia animada com nada que viesse de seu próprio mundo, e principalmente ela não estava animada em ver os membros da Irmandade.

— Um conselho: desconfie de todo mundo, principalmente de quem for gentil com você. — sorri, e ela me encarou com o rosto sério. — Não é uma piada.

— Tudo bem. — levantei as mãos em sinal de rendição.

O smoking que surpreendentemente aparecera em cima da cama era sob medida e em um tom negro com detalhes dourados na lapela. Alexandria apareceu com um vestido escarlate que deixava muito pouco a imaginação, uma fenda subia até o meio de suas coxas e um decote atrás descia até o final de sua cintura. Senti minha respiração falhar quando ela se posicionou em frente a um espelho e colocou os longos cabelos negros de lado para prender um colar de rubi.

— Você me daria um soco se dissesse que está linda nesse vestido? — perguntei com um sorriso.

Ela se virou para mim e vi que não estava nada contente por estar usando aquele vestido nem em ir ao estúpido baile ou qualquer coisa que dizia respeito a sair do quarto e encarar seu próprio mundo. Podia ver o medo que ela tinha de se aventurar com as pessoas de sua própria espécie, era como o medo de voltar para um lugar que conhecera e não gostara nada.

— Não, mas ainda assim não me deixa feliz saber que você não seria capaz de desviar de um soco meu. — respondeu.

O mesmo guarda que nos escoltou para a imensa torre de vidro, veio nos levar para o salão de baile no centro do castelo. Portas pesadas de cristal estavam abertas, dando ampla visão de um salão cheio de mulheres e homens em trajes de gala, um pianista tocava uma melodia suave no canto que ecoava como fundo para conversas e risos espalhafatosos.

— Você está bem? — perguntei para Alexandria, que parecia meio pálida.

— Acho que quero vomitar ou correr para o mais longe possível dessa merda toda, mas não se pode ter tudo que quer. — sua voz era fria e sem emoção, e me surpreendi ao não entender o que se passava com ela. As barreiras haviam voltado, dessa vez ainda mais altas e fortes.

Ofereci meu braço e ela o aceitou, me deixando guiá-la pelo salão até um canto mais afastado da multidão. Podia ver a Irmandade em seus tronos reluzentes, sorrindo e acenando aos convidados como perfeitos anfitriões. Os olhos de Lucius se prenderam a Alexandria no instante em que pisamos no salão, e ele não fazia a menor questão de disfarçar, podia sentir seu corpo se enrijecer ao meu lado com aquela intensidade. Não me orgulhava de ter espiado seus pensamentos na noite anterior, mas foi útil para que conhecesse Alexandria. Ela parecia uma daquelas bonecas russas que tinham infintas faces e camadas, mas que se mantinha devidamente escondidas.

— Vamos dançar. — disse, puxando-a para o meio do salão onde casais giravam e giravam ao som de um a valsa mais formal que o usual.

— Consigo sentir sua preocupação a quilômetros de distância, por que está nervoso? — ela entortou a cabeça pro lado, como se estivesse mesmo curiosa.

Mas apesar de saber que a telepatia funcionava dos dois lados e que não era o único a ter essas sensações, me senti nu sob sua vista. Como poderia dizer a ela que o que me corroía não era preocupação e sim culpa, culpa por ter invadido memórias que ela se esforçava ao máximo para esquecer.

A música já havia acabado a alguns minutos, mas nós ainda continuávamos girando pelo salão perdidos cada um em seus próprios demônios quando senti uma mão apertando meu ombro. Os olhos de Alexandria se arregalaram em surpresa e ela hesitou dando um passo para trás.

— Acho que não se vai importar de me ceder sua companhia, meu caro. — Lucius nem ao menos me olhava, sua atenção voltada apenas a mulher a nossa frente.

— Não sei se isso é uma boa ideia...

"Tudo bem, Ian. Tire alguma garota para dançar, conheça seus oponentes e se prepare, isso é um baile tanto quanto eu sou delicada."

Dirigi um olhar desconfiado à ela que apenas assentiu me mandando embora. Ela envolveu seus braços ao redor do pescoço de Lucius e eles se misturaram a multidão em passos delicados e suntuosos. Fui até as imensas portas de metal buscando ar, mas só encontrando confusão tanto minha quanto de Alexandria. Minha cabeça parecia estar em chamas de um modo nada normal.

— Você achou que seria fácil controlar um poder tão forte quanto esse?

Notas finais
Curtinho.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.